O Saneamento Básico em Regiões Metropolitanas Um olhar sobre o Estatuto da Metrópole

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1 O Saneamento Básico em Regiões Metropolitanas Um olhar sobre o Estatuto da Metrópole V I C T O R C A R V A L H O P I N T O C O N S U L T O R L E G I S L A T I V O D O S E N A D O F E D E R A L

2 Constituição Federal Art. 25, 3º. Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.

3 2013: Adin 1842 (STF) É inconstitucional a estadualização do saneamento básico A competência também não é dos municípios Deve ser formado um Agrupamento de Municípios O Agrupamento tem personalidade jurídica de direito público Participam obrigatoriamente do Agrupamento os municípios e o estado O voto pode ser ponderado Nenhum ente pode deter o controle da governança metropolitana

4 Dispositivos inconstitucionais Lei Complementar 87/1997 RJ Art. 4º, 2º - As decisões do Conselho Deliberativo serão tomadas sempre por maioria simples, condicionada sua execução à ratificação pelo Governador do Estado. Art. 5º - São atribuições do Conselho Deliberativo da Região Metropolitana do Rio de Janeiro: I - Elaborar o Plano Diretor Metropolitano, a ser submetido à Assembleia Legislativa, que conterá as diretrizes do planejamento integrado do desenvolvimento econômico e social, incluídos os aspectos relativos às funções públicas e serviços de interesse metropolitano ou comum; Parágrafo único - A unificação da execução dos serviços comuns poderá ser efetuada pela concessão ou permissão do serviço pelo Estado, na forma do disposto no artigo 175 da Constituição Federal.

5 Dispositivos inconstitucionais Art. 6º - Compete ao Estado: I - a realização do planejamento integrado da Região Metropolitana e o estabelecimento de normas para o seu cumprimento e controle; II - a unificação, sempre que possível, da execução dos serviços comuns de interesse metropolitano; IV - o estabelecimento, através da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Rio de Janeiro - ASEP/RJ, de normas gerais sobre a execução dos serviços comuns de interesse metropolitano e o seu cumprimento e controle; V - exercer as funções relativas à elaboração e supervisão da execução dos planos, programas e projetos relacionados às funções públicas e serviços de interesse comum, consubstanciado no Plano Diretor Metropolitano;

6 Dispositivos constitucionais Art. 3º - Consideram-se de interesse metropolitano ou comum as funções públicas e os serviços que atendam a mais de um município, assim como os que, restritos ao território de um deles, sejam de algum modo dependentes, concorrentes, confluentes ou integrados de funções públicas, bem como os serviços supramunicipais, notadamente: I - planejamento integrado do desenvolvimento econômico e social; II - saneamento básico; III - transporte coletivo rodoviário, aquaviário, ferroviário e metroviário, de âmbito metropolitano ou comum, através de uma ou mais linhas ou percursos, incluindo a programação de rede viária, do tráfego e dos terminais de passageiros e carga; VI - cartografia e informações básicas para o planejamento metropolitano; e VII - habitação e disciplina do uso do solo.

7 Dispositivos constitucionais Art. 5º - São atribuições do Conselho Deliberativo da Região Metropolitana do Rio de Janeiro: I - Elaborar o Plano Diretor Metropolitano, II - Elaborar programas e projetos de interesse da Região Metropolitana objetivando, sempre que possível, a unificação quanto aos serviços comuns; Art. 6º - Compete ao Estado: III - a coordenação da execução dos programas e projetos de interesse metropolitano; VI - promover, acompanhar e avaliar a execução dos planos, programas e projetos, observados os critérios e diretrizes propostos pelo Conselho Deliberativo;

8 Dispositivos constitucionais Art. 8º - Os órgãos setoriais estaduais deverão compatibilizar seus planos, programas e projetos relativos às funções públicas e serviços de interesse comum na Região Metropolitana do Rio de Janeiro com o Plano Diretor Metropolitano. Art. 9º - Os planos, programas e projetos dos Municípios que compõem a Região Metropolitana do Rio de Janeiro deverão observar o disposto no Plano Diretor Metropolitano.

9 Pontos positivos A autonomia dos municípios metropolitanos foi mitigada As funções públicas de interesse comum não podem ser exercidas isoladamente pelos municípios Os municípios têm o direito de participar da governança metropolitana Os votos dos municípios e do estado podem ser ponderados O municipalismo não é impedimento à criação de agrupamentos compulsórios de municípios, a exemplo do que existe em países europeus (ex: STIF)

10 Pontos negativos Não se sabe como organizar os Agrupamentos de Municípios Funções que exigem lei (uso do solo, funcionalismo) Aprovação do orçamento O Agrupamento não tem impostos próprios Taxas, contribuições de melhoria, tarifas Os estados podem abandonar o financiamento dos serviços atualmente estadualizados, levando ao seu colapso Transporte metropolitano da RM de Curitiba

11 PEC 13/2014 Lei complementar sobre o instituto do Agrupamento de Municípios Plano diretor metropolitano aprovado por decreto legislativo estadual Possibilidade de destinação de parcelas do FPM, do FPE e do ICMS ao Agrupamento Criação de RMs interestaduais pela União

12 2015: Estatuto da Metrópole Apresentado na Câmara dos Deputados em 2004 Autor Walter Feldmann Comissão Especial entre 2009 e 2013 Relator Zezéu Ribeiro Aprovação no Plenário Senado 2014 Sanção com vetos parciais em 2015 Lei , de 12 de janeiro de 2015

13 Destaques As funções públicas de interesse comum devem ser fundamentadas tecnicamente Prevalência do interesse comum sobre o local Processo permanente e compartilhado de planejamento e de tomada de decisão quanto ao desenvolvimento urbano e às políticas setoriais afetas às funções públicas de interesse comum Compatibilização dos planos plurianuais, leis de diretrizes orçamentárias e orçamentos anuais dos entes envolvidos na governança interfederativa Compensação por serviços ambientais ou outros serviços prestados pelo Município à unidade territorial urbana

14 Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) Território urbano e rural de todos os municípios Projetos estratégicos e ações prioritárias Articulação do uso do solo e intersetorial Macrozoneamento Delimitação de áreas não urbanizáveis Patrimônio cultural, ambiental e risco

15 Elaboração e revisão Aprovação inicial pela instância deliberativa da RM Aprovação final por lei estadual (inconstitucional) Planos setoriais interfederativos compatíveis Compatibilização dos planos diretores municipais Prazos de 3 anos para aprovação do PDUI e de mais 3 para revisão dos Planos Diretores municipais (improbidade administrativa) Revisão a cada 10 anos

16 Lei Nacional do Saneamento Básico Art. 1º, 2º Na aplicação das disposições desta Lei, serão observadas as normas gerais de direito urbanístico (...), bem como as regras que disciplinam a política nacional de desenvolvimento urbano, a política nacional de desenvolvimento regional e as políticas setoriais de habitação, saneamento básico, mobilidade urbana e meio ambiente Art. 17. O serviço regionalizado de saneamento básico poderá obedecer a plano de saneamento básico elaborado para o conjunto de Municípios atendidos. Art. 15. Na prestação regionalizada de serviços públicos de saneamento básico, as atividades de regulação e fiscalização poderão ser exercidas: II - por consórcio público de direito público integrado pelos titulares dos serviços.

17 Lei de parcelamento do solo urbano Art. 13. Parágrafo único - No caso de loteamento ou desmembramento localizado em área de município integrante de região metropolitana, o exame e a anuência prévia à aprovação do projeto caberão à autoridade metropolitana.

18 O que muda com o Estatuto da Metrópole e a Adin 1842? As instâncias de governança metropolitana deverão ter sua composição revista, para eliminar eventual subordinação aos governos estaduais. Os planos e projetos relativos a funções públicas de interesse comum deverão ser previamente aprovados pela instância metropolitana, independentemente de quem os execute. Os planos diretores municipais e as políticas setoriais estaduais devem observar o PDUI. As funções de interesse comum executadas por órgãos ou entidades estaduais ou municipais deverá ser regularizada, mediante delegação ou contratação do Agrupamento de Municípios Os Agrupamentos poderão executar diretamente algumas funções, retirando-as dos órgãos estaduais e municipais.

19 O que deve ser feito Revisão da estrutura de governança metropolitana Definição de metodologia de elaboração do PDUI pela instância metropolitana Elaboração do PDUI Elaboração de planos setoriais relativos às funções públicas de interesse comum Revisão dos planos diretores municipais Aprovação dos planos e projetos municipais e estaduais pela autoridade metropolitana

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