CNS 15 anos: história e futuro A representação da Saúde

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1 Publicação Oficial Publicação Oficial da Confederação Nacional de Saúde Ano IV nº 8 Maio / Junho / Julho 2009 CNS 15 anos: história e futuro A representação da Saúde Comemorando 15 anos, a CNS conta sua história. Da criação dos sindicatos à formação da Confederação, entidade reúne embates, ousadia e a busca pela aprovação do Sistema S IHF Rio discute a Saúde na Era do Conhecimento Ethevaldo Siqueira, escritor e jornalista que será um dos palestrantes do 36th World Hospital Congress, acredita que o acesso à informação faz bem à saúde do paciente Hospitalar 2009: o mundo se volta para o Brasil Presidente da Hospitalar Feira+Fórum faz avaliação sobre as mudanças na saúde, o impacto da crise e a influência brasileira na saúde mundial

2 Editorial CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS, ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. DIRETORIA TRIÊNIO 2006/2009 PRESIDENTE Dr. José Carlos de Souza Abrahão DIRETORIA Dr. Tércio Egon Paulo Kasten Dr. Salomão Rodrigues Filho Dr. Sebastião Fernandes Vieira Dr. Eunivaldo Diniz Gonçalves Dr. Cláudio José Allgayer Dr. Dante Ancona Montagnana Dr. Renato Merolli Dr. Humberto Gomes de Melo Dr. Armando Carvalho Amaral Dr. Paulo Rassi Dr. Antônio Dib Tajra Dr. Paulo Fernando da Silva Dr. Bráulio César da Rocha Barbosa Dr. José Jesus Nogueira Dr. Pedro Bandarra Westphalen Dr. Yussif Ali Mere Júnior DIRETORES SUPLENTES Dr. Mardônio de Andrade Quintas Dr. Elson de Souza Miranda Dr. José Augusto Andrade Dr. Carlos Alberto Ximenes Dr. Antônio Eduardo Cunha Dr. Roberto Muranaga CONSELHO FISCAL Irmã Sandra Judite Roaris Dr. Luis Rodrigo Schruber Milano Dr. Antônio Magno de Souza Borba CONSELHO FISCAL SUPLENTES Dr. Guilherme Xavier Jaccoud Dr. Álvaro Felipe Amandi Nogueira Dr. Paulo Shüller Maciel ASSESSORIA TÉCNICA Olympio Távora Luis Augusto Salomon ASSESSORIA JURÍDICA Alexandre Zanetti ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO Lenir Camimura MTB 3339JP/DF Endereço SRTV/S - Quadra 701, Conj. E Ed. Palácio do Rádio I Bl. 3, N Andar. Asa Sul - Brasília - DF - CEP: Projeto gráfico e diagramação Duo Design Comunicação CNS comemora 15 anos de conquistas CNS comemora, em 2009, 15 A anos de existência. E não foi sem luta, trabalho e dedicação que chegamos até aqui. Desde os primeiros sindicatos, passando pelas Federações, até a criação da CNS, o setor saúde buscou garantir seu lugar, de forma a ser ouvido, reconhecido e respeitado. Para tanto, desenvolveu-se uma representatividade com o objetivo de garantir que as questões de interesse da Saúde não passassem despercebidas. Tudo isso, não apenas para que as instituições que formam o setor sejam protegidas, mas também, para que toda a população que depende do sistema de saúde brasileiro seja, de igual modo, beneficiada. Assim, para comemorar a consolidação da representação sindical da saúde, a CNS está trazendo algumas novidades. A primeira delas está na reestruturação de sua Assessoria de Comunicação. Desta forma, pretende-se dar mais agilidade à publicização de suas ações, centralizar as informações e permitir o acompanhamento das atividades da entidade de forma mais acurada. Além disso, estamos lançando a nova revista +Saúde. A publicação oficial da CNS traz, agora, mais páginas, novo layout e nova linha editorial. Estas novidades já podem ser conferidas a partir da capa comemorativa desta edição. Contar 15 anos de existência não é algo que se faz nos dedos. Por isso, para não esquecer nenhum detalhe, estaremos lançando, também neste ano, um livro que conta a história da CNS - as dificuldades, os projetos e o que se espera para o futuro. A publicação está sendo coordenada pelo Conselho Jurídico da CNS e será José Carlos Abrahão Presidente da CNS CNS formada por artigos de vários personagens relevantes do setor, além do depoimento do próprio ministro da Saúde. Em meio às festividades, o 15º aniversário da CNS será encerrado com a realização do 36 th World Hospital Congress, que acontece entre os dias 10 a 12 de novembro, no Rio de Janeiro. Além de ilustres palestrantes, nossa expectativa é que um grande público internacional participe do encontro. A promoção do evento oficial da International Hospital Federation (IHF) no Brasil é uma oportunidade de mostrarmos uma saúde que funciona e que atende a 190 milhões de brasileiros, bem como o potencial tecnológico de nossos materiais médico-hospitalares. Este evento conta com a participação de todo o setor saúde, o que nos deixa orgulhosos e agradecidos. Todas essas mudanças são resultado de um trabalho conjunto que tem sido desenvolvido pelos diretores da CNS, seus colaboradores e representantes da área. E por isso, podemos aguardar ansiosos por outros anos com muito sucesso! Parabéns à CNS! Parabéns a todos nós do setor saúde!

3 Congresso Mundial IHF Rio discute a Saúde na Era do Conhecimento Ethevaldo Siqueira, escritor e jornalista que será um dos palestrantes do 36th World Hospital Congress, acredita que o acesso à informação faz bem à saúde do paciente 36th World Hospital Congress, O evento oficial da International Hospital Federation (IHF), que acontece no Rio de Janeiro, entre os dias 10 e 12 de novembro, deve reunir palestrantes nacionais e internacionais de renome. Com o objetivo de discutir o tema A Saúde na Era do Conhecimento, os convidados e participantes devem debater como o conhecimento gerado nos últimos anos afetou as práticas e políticas de saúde. O tema, que foi subdividido em sessões plenárias, paralelas, especiais, será aprofundado com discussões sobre as estratégias para gerar conhecimento ligado à saúde; o que esperar da tecnologia na era do conhecimento; como os novos avanços nas comunicações podem afetar as práticas de saúde no futuro; como o acesso do paciente à informação pode interferir ou ajudar o fornecimento dos serviços de saúde; se é possível o desenvolvimento sustentável dos hospitais; e o impacto da globalização nas práticas e políticas O paciente que já chega ao consultório com alguma informação, tem a capacidade de entender melhor o diagnóstico e a terapia de saúde, entre outros. Com o objetivo de agregar o maior número de participantes internacionais e nacionais, a Comissão Científica do Congresso está confirmando os palestrantes que irão compor as mesas de discussão. Para fomentar este debate, nomes como o do gerente de pesquisas da IBM, na Califórina, o brasileiro Jean Paul Jacob; e do jornalista Ethevaldo Siqueira, já foram confirmados. Estamos buscando figuras exponenciais, tanto internacionalmente, quanto nacionalmente. Nosso alvo é poder aprofundar as discussões e atender ao público que deve participar do Congresso, disse o presidente da CNS. Para o escritor e jornalista especializado em novas tecnologias, Ethevaldo Siqueira, o fato de o Brasil sediar um evento mundial é extremamente positivo. Os participantes terão a oportunidade de estabelecer uma relação com países onde a saúde está mais avançada, além de poder realizar um verdadeiro intercâmbio de conhecimento e tecnologia de saúde, disse. Jornalista da rádio CBN e colunista do jornal O Estado de São Paulo, Siqueira será responsável por conduzir as discussões sobre O Papel do Paciente Informado na Era do Conhecimento. Para ele, que estuda as novas tecnologias há 40 anos, não há quem não recorra às ferramentas de busca, hoje em dia, para quaisquer tipos de informações, principalmente quando se trata de saúde. No entanto, ele reforça que tais sites não são fontes confiáveis porque não adotam uma hierarquia sobre o que é mais importante dentro de qualquer assunto. Como usuário, nós não temos como analisar todas as páginas de pesquisa e nem todas as informações trazidas pelo Google, 3Mai/Jun/Jul/2009 3

4 Mai/Jun/Jul/ por exemplo, afirmou. Mas ele acredita que a evolução da tecnologia pode chegar a isso. Acredito que em algum momento poderemos fazer uma pesquisa na Internet e o site de busca fará uma varredura mundial sobre o assunto, de forma hierarquizada, apostou. Apesar de o paciente informado parecer um risco, Ethevaldo Siqueira defende que a informação é meio caminho andado. O paciente que já chega ao consultório com alguma informação, tem a capacidade de entender melhor o diagnóstico e a terapia, afirmou, ressaltando, ainda, que tal paciente pode, inclusive, ter acesso à medicina preventiva e usar dessa informação para cuidar melhor de sua saúde. O paciente, no entanto, jamais será independente do médico e do hospital, afirmou Siqueira. Segundo ele, o objetivo do acesso à informação não é esse, mas é mudar o comportamento do paciente, facilitando seu entendimento das questões ligadas ao seu próprio corpo. World Hospital Congress Esta é a primeira vez que um país da América Latina sedia o evento. Para o presidente da CNS e presidente designado da IHF, Dr. José Carlos Abrahão, esta será uma oportunidade de inserir no mundo o que realizamos em gestão de saúde no Brasil. A expectativa é que duas mil pessoas, entre administradores hospitalares, lideranças, profissionais, organizações de saúde e médicos participem do Congresso, disse. Espera-se, ainda, que, do público total, 40% sejam estrangeiros advindos de mais de 100 países diferentes. Contando com o patrocínio da Amil, Abimo, White Martins, além do apoio institucional do Ministério da Saúde, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da prefeitura e da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, da Universidade São Camilo e da OPAS, o 36th World Hospital Congress da IHF também encontrou colaboração e comprometimento do setor de saúde para a realização do evento. Temos recebido o apoio de todo o setor para a realização do Congresso Mundial. E isso é muito importante, porque vai de encontro ao que temos pontuado, que é a oportunidade de congregar, não só o mundo, mas também a América Latina na discussão sobre a saúde como um todo, além de dar oportunidade aos profissionais brasileiros e da América Latina de compartilhar momentos e experiências que, com certeza, vão evidenciar ferramentas e formas de gestão peculiares da região, ressaltou Dr. Abrahão. Vamos poder apresentar ao mundo a arte brasileira de fazer uma saúde que atende 190 milhões de pessoas, alegou. Durante o Congresso, a International Hospital Federation (IHF) também dará posse à sua nova diretoria. A entidade será presidida, durante o biênio 2009/2011, pelo atual presidente da CNS, Dr. José Carlos Abrahão. Esta também será a primeira vez que um brasileiro estará à frente da entidade. Ethevaldo Siqueira: O paciente, no entanto, jamais será independente do médico e do hospital Feira e turismo de saúde Em paralelo à programação científica do 36th World Hospital Congress da IHF, também será realizada a Rio 2009 Medical Devices Expo, que é uma feira internacional de produtos, equipamentos e serviços médicos hospitalares. O objetivo é que o público qualificado do Congresso proporcione boas oportunidades de negócios aos expositores. Com 800m 2, a feira será montada com toda a infra-estrutura para contatos e negócios. A exposição será realizada pela Hospitalar Feira + Fórum. Além disso, os organizadores do evento pretendem desenvolver um turismo de saúde, isto é, uma visita técnica pelos hospitais de referência nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, nos dias 12 e 13 de novembro. A idéia é apresentar à comunidade internacional a estrutura e capacidade das instituições de saúde brasileira. Serviço divulgação Para se inscrever no 36th World Hospital Congress: Para expor na Medical Devices Expo: (11) ou pelo hospitalar.com.br

5 Evento ClasSaúde discute paradigmas e Crescimento Sustentável Lideranças do setor acompanharam o evento que contou, ainda, com palestra e debate sobre sustentabilidade para o setor No dia 2 de abril foi realizado café da manhã de lançamento oficial do ClasSaúde - Congressos + Jornada de Gestão. O evento, voltado para presidentes, superintendentes, diretores, gestores e demais profissionais tomadores de decisões dentro das organizações de saúde, aconteceu no auditório do Fleury Medicina e Saúde, e teve como objetivo apresentar o conjunto de eventos que ocorrem paralelamente à Hospitalar, promovidos pela Confederação Nacional de Saúde (CNS), Sindicato dos Hospitais Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Sindhosp), Federação Nacional dos Estabelecimentos dos Serviços de Saúde (Fenaess) e Hospitalar Feira + Fórum. O objetivo geral do evento e a previsão de temas e palestras para a edição deste ano foram apresentados pela coordenadora de Comunicação do ClasSaúde, Ana Paula Barbulho. O foco do congresso sempre foi a gestão, a qualidade e a inovação para o setor, afirmou. Segundo o presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNS), José Carlos Abrahão, a programação científica é importante para atender às necessidades de acompanhamento da globalização, que tem reflexos no setor. Mais uma vez a Saúde vai dar demonstrações de que nas horas difíceis ela se impõe, nossos gestores se impõem e, com certeza, teremos a oportunidade de galgar melhores resultados, afirmou. O presidente do Grupo Fleury, Mauro Figueiredo, destacou a impor- Dr. Abrahão: A Saúde vai dar demonstrações de que nas horas difíceis tância da união entre os players do setor. É com muito prazer que apoiamos o ClasSaúde. Eventos e iniciativas que busquem o relacionamento entre os diferentes agentes do segmento, contribuindo com a evolução e o desenvolvimento de todo o setor de Saúde são sempre bem-vindos. A proposta é fazer tudo aquilo que os hospitais e profissionais que nele trabalham não têm na sua formação: empreendedorismo, legislação, fidelização de cliente, performance. O ClasSaúde é o Congresso oficial da Hospitalar. Sempre teremos um espaço na Feira para, como vem sendo feito há quinze anos, sustentar esse lado científico, o lado do conhecimento, disse a presidente da Hospitalar, Waleska Santos, durante a abertura, destacando a relevância do evento para o setor. Durante o lançamento do Clas- ela se impõe, galgando melhores resultados Saúde, o diretor da InnovationSeed, Kip Garland, proferiu a palestra Rompendo Paradigmas para o Crescimento Sustentável. Segundo ele, a quebra de paradigmas é um processo bastante complicado, pois envolve novas percepções sobre o foco de atuação da empresa, além de novas linguagens. Crescimento depende de vários fatores. Trata-se de um processo não-linear e que exige adaptação. As pessoas mais bem-sucedidas são aquelas que dão novas respostas às velhas perguntas e ainda criam novas questões, afirmou. ClasSaúde 2009 ana paula barbulho As inscrições podem ser feitas no www. classaude.com.br. Todos os congressos e a jornada acontecem simultaneamente à feira Hospitalar, de 2 a 5 de junho. 5Mai/Jun/Jul/2009 5

6 Política Câmara aprova MP 451/08 e altera uso de DPVAT Deputados aprovam medida que proíbe hospitais ligados ao SUS de receberem acidentados pelo DPVAT e mantêm ressarcimento de atendimento médico em R$ 2,7 mil Mai/Jun/Jul/ Câmara dos Deputados aprovou, A no início do mês de abril, a Medida Provisória 451/08, que mudou as regras de utilização do seguro obrigatório de veículos (DPVAT ). A matéria suspende a possibilidade de que a indenização do DPVAT seja paga diretamente ao hospital, sendo disponibilizada apenas pelos cidadãos que sofreram acidentes e que pediram pelo reembolso das despesas médico-hospitalares. O texto original da Medida Provisória sofreu poucas modificações, sendo a principal delas a permissão de que o acidentado possa dar entrada em hospitais que têm convênio com o SUS. No entanto, foi vedada a cessão de crédito, isto é, o hospital pode receber o paciente, mas não recebe diretamente das seguradoras. O que o texto permite é que o paciente seja atendido como particular e peça o ressarcimento posteriormente. Há, contudo, algum descontentamento por parte dos hospitais e gestores do SUS, especialmente em Santa Catarina e Espírito Santo. Segundo o presidente da Federação de Hospitais de Santa Catarina (FEHOESC), Dr. Tércio Egon, a decisão do acidentado sobre a forma de atendimento se particular ou pelo SUS é complicada de ser efetivada no momento da crise. O problema baseia-se em dois pilares. O primeiro deles é que a tabela do SUS está defasada, de forma que o pagamento realizado pelo SUS não contempla o valor real do procedimento. O segundo, encarado pelos gestores, é que, sem a garantia do tratamento feito no sistema privado, a conta do SUS pode sofrer um aumento com o atendimento dos acidentados. A MP muda, ainda, os parâmetros de enquadramento dos pedidos de indenização por invalidez - nas Em 2000, foram realizados atendimentos pelo DPVAT, somando um total de R$ 4 milhões categorias permanente parcial ou permanente total. De acordo com a MP, mantêm-se fixadas em R$ 13,5 mil a indenização por invalidez permanente ou a perda funcional de ambos os membros superiores ou inferiores. A Medida também inclui uma tabela com os casos de lesão de diferentes gravidades e desde que não sejam tratáveis com fisioterapia - ou perda de partes do corpo e estabelece índices de redução que variam entre 10% e 70% do valor da indenização. O Executivo afirmou que o objetivo da MP é evitar fraudes, alegando que os hospitais particulares conveniados ao SUS e os filantrópicos podiam estar realizando uma dupla cobrança recebendo do sistema público e do seguro obrigatório - pelo Lenir camimura Dr.Chomatas e Dr. Tércio: O atendimento dos acidentados vai passar a ser cobrado junto ao SUS

7 Dr. Tercio Egon (esq) e Dr. Abrahão (dir) participam de audiência pública na mesmo atendimento. As seguradoras também apontaram as instituições de saúde como responsáveis pelo aumento no pagamento de indenizações do DPVAT, o que, somado às ações judiciais que obrigavam as seguradoras a realizar o pagamento integral do seguro por invalidez, tenha gerado um desequilíbrio nas contas do DPVAT. As acusações foram rechaçadas pelos presidentes da Fehoesc e da Confederação Nacional de Saúde (CNS), Dr. Tércio Egon e Dr. José Carlos Abrahão, respectivamente, durante a audiência pública realizada pela Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF), da Câmara dos Deputados, às vésperas da votação em Plenário. Dr. Tércio Egon apresentou dados, informando que, somente no ano 2000, foram realizados atendimentos pelo DPVAT, somando um total de R$ 4 milhões. Sem o uso do seguro para a cobertura desses atendimentos, o SUS teria, agora, de bancar sozinho esta conta. Não há dupla cobrança. As contas dos hospitais são sujeitas a auditoria. Depois de 30 dias, depois que é realizada a fiscalização pela cooperativa das seguradoras, é que o pagamento é liberado, informou Dr. Tércio durante a audiência, Câmara dos Deputados sobre a MP 451/08 ressaltando que suspender a utilização do DPVAT seria acabar com a função social do seguro obrigatório. Já o presidente da CNS afirmou que a entidade não poderia apoiar a medida. Dr. Abrahão lembrou, ainda, o subfinanciamento da saúde. O dinheiro é do cidadão. Mais de 60% dos atendimentos de emergência são realizados por hospitais privados e filantrópicos. A Saúde é uma só. E ela tem que dar resultados. E não se cria qualidade na atenção à saúde se não tiver recursos, afirmou. Ressarcimento O texto aprovado pelo Plenário da Câmara manteve, também, o O texto aprovado pelo Plenário da Câmara manteve, também, o valor máximo de R$ 2,7 mil para ressarcimento do atendimento médico pelo DPVAT Lenir camimura valor máximo de R$ 2,7 mil para ressarcimento do atendimento médico pelo DPVAT. O reembolso não ocorre quando o SUS bancar o atendimento. A MP original proibia o reembolso em qualquer caso. O valor pode não ser suficiente para cobrir toda a despesa médica que o acidentado pode vir a ter, mas as seguradoras vão se restringir a pagar o teto estipulado pelo prêmio. O DPVAT não se presta pelo valor para internação, mas apenas para ambulatório, alertou o representante da Secretaria Municipal de Curitiba, Matheus Chomata, que também participou da audiência pública na CSSF. Segundo ele, os R$ 2,7 mil podem ajudar no pagamento dos serviços de saúde, mas não atendem ao custo total. O atendimento vai passar a ser cobrado junto ao SUS, portanto, o Ministério da Saúde terá de aumentar o teto financeiro dos Estados e Municípios para que eles paguem os hospitais, disse Chomata, enfatizando que 30% do pagamento do DPVAT são destinados ao pagamento de honorários médicos. A MP 451/08, que também acrescentou duas alíquotas à tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e isentou os municípios de continuarem com as suas contas em dia com a União para receberem repasses voluntários do governo federal, segue, agora, para o Senado Federal. A expectativa é de que haja nova mobilização contra a Medida. É possível que haja, desta vez, a participação dos gestores do SUS, que não querem ter de arcar com o aumento desta responsabilidade, tendo recursos insuficientes. Os senadores, principalmente dos Estados de Santa Catarina e do Espírito Santo, devem apoiar a reivindicação dos hospitais. Contudo, não havia, até o fechamento desta matéria, data de quando o Senado iria analisar a MP, mas a questão corre em regime de urgência. 7Mai/Jun/Jul/2009 7

8 Acreditação ANS e BNDES lançam cartão de financiamento da Saúde BNDES lançou cartão de financiamento para a acreditação de instituições de Saúde. CNS acredita que a medida é um marco no relacionamento do banco com a saúde Mai/Jun/Jul/ O presidente da ANS, Fausto Pereira dos Santos; o superintendente do BNDES, Cláudio Bernardo; e o presidente da CNS, Dr. José Carlos Abrahão Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BN- O DES), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e o Ministério da Saúde lançaram, em dezembro de 2008, o Financiamento da Acreditação pelo Cartão BNDES para instituições de saúde. A iniciativa, que teve o apoio da Confederação Nacional de Saúde (CNS), muda o relacionamento do banco com o setor. A CNS comemorou o lançamento do financiamento, ressaltando a importância da melhora na qualidade do atendimento à população. Para alcançar a acreditação, as instituições de saúde têm de passar por um processo de mudança, que pode atingir desde sua infra-estrutura, até a modernização da gestão. De acordo com a ANS, uma das principais dificuldades que a rede hospitalar enfrenta para dar início ao processo de acreditação é a questão econômica, já que o processo da acreditação é relativamente caro, mas implica em mudanças internas. CNS A acreditação faz parte das metas da saúde suplementar, definidas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC da Saúde) e vem de encontro à política adotada pela ANS de qualificação do setor. Para o presidente da CNS, Dr. José Carlos Abrahão, a medida é um marco na relação da Saúde com o BNDES. Na nossa visão, a abertura da linha de crédito para a saúde é um marco na relação com o BNDES, que antes não tinha envolvimento com o setor. A quebra deste paradigma demonstra a sensibilização do BNDES às necessidades da saúde, afirmou, enfatizando, ainda, que as taxas diferenciadas oferecidas pelo banco possibilitam que os hospitais possam se preparar para o processo de acreditação. Neste momento, em que o cenário mundial econômico está tão fragilizado, o financiamento será positivo, permitindo que os prestadores de serviços em saúde possam investir na profissionalização e modernização de seu atendimento, afirmou. Para atender a todas as exigências necessárias para conseguir o selo de acreditação, as instituições que forem inseridas no financiamento do BNDES terão acesso a dois cartões, com as bandeiras Mastercard e Visa, em três instituições financeiras diferentes: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco. Cada uma delas oferece um limite de R$ 250 mil em financiamento, o que permite à instituição de saúde um crédito total de até R$ 750 mil. A instituição de saúde interessada em se acreditar poderá pagar os empréstimos em até 36 vezes, com taxa de juros fixa, sem custos de contratação ou anuidade e sem necessidade de seguro ou de garantias reais. No mês de março, a ANS divulgou, em seu site (www.ans.gov.br), o nome das instituições acreditadoras que já possuem cadastro no BNDES. Passo a passo 1. Solicitar o Cartão no site É possível solicitar um cartão para cada banco emissor (Banco do Brasil, Caixa Econômica e Bradesco) 2. Aguardar análise de crédito e emissão do Cartão BNDES por parte do banco emissor 3. Retirar o Cartão BNDES no banco emissor 4. Escolher e contactar o órgão acreditador de sua preferência 5. Antes de contratar os serviços do órgão acreditador, fazer a simulação das parcelas para conferir as possibilidades de pagamento (até 36 vezes) 6. Pagar os serviços do órgão acreditador com o Cartão BNDES 7. Quitar o financiamento junto ao BNDES Fonte: Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)

9 Capa CNS 15 anos: história e futuro de representação da Saúde Comemorando 15 anos, a CNS conta sua história. Da criação dos sindicatos à formação da Confederação, entidade reúne embates, ousadia e a busca pela aprovação do Sistema S A CNS foi criada com o objetivo de focar a representação nacional do setor Confederação Nacional de Saúde (CNS) comemora, em 2009, A 15 anos de existência. Sua história é formada por embates, parcerias e independência. Segundo o presidente da CNS, Dr. José Carlos Abrahão, a entidade foi criada com o objetivo de focar a representação nacional do setor saúde. Para isso, temos trabalhado para garantir que as questões de interesse da área não deixem de ser respeitadas, afirma. A idéia de criar a Confederação, no entanto, acompanhou a proposta de formação do Sistema S da Saúde, mas esta questão ainda não foi decidida pelo Congresso Nacional. A data de 22 de março de 1994 marca a criação da Confederação Nacional de Saúde Hospitais, Estabelecimentos e Serviços (CNS). Neste dia foi realizada a Assembléia Geral Extraordinária entre as Federações Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Fenaess); de Hospitais do Rio Grande do Sul (Fehosul); e dos Hospitais do Paraná (Fehospar), que deram origem à Confederação. Para os fundadores da CNS, Dr. Ubiratan Dellape, hoje conselheiro da Fehoesp; Dr. Carlos Allgayer, presidente da Fehosul; e o ex-presidente da Fehospar, Dr. José Francisco Schiavon, a criação da Confederação foi a realização de um sonho. Do sindicato à CNS foi um sonho que foi realizado aos poucos, evidentemente, com a contribuição de todos os que faziam parte do setor, diz Dr. Ubiratan. Para o Dr. Schiavon, criar a CNS foi recompensador. Eu acredito que valeu a pena criar a CNS. Se não conseguimos todos os objetivos nesses 15 anos, nós caminhamos bastante. Tudo isso fruto da obstinação de seus diretores, alega. Já o Dr. Allgayer afirma que a CNS se inseriu no conjunto e é vista pelo setor saúde como uma entidade aglutinadora. A CNS apresenta soluções consensuais, mas sem perder de vista as questões em que são necessárias lutas, defendendo sua missão, acredita. saúde. Para isso, temos trabalhado para garantir que as questões de interesse da área não deixem de ser respeitadas. Dr. José Carlos Abrahão, presidente da CNS. 9Mai/Jun/Jul/2009 9

10 Capa Dr.Ubiratan, Dr. Allgayer e Dr. Schiavon: A criação da Confederação foi a realização de um sonho Mai/Jun/Jul/ Para o futuro, os fundadores têm confiança na entidade. A expectativa é que a CNS continue sendo um órgão de grande respeito nacional e de importância no setor saúde, afinal, uma das características marcantes da entidade é a ousadia e a necessidade de representar o segmento com mais objetividade. Com sede em Brasília, a CNS congrega, hoje, oito Federações ( Fenaess, Fehosul, Feherj, Fehospar, Fehoesc, Fehoesg, Febase e Fehoesp) e 89 sindicatos de saúde, além de representar todos os estabelecimentos de serviços de saúde no país. História Para a criação da CNS foram necessários alguns esforços. De acordo com a legislação, eram necessários cinco sindicatos para se formar uma Federação e três Federações para se constituir uma Confederação. Os sindicatos de saúde começaram a surgir em 1939, com a criação do Sindicato de Hospitais do Estado de São Paulo (Sindhosp), se espalhando por todo o território nacional, posteriormente, e em diferentes momentos. No entanto, com a falta de uma representação superior, os sindicatos passaram a se filiar a área do comércio, para garantir a cobertura de uma estrutura sindical consolidada. O Estado de São Paulo, pioneiro na representação sindical do setor saúde, vislumbrando a possibilidade de representação da área em âmbito nacional, reuniu-se aos sindicatos de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Ceará e Santa Catarina e formaram a Federação Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Fenaess), em meados da década de Sob a presidência do Dr. Ubiratan Dellape, a Fenaess filiou-se à Confederação Nacional do Comércio (CNC) e passou a ter representatividade nacional. Neste mesmo período, no Rio Grande do Sul, o Sindicato dos Hospitais de Porto Alegre, que era única entidade representativa, estava filiado à Federação do Comércio do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS). Em 1988, com a aprovação da Constituição Federal e o fortalecimento do movimento da livre iniciativa da História de sucesso: a CNS congrega, hoje, oito Federações e 89 sindicatos de saúde saúde, a Associação dos Hospitais do Rio Grande do Sul realizou um evento do setor saúde da região sul. O presidente da Associação, na época, Dr. Cláudio José Allgayer, convidou o presidente da FENAESS para participar do encontro. Vale lembrar que o Rio Grande do Sul não era representado pela Fenaess. Isso porque, quando a Federação Nacional foi criada, nos últimos anos do regime militar, a entidade precisou de autorização do governo para poder existir. Segundo Dr. Allgayer, o governo autorizava um conjunto de sindicatos a se constituir e concedia a chamada Carta Sindical, que era um instrumento de início de funcionamento legal para a instituição. O documento que autorizou a criação da Fenaess, no entanto, previa que a entidade tinha representação com abrangência nacional, exceto para o Rio Grande do Sul. Dessa forma, o Rio Grande do Sul percebeu a necessidade de criar uma estrutura de representação. Assim, foram fundados seis sindicatos, em tempo recorde, que iriam constituir a Federação dos Hospitais do Rio Grande do Sul. Enquanto isso, no Paraná, o sindicato, que era coberto pela Fenaess e já participava da Fecomércio-PR, desde 1980, por meio de seu presidente, Dr. José Francisco Schiavon, trabalhava para ter uma convivência harmônica entre os setores associativo e sindical. Dr. Schiavon passou a presidir ambas entidades e, posteriormente, sentiu a necessidade de ter outros sindicatos no Estado. Assim, foram criados mais 16 sindicatos de hospitais e um de laboratórios. Em menos de seis meses, todas as instituições estavam legalmente funcionando. O objetivo era, a partir da criação da representação sindical patronal, criar a Federação de Hospitais do Paraná (Fehospar). Em 1991, Dr. Schiavon passou a presidir a entidade que, por ter desenvolvido sua estrutura, deixou a composição da Fenaess

11 para representar sua região. Com a formação das três Federações, a idéia de levar a representação sindical ao seu nível superior começou a se difundir entre os três presidentes. Daí surgiu a idéia de que o setor poderia ter sua própria Confederação, até porque comércio, hospitais e serviços de saúde não tem uma coisa a ver com a outra, afirma Dr. Ubiratan Dellape. Nós vislumbrávamos a possibilidade de todos os Estados terem Federações, como já era na Federação e na Confederação do Comércio, da Indústria e de outras. Então, achamos que o segmento da Saúde deveria seguir o mesmo caminho. Começamos a trabalhar a idéia de criar outras Federações na Bahia, em Santa Catarina, Rio de Janeiro e Goiás. Então, nós conseguimos trabalhar as pessoas que conviviam conosco neste mesmo ideal. Em 1994, os opositores à criação da CNS perceberam que não tinham como impedir. Mesmo assim foram três anos de muitos embates. Mas nosso intento era ter um segmento bem representado e bem estruturado em todo o país, conta Dr. Schiavon. Criação da CNS Embora o ideário de uma representatividade em terceiro grau na esfera sindical, especializado em saúde, fosse uma causa nobre, não foi sem lutas que o reconhecimento da entidade foi, finalmente, declarado. Não foi fácil, porque a saúde é uma área com recursos substanciais, o que explica a oposição da criação da CNS e do Sistema S, diz Dr. Ubiratan. Criada a CNS, em 1994, por acordo entre as Federações, levantou-se um novo problema: o registro sindical. Apesar de que a Constituição Federal ter eliminado a questão da Carta Sindical, foi mantido o registro. Quando o Ministério do Trabalho fez o registro sindical, a Confederação Nacional do Comércio, ao qual, até então a Fenaess estava vinculada, se opôs à legalização da CNS, lembra Dr. Allgayer. Por este motivo, a questão foi levada para o Judiciário. O comércio se opunha ferozmente, porque nós éramos a primeira categoria que pedia o desmembramento, explica o presidente da Fehosul. Apesar de ter perdido a ação nas duas primeiras Não foi sem lutas que o reconhecimento da entidade foi, finalmente, declarado instâncias jurídicas, a questão foi levada ao Supremo Tribunal Federal (STF), com os argumentos de que a saúde não era o mesmo que o comércio, tendo como precedente a decisão judicial anterior, que suspendeu o pagamento do ICMS para as entidades de saúde, uma vez que as instituições não fazem parte do comércio; e que o setor não era um serviço comercial, mas, sim, um serviço de saúde. Representada pelo ex-ministro da Justiça do governo Sarney, Saulo Ramos, e graças a um parecer de Miguel Reale, a CNS teve ganho de causa dado pelo STF, que reconheceu que não havia rompimento do princípio da unicidade sindical, mas apenas desmembramento de categorias. Dessa forma, a partir de 11 de dezembro de 2001, a CNS passou a ser legalmente reconhecida como entidade sindical de terceiro grau. Sistema S Para completar a estrutura da Confederação, espera-se que o Congresso Nacional aprove a criação do Sistema S da Saúde. O projeto para a criação do Serviço Social da Saúde (SESS) e o Serviço Nacional de Aprendizagem em Serviços de Saúde (SENASS) foi apresentado na Câmara pelo então deputado Max Rosemann (PMDB-PR), mas enfrentou forte oposição, influenciada pela CNC. Já no Senado, a matéria foi apresentada pelo também então senador do PFL de Santa Catarina, Geraldo Althoff. A expectativa era de que houvesse pouca oposição na Casa. Contudo, ao ser analisado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o projeto passou por uma audiência pública, tendo recebido, no entanto, apoio de representantes de outras Confederações, como o então senador José Alencar, representante da Confederação da Indústria. Outros parlamentares, como Carlos Magalhães Junior, Agripino Maia e Ramez Tebet, também foram favoráveis à criação do Sistema S da Saúde. Por fim, a matéria foi aprovada na CCJ por mais de 20 votos, sendo enviada, posteriormente para a Comissão de Assuntos Socais (CAS), onde permanece até hoje. Apesar de o relatório do senador Sergio Guerra (PSDB-PE) já ter sido lido na CAS, o texto ainda não foi votado. A expectativa é que com a eleição da senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) e Paulo Paim (PT-RS) para a presidência e vice-presidência, respectivamente da CAS, a matéria seja, enfim, votada. Mai/Jun/Jul/

12 Entrevista Waleska Santos Divulgação Presidente da Hospitalar Feira+Fórum faz avaliação sobre as mudanças na saúde, o impacto da crise e a influência brasileira na saúde mundial Hospitalar 2009: o mundo deve se voltar para o sistema de saúde brasileiro Mai/Jun/Jul/2009 O Brasil tem o seu sistema universal de assistência pública, com o SUS, que é modelo e chama atenção da maior potência do planeta, os EUA, que agora quer implantar esse sistema por achá-lo ideal. 16ª edição da Hospitalar Feira + A Fórum, que acontece entre os dias 02 a 05 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo, deve contar com uma participação internacional maior do que nos anos anteriores. Esse aumento se deve não apenas pela possibilidade de negócios, mas também pelo interesse no sistema de saúde brasileiro. Em entrevista exclusiva à revista +Saúde, a presidente da Hospitalar Feira + Fórum, Waleska Santos, avaliou as mudanças ocorridas no mercado de saúde durante os últimos 16 anos, além de apontar suas expectativas para o futuro da saúde. +Saúde Há 16 anos promovendo a Hospitalar Feira + Fórum, é possível perceber mudanças no setor? Waleska Santos Acredito que o setor de saúde teve muitas conquistas neste período. A começar pela sua própria visibilidade, dentro e fora de seu universo. Hoje os assuntos relacionados à saúde estão nos grandes jornais e revistas, na mídia em geral, e não apenas nas pautas de catástrofes. A própria imprensa geral foi aculturada nesse sentido e as pessoas estão mais interessadas em alcançar uma melhor qualidade de vida. Com o advento da feira, houve uma democratização de informações, propiciando momento de interação entre usuários - hospitais, médicos, técnicos e enfermeiros - e fornecedores, em um ambiente especialmente preparado para essa troca de conhecimento. A competição comercial é muito saudável e, nesse caso, a indústria pode não apenas melhorar seus produtos, como também praticar preços mais competitivos e se mostrar para outros países. É fato que nesse período a indústria brasileira deu passos gigantescos, se modernizando e aproveitando a Hospitalar para integrar-se com os fabricantes de outros países. 12

13 Um dos setores que mais se desenvolveu nesses anos foi o de diagnóstico por imagem e laboratorial. Outro avanço foi a união dos players do grande setor de saúde. E a Hospitalar também contribuiu para este quadro, já que hoje as principais instituições setoriais do País promovem seus eventos dentro da feira e aproveitam o momento para se reunir, trocar experiências e discutir os rumos da gestão de saúde. Além disso, o Brasil avançou muito em programas sociais, programas de prevenção, em pesquisa científica, despontando e chamando atenção de empresários e profissionais de saúde de todo o mundo. +Saúde Com a crise econômica mundial, o setor saúde já sente o impacto? Waleska Santos Ainda não é perceptível. O que vemos desde o final de 2008 é que nunca os hospitais privados investiram tanto em equipamentos, infra-estrutura, ampliação e construção de novas unidades. Essa realidade já chamou atenção da imprensa geral, que está destacando em suas edições esse montante inédito de investimentos em melhorias nos estabelecimentos de saúde. Com 82 mil m 2, a Hospitalar reunirá 1,2 mil expositores de mais de 30 países, e deve receber 78 mil visitas profissionais, de 70 países dos nos últimos anos e hoje exportamos para mais de 100 países. Mesmo os países que mais exportam nesta área, como Itália, Japão e Alemanha, também não são auto-suficientes em relação a equipamentos da área da saúde. +Saúde Qual a expectativa de negócios e de participação na Hospitalar Feira + Fórum? Waleska Santos Esta será a maior e mais completa HOSPITALAR de toda a história. Vamos ocupar todas as instalações do novo, moderno a ampliado Expo Center Norte, totalizando 82 mil m 2. A feira vai reunir 1.2 mil expositores, de mais de 30 países, e espera receber aproximadamente 78 mil visitas profissionais, de 70 países. O que fez da Hospitalar um evento indispensável para quem atua na área de saúde é a presença das maiores marcas da indústria fornecedora nacional e internacional. E, ao mesmo tempo, a afluência de uma visitação muito consistente e qualificada, representando dirigentes e tomadores de decisões dos mais importantes hospitais, laboratórios e clínicas do país e países latino-americanos. +Saúde Como a Sra. vê o futuro da Saúde brasileira? Waleska Santos Vejo muito positivamente. O Brasil tem o +Saúde A tecnologia dos produtos médico-hospitalares brasileiros são compatíveis com o mercado internacional? Waleska Santos Cada vez mais nossa indústria nacional se equipara aos fornecedores internacionais. Ao longo dos últimos 15 anos, com a Hospitalar e a conseqüente abertura de mercado para expositores de 30 países que participam da feira, os fabricantes estrangeiros tiveram oportunidade de fazer acordos e joint ventures com a indústria nacional, que, por seu lado, pode inovar e evoluir. A indústria brasileira conquistou muitos mercaseu sistema universal de assistência pública, com o SUS, que é modelo e chama atenção da maior potência do planeta, os EUA, que agora quer implantar esse sistema por achá-lo ideal. Também nosso sistema de saúde suplementar, principalmente os planos corporativos, é uma realidade que funciona. Nossa rede de atendimento, com sete mil hospitais, 19 mil laboratórios e mais 330 mil médicos, também é um exemplo. Além disso, temos uma agenda conjunta de discussões de políticas de saúde, envolvendo todos os líderes da grande cadeia produtiva da saúde. E a Hospitalar é um exemplo disso por conseguir reunir, em quatro dias, num mesmo local, todas essas lideranças que pensam a saúde. E por acreditarmos que as decisões neste setor devam passar por um consenso de todos os envolvidos, estamos trabalhando nesse quadro há anos. A Hospitalar é uma prova desse empenho do setor em juntos encontrar soluções para a melhoria da gestão em saúde e da assistência ao paciente. Serviço 16ª Hospitalar Feira + Fórum Data: 02 a 05 de junho Local: Expo Center Norte, São Paulo Divulgação Mai/Jun/Jul/

14 Você tem encontro marcado com o melhor da saúde mundial 2 SINDICATO DOS HOSPITAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA MÉDICO-ODONTOLÓGICA

15 Artigo Jurídico a relação com paciente não é de consumo e nem de resultado Ministro do STJ defende que a imprevisibilidade do corpo humano não permite que o serviço de saúde seja comprometido com o resultado Em recente julgamento do Recurso Especial de número SC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que não se aplica a teoria da responsabilidade objetiva de forma indiscriminada ao julgamento onde se questiona responsabilidade civil de uma entidade hospitalar. Entendeu a decisão que se deve avaliar se o serviço tido por defeituoso se insere entre aqueles de atribuição da entidade hospitalar. Tal entendimento é um alento à atividade hospitalar, que vem sofrendo condenações por supostos serviços defeituosos, sem ao menos ter possibilidade de defesa, pois mesmo que as ações versem sobre serviços não hospitalares, na esteira de pensamento da responsabilidade objetiva, o estabelecimento de saúde acaba condenado. O Ministro João Otávio de Noronha divergiu do voto da relatora, sustentando que o hospital é um grande prestador de serviços, que conta com um extenso corpo de profissionais, visando curar e salvar vidas ou tornálas mais qualitativas. Desta forma, constando algum defeito na prestação dos seus serviços que resulte em danos, cabe a responsabilização do hospital; mas o mesmo não se pode dizer quando se está à frente a uma conseqüência gerada por serviços de atribuição técnica restrita ao médico e quando esse não tem nenhum vínculo com o hospital, apenas pertencendo ao seu corpo clínico. Nestas circunstâncias, entende o STJ, que não há falha nos serviços de incumbência do hospital. O que ocorre, geralmente, é que o ofendido ingressa contra o médico e contra o hospital, para salvaguardar o seu direito de ressarcimento, não distinguindo o que diz respeito à atividade médica ou hospitalar. Sustenta ainda o Ministro que, na hipótese de prestação de serviços médicos, o ajuste entre médico e paciente refere-se ao emprego da melhor técnica e diligência entre as possibilidades que dispõe o profissional no seu meio de atuação. Todavia, a cura não constitui objeto deste contrato, até em razão da imprevisibilidade do funcionamento do corpo humano, pois não se tem certeza de como ele irá agir. Desta forma, entende o STJ que não pode o médico assumir compromisso com resultado específico - exceto cirurgia estética - e, desta forma, usando-se a mesma esteira de pensamento, não se pode exigir do hospital que este responda objetivamente, porque, senão, estaríamos aceitando que o contrato firmado pelo hospital é de resultado. Diz o Ministro Noronha: No entanto, se, na ocorrência de dano impõe-se ao hospital que responda objetivamente pelos erros cometidos pelo médico, estar-se-á aceitando que o contrato firmado seja de resultado, pois se o médico não garante o resultado, o hospital garantirá. Isso leva ao seguinte absurdo: na hipótese de intervenção cirúrgica, ou o paciente sai curado ou indenizado. Dentre outras pérolas contidas no acórdão, está a afirmação de que qualquer intervenção médica, por menor que seja, inclui riscos não detectáveis, e que a atividade hospitalar não é econômica, não se volta para isso, não é comparada a uma fábrica e não tem como classificá-la como relação de consumo. Certamente esse julgamento será como um livro de cabeceira dos gestores e dos profissionais de direito que lidam com a defesa das empresas de saúde, num alento merecido de um entendimento há muito sustentado pelos advogados que compõem o Conselho Jurídico da CNS. Alexandre Venzon Zanetti Assessor Jurídico CNS/FEHOSUL Bernardo Safady Kaiuca Assessor Jurídico FEHERJ divulgação divulgação Mai/Jun/Jul/

16 2.000 participantes discutindo tendências e prioridades da Saúde Venha participar do mais importante encontro mundial de gestores hospitalares 36 th World Hospital Congress 10-12, novembro Rio de Janeiro - Brasil Evento Ofi cial Realização conjunta Patrocinadores Platinum Patrocinador Silver ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA MÉDICO-ODONTOLÓGICA Apoio Institucional SECRETARIA DO CONGRESSO Rio de Janeiro Brasil Telefax (21)

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