SABERES CARTOGRAFICOS: DESAFIOS E PERSPECTIVAS NA FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES DE GEOGRAFIA NO OESTE DA BAHIA BARREIRAS, BA 1

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1 SABERES CARTOGRAFICOS: DESAFIOS E PERSPECTIVAS NA FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES DE GEOGRAFIA NO OESTE DA BAHIA BARREIRAS, BA 1 Valney Dias Rigonato Prof. da UFOB Evanildo Santos Cardoso Prof. da UFOB Introdução O Ensino de Geografia é indispensável para todos os períodos do Ensino Básico e para a formação de professores no ensino superior. O ensino de Geografia nas séries iniciais ou na primeira fase do Ensino Básico possui especificidades didáticas e pedagógicas as quais podem tanto dificultar como aproximar o processo de ensino-aprendizagem ao universo vivido e percebido, pelos educadores, para conceber um espaço geográfico mais humanitário. Necessário se faz, nas séries iniciais, interpretar e localizar os fenômenos espaçotemporais na perspectiva de propiciar ao educando conhecer, desenvolver o espírito investigativo e, também, estabelecer sua comunicação corporal, afetiva e social com os elementos do espaço geográfico. Além disso, a leitura, a escrita e a discussão precisam ser garantidas como procedimentos fundamentais para a formação cidadã em relação às metamorfoses do mundo contemporâneo. Como bem ilustra Callai (1999) primeiro é preciso possuir clareza do por que estudar Geografia. Para tanto, é necessário a formação continuada dos colegas da pedagogia e a resignificação da estrutura da escola para que esses profissionais possam desenvolver trabalhos juntos. Callai (1999) ainda destaca três razões para ensinar essa disciplina na sociedade contemporânea: 1.conhecer o mundo e obter informações; 2. conhecer o espaço produzido pelo homem; 3. contribuir na formação do cidadão. Para tanto, faz-se necessário desenvolver nos educandos das séries iniciais a capacidade de observar, analisar, interpretar e raciocinar criticamente o espaço geográfico e as suas transformações. Esses procedimentos de ensinoaprendizagem em Geografia são bem ilustrados por Cavalcanti (2002; 2006). Além disso, o mesmo acrescenta que o ensino de Geografia precisa levar o educando a compreender a sua realidade sob o ponto de vista de sua espacialidade. Para Lessan (2011, p.25): Um programa de ensino-aprendizagem em Geografia deve oferecer aos alunos, mediante sua execução, o desenvolvimento de habilidades cognitivas e a aquisição de conceitos que, uma vez associados, deverão desenvolver, na criança e no adolescente, competências para o saber geográfico. 1 Esse trabalho contém reflexões das experiências enquanto coordenadores da Geografia no PIBID/UFOB;

2 Nesta proposta de ensino de Geografia precisa ressaltar, portanto, a espacialidade do universo vivido e percebido pelos educandos para evidenciar as contradições da sociedade contemporânea a partir do seu lugar vivido. Partindo, dessa mesma argumentação Straforini, (2004) assegura que o educando possa obter o esclarecimento e criar inquietações para conquista de outras possibilidades de existência humana. Neste caso, a Geografia destaca-se desde as séries iniciais ao oferecer a alfabetização escrita e a alfabetização cartográfica no plano oficial do ensino público e privado. Assim, os educandos conforme as habilidades e competências dos educadores podem também perceber e compreender o espaço vivido, através do trabalho com a alfabetização cartográfica. A alfabetização cartográfica consiste na construção de conhecimentos, signos e representações, referentes à compreensão e leitura de legenda, cartogramas, tabelas, gráfico, mapas, cartas e imagens (fotografias e imagens de satélites). Como se pode observar, o ensino de Geografia precisa cultuar de forma mais significativa esse recurso desde as séries iniciais na perspectiva de ampliar e possibilitar uma leitura mais completa da realidade espacial do mundo contemporâneo para as crianças e pelas crianças. Cabe lembrar aqui, das atividades croquis ou desenhos livres que procuram retratar coisas, atividades e, sobretudo, percursos realizados pelas crianças. Tais desenhos são e devem ser aproveitados para o início da alfabetização cartográfica. Além disso, os professores ainda podem contar com o auxílio da internet para inclusive evidenciar os mesmos lugares representados pelas crianças com outra dimensão da paisagem. Sobre o processo de alfabetização nas séries iniciais Callai (1999, p. 65) entende que: a compreensão da alfabetização como capacidade de leitura não só do texto, mas também da experiência humana vivida por todos, cotidianamente, e de escritura, igualmente não só do texto, mas também como construção da própria história não ocorre. Num e outro caso entende-se leitura/escrita não só como uma habilidade mecânica, mas como uma manifestação de cidadania. Neste sentido, a alfabetização do ler e do escrever (inclusive mapas) é um meio para a constituição do cidadão que sabe o quê, e por quê, lê e/ou escreve. Contudo, a alfabetização tanto escrita como cartográfica precisa transceder os construtos pedagógicos e conceituais para alcançar a contextualização da vida das crianças no âmbito do espaço escolar. Mas, para isso é importante as ações interdisciplinares com Matemática, Ciências, Português, Educação Física e outras. Abrindo possibilidades com experiências sólidas no espaço escolar para (re)significar o processo de ensino e aprendizagem nas séries iniciais tanto para os educandos como para os educadores. Em síntese, essa pesquisa pretende consubstanciar o processo de alfabetização cartográfica nas séries iniciais, por meio da ampliação da prática de educandos do curso de Geografia na primeira fase do Ensino Básico. A alfabetização Cartográfica para crianças A cartografia para muitos cientistas é uma ciência, uma arte e uma técnica. Já a cartografia escolar pode-se inferir que contempla o domínio e a aprendizagem de uma linguagem constituída de técnicas, símbolos, gráficos, cores e, também de posturas teóricas e metodológicas de ensino-aprendizagem. Portanto, a cartografia escolar é a cartografia científica filtrada pelos saberes pedagógicos no âmbito do ensino acadêmico e escolar. Para Almeida (2007) a cartografia escolar, ao se constituir em área de ensino, também pode ser compreendida como área de pesquisa, em um saber que está em construção 2

3 pertencente a um contexto histórico-cultural, momento em que a tecnologia influencia as práticas sociais inclusive aquelas realizadas no âmbito escolar e universitário. Como se vê, a cartografia escolar não deve restringir em colorir e/ou copiar contornos, mas em construir representações do espaço vivido, percebido e concebido. Parafraseando Almeida (2001) apesar do desenvolvimento da cartografia com as novas tecnologias, o ensino, o uso e a valorização de desenhos, croquis e mapas na escola têm suas necessidades definidas a partir das funções e interesses que possuem para a formação dos cidadãos. Essa formação precisa iniciar nas séries iniciais do ensino fundamental. Neste momento, as crianças podem interagir com a cartografia por meio da alfabetização cartográfica. A alfabetização cartográfica refere-se ao processo de domínio e aprendizagem de uma linguagem constituída de símbolos e, de uma linguagem gráfica. Para Passini (1994), a educação cartográfica ou alfabetização para a leitura de mapas deve ter a mesma importância daquela destinada à leitura da escrita. Essa educação cartográfica significa preparar o aluno para fazer e ler mapas. No entanto, não basta à criança, ao adolescente, ao jovem e ao adulto desvendar o universo simbólico dos mapas. É necessário que o processo de ensino-aprendizagem lhe possibilite compreender a relação entre a espacialidade vivida e a representação simbólica. No que se refere à alfabetização cartográfica, entende-se que é preciso ter cuidado. Diversos autores defendem que, para que o educando leia mapas, é preciso que ele seja alfabetizado cartograficamente. Entretanto, é preciso conceber a alfabetização cartográfica em uma escala ampla. Afinal, esse processo não deve ser compreendido como mera decodificação das convenções e do alfabeto cartográfico. Equivoca-se quem defende que o educando será leitor de mapas se apenas construí-los. É preciso ser um bom leitor. Para ser um leitor é preciso também: ter domínio das temáticas elencadas na análise cartográfica escolar; ter disponíveis informações para tabulação de dados e sua espacialidade para que possam, além da descrição, correlações das variáveis; utilizar o conhecimento e o saber a respeito das manifestações, conceitos, e representações do imaginário sobre o que quer se cartografado. Entende-se, portanto, que a alfabetização cartográfica não se restringe às aulas de cartografia isoladas às aulas de Geografia nas séries iniciais do ensino Fundamental do Ensino Básico. É, sim, um conjunto de ações de ensino-aprendizagem as quais possibilitam o desenvolvimento das habilidades cartográficas mínimas, presente nos PCNs. Com essas observações, torna-se importante frisar, as aulas devem ser constituídas de mapas e não com mapas, ou melhor, com diversos produtos cartográficos. Desse modo, o educando futuro professor deve ser alfabetizado cartograficamente e, não apenas nas disciplinas relativas à Cartografia, para que, assim, possa fazer uso adequado da linguagem cartográfica no ensino básico e superior. Problematização da Pesquisa O ensino-aprendizagem de cartografia escolar é deficitário em nosso país. Há analfabetismo cartográfico em nossa sociedade. Esse analfabetismo é fruto da falta de formação continuada dos professores, em especial de Geografia. Recentemente, esse quadro caótico apresentado na mídia escrita no final do ano passado foi tema gerador de discussões 3

4 sobre a leitura cartográfica do brasileiro. Tal realidade comprovada em pesquisa com universitários brasileiros demonstra a falta de noções cartográficas - localização, orientação e lateralidade - pode comprometer a formação e, sobretudo, a atuação profissional dos futuros professores de Geografia. Diante do exposto, torna-se significativo enfatizar algumas questões as quais potencializam o problema dessa pesquisa: 1- O que é cartografia escolar? Qual a sua importância no ensino Superior e Básico? Como apreendê-la? Como ensiná-la? 2- De que maneira, os cursos de formação de professores, em especial, de Geografia podem potencializar os educandos para resignificar o ensino dessa linguagem na sociedade do século XXI? E ainda, como a alfabetização cartográfica pode auxiliar no processo de ensinoaprendizagem na primeira fase do Ensino Fundamental? Como os alunos a apreendem? De que forma ensina-lá? A proposta em questão vem dialogar com a carência de estudos e pesquisas no âmbito escolar do dia a dia de 4 (quatro) escolas públicas do Ensino Básico na cidade de Barreiras BA. Os bolsistas do PIBID tem observado as condições de infraestrutura e de formação didática dos professores e avaliado como se dá o processo de compreensão da cartografia escolar e sua assimilação pelo corpo discente das escolas. Na pesquisa, ainda em desenvolvimento inicial, percebe-se que há uma carência de atividades práticas sobre cartografia em seus atributos simbólicos e de orientação, o dos conceitos estruturantes e dos métodos e equipamentos necessários ao desenvolvimento dessas. Porém, o material humano é dotado de grande capacidade criativa e com elevado interesse em aprender e aprimorar conhecimentos na área. O PIBID trouxe uma nova visão e valorização do ensino básico quando permite a integração dos conhecimentos basilares do futuro professor com os professores da rede pública. Para tanto estão sendo elaboradas atividades e eventos que possam fortalecer a parceira universidade e escolas quando o projeto foi aceito pela comunidade escolar. Citam-se as seguintes propostas:1. Roda de diálogo: encontros trimestrais para avaliar os ciclos formativos proposto na pesquisa-ação-participante; 2. Semana Geográfica: apresentar para comunidade escolar as atividades desenvolvidas pela área de Geografia no espaço escolar; 3. Cine Escola: sessões de vídeos documentários que busquem discutir temas e questões relacionados à cultura escolar na contemporaneidade; 4. Oficina de fotografia: noções básicas de fotografias para captura de imagens geográficas para elaboração do Atlas Escolar; 5. Trabalhos de campo: proposta de atividade que busque a partir do estudo do espaço geográfico vivido pelos estudantes discutir os temas transversais contidos nos PCNs e que atingem diretamente a comunidade escolar. Na universidade além das reuniões de planejamento com bolsistas supervisores e alunos bolsistas do PIBID foi feita leitura e discussão do livro O Mapa Mental no Ensino de Geografia: concepções e propostas para o trabalho docente, Denis Richter. Na ocasião os participantes iniciaram a primeira compreensão do universo de possibilidades que podem ser construídas com a capacidade criativa de leitura a partir de uma visão pela subjetividade e pelo espaço vivido. Posteriormente foi ministrado um curso de redação científica para 4

5 aprimorar a leitura e escrita visto que ainda há uma dificuldade de compreensão adequada de textos científicos e sua exposição escrita. Estão sendo elaborados cadernos de mapas com atividades práticas que possibilitarão apoio na elaboração do Atlas Escolar de Barreiras com as leituras, discussões e problematizações dos bolsistas com a realidade da aprendizagem no Ensino Básico do município. Considerações Finais Almeja-se com a pesquisa de iniciação à docência a ampliação das possibilidades de formação inicial e continuada na Geografia Escolar. Uma formação que ultrapasse a concepção míope a qual o profissional da educação geográfica separa em suas práxis ensino da pesquisa e/ou a pesquisa do ensino. Buscaremos a partir da descrição densa desses espaços refletir junto com a comunidade escolar e propor a Multifuncionalidade do pátio escolar. De forma coletiva com a gestão escolar e comunidade escolar serão articulados interesses comuns para o bom desenvolvimento e crescimento do aluno e do professor dentro de uma abordagem integrada com outras disciplinas e projetos existentes. Concomitantemente, essa pesquisa busca com a produção articulada do Atlas Escolar aproximar os estudantes de licenciatura em Geografia e os professores da escola que ministram aulas com pesquisa para que possibilitem a elaboração dos seus próprios materiais didáticos. 5 Referências ALMEIDA, Rosângela Doin de. (Org.) A cartografia escolar. São Paulo: Contexto, ALMEIDA, Rosângela Doin de. Do Desenho ao Mapa: iniciação cartográfica na escola. São Paulo: Contexto, (Caminhos da Geografia). CALLAI, H. C.; SCHÄFFER, N. O. KAERCHER, N. A. (Org.) Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. Porto Alegre: Ed. UFRGS/AGB-Seção Porto Alegre, p CALLAI, H. C. O ensino de geografia: recortes espaciais para análise. In: CALLAI, H. C.; SCHÄFFER, N. O. KAERCHER, N. A. (Org.) Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. Porto Alegre: Ed. UFRGS/AGB- Seção Porto Alegre, p ; CALLAI, J. L. Grupo, espaço e tempo nas séries iniciais. In: CALLAI, H. C.; SCHÄFFER, N. O. KAERCHER, N. A. (Org.) Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. Porto Alegre: Ed. UFRGS/AGB- Seção Porto Alegre, p CAVALCANTI, Lana de S. Geografia e Práticas de Ensino. Goiânia, GO: Alternativa, PASSINI, Elza Yasuko. Alfabetização Cartográfica e o Livro Didático: uma análise crítica. Belo Horizonte: Editora Lê, LESSAN, Janine. Geografia no Ensino Fundamental I. Belo Horizonte: Fino Traço, STRAFORINI, Rafael. Ensinar Geografia: o desafio da totalidade-mundo nas séries iniciais. São Paulo: Annablume, 2004.

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