Código de Defesa do Consumidor. Continuação aula anterior Vício e Defeito Teoria da desconsideração da pessoa jurídica

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1 Código de Defesa do Consumidor Continuação aula anterior Vício e Defeito Teoria da desconsideração da pessoa jurídica

2 EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE- Art. 12,parag.3o. CDC Fornecedor prova que não colocou produto no mercado (inciso I) A responsabilidade será do terceiro que colocou o produto no mercado. Defeito Inexiste (inciso II) se os danos não decorrem do defeito, não há obrigação de indenizar, pois podem ter origem em causas diversas

3 EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE- Art. 12,parag.3o. CDC Culpa exclusiva do consumidor ou terceiro (inciso III) - Somente quando há culpa exclusiva da vítima ou de terceiro se exclui a responsabilidade do fornecedor, pois quando há culpa concorrente não a exclui e conduz apenas a redução do quantum indenizatório. Caso Fortuito ou Força Maior mesmo sem previsão expressa no CDC, os tribunais admitem esta possibilidade de exclusão

4 HIPÓTESES NÃO PERMITIDAS PELO CDC A exoneração ou atenuação da obrigação do fornecedor sobre a inadequação dos produtos Art. 23 Dispensa de termo expresso para que a garantia do produto se efetive Art. 24 As cláusulas de irresponsabilidade ou de não indenizar são proibidas pelo CDC Art. 25

5 VÍCIO DO PRODUTO E SERVIÇOS Qualidade dos produtos/serviços: São considerados vícios as características de qualidade e quantidade que tornem os produtos impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam e também lhe diminuam o valor. Quantidade dos produtos/serviços: são considerados vícios as disparidades havida na embalagem, recipiente, rótulo, oferta, mensagem publicitária.

6 ESPÉCIES DE VÍCIO Os vícios podem ser: A)aparentes: aqueles de fácil constatação, que aparecem no uso e consumo do produto/serviço B)ocultos: aqueles que aparecem algum ou muito tempo após o uso, e que por estarem inacessíveis ao consumidor, não podem ser detectados no primeiro momento. Responsabilidade solidária - o consumidor pode acionar todos os partícipes da relação de produção com responsáveis diretos pelo vício

7 RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO DO PRODUTO OU SERVIÇO O objetivo é a proteção da esfera econômica, ensejando tão somente o ressarcimento seguindo as alternativas tratadas na lei. - Arts 18, parag. 1o., I a III do CDC - O consumidor poderá exigir do fornecedor, desde que o vício não seja sanado em trinta dias: A) substituição do produto por outro em perfeitas condições de uso; B) restituição da quantia paga, corrigida, sem eventual prejuízo de perdas e danos; C) abatimento proporcional do preço. OBS: O prazo de 30 dias pode ser alterado para no mínimo 7 dias e máximo 180 dias

8 RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO DO PRODUTO OU SERVIÇO Para serviços é necessário observar outros prazos: Art 49 CDC Direito de Arrependimento O consumidor tem sete dias para a desistência do contrato quando firmados fora do estabelecimento comercial, efetivados por telefone ou no domicilio. Pode ser contato desde que se assina o contrato, sem a entrega do bem ou serviço ou quando o consumidor recebe o produto ou serviço.

9 RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO DO PRODUTO OU SERVIÇO Caso o fornecedor não queira atender os itens do Art. 18 do CDC, o consumidor poderá ingressar com uma medida judicial de obrigação de fazer,pleiteando a antecipação de tutela Art. 84, parag. 3o. CDC. Para tornar a medida mais eficiente o juiz poderá aplicar pena de multa diária ao fornecedor -Art. 84, parag. 4o.CDC Ou o juiz pode determinar a busca e apreensão do produto necessário para troca Art. 84, parag. 5o. CDC

10 RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO DO PRODUTO OU SERVIÇO Caso ocorra a impossibilidade de substituição do produto, por este não existir na loja ou não estar disponível no mercado, o consumidor poderá exigir a substituição de outro da mesma espécie, marca ou modelos diversos, complementando o pagamento ou obtendo restituição. Se ocorrer vício de quantidade o consumidor pode,ainda solicitar a complementação do peso ou medida. O legislador visou a garantia do consumidor, sem a necessidade do pleito indenizatório.

11 RESPONSABILIADE PELO VÍCIO DO PRODUTO OU SERVIÇO Em duas situações ocorre a responsabilidade direta e imediata do fornecedor: A) no caso de fornecimento de produtos in natura, sem a identificação clara do produtor B) quando a pesagem ou medição são feitas pelo vendedor e o instrumento utilizado não estiver aferido segundo os padrões oficiais

12 PRAZOS PARA RECLAMAÇÃO O termo inicial varia conforme a espécie de vício: A) aparente ou de fácil constatação: conta-se a partir da entrega efetiva do produto ou do término da execução dos serviços; B)oculto: a partir do momento que ficar evidenciado o vício. Peculiaridade: o prazo não corre enquanto não decidida a reclamação formulada perante o fornecedor, nem enquanto durar o inquérito civil.

13 PRESSUPOSTOS PARA A RESPONSABILIDADE POR VÍCIO A)Aquisição pelo consumidor de produto/serviço colocado no mercado por fabricante,produtor,vendedor; B)ocorrência de vício de qualidade ou quantidade que comprometa a funcionalidade; C)a reclamação deverá ocorrer dentro do prazo estipulado no CDC.

14 EXCLUSÃO DA RESPONSABILDADE Prova de que não é fornecedor, fabricante, construtor, produtor: quando o fornecedor demandado não é o fornecedor Prova que o vício inexiste: não há vicio a ser consertado nem direito às opções. Decurso de prazo para a reclamação Culpa exclusiva do consumidor ou terceiro Caso fortuito ou força maior

15 DEFEITO DO PRODUTO OU SERVIÇO O defeito é o vício acrescido de um problema extra, algo extrínseco ao produto/serviço, que causa um dano maior que simplesmente mau funcionamento. O defeito pressupõe risco à saúde, segurança, integridade física, moral, etc. do consumidor. É considerado um acidente de consumo. O defeito pressupõe o vício, ou seja, não há defeito sem vício. O defeito tem ligação com o vício, mas os seus efeitos são maiores ao consumidor.

16 DISTINÇÃO ENTRE VÍCIO E DEFEITO Os defeitos são tratados nos Art. 12 a 14 do CDC. Responsabilidade solidária - o consumidor pode acionar todos os partícipes da relação de produção com responsáveis diretos pelo defeito.

17 RESPONSABILIDADE PELO FATO DO PRODUTO OU DO SERVIÇO Os Arts. 12 à 17 do CDC são destinados a normatização da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço. A obrigação em indenizar nasce do nexo de causalidade entre o consumidor lesado, o produto ou serviço e o dano efetivamente ocorrente. Nesta relação incluem-se os consumidores previstos no Art 2 o., e também aqueles equiparados, como as vítimas do evento danoso art 17, e pessoas expostas as práticas do Capitulo V e VI- art 29 do CDC.

18 RESPONSABILIDADE NOS SERVIÇOS PÚBLICOS O CDC estabeleceu como Política Nacional das Relações de Consumo a racionalização e melhoria dos serviços públicos Art. 4o. VII - Dentre os direitos básicos do consumidor está a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos - Art. 6o., X Na questão de responsabilidade, o CDC não discrimina os serviços público sob a sua tutela, assim é necessário recorrer a posição doutrinária.

19 RESPONSABILIDADE PELOS SERVIÇOS PÚBLICOS A doutrina se posiciona sob duas formas: A) Autores que não fazem qualquer referência a serviços públicos excluídos da tutela, admitindo a incidência sobre todos eles; B) Autores que sustetam que não são tutelados pelo CDC os serviços públicos próprios (prestados diretamente pelo Estado), implicando a tutela do CDC apenas as serviços públicos impróprios (aqueles prestados por meio de concessão, permissão ou autorização)

20 RESPONSABILIDADE PELO SERVIÇOS PÚBLICOS Seguindo a vertente que prevê a responsabilização pelo serviços públicos em todas as esferas, tem-se que: A)há incidência da responsabilidade pelo vício do serviço B)os órgãos públicos ou seus delegados poderão ser compelidos judicialmente a prestar serviços adequados, eficazes e contínuos, fazendo funcionar segundo o seu fim e a expectativa do usuário, restabelecendo os serviços essenciais.

21 RESPONSABILIDADE PELOS SERVIÇOS PÚBLICOS Em adotando esta posição, verifica-se que o CDC limita as alternativas de responsabilidade para serviços públicos, pois em caso de descumprimento, a reparação de danos e a possibilidade de compelir pessoas jurídicas fornecedoras a cumprir obrigações assumidas por lei ou por contrato; não se aplica o art. 20, que prevê alternativas de ressarcimento, restituição do valor pago e abatimento de preço. Há dissenso na doutrina quanto a este ponto.

22 Teoria da desconsideração da pessoa jurídica A teoria é originária dos Estados Unidos denominada disregard of legal entity, tendo como objetivo o desvendamento da pessoa jurídica,permitindo ingressar nela para alcançar a responsabilidade do sócio por suas obrigações particulares, nos casos de desvio de finalidade, fraude à lei ou abuso de direito, que tornam injustificável a manutenção da ficção legal de autonomia que gozam as pessoas jurídicas em relação aos seus componentes. João Batista de Almeida -

23 Teoria da desconsideração da pessoa jurídica No CDC a teoria da desconsideração da pessoa jurídica está prevista no Art. 28, podendo o juiz desconsiderar a pessoa jurídica e responsabilizar civilmente o sócio, administrador, acionista,etc., alcançando os respectivos patrimônios. Art. 28 parag. 3o. são solidariamente responsáveis as empresas consorciadas. Art. 28 parag 2o.- são subsidiariamente responsáveis as sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas As sociedades coligadas só respondem por culpa nas relações de consumo

24 Teoria da desconsideração da pessoa jurídica A aplicação desta Teoria deverá ser sempre pontual, ou seja, restrita ao ato praticado em fraude à lei ou com abuso de direito, mantendo-se intacta a validade dos atos constitutivos da sociedade. Esta Teoria deve ser usada quando configurada a utilização da pessoa jurídica como instrumento para subtração do sócio dos efeitos jurídicos que normalmente adviriam da norma.

25 Teoria da desconsideração da pessoa jurídica O simples fato do credor não conseguir receber seu crédito não implica necessariamente na possibilidade da desconsideração da pessoa jurídica. Tem que ficar devidamente comprovado a questão da má fé ou atos enquadrados dentro dos pontos citados. No Código de Defesa do Consumidor está Teoria foi inserida para proteger o consumidor lesado, mas deve ser aplicada com cautela para não penalizar a figura societária.

26 Teoria da desconsideração da pessoa jurídica Normas que prevêem a responsabilidade dos sócios em consonância a teoria da desconsideração da pessoa jurídica: Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6404/76) - para evitar prejuízos aos sócios minoritários, ao mercado imobiliário, etc., contempla situações de responsabilidade pessoal, solidária ou subsidiária de terceiros. (arts. 115 a 117, 233). CLT - prevê a responsabilidade solidária das sociedades integrantes de um conglomerado econômico Lei do Sistema Financeiro Lei 4595/64 Art.34 CTN

27 Teoria da desconsideração da pessoa jurídica Lei dos crimes ambientais Lei 9605/98 Art. 4o. Lei Antitruste -Lei 8884/94 Art. 18

28 Teoria da desconsideração da pessoa jurídica "Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, o juiz pode decidir, a requerimento da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica". Novo Código Civil

29 BIBLIOGRAFIA Manual do Consumidor Ed. Saraiva Rizzato Nunes Curso de Direito do Consumidor Ed. Forense Hélio Zaguetto Gama

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