1 Optamos por usar a palavra paciente para fazer referência ao discurso médico ao qual estão enlaçados

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "1 Optamos por usar a palavra paciente para fazer referência ao discurso médico ao qual estão enlaçados"

Transcrição

1 1 O que pode a psicanálise no tratamento da dor crônica? Márcia Cristina Maesso, psicóloga, psicanalista, professora substituta e pesquisadora colaboradora no Departamento de Psicologia da UnB, pós-doutora pelo Departamento de Psicologia Clínica e Cultura da UnB, doutora e mestre em Psicologia Clínica pelo Instituto de Psicologia da USP. Resumo Visamos abordar a possibilidade de sustentar por meio da orientação psicanalítica, um tratamento que propõe escutar na ordem do significante, a manifestação da dor crônica sem referente orgânico, diagnosticada atualmente pela medicina como síndrome fibromiálgica, considerando a interposição de duas principais dificuldades para o trabalho psíquico: a resistência do paciente a estabelecer uma implicação subjetiva que favoreça a construção de um saber próprio acerca da dor; e um modo de discurso científico que responde a essa desincumbência, alimentado-a ao assumir a posição de saber no lugar do paciente. Recorremos aos conceitos de alienação e de sintoma para tratar desse tema e considerar que a oferta de uma escuta referida ao desejo do psicanalista, possa viabilizar a emergência do sujeito do pântano da dor. Palavras-chave: corpo; fibromialgia; clínica psicanalítica A questão posta no título, para ser abordada nessa mesa-redonda, surgiu no bojo da pesquisa de pós-doutorado intitulada Corpo e dor: da fibromialgia ao semi-dizer, inserida no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura da UnB em parceria com o Hospital Universitário de Brasília, local que recebe demanda de tratamento psicológico para os pacientes com diagnóstico de síndrome fibromiálgica e dor crônica em geral. Essa pesquisa se desdobrou em um programa de estágio que atualmente funciona no Departamento de Psicologia Clínica da UnB, com a proposta geral de acolhimento do discurso a partir da escuta psicanalítica, considerando o posicionamento do sujeito do inconsciente em relação à dor. Os atendimentos são realizados no Centro de Atendimento e Estudos Psicológicos (CAEP) do Instituto de Psicologia da UnB, pelos estagiários do curso de Psicologia e profissionais voluntários, supervisionados e orientados a partir dos princípios éticos e conceituais da psicanálise. A oferta dessa escuta, que tem a função de dignificar a regra da associação livre, visa possibilitar aos pacientes 1 que chegam por causa da dor insistente no espaço 1 Optamos por usar a palavra paciente para fazer referência ao discurso médico ao qual estão enlaçados quando procuram tratamento psicológico, principalmente quando o pedido inicial não é próprio, mas do médico. A posição de paciente nesse tempo inicial do tratamento, também concerne à posição de espera serena pelo resultado que deverá advir do trabalho do psicólogo.

2 2 corporal, diagnosticada como síndrome fibromiálgica, falar de seu sofrimento no espaço psíquico. Constatamos com essa oferta de escuta, que um traço comum vem surgindo entre os casos recebidos, respeitante a um modo de organização do sujeito em torno da dor física, como saída diante de situações de extremo desamparo. As histórias contadas envolvem experiências difíceis, física e afetivamente dolorosas, com a descrição de episódios traumáticos sobre perdas importantes, abandono, maus tratos, abusos sexuais, enfim, várias formas de violência. A escuta analítica, por reservar um espaço vazio de significações, permite que essas experiências sejam tocadas pela palavra, inicialmente através da narrativa das próprias histórias, reservando também um espaço para que o sujeito venha a se articular na cadeia entre os significantes. O acolhimento das narrativas abre a via para o deslocamento da dor do lugar fixado no corpo como doença, para situá-la simbolicamente em relação à memória do que foi vivido, de modo que ocorre interpretação da dor pelo sujeito, na transposição da intensidade experimentada no corpo ao registro da linguagem falada. Com a narrativa um sentido é conferido à dor na história do sujeito, lembremos com Walter Benjamim (1994, p.206) que com a narrativa se imprime a marca do narrador, como a mão do oleiro na argila do vaso. A narrativa ou relato da experiência implica na memória e interpretação, funções importantes que fundamentam a práxis psicanalítica, e são fundamentadas conceitualmente nesse campo. O artigo de Freud (1990/1914) Recordar, repetir, elaborar é esclarecedor quanto à importância da escuta como condição para a elaboração pela fala na situação analítica. Nele, Freud aponta as mudanças transcorridas na técnica psicanalítica, desde o tempo da rememoração pela hipnose, passando para a instauração da regra fundamental da associação livre, como técnica propiciadora da produção de material inconsciente para ser interpretado pelo analista, atribuindo o que não foi recordado à formação do sintoma, até que na última modificação Freud manteve a regra fundamental, porém abandonou o foco do sintoma, não mais solicitando ao paciente falar para buscar os acontecimentos que o teriam provocado, mas incentivando-o a falar sem censura sobre qualquer pensamento que lhe surgisse à cabeça. Coadunando com a regra fundamental da fala em associação livre, nessa última alteração, a escuta psicanalítica também comparece livre da determinação de selecionar algum material a fim de alcançar a meta de compreender a causa do sintoma, mas comprometida com a abertura de um espaço para a fala que remete à insistência do inconsciente em dizer.

3 3 Vale notar que o objetivo de preencher as lacunas na memória superando as resistências permanece o mesmo, com as mudanças técnicas. Portanto, o motivo de Freud havê-las mudado corresponde a privilegiar a transferência da repetição em atuação (acting out) na esfera motora, para a região intermediária que a transferência do saber suposto ao psicanalista permite criar, região na qual a repetição ocorre como elaboração na esfera psíquica (Freud, 1914/1990, p ). Freud aponta a importância da transferência do lugar da manifestação do sintoma na vida, para o espaço de tempo no qual ocorre a situação analítica, como possibilidade de tratamento e cura, pela passagem da doença posta na vida real à doença artificial. Portanto, a escuta analítica se colocaria como um artifício para a criação desse espaço artificial, no qual a repetição é renovada pela leitura realizada no trabalho psíquico. A repetição ma psicanálise implica em elaboração psíquica, encaminhamento de questões, enquanto na medicina a repetição gera certeza de conhecimento, re-conhecimento e confirmação das hipóteses levantadas em torno da doença. A clínica psicanalítica apresenta uma estrutura similar à da clínica médica, da qual se separou com a ruptura freudiana, abrindo um novo campo ético e metodológico. Embora articule etiologia, semiologia, diagnóstica e terapêutica, o faz na contramão da disposição metódica da clínica médica, que parte da semiologia através de anamnese, exames clínicos e laboratoriais, para fundamentar o diagnóstico com hipóteses etiológicas e posteriormente propor o tratamento. Na psicanálise é possível iniciar o tratamento independentemente da determinação diagnóstica, que pode ser formulada à posteriori, a semiologia se constitui no dispositivo de tratamento e a etiologia relacionase à posição do sujeito em relação ao objeto a na formação da fantasia (Dunker, 2011, p ). As concepções acerca de cada um desses quatro pilares clínicos foram modificadas na psicanálise em função de seu estabelecimento como uma práxis regulada pela ética orientada na relação do homem ao real, que não corresponde à deontologia, não se submete à ditadura dos ideais que circulam através dos discursos dominantes, determinando as condutas, o que é bom ou mau, certo ou errado, saúde ou doença, etc (Lacan, /1997). Ressaltemos, em razão da questão que pretendemos contornar, o quanto é importante para o tratamento psicanalítico, a distinção quanto à concepção de sintoma em seu campo da que é sustentada no campo médico. Na medicina o sintoma é tomado como signo de doença para ser lido em correlação à linguagem dos códigos, por sua vez

4 4 produzidos pelo método que preconiza a descrição e domina o vizível. (Foucault, 1998). O sintoma na psicanálise não é tratado como signo para ser traduzido através dos manuais ou procedimentos pré-estabelecidos, a fim de revelar a verdade da doença. Desde Freud o sintoma na psicanálise é concebido como manifestação do inconsciente, um dos modos de sua formação, e se oferece à interpretação na ordem do significante, sendo que o sentido de um significante surge na relação com outro significante, é nessa articulação que reside a verdade do sintoma como designou Lacan (1966/1998, p.235), indicando que há relação entre o sintoma e a verdade do sujeito, verdade que só se sustenta em um semi-dizer (Lacan, /1992, p. 103). Dado que na psicanálise o significante escapa ao significado único e universal, a possibilidade de interpretação do sintoma consiste numa significação singular produzida na fala do sujeito que se formula na situação transferencial. Essa breve distinção entre clínica médica e clínica psicanalítica resulta fundamental para que possamos circunscrever a particularidade da manifestação do sofrimento pela dor persistente no corpo, fora do discurso organicista que acompanha a tradição médica, buscando abrir um espaço discursivo para o sujeito. A fibromialgia ou síndrome fibromiálgica é o nome proferido pela medicina ao conjunto de sinais dolorosos que persistem pelo tempo mínimo de três meses. Está inscrita e codificada pelo discurso médico na categoria de doença, especificamente como uma síndrome dolorosa crônica não inflamatória, segundo a definição do Colégio Americano de Reumatologia (ACR). Na Décima Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), da Organização Mundial da Saúde, encontra-se a indicação da Fibromialgia pelo código individualizado M79.7. O consenso brasileiro sobre o tratamento da fibromialgia, estabelecido pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) em 2010, propõe que o diagnóstico seja exclusivamente clínico, solicitando eventualmente outros exames além dos clínicos, para os casos que exigem um diagnóstico diferencial. Ou seja, quando os exames captam alguma lesão na estrutura ou alteração no funcionamento do organismo que justifique a origem da dor, exclui-se a hipótese de fibromialgia, que se aplica apenas aos casos cuja causa da dor é organicamente desconhecida. O diagnóstico é baseado na observação da persistência da dor e sua manifestação nos lados direito e esquerdo do

5 5 corpo, acima e abaixo da cintura, no momento da palpação digital. O Colégio Americano de Reumatologia (ACR) estabeleceu 18 pontos dolorosos (tender points) para identificar os casos de fibromialgia, entretanto basta que 11 deles sejam localizados, através do método da pressão dos dedos, para satisfazer o critério diagnóstico (Kuahara, 2004). Havendo pouco conhecimento sobre a etiologia, a fibromialgia vem sendo tratada e pesquisada pelos médicos reumatologistas por envolver quadro crônico de dor musculoesquelética. A SBR indica uma avaliação abrangente da dor, da função e do contexto psicossocial para a completa compreensão da fibromialgia, incluindo no quadro, além da dor, outros sintomas, como distúrbio do sono, do humor, da cognição e fadiga, que também se apresentam afetando a qualidade de vida. O tratamento recomendado pela SBR tem como objetivo o controle da dor crônica e não sua eliminação; associa recursos medicamentosos envolvendo a prescrição de antidepressivos, relaxantes musculares, analgésicos simples e opiáceos leves, e não medicamentosos, agregando exercícios físicos, fisioterapia e psicoterapia, sendo a cognitivo-comportamental a mais indicada (Hermann et al., 2010, p ). Nota-se nesse discurso que o foco incide sobre o sintoma principal, a dor, que deve ser controlada já que não pode ser eliminada, portanto o controle é feito preferencialmente com analgésicos e relaxantes musculares, devido à eficácia na redução ou alivio da dor; os sintomas secundários também são tratados dependendo do modo como são apresentados. Diante do que foi exposto até aqui, retomemos a questão posta no título: O que pode a psicanálise no tratamento da dor crônica? Já mencionamos a ruptura com os paradigmas da clínica médica, destacando que a psicanálise não irá se ocupar de uma doença ou síndrome como a fibromialgia, que é um signo universal e pode ser lido por aqueles que detêm o conhecimento específico dos códigos; mas, pode ocorrer no tratamento psicanalítico, que a fibromialgia seja tomada como um significante para um sujeito, tornando possível a intervenção psicanalítica, a fim de que ele possa decifrá-lo. Entretanto, para que a interpretação passe à ordem significante na língua singular é preciso um trabalho prévio, para a articulação do sujeito no dispositivo clínico, pois quem demanda tratamento está inicialmente na posição de paciente, enlaçado de modo alienado no discurso médico-científico.

6 6 A palavra alienação, do latim alienus designa o que pertence a um outro. Bebendo da fonte hegeliana, Lacan (1964/1973, p.194) a utilizou para formular sobre o lugar no campo do Outro, onde o sujeito é concebido, o lugar em que se situa a cadeia do significante que comanda tudo que vai poder presentificar-se do sujeito. Mas, é a partir da falta encontrada no discurso do Outro, quanto ao sentido de seu desejo, que o sujeito poderá engendrar-se, separar-se, sendo ele também marcado nessa operação pela falta, pela perda de ser no sentido do desejo situado no campo do Outro. Devido à impossibilidade de esmiuçar as operações envolvidas na alienação e separação, no escopo desse trabalho, tomemos essa apresentação geral e compacta para propor a leitura de que a dor pode situar-se na intersecção entre a dimensão do corpo do sujeito e o discurso médico, nessa operação de alienação que foi designada por Lacan através da função do vel que vem recobrir duas faltas. Do lado do sujeito a dor física recobre a perda do ser e do gozo pleno, perda que é geradora do sofrimento psíquico como dor de existir, o sujeito obtém um gozo com a dor física, que está além do princípio do prazer, recobrindo a falta, mantendo-o desincumbido do trabalho psíquico que a falta, por instituir o desejo, requer. Resumidamente, a dor física sobrepõe-se ao sujeito do desejo. Do lado do discurso médico-científico, a falta de saber sobre a etiologia da dor é recoberta pela crença de que a ciência venha a dominá-la futuramente e pelo tratamento que visa ao seu controle, principalmente anestesiando-a. A redução de produção simbólica em relação à dor, nos nossos tempos, pode ser lida a partir dessa operação de alienação da posição do sujeito ao discurso médico-científico, como uma resistência à separação e recusa a enfrentar a falta. Os apontamentos de Lacan (1966/2001) no colóquio sobre O lugar da psicanálise na medicina são bastante atuais acerca do domínio científico incidir, na forma de produção de substâncias químicas e outras tecnologias, na determinação da função do médico, colaborando para o distanciamento da medicina das questões que envolvem a dicotomia entre demanda e desejo, apresentada no pedido do paciente ao médico, e o problema da exclusão da dimensão do gozo do corpo do campo da ciência médica, denominado como falha epistemo-somática por Lacan. As observações lacanianas, no colóquio, são tributárias da ética que envolve o compromisso do desejo em relação a sustentar o princípio do prazer como barreira ao gozo. Enquanto o princípio do prazer envolve uma excitação mínima, o gozo experimentado no corpo excede em excitação. Lacan formula que há gozo no nível em que aparece a dor e nesse

7 7 nível da dor a dimensão do organismo é experimentada, sendo que de outra forma ela permanece velada. Ao excluir a dimensão do gozo na relação que a medicina estabelece com o corpo, o gozo não é barrado e se estende no consumo das drogas lícitas prescritas como tratamento. A psicanálise inclui a dimensão do gozo do corpo em seu campo. É possível escutar o corpo, que fala, porque está inscrito e marcado pela linguagem. A criação de Freud do conceito de trieb, traduzido por pulsão, possibilitou situar o corpo humano na psicanálise, rompendo com a determinação da natureza biológica e com a dicotomia entre corpo e alma disseminada pela proposição cartesiana. O corpo cartesiano foi identificado com a coisa extensa (res extensa) e separado da coisa pensante (res cogitans) única garantia da existência proposta pela máxima penso logo existo. O corpo, exilado do pensamento, ficou excluído da dimensão simbólica, mas também da dimensão real de gozo ao ser identificado com os atributos de largura, comprimento e profundidade da res extensa (Pollo, 2012). Freud (1915/2004) concebe o conceito de pulsão (trieb) como conceito-limite, entre o psíquico e o somático, mas ele não descarta a relação com o Outro e com a linguagem na produção de um corpo desnaturado. Pode parecer incongruente dizer isso, sendo que, em Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, Freud (1905/1990, p ) afirma que a pulsão não está dirigida para outra pessoa; satisfaz-se no próprio corpo, é auto-erótica. Entretanto, logo em seguida ele escreve:... o ato da criança que chucha é determinado pela busca de um prazer já vivenciado e agora relembrado. O que é relembrado no chuchar é a primeira atividade de mamar no seio materno, quando os lábios da criança comportaram-se como uma zona erógena. É nessa matriz pulsional que encontramos a abertura freudiana para considerar a constituição do corpo na relação com o Outro. A tese do apoio na satisfação da necessidade que Freud sustenta, serve justamente para mostrar que outra coisa acontece enquanto a necessidade é satisfeita e que não diz respeito a ela. As formulações de Lacan são mais explícitas que as de Freud sobre a dependência do corpo humano em relação ao Outro e à linguagem, para que ele se constitua. Com a criação e articulação dos três heterogêneos: o Real, o Simbólico e o Imaginário, Lacan possibilitou abordar conceitualmente, o corpo no campo psicanalítico incluindo a dimensão do gozo. A topologia lacaniana do nó borromeano é uma

8 8 apresentação da estrutura do sujeito pela amarração dos três registros RSI sem nenhuma hierarquia, de modo que a ruptura de uma das rodelas produz a separação das outras e o nó se desamarra. No entrecruzamento entre as consistências, Lacan situou a letra a representando o objeto a, que tem a função dupla de causa do desejo (objeto ausente) ou de mais-de-gozar (objeto presente), apontando as relações entre desejo e gozo que são articuladas nessa estrutura. Lacan demonstra no nó os lugares de três distintas modalidades de gozo: Entre o Imaginário e o Simbólico Lacan situou o gozo do sentido no qual o corpo fala (jouissance é homófono a jouis sens, gozo sentido); entre o Real e o Imaginário situa-se o gozo do Outro, gozo no corpo, fora do simbólico, e localizado no cruzamento entre o Simbólico e o Real está o gozo fálico, fora do corpo, ligado à palavra e ao sintoma que pode ser decifrado, pois tem conotação metafórica. Essas são segundo Lacan, as três dimensões do corpo, que ele por inclusão do traço na escrita da palavra di-mensão (dit-mension), nomeia como diz-mansão e depois como mansão do dizer, para formular que o corpo é lugar do dizer nos distintos modos de gozo (Lacan, ). Em qual desses lugares de gozo a dor crônica, ou a fibromialgia estaria situada? Não há uma resposta única para essa pergunta, partindo do princípio de que na psicanálise o saber é constituído somente depois, a partir da fala do sujeito. O saber está para ser construído singularmente no próprio dispositivo do tratamento, e a fibromialgia também será significada em cada caso. Para finalizar, com intuito de abrir uma discussão, resta dizer que referimo-nos à ética que envolve a práxis da psicanálise, para considerar que o semi-dizer possibilitado pela fala, venha proporcionar uma devida distância do sujeito do gozo da dor, e a articulação do desejo. Diante da posição subjetiva de paciente com fibromialgia na qual muitos se apresentam, é preciso uma manobra prévia na clínica psicanalítica como propõe Castellanos (2009), visando a possibilitar que o desejo entre em circulação, essa manobra consiste em tomar a dor no corpo como um sintoma na acepção que a psicanálise confere, de formação do inconsciente, passível de interpretação na ordem do significante, mesmo sabendo não ser disso o de que se trata. Essa impostura do psicanalista é necessária para possibilitar o tratamento pelo simbólico, a fabricação de um sintoma singular e o deslocamento do significante fibromialgia, proferido pelo discurso médico como signo universal, ao significante particular do sujeito. Com a oferta da escuta psicanalítica como prática do desejo do psicanalista, livre das

9 9 associações com o conhecimento positivado da ciência, reserva-se o espaço vazio de sentido, para que haja deslocamento do paciente para a posição de analisante, investigador, e questionador das perturbações dolorosas de sua vida. Referências: Benjamin, W. (1994). O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. (pp ). São Paulo: Brasiliense. CID-10 (2007). Recuperado de BR&tbo=p&tbm=bks&q=isbn: Castellanos, S. (2009). El dolor y los lenguajes del cuerpo. Buenos Aires: Grama Ediciones. Dunker, C. I. L. (2011). Estrutura e constituição da clínica psicanalítica: uma arqueologia das práticas de cura, psicoterapia e tratamento. São Paulo: Annablume. Foucault, M. (1998). O nascimento da clínica. (5ª. ed.). Rio de Janeiro: Forense Universitária. Freud, S. (1905/1990). Três ensaios para a teoria da sexualidade. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Vol. 7 (J. Salomão, Trad.). Rio de Janeiro: Imago. Freud, S. (1914/1990). Recordar, repetir e elaborar. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Vol. 12 (J. Salomão, Trad.). Rio de Janeiro: Imago. Freud, S. (1915/2004). Pulsões e destinos das pulsões. In L. A. Hanns (coord. geral de trad.), Escritos sobre a psicologia do inconsciente (pp ). Rio de Janeiro: Imago. Hermann, R.E., Paiva, E.S., Helfensein Junior, M., Pollak, D.F., Martinez, J.E., Provenza J.R. et al. (2010, janeiro/fevereiro). Consenso brasileiro do tratamento da fibromialgia. Revista Brasileira de Reumatologia: Órgão oficial da Sociedade Brasileira de Reumatologia, 50(1), Kuahara, M.V. (2004). Fibromialgia: A percepção da doença pela mulher. Uma investigação através do método qualitativo. Tese de doutorado, Programa de Pós- Graduação em Reumatologia, Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo. Lacan, J. ( /1997). O seminário: livro 7: a ética da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Lacan, J. (1964/1973). O seminário: livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

10 10 Lacan, J. (1966/1998). Do sujeito enfim em questão. In Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Lacan, J. (1966/2001). O lugar da psicanálise na medicina. Opção Lacaniana, (32), Lacan, J. ( /1992). O seminário: livro 17: o avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Lacan, J. ( ). O seminário: livro 22: R.S.I. Inédito. Pollo, V. (2012). O medo que temos do corpo: psicanálise, arte e laço social. Rio de Janeiro: 7 Letras.

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003.

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003. MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003. Prefácio Interessante pensar em um tempo de começo. Início do tempo de

Leia mais

Feminilidade e Violência

Feminilidade e Violência Feminilidade e Violência Emilse Terezinha Naves O tema sobre a violência e a feminilidade apresenta-se, nas mais diversas áreas do conhecimento, como um tema de grande interesse, quando encontramos uma

Leia mais

FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO

FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO Denise de Fátima Pinto Guedes Roberto Calazans Freud ousou dar importância àquilo que lhe acontecia, às antinomias da sua infância, às suas perturbações neuróticas, aos seus sonhos.

Leia mais

TOCAR E VER: O CORPO TORNANDO-SE SUJEITO

TOCAR E VER: O CORPO TORNANDO-SE SUJEITO TOCAR E VER: O CORPO TORNANDO-SE SUJEITO Iraquitan de Oliveira Caminha 1 O objetivo desse estudo é analisar a experiência de tocar e de ver, considerando a pulsão de domínio, concebida por Freud, e a motricidade

Leia mais

O AUTISMO NA PSICANÁLISE E A QUESTÃO DA ESTRUTURA Germano Quintanilha Costa 1

O AUTISMO NA PSICANÁLISE E A QUESTÃO DA ESTRUTURA Germano Quintanilha Costa 1 O AUTISMO NA PSICANÁLISE E A QUESTÃO DA ESTRUTURA Germano Quintanilha Costa 1 I Introdução O objetivo deste trabalho é pensar a questão do autismo pelo viés da noção de estrutura, tal como compreendida

Leia mais

2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania?

2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania? 2- Ruptura com o Gozo Fálico: como Pensar a Neurose e a Psicose em Relação à Toxicomania? Giselle Fleury(IP/UERJ), Heloisa Caldas(IP/UERJ) Para pensar, neste trabalho, a neurose e a psicose em relação

Leia mais

Resumos. Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica

Resumos. Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica Inovação em psicanálise: rumos e perspectivas na contemporaneidade Quarta-feira 10/6 10h30-12h Mesa-redonda Saúde mental e psicanálise

Leia mais

Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna

Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna Henrique Figueiredo Carneiro Liliany Loureiro Pontes INTRODUÇÃO Esse trabalho apresenta algumas considerações,

Leia mais

Considerações acerca da transferência em Lacan

Considerações acerca da transferência em Lacan Considerações acerca da transferência em Lacan Introdução Este trabalho é o resultado um projeto de iniciação científica iniciado em agosto de 2013, no Serviço de Psicologia Aplicada do Instituto de Psicologia

Leia mais

Márcio Peter de Souza Leite 4 de abril de 1997 PUC

Márcio Peter de Souza Leite 4 de abril de 1997 PUC O Pai em Freud 1997 O Pai em Freud Márcio Peter de Souza Leite 4 de abril de 1997 PUC Conteudo: Pais freudianos... 3 O pai de Dora... 3 O pai de Schreber.... 4 O pai castrador, que é o terceiro em Freud,

Leia mais

PERDÃO E SAÚDE: TENSÕES ENTRE MEMÓRIA E ESQUECIMENTO

PERDÃO E SAÚDE: TENSÕES ENTRE MEMÓRIA E ESQUECIMENTO PERDÃO E SAÚDE: TENSÕES ENTRE MEMÓRIA E ESQUECIMENTO Andréa Lima do Vale Caminha A temática do Perdão tem nos atraído nos últimos tempos e para atender a nossa inquietação, fomos investigar esse tema no

Leia mais

CORPO, IMAGEM, ORIFÍCIO: PONTUAÇÕES SOBRE O CORPO EM PSICANÁLISE. O valor do corpo como imagem, como suporte imaginário e consistência, por

CORPO, IMAGEM, ORIFÍCIO: PONTUAÇÕES SOBRE O CORPO EM PSICANÁLISE. O valor do corpo como imagem, como suporte imaginário e consistência, por CORPO, IMAGEM, ORIFÍCIO: PONTUAÇÕES SOBRE O CORPO EM PSICANÁLISE Regina Cibele Serra dos Santos Jacinto Ana Maria Medeiros da Costa Podemos afirmar que o interesse de Lacan pela questão do corpo esteve

Leia mais

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 Arlete Mourão 2 Essa frase do título corresponde à expressão utilizada por um ex-analisando na época do final de sua análise.

Leia mais

Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação

Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação Maria José Gontijo Salum Em suas Contribuições à Psicologia do Amor, Freud destacou alguns elementos que permitem

Leia mais

Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos?

Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos? Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos? Luciana Silviano Brandão Lopes Quem já não teve a sensação de ter tido muitos

Leia mais

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Analícea Calmon Seguindo os passos da construção teórico-clínica de Freud e de Lacan, vamos nos deparar com alguns momentos de

Leia mais

Reflexões sobre Impasses e Possibilidades da Psicanálise no Hospital Público

Reflexões sobre Impasses e Possibilidades da Psicanálise no Hospital Público Reflexões sobre Impasses e Possibilidades da Psicanálise no Hospital Público Ludmila Stalleikem Sebba 1 e Ademir Pacelli Ferreira 2 Resumo A partir do referencial da psicanálise procura-se apontar elementos

Leia mais

DOENÇA RENAL CRÔNICA E SUBJETIVIDADE: IMPLICAÇÕES CLÍNICAS DA DIFERENÇA ENTRE SER E TER UMA DOENÇA

DOENÇA RENAL CRÔNICA E SUBJETIVIDADE: IMPLICAÇÕES CLÍNICAS DA DIFERENÇA ENTRE SER E TER UMA DOENÇA DOENÇA RENAL CRÔNICA E SUBJETIVIDADE: IMPLICAÇÕES CLÍNICAS DA DIFERENÇA ENTRE SER E TER UMA DOENÇA Priscila Rodrigues da Silva * Prof. Ms. Clovis E. Zanetti ** RESUMO: A doença renal crônica é considerada

Leia mais

ESTIMULAR BRINCANDO: DESENVONVIMENTO DE BRINQUEDO, FERRAMENTA DE AUXILIO LÚDICO-EDUCATIVO NO TRATAMENTO DO CÂNCER INFANTIL

ESTIMULAR BRINCANDO: DESENVONVIMENTO DE BRINQUEDO, FERRAMENTA DE AUXILIO LÚDICO-EDUCATIVO NO TRATAMENTO DO CÂNCER INFANTIL ESTIMULAR BRINCANDO: DESENVONVIMENTO DE BRINQUEDO, FERRAMENTA DE AUXILIO LÚDICO-EDUCATIVO NO TRATAMENTO DO CÂNCER INFANTIL INTRODUÇÃO Amara Holanda Fabiane Romana Fernanda Oliveira Karen Trage Máuren Mássia

Leia mais

A ética na pesquisa com seres humanos sob um ponto de vista psicanalítico

A ética na pesquisa com seres humanos sob um ponto de vista psicanalítico 1 A ética na pesquisa com seres humanos sob um ponto de vista psicanalítico Samyra Assad Foi a oportunidade de falar sobre o tema da ética na pesquisa em seres humanos, que me fez extrair algumas reflexões

Leia mais

As vicissitudes da repetição

As vicissitudes da repetição As vicissitudes da repetição As vicissitudes da repetição Breno Ferreira Pena Resumo O objetivo deste trabalho é explorar o conceito de repetição em psicanálise. Para tanto, o autor faz uma investigação

Leia mais

Almanaque on-line entrevista Uma questão para a AMP-América

Almanaque on-line entrevista Uma questão para a AMP-América Almanaque on-line entrevista Uma questão para a AMP-América Entrevistada: Elisa Alvarenga Diretora Geral do IPSM-MG e Presidente da FAPOL (Federação Americana de Psicanálise de Orientação Lacaniana). E-mail:

Leia mais

PRÁTICAS ADAPTATIVAS, POLÍTICAS PÚBLICAS E O LUGAR DA PSICANÁLISE NO TRATAMENTO DO AUTISMO

PRÁTICAS ADAPTATIVAS, POLÍTICAS PÚBLICAS E O LUGAR DA PSICANÁLISE NO TRATAMENTO DO AUTISMO PRÁTICAS ADAPTATIVAS, POLÍTICAS PÚBLICAS E O LUGAR DA PSICANÁLISE NO TRATAMENTO DO AUTISMO Ana Elizabeth Araujo Luna Roseane Freitas Nicolau O presente trabalho é fruto de uma experiência realizada no

Leia mais

4.59.1. Tema: Sinais de risco nas clínicas mãe-bebê 4.59.2. Coordenadora: Sonia Pereira Pinto da Motta

4.59.1. Tema: Sinais de risco nas clínicas mãe-bebê 4.59.2. Coordenadora: Sonia Pereira Pinto da Motta Mesa: 4.59.1. Tema: Sinais de risco nas clínicas mãe-bebê 4.59.2. Coordenadora: Sonia Pereira Pinto da Motta OS RISCOS NA CONSTITUIÇÃO PSÍQUICA Autora: CRISTINA HOYER Breve Nota Curricular da Autora -

Leia mais

UMA CRIANÇA E EX-PANCADA: RELAÇÃO DO MASOQUISMO INFANTIL AO SADISMO ADULTO

UMA CRIANÇA E EX-PANCADA: RELAÇÃO DO MASOQUISMO INFANTIL AO SADISMO ADULTO UMA CRIANÇA E EX-PANCADA: RELAÇÃO DO MASOQUISMO INFANTIL AO SADISMO ADULTO 2015 Marcell Felipe Alves dos Santos Psicólogo Clínico - Graduado pela Centro Universitário Newton Paiva (MG). Pós-graduando em

Leia mais

Introdução. instituição. 1 Dados publicados no livro Lugar de Palavra (2003) e registro posterior no banco de dados da

Introdução. instituição. 1 Dados publicados no livro Lugar de Palavra (2003) e registro posterior no banco de dados da Introdução O interesse em abordar a complexidade da questão do pai para o sujeito surgiu em minha experiência no Núcleo de Atenção à Violência (NAV), instituição que oferece atendimento psicanalítico a

Leia mais

Clínica Psicanalítica e Ambulatório de Saúde Mental

Clínica Psicanalítica e Ambulatório de Saúde Mental Clínica Psicanalítica e Ambulatório de Saúde Mental Trabalho apresentado na IV Jornada de Saúde Mental e Psicanálise na PUCPR em 21/11/2009. A prática da psicanálise em ambulatório de saúde mental pode

Leia mais

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 Patrícia Guedes 2 Comemorar 150 anos de Freud nos remete ao exercício de revisão da nossa prática clínica. O legado deixado por ele norteia a

Leia mais

Devastação: um nome para dor de amor Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset

Devastação: um nome para dor de amor Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset No início da experiência analítica, foi o amor, diz Lacan 1 parafraseando a fórmula no

Leia mais

Plano Integrado de Capacitação de Recursos Humanos para a Área da Assistência Social PAPÉIS COMPETÊNCIAS

Plano Integrado de Capacitação de Recursos Humanos para a Área da Assistência Social PAPÉIS COMPETÊNCIAS PAPÉIS E COMPETÊNCIAS O SERVIÇO PSICOSSOCIAL NO CREAS... O atendimento psicossocial no serviço é efetuar e garantir o atendimento especializado (brasil,2006). Os profissionais envolvidos no atendimento

Leia mais

Os princípios da prática analítica com crianças

Os princípios da prática analítica com crianças Os princípios da prática analítica com crianças Cristina Drummond Palavras-chave: indicação, tratamento, criança, princípios. As indicações de um tratamento para crianças Gostaria de partir de uma interrogação

Leia mais

Sobre a intimidade na clínica contemporânea

Sobre a intimidade na clínica contemporânea Sobre a intimidade na clínica contemporânea Flávia R. B. M. Bertão * Francisco Hashimoto** Faculdade de Ciências e Letras de Assis, UNESP. Doutorado Psicologia frbmbertao@ibest.com.br Resumo: Buscou-se

Leia mais

DE ONDE VEM A RESISTENCIA? 1

DE ONDE VEM A RESISTENCIA? 1 DE ONDE VEM A RESISTENCIA? 1 Maria Lia Avelar da Fonte 2 A terra da verdade é uma ilha, rodeada por um oceano largo e tormentoso, a região da ilusão; onde muitos nevoeiros, muitos icebergs, parecem ao

Leia mais

Do todos iguais ao um por um Oscar Zack

Do todos iguais ao um por um Oscar Zack Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 Oscar Zack O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre as pessoas mediatizadas pelas imagens. Guy

Leia mais

Clínica psicanalítica com crianças

Clínica psicanalítica com crianças Clínica psicanalítica com crianças Ana Marta Meira* A reflexão sobre a clínica psicanalítica com crianças aponta para múltiplos eixos que se encontram em jogo no tratamento, entre estes, questões referentes

Leia mais

A CORAGEM DE TOMAR A PALAVRA: REPRESSÃO, EDUCAÇÃO E PSICANÁLISE

A CORAGEM DE TOMAR A PALAVRA: REPRESSÃO, EDUCAÇÃO E PSICANÁLISE A CORAGEM DE TOMAR A PALAVRA: REPRESSÃO, EDUCAÇÃO E PSICANÁLISE Autores: Gleici Kelly de LIMA, Mário Ferreira RESENDE. Identificação autores: Bolsista IN-IFC; Orientador IFC-Videira. Introdução Qual seria

Leia mais

Terapia Analítica. Terapia analitica (S. Freud) (Conferências introdutórias à Psicanálise, Teoria Geral das Neuroses, 1916/17)

Terapia Analítica. Terapia analitica (S. Freud) (Conferências introdutórias à Psicanálise, Teoria Geral das Neuroses, 1916/17) Terapia Analítica Terapia analitica (S. Freud) (Conferências introdutórias à Psicanálise, Teoria Geral das Neuroses, 1916/17) A sugestão. O caráter transitório de seus efeitos lembra os efeitos igualmente

Leia mais

A CONSTRUÇÃO DO AMOR MATERNO NA RELAÇÃO MÃE-BEBÊ: REFLEXÕES A PARTIR DA PSICANÁLISE.

A CONSTRUÇÃO DO AMOR MATERNO NA RELAÇÃO MÃE-BEBÊ: REFLEXÕES A PARTIR DA PSICANÁLISE. A CONSTRUÇÃO DO AMOR MATERNO NA RELAÇÃO MÃE-BEBÊ: REFLEXÕES A PARTIR DA PSICANÁLISE. Cléa Maria Ballão Lopes 1 Nos últimos tempos venho trabalhando com gestantes e puérperas, diretamente via atendimento

Leia mais

Como falar com uma pessoa poderá me ajudar?

Como falar com uma pessoa poderá me ajudar? Como falar com uma pessoa poderá me ajudar? Aline Cerdoura Garjaka Encontrei, no seminário de 1976-77, Como viver junto, de Roland Barthes, a seguinte passagem (cito): Portanto, eu dizia É com essas palavras

Leia mais

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010.

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. Os nomes dos modos de sofrimentos atuais, ou, Transtornos

Leia mais

Resistência e dominação na relação psicanalítica 1

Resistência e dominação na relação psicanalítica 1 1 Estados Gerais da Psicanálise: Segundo Encontro Mundial, Rio de Janeiro 2003 Resistência e dominação na relação psicanalítica 1 Maria Izabel Oliveira Szpacenkopf izaszpa@uol.com.br Psicanalista, Membro

Leia mais

FUNÇÃO MATERNA. Luiza Bradley Araújo 1

FUNÇÃO MATERNA. Luiza Bradley Araújo 1 FUNÇÃO MATERNA Luiza Bradley Araújo 1 Entendemos por função materna a passagem ou a mediação da Lei que a mãe opera. Nós falamos de uma função e não da pessoa da mãe, função de limite entre o somático

Leia mais

CONSIDERAÇÕES SOBRE O ENSINO DA PRÁTICA CLÍNICA EM CURSOS DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

CONSIDERAÇÕES SOBRE O ENSINO DA PRÁTICA CLÍNICA EM CURSOS DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA CONSIDERAÇÕES SOBRE O ENSINO DA PRÁTICA CLÍNICA EM CURSOS DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA Fabio Thá Psicólogo, psicanalista, doutor em estudos linguísticos pela UFPR, coordenador do curso de Psicologia da Faculdade

Leia mais

a justifique. Em resumo, a IASP reconhece que a dor poderia existir apenas no plano do vivido e na queixa que a exprime.

a justifique. Em resumo, a IASP reconhece que a dor poderia existir apenas no plano do vivido e na queixa que a exprime. No livro A DOR FÍSICA, Nasio se preocupa com as origens psicológicas da dor corporal, mais claramente falando, se preocupa com aquela parte enigmática que vem descrita nos artigos médicos como o fator

Leia mais

O apelo contemporâneo por laços narcísicos

O apelo contemporâneo por laços narcísicos O apelo contemporâneo por laços narcísicos Ângela Buciano do Rosário Psicóloga, Doutoranda em Psicologia PUC-MG. Bolsista da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIG. Mestre em

Leia mais

Clarice Gatto. O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável

Clarice Gatto. O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável Clarice Gatto O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável Trabalho a ser apresentado na Mesa-redonda Poder da palavra no III Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e IX

Leia mais

A FUNÇÃO DO PAGAMENTO EM ANÁLISE: LIMITES E POSSIBILIDADES NA INSTITUIÇÃO

A FUNÇÃO DO PAGAMENTO EM ANÁLISE: LIMITES E POSSIBILIDADES NA INSTITUIÇÃO A FUNÇÃO DO PAGAMENTO EM ANÁLISE: LIMITES E POSSIBILIDADES NA INSTITUIÇÃO Fernanda de Souza Borges feborges.psi@gmail.com Prof. Ms. Clovis Eduardo Zanetti Na praça Clóvis Minha carteira foi batida, Tinha

Leia mais

A função da alteridade frente ao desamparo nos primórdios da vida psíquica

A função da alteridade frente ao desamparo nos primórdios da vida psíquica A função da alteridade frente ao desamparo nos primórdios da vida psíquica Natália De Toni Guimarães dos Santos O humano só advém a partir de outros humanos. O filho do homem é um ser absolutamente dependente

Leia mais

O Escutar através do Desenho

O Escutar através do Desenho 1 O Escutar através do Desenho Neide M.A.Corgosinho 1 RESUMO: O artigo aqui apresentado baseia-se em algumas experiências de trabalho na internação pediátrica do Hospital Militar de Minas Gerais no período

Leia mais

EMENTAS DAS DISCIPLINAS

EMENTAS DAS DISCIPLINAS EMENTAS DAS DISCIPLINAS CURSO DE GRADUAÇÃO DE PSICOLOGIA Ementário/abordagem temática/bibliografia básica (3) e complementar (5) Morfofisiologia e Comportamento Humano Ementa: Estudo anátomo funcional

Leia mais

O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1

O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1 O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1 Miriam A. Nogueira Lima 2 1ª - O corpo para a psicanálise é o corpo afetado pela linguagem. Corpo das trocas, das negociações. Corpo

Leia mais

Diagnóstico: um sintoma? O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal função é de ser um instrumento

Diagnóstico: um sintoma? O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal função é de ser um instrumento Diagnóstico: um sintoma? Larissa de Figueiredo Rolemberg Mendonça e Manoel Tosta Berlinck (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC/SP) O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal

Leia mais

UNIVERSIDADE DO CONTESTADO UnC CAMPUS MAFRA/RIO NEGRINHO/PAPANDUVA NÚCLEO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E MEIO AMBIENTE

UNIVERSIDADE DO CONTESTADO UnC CAMPUS MAFRA/RIO NEGRINHO/PAPANDUVA NÚCLEO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E MEIO AMBIENTE UNIVERSIDADE DO CONTESTADO UnC CAMPUS MAFRA/RIO NEGRINHO/PAPANDUVA NÚCLEO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E MEIO AMBIENTE PROJETO AVALIAÇÃO INTEGRAL DA CRIANÇA MAFRA 2009 Núcleo de Ciências da Saúde e Meio Ambiente

Leia mais

A fala freada Bernard Seynhaeve

A fala freada Bernard Seynhaeve Opção Lacaniana online nova série Ano 1 Número 2 Julho 2010 ISSN 2177-2673 Bernard Seynhaeve Uma análise é uma experiência de solidão subjetiva. Ela pode ser levada suficientemente longe para que o analisante

Leia mais

UNIVERSIDAD ARGENTINA JOHN F. KENNEDY. Mestranda em Psicanálise Joana S. Oliveira Psicóloga CRP 06/114168

UNIVERSIDAD ARGENTINA JOHN F. KENNEDY. Mestranda em Psicanálise Joana S. Oliveira Psicóloga CRP 06/114168 UNIVERSIDAD ARGENTINA JOHN F. KENNEDY Mestranda em Psicanálise Joana S. Oliveira Psicóloga CRP 06/114168 Considerações psicanalíticas sobre a imagem corporal, algumas conseqüências após intervenções sobre

Leia mais

Feminilidade e Angústia 1

Feminilidade e Angústia 1 Feminilidade e Angústia 1 Claudinéia da Cruz Bento 2 Freud, desde o início de seus trabalhos, declarou sua dificuldade em abordar o tema da feminilidade. Após um longo percurso de todo o desenvolvimento

Leia mais

A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial.

A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial. A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial. Claudia Wunsch. Psicóloga. Pós-graduada em Psicanálise Clínica (Freud/Lacan) Unipar - Cascavel- PR. Docente do curso de Psicologia da Faculdade

Leia mais

PSICANÁLISE: UM SOBREVÔO SOBRE A HISTÓRIA DE SIGMUND FREUD E DE SUAS IDÉIAS

PSICANÁLISE: UM SOBREVÔO SOBRE A HISTÓRIA DE SIGMUND FREUD E DE SUAS IDÉIAS 1 PSICANÁLISE: UM SOBREVÔO SOBRE A HISTÓRIA DE SIGMUND FREUD E DE SUAS IDÉIAS Sandra Mara Volpi 1856: Nasce Sigmund Freud, onde hoje localiza-se a Tchecoslováquia, em uma família de origem judaica em que

Leia mais

Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005

Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005 Latusa digital ano 2 N 19 outubro de 2005 Sinthoma e fantasia fundamental no caso do homem dos ratos * Cleide Maschietto Doris Rangel Diogo ** O Homem dos ratos 1 é um caso de neurose muito comentado,

Leia mais

- Carta de Princípios do Fórum do Campo Lacaniano - Belo Horizonte -

- Carta de Princípios do Fórum do Campo Lacaniano - Belo Horizonte - - Carta de Princípios do Fórum do Campo Lacaniano - Belo Horizonte - Histórico O Fórum do Campo Lacaniano de Belo Horizonte foi criado em 1998 em oposição ao mau uso do Um na Psicanálise visando uma alternativa

Leia mais

A triagem como instrumento de comunicação entre Psicanálise e Psiquiatria

A triagem como instrumento de comunicação entre Psicanálise e Psiquiatria A triagem como instrumento de comunicação entre Psicanálise e Psiquiatria Thaís Augusto Gonçales Zanoni thaisagz.psi@gmail.com Psicóloga. Especialista em Saúde Mental, Psicopatologia e Psicanálise pela

Leia mais

UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1

UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1 UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1 Celso Rennó Lima A topologia..., nenhum outro estofo a lhe dar que essa linguagem de puro matema, eu entendo por aí isso que é único a poder se ensinar: isso

Leia mais

Entrelaçamentos entre Arte e Interpretação na Clínica Extensa Leila Souza Alves de Araújo

Entrelaçamentos entre Arte e Interpretação na Clínica Extensa Leila Souza Alves de Araújo Entrelaçamentos entre Arte e Interpretação na Clínica Extensa Leila Souza Alves de Araújo Entrelaçamentos entre Arte e Interpretação é o que se busca promover a partir da realização do Projeto Transformador:

Leia mais

A Estrutura na Psicanálise de criança

A Estrutura na Psicanálise de criança A Estrutura na Psicanálise de criança Maria de Lourdes T. R. Sampaio O que está na cabeça do filho depende de seu desejo 1 Esta frase de Alfredo Jerusalinsky, que se refere à ilusão de alguns pais de que

Leia mais

A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO

A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO 2014 Olga Cristina de Oliveira Vieira Graduada em Psicologia pela Universidade Presidente Antônio Carlos. Docente no Centro Técnico de Ensino Profissional (CENTEP). Especialização

Leia mais

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM Maria Elisa França Rocha A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da sexualidade, bem como conhecer suas fantasias e as teorias que

Leia mais

Capítulo 50: centro de atenção psicossocial de álcool e drogas

Capítulo 50: centro de atenção psicossocial de álcool e drogas Capítulo 50: centro de atenção psicossocial de álcool e drogas Fernanda Marques Paz 1 Dependência Química: prevenção, tratamento e politicas públicas (Artmed; 2011; 528 páginas) é o novo livro de Ronaldo

Leia mais

Latusa digital ano 2 N 14 maio de 2005

Latusa digital ano 2 N 14 maio de 2005 Latusa digital ano 2 N 14 maio de 2005 Dos novos sintomas ao sintoma analítico Elizabeth Karam Magalhães Na contemporaneidade, a prática clínica confronta o analista com novas formas do sintoma, que têm

Leia mais

Freud, S. Inibições, sintomas e ansiedade (1925). Em: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1969. 2

Freud, S. Inibições, sintomas e ansiedade (1925). Em: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1969. 2 DAR CORPO AO SINTOMA NO LAÇO SOCIAL Maria do Rosário do Rêgo Barros * O sintoma implica necessariamente um corpo, pois ele é sempre uma forma de gozar, forma substitutiva, como Freud bem indicou em Inibição,

Leia mais

A Função do Nome Próprio no Campo do Sujeito

A Função do Nome Próprio no Campo do Sujeito A Função do Nome Próprio no Campo do Sujeito Autor: Felipe Nunes de Lima Bacharel em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Integrante do Núcleo de Pesquisa: Psicanálise, Discurso e Laço

Leia mais

De onde vem a resistencia? 1

De onde vem a resistencia? 1 De onde vem a resistencia? 1 Maria Lia Avelar da Fonte 2 1 Trabalho apresentado na Jornada Freud-lacaniana. 2 M dica, psicanalista membro de Intersecção Psicanalítica do Brasil. De onde vem a resistência?

Leia mais

Fome de quê? Daniela Goulart Pestana

Fome de quê? Daniela Goulart Pestana Fome de quê? Daniela Goulart Pestana O trabalho a seguir fruto de um Cartel sobre sintomas alimentares, propõe a ser uma reflexão dos transtornos alimentares mais comuns de nossa contemporaneidade. O eixo

Leia mais

FACULDADE REDENTOR NUCLEO DE APOIO EMPRESARIAL CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

FACULDADE REDENTOR NUCLEO DE APOIO EMPRESARIAL CURSO DE ADMINISTRAÇÃO FACULDADE REDENTOR NUCLEO DE APOIO EMPRESARIAL CURSO DE ADMINISTRAÇÃO Justificativa: As transformações ocorridas nos últimos anos têm obrigado as organizações a se modificarem constantemente e de forma

Leia mais

Autismo e Deficiência Intelectual.

Autismo e Deficiência Intelectual. Autismo e Deficiência Intelectual. Wagner Ranna. Pediatra. Psiquiatra. Psicanalista. Professor de Psicossomática Psicanalítica do SEDES. Psiquiatra CAPS Infantil da Lapa/PMSP/CRSCO/STS Lapa. Ex-professor

Leia mais

A BOCA CALA, O CORPO FALA: VIOLÊNCIA SEXUAL, SEGREDO E PSICANÁLISE.

A BOCA CALA, O CORPO FALA: VIOLÊNCIA SEXUAL, SEGREDO E PSICANÁLISE. A BOCA CALA, O CORPO FALA: VIOLÊNCIA SEXUAL, SEGREDO E PSICANÁLISE. Desde os primeiros passos de Freud em suas investigações sobre o obscuro a respeito do funcionamento da mente humana, a palavra era considerada

Leia mais

Histeria e Corporalidade: O Corpo histérico através dos tempos

Histeria e Corporalidade: O Corpo histérico através dos tempos Histeria e Corporalidade: O Corpo histérico através dos tempos Este trabalho tem por intuito verificar quais as transformações sofridas pelos sintomas histéricos ao longo dos anos. Esta indagação se deve

Leia mais

A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1. Selma Correia da Silva 2

A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1. Selma Correia da Silva 2 A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1 Selma Correia da Silva 2 Neste trabalho pretendemos discutir a articulação do discurso da Psicanálise com o discurso da Medicina, destacando

Leia mais

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE Unidade Universitária Centro de Ciências Biológicas e da Saúde - 040 Curso Psicologia Disciplina TEORIAS E TÉCNICAS PSICOTERÁPICAS PSICODINÂMICAS Professor(es) e DRTs Fernando Genaro Junior 114071-3 Maria

Leia mais

Transferência e vínculo institucional na Clínica-Escola 1 José Vicente Alcantara

Transferência e vínculo institucional na Clínica-Escola 1 José Vicente Alcantara Transferência e vínculo institucional na Clínica-Escola 1 José Vicente Alcantara "Uma análise termina quando analista e paciente deixam de encontrar-se para a sessão analítica" Sigmund Freud em Analise

Leia mais

Jacques Lacan, La Chose Freudienne

Jacques Lacan, La Chose Freudienne N O T A S Jacques Lacan, La Chose Freudienne JACQUES LABERGE Tivemos ocasião de apresentar nesta revista obras de Françoise Dolto e de Maud Mannoni. Como o nome de vários lacanianos são e serão comuns

Leia mais

ORIENTAÇÕES PARA INSCRIÇÃO DE TRABALHOS:

ORIENTAÇÕES PARA INSCRIÇÃO DE TRABALHOS: ORIENTAÇÕES PARA INSCRIÇÃO DE TRABALHOS: Início: 10/03/2014 Término: 30/05/2014 INFORMAÇÔES GERAIS: 1) Todo participante do congresso poderá inscrever trabalhos. 2) O link para inscrições de trabalhos

Leia mais

Durante toda sua vida, Anna Freud ocupou-se com a psicanálise, dando especial

Durante toda sua vida, Anna Freud ocupou-se com a psicanálise, dando especial 30 1. 3. Anna Freud: o analista como educador Durante toda sua vida, Anna Freud ocupou-se com a psicanálise, dando especial ênfase ao desenvolvimento teórico e terapêutico da psicanálise de crianças. Sua

Leia mais

PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO

PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO 2014 Matheus Henrique de Souza Silva Psicólogo pela Faculdade Pitágoras de Ipatinga-MG. Especializando em Clínica Psicanalítica na atualidade:

Leia mais

A REFORMA PSIQUIÁTRICA NO INTERIOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: PSIQUIATRIA REFORMADA OU MUDANÇA PARADIGMÁTICA?

A REFORMA PSIQUIÁTRICA NO INTERIOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: PSIQUIATRIA REFORMADA OU MUDANÇA PARADIGMÁTICA? 1 A REFORMA PSIQUIÁTRICA NO INTERIOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: PSIQUIATRIA REFORMADA OU MUDANÇA PARADIGMÁTICA? DEVERA, Disete; COSTA-ROSA, Abílio (Unesp/Assis; UNIP/ Limeira) RESUMO: A história da construção

Leia mais

HISTÓRIA HISTÓRIA DIAGNÓSTICO E CLASSIFICAÇÃO DOS TRANSTORNOS MENTAIS. Paradigma da alienação mental. Paradigma das doenças mentais

HISTÓRIA HISTÓRIA DIAGNÓSTICO E CLASSIFICAÇÃO DOS TRANSTORNOS MENTAIS. Paradigma da alienação mental. Paradigma das doenças mentais DIAGNÓSTICO E CLASSIFICAÇÃO DOS TRANSTORNOS MENTAIS Prof. José Reinaldo do Amaral Pontifícia Universidade Católica de Goiás Departamento de Psicologia PSICOPATOLOGIA GERAL 2013 / 2 HISTÓRIA Paradigma da

Leia mais

Avaliação Psicossocial: conceitos

Avaliação Psicossocial: conceitos Avaliação Psicossocial: conceitos Vera Lucia Zaher Pesquisadora do LIM 01 da FMUSP Programa de pós-graduação de Bioética do Centro Universitário São Camilo Diretora da Associação Paulista de Medicina do

Leia mais

Negativo: espaço, tempo e história [1] espaço delimitado por um tempo e um momento que faz notação histórica

Negativo: espaço, tempo e história [1] espaço delimitado por um tempo e um momento que faz notação histórica Negativo: espaço, tempo e história [1] Marcela Toledo França de Almeida [2] Universidade de Brasília UnB O sujeito se funda pela ausência do que um dia fez marca em seu corpo, espaço delimitado por um

Leia mais

Revista Mal-estar E Subjetividade ISSN: 1518-6148 malestar@unifor.br Universidade de Fortaleza Brasil

Revista Mal-estar E Subjetividade ISSN: 1518-6148 malestar@unifor.br Universidade de Fortaleza Brasil Revista Mal-estar E Subjetividade ISSN: 1518-6148 malestar@unifor.br Universidade de Fortaleza Brasil Holanda Martins, Karla Patricia Reseña de "Freud e a Literatura: destinos de uma travessia" de Leônia

Leia mais

O FALO E A MORTE NA DINÂMICA DA NEUROSE OBSESSIVA

O FALO E A MORTE NA DINÂMICA DA NEUROSE OBSESSIVA O FALO E A MORTE NA DINÂMICA DA NEUROSE OBSESSIVA Doris Rinaldi 1 A neurose obsessiva apresenta uma complexidade e uma riqueza de aspectos que levou, de um lado, Freud a dizer que tratava-se do tema mais

Leia mais

SOBRE A PRODUÇÃO DE PESQUISAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA COM VIÉS FINANCEIRO ESCOLAR.

SOBRE A PRODUÇÃO DE PESQUISAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA COM VIÉS FINANCEIRO ESCOLAR. ISSN 2316-7785 SOBRE A PRODUÇÃO DE PESQUISAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA COM VIÉS FINANCEIRO ESCOLAR. Rodrigo Martins de Almeida Instituo Estadual de Educação de Juiz de Fora (IEE/JF) rodrigomartinsdealmeida@yahoo.com.br

Leia mais

PODERES DO PSICANALISTA

PODERES DO PSICANALISTA Estados Gerais da Psicanálise: Segundo Encontro Mundial, Rio de Janeiro 2003 PODERES DO PSICANALISTA Nelisa Guimarães O título tem o duplo sentido de discutir o que pode um psicanalista na clínica a partir

Leia mais

RETIFICAÇÃO SUBJETIVA: OS CONTRAPONTOS ENTRE A CLÍNICA PSICANALÍTICA E A EPISTEMOLOGIA HISTÓRICA

RETIFICAÇÃO SUBJETIVA: OS CONTRAPONTOS ENTRE A CLÍNICA PSICANALÍTICA E A EPISTEMOLOGIA HISTÓRICA RETIFICAÇÃO SUBJETIVA: OS CONTRAPONTOS ENTRE A CLÍNICA PSICANALÍTICA E A EPISTEMOLOGIA HISTÓRICA Marcio Luiz Ribeiro Bacelar Wilson Camilo Chaves A expressão retificação subjetiva está presente tanto nas

Leia mais

A função especular da fala materna e suas referências. ao psiquismo e à constituição do si mesmo.

A função especular da fala materna e suas referências. ao psiquismo e à constituição do si mesmo. A função especular da fala materna e suas referências ao psiquismo e à constituição do si mesmo. Alexandre Socha No artigo O papel de espelho da mãe e da família no desenvolvimento infantil (1967), Winnicott

Leia mais

1 Simpósio Internacional de Práticas Integrativas e Complementares Baseadas em Evidencias ( 1 SIPIC-UNB)

1 Simpósio Internacional de Práticas Integrativas e Complementares Baseadas em Evidencias ( 1 SIPIC-UNB) Universidade de Brasília Faculdade de Ciências da Saúde Hospital Universitário de Brasília 1 Simpósio Internacional de Práticas Integrativas e Complementares Baseadas em Evidencias ( 1 SIPIC-UNB) Práticas

Leia mais

O PSICANALITICAMENTE CORRETO E O QUE É DITO POLITICAMENTE INCORRETO Juçara Rocha Soares Mapurunga Henrique Figueiredo Carneiro

O PSICANALITICAMENTE CORRETO E O QUE É DITO POLITICAMENTE INCORRETO Juçara Rocha Soares Mapurunga Henrique Figueiredo Carneiro O PSICANALITICAMENTE CORRETO E O QUE É DITO POLITICAMENTE INCORRETO Juçara Rocha Soares Mapurunga Henrique Figueiredo Carneiro A expressão politicamente correto refere-se a uma política que consiste em

Leia mais

CORPOLINGUAGEM E MOVIMENTO: UMA PROPOSTA DE TRABALHO CORPORAL PARA CRIANÇAS À LUZ DA PSICANÁLISE

CORPOLINGUAGEM E MOVIMENTO: UMA PROPOSTA DE TRABALHO CORPORAL PARA CRIANÇAS À LUZ DA PSICANÁLISE CORPOLINGUAGEM E MOVIMENTO: UMA PROPOSTA DE TRABALHO CORPORAL PARA CRIANÇAS À LUZ DA PSICANÁLISE Nathalia Leite Gatto Nota-se que as disciplinas ligadas ao movimento na educação infantil, tanto curriculares

Leia mais

AUXÍLIO FINANCEIRO A CURSOS PROJETO DE PESQUISA APLICADA SUMÁRIO

AUXÍLIO FINANCEIRO A CURSOS PROJETO DE PESQUISA APLICADA SUMÁRIO 1 AUÍLIO FINANCEIRO A CURSOS PROJETO DE PESQUISA APLICADA SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO... 2 2 O QUE É UM PROJETO?... 2 2.1 PROJETO DE PESQUISA... 2 3 CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUISAS... 4 4 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO PARA

Leia mais

Latusa digital ano 0 N 2 setembro de 2003

Latusa digital ano 0 N 2 setembro de 2003 Latusa digital ano 0 N 2 setembro de 2003 O forçamento da psicanálise * Ruth Helena Pinto Cohen ** A ciência moderna tende a excluir a poética de seu campo e a psicanálise, a despeito de ter nascido a

Leia mais