Universidade Federal de Alagoas UFAL Centro de Tecnologia CTEC Engenharia Ambiental

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1 Universidade Federal de Alagoas UFAL Centro de Tecnologia CTEC Engenharia Ambiental GESTÃO AMBIENTAL Engenharia Ambiental Professor Eduardo Lucena C. de Amorim

2 APRESENTAÇÃO Esta apostila foi baseada no conteúdo do curso a distância em Gestão Ambiental do Instituto Brasileiro de Engenharia Ambiental e tem por finalidade orientar os alunos do curso de Avaliação de Impactos Ambientais 2 do 9º semestre do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Alagoas.

3 ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO PREOCUPAÇÃO AMBIENTAL: RETROSPECTIVA DOS FATOS MARCANTES EVOLUÇÃO DA PROTEÇÃO AMBIENTAL - ESTÁGIOS DE RELACIONAMENTO NORMAS AMBIENTAIS INTERNACIONAIS ISO INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION ABNT ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS SÉRIE ISO SISTEMAS DE GESTÃO E SISTEMAS INTEGRADOS COMPARAÇÃO DOS ELEMENTOS QUALIDADE, AMBIENTAL, SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL OHSAS 18001: SISTEMAS INTEGRADOS DE GESTÃO - SIG O SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL E SEUS BENEFÍCIOS SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL: CONCEITOS REFERENTES AO SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL METODOLOGIA PARA A IMPLANTAÇÃO DO SGA ELEMENTOS DO SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL REQUISITOS GERAIS POLÍTICA AMBIENTAL PLANEJAMENTO IDENTIFICAÇÃO DE ASPECTOS E IMPACTOS REQUISITOS LEGAIS E OUTROS OBJETIVOS, METAS E PROGRAMAS IMPLEMENTAÇÃO E OPERAÇÃO RECURSOS, FUNÇÕES, RESPONSABILIDADES E AUTORIDADES COMPETÊNCIA, TREINAMENTO E CONSCIENTIZAÇÃO COMUNICAÇÃO DOCUMENTAÇÃO CONTROLE DE DOCUMENTOS CONTROLE DE REGISTROS CONTROLE OPERACIONAL PREPARAÇÃO E RESPOSTA A EMERGÊNCIAS VERIFICAÇÃO MONITORAMENTO E MEDIÇÕES AVALIAÇÃO DO ATENDIMENTO A REQUISITOS LEGAIS E OUTROS AUDITORIA INTERNA NÃO-CONFOMIDADE, AÇÃO CORRETIVA E AÇÃO PREVENTIVA ANÁLISE PELA ADMINISTRAÇÃO...44 REFERÊNCIAS...45 ANEXOS...47 ANEXO 1 TABELA COMPARATIVA ENTRE NBR ISO :2004 E NBR ISO 9.001: ANEXO 2 - TABELA COMPARATIVA DAS CORRESPONDÊNCIAS ENTRE AS NORMAS...52 ANEXO 3 LISTA DE COMITÊS TÉCNICOS DA ISO...54 ANEXO 4 MUDANÇAS DA NBR 14001:

4 1. INTRODUÇÃO As organizações de todos os tipos estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um comprometimento ambiental sólido, através do controle dos impactos ambientais das suas atividades, produtos ou serviços, tendo em consideração a sua política e objetivos ambientais. Estas preocupações surgem no contexto do aparecimento de legislação cada vez mais restritiva, do desenvolvimento de políticas econômicas e de outras medidas que fomentam cada vez mais a proteção ambiental, e de um crescimento generalizado das preocupações das partes interessadas sobre as questões ambientais, incluindo o desenvolvimento sustentável. As Normas Internacionais referentes à gestão ambiental destinam-se a proporcionar às organizações os elementos de um sistema eficaz de gestão ambiental, que possam ser integrados com outros requisitos de gestão, a fim de ajudar essas organizações a atingir os objetivos ambientais e econômicos. O comprometimento e a preocupação com o meio ambiente têm ganhado muita importância, tanto pelas contribuições dos legisladores, através da crescente evolução do Direito Ambiental, como também pelo aumento da complexidade e dos custos dos problemas ambientais. Conseqüentemente tem ocorrido nas organizações uma gama de múltiplas tarefas e responsabilidades ambientais, que surgem como medidas isoladas em virtude de desafios momentâneos ou situações de emergência. O resultado geral, freqüentemente não é muito eficiente, pois geralmente é fruto de uma coleção de medidas ambientais isoladas, distribuídas entre vários cargos e responsabilidades. Esta visão fragmentada, dificilmente permitirá que medidas não sistematizadas atuem com eficiência nas reais causas, ela geralmente apenas reduz ou mascara os efeitos adversos temporariamente. Portanto, é dentro deste cenário que deve ser considerado o desenvolvimento do Sistema de Gestão Ambiental - SGA, pois ele serve para a sistematização das medidas ambientais e para a melhoria da eficiência do compromisso ambiental das organizações. 2. PREOCUPAÇÃO AMBIENTAL: RETROSPECTIVA DOS FATOS MARCANTES A utilização descontrolada dos recursos naturais renováveis e não renováveis acrescidas da explosão demográfica, despertou ao longo dos anos, uma consciência da necessidade de preservação do meio ambiente. Nas décadas de 40 e 50 foram marcadas pelo desafio dos aliados na reconstrução após a II Guerra Mundial motivando o estabelecimento de um sistema econômico internacional e a fundação das primeiras associações de proteção ambiental. Em 1952 Londres foi envolvida pelo smog poluição atmosférica de origem industrial que causou a morte de milhares de pessoas marcando os primeiros efeitos significativos da poluição industrial, estimulando debates sobre a qualidade do ar e a aprovação da lei do ar puro em A década de 60 evidencia a preocupação da comunidade internacional com os limites do desenvolvimento do planeta, quando começaram as discussões sobre os riscos da degradação do meio ambiente pelo homem. Nos Estados Unidos, com a criação da Agencia de Proteção ambiental (EPA) e aprovação das Leis: Clean Air Act, Clean Water Act, Toxic Substance Control Act.

5 Em 1962, com a publicação do livro Silent Spring (Primavera Silenciosa) da jornalista norte-americana Rachel Carson, desencadeou o processo de discussão acerca dos efeitos das ações humanas no ambiente, a perda da qualidade de vida derivada do uso indiscriminado de produtos químicos e seus efeitos sobre a vida e os recursos naturais, resultando em pressão para que os políticos agissem e em uma profunda mudança na atitude do povo americano com relação à necessidade de normas ambientais federais. No Brasil em 1965 foi promulgada a lei federal 4771/65 que instituiu o código florestal brasileiro e em 1967 a Lei 5197/67 sobre a proteção da fauna. Em 1968 foi criado o clube de Roma, por especialistas de diversas áreas e nacionalidades, para discutir a crescente crise do ambiente humano e buscar soluções para os problemas ambientais. A década de 70 foi marcada por um lado pelo clima de reação e isolamento desencadeado pela Crise do petróleo e do modelo energético vigente, que despertou a procura de novas fontes de energia e de uma utilização mais racional. De outro lado, as discussões levaram a ONU a promover uma Conferência sobre o Meio Ambiente Humano (Primeira Conferência da ONU sobre as relações entre o homem e o Meio Ambiente) em Marco para o surgimento de políticas de gerenciamento ambiental. Discutiram-se questões como a defesa e melhoria do meio ambiente para as gerações presentes e futuras.- 26 princípios sobre nossa responsabilidade, os cuidados e manutenção do planeta. Esta conferência gerou a Declaração sobre o Ambiente Humano e estabeleceu o Plano de Ação Mundial com o objetivo de inspirar e orientar a humanidade para a preservação e melhoria do ambiente humano. Preocupações: Crescimento populacional, aumento dos níveis de poluição e o esgotamento dos recursos naturais. Nesta ocasião, representantes do governo brasileiro defenderam o desenvolvimento econômico a qualquer preço. Neste mesmo ano foi criado um mecanismo institucional para tratar das questões ambientais no âmbito das Nações Unidas - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com sede em Nairóbi, Kenya. E Dennis Meadows e os pesquisadores do Clube de Roma publicaram o relatório The Limits of Growth (Os limites do crescimento), denunciando que o crescente consumo mundial ocasionaria um possível colapso. O estudo concluía que, mantidos os níveis de industrialização, poluição, produção de alimentos e exploração dos recursos naturais, o limite de desenvolvimento do planeta seria atingido, no máximo, em 100 anos, provocando uma repentina diminuição da população mundial e da capacidade industrial. Em 1973, o canadense Maurice Strong lançou o conceito de ecodesenvolvimento, referia-se principalmente às regiões subdesenvolvidas, envolvendo uma crítica à sociedade industrial, sendo a precursora do conceito de desenvolvimento sustentável. Os caminhos do eco-desenvolvimento seriam seis: satisfação das necessidades básicas; solidariedade com as gerações futuras; participação da população envolvida; preservação dos recursos naturais e do meio ambiente; elaboração de um sistema social que garanta emprego, segurança social e respeito a outras culturas; programas de educação. Neste mesmo ano no Brasil foi criada a Secretaria Especial do Meio Ambiente - SEMA, sendo o primeiro organismo brasileiro de ação nacional, orientado para a gestão integrada do meio ambiente. Proposta em 1973 a Ecologia Profunda por Arne Naess e no Brasil se desencadeava o movimento ecológico brasileiro com a criação da AGAPAN (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural).

6 Em 1978 a iniciativa alemã do selo ecológico Anjo Azul (mais informações utilizado desde então como símbolo para produtos ou serviços com impacto ambiental reduzido ou positivo. Estes produtos devem manter as características de funcionalidade e segurança com os similares e considerando todos os aspectos ambientais inclusive a preservação de recursos naturais com vantagens ambientais. No Brasil, os fatos marcantes na evolução das regulamentações foram: a aprovação da Lei da Política Nacional de Meio Ambiente Brasileira, em 31/08/81; Em 1986 o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) aprova a Resolução n 001/86 que estabelece as responsabilidades, os critérios básicos e as diretrizes gerais para o uso e implementação da avaliação de impacto ambiental (AIA) como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. E a Constituição Federal Brasileira foi promulgada em 5 de outubro de 1988, contendo pela primeira vez um capítulo sobre o meio ambiente e vários outros artigos afins. Os acidentes ambientais ocorridos nas décadas de 70 e 80 desencadearam um dramático crescimento da conscientização ambiental, que direcionaram na década de 90 para os verdadeiros impactos ambientais causados pelos pequenos e acumulativos poluentes lançados muitas vezes dentro dos padrões das regulamentações ambientais. Os principais acidentes foram: Solveso na Itália caracterizado pelo vazamento acidental de dioxina; em 1979 o vazamento nuclear na Usina de Three Mile Island - Estados Unidos; em 1984 ocorreu o acidente em Bhopal Índia, vazamento de 40 toneladas de isocianato de metila (de 2500 a 5000 mortes e mais de 200 feridos); vazamento nuclear na usina de Chernobyl Rússia; no Brasil em 1987, contaminação com Césio 137 em Goiânia (4 pessoas mortas e 249 contaminadas). Antes dos anos 80, a proteção ambiental era vista como uma questão marginal, custosa e muito indesejável, a ser evitada; seus opositores argumentavam que ela diminuía a vantagem competitiva da empresa, evidencia uma postura reativa das empresas com relação aos danos ambientais e suas sanções legais. Esta postura nos anos 80 passou de defensiva e reativa para ativa e criativa, visualizando os custos com a proteção ambiental como um investimento para o futuro, a empresas assumem responsabilidades pela proteção ambiental como lema, passando a administrar com consciência ecológica. As motivações das empresas para proteger o meio ambiente são demonstradas na figura 1 a seguir. Senso de responsabilidade ecológica 1 8 Lucro Exigências legais 2 7 Qualidade de vida Proteção dos 3 interesses da empresa Imagem Pressão do mercado Proteção dos funcionários INEM The International Network for Environmental Management (Rede Internacional para a Administração Ambiental) Figura 1. Motivações das empresas para proteger o meio ambiente. Fonte: CALLENBACH (1993).

7 Nesta década ainda, na Alemanha o conceito de administração foi gradativamente ampliado incluindo dimensão ecológica, introduzindo práticas, programas de reciclagem e economia de energia. Como os critérios da Produção Limpa (Clean Production), proposta pela organização ambientalista internacional Greenpeace, na campanha para mudança mais profunda do comportamento industrial. Já em 1982, na Conferência de Nairóbi - Quênia, uma nova e importante preocupação entrava em cena: os problemas ambientais globais, que davam indícios de que o nível das atividades humanas (a economia global) já estava excedendo, em algumas áreas, a capacidade de assimilação da biosfera, isto é, que alguns resíduos das atividades humanas ultrapassavam a capacidade de regeneração natural, sendo acumulados no ar, nas águas e nos solos. Portanto a preocupação com o esgotamento das fontes de recursos naturais se somava a preocupação com os limites de absorção dos resíduos das atividades humanas, muito mais difícil e mais complicada de se controlar. No final de 1983, a Assembléia Geral das Nações Unidas criou, a pedido do PNUMA, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, presidida pela Sra. Gro H. Brundtland. O Relatório Brundtland, com o título Nosso Futuro Comum, foi apresentado à Organização das Nações Unidas (ONU) em 1987, avaliando a interação dos conceitos de meio ambiente e desenvolvimento, fornecendo subsídios para que fossem tomadas ações efetivas para controlar os efeitos da contaminação ambiental, buscando o desenvolvimento sustentável. Os principais problemas identificados foram desmatamento, a pobreza, mudanças climáticas, extinção de espécies, o endividamento, e a destruição da camada de ozônio. Em 1984 resultante do acidente em Bhopal na Índia, a Canadien Chemical Producer Association CCPA criou o programa de Atuação Responsável para as industrias químicas. A Atuação Responsável vem sendo implantada em diversos países, tornando-se um instrumento de gerenciamento ambiental e de prevenção de acidentes. Estabeleceu-se em 1988 a Comissão sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente da América Latina e Caribe, que em 1991 publicou a Nossa Própria Agenda. A agência da ONU dedicada ao meio ambiente - PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a partir de 1989, criou o programa de Produção Mais Limpa (Cleaner Production). Nos Estados Unidos, em 1990 a CERES Coalition for Envirommentaly Responsible Economics (Coalizão para a economia ambientalmente responsável) estabeleceu os princípios básicos de responsabilidade ecológica (Callenbach, p.45). Em 1991 foi publicada a "Carta Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável", pela Câmara Internacional do Comércio - ICC. E lançamento do documento "Mudando o Rumo: Uma Perspectiva Empresarial Global sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente" pelo BCDS (Business Council on Sustainable Development). Incremento da filosofia preservacionista no mundo, contabilizando adesões e iniciativas das mais diversas origens. Neste ano ainda, a ISO (International Organization for Stardadization) constitui o Grupo Estratégico Consultivo sobre o meio ambiente (SAGE). Em 03 de junho de 1992 começava no Rio de Janeiro a maior conferência (30 mil pessoas) planetária sobre o meio ambiente e desenvolvimento econômico já realizado pela humanidade: a Rio-92. Pela primeira vez, estadistas e representantes de organizações não-governamentais, a voz da sociedade civil, reuniam-se para discutir o futuro do planeta. Documentos resultantes desta conferência: Carta da Terra, declaração sobre florestas, convenção sobre diversidade biológica, Quadro sobre mudanças climáticas, Agenda 21. Slogan: Pensar em termos globais, agir em termos locais.

8 Em 1993, lançamento da norma BS 7750 British Standarts Institution (BSI), com versão final em Baseada nos 16 princípios da Carta Empresarial da Câmara de Comércio Internacional ICC. Em 29 de junho de 1993 a oficialização do Regulamento (EWG) 1836/93 na Europa sobre a participação voluntária das empresas do setor industrial no sistema comunitário para a gestão ambiental, e a verificação ambiental organizacional (auditoria), denominado de EMAS Eco Management and Audit Scheme. Bem como criação de um comitê técnico ISO/TC207, para a elaboração das normas ISO 14000, no Brasil foi criado o Grupo de Apoio à Normalização Ambiental (GANA) ligado a Associação Brasileira de Normas Técnica ABNT. Criação do Ministério do Meio Ambiente dos Recursos hídrico e da Amazônia Legal, em Em 13 de abril de 1995 a validação EMAS foi oficializada para todos os estados da Comunidade Européia (CE), validação com caráter jurídico. Em outubro de 1996 entrou a validação da ISO 14001, ou seja, é aprovada e publicada como norma internacional. As Empresas podem ser certificadas pela ISO atestando que possuem um Sistema de Gestão Ambiental estruturado e implementado. Países ou mesmo empresas isoladas podem exigir de seus fornecedores a certificação ISO como garantia de produção com a preocupação ambiental. Em 1997, a realização da Conferência sobre Mudança no clima, em Kyoto no Japão, também conhecida como Rio + 5. Fórum ambiental, iniciativa da sociedade civil para avaliar o que foi feito no planeta para preservar os recursos naturais desde o Rio 92. O documento oficial chamado como Protocolo de Kyoto, estabelecendo uma meta média de cerca de 6% de redução de gases de efeito estufa nos países industrializados no período de 2008 a Em paralelo foram discutidos no Brasil, os rumos da política ecológica nacional, Agenda 21 brasileira. Em 1998 foi aprovada no Brasil a Lei n 9605/98 Crimes Ambientais: coresponsabilidade dos envolvidos, responsabilidade da pessoa jurídica, sanções e responsabilidades dos funcionários públicos. Na Holanda (Haia) em 2000, realizou-se a VI convenção - Quatro Nações Unidas sobre Mudança Global do Clima, resultando o desenvolvimento do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), o qual representa um acordo entre países participantes visando a redução na emissão de poluentes atmosféricos. Em 2001 é aprovado o Regulamento 761/01 que estabelece as sugestões modificadas do Regulamento (CE) do Parlamento Europeu e do Conselho sobre a participação voluntária de organizações num sistema comunitário para o sistema de gestão ambiental e auditoria (EMAS) chamado de EMAS II. O dia 16 de fevereiro de 2005 marcou o início de um esforço mundial para redução do aquecimento global, com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto. Ratificado por 141 países (incluindo o Brasil), o Protocolo determina que países industrializados reduzam em 5,2% as emissões de gases-estufa entre 2008 e 2012, tendo como base o nível de emissões registradas em 1990; estabelecerá o Comércio Internacional de Carbono, permitindo que países industrializados adquiram ou vendam cotas de emissão. Concluído em 11 de dezembro de 1997 em Kyoto, no Japão, o documento impõe a redução das emissões de seis gases causadores de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento do planeta: CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico), CH4 (metano), monóxido de nitrogênio (N20) e três gases flúor (HFC, PFC e SF6). Nesta data, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL entrará em ação, encorajando investimentos em países menos desenvolvidos que promovam o desenvolvimento sustentável e o Fundo de Adaptação do Protocolo começará a auxiliar os países em desenvolvimento a se adaptarem às restrições do Protocolo.

9 2.1. Evolução da Proteção Ambiental - Estágios de Relacionamento A capacidade que os seres humanos tem de interferir na natureza, para dela retirar o seu sustento e sobrevivência, permitiu a exploração e consumo de recursos por muito tempo sem que se pensasse em sua conservação, somente há poucas décadas, em decorrência de catástrofes ambientais, índices alarmantes de poluição e da constatação de que os limites da natureza estavam sendo superados é que se iniciou um movimento em favor da utilização racional destes recursos. Isto se deve aos estágios de relacionamentos, pelos quais o ser humano vem passando em decorrência de sua evolução através dos tempos. 1º estágio - Caracterizado pela preocupação com as forças da natureza e desejo de segurança relacionado ao medo e ao respeito. Gerou a cooperação mútua e a organização social. Ex.: povos primitivos e indígenas atuais. O trabalho para o sustento do grupo gera mais segurança. Pouca interferência nos ecossistemas da época. O homem retirava da natureza o estritamente necessário para a sua sobrevivência. 2º estágio Definido como crescimento autoconfiante ocorre a adaptação do meio às necessidades do homem. Alguns fenômenos podem ser previstos e até compreendidos. Domesticação de algumas espécies de animais selvagens. Aparecimento de atividades agrícolas garantindo alimento para todos. Início do crescimento populacional. 3º estágio - Agressão e conquista desenvolvimento, urbanização, industrialização e mineração intensiva (extrativismo), progresso a qualquer custo. A especialização é incorporada ao processo de desenvolvimento. A preocupação básica ainda é a adaptação do meio às necessidades humanas, desenvolvimento de tecnologias para a conquista de espaços. 4ºestágio Responsabilidade social, ética ambiental e consciência coletiva ajustamento do homem e suas necessidades às características do meio. ÉPOCA ESTÁGIO ATITUDES Antes dos anos 70 RECONHECIMENTO - Saneamento básico - Pouco conhecimento relativo a impactos ambientais e resíduos perigosos. - Existência limitada de requisitos e padrões ambientais. Anos 70 CONTROLE (Remediação) - Controle da Poluição industrial (água, ar, ruído) - Gestão reativa, Filosofia de controle pontual (end-of-pipe). Anos 80 PLANEJAMENTO (Prevenção) Anos 90 SISTEMA DE CONCEITOS (sustentabilidade) - Estudos de Impactos Ambientais - Gerenciamento de resíduos sólidos. - Controle da poluição do Solo. - Minimização de resíduos - Atuação responsável - Gerenciamento Integrado (meio ambiente + Segurança + Saúde) - Auditoria Ambiental - Avaliação do Ciclo de Vida do Produto - Sistema de Gerenciamento Ambiental

10 3 NORMAS AMBIENTAIS INTERNACIONAIS 3.1 ISO International Organization for Standardization É uma federação mundial de entidades nacionais de normalização, não governamental que congrega mais de 140 países, representando praticamente 95% da produção industrial do mundo. Fundada em 23 de Fevereiro de 1947, com sede em Genebra, na Suíça, com o objetivo principal de criar normas internacionais que representem e traduzam o consenso dos diferentes países do mundo para homogeneização de procedimentos, medidas, materiais, uso, etc. Figura 2 Estrutura da ISO. Como uma instituição normalizadora internacional, ela elabora e avalia normas através de vários comitês técnicos, compostos por especialistas dos diversos países membros. Em relação às propostas de normas ambientais, o Comitê Técnico especialmente designado para o assunto foi o de número 207 (TC-207), intitulado Gestão Ambiental que passou a elaborar normas de orientação gerencial para as organizações em relação ao meio ambiente. O TC-207 conta com a participação de cerca de 56 países. Este comitê está inter-relacionado com o comitê responsável pelas normas Internacional de qualidade (TC-176). 3.2 ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas O Brasil participa da ISO através da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A ABNT é uma sociedade privada, sem fins lucrativos, fundada em 1940 e reconhecida pelo governo brasileiro como o Fórum Nacional de Normalização ÚNICO através da Resolução n.º 07 do CONMETRO, de É o órgão responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro, cujo objetivo principal é promover a elaboração de normas em diversos domínios de atividades. Além disso, a ABNT pode efetuar a certificação de produtos e sistemas.

11 Figura 3 Estrutura da ABNT É membro fundador da ISO (International Organization for Standardization) em 1947, da COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e da AMN (Associação Mercosul de Normalização), e, portanto, considerada como membro "P", ou seja, com direito a voto no fórum internacional de normalização. È a única e exclusiva representante no Brasil das seguintes entidades internacionais: ISO International Organization for Standardization IEC International Electrotechnical Comission E das entidades de normalização regional: COPANT Comissão Pan-americana de Normas Técnicas AMN Associação Mercosul de Normalização O Comitê técnico da ABNT CB 38 Gestão ambiental, acompanha e participa das proposições formuladas pelos vários subgrupos que compõe o TC 207. O CB 38 tem por objetivo evitar que a nova série de normas ISO venha a ser tendenciosa prestigiando práticas aplicáveis ao primeiro mundo, o qual é o real consumidor de 80% da matériaprima e das energias globais. 3.3 SÉRIE ISO A Série ISO é resultado de um processo evolutivo iniciado em 1978 com a iniciativa alemã do selo ecológico Anjo Azul, em 1992 utilizando a experiência com a norma britânica BS 7750, com versão definitiva publicada em fevereiro de Fonte: adaptação do esquema de Nigel Croft Figura 4 - Esquema evolutivo das normas do sistema de gestão ambiental

12 A Série ISO é um grupo de normas que fornece ferramentas e estabelece um padrão de Sistemas de Gestão Ambiental. Através dela, a empresa poderá sistematizar a sua gestão através de uma política ambiental que vise à melhoria contínua em relação ao meio ambiente. De forma simplificada, a Série ISO está representada na figura abaixo: Fonte: Figura 5 Família ISO A Série ISO tem orientação similar a Série ISO 9000, as siglas caracterizam os estágios em que as normas estão, pois, esta série ainda está em desenvolvimento e sujeita a alterações. As siglas são: AWI - Item aprovado; CD - Rascunho do comitê,dam - Rascunho da emenda, DIS - Rascunho do Padrão Internacional(ISO), FDIS - Rascunho Final do Padrão Internacional, NWIP - Trabalho novo em progresso; PWI - Item preliminar, WD - Rascunho de Trabalho. As normas que compõe esta série são: ISO 14001:1996- Sistemas de Gestão Ambiental - Especificação e diretrizes para uso (válida até maio de 2006 para empresas certificadas até 15 de maio de 2005). ISO 14001: Sistemas de Gestão Ambiental - Requisitos com orientação para uso ISO 14004:1996- Sistemas de Gestão Ambiental - Diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio (versão 2004 em elaboração) ISO 19011:2002 Diretrizes para auditoria em sistema de gestão da qualidade e ou ambiental ISO 14015: Gestão Ambiental - Análise ambiental de lugares e organizações ISO 14020:2000- Rotulagem e declarações ambientais - Princípios gerais

13 ISO 14021:1999- Rotulagem e declarações ambientais - Auto declaração das exigências ambientais (Tipo II Rotulagem Ambiental) ISO 14024:1999- Rotulagem e declarações ambientais - Tipo I Rotulagem ambiental - princípios e procedimentos ISO/DIS Rotulagem e declarações ambientais - Tipo III Declarações ambientais princípios e procedimentos ISO 14031:1999- Gestão Ambiental- Avaliação do desempenho ambiental- Diretrizes ISO/TR 14032:1999- Gestão Ambiental - Exemplos de avaliação de desempenho ambiental- (EPE) ISO 14040:1997- Gestão Ambiental- Análise do ciclo de vida- Princípios e estrutura ISO/DIS Gestão Ambiental- Análise do ciclo de vida- Princípios e estrutura ISO 14041:1998- Gestão Ambiental - Análise do ciclo de vida - Objetivos, definição do escopo e análise do inventário ISO 14042:2000- Gestão Ambiental- Análise do ciclo de vida - Análise dos impactos ISO 14043:2000- Gestão Ambiental- Análise do ciclo de vida- Interpretação do ciclo de vida ISO/DIS Gestão Ambiental- Análise do ciclo de vida Requerimentos e diretrizes ISO/TR 14047: Gestão Ambiental- Análise do ciclo de vida- Exemplos de aplicação da ISO ISO/TS 14048: Gestão Ambiental - Análise do ciclo de vida - Formato dos dados da documentação ISO/TR 14049: Gestão Ambiental - Análise do ciclo de vida - Exemplos de aplicação da ISO 14041, definição de metas e escopo e analise do inventário (em construção) ISO 14050: Gestão Ambiental- vocabulário ISO/AWI Gestão Ambiental- vocabulário ISO/TR 14062: Gestão ambiental - Integrando dos aspectos ambientais no projeto e desenvolvimento de produtos ISO/DIS Gestão ambiental Comunicações ambiental Diretrizes e exemplos ISO/DIS Diretrizes para medição, verificação e relatório de entidades e projetos emissões de gás da estufa (Greenhouse gases -- Part 1: Specification with guidance at the organization level for quantification and reporting of greenhouse gas emissions and removals) ISO/DIS Greenhouse gases -- Part 2: Specification with guidance at the project level for quantification, monitoring and reporting of greenhouse gas emission reductions or removal enhancements ISO/DIS Greenhouse gases -- Part 3: Specification with guidance for the validation and verification of greenhouse gas assertions ISO/WD Greenhouse gases -- Requirements for greenhouse gas validation and verification bodies for use in accreditation or other forms of recognition - Guia ISO/AWI 64 - Guia para inclusão dos aspectos ambientais na padronização dos Produtos Fonte para atualização: OGRAMME A elaboração da série ISO está evoluindo rapidamente. Esta velocidade deve-se, em grande parte, ao compromisso da organização (ISO) de acompanhar o ritmo da unificação européia, cujos países já dispõem de regulamentos ambientais e necessitam agora de uniformização. Logo, a ISO deverá ter um impacto maior que a ISO 9000, que, com a globalização da economia mundial e a formação de blocos regionais, que já dispõem de regulamentos ambientais que facilitarão na integração, contribui para o crescimento do comércio internacional.

14 A ISO ajudará no monitoramento das atividades em relação ao meio ambiente e a medir a utilização de recursos, além de auxiliar a planejar e controlar mecanismos de melhoria. É também a preparação de critérios para a avaliação da qualidade e eficácia das relações entre empresas e o meio ambiente. Ou seja, com a publicação da série ISO espera-se a harmonização dos procedimentos, aplicáveis internacionalmente, que efetivamente expressem os requisitos fundamentais das boas práticas de gerenciamento ambiental. 3.4 Sistemas de Gestão e Sistemas Integrados As normas para modelos de demonstração de sistemas de gestão servem em primeiro lugar para facilitar as organizações à estruturação do sistema, determinando os elementos que compõe um sistema de gestão. Contudo, as normas não contêm exigências de como uma organização realiza e implementa os elementos na prática. Estas Normas tal como outras Normas Internacionais, não pretendem criar barreiras ao comércio não tarifário nem ampliar ou alterar as obrigações legais de qualquer organização. Sistemas de Gestão ISO 9000 Qualidade ISO Meio Ambiente Outras Normas Outras Áreas? Diretrizes ISO 9004 Diretrizes ISO Recomendações Gestão Especificação ISO 9001 Especificação ISO Especificação Demonstração Auditoria do Sistema NBR ISO Auditoria do Sistema NBR ISO Auditoria do Sistema Ferramenta Figura 5 Exemplos de estrutura das normas de sistemas de gestão As normas mais conhecidas são: Gestão da Qualidade: NBR ISO 9001, QS 9000 (setor automobilístico), TL 9000 (setor de telecomunicações). Gestão Ambiental: NBR ISO 14001, BS7750 e EMAS - Environmental Management And Audit Scheme. Gestão da Saúde e Segurança Ocupacional: BS 8800, OHSAS e OHSAS Outros: AS 8000 (Responsabilidade Social), Boas praticas de fabricação, boas praticas de laboratórios, etc. As normas de gestão possuem elementos chaves comuns que facilitam a implantação de sistemas integrados de gestão: Estrutura Organizacional Processos sistemáticos e recursos associados Metodologia de medição e avaliação Processos de análise crítica

15 A seguir serão discutido as delimitações das normas de qualidade, ambiental e saúde e segurança ocupacional. a) Sistemas de Gestão da Qualidade NBR ISO 9001 A NBR ISO 9001:2000 define exigências a um sistema de gestão da qualidade, quando uma organização deve fazer o seguinte: Demonstrar a sua capacidade para a constante disponibilizado de produtos que atendam aos requisitos dos clientes, os regulamentares e os da própria organização, e Demonstrar que atingem à satisfação do cliente através de uma aplicação eficiente do sistema, inclusive dos processos para a melhoria continua e para o impedimento de não-conformidades. O objetivo é a capacidade de desempenho dos fornecedores para poder disponibilizar produtos condizentes com a qualidade para a satisfação dos clientes. As partes interessadas, conforme definição na NBR ISO 9000:2000 item 3.3.7, definida como : pessoa ou grupo que tem um interesse no desempenho ou no sucesso de uma organização. A serie ISO 9000 não cobre todas as exigências de todas as partes interessadas da mesma forma, concentram as suas instruções e exigências à satisfação do cliente. A parte interessada principal é o cliente, ao passo que os proprietários, colaboradores, subcontratados e público são alcançados apenas de forma intermediaria pela NBR ISO 9001:2000. O objeto de verificação a ser observado pelo auditor no âmbito de uma certificação é o produto de oferta a ser fornecido, enquanto resíduos e efluentes podem ser produtos (secundários) de uma organização e não atingem diretamente o cliente. Os aspectos de meio ambiente e segurança somente são registrados se o cliente pressupõe características especiais do produto ou quando existem prescrições legais. b) Sistemas de Gestão Ambiental NBR ISO 14001:2004 O objetivo da NBR ISO 14001:2004 é a melhoria contínua do sistema de gestão ambiental, a redução e prevenção da poluição e o atendimento aos requisitos legais aplicáveis. Se os sistemas de gestão da qualidade conforme a NBR ISO 9001:2000 se referem principalmente aos interesses dos clientes, no sistema de gestão ambiental é muito mais abrangente. Portanto, as partes interessadas podem ser: os proprietários, acionistas, colaboradores, subcontratados, vizinhança, órgãos ambientais, publico em geral, etc. O objeto da verificação de um sistema de gestão ambiental é a redução da poluição ou dos impactos ambientais de suas atividades, processos, produtos e serviços de uma organização que influenciem ao meio ambiente (inter-relacionamento). O sistema de gestão ambiental é uma ferramenta que permite a organização atingir e sistematicamente controlar o nível de desempenho ambiental por ela mesma estabelecido em sua política, objetivos e metas ambientais. c) Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional OHSAS 18001:1999 A OHSAS foi publicada na Inglaterra em 1999, contém requisitos certificáveis que vieram para atender a uma demanda do mercado internacional, que exige cada vez mais o atendimento aos critérios básicos de segurança e saúde ocupacional no

16 ambiente de trabalho. Originária da norma BS8800 no Reino Unido, norma guia para a implementação deste sistema. O objetivo básico é o aumento da segurança do trabalho e da proteção da saúde dos empregados como também a preservação ambiental operacional ligada à segurança do trabalho nos contratantes. Do ponto de vista do contratante apresenta-se como o sistema de gestão para a melhoria da segurança do trabalho. As partes interessadas são em primeiro lugar os colaboradores de uma organização expostos aos riscos no local de trabalho. Orientam-se em primeiro lugar a proteção do empregador e conseqüentemente a garantia de condições de trabalho seguras e não prejudiciais à saúde. Minimizando os riscos, reduzindo os acidentes e doenças ocupacionais, os tempos de parada e conseqüentemente os custos associados. O objeto da verificação são as condições no local de trabalho sob consideração dos possíveis riscos para o empregado (e eventualmente do meio ambiente) COMPARAÇÃO DOS ELEMENTOS QUALIDADE, AMBIENTAL, SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL OHSAS 18001:1999. A Norma NBR ISO compartilha princípios comuns de gestão com a Norma NBR ISO 9001 para sistemas da qualidade, segurança e saúde ocupacional. No anexo 1 temos a comparação entre os requisitos da NBR ISO 9001:2000 e NBR ISO 14001, no anexo 2 temos a comparação entre a norma NBR ISO 9001:2000 e a OHSASA 18001:1999. Para facilitar o entendimento do SGA, principalmente para quem já tem Sistema de Gestão da Qualidade implementado, pode-se se verificar que existem elementos comuns no sistema de gestão da qualidade e no de gestão ambiental. SGQ Política da Qualidade Recursos Adequados Responsabilidades e Autoridades Treinamento Documentação do Sistema Controle do Processo Controle de Documentos Auditorias Análise crítica pela direção do SGQ Certificação por organismo externo SGA Política Ambiental Recursos Adequados Responsabilidades e Autoridades Treinamento Documentação do Sistema Controle Operacional Controle de Documentos Auditorias Análise pela Administração do SGA Certificação por organismo externo SISTEMAS INTEGRADOS DE GESTÃO - SIG. É um sistema de gestão que integra todos os componentes de um negócio num único sistema coerente, para permitir o alcance de seu propósito e missão. (definição do Institute of Quality Assurance) Um sistema de gestão que integra dois ou mais desses elementos: Qualidade (ISO 9001); Ambiental (ISO 14001); Saúde e Segurança do trabalho (OHSAS 18001); Responsabilidade Social (AS 8000); Segurança de Informações (ISO 17799);

17 Normas setoriais específicas baseadas na ISO 9000 (Automotivo, Telecomunicações, Educação, Aeroespacial, Produtos Farmacêuticos, Serviços de Saúde, Alimentos e Bebidas.) Razões para adotar um sistema integrado de gestão: Redução de duplicidade e de riscos Otimização e harmonização de objetivos Eliminação de responsabilidades e relacionamentos conflitantes Enfoque em metas do negócios. Como desenvolver um Sistema Integrado de Gestão? Aspectos básicos: Entender o negócio Identificar os processos principais Entender o relacionamento causa e efeito Qualidade do produto Aspectos / impactos ambientais Fatores de Saúde e Segurança Social Financeiro Executar análise de risco Avaliar a legislação Incluir componentes administrativos (sistema) Elementos chaves para o sucesso: Incluir: Forte liderança da alta administração Boa comunicação entre todos os níveis O envolvimento de pessoas Melhoria contínua A abordagem de Processos e o modelo PDCA fornecem uma metodologia indispensável Conhecimento profundo do Negócio Como Integrar os sistemas Várias abordagens podem ser adotadas dependendo da situação atual da organização Conversão de sistemas existentes Fusão de Sistemas Abordagem de engenharia de sistemas BENEFÍCIOS: A construção de um sistema coerente que: Atende as necessidades comerciais, organizacionais; Seja enxuto, flexível e dinâmico, permite agilidade nas modificações. Não amarra a organização a uma norma específica, as Normas utilizadas como meio para identificar tarefas e processos. Foco no processo do negócio (total) e não nas disciplinas separada.

18 4. O SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL E SEUS BENEFÍCIOS SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL: A parte do sistema de gestão de uma organização (3.16) é utilizada para desenvolver e implementar sua política ambiental (3.11) e para gerenciar seus aspectos ambientais (3.6). (NBR ISO 14001: ). NOTA 1 Um sistema da gestão é um conjunto de elementos inter-relacionados utilizados para estabelecer a política e os objetivos e para atingir esses objetivos. NOTA 2 Um sistema da gestão inclui estrutura organizacional, atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos (3.19), processos e recursos. De acordo com a NBR ISO 14001:2004, o Sistema de Gestão Ambiental - SGA é a parte de um sistema da gestão de uma organização utilizada para desenvolver e implementar sua política ambiental e para gerenciar seus aspectos ambientais. O sistema de gestão ambiental visa proporcionar a uma organização a garantia de que seu desempenho não apenas atende, mas continuará a atender, aos requisitos legais e aos de sua própria política. A NBR ISO 14001:2004 considera que a gestão ambiental abrange, como parte da função gerencial total, todos os setores da organização necessários ao planejamento, execução, revisão e desenvolvimento da política ambiental da organização. A partir deste conceito surgem três características da gestão ambiental: - Sistema de gestão ambiental não se trata de uma tarefa especial limitada a um ou mais responsáveis ambientais na organização, mas trata-se de um componente integrante da missão administrativa geral e dos responsáveis pelas atividades de produção. Isso significa que todos os setores da administração e da produção precisam ser integrados no desenvolvimento e implementação do SGA. - Há uma relação direta com o desenvolvimento da Política Ambiental da organização. O SGA é a expressão da própria vontade organizacional e das prioridades da organização no setor ambiental. As exigências e opiniões externas entram nesta formação de vontade através do cumprimento das leis e normas ambientais relevantes que são exigidas como objetivos mínimos. Elas não substituem a definição consciente das prioridades e objetivos da organização. - SGA não é somente a expressão da consciência e vontade da organização, mas também, um instrumento para introduzir, executar e monitorar a política ambiental. E a política ambiental prevê como diretriz o enquadramento sistemático que num plano operativo deve ser estabelecido, executado e gerenciado por meio de programas e medidas concretas. Ou seja, o SGA representa uma forma sistemática de revisar e melhorar as operações para obter um melhor desempenho ambiental. O SGA ajuda a organização a obter melhor cumprimento dos requisitos legais e outras normas e regulamentações aplicáveis, a utilizar os materiais de forma mais racional e eficiente, melhorar os processos reduzindo custos e tornando-se mais competitiva. Portanto, o SGA cria primeiramente um senso de bons negócios, ajudando-a a identificar as causas dos problemas ambientais, de forma a eliminá-los, gerando retorno financeiro por meio da redução de custos.

19 Pode-se dizer que o SGA é um investimento de longo prazo que ajuda a organização a ser mais efetiva no cumprimento dos objetivos e metas ambientais, permite uma melhoria nos negócios a partir do momento em que mantém clientes e atrai novo, pois representa uma ferramenta que agrega valor aos produtos e serviços oferecidos. Ao implementar o SGA verifica-se que as decisões, modificações e melhorias ocorrem na própria planta e que na verdade os elementos do SGA são comuns a outros sistemas de gerenciamento existentes, como sistema de gestão da qualidade, de saúde e segurança, por exemplo. A chave para o SGA efetivo é o desenvolvimento do mesmo de forma sistematizada, planejando, controlando, medindo e melhorando os esforços ambientais. Melhorias ambientais potenciais e redução de custos podem ser obtidos através da revisão e melhoria dos processos de gerenciamento da organização. E ainda mais importante, nem todos os problemas ambientais são resolvidos através da instalação de equipamentos de controle de poluição de alto custo. Fica claro que o planejamento e implementação de SGA envolve muito trabalho. Porém as empresas que desenvolvem seu SGA percebem que ele representa um bom caminho para mudanças positivas. Os motivos e as razões para a estruturação e certificação de um SGA podem parecer muito variáveis em casos concretos individuais. Em primeiro plano está a finalidade de assegurar a permanente capacidade de competitividade da organização, em face das crescentes exigências ambientais (de órgãos públicos, clientes, bancos, seguradoras e da sociedade em geral). A isto se acrescenta a questão de que as exigências poderão ser interpretadas como um risco às atividades implantadas e posições alcançadas, ou poderão ser interpretadas como uma chance e possibilidade de destaque através de uma eco-estratégia. Em função da interpretação o SGA é concebido como um instrumento defensivo de segurança ou como um instrumento de destaque ambiental da organização. Podem-se diferenciar alguns benefícios internos e externos de um SGA. Um fato que deve ser considerado, é que as organizações de pequeno e médio porte têm vantagens sobre as grandes organizações no que diz respeito à implementação do SGA. Nas empresas menores, as linhas de comunicação são geralmente menores, as estruturas organizacionais são menos complexas, as pessoas possuem múltiplas funções e o acesso ao gerenciamento é simples. Portanto, estas colocações podem representar vantagens reais para a efetiva implementação do SGA. Custos e benefícios do desenvolvimento e implementação do SGA Custos Benefícios Internos Benefícios Externos - Melhoria da imagem perante a - Melhoria do desempenho sociedade ambiental - Fortalecimento da - Novos clientes e mercados competitividade - Tempo de trabalho - Melhoria da eficiência e - Facilidade em bancos e dos empregados redução dos custos seguradoras, acesso a capital - Consultoria - Melhoria da moral dos - Facilidade de relacionamento - Treinamento empregados com órgãos ambientais e - Infra-estrutura para - Redução de esforços com comunidade a prevenção treinamento de novos - Melhoria do desempenho empregados ambiental - Prevenção de riscos e - Cumprimento de normas e situações de emergências. legislação.

20 4.1. Conceitos Referentes ao Sistema de Gestão Ambiental A definição mais simplificada de SGA é que ele representa um ciclo contínuo de planejamento, implementação, revisão e melhoria das ações da organização para que possam ser cumpridas as obrigações ambientais. O SGA não acontece por acaso, ele necessita de ações que suportem o mesmo. Para melhorar o desempenho ambiental, a organização tem que avaliar não apenas quais são as ocorrências, mas também porque elas ocorrem. A maioria dos modelos de gerenciamento se baseiam no princípio de melhoria contínua, no conhecido ciclo da qualidade ou PDCA (Plan, Do, Check, Action): planejar, fazer, checar e agir, como apresentado na Figura 6. Figura 6 Modelo do SGA Fonte:- NBR ISO 14001: 2004 O PDCA pode ser brevemente descrito da seguinte forma: Planejar: Estabelecer os objetivos e processos necessários para atingir os resultados em concordância com a política ambiental da organização. Executar: Implementar os processos. Verificar: Monitorar e medir os processos em conformidade com a política ambiental, objetivos, metas, requisitos legais e outros, e relatar os resultados. Agir: Agir para continuamente melhorar o desempenho do sistema da gestão ambiental. Muitas organizações gerenciam suas operações através da aplicação de um sistema de processos e suas interações, que podem ser referenciados como abordagem de processo. A ABNT NBR ISO 9001 promove a utilização da abordagem de processo. Como o PDCA pode ser aplicado a todos os processos, as duas metodologias são consideradas compatíveis. Nas empresas criam-se áreas para tratar de funções em uma estrutura vertical (organograma). Esta tendência natural, muitas vezes necessária, distorce nossa visão em relação ao real processo existente para atender a uma necessidade do cliente. Muitas vezes o processo percorre várias áreas formais para conseguir atender à necessidade que se propõe.

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