APOIO E REAÇÕES AOS EQUIPAMENTOS DE ENTREGA VOLUNTÁRIA EM TOLEDO - PR

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1 APOIO E REAÇÕES AOS EQUIPAMENTOS DE ENTREGA VOLUNTÁRIA EM TOLEDO - PR Tainara IankaMaas Acadêmica de Iniciação Científica do curso de Geografia da Unioeste, campus de Mal. C. Rondon-PR, Integrante do Laboratório de Estudos Regionais (LABER) e do Grupo de Estudos Fronteiriços (GEF), Fábio de Oliveira Neves Docente do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Unioeste, campus de Mal. C. Rondon-PR, Integrante do Laboratório de Estudos Regionais (LABER) e do Grupo de Estudos Fronteiriços (GEF), 1. INTRODUÇÃO No Brasil, a valorização material do lixo municipal 1 vem se desenvolvendo através de programas de coleta seletiva e apoio a organizações de catadores, visando diminuir a quantidade de resíduos levados aos aterros. Os materiais recicláveis são recolhidos por diferentes modalidades de coleta: porta-a-porta através de caminhões, como o lixo convencional; pelos catadores nas ruas; e em pontos de entrega voluntária (PEVs). A Política Nacional de Resíduos Sólidos (BRASIL, 2010) afirma o fato da responsabilidade compartilhada entre Estado, empresas e cidadãos na gestão do lixo. Desse modo, é necessário buscar mecanismos para envolver e sensibilizar a população para a criação de hábitos e costumes que favoreçam o tratamento adequado dos resíduos. Pode-se indicar os PEVs como uma modalidade na qual é primordial a participação e a sensibilização da população. Esta modalidade torna-se interessante no processo de afirmação da responsabilidade do cidadão. Há, nesse contexto, uma série de 1 O lixo municipal pode ser definido como os resíduos a carga da municipalidade: o lixo urbano, os industrias e os hospitalares não perigosos (NEVES, 2013)

2 questões interessantes a serem respondidas: Como obtiveram conhecimento da existência dos PEVs e de como utilizá-los? Se foi por campanhas ou pela visualização dos mesmos. Qual a principal vantagem dos PEVs? Qual é o principal problema dos PEVs? Como e onde a população do município está levando o lixo reciclável? Nesse contexto, propõe-se analisar uma experiência recente de instalação de PEVs em um programa de coleta seletiva que funcionava, anteriormente, sem essa modalidade: o Programa Lixo Útil de Toledo-PR. Este programa foi criado em 1994, como ação integrante de reforma da gestão municipal do lixo. A coleta seletiva porta-aporta e os pontos fixos para troca de recicláveis por cestas básicas foram as modalidades centrais de captação de materiais durante os primeiros 17 anos do programa. No ano de 2011, o governo lançou as bases dos PEVs na cidade, criando o programa Tooreciclando, que consistiu no desenvolvimento dessa modalidade como forma de aumentar a captação de materiais recicláveis, com a distribuição de 61 contêineres na área central da cidade, onde a população local leva o lixo reciclável (papel, plástico, vidro e metal) que é encaminhado para a triagem. Nesta pesquisa, analisam-se o funcionamento e as opiniões referentes aos PEVs, através de dados quantitativos (sobre a captação de materiais recicláveis por cada modalidade) e qualitativos (entrevistas e questionários aplicados com especialistas e com moradores da cidade). A pesquisa trata, nesse sentido, de uma mudança na configuração espacial do programa de coleta seletiva e da reação popular a esta mudança, tema de interesse para a pesquisa geográfica, pois envolve comportamento social e meio ambiente urbano, uma relação central quando se remete à sustentabilidade. 2. OBJETIVO O objetivo central desta pesquisa é analisar a instalação dos PEVs no contexto do programa Tooreciclando em Toledo/PR, através de questões referentes ao

3 funcionamento e à opinião de especialistas e moradores que vivenciam a implantação desta modalidade de coleta seletiva. 3. METODOLOGIA A pesquisa configura-se como um estudo de caso com o uso de dados qualitativos originais, produzidos pelos autores, e dados quantitativos secundários obtidos em levantamento de campo com setores do poder público e da associação de catadores. Foram desenvolvidos inicialmente estudos bibliográficos sobre a gestão de resíduos sólidos no Brasil, a valorização e a importância da reciclagem; da coleta seletiva e da participação da população nos programas municipais. Depois de realizados os estudos bibliográficos, a pesquisa voltou-se aos dados secundários referentes ao controle de pesagem do material dos PEVs que chega no galpão de triagem e entrevistas semiestruturadas com pessoas tecnicamente qualificadas que trabalham com o tema e professores universitários que pesquisam sobre o assunto. Em seguida, foi desenvolvido um questionário aplicado junto a pessoas que tiveram seu dia a dia afetado com a instalação dos equipamentos do programa. Após coletados os dados, foi realizado um tratamento estatístico com elaboração de tabelas, gráficos e a análise de dados das entrevistas concedidas e dos questionários aplicados. Os dados secundários sobre o recebimento de materiais recicláveis no galpão de triagem foram levantados diferenciando-se as três modalidades de coleta seletiva para a reciclagem utilizadas no município nos últimos 12 meses, isto é, a coleta porta-aporta, os pontos fixos de troca de recicláveis e os PEVs. O objetivo da análise desses dados foi o de situar os PEVs diante das outras modalidades e verificar suas variações diante do objetivo de captar materiais recicláveis. As entrevistas semiestruturadas foram organizadas sugerindo-se que os entrevistados se posicionassem sobre os seguintes temas: gestão do lixo em Toledo,

4 valorização e modalidades de coleta seletiva. O objetivo da utilização desse instrumento foi o de obter informações preliminares e gerais sobre a gestão de resíduos sólidos no município e de levantar opiniões e detalhes práticos sobre o funcionamento e sobre a visão de atores responsáveis pela manutenção da modalidade dos PEVs. Foram selecionados para entrevistas, indivíduos em posição de representação de instituições envolvidas e especialistas sobre o tema que vivenciassem os efeitos do programa Lixo Útil, isto significou a aplicação da entrevista com três professores/pesquisadores envolvidos com o tema, que já desenvolveram pesquisas sobre o lixo em Toledo, sendo um deles representante no Conselho Municipal de Meio Ambiente; um representante do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e dois representantes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Os questionários foram organizados primeiramente com dados pessoais como idade, sexo e escolaridade. Objetivaram investigar o conhecimento e a utilização dos PEVs pela população do município. O público alvo foi escolhido aleatoriamente nas entrevistas realizadas em campo, foi também enviado a pessoas por redes sociais. 4. RESULTADOS A pesquisa propôs analisar uma experiência recente no município de Toledo/PR da instalação dos PEVs em um programa de coleta seletiva. O Programa Lixo Útil de Toledo-PR foi criado em 1994 como ação integrante de reforma da gestão municipal do lixo. No ano de 2011, o governo relançou as bases dos PEVs na cidade, criando o programa Tooreciclando, que consistiu no desenvolvimento dessa modalidade como forma de aumentar a captação de materiais recicláveis, com a distribuição de 61 contêineres na área central da cidade, onde a população local leva o lixo reciclável (papel, plástico, vidro e metal) que é encaminhado para a triagem. Em geral, não há um local separado para papelão, plástico, metal e vidro. No início do programa houve divulgação, nos jornais, rádios, televisões e folders, entre o final de 2013 e o início de

5 2014 foram instalados mais contêineres, totalizando 140 contêineres 2, completando o raio do centro que faltava e comtemplando algumas das Avenidas mais movimentadas. Em entrevista com um representante do Conselho Municipal de Meio Ambiente, é relatado que os pontos de coleta voluntários tão centralizados agora só nos contêineres, porque mesmo aquele ponto maior [ponto fixo] ele tende a ser desativado [...] Porque ai a cooperativa vai ser o local de reunião desse material 3. Na coleta seletiva, boa parte das responsabilidades recai sobre a própria população beneficiada, a quem compete a separação dos materiais, a lavagem dos recipientes, o acondicionamento, o armazenamento e finalmente a colocação dos materiais nos locais adequados. Os questionários aplicados até o momento mostram que o meio de divulgação que está tendo um melhor resultado é a própria visibilidade dos PEVs e as informações neles contidas. As pessoas obtiveram conhecimento da existência dos PEVs vendo-os nas calçadas e de como os utilizarem lendo o rótulo do equipamento. A instalação destes equipamentos no município incitou a participação popular através da separação do lixo reciclável em casa, conforme indicado nos questionários. Como principal virtude dos contêineres foi apontado o incentivo para a população separar o lixo reciclável e como principais problemas foram citados o uso incorreto e a localização limitada a área central da cidade, pois os cidadãos que morram longe do centro ficam de fora deste programa e maior parte dos entrevistados aprovariam a instalação de um PEV em frente à sua casa, pela comodidade. 2 Informação obtida em entrevista com funcionário da prefeitura. Entrevistadora: Tainara Ianka Maas. Toledo, Entrevista concedida por representante do Conselho Municipal de Meio Ambiente. Entrevistadores: Déborah Katherine Torres/ Tainara Ianka Maas. Toledo, 2013.

6 Nos questionários a maior parte dos entrevistados responderam que entregam o lixo reciclável ao caminhão da coleta seletiva, mas os dados coletados no galpão de triagem, mostram que a modalidade que mais coleta resíduos sólidos são os PEVs (44%), mas a modalidade que vem com o material mais adequado, melhor separado, são os pontos fixos (22%) e em seguida o caminhão da coleta seletiva (34%). Uma das possibilidades do lixo dos PEVs ser tão contaminado pela mistura de elementos foi indicado pelo questionário como o uso incorreto dos mesmos. Sobre a situação atual foi entrevistado um professor que trabalha com o tema que deu o seguinte parecer: Se as pessoas realmente colocasse o material [...] que é reciclável naqueles contêineres então seria uma metodologia boa, mas na prática a gente percebe que isso não está acontecendo, as pessoas no início tiveram está consciência, mas depois passaram a parte colocar materiais inapropriados que contaminaram tudo aquilo que era reciclável e ai acabo inviabilizando também 4. Um representante do Instituto Ambiental Paranaense também contribuiu com a pesquisa, dando um parecer semelhante ao do professor sobre os contêineres indagando sobre o mal uso ou poucas informações dos mesmos: Porque inicialmente funcionou então porque ele deixou de funcionar? No meu entendimento, ao não acompanhamento da educação ambiental continua, é? Dizendo que os amarelinhos é material reciclável, que não é pra colocar outro tipo de material Sobre os pontos positivos o representante do IAP coloca: Que daqui pra frente o que iniciou de fato ali atrás com o Tooreciclando de que isso avance [...] alcance essa questão da reciclagem do lixo, da coleta do 4 Entrevista concedida por professor e morador da cidade. Entrevistadora: Déborah Katherine Torres Batista. Toledo, 2013.

7 encaminhamento desses materiais [...] Só que o resíduo sólido se ele não for bem coletado, bem reciclado ele é lixo. 5. Considerações finais Os pontos de entrega voluntária (PEVs) foram lançados, ampliados e incentivados pelo poder público, já que este os considera uma modalidade de valorização barata, com reduzida mão de obra e com grande abrangência na coleta de materiais. Segundo os dados coletados, a visibilidade e localização dos contêineres são a melhor maneira de divulgação do programa, influenciando a população do município a separar o lixo reciclável. O uso inadequado dos equipamentos constitui o principal problema do programa, pois há a contaminação dos materiais secos e a mistura com resíduos de natureza diversa, como animais mortos e resíduos orgânicos. O programa reforçou a captação de materiais recicláveis, contudo, também gera desconfortos, como o mal cheiro e a presença de moscas. As informações sobre a utilização dos PEVs estão sendo passadas para população, através de: rádios, jornais, televisões, folders e os próprios contêineres através das informações contidas nos mesmo. Entretanto, ainda se faz ineficaz e prejudica o uso adequado dos equipamentos. A participação da comunidade é de suma importância para o sucesso dos programas de coleta seletiva e a educação ambiental é o melhor recurso disponível para contribuir com a conscientização e a mobilização da população para que se tenha resultados eficazes diante das problemáticas urbanas relacionadas aos resíduos sólidos. A pesquisa revela uma resposta positiva à implantação dos PEVs, com a participação popular e com a captação da maior porcentagem de materiais recicláveis, mesmo diante de outras modalidades (porta-a-porta e os pontos fixos). A implantação e

8 a visibilidade dos PEVs incentivam a prática da separação dos recicláveis nas residências, entretanto, a falta de mais orientação e educação para a utilização dos equipamentos acaba comprometendo sua eficácia qualitativa e sobrecarregando o processo de triagem realizado pela Associação de Catadores no galpão de triagem. 6. Referências Bibliográficas BRASIL. Lei no /10. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Disponível em: <www.mma.gov.br/política-de-resíduos-sólidos>. Acesso em: 30 de junho de Governo Federal Ministério do Meio Ambiente. PLANO NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS. Brasília/ DF, setembro de p. NEVES, F de O. Gestão pública de resíduos sólidos urbanos: problemática e práticas de gestão no Oeste Paranaense. 266 p. Tese (Doutorado em Geografia). Curitiba, Universidade Federal do Paraná, 2013.

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