CONFEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS E EMPRESARIAIS DO BRASIL - CACB

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1 CONFEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS E EMPRESARIAIS DO BRASIL - CACB OS LIMITES DA AUTONOMIA DA VONTADE KÉLVIN WESLER SANTANA BAUER Primavera do Leste/MT 2014/1

2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO SOCIEDADE, DIREITO E CONFLITOS ARBITRADEM PRINCIPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE CONCLUSÕES REFERÊNCIAS... 09

3 INTRODUÇÃO Sabemos que a sociedade enfrenta diversos problemas com relação ao acessoa à justiça, sobretudo em razão da morosidade e do acúmulo de processos que o poder jurisdicional do Estado e possui. Eis que vem sendo difundindo na comunidade, meios alternativos para solução de conflitos com maior celeridade, como a conciliação, a mediação e arbitragem. No presente estudo será feita uma abordagem geral da arbitragem no ordenamento jurídico brasileiro, de forma dinâmica e clara, com foco principal na autonomia da vontade.

4 2 SOCIEDADE, DIREITO E CONFLITOS Hodiernamente, há na sociedade profusão de valores e conceitos, sendo comum que, com a diversidade de culturas existentes, aspectos econômicos, sociais, políticos, entre outros, gerassem naturais conflitos em nosso meio. Há então, a necessidade do Estado em Estado fixar normas gerais e abstratas de condutas dirigidas a todos os cidadãos, com a finalidade de manter a convivência estável e pacífica. Neste sentido, é apropriada a orientação de Candido Rangel Dinamarco 1, que assim preleciona: A tarefa da ordem jurídica é exatamente a de harmonizar as relações sociais intersubjetivas, a fim de ensejar a máxima realização dos valores humanos com o mínimo de sacrifício e desgaste. O critério que deve orientar essa coordenação ou harmonização é o critério do justo e do eqüitativo, de acordo com a convicção prevalente em determinado momento e lugar. Ocorre que, por diversos motivos, sobressaltando aqui a burocracia, alguns países sofrem com demora da atuação direta do Estado na solução dos conflitos, de modo que surgem formas alternativas de solução de conflitos, destacando-se então a arbitragem. 3 ARBITRAGEM É amplamente aceito que o instituto jurídico da arbitragem ocorre quando um terceiro resolve o litígio que opõem duas ou mais partes, exercendo a missão jurisdicional que lhe é conferida pelas partes (Ch. Jarrosson, La notion d arbitrage, Paris, LGDJ, 1987, Nº 785). O Professor Irineu Strenger, com a maestria que lhe é costumeira, assim conceitua o instituto aqui debatido: 1CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; DINAMARCO, Cândido Rangel; GRINOVER, Ada Pellegrini. Teoria Geral do Processo. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 25.

5 Arbitragem é instância jurisdicional praticada em função de regime contratualmente estabelecido, para dirimir controvérsias entre pessoas de direito privado e/ou público, com procedimentos próprios e força executória perante tribunais estatais. (Irineu Strenger, Comentários à lei brasileira de arbitragem, São Paulo, LTR, 1998, p.16.) Podemos dizer que a arbitragem possui origem contratual, com uma natureza mista: privada e pública. Ela é privada pela sua origem convencional, fundamentada no princípio da autonomia da vontade das partes e pública pela sua função jurisdicional de resolver o litígio. Passamos a abordar o princípio da autonomia da vontade e seus limites. 4 PRINCIPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE No instituto aqui debatido reina a liberdade e a autonomia da vontade, que reside na faculdade de as partes escolherem consensualmente as regras de direito a serem aplicadas na solução de seus conflitos. Há então duas as espécies de arbitragem: a de equidade, que é a ideia da justiça no caso concreto, podendo o árbitro aplicar a solução que lhe convier mais razoável; ou de direito,em que os litigantes podem livremente escolher as normas que serão utilizadas pelo árbitro ou determinarão que se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos, costumes, ou em regras internacionais de comércio. A limitação a essa liberdade e autonomia, imposta pela lei, é o respeito aos bons costumes e à ordem pública, que de maneira alguma poderão ser ameaçados ou lesados pelos litigantes, na escolha das regras aplicáveis. Os bons costumes são regras sociais formadas pela consciência ética e moral da sociedade e que são comumente aceitas. A manifestação de vontade do contratante há de ser livre, séria e com o propósito de contratar in concreto, pois A declaração de vontade há de ser emitida em correspondência ao conteúdo do contrato que o declarante tem em vista, atento ao fim que o move a contrata. Além disto, a vontade manifestada pelos contratantes possui a característica de ser autônoma,

6 porém não ilimitada, conforme passaremos a expor asseguir. Na lição de Sílvio VENOSA (2003, p. 375), a liberdade de contratar pode ser analisada em dois aspectos: escolha do conteúdo do contrato; e escolha da modalidade do contrato. Para nosso estudo, interessa-nos focar a autonomia da vontade na escolha do objeto, do conteúdo do contrato. Todavia, como decorrência natural de uma vida em sociedade, esta autonomia sofre limitações. Assim, Não há, portanto, um caráter absoluto no poder de auto-regramento da vontade, mas apenas um permissivo que o sistema jurídico outorga as pessoas. Destarte, torna-se inevitável o questionamento de quais seriam as limitações impostas à autonomia da vontade contratual. A doutrina civilista responde a pergunta indicando dois vetores: ordem pública e bons costumes. No entanto, a dificuldade de conceituação de tais limitações, estando às mesmas em constantes mutações devido à suscetibilidade de utilidade social destes conceitos. Porém, a definição de ordem pública como aquela que fixa as bases jurídicas fundamentais sobre as quais repousa a ordem econômica ou moral de determinada sociedade e leciona que bons costumes são a projeção de regras morais no terreno jurídico, mas não se confunde com a moral. Com efeito, os limites da autonomia da vontade contratual, ordem pública e bons costumes, são normas cogentes prescritas pelo direito positivo que integram a disciplina dos contratos, limitando a ação livre do declarante, com o escopo de evitar a perturbação do grupo social. Desta forma, as limitações da autonomia da vontade barram a liberdade de ação individual ordenando ou impedindo dados comportamentos sem deixar aos particulares a liberdade de derrogá-los por pactos privados.

7 CONCLUSÃO Constata-se que para a validade jurídica do contrato deve estar presente uma série de elementos indispensáveis, nos termos previstos pelo ordenamento jurídico. Ademais, ressalte-se que a liberdade contratual esbarra nos princípios de ordem pública e bons costumes, a fim de preservarem os indivíduos e a sociedade. Assim, pode-se observar que o Estado deve negar validade jurídica aos contratos estabelecidos sem o devido respeito aos limites da liberdade contratual, fulminando o ato negocial, invariavelmente, com o efeito da nulidade.

8 BIBLIOGRAFIA CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; DINAMARCO, Cândido Rangel; GRINOVER, Ada Pellegrini. Teoria Geral do Processo. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 25. Irineu Strenger, Comentários à lei brasileira de arbitragem, São Paulo, LTR, 1998, p.16. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: teoria geral das obrigações e teoria geral dos contratos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

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