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3 Reitora Vice-Reitor Nádina Aparecida Moreno Berenice Quinzani Jordão Editora da Universidade Estadual de Londrina Diretora Conselho Editorial Maria Helena de Moura Arias Abdallah Achour Junior Edison Archela Efraim Rodrigues José Fernando Mangili Júnior Marcia Regina Gabardo Camara Marcos Hirata Soares Maria Helena de Moura Arias (Presidente) Otávio Goes de Andrade Renata Grossi Rosane Fonseca de Freitas Martins

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5 Catalogação elaborada pela Divisão de Processos Técnicos dabiblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina.Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) C257 Características e potencialidades das aglomerações de software no Paraná [livro eletrônico] / Márcia Regina Gabardo da Camara, Maria de Fátima Sales de Souza Campos, Vanderlei José Sereia (orgs.). Londrina : Eduel, Livro digital. Inclui bibliografia. Disponível em : livros-digitais-gratuítos.php ISBN Tecnologia da informação. 2. Arranjos produtivos locais. 3. Sistemas de informação gerencial. 4. Indústria de software Paraná. I. Camara, Márcia Regina Gabardo da. II. Campos, Maria de Fátima Sales de Souza. III. Sereia, Vanderlei José. CDU Direitos reservados à Editora da Universidade Estadual de Londrina Campus Universitário Caixa Postal 6001 Fone/Fax: (43) Londrina PR Impresso no Brasil / Printed in Brazil Depósito Legal na Biblioteca Nacional 2013

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10 O desenvolvimento do segmento de software é considerado estratégico e tem recebido recursos públicos federais e governamentais do estado do Paraná, para identificar os pontos fortes e as barreiras ao seu desenvolvimento. O modelo brasileiro de desenvolvimento de software desenvolve-se a partir dos anos 1990, focado no mercado interno, mas apresenta-se com condições de conquistar o mercado externo, além de contribuir para o desenvolvimento regional. O mercado de software é dinâmico, diversificado, cresce focado em serviços e em menor intensidade em produtos e requer mão-de-obra qualificada. É uma atividade de natureza inovadora intensiva em tecnologia, conhecimento e mão-de-obra qualificada. A presença de ativos institucionais universidades, institutos de pesquisa e órgãos governamentais e privados - pode favorecer a concentração espacial da atividade e induzir o desenvolvimento das empresas. Neste contexto, destaca-se o papel das políticas públicas para o seu crescimento. A atividade pode se caracterizar por formas coletivas de aprendizado (redes de interações) e apresentar, cumulatividade, elementos críticos da competitividade e da organização espacial das atividades econômicas. Adicionalmente, caracteriza-se pela terceirização, serviços de outsourcing e de participação em várias cadeias produtivas. As raízes da atividade de software, no Paraná encontram-se nos anos 1970, com o surgimento das atividades de tecnologia de informação e de comunicação em Curitiba, Londrina e Maringá. Contudo, seu desenvolvimento acentua-se nos anos com a política nacional de informática focada no hardware, mas com impactos no software; e nos anos 1990, com o surgimento do SO TEX Excellence in Software. Há unanimidade entre os autores que pesquisam o setor no sentido de que as atividades de software, em Curitiba, Londrina, Maringá e no Sudoeste do Estado, foram beneficiadas pelas políticas públicas de fomento (Programa de Informática Industrial, Lei de Informática, SO TEX e W-Class). A Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE) do governo Lula, de 2003, considerou o setor de software prioritário, dada a sua natureza inovadora e a capilaridade, porque permitiria a ampliação da produtividade das empresas em diferentes cadeias produtivas. Com a crescente entrada de empresas de capital estrangeiro para atuar no desenvolvimento e no fornecimento de tecnologias de informação e comunicação, muitas ix

11 Características e potencialidades das aglomerações de Software no Paraná empresas nacionais têm realizado fusões e aquisições no mercado nacional para enfrentar a concorrência, ampliando a exploração de economias de escala e o escopo na exploração de serviços, desenvolvimento de sistemas, entre outras atividades. Isto é, o setor está sofrendo grandes transformações. Em maio de 2008, o governo federal renovou o estímulo ao desenvolvimento do software para exportação, em sua política de desenvolvimento industrial. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Software - informação disponível em sua página institucional na internet - o Brasil alcançou a 12ª posição no mercado mundial, movimentado mais de US$ 11 bilhões de dólares, equivalentes a 0,86% do PIB em 2007; US$4,19 bilhões em software, 1,6% do mercado mundial; e US$ 6,93 bilhões em serviços. O crescimento médio do setor no período 2008/2010 é estimado em 10% ao ano. Em 2007, a participação de programas de computador desenvolvidos no país atingiu 33,6 % do total do mercado brasileiro de software. O mercado é composto por empresas, que desenvolvem, produzem e distribuem softwares, além da prestação de serviços. O desenvolvimento e a produção de software é dominado por micro e pequenas empresas (94% das firmas). O livro reúne uma coletânea de artigos científicos desenvolvidos, direta ou indiretamente, a partir da análise de resultados do projeto de pesquisa fomentado pela SETI/Governo do Estado do Paraná undo Paraná e pelos Arranjos Produtivos Locais - Projeto APL - Identificação, Caracterização, Construção de Tipologia e Apoio na ormulação de Políticas para os Arranjos Produtivos Locais do Paraná. As pesquisas de campo foram desenvolvidas em Londrina, Maringá, Curitiba e Sudoeste do Paraná, ao longo do período de 2006 e São discutidas as experiências das aglomerações de software, com ênfase na inovação e no fortalecimento da governança e as redes existentes em tais aglomerações. É válido destacar que a problemática envolta na discussão refere-se à necessidade de incrementar, via políticas públicas e privadas, o desenvolvimento setorial, dada a sua capilaridade no tecido produtivo e a sua capacidade de ampliar a produtividade, reduzir os custos de produção e contribuir para a geração de divisas, mediante o incremento das exportações intensivas em tecnologia e mão-de-obra qualificada. O capítulo um analisa as características complexas do setor de tecnologias de informação e comunicação no qual está inserido o software. O artigo, desenvolvido por Kleber Angeli, Álvaro Periotto e Marcia Regina Gabardo da Camara, discute, teoricamente, sob a luz da teoria da complexidade e da teoria das organizações, a Tecnologia da Informação (TI) como elemento condutor de inovação para aglomerações produtivas. As vertentes conceituais sobre os sistemas adaptativos complexos e as aglomerações produtivas norteiam o arcabouço teórico discutido do artigo, tendo como fator de ligação a aprendizagem e a mudança, em prol de um ambiente inovador, proporcionado pela TI. x

12 Apresentação O capítulo dois apresenta um diagnóstico da aglomeração produtiva de software de Londrina e propõe medidas de políticas públicas para o desenvolvimento local, o incremento da produção e da inovação nas empresas, no período que antecede a articulação formal do Arranjo Produtivo de Tecnologias de Informação de Londrina e Região. Marcia Regina Gabardo da Camara, Maria de átima Sales de Souza Campos, Vanderlei José Sereia e Luis Gustavo Antonio da Silva realizam o diagnóstico da capacidade produtiva e inovativa do arranjo produtivo de Software de Londrina e a sugestão de políticas públicas para o aprofundamento das relações entre os agentes e a promoção do desenvolvimento do APL. oi possível obter resultados a partir da realização de entrevistas com as instituições locais Universidades, SEBRAE, CODEL, INTUEL, SERCOMTEL e da aplicação de questionário desenvolvido pela Rede Arranjos Produtivos Locais dos agentes produtivos. A análise dos resultados da pesquisa de campo em 25 empresas, no ano de 2006, permitiu concluir que a aglomeração de software de Londrina possui um elevado potencial inovativo, que pode ser reforçado pelas ações de políticas públicas focadas na produção e no incremento da inovação local e no fortalecimento da governançal. O capítulo três realiza o diagnóstico dos determinantes da inovação e do aprendizado após a constituição e a ação da governança local, permitindo verificar mudanças no comportamento dos agentes, no sentido de incrementar a inovação produtiva e os processos de aprendizado identificados nas empresas de software de Londrina e região, no ano de ernanda Tsujiguchi e Marcia Regina Gabardo da Camara verificam que o conhecimento tem sido considerado o critério fundamental para a performance econômica nos últimos anos. A geração, a difusão e a aquisição de conhecimentos nas empresas de software requer que tais organizações desenvolvam processos de aprendizado que aglutinem competências e habilidades, elevando sua capacidade produtiva e inovativa. O artigo descreve os processos de aprendizado e as inovações existentes na rede de micro e pequenas empresas de software da cidade de Londrina. Verifica-se elevado grau de introdução de inovações, porém, eles estão restritos ao campo das inovações incrementais, pois boa parte das empresas pesquisadas desenvolvem softwares sob encomenda, ou seja, adaptando produtos e serviços de acordo com as necessidades dos clientes. O capítulo quatro apresenta a importância da rede de empresas e de instituições formais e informais no desenvolvimento setorial das empresas de software de Londrina e região. ernanda Tsujiguchi e Marcia Regina Gabardo da Camara analisam os impactos de ações de cooperação, parcerias e alianças estratégicas na competitividade da rede de empresas de software de Londrina, setor de grande representatividade para o estado do Paraná. A análise dos resultados permite identificar os tipos de atividades desenvolvidas, a intensidade xi

13 Características e potencialidades das aglomerações de Software no Paraná da interação com outras empresas, os agentes e os impactos econômicos das ações cooperadas. Os resultados revelam maior cooperação em nível local (Londrina) em atividades de desenvolvimento e comercialização em software, apresentando retorno econômico positivo de projetos cooperados. A análise dos resultados permite concluir que a rede está mais voltada para produzir e comercializar, visando à redução de custos e à eficiência operacional. O capítulo cinco apresenta o diagnóstico das características da aglomeração de software de Maringá e as barreiras verificadas para o seu desenvolvimento. Neio Lúcio Peres Gualda, Antonio Carlos de Campos e Jaime Graciano Trintin analisam a estrutura técnicoprodutiva da atividade de software do município de Maringá à luz do conceito de Arranjos Produtivos Locais (APL). Discute-se a crescente importância atribuída pela literatura à tecnologia da informação, especialmente quanto às atividades inovativas, dado sua capacidade de alavancagem e transbordamento para os diversos setores da economia. A metodologia utilizada baseou-se na identificação e na caracterização dos APL s, a partir de informações estatísticas e de pesquisa de campo. Os resultados encontrados revelam elevada participação de micros e pequenas empresas, gerenciadas por jovens empreendedores com elevada escolaridade, capacidade de inovação e diferencial competitivo. Os autores identificam desafios, fragilidades e potencialidades, com destaque para a crescente consciência de alguns empresários quanto à necessidade de organização e articulação entre os agentes do setor e a disposição das empresas para empreender ações visando à cooperação e às ações conjuntas. O capítulo seis analisa a dinâmica recente da indústria de software na cidade de Maringá, após a constituição da governança do APL de Software de Maringá. Kleber Angeli e Marcia Regina Gabardo da Camara apresentam um panorama do setor de software no período recente. Para caracterizar adequadamente a indústria de software de Maringá Paraná, os autores realizam uma pesquisa empírica sobre a evolução e a formação do APL de Software. O estudo analisa os condicionantes do relacionamento interorganizacional e o processo de institucionalização do APL embrionário de software. A análise dos resultados destaca que entre os condicionantes: Necessidade legal (interação não voluntária); Assimetria, Reciprocidade, Eficiência, Estabilidade e Legitimidade (interação voluntária), mas a Necessidade Legal e a Eficiência são os mais importantes. Para a instituição e o sucesso da governança, a necessidade legal é importante devido às ações formais entre as empresas para atender normatizações, regulamentações de órgãos fiscalizadores e agências governamentais, ganhando capacidade de negociação política, favorecendo a busca de recursos para o setor. A análise da ação dos agentes integrantes do APL embrionário de software de Maringá e das demais empresas que podem ser beneficiadas revela que ele encontra-se na fase de objetivação da institucionalização. xii

14 Apresentação O capítulo sete analisa o desenvolvimento de políticas locais e setoriais para o setor de software no Paraná Curitiba e Sudoeste do Paraná - sob o enfoque da geografia da inovação, referencial teórico que os autores Sérgio Sampaio e abio Ono consideram apropriado à investigação sobre o fenômeno da aglomeração de empresas de software e, consequentemente, para a proposição de políticas públicas. Para estes dois autores, o espaço é lócus do desenvolvimento econômico endógeno, constituindo-se no conjunto de recursos característicos relativamente imóveis e, até mesmo, intangíveis de uma região ou local. Após discutir as bases de conhecimento local, as habilidades da mão-de-obra, as instituições e as infraestruturas tecnológicas e organizacionais das empresas aglomeradas em Curitiba e Pato Branco, os autores concluem que as políticas locais de apoio ao desenvolvimento de software, nos moldes das políticas de apoio do APL, são viáveis. Entretanto, sob a perspectiva do aumento da competitividade das empresas brasileiras nos mercados internacionais de software, por meio do desenvolvimento de soluções inovadoras, o impacto de ações locais pode ser relativamente exíguo, caso não sejam associadas a políticas setoriais mais amplas. O capítulo oito investiga os resultados de um amplo projeto de pesquisa, no qual estavam inseridas as aglomerações de software de Londrina, Maringá e sudoeste do Paraná, coordenado pelos autores Wilson Suzigan, João urtado e Renato Garcia, com o propósito de mapear e estudar arranjos produtivos locais do estado de Paraná e propor políticas estaduais e ações institucionais de apoio no biênio Os autores realizam a discussão dos fundamentos analíticos e dos aspectos metodológicos da pesquisa em uma unidade da federação e as políticas propostas referem-se, especificamente, às políticas públicas estaduais. O referencial analítico de apoio é a discussão de sistemas locais de produção (SLP), porém há menções às aglomerações territoriais de empresas como um estágio preliminar do método utilizado, quando ainda não é possível caracterizar tais aglomerações como SLP. O capítulo finaliza com a sugestão de políticas em consonância com esse referencial e que foram acolhidas pelo estudo que, originalmente, incluiu indústrias extrativas, de transformação e de atividades de software. A análise conjunta das experiências das aglomerações de software do estado do Paraná sinaliza a importância de políticas locais articuladas com as políticas regionais. A criação de condições adequadas ao desenvolvimento da infraestrutura em sentido amplo da mão-de-obra, formação e desenvolvimento das redes, do aprendizado e da inovação, da produção, da governança e dos relacionamentos interorganizacionais requer a ação articulada dos agentes nas diferentes esferas: universidades, empresas, governo e instituições não governamentais. Na visão dos organizadores, a disseminação dos resultados das pesquisas realizadas com o apoio da SETI e do governo do estado do Paraná, via undo Paraná, xiii

15 Características e potencialidades das aglomerações de Software no Paraná contribuirá para o aprofundamento do debate em setores de base tecnológica, estimulando novas investigações e a aceleração do desenvolvimento regional. Marcia Regina Gabardo da Camara Maria de átima Sales de Souza Campos Vanderlei José Sereia xiv

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18 A tecnologia da informação como condutora de inovação em aglomerações produtivas INTRODUÇÃO As organizações passam por transformações, especialmente na época em que as inovações nas tecnologias da informação são propagadas rapidamente em diversas economias e diferentes países. Os novos processos e produtos permitem a exploração de economias de escala e de escopo. Nesta dinâmica que contempla oportunidades e ameaças, as organizações em redes apresentam-se como uma alternativa. As mudanças induzidas pelas inovações incitam a busca do conhecimento novo. Segundo Khun (2000), a ciência constrói-se somente pela instituição de novos paradigmas, em detrimento de paradigmas anteriores. Ainda sobre a ótica socioeconômica, Marx afirmava que o capitalismo e a burguesia nutriam-se do novo, eliminando o antigo antes que se depreciasse e se tornasse obsoleto. As mudanças geram, direta ou indiretamente, resistência dos atores envolvidos no processo, os quais buscam postergar a introdução do novo. A Tecnologia da Informação é uma referência para as organizações contemporâneas; pode-se perceber que por meio dela, a exposição dos limites do conhecimento se faz necessária para que o novo ocupe o seu espaço. ace às exigências mercadológicas, a velocidade das mudanças nas empresas de base tecnológica - software, biotecnologia, mecânica fina, microeletrônica, entre outras - faz com que a estrutura destas organizações torne-se mais flexível na busca de inovações. Percebe-se, também, como característica da grande maioria das empresas de base tecnológica o fato de serem pequenas ou microempresas com sutis peculiaridades ligadas a aspectos regionais. Dessa forma, a cooperação, pelas redes interorganizacionais, revela-se uma solução adotada por muitas delas. Uma corrente científica que permite interpretar a evolução das aglomerações fundamenta-se na teoria da complexidade, que busca o entendimento de como certas coisas células, um bando de pássaros, cidades, civilizações, organizações conseguem manter uma coerência em situações de contínua mudança, sem que haja necessariamente um controle hierárquico e um planejamento central. (NOBREGA, 1996). 3

19 Características e potencialidades das aglomerações de Software no Paraná undamentado no marco teórico que sustenta o tema e com a finalidade de desvendar o problema exposto, elaborou-se uma pergunta cuja resposta ajudará a alcançar o objetivo deste estudo: a Tecnologia da Informação pode prover a aprendizagem organizacional, propiciando um ambiente inovativo e favorável a mudanças, dentro de redes interorganizacionais complexas, como os arranjos produtivos locais, os sistemas produtivos e aglomerações produtivas? Os procedimentos metodológicos envolvem a revisão crítica da literatura sobre os temas abordados. O capítulo está estruturado em 6 partes, incluindo esta introdução. A seguir, apresentam-se: a complexidade e a aprendizagem organizacional; as redes interorganizacionais; a tecnologia de informação nas estruturas organizacionais complexas; as aglomerações e os arranjos produtivos locais; e as conclusões do capítulo. COMPLEXIDADE E APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL De acordo com Morin (1986), a complexidade está presente onde quer que se produza um conjunto de ações, interações e de retroações. Assim, a complexidade significa a multiplicidade, o entrelaçamento e a contínua interação da infinidade de sistemas e fenômenos que compõem o mundo natural. Uma das principais características desses fenômenos são as qualidades emergentes, que surgem, resultantes da interação de partes ou de indivíduos movidos segundo algumas poucas e simples regras locais. Assim, uma vez que certas condições estejam presentes, a ordem pode surgir de situações aparentemente caóticas. (AGOSTINHO, 2003). Segundo Morin (1977), os sistemas vivem em constante oscilação dentro do anel tetralógico de ordem/desordem/interação/organização, conforme verifica-se na igura 1: 4

20 A tecnologia da informação como condutora de inovação em aglomerações produtivas IGURA 1 - O anel tetralógico onte: Adaptado de Morin (1977) Nesse anel tetralógico, a partir de um momento de desordem, os indivíduos, por intermédio das interações, provocam uma nova ordem da organização e assim sucessivamente. Os conceitos de ordem e de organização só se desenvolvem em função um do outro. Quanto mais a ordem e a organização se desenvolvem, mais se tornam complexas, mais toleram, mais utilizam e necessitam até da desordem. (MORIN, 1977). Nesse contexto, cabe considerar os Sistemas Adaptativos Complexos (SAC s), que existem na dialógica entre a ordem e a desordem. Esses sistemas aprendem e evoluem de maneira adaptativa, ou seja, registram informações para extrair regularidades, inserindoas dentro de esquemas que são continuamente mudados à luz da experiência. (STACEY,1996). Conforme afirma Klement (2000, p.6), [...] ordem, desordem e organização não são lineares, nem mutuamente excludentes. Estas noções interagem dialogicamente, isto é, se relativizam continuamente, mantendo o sistema em atividade. Sob o ponto de vista da complexidade, as organizações podem ser vistas como um fenômeno que emerge da ação e da interação dos agentes componentes de um sistema. Perceber estas organizações como SAC s favorece a busca de soluções para os problemas advindos da crescente complexidade do cenário mundial contemporâneo. Abandona-se, assim, a linearidade herdada do modelo mecanicista, que enfatiza a subdivisão do sistema em suas partes, em favor de uma visão mais integrada, em que a solução vem da dinâmica do sistema como um todo e emerge daí, não da soma das ações isoladas das partes. (NOBREGA, 1996). 5

21 Características e potencialidades das aglomerações de Software no Paraná Uma das formas de verificação da complexidade nas organizações pode advir do fato de quando que as atividades que não estavam na rotina de trabalho vêm à tona e forçam os seus integrantes a buscarem uma solução. As pessoas detectam a não-linearidade e trabalham, por meio de interações, em busca de uma solução. Nesse contexto, verifica-se que as organizações são capazes de se estruturarem, característica esta fortemente atribuída aos SAC s. Para Agostinho (2003, p.6): A possibilidade de auto-organização surge uma vez que os numerosos agentes que compõem o sistema são elementos vivos. Eles têm autonomia para orientarem suas ações de acordo com o que apreendem de sua interação com o ambiente. Stacey (1996) já considerava tais aspectos ao destacar um SAC como um sistema que consiste de um grande número de componentes ou agentes, os quais se comportam de acordo com seus próprios princípios de interação local, num processo de auto-organização. Uma das características principais de um SAC é o fato de ser um sistema aberto, uma vez que há um contínuo fluxo de entrada e saída (seja de matéria, energia ou informação) entre o ambiente e o sistema. Stacey (1996) argumenta que os sistemas abertos necessitam de uma forma de aprendizagem diferente daquelas encontradas em sistemas fechados e que o caos e a instabilidade dentro dos sistemas podem colaborar no desenvolvimento de insights na resolução dos problemas. Usando esquema representativo de suas ideias, Argyris e Schon (1978) afirmam que uma das barreiras à frente da aprendizagem é a tendência do sistema de focar o aprendizado no circuito simples (single-loop) ao invés do circuito duplo (double-loop), como mostra a figura 2. IGURA 2 - Circuito simples e circuito duplo de aprendizado onte: Adaptado do modelo apresentado por Argyris e Schon (1978) Recorrendo ao esquema representativo de Argyris e Schon (1978), considera-se que, no circuito simples, as estratégias são definidas de acordo com o modelo mental do sistema, não se criando dessa maneira inovação, uma vez que apenas repetem-se práticas 6

22 A tecnologia da informação como condutora de inovação em aglomerações produtivas consideradas adequadas. Para Argyris e Schon (1978), a saída é a utilização de outra forma de aprender que conduz à inovação daquilo que está sendo sistematicamente praticado. No circuito duplo ocorre um processo de reflexão sobre a alteração do modelo mental que impele o primeiro circuito, e, desta maneira, as variáveis do paradigma vigente são questionadas. Já Stacey (1996) acredita que o conhecimento obtido com a experiência é reproduzido pelo agente e por aqueles que aderem à experiência. Complementando, adverte que a aprendizagem em circuito simples é apropriada para lidar com situações previsíveis bem definidas, mas é necessária a aprendizagem em circuito duplo nas situações ambíguas e imprevisíveis das quais emergem as inovações. Nobrega (1996) também corrobora tais ideias e acrescenta que os sistemas complexos aprendem, se auto-organizam e evoluem pela habilidade de processar a informação que chega de fora. Agostinho (2003) identifica a adaptação como sendo a propriedade básica dos SAC s, no sentido de que o sistema é capaz de ajustar seu comportamento a partir do que consegue perceber sobre as condições do seu meio ambiente e desempenho: São organizações em rede formadas por inúmeros agentes, os quais são elementos ativos e autônomos, cujo comportamento é determinado por um conjunto de regras e pelas informações a respeito de seu desempenho e das condições do ambiente imediato [...] O comportamento global do sistema emerge, então, como efeito da combinação das interações (não-lineares) entre os diversos componentes. (AGOSTINHO, 2003, p.29) Para Agostinho (2003, p.9), a aprendizagem ocorre a partir do momento em que o indivíduo é capaz de [...] observar as conseqüências do seu comportamento e ajustar seus atos para atingir os propósitos desejados. A capacidade de aprendizado pode resultar da existência de canais de comunicação eficientes concomitante à capacidade de prever teoricamente as consequências de suas ações, sem que haja uma experiência empírica. No entanto, salienta-se que o potencial de aprendizagem só é desenvolvido quando o indivíduo tem autonomia para colocar seu julgamento em ação. Tomando por base o funcionamento dos SACs, Agostinho (2003) elege quatro conceitos-chave que definem a abordagem das organizações, que são: autonomia, cooperação, agregação e auto-organização. São conceitos fortemente entrelaçados que indicam como a ordem no sistema pode emergir por meio das ações de suas partes, relacionando-se da seguinte maneira: 7

23 Características e potencialidades das aglomerações de Software no Paraná Indivíduos autônomos, capazes de aprender e de se adaptarem, cooperam entre si obtendo vantagens adaptativas. Tal comportamento tende a ser selecionado e reproduzido, chegando ao ponto em que estes indivíduos cooperativos se unem formando um agregado que também passa a comportarse como um indivíduo e assim por diante. Diz-se, então, que o sistema resultante se auto-organiza, fazendo emergir um comportamento global cujo desempenho também é avaliado por pressões de seleção presentes no ambiente (externo e interno). (AGOSTINHO, 2003, p.36) A autonomia é definida como [...] a faculdade do indivíduo orientar sua ação com base em sua própria capacidade de julgamento. (AGOSTINHO, 2003, p.9). A autonomia dos componentes faz com que o sistema seja extremamente flexível e robusto em relação às perturbações externas. Por intermédio de princípios autônomos, as ações dos colaboradores que interagem no sistema agem como estímulo e restrição mútuos, ocasionando influências nos processos decisórios. A autonomia, por si só, não garante um bom desempenho do sistema. Conforme Agostinho (2003, p.65): É necessário que haja cooperação mútua e coordenação para que seja possível que o conjunto de ações de vários indivíduos autônomos convirja para o benefício do sistema. Agostinho (2003), acrescenta, ainda, que, além da cooperação, existe a necessidade de coordenação. O autor observa que a coordenação consiste em um processo de informar cada indivíduo acerca do comportamento planejado dos outros. Tal afirmação remete a uma das premissas básicas necessárias à evolução da cooperação: a capacidade de reconhecimento das estratégias dos demais indivíduos. Cabe também salientar que um dos pilares da cooperação é a reciprocidade. Para Agostinho (2003, p.64), esta só irá ocorrer caso [...] cada indivíduo seja capaz de reconhecer o outro das interações passadas e lembrar como este se comportou. A autonomia garante aos indivíduos o poder de julgar as ações como forma de conduzir seus atos. A cooperação estabelece relações entre os indivíduos que proporcionam benefícios por intermédio da ajuda mútua. Sendo assim, a agregação surge como forma de tornar um sistema mais representativo do que um conjunto de partes e uma equipe mais do que um amontoado de pessoas. Agostinho (2003) afirma que, por intermédio de uma espécie de rotulagem, um indivíduo é capaz de reconhecer com quem ele poderá obter benefícios mútuos, selecionando as interações úteis. Contudo, existe um aspecto muito interessante que diferencia as organizações sociais humanas dos demais sistemas complexos adaptativos, que é a consciência humana. O ser humano usufrui da racionalidade que o torna capaz de utilizar 8

24 A tecnologia da informação como condutora de inovação em aglomerações produtivas maiores ou menores poderes de influência. Desta maneira, os indivíduos são capazes de reconhecer as conexões em que ocorrem os fluxos mais relevantes, bem como identificar os pontos com maior ou menor efeito multiplicador. Ao atuarem desta forma, os gestores fazem emergir condições iniciais que ocasionam o sistema auto-organizante. Agostinho (2003) elucida que o ser humano, ao receber sinais e informações do ambiente, identifica determinados padrões de forma, sistematizando um modelo que o proporciona a previsão das consequências, caso um padrão semelhante ocorra novamente. Neste sentido, quando há a eminência de uma nova situação, os indivíduos realizam uma combinação de experiências testadas em momentos anteriores para modelar a situação em que se encontra de uma maneira que sugere ações apropriadas bem como suas consequências. REDES INTERORGANIZACIONAIS O estudo de Redes Interorganizacionais tem despertado interesse crescente dos mais diversos campos de conhecimento, como Economia, Sociologia, Ciência Política e Empreendedorismo. Três razões são apontadas para este aumento: emergência da nova competição; surgimento das tecnologias de informação e de comunicação; e análise de redes como disciplina acadêmica. As redes também promovem ambiente favorável ao compartilhamento de informações, de conhecimentos, de habilidades e de recursos essenciais para processos de inovação. Originalmente, o termo rede refere-se a um pequeno filet, para pegar pássaros ou caça miúda. A partir do século XVI, designa, de maneira mais ampla, uma peça em forma de rede com malhas mais ou menos largas e, por analogia, um tecido formado de pequenas malhas chamado, mais tarde, de arrastão. Paralelamente, o sentido figurado da palavra rede afirma-se a partir do século XVII como um conjunto de coisas abstratas que prendem o indivíduo pouco a pouco. (MARCON; MOINET, 2001). Se a noção dinâmica não fica clara no francês, filet, ela o é em inglês, visto que rede traduz-se por network. A rede é, literalmente, uma rede que trabalha, a net that works. Em alemão, das Netz significa igualmente rede e redes, o sentido dependerá do contexto. Na segunda metade do século XIX, aplica-se este conceito a um conjunto de pessoas ligadas entre si, direta ou indiretamente. Nas ciências sociais aplicadas e nas ciências humanas, rede ou network designa um conjunto de pontos comunicantes entre si. (MARCON; MOINET, 2001). A ideia é abstrata no campo organizacional e compõe-se por recursos e informações. Nota-se esta percepção 9

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