PORTUGAL Economic Outlook. Carlos Almeida Andrade Chief Economist Julho 2008

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1 PORTUGAL Economic Outlook Carlos Almeida Andrade Chief Economist Julho 2008

2 Portugal: Adaptação a um novo ambiente económico global A economia portuguesa enfrenta o impacto de um ambiente externo difícil, no momento em que registava uma tendência gradual, mas sustentada, de recuperação, baseada nas exportações e no investimento. Mas Portugal encontra-se agora em melhor situação para fazer face ao abrandamento na conjuntura internacional. O PIB cresceu 1.8% em 2007, com a contribuição de subidas de 7.4% nas exportações e de 3.3% no investimento fixo. Espera-se uma desaceleração da actividade em 2008 e 2009, em resultado de um abrandamento das exportações para a Zona Euro e de condições monetárias mais restritivas. Crescimento do PIB (%) Crescimento das exportações (%) Crescimento do investimento (%) Fontes: INE, ES Research. 1

3 Crédito mais restritivo e inflação mais elevada Tal como na maioria das economias da Zona Euro, os impactos globais da crise do crédito subprime e da subida dos preços das commodities deverão dar lugar a uma moderação no crescimento da procura interna e externa. % Euribor real a 6 meses (%) Taxa de inflação (% y-o-y) Zona Euro - Índice PMI Compósito Inflação na energia e alimentação (% y-o-y) Index (Points) Fontes: Bloomberg, INE, European Commission.! " #

4 mas contas públicas em melhores condições para lidar com abrandamento. Ao contrário dos anteriores episódios de abrandamento, a actual desaceleração no crescimento do PIB português não é o resultado directo de desequilíbrios ou ajustamentos internos. A economia tenderá assim a recuperar mais rapidamente com uma melhoria do ambiente externo. O défice das Administrações Públicas caiu de 6.1% para 2.6% do PIB entre 2005 e 2007, através de uma combinação de receitas mais elevadas e contenção na despesa concedendo à política orçamental uma margem maior para gerir a actual fase cíclica de abrandamento (mesmo com o Governo a manter-se focado no objectivo de um défice em torno de 2.2% do PIB em 2008). Despesa Corrente primária (% PIB) Défice Orçamental (% GDP) Dívida Pública (% PIB) Fontes: Ministry of Finance, ES Research. 3

5 Melhorias na produtividade e no mercado de trabalho A subida do crescimento do PIB traduziu-se numa tendência de estabilização no mercado de trabalho, ao mesmo tempo que esforços de reformas estruturais tanto ao nível do sector público como do sector empresarial privado resultaram num crescimento da produtividade mais elevado. Taxa de desemprego (% da população activa) $ % & % ' # ' " ( )* " ' A taxa de desemprego diminuiu de 8.4% (um máximo do actual ciclo) para 7.6% da população activa entre o 1º trimestre de 2007 e o 1º trimestre de Espera-se que a taxa média anual de desemprego evolua em torno de valores próximos de 8% da população activa em ' Crescimento da produtividade (total e sector privado, %), - ' ' Fontes: INE, Bank of Portugal. 4

6 Padrão de exportações com maior valor nos bens e serviços As empresas portuguesas têm vindo a ajustar-se com algum sucesso ao novo ambiente económico marcado por um crescimento mais baixo nos parceiros comerciais tradicionais e por um crescimento mais forte nos mercados emergentes. As exportações com maior conteúdo tecnológico têm aumentado o seu peso nas exportações totais de mercadorias. O aumento do valor das exportações portuguesas é igualmente visível nos serviços (construção, transportes, consultoria, engenharia, etc.). Perfil das Exportações = =. ". " % ' / ' 0 % " - * % ' =& = " > " ' ' ". " - ; ". " ' " 4 * =& = " > " ' ' " - ; " = = 9 & ' ;? " % " " % = 9 & ' ;? " " - ; " * % ' % = + * " % 1A = + " & ' " 1A = < " ' * ;B 1A = + % * ;? " 1= C D % 3' 1= - ; " D " 1=. " % % ' / ' * " 4 * & % ' " 52 ' ' " & ' 5, * ' " 0& ' " 56 * 7% " 5, 3" ' " 5 '. " ' " ' " 5: " ' * 3 ; 5, * ' " % ' " 5< ' ; 5 ' Fontes: INE, ES Research; * Taxa de crescimento nominal 5

7 Aumenta a exposição da economia a mercados de elevado crescimento A economia portuguesa tem vindo a aumentar a sua exposição a economias caracterizadas por forte acumulação de capital, acesso próximo a matérias-primas e perspectivas favoráveis para a procura (em África, Ásia e América Latina). Perfil das Exportações % Crescimento anual das exportações de Ásia mercadorias (%) África Estrutura das exportações de mercadorias (% do total) CE + # ( $ == Intra UE-25 ( 2# C< ( == ( C( == 5 ( # C< ( == E : ;B " 9 & ' ;? " F ( A = < > : A = 2 " A = ( G A = H A = I,, A = Fontes: INE, Eurostat, ES Research. 6

8 com reflexos positivos na actividade e no investimento das empresas. O aumento da exposição a mercados alternativos onde as perspectivas de crescimento se mantêm favoráveis continua a suportar a actividade e o investimento das empresas. Espera-se que o crescimento global do investimento (mesmo desacelerando) se mantenha suportado por um conjunto de projectos públicos e privados. O investimento das empresas em máquinas e equipamentos cresceu 6.3% homólogo no 1º trimestre de 2008, mesmo com uma desaceleração do crescimento. Espera-se um abrandamento do investimento em , mas com as despesas de capital das empresas a manterem-se suportadas por uma atenção crescente aos mercados externos. O investimento deverá ser suportado, no médio prazo, por: Projectos importantes de infraestruturas em transportes e logística (ex. novo aeroporto internacional, TGV); Novo pacote de fundos da UE (EUR 21 mil milhões de fundos comunitários, acrescidos de EUR 23 mil milhões em fundos públicos e privados domésticos), aplicados no contexto do QREN até 2013; Um novo fluxo de investimentos privados através do programa PIN (73 novos projectos, no valor de EUR 15 mil milhões, foram contratados até final de 2007). Investimento das empresas em máquinas e equipamentos (% y-o-y) C 9, '" Principais indicadores de confiança das empresas. - " 2 * D ' * Fontes: INE, European Commission. 7

9 Apesar de um aumento do endividamento, risco de crédito mantém-se contido. O endividamento das famílias tem vindo a aumentar (como em outras economias), mas os rácios de serviço da dívida e de crédito vencido mantêm-se contidos. Igualmente, a dívida agregada mantém-se baixa em comparação com a riqueza das famílias Non- Financial Wealth Financial Wealth Crescimento dos empréstimos às Riqueza vs. Endividamento das famílias (% PIB) Indebtedness 2 ' famílias (%,tvh) < " * % & ' Non- Financial Wealth Financial Wealth Endividamento das famílias (% rendimento disponível) * " > ' " " D' " < " * % & ' > ' > " " D' " C ' " ' & % '" '" = = = Rácio de crédito vencido (% do total) 2 ' < " * % & ' Fonte: Bank of Portugal. 8

10 Preços da habitação bem suportados ao nível dos fundamentos A posição cíclica menos vulnerável do mercado da habitação português também limita os impactos negativos potenciais das taxas de juro mais elevadas e do menor crescimento da actividade sobre a estabilidade do sector financeiro. = Crescimento dos preços da habitação (%, dados mensais, tvh) Tendo tido o seu período de maior expansão nos anos 90, o mercado da habitação português encontra-se numa posição cíclica diferente das observadas em economias como os EUA, França, Irlanda ou Espanha. O crescimento dos preços tem sido moderado nos últimos anos (entre 1% e 2%), não existindo evidência de sobreavaliação. Os efeitos negativos potenciais da crise do crédito sobre o sector da habitação tenderão a ser reduzidos. Index Preços na habitação, Portugal vs. Espanha Price index Portugal (lhs) Price index Spain (lhs) Nominal change Spain (rhs) Nominal change Portugal (rhs) (dados anuais) % Fontes: Confidencial Imobiliario, ES Research. 9

11 Risco de crédito reduzido entre as sociedades não financeiras O endividamento das empresas aumentou, mas sobretudo em função da recuperação do investimento e de uma maior exposição aos mercados externos. Rácios de incumprimento no crédito mantêm-se muito reduzidos por padrões históricos. % % Empréstimos às sociedades não financeiras (%, tvh) E D & ' " Rácio de crédito vencido (% do total) Endividamento das sociedades não financeiras (% PIB) Rácio de pressão financeira (%, juros/resultados operacionais) 10 Fonte: Bank of Portugal.

12 Previsões Taxas de variação real (%), excepto quando indicado., C. < " * %, - < " * %, ú> C - " ' % ' 9 & ' ç? " C% & ' ç? " C D çb = I ç % ' =, C. Jí-, ú> =, C.. ç < ' < & ' =, C. J " % & = & & * çb ' - Sources: INE, Bank of Portugal, ES Research. 11

13 Miguel Frasquilho Carlos Almeida Andrade Pedro Matos Branco Maria Amélia Valverde Henrique Sanchez Tiago Lavrador Ivo Banaco Paulo Talhão Paulino João Pereira Miguel Jankiel Santos

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