Título: O Meio Ambiente e o Setor Industrial - Desafio para o

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1 Título: O Meio Ambiente e o Setor Industrial - Desafio para o Desenvolvimento Sustentável. (Condensação da monografia Meio Ambiente - o Marketing Possível). Autora: Francicleide Palhano de Oliveira, Jornalista, com especialização em Administração com Ênfase em Marketing, pela UFRPE. INTRODUÇÃO Quando as primeiras indústrias surgiram, os problemas ambientais eram de pequena dimensão, pois a população era pouco concentrada e a produção era de baixa escala. As exigências ambientais eram mínimas e o símbolo do progresso, veiculada nas propagandas de algumas indústrias, era a fumaça saindo das chaminés. Mudanças começaram a ocorrer, a partir do agravamento dos problemas ambientais, por volta dos anos 70, gerando um nível crescente de exigências, reclamando respostas do setor industrial ao novo desafio. Nas últimas décadas, as empresas deixaram de ser vistas apenas como instituições econômicas, com responsabilidades para resolver os problemas meramente econômicos o que produzir, como produzir e para quem produzir e passaram a se voltar também para questões de caráter social, político e ambiental, tais como: controle da poluição, segurança e qualidade de produtos, assistência social, defesa de grupos minoritários, etc. A visão moderna da empresa em relação ao seu ambiente é muito complexa. A nova forma de administrar tem a ver com a proliferação de pressões por parte da sociedade (movimentos reivindicatórios, denúncias), como também a regulamentação de leis que forçam as empresas a criar novas diretrizes de

2 atuação e influenciam as organizações desenvolverem sua missão, quebrando o paradigma da visão tradicional da empresa e adequando-se a uma nova administração empresarial, onde as questões sócioambientais são incorporadas ao dia-a-dia do ambiente dos negócios. A sociedade moderna está mais atenta ao comportamento das empresas: as pessoas têm preocupações com o meio ambiente, com a segurança e com a qualidade de vida e dos produtos. Qualidade, aliás, é uma das palavras que foi assimilada pelo consumidor e que tem levado as organizações incorporar novos valores em seus procedimentos administrativos e operacionais. Muitas empresas, no entanto, não concordam com esta visão da influência do ambiente sócioambiental no desempenho no mundo dos negócios. Mas a influência do ambiente afeta, de forma diferenciada, as pequenas, médias e grandes empresas, o que acarreta a diversidade de percepção por parte das organizações. Mas, mesmo não concordando e até se opondo a esta realidade, as empresas estão sendo obrigadas, principalmente através das Leis, assumir responsabilidades sociais e ambientais, através de projetos que incluem a proteção ao meio ambiente, ações filantrópicos e educacionais. Há um grupo receptivo à responsabilidade sócioambiental das organizações e há os que preferem não se adaptar à nova administração. Um dos argumento favorável aos adeptos é que, assumindo esta postura, as empresas acabam ganhando melhor imagem institucional e isto pode se traduzir em mais consumo, mais vendas, melhores empregados, melhores fornecedores, mais acesso ao mercado de capitais. Em outras palavras, uma empresa que assume o compromisso social e de bem realizar a sua gestão ambiental, possui uma vantagem estratégica em relação àquela que não tem a mesma imagem perante o público. Além do mais, as preocupações com o meio ambiente não param de crescer, haja vista, por exemplo, as novas leis, resoluções e decretos, como a Resolução nº 257/99, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que

3 trata da reciclagem, reutilização e disposição final das pilhas e baterias, dotando de responsabilidade as fábricas e revendedoras desses produtos pelo destino final dos mesmos. A adequação das empresas às exigências da legislação ambiental também influencia o mercado, pois, como bem enfatizou Novaes (1991): as portas do mercado se abrem para as empresas que não poluem, poluem menos ou deixam de poluir e não para as que desprezam as questões ambientais, na tentativa de maximizar lucros e socializar prejuízos. A proteção ao meio ambiente deixou de ser uma exigência, passível às punições e sanções e passou a ser também um quadro de ameaças e oportunidades, onde as conseqüências transformam-se em posições na concorrência e na própria permanência ou saída do mercado. A proteção ambiental deixou de ser função exclusiva da produção, para tornar-se também uma função da administração da empresa, que deve ter o cuidado de envolver, nesta seara, todos os funcionários. Meio Ambiente, assim considerado, passou a ser assunto obrigatório das agendas dos executivos. A globalização dos negócios e a internacionalização dos padrões de qualidade ambiental, exigidos pela Norma ISO 14001, além de fazerem os empresários repensarem suas estratégias, abrem também o espaço para que as empresas realizem o marketing ambiental.. O marketing ambiental, em muitos casos, está sendo utilizado por essas empresas para informar ao público que a organização é uma empresa verde. Em Pernambuco, ainda é pequeno o número de empresas que possuem o Sistema de Gestão Ambiental e menor ainda o número das que possuem o certificado de qualidade ambiental - ISO Dados mostram que, apesar do avanço na relação indústria/meio ambiente, ainda há um longo caminho a ser percorrido pelos empresários pernambucano, que passa pelo entendimento e conscientização sobre as causas ambientais.

4 Tais considerações, somando-se a nossa experiência de atuação na área de comunicação da Companhia Pernambucana do Meio Ambiente (CPRH), empresa de economia mista, responsável pela execução da política ambiental do Estado de Pernambuco, despertou-nos o interesse em conhecer como está acontecendo esta adesão, nas empresas instaladas em Pernambuco. Focamos o assunto da responsabilidade para com o meio ambiente, que se apresenta como um novo modelo de administração em todo o mundo, comprovando que as empresas que assumem essa responsabilidade, além de contribuir para a garantia da sustentabilidade da vida no Planeta, recebem prêmios de organizações governamentais e não-governamentais e se apresentam à sociedade com o diferencial de ser empresa ambientalmente correta. Por fim, uma abordagem sobre selos e certificados ambientais, em especial a ISO Anunciados na mídia seja em forma de matéria jornalística ou propaganda - os selos e certificados fazem a diferença no momento da empresa mostrar-se ao público. Mas é preciso, no entanto, um olhar crítico para perceber o que está ou não coerente com a realidade anunciada.

5 1 AGRESSÕES AMBIENTAIS QUE FIZERAM HISTÓRIA O Informe Publicitário da Revista Empresa & Ambiente, 1999, traz o registro histórico de agressões ambientais que chocaram a humanidade: Minamata, Japão, nos anos 50, mais de mil pessoas morrem e um número nãocalculável sofre mutilações, em conseqüência de envenenamento por mercúrio. A infratora, indústria química Chisso, despejou 460 toneladas de materiais poluentes na Baía de Yatshushiro. A empresa é obrigada a pagar mais de 600 milhões de dólares em indenizações e muitos processos judiciais correm, até hoje. A fonte faz referência à década de 80, como uma época marcada por sérios acidentes ambientais, em vários países do mundo. Em 1982, a chuva ácida provocada pela queima de combustíveis causa a morte de peixes em 147 lagos, no Canadá. O governo canadense acusa os Estados Unidos de indiferenças em relação à questão ambiental. Em 1984, é a vez da Índia ganhar espaço na mídia, com a morte de mais de 2 mil pessoas, vitimadas pelo vazamento de isocianeto de metila, em fábrica de pesticidas da Unios Carbide, em Bhopal. Cerca de 200 mil pessoas sofreram lesões graves nos olhos, pulmões, fígado e rins. O Informativo refere-se ainda ao acidente de Chernobyl, antiga URSS, onde, em l985, uma explosão destruiu um dos quatro reatores de uma usina atômica, lançando 100 milhões de curies de radiação na atmosfera foram 6

6 milhões de vezes o volume que escapou do Three Mile Island, nos Estados Unidos, poucos anos antes, que era considerado, até então, o pior acidente atômico da história. Mais de 30 pessoas perderam a vida e outras ficaram sujeitas ao risco de câncer, nos 20 anos seguinte. A mesma fonte cita também o incêndio em uma indústria química da Sandoz, na Brasiléia, Suíça que, em l985, atirou no rio Reno 30 toneladas de pesticidas, fungicidas e outros produtos altamente tóxicos. E, por fim, cita que no final da década de 80, um novo acidente ambiental chocou o mundo: no Alasca, o petroleiro Exxon Valdez bate em um recife e derramou 41,5 milhões de litros de petróleo no estreito de Príncipe William. O acidente provocou a morte de aves, lontras e milhares de outros animais. O Brasil também tem suas páginas sujas na história da humanidade! Transformou-se em notícia e foi amplamente divulgado, na mídia nacional e até internacional, o acidente ocorrido em Cubatão, São Paulo, em l984: o rompimento de um oleoduto da Petrobrás, provado por um incêndio, arrasa a favela de Vila Socó, matando 90 pessoas e deixando outras 200 feridas. A Revista Ecologia e Desenvolvimento, 2001, traz as informações de um outro acidente provocado pela Petrobras, que se transformou em notícia no Brasil inteiro e até no exterior: o rompimento de um duto da Refinaria de Petróleo de Manguinhos, ocorrido em novembro/2001, que poluiu ainda mais as já degradadas águas da Baía da Guanabara, atingindo os manguezais, que são essenciais para a sobrevivência da fauna da região e praias de Niterói. Segundo a matéria, a Refinaria informou que foram despejados cerca de 40 mil litros de óleo na Baía. A mesma fonte cita que, na verdade, pelos cálculos da Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente (Feema), foram derramados mais de 100 mil litros. Desastres como esses, sejam no Brasil, ou em qualquer outra parte do mundo, chocam a opinião pública e abalam seriamente a imagem de uma

7 empresa. A tese de que os danos causados ao meio ambiente são o preço inevitável a pagar pelo desenvolvimento, já não encontra mais sustentação e as empresas que poluem o meio ambiente têm a sua imagem maculada, perante a opinião pública Evolução do pensamento e do movimento ambiental no mundo Andrade, 2001, citando McCornick, mostra que o pensamento ambiental evoluiu à proporção do desenvolvimento das ciências, ocorrido ao longo da história da civilização. Há registros históricos do mau gerenciamento dos recursos naturais desde o século I, como por exemplo, os relatos de que, em Roma, já nessa época, começaram a ocorrer quebras de safras de culturas e erosão do solo. A autora enfatiza que foi em Londres, em 1306, que ocorreu a primeira ação legal registrada na história, que teve como objetivo a normatização e a atuação sobre o uso do meio ambiente, quando o Rei Eduardo I fez uma proclamação real sobre o uso de carvão em fornalhas abertas. Nessa época, era comum o uso das fornalhas, que ajudavam a diminuir o frio em áreas públicas, ao ar livre, poluindo o ar. O Rei Eduardo estabeleceu critérios para essa prática, punindo com multas quem a violasse. Na visão da autora, com o avanço da Ciência, aliado à técnica, teve início, em l750, a Revolução Industrial, com todas as conseqüências negativas em relação às formas de exploração dos recursos naturais e humanos, cuja conseqüência de longo prazo, são hoje visíveis nos problemas ambientais contemporâneos. Andrade diz que foi após a segunda Guerra Mundial, em 1945,

8 que houve a proposta de uma sociedade organizada sob os fundamentos de uma engenharia comportamental, com o lançamento do livro Uma Sociedade para o Futuro, escrito por Shinner - estava lançado o desafio de se pensar em um modelo social onde os recursos naturais fossem valorizados. A autora esclarece que o livro só se tornou mais conhecido a partir da década de 60, quando o mundo começou a enfrentar o esgotamento dos recursos naturais, a poluição ambiental, a idéia de superpopulação e a possibilidade do holocausto nuclear." E Andrade, 2001, citando Nascimento e Silva, faz lembrar que foi em prol das baleias que foi dado a primeira orientação sobre ações que possam prejudicar as futuras gerações, através da Convenção Internacional para Regulamentação da Pesca da Baleia que, reconhecendo o interesse das nações, em proveito das gerações futuras de salvaguardar as grandes fontes naturais representadas pela espécie baleeira, iniciou, em l946,o disciplinamento da caça às baleias um grito de socorro ao mamífero marinho: Salvem as Baleias! A mesma fonte diz que não só esses mamíferos precisavam de proteção: a intensificação do tráfego de navios gerou problemas de poluição que provocou a redução do potencial pesqueiro. Para discutir o assunto e buscar soluções, foi realizada, em Londres, no ano de l954, a Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição do Mar por Óleo, onde foi assinado o primeiro tratado contra a poluição, em defesa do meio ambiente. Rosa, 2001, por sua vez, fala que a consciência ambiental, em âmbito mundial, começou a crescer na década de 60, motivada por uma série de eventos relacionados com o meio ambiente, como a publicação do livro A Primavera Silenciosa, considerado um clássico do movimento ambientalista, de autoria da jornalista americana Rachel Carson. A fonte diz que na publicação, de l962, a autora denuncia a diminuição da qualidade de vida devido ao excesso de produtos químicos na produção agrícola, prejudicando a saúde e o meio ambiente. Segundo o autor: Carson referiu-se ao som do silêncio, causado pela ausência de insetos e de pássaros na primavera e assim, promoveu uma discussão na comunidade internacional,

9 relacionando a diminuição da qualidade de vida, com o uso exacerbado de produtos químicos na produção agrícola, contaminando os alimentos e deixando resíduos no meio ambiente. (p. 127). Almeida, 1999, lembra que seis anos depois desse episódio, 30 pessoas de dez países diferentes, entre cientistas, educadores, economistas, humanistas, industriais e funcionários públicos discutem, numa reunião na Academia de Linci, em Roma, sobre a crise e os dilemas da humanidade, como a pobreza, a deterioração do meio ambiente o crescimento desordenado. Estava criado o Clube de Roma, que divulgou, em l971, Limites do Crescimento um alerta, mostrando que o consumo desenfreado da sociedade, a qualquer custo, levaria a humanidade a um colapso. O estudo, segundo a mesma fonte, basicamente, previa que, no século XXI, a humanidade se defrontaria com graves problemas de falta de recursos e níveis elevados de poluição, se os aumentos populacional e industrial, com a conseqüente superutilização dos recursos naturais, continuassem no mesmo ritmo. Ainda segundo o mesmo autor, o Clube de Roma apontou como solução uma política mundial de contenção do crescimento, denominado Crescimento Zero. Seria um crescimento planejado, para que fossem atendidas as necessidades básicas de toda a população. Os países subdesenvolvidos entenderam que, de um modo geral, na prática, tal política representava sua manutenção no subdesenvolvimento tecnológico e social. Na visão de Leite e Medina, citados por Andrade, 2001, a década de 70 caracterizou-se pela tentativa do controle da poluição. Foi também na década de 70 que surgiram os primeiros movimentos ambientalistas, denominados, na década de 80, de Organizações Não-Governamentais (ONGs) e aconteceu um marco histórico na discussão das questões ambientais: a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, também conhecida como Conferência de Estocolmo, realizada em l972, em Estocolmo, na Suécia, -

10 primeira conferência, ao nível mundial, com a participação de 113 países, onde foram discutidos, especificamente, temas ambientais. Os autores enfatizam que a recomendação nº 96 da Conferência, reconhecia o desenvolvimento da Educação Ambiental como elemento crítico para o combate à crise ambiental do mundo. De acordo com Abreu,1997, nessa Conferência, quando grande parte dos representantes dos países concluíram que deveria haver prudência no processo de industrialização para se evitar o processo de degradação no mundo, os representantes brasileiros acusaram os países desenvolvidos de desejarem limitar o desenvolvimento dos países pobres e afirmaram que a poluição era bem-vinda ao Brasil, pois os brasileiros precisavam de empregos, dólares e desenvolvimento. (p.37) Rosa, 2001, explica que na Conferência de Estocolmo foi citado, pela primeira vez, o termo ecodesenvolvimento (mais tarde transformado em Desenvolvimento Sustentável), pelo professor Ignacy, que publicou, em l980, o livro Ecodesenvolvimento crescer sem destruir, o qual passou a ser um marco referencial de uma alternativa de desenvolvimento econômico, pois relaciona, de forma definitiva, a necessidade do desenvolvimento contemplar a questão ambiental, não apenas como um estilo tecnológico, mas subtendendo também, uma diferentes modalidade de organização social e um novo sistema de educação". Na mesma fonte, está registrado que, em cumprimento à recomendação do Conselho, aconteceu, em outubro de 1977, em Tbilisi (antiga União Soviética). A Primeira Conferência Intergovernamental em Educação Ambiental, organizada pela Unesco, em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Para Rosa, a Conferência de Tbilisi ampliou o conceito de Meio Ambiente, quando compreende meio ambiente não somente como meio físico biótico, mas, também, meio social e cultural, e relaciona os problemas ambientais com os modelos de desenvolvimento adotados pelo homem

11 Na visão do autor, os conceitos de proteção ao Meio Ambiente começaram a se ampliar a partir da década de 80, quando acidentes, como o ocorrido em Bhopal, na Índia, em 1984, que tirou a vida de mais de duas mil pessoas, chocaram o mundo inteiro. Um alerta dos cientistas chamava a atenção para a redução da camada de ozônio, devido ao uso de clorofluorcarbono. O alerta levou 57 países a se reunirem no Canadá e assinar o Protocolo de Montreal, comprometendo-se a reduzir a produção de CFC pela metade, até o ano de A fonte diz também que no ano de 1990, o acordo foi ratificado pela Organização das Nações Unidas (ONU), com a adesão de 90 países, inclusive o Brasil, determinando o fim gradativo do CFC, até Síntese da degradação e preocupações ambientais no Brasil Para Andrade, 2001, a degradação ambiental, no Brasil, teve início com a extração predatória do pau-brasil, na época que ficou conhecida como ciclo do pau-brasil. Considerado a primeira espécie florestal nativa do País, o pau-brasil, por ter um alto valor comercial, foi amplamente explorada, de forma irracional e predatória. Séculos depois, cita a autora, no ano e l970, o Professor Roldão de Siqueira Fontes, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, desencadeou uma campanha de reflorestamento do pau-brasil e criou a Fundação Nacional do Pau-brasil. Graças a essa iniciativa, Pernambuco possui, hoje, a maior concentração da espécie A mesma fonte, citando Monteiro, diz que, com o início da escassez do pau-brasil, por volta de 1599, inicia-se a monocultura da cana-de-açúcar, que dá início ao ciclo da cana-de-açúcar. Paralelamente, foi introduzida a pecuária, acentuando muito a instabilidade dos solos, com o pisoteio do gado. Explica a autora "assim como ocorreu no ciclo da cana-de-açúcar, todos os ciclos agrícolas se basearam na exploração predatória, em larga escala, grandes latifúndios associados às extensas monoculturas, utilizando o trabalho escravo.

12 Citando Pádua, a fonte registra que as primeiras manifestações contra a destruição ambiental, no Brasil, surgiram no segundo século de colonização, pelo cronista e senhor de engenho Ambrósio Fernandes que, em 1618, fez severas críticas ambientais aos proprietários de terras. E a preocupação ambiental movimentou o País: entre 1768 e 1888 foram produzidos 150 textos, preparados por 38 autores brasileiros, denunciando e debatendo os danos ambientais ocorridos no Brasil, enfatiza Andrade. A autora revela também que o desenvolvimento industrial foi estimulado no Brasil, a partir da Revolução de 30, gerando mudanças políticas, sociais e econômicas. Com a institucionalização do Estado Novo, em 1937, o apoio às indústrias de base é incrementado. Mas é a partir de l951, de acordo com a mesma fonte, que o Brasil iniciou um programa de modernização industrial e urbana. O lema do governo de Juscelino Kubitschek Cinqüenta anos de progresso em cinco, dá uma idéia do que foi o período de 1956 a 1961, no Brasil. Ainda Andrade, citando Velloso, diz que o crescimento econômico a qualquer custo, mesmo de forma predatória, foi característica do governo Emílio Garrastazu Médici, o qual convidava as indústrias poluidoras estrangeiras a transferirem-se para o Brasil, que possuía um grande espaço para ser poluído, onde não haveria exigências de equipamentos antipoluentes. Lembrando que essa era a posição oficial do governo brasileiro, na Conferência de Estocolmo. Nesse evento, a fonte - citando Zucca, 1991 e Maimon, informa que o então Ministro do Interior, Costa Cavalcanti, chefiando a missão brasileira na Conferência, repetia a frase da primeira-ministra da Índia, Indira Ghandi, para justificar a posição governamental: a pior poluição é a da miséria. Rosa, 2001, explica que com essa sinalização verde para a poluição, na década de 70, muitos empreendimentos que sofreram restrições em outros países, principalmente aqueles ligados a alguns setores da petroquímica, instalaram-se no Brasil.

13 Observa-se, claramente, que o nosso País não tinha nenhuma política de controle ambiental e não queria optar por implantá-la. De acordo com Viola, 1997, o crescimento econômico era tido como incompatível com a harmonia ambiental. Afinal, o grande alvo era transformar o Brasil numa grande potência no panorama mundial. Os recursos ambientais eram tidos como abundantes, praticamente infinitos e... para que se preocupar como eles? O que importava era o desenvolvimento, o resto que se sustentasse... ou acabasse! 1.3- O eco que se ouviu no Rio Vinte anos após a Conferência de Estocolmo, acontece, em junho de 1992, no Rio de Janeiro, Brasil, a Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que ficou conhecida como a Rio-92 e Eco/92. De acordo com Andrade, 2001, A Conferência reuniu o maior número de governantes de todos os tempos e de toda a história das conferências da ONU: 179 países, que firmaram o mais ambicioso programa de ações conjuntas com o objetivo de promover, em escala planetária, um novo estilo de desenvolvimento: o desenvolvimento sustentável (p. 38) Para Reis, 1995, a Eco-92 foi um grande momento, porque os temas relacionados ao meio ambiente deixaram de ser herméticos ou apaixonados, passando a ser um assunto constante nas discussões econômicas. Já para Jöhr,1994, a Eco-92 foi um alerta, mas seu resultado deixou mais questões em aberto que respostas definitivas. Medina, 2001, cita a Agenda 21 como o mais importante resultado da Conferência Rio 92. Para o autor, a Agenda é um produto inusitado, vez que o documento se apresenta como proposta para ser o texto-chave que irá guiar governos e sociedades, nas próximas décadas, rumo ao estabelecimento de um novo modelo de desenvolvimento: o sustentável. Explicando sobre o documento, o autor informa que a Agenda 21, composta por 40 capítulos, possui a forma de

14 guia, sugerindo ações,atores, metodologias para a obtenção de consensos, mecanismos institucionais para implementação e monitoramento de programas, estimando seus custos. O texto da Agenda 21 brasileira,2000, traz os seguintes temas: agricultura sustentável, cidades sustentáveis, infra-estrutura e integração regional, gestão dos recursos naturais, redução das desigualdades sociais e ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável. Ainda de acordo com Medina, 2001, a Agenda 21 é uma espécie de agenda positiva da globalização, expressão de um projeto global, no qual se procura dar respostas e soluções para a chamada crise ambiental planetária, vista também como crise civilizatória, que afeta a todos os povos do planeta em graus diversos. (p.52 ) Segundo o mesmo autor, os valores que sustentam a Agenda 21 são: cooperação entre países, diferentes níveis de governo, nacional e local e diferentes segmentos e atores sociais; democracia e participação reforço aos ideais democráticos, no qual a igualdade de direitos, a eqüidade, o combate à pobreza e o respeito cultural são fortemente contemplados; sustentabilidade como uma ética a Agenda estabelece definitivamente a noção de que não haverá sustentabilidade ambiental, sem sustentabilidade social e, por fim, a globalização positiva. Um documento tão importante, que diz respeito à própria sustentabilidade da vida e serve para estimular a elaboração de Agendas 21 locais, deve ser do conhecimento da sociedade. Mas não é! De acordo com o autor, cinco anos depois da Eco-92, foi realizada, no Rio de Janeiro, a Rio +5, com a finalidade de verificar os avanços realizados a partir da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, ao tempo em que se realiza, uma reunião oficial da Nações Unidas, em Nova York. Nessa Conferência, foram apresentadas 100

15 experiências brasileiras de Desenvolvimento sustentável e Educação Ambiental.Mas, enfatiza o autor: Em ambas as reuniões são avaliados os progressos relativos à implementação da Agenda 21. Concluiu-se que os avanços são insuficientes e que seriam necessários esforços por parte dos governantes e da sociedade civil organizada para uma efetiva implementação do Desenvolvimento Sustentável, com justiça social, tal com foi postulado na Rio-92 (p. 35) A fonte afirma que apesar dos esforços realizados por diferentes países, o texto da Agenda 21 continua sendo pouco conhecido. Somente nos últimos anos, observa-se uma preocupação maior, por parte dos governos, para elaboração das Agendas 21 locais. Na sua visão, a construção da Agenda é um processo de co-responsabilidade, solidariedade, soma e integração. Um processo político, no sentido amplo, de construção e implantação do desenvolvimento sustentável no País. O Ministério do Meio Ambiente (MMA), 2001, às vésperas da realização da Rio+5, em 1997, divulgou uma pesquisa nacional, realizada em ação conjunta com o Instituto de Estudos da Religião (ISER) e coordenada por Samyra Crespo, intitulada O que o brasileiro pensa do meio ambiente, do desenvolvimento e da sustentabilidade, a qual revelou que 95% da população brasileira jamais ouviu falar sobre a Agenda 21 e que apenas 42% tinha algum tipo de informação sobre em que resultou a Conferência da Rio-92. Conforme vem sendo divulgado nos veículos da mídia, em setembro deste ano, representantes de vários países, inclusive do Brasil, voltarão a se reunir em Johannesburgo, África do Sul, na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento, também chamada Rio +10, para uma nova avaliação sobre os progressos e retrocessos na área ambiental, desde a Eco-92. Em todo o mundo estão sendo realizados os fóruns preparatórios para a Rio+10 e redigidos relatórios das atividades desenvolvidas referentes aos compromissos assumidos no evento realizado no Rio de Janeiro.

16 2 - COMO ADMINISTRAR, TENDO EM MENTE O MEIO AMBIENTE? Enfeitiçados pela ilusão do progresso, deixamo-nos enganar pelo aumento indiscriminado da produção econômica, que prometeu trazer a felicidade e o bem-estar coletivo. Durante as quatro últimas décadas, entretanto, a degradação ambiental em macroescala e os efeitos cumulativos decorrentes da perda de 24 bilhões de toneladas de solo fértil, foram mais do que evidências suficientes para o esclarecimento de que tudo não passou de um grande engano (Almeida, 1999, p.95) Ao refletirmos sobre o pensamento de Almeida,1999, vamos trazer à responsabilidade uma civilização que precisa estar cada vez mais comprometida com os recursos da natureza. Afinal, o século XXI é uma mostra viva de como a humanidade tratou os recursos naturais, décadas após décadas. Não dá mais para ilustrar com a figura de uma fábrica soltando fumaça, o conceito de desenvolvimento, até porque, como lembra o autor em referência: os modelos de desenvolvimento que não contemplaram o meio ambiente nas suas diretrizes e metas, provaram a sua insustentabilidade (p. 80). O fenômeno da poluição mostrou que problema ambiental não reconhece fronteira e foi um dos primeiros motivos a suscitar a necessidade de negociações internacionais.

17 Reis, 1995, defende que: Há de se encontrar uma forma de equilíbrio entre os meios e os fins. Não podemos aceitar a idéia de que uma civilização que tem a capacidade de criar vidas em laboratório e de ir ao espaço, não possa viabilizar a instalação e a operação de atividades ambientalmente sadias com pleno atendimento aos indispensáveis requisitos de viabilidade técnica e econômica (p.2) Que tipo de desenvolvimento praticamos? Para explicar o sentido da palavra desenvolvimento, voltamos a citar Almeida, 1999, o qual lembra que o próprio conceito do termo vem sofrendo evolução, desde o neoclássico, até o desenvolvimento sustentável. Na visão do autor, esse conceito é muito maior do que o da ciência econômica, que é o crescimento econômico: ao conceito de desenvolvimento foram incorporadas às dimensões sociais e políticas e, agora, também as dimensões ecológicas e culturais ( p. 45). Na opinião de Souza, 1993, o desenvolvimento econômico passou a ser complementado por indicadores que expressam a qualidade de vida dos indivíduos: diminuição dos níveis de pobreza, desenvolvimento, desigualdade social, elevação das condições de saúde, nutrição, educação e moradia. Durante muitos anos, esteve fora da ótica dos economistas e políticos a contenção da degradação dos recursos naturais. Como bem lembra Negret,1994,: a forma de medir os índices de crescimento, encobria a destruição ou o aproveitamento desordenado dos recursos naturais dos países. Era preciso, pois, repensar a palavra crescimento e trabalhar a expressão Desenvolvimento Sustentável. A partir do famoso relatório Nosso Futuro Comum, 1991, publicado em 1987 pela Comissão Mundial do Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como

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