UNIVERSIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO E DA REGIÃO DO PANTANAL PROGRAMA DE MESTRADO EM MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO REGIONAL

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1 UNIVERSIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO E DA REGIÃO DO PANTANAL PROGRAMA DE MESTRADO EM MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO REGIONAL SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL IMPLEMENTADO AOS MOLDES DA ISO 14001:2004 EM UM FRIGORÍFICO DE ABATE DE AVES, NO MUNICÍPIO DE SIDROLÂNDIA MATO GROSSO DO SUL CARLA DAL PIVA Campo Grande MS 2007

2 CARLA DAL PIVA SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL IMPLEMENTADO AOS MOLDES DA ISO 14001:2004 EM UM FRIGORÍFICO DE ABATE DE AVES, NO MUNICÍPIO DE SIDROLÂNDIA MATO GROSSO DO SUL Dissertação apresentada ao Programa de Pósgraduação em nível de Mestrado Acadêmico em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional. Orientação: Professora Drª. Vera Lúcia Ramos Bononi Professora Drª.Regina Sueiro de Figueiredo Professor Drº. Celso Correia de Souza Campo Grande - MS 2007

3 FOLHA DE APROVAÇÃO Candidata: Carla Dal Piva Dissertação defendida e aprovada em 29 de agosto de 2007 pela Banca Examinadora: Profa. Doutora Vera Lúcia Ramos Bononi (orientadora) Doutora em Biologia Prof. Doutor Dácio Roberto Matheus (CETESB) Doutora em Microbiologia e gestão ambiental Profa. Doutora Mercedes Abid Mercante (UNIDERP) Doutor em Geografia Física Profa. Doutora Mercedes Abid Mercante Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional Prof. Doutor Raysildo Barbosa Lôbo Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UNIDERP

4 A todas as pessoas e organizações, que se preocupam em construir um mundo melhor, mais limpo e mais justo, para que nossos filhos e netos possam viver com mais qualidade de vida. iii

5 AGRADECIMENTOS Agradeço a todos que contribuíram direta ou indiretamente com o desenvolvimento deste trabalho, em especial: Primeiramente a Deus, pelo dom do saber; À minha família, essencial na minha vida; À família Portella que me acolheu de braços abertos; À minha orientadora, Professora Vera Lucia Ramos Bononi, por toda sua dedicação, disponibilidade e competência que levaram à concretização deste trabalho; À professora Regina Sueiro de Figueiredo pela co-orientação, dedicação, estando presente em todos os momentos solicitados. A minha irmã Tanea Dal Piva, pelo incentivo no curso de mestrado; Aos meus colegas de trabalho que me deram apoio profissional que foi de suma importância para o meu crescimento pessoal; À Seara Alimentos que, mais do que uma empresa, é uma família; Finalmente a você leitor, motivo maior da minha dedicação neste trabalho. iv

6 SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS...VIII LISTA DE TABELAS...X LISTA DE QUADROS...XI RESUMO...XII ABSTRACT...XIII 1 INTRODUÇÃO REVISÃO DE LITERATURA NORMAS DA SÉRIE ISO Primeiro Grupo Normas voltadas para a avaliação o produto Segundo Grupo Normas voltadas para a avaliação da organização IMPLEMENTAÇÃO DE SISTEMAS DE GESTÃO AMBIENTAL (SGA) SEGUNDO A NORMA NBR ISO Importância Estratégica da Gestão Ambiental para as Empresas SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL E CUSTOS AMBIENTAIS EDUCAÇÃO E PERCEPCAO AMBIENTAL IMPLEMENTAÇÃO DE SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL COM OS REQUISITOS DA NBR ISO Planejamento Política ambiental Aspectos ambientais Determinação de impactos ambientais significativos Requisitos legais e outros Objetivos, metas e programa (s) Implementação e operação Recursos, funções, responsabilidades e autoridades Competência, treinamento e conscientização Comunicação Documentação e controle de documentos Controle operacional v

7 Preparação e respostas à emergência Verificação Monitoramento e medição Avaliação do atendimento a requisitos legais e outros Não Conformidade, ação Corretiva e ação preventiva Controle de registros Auditorias internas Análise pela administração MATERIAL E MÉTODOS RESULTADOS E DISCUSSÃO HISTÓRICO DA EMPRESA SEARA ALIMENTOS S. A HISTÓRICO DA UNIDADE DE SIDROLÂNDIA MS Resíduos da linha verde Resíduos da linha vermelha LEVANTAMNETO DAS FASES DE IMPLEMENTAÇÃO DO SGA NA EMPRESA, CONFORME REQUISITOS DA NBR ISO : Política ambiental Requisito Aspectos ambientais Requisito Requisitos legais e outros Requisito Objetivos, metas e programas Requisito Recursos, funções, responsabilidade e autoridade Requisito Comunicação Requisito Documentação e controle de documentos Requisitos e Controle operacional Requisito Preparação e respostas à emergência Requisito Monitoramento e medição Requisito Não Conformidade, ação corretiva e ação preventiva Requisito Controle de registros Requisitos Auditorias internas Requisito Análise pela administração Requisito MELHORIAS AMBIENTAIS ANTES E APÓS A IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL NA EMPRESA Melhoria contínua vi

8 4.5 PERCEPÇÃO AMBIENTAL DOS FUNCIONÁRIOS Questões relacionadas ao Contexto Questões relacionadas à Cultura Organizacional Questões relacionadas ao Sistema de Gestão Ambiental Mudanças com a ISO Aspecto crítico Aspectos críticos e a escolaridade dos funcionários Com referencia ao saber e percepção da educação ambiental Percepção ambiental dos funcionários quanto aos resíduos sólidos domésticos Água Atendimento aos clientes CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS APÊNDICE - A Questionário intitulado SEARA/ISO Para entender o Meio Ambiente da Seara..., que foi destinado aos funcionários em geral (perguntas fechadas) APÊNDICE B Questionário composto de cinco perguntas abertas, destinado aos gerentes e supervisores vii

9 LISTA DE FIGURA Figura 1 Organização do comitê ISO/TC Figura 2 Estrutura do gerenciamento ambiental (TC- 2007)... 7 Figura 3 Ciclo PDCA para o Sistema de Gestão Ambiental Figura 4 Pressões exercidas pelas Indústrias Figura 5 Ligação da área de Meio Ambiente com as demais áreas funcionais da Organização Figura 6 Nível de abrangência entre os subsistemas da ISO Figura 7 Planejamento elementos a serem considerados e suas interações Figura 8 Essência do subsistema de controle operacional e seu inter relacionamento com auditorias do SGA Figura 9 Fluxograma de geração de resíduos sólidos do abatedouro de aves Figura 10 Planilha de levantamento de aspectos / impactos ambientais Figura 11 Planilha de levantamento de legislação Figura 12 Organograma de responsabilidade a autoridade pelo SGA da unidade de Sidrolândia MS Figura 13 Imagens de atividades internas da empresa Figura 14 Organograma de estrutura da documentação da empresa Figura 15 Placa de controle operacional Figura 16 Comunique seara Figura 17 Coletores de resíduos sólidos Figura 18 Placas de controle de resíduos Figura 19 Origem e tratamento de efluentes do abatedouro de aves Figura 20 Geração de resíduos orgânicos na sala de cortes Figura 21 Flotador Tratamento primários de efluentes Figura 22 Lagoa 06 Última lagoa de tratamento de efluentes Figura 23 Escala de Ringelmann Figura 24 Operador de caldeira realizando o monitoramento de fumaça preta pela chaminé Figura 25 Controle operacional em caso de emergência ambiental Figura 26 Instalação de rede de hidrantes para minimizar / eliminar incêndios Figura 27 Material absorvente (areia / pó de serra) para ser utilizado na absorção viii

10 de produtos químicos em casos de vazamento e/ou derramamentos Figura 28 Ilustração de melhorias ambientais antes e após SGA Figura 29 - Ilustração de melhorias ambientais antes e após SGA Figura 30 - Ilustração de melhorias ambientais antes e após SGA Figura 31 - Ilustração de melhorias ambientais antes e após SGA Figura 32 Construção de um biofiltro para tratamento de gases oriundos dos digestores da fábrica de farinha e óleo Figura 33 Aquisição de novos aeradores para a lagoa aerada pertencente ao tratamento biológico do abatedouro de aves Figura 34 Projeto de reutilização de água do destilador do laboratório para lavagens de pisos da área do administrativo Figura 35 Reutilização da água de lavagem de filtros da estação de tratamento de água para o próprio tratamento Figura 36 Construção de lagoa emergencial para casos de transbordamento de efluentes no tanque de equalização ix

11 LISTA DE TABELA Tabela 1 Número de aviários e de avicultores integrados Tabela 2 Resíduos orgânicos no processo de abate de aves por dia Tabela 3 A média de Idade dos funcionários Tabela 4 Distribuição dos funcionários em faixas etárias Tabela 5 A escolaridade dos funcionários Tabela 6 A escolaridade e a média de idade dos funcionários Tabela 7 Funcionários por tempo de serviço Tabela 8 O Status ambiental da seara na percepção de seus funcionários Tabela 9 Mudanças relacionadas à conscientização ambiental da organização com a implementação da NBR ISO Tabela 10 Aspectos considerados críticos pelos funcionários da Seara Tabela 11 O nível de escolaridade dos que consideram a capacitação das pessoas como um aspecto a ser melhorado Tabela 12 Questões relacionadas ao meio de conhecimento oral sobre meio ambiente Tabela 13 As perspectivas para as futuras gerações Tabela 14 O destino do lixo doméstico Tabela 15 O consumo domiciliar de água x

12 LISTA DOS QUADROS Quadro 1 Processo de emissão das Normas ISO... 4 Quadro 2 Normas da família ISO 1400 normas para produtos... 9 Quadro 3 Normas da família ISO normas para organização Quadro 4 Seção 4 da norma NBR ISO 14001: Quadro 5 Objetivos e metas ambientais Quadro 6 Padrão de cores conforme CONAMA 275 (2001) xi

13 RESUMO Uma análise crítica da implementação de um Sistema de Gestão Ambiental - SGA aos moldes da ISO 14001:2004, foi realizada em uma empresa do ramo de frigorífico de aves em Sidrolândia Mato Grosso do Sul, no período de , ao buscar evidenciar os ganhos de cunho ambiental e de diferencial no atual mercado competitivo. A pesquisa de campo, do tipo estudo de caso, realizada nas dependências do frigorífico de aves, possibilitou levantar por meio de registros documentais e fotográficos dados históricos antes e após implementação do SGA, onde se constatou melhorias ambientais principalmente referentes aos aspectos de gerenciamento de resíduos sólidos, gerenciamento e tratamento de efluentes, conservação dos recursos hídricos e atendimento as legislações ambientais pertinentes, bem como um maior controle sobre seus aspectos significativos, alcançados por meio de monitoramento e ações preventivas e corretivas e uma maior segurança no que se refere aos possíveis impactos ambientais. A percepção ambiental dos funcionários da organização foi verificada por meio de palestras interativas e da aplicação de questionários, em que foi possível identificar aspectos culturais, de educação ambiental e de sistema de gestão ambiental que corroboram com o princípio de que a implementação de um sistema de gestão ambiental na organização influencia positivamente esses aspectos, na busca de mudanças de comportamento. A necessidade de intensificar a educação ambiental foi notada como um obstáculo a ser vencido na capacitação de recursos humanos. Os dados levantados também possibilitaram verificar que a Unidade de Sidrolândia exporta a maioria de seus produtos e um de seus clientes mais importantes, o Japão, exige controles ambientais e desafia a Unidade para o contínuo processo de melhoria no desempenho ambiental. Os desafios são possíveis e atingíveis desde que a organização incorpore o Sistema de Gestão Ambiental nas atividades do seu dia-adia. Palavras-chave: Educação ambiental, competitividade, mudança de comportamento, percepção ambiental. xii

14 ABSTRACT A critical analysis of an Environment Management System (EMS) based on the ISO 14001:2004 standards was conducted at a poultry slaughterhouse located at Sidrolândia, State of Mato Grosso do Sul, during the period of It aimed to evidence environmental and competitive advantage gains among companies established on the current market. The field research, a case study kind, developed at the poultry slaughterhouse facilities, was able to retrieve historic data from before and after the implementation of the EMS. Several improvements were found, especially ones related to solid residues management, hydric resources conservation, effluent management and treatment and compliance with environmental laws, as well as a better control over significant elements, achieved through monitoring, set up of preventive and corrective actions and safer measures related to potential environmental impacts. Employee s perception was assessed through questionnaires that identified cultural factors, level of environmental awareness and knowledge of the EMS, which reaffirmed the principle that by implementing an EMS a company can positively influence those attributes seeking behavioural changes. Based on the data retrieved it was also possible to verify that the plant exports the majority of their products and one of their most important customers, Japan, requires environmental controls, is impressed by management of significant factors and defies the company to maintain an environmental performance continuous improvement process. The challenges are possibly achievable as long as the company incorporates the EMS to its every day activities. Key words: Environmental education, competitiveness, behavioural changes, environmental perception. xiii

15 1 1 INTRODUÇÃO A notável expansão das capacidades técnico-produtivas e o acelerado crescimento demográfico mundial têm evidenciado, especialmente ao longo da segunda metade do século XX, que os recursos naturais e os serviços derivados deles não são ilimitados, e que sua escassez ou esgotamento constituem uma séria ameaça ao bem-estar presente e ao futuro da humanidade. A importância dos recursos naturais é fundamental para a sobrevivência humana, principalmente ao considerar que, apesar de todo o desenvolvimento tecnológico até aqui alcançado, ainda não existem condições que possibilitem a substituição dos elementos fornecidos pela natureza. Após a década de 70, o homem passou a tomar consciência do fato de que as raízes dos problemas ambientais deveriam ser buscadas nas modalidades de desenvolvimento econômico e tecnológico e de que não seria possível confrontá-los sem uma reflexão sobre o padrão de desenvolvimento adotado. Isso levou a humanidade a repensar a sua forma de desenvolvimento, essencialmente calcada na degradação ambiental, e fez surgir uma abordagem de desenvolvimento sob uma nova ótica, conciliatória com a preservação ambiental. Assim, surge o desenvolvimento sustentável (FIORILLO, 2006; SEIFFERT, 2006). Weber (1999) esclarece que um dos últimos grupos a integrar esta luta, e talvez o que traga resultados mais diretos em menos tempo, é o setor empresarial. Movidos pela exigência de seus consumidores, inicialmente os europeus, as empresa começam a perceber que seus clientes estavam dispostos a pagar mais por produtos ambientalmente corretos, e mais, deixar de comprar aqueles que contribuíam para degradação do Planeta. Além disto, esta pressão popular atingiu também governos, que passaram a estabelecer legislações ambientais cada vez mais rígidas, ao fazer com que empresas tenham que adequar seus processos industriais, com o uso de tecnologias mais limpas. Esta mudança na percepção de pessoas em questão ambiental obrigou o setor industrial a desenvolver e implementar sistemas de gestão em seus processos de maneira que atendesse a demanda vinda de seus clientes e cumprissem com a legislação ambiental vigente. A estes sistemas denominaram de Sistema de Gestão Ambiental - SGA. Com estes sistemas, os empresários começam a verificar que uma postura ambientalmente correta na gestão dos seus processos poderá refletir

16 2 diretamente em produtividade, qualidade e conseqüentemente melhores resultados econômico-financeiros. As empresas existentes no mercado competitivo têm buscado uma certificação na área ambiental, mais especificamente cumprir os quesitos das normas de qualidade ambiental brasileira NBR ISO A norma brasileira é idêntica à norma proposta pela ISO adotada em todos os países, e tem um efeito sistêmico interessante: ao enfocar a necessidade de adotar fornecedores certificados, cria-se um enlace de reforço positivo. Quanto mais empresas estiverem certificadas, mais empresas se verão obrigadas a se certificar, pois a exigência se replica a montante na rede de valor (GAVRONSKI, 2003). Andrade et al. (2000) esclarecem que o crescimento da atividade industrial, com a conseqüente geração de maior quantidade de resíduos e poluentes e o crescimento da demanda por produtos e serviços, tem forçado ao desenvolvimento de novas tecnologias para os processos produtivos, simultaneamente à necessidade de novas técnicas administrativas voltadas ao gerenciamento dessas atividades, com preocupação ambiental. Ao mesmo tempo em que a maioria dos governos mundiais passou a se dedicar à busca de soluções para problemas ambientais, por meio de organismos reguladores específicos e a tentativa de implantação de acordos resultantes de conferências internacionais, organismos normalizadores que passaram a trabalhar em normas técnicas de orientação às empresas, visando ao desenvolvimento de uma mentalidade de melhoria contínua. É fundamental lembrar que uma vez implantado este Sistema, o compromisso passa a ser permanente, pois exige uma mudança definitiva da antiga cultura e das velhas práticas. Para tanto, é imprescindível a busca da melhoria contínua, princípio fundamental de um SGA. Contudo, o gerenciamento de um processo, por meio das ferramentas de um SGA possibilita ganhos de produtividade e qualidade, além da satisfação das pessoas envolvidas diretamente no processo, pois estes aprendem que sempre é possível fazer melhor e percebem a evolução da qualidade de seus serviços. Atuar de maneira ambientalmente responsável é ainda, hoje, um diferencial entre empresas, que as destacam no competitivo mercado. Quanto antes às empresas perceberem esta nova realidade maior será a chance de se manterem (ANDRADE et al., 2000).

17 3 A partir desse entendimento, o trabalho teve como objetivo principal examinar criticamente o Sistema de Gestão Ambiental implementado aos moldes da ISO 14001:2004 em um frigorífico de abate de aves como processo que traz um diferencial entre as empresas do mesmo ramo que estão no atual mercado competitivo. Contribuíram com este propósito, os seguintes objetivos auxiliares: Descrever as fases do processo de implementação do SGA na Empresa correlacionando-as com a NBR ISO 14001:2004. Identificar melhorias de cunho ambiental obtidas com a implementação do SGA. Registrar a percepção de mudanças no comportamento de gestores, de supervisores e de demais funcionários quanto aos quesitos de conhecimentos, hábitos, valores e procedimentos administrativos e sociais em questão ambiental como um dos aspectos agregados a cultura da organização após o processo de implementação do SGA, na empresa. Identificar cliente(s) que exigem controle ambiental da organização para a contínua aquisição de seus produtos.

18 4 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 NORMAS DA SÉRIE ISO 14001:2004 Segundo Cavalcanti (1996 apud BOOG; BIZZO, 1999) No início do ano de 1991, a ISO por meio de seu Conselho Estratégico de Meio Ambiente (SAGE - Strategic Advisory Group on Environment), estimulou a formação de um grupo para estudar a questão ambiental. Em março de 1993, foi criado o Comitê Técnico n o. 207 (ISO/TC 207), responsável pela formulação de uma série de normas voltadas à gestão ambiental, que são as atuais normas da série ISO. De acordo com Moreira (2001), a ISO realiza seu trabalho por intermédio de comitês técnicos (TC), compostos por especialistas representantes dos diversos países membros, cada qual com responsabilidades específicas no âmbito de determinado tema a ser padronizado. A rotina de funcionamento da ISO prevê os seguintes estágios de emissão de normas, conforme Quadro 1 a seguir: Quadro 1 - Processo de emissão das Normas ISO Estágio Sigla Significado Prelimenary Work Item WI Estágio preliminar; análises do tema. New Work Item Proposal NP O tema é proposto e voltado quanto à sua aceitação para ser objeto de uma norma internacional. Working Draft WD Primeira minuta de trabalho a ser submetida à votação do comitê responsável pelo tema. Committee Draft CD Minuta que obteve a aprovação do comitê responsável. Draft of international Standard DIS Minuta que já pode ser considerada um projeto de norma internacional. Final Draft of International Standard FDIS Minuta final, aprovada pelo comitê responsável, sujeita a pequena alterações. Internacional Standart IS Versão final, aprovada e publicada pela ISO Fonte: Moreira, 2001, p. 39. Como conseqüência da Rio 92, a Conferencia das Nações Unidas de Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro, em 1992, foi proposta a

19 5 criação de um grupo especial na ISO para elaborar normas relacionadas com o tema meio ambiente. Em março de 1993, instalou-se o Comitê Técnico ISO/TC207 Gestão Ambiental, com a participação de cerca de 56 países, responsável por elaborar a série de normas ISO 14000, inter-relacionando-se com o ISO/TC176, comitê que elaborou as normas de Gestão da Qualidade (série ISO 9000). Desde sua origem, portanto, a Série de Normas Ambientais buscou afinidades com a Série da Qualidade, deixando clara a integração necessária entre os conceitos de Qualidade e Meio ambiente (MOREIRA, 2001). Boog e Bizzo (1999) relatam que o Comitê Técnico 207 dividiu suas atividades em seis sub-comitês técnicos (SC s), atribuindo-lhes a responsabilidade pelas seguintes áreas : Sistema de Gestão (SC 1); Auditoria Ambiental (SC 2); Certificação Ambiental (SC 3); Avaliação e Desempenho Ambiental (SC 4); Análise do Ciclo de Vida (SC 5); e Termos e Definições (SC 6). Além desses subcomitês, foi criado um Grupo de Trabalho para tratar de Aspectos Ambientais de Produtos, além de um Comitê Especial de Integração das normas da série ISO com as demais normas da instituição. A Figura 1 demonstra claramente como o comitê ISO se organizou em termos de estrutura.

20 6 International Organization for Standardization Suíça TC 176 Gestão de Qualidade Série Iso 9000 Canadá TC 207 Gestão Ambiental Canadá SC 01 Sistema de Gestão Ambiental Reino Unido SC 02 Auditoria Ambiental Holanda SC 03 Selo Ambiental ( Selo Verde ) Austrália SC 04 Avaliação de Des. Ambiental. EUA SC 05 Análise do Ciclo de Vida do Produto França SC 06 Termos e Definições Noruega WG 01 Aspectos Amb. Em Normas de Produtos Alemanha Fonte: Moreira, 2001, p. 40. Figura 1 Organização do comitê ISO / TC 207. A Série ISO se divide em dois grupos de normas, em função do seu objetivo, conforme Figura 2. Os dois grupos são: Avaliação da Organização e Avaliação do Produto. Primeiramente tem-se o relatado sobre o grupo de Avaliação do Produto conforme levantamento de Moreira (2001) e Seiffert (2006) e após é dissertado o grupo Avaliação da Organização, no qual esse trabalho se baseia.

21 7 Fonte: Moreira, 2001, p. 40. Figura 2 Estrutura do Gerenciamento Ambiental (TC 2007) caracterizando a divisão dos dois grupos de normas, sendo eles, a avaliação da organização e avaliação do produto Primeiro Grupo Normas voltadas para a avaliação do produto Esse primeiro grupo dentro do gerenciamento ambiental, trata da Avaliação do Produto (foco nos produtos e serviços) e se caracteriza por: Rotulagem ambiental, Análise de ciclo de vida do produto e Aspectos ambientais nos produtos padrões. Moreira (2001) descreve que, a adoção de uma norma de produto pode ser feita de maneira independente das normas de gestão, ou seja, nenhuma é prérequerida da outra e todas são voluntárias. Seiffert (2006) explica que as normas (ISO 14020, ISO 14021, ISO e ISO/TR 14025) estabelecem diferentes escopos para a concessão de selos ambientais; diferentemente da ISO 14001, não certificam processos e sim linhas de produtos que devam apresentar características específicas, tomando como base critérios estruturais tecnicamente válidos.

22 8 O primeiro selo ecológico foi lançado em 1972, pela Holanda, com pouca repercussão. Em a Alemanha instituiu o selo denominado Blauer Engel (Anjo Azul), que despertou maior interesse e outros países também lançaram mão desse recurso. Assim sendo, julgou-se conveniente estabelecer critérios de âmbito internacional para a aplicação do selo ecológico, por intermédio das normas ISO, as quais se acham ainda em fase de elaboração. Moreira (2001) afirma que a aplicação do conceito de ciclo de vida do produto é algo bem mais sofisticado, que pressupõe uma contabilização dos impactos positivos ou negativos ao meio ambiente e são decorrentes das etapas de produção, desde a extração da matéria-prima até a disposição final dos recursos, visando à adoção de práticas ambientalmente corretas em todo o ciclo de vida do produto ( do berço ao túmulo ). Seiffert (2006) considera que a avaliação de ciclo de vida abrange as seguintes normas; (ISO 14040, 14041, 14042, 14043, ISO/CD 14048, ISO/TR 14049). Estabelece a sistemática para a realização da avaliação de ciclo de vida de produto. Essa avaliação é realizada ao considerar a abordagem do berço ao túmulo, como foi citado por Moreira (2001), ou seja, tudo o que entra no processo produtivo, desde energia, água, matéria prima, insumos, entre outras etapas até a fase de descarte do produto e suas implicações ambientais. Quanto aos aspectos ambientais em normas de produtos, abrange a norma (ISO/CD 14060), a qual visa orientar os elaboradores de normas de produtos buscando a especificação de critérios que reduzam os efeitos ambientais advindos dos componentes. Conforme Barbieri (2004), o Quadro 2 mostra as normas para produto.

23 9 Quadro 2 Normas da família ISO normas para produtos ÁREA TEMÁTICA Rotulagem Ambiental Avaliação do Ciclo de Vida Aspectos Ambientais em Normas de Produtos. Termos definições e NÚMERO: ano da publicação ISO :2000 ISO :1999 ISO :1999 ISO :2000 TÍTULO DA NORMA Rótulo e declarações ambientais princípios gerais. Rótulos e declarações ambientais reivindicações de autodeclarações ambientais rotulagem ambiental tipo II. Rótulos e declarações ambientais reivindicações de autodeclarações ambientais rotulagem ambiental tipo I princípios e procedimentos. Rótulos e declarações ambientais - Declarações ambientais tipo III ISO :1997 Gestão ambiental: avaliação do ciclo de vida princípios estruturas. ISO :1998 Gestão ambiental: avaliação do ciclo de vida objetivos e escopo, definições e análise de inventários. ISO :2000 Gestão ambiental: avaliação do ciclo de vida avaliação de impacto do ciclo de vida. ISO :2000 Gestão ambiental: avaliação do ciclo de vida interpretação. ISO Guia 64:1997 Guia para a inclusão de aspectos ambientais em normas de produtos. ISO :2002 Integração dos aspectos ambientais no desenvolvimento de produtos. ISO :2002 Gestão ambiental vocabulário Fonte: Barbieri,2004, p Segundo Grupo Normas voltadas para a avaliação da organização. O segundo grupo dentro do gerenciamento ambiental trata da Avaliação da Organização (foco nas organizações empresariais) e se caracteriza por: Sistema de Gestão Ambiental, Desempenho Ambiental e Auditoria Ambiental. Moreira (2001) esclarece da mesma forma que a Série ISO 9000 Gestão da Qualidade teve como base uma norma inglesa (BS-5750), a ISO Sistema de Gestão Ambiental, baseou-se em um padrão britânico, a BS que, por sua 1 A BS 7750 foi elaborada para estabelecer a melhor prática gerencial em sistemas de gerenciamento ambiental, permitindo verificação de terceira parte. Também visava cumprir as exigências de padronização do sistema gerencial da Regulamentação, com exceção da exigência da

24 10 vez, foi influenciada pela regulação ambiental da Comunidade Européia, a EMAS Eco Management and Audit Scheme (Gerenciamento Ecológico e Plano de Auditoria) 2. A ISO 14001, a única norma que possibilita a concessão de certificado à organização, foi emitida experimentalmente em 1992 e reeditada em 02 de janeiro de 1994 (no Brasil, em outubro de 1996), tendo como conseqüência a desativação da BS 7750, em 1º de janeiro de Conforme Prado (2004), no decorrer do ano 2004, a NBR ISO 14001:1996 sofreu modificações não significativas, para fins de compatibilizar a norma com os padrões da série ISO 9000:2000, ao assegurar que os padrões possam ser compreendidos e utilizados por qualquer tipo de empresa ao redor do mundo, e por tornar mais claros textos publicados primeiramente na edição de As normas relacionadas com auditoria já se transformaram em Norma Brasileira Registrada (NBR-ISO), porém muitas outras se encontram em diferentes estágios de elaboração, conforme Quadro 3. declaração pública, e ser compatível com a ISO 9000, formando um conhecimento extensivo da aplicação dos sistemas de gerenciamento da qualidade (GILBERT, 1995, p. VI). 2 O EMAS Sistema Comunitário de Eco-Gestão e Auditoria ou Eco-Management and Audit Scheme é um instrumento voluntário dirigido às empresas que pretendam avaliar e melhorar os seus comportamentos ambientais e informar o público e outras partes interessadas a respeito do seu desempenho e intenções ao nível do ambiente, não se limitando ao cumprimento da legislação ambiental nacional e comunitária existente (GILBERT, 1995, p. VII).

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