DESTINAÇÃO E DISPOSIÇÃO FINAL AMBIENTALMENTE ADEQUADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS INDUSTRIAIS

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1 DESTINAÇÃO E DISPOSIÇÃO FINAL AMBIENTALMENTE ADEQUADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS INDUSTRIAIS Alternativas tecnológicas disponíveis. Variações de custo e de segurança das operações.

2 Copyright Ecovalor Consultoria e Assessoria em Sustentabilidade Ltda, Todos os direitos reservados. Versão: 01 (outubro de 2014) Este material tem caráter informativo, e não deve ser utilizado isoladamente para tomada de decisões. Aconselhamento específico poderá ser prestado por um de nossos consultores.

3 INTRODUÇÃO SUSTENTABILIDADE, GESTÃO AMBIENTAL E resíduos sólidos são assuntos em alta no meio empresarial. A rigidez das leis e da fiscalização ambiental obrigou as empresas a dar mais atenção ao meio ambiente. Este novo cenário aumentou custos e potencializou riscos antes toleráveis. Uma boa estratégia de gestão ambiental é uma vantagem competitiva. Especificamente em relação à gestão de resíduos sólidos industriais, o tema se tornou base para o desenvolvimento de novos modelos de negócios, formando um mercado competitivo de empresas que fornecem soluções para a destinação ou disposição final ambientalmente adequada desses materiais. Se antes a disposição em valas de aterros era o principal destino dos resíduos, agora se tem um leque de opções de destinação, que vão desde o coprocessamento em fornos de clínquer até a hidrólise térmica, que gera matéria-prima para a fabricação de adubos. O que varia são os custos e a segurança jurídica das operações. 3

4 Quais são as diferenças entre destinação e disposição final ambientalmente adequada? DISPOSIÇÃO FINAL AMBIENTALMENTE ADEQUADA* Consiste na distribuição ordenada de rejeitos em aterros, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos. Trata-se da última alternativa a ser adotada pelo gerador. Por rejeitos, entenda-se os resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada. *De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal Nº /2010). 4

5 DICA Diversas empresas estão desenvolvendo formas de reaproveitar seus próprios resíduos ou o de terceiros. Realize parcerias com seus fornecedores ou promova projetos internos para deixar de pagar pela destinação de resíduos, e diminuir os custos com a aquisição de matérias-primas, transformando seu resíduo numa delas. DESTINAÇÃO FINAL AMBIENTALMENTE ADEQUADA Consiste na reutilização, reciclagem, compostagem, recuperação, aproveitamento energético ou outras destinações, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos. Conforme a PNRS Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei /2010), na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. 5

6 Qual a diferença entre resíduo Classe I e Classe II? RESÍDUOS CLASSE I Estes resíduos são considerados perigosos à saúde ou ao meio ambiente, sendo identificados por apresentarem substâncias inflamáveis, reativas, corrosivas, tóxicas ou patogênicas. Exemplos: retalhos de couro curtido ao cromo, panos contaminados, embalagens vazias pós consumo de produtos químicos perigosos, etc. No Brasil, os resíduos sólidos são classificados conforme a Norma ABNT NBR :2004, que define 03 (três) classes: 6

7 DICA Desafie os setores de criação (design) e compras a identificar no mercado opções de matérias-primas e insumos compostos por materiais não perigosos, bem como desenvolver produtos que gerem o mínimo possível de resíduos perigosos, os quais implicam em maior risco de dano ao meio ambiente e à saúde humana. RESÍDUOS CLASSE II Estes resíduos não são considerados perigosos, e subdividem-se em classe II A, cujas características podem ser a biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água (não inertes), e classe II B, não solúveis (inertes). Exemplos: papel, papelão, plástico, retalhos de tecido sintético (PU, PVC), etc. - Resíduo perigoso classe I - Resíduo não inerte classe II A - Resíduo inerte classe II B. Os resíduos classe II são também denominados de não perigosos. 7

8 Quais são as alternativas tecnológicas para a disposição ou destinação dos resíduos sólidos industriais? ATERROS INDUSTRIAIS Distribuição ordenada de resíduos em valas, instaladas e operadas de acordo com normas técnicas rigorosas, bem como em condições e restrições impostas pelo órgão ambiental responsável pelo licenciamento. Aspectos positivos Os aterros geralmente apresentam menor custo para a destinação de resíduos/rejeitos, do que alternativas tecnológicas disponíveis. Por ser a tecnologia mais utilizada até então, há diversas opções instaladas em todo o estado do Rio Grande do Sul, diminuindo os custos com logística. 8

9 Aspectos negativos Depositar o resíduo/rejeito num aterro não cessa a responsabilidade do gerador, de forma que, havendo um dano ambiental, ele será responsabilizado solidariamente; O monitoramento do aterro é deficitário. Por exemplo, pode ocorrer rompimento da manta impermeabilizante e vazamento de percolado (efluente líquido), com detecção tardia; e ocorre a acumulação de passivo e, em caso de falência ou encerramento das atividades do empreendedor do aterro, a empresa pode ser chamada a promover a recuperação da área. 9

10 Quais são as alternativas tecnológicas para a destinação dos resíduos sólidos industriais? COPROCESSAMENTO em fornos de clínquer Os resíduos/rejeitos são utilizados como combustível em fornos para a fabricação de clínquer (cimento), e as cinzas geradas no processo são incorporadas no produto. Aspectos positivos Eliminação do passivo ambiental, pois 100% dos resíduos/rejeitos são transformados em combustível e matéria-prima para fabricação de cimento; A partir do momento em que os resíduos/rejeitos são entregues ao utilizador, cessa a responsabilidade do gerador; a segurança das operações é garantida pelo monitoramento automatizado, permitindo a desativação automática do sistema, caso os padrões de emissões de gases desrespeitem aqueles permitidos. Aspectos negativos Custo mais elevado, em regra, se comparado com a alternativa tecnológica de aterro. 10

11 HIDRÓLISE térmica Diversos resíduos/rejeitos são combinados, formando um blend, e sofrem processo de tratamento térmico. O produto resultante deste processo é utilizado como matéria-prima por outros segmentos industriais, como o de fabricação de fertilizantes. Aspectos positivos Eliminação do passivo ambiental, pois os resíduos/rejeitos são utilizados como matéria-prima para a fabricação de outros produtos; A partir do momento em que os resíduos/rejeitos são entregues ao utilizador, cessa a responsabilidade do gerador sobre eles. Aspectos negativos Custo mais elevado, se comparado com a alternativa tecnológica de aterro. Além disso, a capacidade de recebimento destas empresas é sazonal, isto é, em determinados períodos, dependendo da condição que se encontram, se negam a receber os resíduos ou diminuem a quantidade passível de remessa; No Rio Grande do Sul, apenas os resíduos de couro são hidrolisados. 11

12 Quais são as alternativas tecnológicas para a destinação dos resíduos sólidos industriais? TRATAMENTO TÉRMICO e geração de energia Consiste na incineração dos resíduos sólidos industriais, aproveitando-se do poder calorífero da operação para a geração de energia elétrica ou vapor. Aspectos positivos Eliminação do passivo ambiental, pois os resíduos/rejeitos são incinerados e, em regra, a cinza resultante do processo possui valor comercial e é reprocessada; Monitoramento automatizado, permitindo a desativação automática do sistema, caso os padrões de emissões de gases desrespeitem aqueles permitidos. Aspectos negativos No Rio Grande do Sul não existem plantas de tratamento térmico instaladas, em especial pela FEPAM não ser favorável à tecnologia, o que aumenta os custos de logística; Custo mais elevado, em regra, se comparado com a alternativa tecnológica de aterro; Apesar da redução no volume do resíduo/rejeito em aproximadamente 90% (noventa por cento), caso as cinzas não sejam comercializadas, há geração de passivo. 12

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14 Qual a documentação exigida por Lei para a remessa de resíduos para destinação ou disposição final? Toda a vez que houver remessa de resíduos para fora do estabelecimento, deve ser emitida nota fiscal, seja a operação de venda ou de doação. O documento deverá descrever os tipos e as quantidades de resíduos que estão sendo destinados. No caso de resíduos classe I (perigosos), a nota fiscal deve possuir uma série de informações adicionais, conforme a Resolução Nº 420/2004 da ANTT Agência Nacional de Transportes Terrestres, tais como o número ONU e o nome apropriado para embarque. 14

15 Além da nota fiscal, a remessa de resíduos sólidos industriais perigosos exige a emissão de MTR Manifesto de Transporte de Resíduos, conforme a Portaria Nº 24/2009 da FEPAM Fundação Estadual de Proteção Ambiental. É imprescindível também que seja verificada a regularidade ambiental de quem irá receber os resíduos, em especial o licenciamento ambiental. Recomenda-se, inclusive, a realização de auditorias ambientais nestes prestadores de serviços. 15

16 Quais são as exigências para o transporte de resíduos sólidos? O transporte dos resíduos sólidos classe II (não perigosos) não possui regras específicas. O transporte de resíduos sólidos classe I (perigosos), por sua vez, deve respeitar o disposto na Resolução Nº 420/2004 e na Portaria Nº 34/2009 da FEPAM, que trata do MTR. Observe também, para o caso do transporte rodoviário de resíduos perigosos, se os veículos estão devidamente licenciados junto ao órgão ambiental competente, e promova rotinas de inspeção para verificar as condições de transporte. 16

17 ? 17

18 Como deve ser realizado o correto armazenamento dos resíduos sólidos? O armazenamento temporário de resíduos sólidos industriais na unidade fabril deve observar as disposições das normas ABNT NBR N :1992 e :1990, que tratam, respectivamente, de resíduos perigosos e não perigosos. Entre as disposições das normas, por exemplo, consta que os resíduos classe I (perigosos) devem ser armazenados em local com piso impermeável, proteção quanto à ação das chuvas e ventos, devidamente sinalizado e com acesso restrito. 18

19 DICA Indiferentemente da alternativa tecnológica adotada, orienta-se a celebração de contratos com os prestadores de serviço, que definam com clareza os direitos e deveres das partes, bem como a implementação de uma rotina de verificação periódica da regularidade ambiental, e a realização de auditorias. 19

20 Para mais informações sobre este assunto, entre em contato com nossos especialistas, será um prazer ajudá-lo Rua Gal. Emílio Lúcio Esteves, 1082 Centro Taquara/RS

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