RELATÓRIO. TRF/fls. E:\acordaos\ _ doc

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1 *AMS CE ( ) APTE: INSS-INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL ADV/PROC: PROCURADORIA REPRESENTANTE DA ENTIDADE APDO: LAR ANTÔNIO DE PÁDUA ADV/PROC: LEONARDO AZEVEDO PINHEIRO BORGES E OUTROS REMTE: JUIZO FEDERAL DA 1ª VARA/CE RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL PETRUCIO FERREIRA RELATÓRIO O DESEMBARGADOR FEDERAL PETRUCIO FERREIRA : Trata-se de apelação interposta pelo INSS contra a sentença de fls.181 a 184, da lavra do MM Juiz Luís Praxedes Vieira da Silva, substituto da 1ª Vara/CE, que concedeu a segurança, sob o fundamento de que a impetrante presta relevante trabalho de assistência social e, portanto, faz jus a imunidade prevista no art. 195, 7º da CF/88. O INSS, em suas razões de apelo, pugna pela reforma da sentença sob o argumento de que a imunidade da entidade está sob condição do preenchimento dos requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/91, com as alterações introduzidas pela Lei 9.732/98, afastando-se, assim, o preenchimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN, uma vez que o art. 195, 7º da CF/88 trata de lei ordinária. Contra-razões. É O RELATÓRIO. 1

2 AMS CE ( ) APTE: INSS-INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL ADV/PROC: PROCURADORIA REPRESENTANTE DA ENTIDADE APDO: LAR ANTÔNIO DE PÁDUA ADV/PROC: LEONARDO AZEVEDO PINHEIRO BORGES E OUTROS REMTE: JUIZO FEDERAL DA 1ª VARA/CE RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL PETRUCIO FERREIRA EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 195, 7º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LIMITAÇÃO AO PODER DE TRIBUTAR. REGULAMENTAÇÃO DA IMUNIDADE POR LEI COMPLEMENTAR NOS TERMOS DO ART. 146 DA CF. LEIS 8.212/91 e 9.732/98. LEIS ORDINÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE. REQUISITOS ESTABELECIDOS NO ART. 14 DO CTN. 1. Trata-se de apelação interposta pelo INSS contra sentença que concedeu a segurança, sob o fundamento de que a impetrante presta relevante trabalho de assistência social e, portanto, faz jus a imunidade prevista no art. 195, 7º da CF/88 uma vez que foram preenchidos os requisitos do art. 14 do CTN. 2. De uma análise do art. 195, 7º, percebe-se que o constituinte limitou o poder de tributar do Estado quando estabeleceu que a prestação de serviços assistenciais não seria fato gerador de tributos, portanto, se trata de imunidade e não de isenção. 3. O art. 146 da Carta Magna estabelece a Lei Complementar como competente para regular as limitações constitucionais a este poder, portanto, observa-se que a lei mencionada no 7º do art. 195 da Constituição Federal foi a Lei Complementar. 4. Desta forma, inaplicáveis as leis 8.212/91 e 9.732/98, por serem leis ordinárias e, como tais, não poderiam regular as limitações ao poder de tributar. Neste sentido, a lei referida no 7º, do art. 195, da CF seria o Código Tributário Nacional, que estabelece em seu art. 14 requisitos que devem ser observados pelas entidades de assistência social para que gozem da imunidade tributária. 5. Apelação e remessa oficial improvidas, para manter a sentença. VOTO 2

3 O DESEMBARGADOR FEDERAL PETRUCIO FERREIRA : Trata-se de apelação interposta pelo INSS contra sentença que concedeu a segurança, sob o fundamento de que a impetrante presta relevante trabalho de assistência social e, portanto, faz jus a imunidade prevista no art. 195, 7º da CF/88, uma vez que foram preenchidos os requisitos do art. 14 do CTN. imunidade. Primeiramente, merece referência a distinção de isenção e A isenção é a desqualificação, através de lei infraconstitucional, do fato gerador ou do sujeito passivo, enquanto que a imunidade é a limitação constitucional ao poder de tributar, ou seja, é a limitação ao direito do Estado de estabelecer certos fatos geradores, ou de eleger certas pessoas como sujeito passivo. Na presente hipótese, resta em discussão a imunidade prevista no 7º, do art. 195 da Constituição Federal, in verbis: Art A seguridade Social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I (omisses) II (omisses) III (omisses) 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Ao analisar o dispositivo supramencionado, percebe-se que o constituinte limitou o poder de tributar do Estado quando estabeleceu que a prestação de serviços assistenciais não seria fato gerador de tributos. Depreendendo-se, do exposto, que se trata de imunidade e não de isenção. Esclarecido o problema da imunidade, passemos à análise da competência de Lei Complementar ou Lei Ordinária para estabelecer os requisitos necessários à concessão da imunidade. Em sua segunda parte, o 7º, do art. 195 da Constituição Federal limita à concessão da imunidade às entidades que atendam às exigências estabelecidas em lei. Mas que Lei é essa a que o Constituinte se referiu? O caso em tela versa sobre imunidade condicionada que, como tal, tem sua aplicabilidade subordinada ao preenchimento de requisitos estabelecidos em lei infraconstitucional, ou seja, necessita de uma lei que regule a concessão da imunidade. 3

4 Tendo em vista que a imunidade tributária é uma limitação constitucional ao poder de tributar e que o art. 146 da Carta Magna estabelece a Lei Complementar como competente para regular as limitações constitucionais a este poder, observa-se que a lei mencionada no 7º do art. 195 da Constituição Federal foi a Lei Complementar. transcrita: Quanto à matéria, assim posicionou-se a doutrina, abaixo... se ao legislador ordinário fosse outorgado o direito de estabelecer condições à imunidade constitucional, poderia inviabilizá-la pro domo suo. Por esta razão, a lei complementar, que é lei nacional e da Federação, é a única capaz de impor limitações, de resto, já plasmadas no art. 14 do Código Tributário Nacional. (Ives Gandra da Silva Martins, apud José Augusto Delgado Imunidades Tributárias. Ed. Revista dos Tribunais, 1988, p.63) É descabido supor que limitações constitucionais possam ser reguladas por lei ordinária. Admiti-lo é desconsiderar o inciso III, do art. 146, da Constituição; é tê-lo por inaplicável, vazio, despiciendo.... O legislador constitucional, ao conferir à lei complementar a função de regular as limitações constitucionais ao poder de tributar, buscou manter a coerência da ordem jurídica e a eficácia do seu comando, evitando abusos que pudessem restringir o gozo da imunidade.... O único veículo legislativo competente para estabelecer os requisitos para que as entidades educacionais e assistenciais façam jus a imunidade é a lei complementar, devendo esta ainda circunscrever-se aos ditames constitucionais, de modo a proporcionar às entidades educacionais e assistenciais o pleno gozo do benefício imunitório.... No caso de instituições beneficentes de assistência social, tem-se imunidade condicionada, eis que essas entidades devem atender às exigências da lei. E essa lei, como já assentamos, é lei complementar e nunca lei ordinária. (Aires F. Barreto, in Contribuições Sociais: Imunidade das Instituições Beneficentes de Assistência Social. Grandes Questões Atuais do Direito Tributário. Ed. Dialética, 1999, p.15. Desta forma, inaplicáveis as leis 8.212/91 e 9.732/98, por serem leis ordinárias e, como tais, não poderiam regular as limitações ao poder de tributar. Neste sentido, a lei referida no 7º, do art. 195, da CF seria o Código Tributário Nacional, que estabelece em seu art. 14 requisitos que devem ser observados pelas entidades de assistência social para que gozem da imunidade tributária, in verbis: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do art. 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: 4

5 I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado; II aplicarem, integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no 1º do art. 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do art. 9º são exclusivamente os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previsto nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. transcrita: Também pertinente, trago a colação jurisprudência abaixo AGTR /RN Relator: Juiz Araken Mariz Turma: 02 Julgamento: 24/08/1999 EMENTA: TRIBUTÁRIO. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. REGULAMENTAÇÃO POR LEI ORDINÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. ANTECIPAÇÃO DA TUTELA. CONCESSÃO. 1 A isenção prevista na Carta Magna constitui imunidade tributária. 2 Compete à Lei Complementar regular as limitações constitucionais ao poder de tributar, como também a alteração de base de cálculo de tributo. 3 Inexistência na hipótese de impedimento de concessão de antecipação de tutela prevista na ADC nº4-df. 4 Agravo provido. 5 Agravo Regimental prejudicado. Decisão: unânime. Também, a respeito da matéria, tramita no STF a Ação Direta de Inconstitucionalidade n , cujo Relator é o Ministro Moreira Alves, onde foi concedida liminar, em , suspendendo a eficácia do art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentou-lhe os 3º, 4º e 5º, bem como dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei de 11 de dezembro de e à remessa oficial. Pelas razões acima expostas, NEGO PROVIMENTO à apelação É O MEU VOTO. 5

6 AMS CE ( ) APTE: INSS-INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL ADV/PROC: PROCURADORIA REPRESENTANTE DA ENTIDADE APDO: LAR ANTÔNIO DE PÁDUA ADV/PROC: LEONARDO AZEVEDO PINHEIRO BORGES E OUTROS REMTE: JUIZO FEDERAL DA 1ª VARA/CE RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL PETRUCIO FERREIRA RELATOR P/ ACÓRDÃO: DESEMBARGADOR FEDERAL MARCO BRUNO MIRANDA CLEMENTINO EMENTA TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 195, 7º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LIMITAÇÃO AO PODER DE TRIBUTAR. REGULAMENTAÇÃO DA IMUNIDADE POR LEI COMPLEMENTAR NOS TERMOS DO ART. 146 DA CF. LEIS 8.212/91 e 9.732/98. LEIS ORDINÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE. REQUISITOS ESTABELECIDOS NO ART. 14 DO CTN. 1. Trata-se de apelação interposta pelo INSS contra sentença que concedeu a segurança, sob o fundamento de que a impetrante presta relevante trabalho de assistência social e, portanto, faz jus a imunidade prevista no art. 195, 7º da CF/88 uma vez que foram preenchidos os requisitos do art. 14 do CTN. 2. De uma análise do art. 195, 7º, percebe-se que o constituinte limitou o poder de tributar do Estado quando estabeleceu que a prestação de serviços assistenciais não seria fato gerador de tributos, portanto, se trata de imunidade e não de isenção. 3. O art. 146 da Carta Magna estabelece a Lei Complementar como competente para regular as limitações constitucionais a este poder, portanto, observa-se que a lei mencionada no 7º do art. 195 da Constituição Federal foi a Lei Complementar. 4. Desta forma, inaplicáveis as leis 8.212/91 e 9.732/98, por serem leis ordinárias e, como tais, não poderiam regular as limitações ao poder de tributar. Neste sentido, a lei referida no 7º, do art. 195, da CF seria o Código Tributário Nacional, que estabelece em seu art. 14 requisitos que devem ser observados pelas entidades de assistência social para que gozem da imunidade tributária. 5. Apelação e remessa oficial improvidas, para manter a sentença. 6

7 ACÓRDÃO Vistos, etc. Decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, à unanimidade, negar provimento à apelação e à remessa oficial, nos termos do voto do relator, na forma do relatório e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.lavro o acórdão em face da vacância do cargo (falecimento) do relator, nos termos do art. 37, lll, b, do Regimento Interno desta Corte. Recife, 13 de novembro de DESEMBARGADOR FEDERAL MARCO BRUNO MIRANDA CLEMENTINO RELATOR CONVOCADO PARA ACÓRDÃO 7

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