UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA CENTRO DE ARTES CEART DESIGN HABILITAÇÃO DESIGN GRÁFICO DIOGO ASSINO

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1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA CENTRO DE ARTES CEART DESIGN HABILITAÇÃO DESIGN GRÁFICO DIOGO ASSINO SINALÉTICA URBANA: COMUNICAÇÃO VISUAL PARA OTIMIZAÇÃO DAS MENSAGENS IMPRESSAS NO CONTEXTO DOS FLUXOS NO ESPAÇO URBANO FLORIANÓPOLIS, SC 2011

2 DIOGO ASSINO SINALÉTICA URBANA: COMUNICAÇÃO VISUAL PARA OTIMIZAÇÃO DAS MENSAGENS IMPRESSAS NO CONTEXTO DOS FLUXOS NO ESPAÇO URBANO Trabalho de Conclusão apresentado ao Curso de Design Gráfico, do Centro de Artes, Universidade do Estado de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Design Gráfico. Orientador: Prof. MSc. João Calligaris Neto. FLORIANÓPOLIS, SC 2011

3 DIOGO ASSINO SINALÉTICA URBANA: COMUNICAÇÃO VISUAL PARA OTIMIZAÇÃO DAS MENSAGENS IMPRESSAS NO CONTEXTO DOS FLUXOS NO ESPAÇO URBANO Trabalho de Conclusão de Curso aprovado no Curso de Design Gráfico, do Centro de Artes, da Universidade do Estado de Santa Catarina, apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel, área de concentração Design Gráfico. Banca Examinadora: Orientador: Prof. MSc. João Calligaris Neto Universidade do Estado de Santa Catarina Membro: Prof. Dr. Murilo Scóz Universidade do Estado de Santa Catarina Membro: Prof. Dr. Célio Teodorico dos Santos Universidade do Estado de Santa Catarina Florianópolis, Santa Catarina, / /

4 AGRADECIMENTOS A Deus, em primeiro lugar, por mesmo às vezes o tendo ignorado, sempre me acolheu e me amparou como filho, permitindo a conquista de mais esta etapa em minha vida; Aos meus pais, familiares e à minha namorada; Aos meus amigos; Ao meu orientador, Prof. MSc. João Calligaris Neto, que contribuiu com extrema eficácia e vasta experiência, prestando suporte sempre que solicitado a esta pesquisa; A todos os professores e colegas do curso de Design Gráfico; trabalho. A todos aqueles que, direta, ou indiretamente, contribuíram para a realização deste

5 Amar e criar a beleza são as condições elementares da felicidade. Uma época que não o almeja permanece imatura visualmente; sua imagem é disforme, suas manifestações artísticas não são capazes de elevar-nos. (Walter Gropius)

6 5 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Pictogramas sumérios Figura 2: Pictogramas egípcios Figura 3: Signos que concorrem para formar pictogramas Figura 4: Pictogramas Figura 5: Signos que representam ideogramas Figura 6: Logotipo da banda Blockheads Figura 7: Placa de Parque Jardim Zoológico Figura 8: Comunicação visual de posto de combustível na Alemanha Figura 9: Esquema semiótico dos símbolos da sinalética segundo Joan Costa Figura 10: Bandeira do Japão Figura 11: Imagem da Coca-Cola Figura 12: Placa indicativa da Nissan Figura 13: Placa na Rodovia GO Figura 14: Imagem de sinalização de advertência Figura 15: Ícone da Apple Figura 16: Ícone do Mozzila Figura 17: Placa de prostitutas Figura 18: Evolução do logotipo da AEG Figura 19: Logo turístico da Argentina Figura 20: Logo turístico da Austrália Figura 21: Marca Brasil turismo Figura 22: Marca territorial do Governo Federal Figura 23: Imagem de táxi em Nova York Figura 24: Pôster do filme Taxi driver Figura 25: Faixa de pedestre Figura 26: Imagem de grafite e pichação se contrapondo Figura 27: Placa, animal selvagem Figura 28: Placa, animal selvagem Figura 29: Placa, animal na pista Figura 30: Placas indicativas de serviços auxiliares nas rodovias Figura 31: Pictogramas do DOT... 40

7 Figura 32: O clássico homem vitruviano de Leonardo da Vinci Figura 33: Pregnância da forma Figura 34: Fechamento Figura 35: Pregnância da forma Figura 36: Calçada para deficiente visual Figura 37: Sinalização Braile Figura 38: Marilyn Monroe Figura 39: Veículo da Mitsubishi Figura 40: Símbolo da luta conta a AIDS Figura 41: Símbolo da luta contra o câncer de mama Figura 42: Diferentes níveis de abstração para o símbolo da paz Figura 43: Logos da Apple Figura 44: Logo da Apple Figura 45: Sintática, semântica e pragmática Figura 46: Elementos básicos da linguagem visual gráfica Figura 47: Exemplo de utilização de contraste Figura 48: Semáforo Figura 49: Primeiro Mc Donald s da história Figura 50: 1ª loja com conceito Drive Thru incorporado Figura 51: Logo do Mc Donald s em Florença Figura 52: Imagem da Havan em Brusque Figura 53: Logo do Mc Donald s em Brusque Figura 54: Pedras simbolizando Mickey em Animal Figura 55: Casa de passarinho com símbolo do Mickey Figura 56: Placa de sinalização no Parque da Disney Figura 57: Placa de sinalização no Parque da Disney Figura 58: Panorama do quarto de hotel em Orlando Figura 59: Toalhas em hotel com silhueta do Mickey Figura 60: Trem da Disney em Hong-Kong Figura 61: Trem da Disney em Hong-Kong Figura 62: Propaganda da Maxtour Figura 63: Símbolo da Nike Figura 64: Sinalização do Zoológico de Temaikén... 60

8 Figura 65: Placa para o Zoo de Buenos Aires Figura 66: Imagens da sinalização urbana de Buenos Aires Figura 67: Imagem do sistema BRT Figura 68: Imagem do sistema BRT Figura 69: Desenho anterior da calçada de Copacabana Figura 70: Atual desenho da calçada em Copacabana Figura 71: Ônibus estilizado por João de Deus Figura 72: Ônibus estilizado por João de Deus Figura 73: Ônibus da Viação Cidade do Aço Figura 74: Ônibus da Viação Cidade do Aço Figura 75: Ônibus da Viação Itapemirim Figura 76: Ônibus da Viação Itapemirim Figura 77: Piso padrão desenvolvido por Mirthes dos Santos Pinto para as calçadas de São Paulo, Figura 78: O cartão da Absolut para São Paulo Figura 79: Sinalização e mobiliário urbano da Avenida Paulista Figura 80: Exemplo de sinalização denotando poluição visual... 71

9 8 RESUMO Com o crescimento avassalador das cidades, de maneira geral, o inchaço e as conurbações entrelaçadas insustentáveis das metrópoles, assim como o surgimento da necessidade de uma reformulação e reestruturação das cidades de médio porte, que clamam por um planejamento urbano estratégico, eficaz e urgente, a fim de solucionar ou minimizar o caos urbano instaurado, é que surge a importância do papel do designer no emaranhado ignorado da sociedade contemporânea. Muitas vezes, esse papel vem alicerçado pelo olhar transfundido do arquiteto e urbanista no pensar do espaço físico e na mobilidade individual e coletiva do meio urbano onde vive a maioria das pessoas. A missão característica do designer diante dos fatos reais apresentados, está justamente na otimização da configuração das informações cotidianamente inseridas, disseminadas, e organizadas sistematicamente, de modo a cumprir um papel de cunho orientador, manifestando a vontade e o compromisso com a ordem e a harmonia. Esta pesquisa tem o caráter provocativo de induzir o leitor a uma reflexão acerca da existência de uma trama complexa de um processo sinalético, contrapondo-se ao conceito de sinalização já existente dentro da comunicação visual. Palavras-chave: Sinalização, comunicação visual, sinalética, síntese gráfica, sinal.

10 ABSTRACT With the overwhelming growth of the cities, in general, the swelling and the unsustainable intertwined conurbations of the metropolises, well as the need of reformulation and restructuring of the medium sized cities, that claim for a strategic urban planning, effective and urgent, to resolve or minimize the established urban chaos, there arises the important role of the designer in ignored matted of the contemporary society. Many times, this role is grounded by transfused look of the architect and planner thinking in the physical space, in individual and collective mobility of the urban environment where the most people live. The characteristic mission of designer face the real facts presented, is exactly in the optimization of the configuration of the information daily inserted, disseminated, and systematically organized, in order to fulfill a role of adviser nature, expressing the intention and the commitment to the order and harmony. This research has the provocative character to induce the reader to reflect about the existence of a complex plot of a signaling process, in opposition to the concept of existing signage inside the visual communication. Keywords: Signaling, visual communication, signage, graphic synthesis, signal.

11 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO OBJETIVOS Objetivo geral Objetivos específicos JUSTIFICATIVA ESTRUTURA DO TRABALHO SINALIZAÇÃO AMBIENTAL BREVE HISTÓRICO DO DESIGN GRÁFICO PICTOGRAMA IDEOGRAMA CONCEITUAÇÃO DE SINALIZAÇÃO E SINALÉTICA A finalidade do design de sinais Sinalização Sinalética Classificação das mensagens gráficas Sinalização digital IDENTIDADE CORPORATIVA Branding empresarial: o caso AEG Branding territorial COMUNICAÇÃO VISUAL MODO VISUAL ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO VISUAL A comunicação visual no espaço urbano A comunicação visual e o fator humano Escala Relações dos sinais com o usuário e a Ergonomia visual ANATOMIA DA MENSAGEM VISUAL Nível representacional Nível simbólico Nível abstracional TÉCNICAS VISUAIS APLICADAS Sintática, semântica e pragmática...48

12 3.4.2 Cores e contraste VARIAÇÕES DE CASO ILUSTRADAS DE APLICAÇÕES SINALÉTICAS O CASO MC DONALD S O CASO WALT DISNEY O CASO NIKE O CASO DA CIDADE DE BUENOS AIRES CASOS DE CIDADES DO BRASIL O caso da cidade de Curitiba (BRT) O caso da calçada de Copacabana, Rio de Janeiro Arquiteto João de Deus e a frota urbana Casos da cidade de São Paulo A composição de Mirthes dos Santos Pinto Sinalização da Avenida Paulista Lei Cidade Limpa A POLUIÇÃO VISUAL Fatores que provocam a poluição visual Propostas e sugestões para evitar a poluição visual MATERIAL E MÉTODOS CONSIDERAÇÕES FINAIS ESTUDOS FUTUROS...75 REFERÊNCIAS...76

13 12 1 INTRODUÇÃO Na sociedade atual, tudo que cerca o homem remete a signos, sinais e símbolos. Quando se caminha pelas ruas, rodovias, quando se entra em uma indústria, em um estabelecimento comercial ou numa área de lazer, o que se vê são logotipos, placas, figuras, enfim, mensagens que tem a proposta de fazer com que o usuário se oriente naquele espaço de ação. A comunicação visual do sistema sinalético de informação estabeleceu, para cada signo visual, um componente compositor do sistema, um pictograma específico, que faz referência a algum conceito relacionado às características presentes no entorno deles, como por exemplo, fatos históricos, elementos imagéticos, atividades, elementos de identidade, ambientais, culturais, arquitetônicos, que tenham força em termos de significado. Estes pictogramas têm a finalidade de gerar reconhecimento por parte do público urbano. Como eles sempre vêm associados ao código linguístico, atuam como reforço do entendimento da informação. E ainda podem estabelecer uma cognição para permitir a orientação até por parte dos usuários iletrados. A sinalética é a ciência dos sinais no espaço, que constituem uma linguagem instantânea, automática e universal, cuja finalidade é resolver as necessidades informativas e orientativas dos indivíduos itinerantes numa situação (COSTA 1987 apud MAYRÓN, 2006, p. 8). A ausência de um adequado sistema de sinalização urbana pode fazer com que um usuário gaste seus esforços em direções incorretas, implicando perda de tempo e gasto de energia. Da mesma forma, os transeuntes necessitam otimizar seu tempo quando buscam uma informação e, neste aspecto, quanto melhor o projeto sinalético, maior será a facilidade e a exatidão com que eles se orientam no espaço. Atualmente, vive-se numa verdadeira aldeia global, onde tudo está mapeado. As distâncias estão sendo continuamente encurtadas pela tecnologia. A crescente acessibilidade aos meios de transporte - entre eles o automóvel e o avião - tem levado a um maior volume de deslocamento e tráfego de veículos e pedestres entre cidades, e mesmo entre os países. O trânsito urbano, por outro lado, tem sofrido as consequências da produção em massa dos veículos, ocorrendo os inevitáveis congestionamentos. Por isso, há a necessidade de criação de um sistema sinalético cada vez mais facilmente decifrável, por qualquer usuário, de qualquer local do planeta.

14 13 No decurso deste trabalho, serão apresentadas diversas aplicações da sinalética no cotidiano dos usuários. Qualquer projeto básico no campo do design deve seguir duas premissas: forma e função. Para cumprir estes requisitos, entra a ciência do Design mesclando conhecimentos multidisciplinares, inclusive a Arquitetura, mais especificamente a comunicação visual, que aborda a concepção de espaço e forma. Desta forma, a proposta desta pesquisa é causar uma reflexão ao leitor interessado neste tema e agregar repertório para uma possível demanda de projeto no campo da comunicação visual. 1.1 OBJETIVOS Objetivo geral Provocar no leitor uma reflexão acerca da importância da sinalética, para uma objetiva orientação dos indivíduos no espaço urbano, destacando a importância da mensagem gráfica inserida na contextualização espacial urbana Objetivos específicos Apresentar elementos do design ambiental; Descrever elementos da comunicação visual, inerentes ao design de sinalização; Apontar aplicações de casos de referência na história do design ambiental; Destacar situações que caracterizem poluição visual. 1.2 JUSTIFICATIVA Dadas questões relacionadas ao desenvolvimento das cidades, a sinalização urbana possibilita uma maior dinâmica nos fluxos urbanos. Para tanto o designer gráfico encontra uma trama complexa de códigos e sinais onde o desafio é propor uma melhor harmonia. Além da estética, a sinalização tem a função de fazer o usuário se situar no espaço urbano. Outra questão a ser abordada para se justificar a escolha desta temática é a escassez de literatura sobre o assunto. A despeito de a sinalética já fazer parte da vida do ser humano desde épocas que datam a. C. - mesmo que os povos antigos não tivessem ainda noção desse conceito - pouco se tem escrito sobre o tema. Neste sentido, a pesquisa de bibliografia - dentro das limitações já expostas - e a orientação recebida da instituição de ensino permitiram que se

15 14 estruturasse o trabalho estabelecendo uma conexão entre os diversos símbolos existentes no vasto universo de mensagens que nos cerca e a teoria da sinalética e comunicação visual urbana. 1.3 ESTRUTURA DO TRABALHO Após definição dos objetivos, apresentam-se os capítulos sobre os quais estará estruturado este trabalho: Capítulo 1: este capítulo aborda uma introdução ao tema, o objetivo geral, os objetivos específicos, a justificativa para escolha do tema e a sua estruturação; Capítulo 2: este capítulo apresenta a fundamentação teórica com os seguintes temas: a) ideograma; b) pictograma; c) sinalização e sinalética; d) identidade corporativa, empresarial e territorial. Capítulo 3: este capítulo traz a fundamentação teórica, onde se aborda a comunicação visual, com os seguintes temas: anatomia da mensagem visual, com representacional, simbólica e abstracional; elementos da comunicação visual, relação urbana, relação humana, escala e cores/contraste, e imagem gráfica. Capítulo 4: neste capítulo apresentam-se exemplos de caso, entre eles destacam-se o Mc Donald s, o Walt Disney e o caso da cidade de São Paulo. Capítulo 5: este capítulo descreve os materiais e métodos utilizados nesta pesquisa. Capítulo 6: este capítulo apresenta as considerações finais e os estudos futuros.

16 15 2 SINALIZAÇÃO AMBIENTAL 2.1 BREVE HISTÓRICO DO DESIGN GRÁFICO De acordo com Aynsley (1998 apud VIEIRA, 2002, p. 17), as palavras mudam de uso e sentido com o tempo. A expressão Design Gráfico não é exceção, embora o conceito de Design Gráfico seja ainda bastante recente, na antiguidade os homens já o praticavam, embora disso não tivessem consciência. Na Roma antiga, por exemplo, já se fazia publicidade e muitos autores entendem que os pictogramas nas paredes de cavernas, datados de até a.c., correspondem a uma tentativa de linguagem visual (AYNSLEY, 1998 apud VIEIRA, 2002). No entanto, a expressão Design Gráfico só vem sendo utilizado recentemente, conforme cita Heller (2000 apud VIEIRA, 2002, p. 17): Dwiggins menciona pela primeira vez o termo Design Gráfico em seu artigo New Kinds of Printing Calls for New Design, publicado no Boston Evening Trasncript, na data de 29 de agosto de 1922, que tratava do trabalho com tipos, tipografia, página e publicidade como atividades do designer. Ao expressar a ligação entre design, cultura e sociedade, Coelho (2008, p. 61) afirma que essa relação: pode ser observada a partir da própria experiência empírica. Primeiro porque design é uma atividade que configura objetos de uso e sistemas de informação e, como tal, incorpora partes dos valores culturais que a cerca, ou seja, a maioria dos objetos de nosso meio é, antes de tudo, a materialização dos ideais e das incoerências da nossa sociedade e de suas manifestações culturais, assim como por outro lado, anúncios de novos caminhos. Segundo, porque o design, entendido como matéria (ou energia) conformada, participa da criação cultural, ou seja, o design é uma práxis que confirma ou questiona a cultura de uma determinada sociedade, o que caracteriza um processo dialético entre mímese e poese. Em outras palavras, o design tem assim natureza essencialmente especular, como anúncio, quer como denúncia. O uso de pictogramas remonta há alguns milênios a.c. Mesmo que como tal não o denominassem, sumérios - um povo que viveu na Mesopotâmia, há mais de quatro mil anos e a antiga civilização egípcia - com seus hieróglifos - já utilizavam um sistema de sinais como forma de comunicação. A figura 1 ilustra, por exemplo, pictogramas sumérios mais antigos, que tendem a apresentar uma expressão abstrata, por volta de a.c. (FRUTIGER, 2007, p. 95).

17 16 Figura 1: Pictogramas sumérios Fonte: Frutiger (2007, p. 95) Os pictogramas sumérios são considerados, universalmente como os primeiros exemplos de desenhos, que podem ser identificados como uma verdadeira escrita (FRUTGER, 2007). Outro povo que se notabilizou pela criação de símbolos identificando situações, ações, animais, pessoas, plantas, objetos, partes do corpo, entre outros foram os egípcios, com seus conhecidos hieróglifos, que nada mais são do que expressões daquilo que atualmente denominamos pictogramas. Já a figura 2, mostra alguns pictogramas egípcios, de aproximadamente a.c., claramente reconhecíveis [...] Hoje, a cultura da escrita egípcia deve ser considerada a base mais importante do alfabeto ocidental (FRUTIGER, 2007, p. 98)

18 17 Figura 2: Pictogramas egípcios Fonte: Frutiger (2007, p. 98) Após a apresentação de alguns pictogramas da antiguidade, representados pelos sumérios e egípcios, será apresentado no próximo tópico uma breve descrição do seu entendimento em termos de comunicação e conceituação. 2.2 PICTOGRAMA Alguns autores definem, a seguir, em seu entendimento, o conceito de pictograma. Orozco (2006, p. 40) menciona que a Dra. Marion Diethelm afirma em Signet, Signal, Symbol : pictograma é a imagem de um objeto real que, para responder às exigências de uma informação clara e veloz, é representada em forma tipicamente sintética. Outra definição de pictograma é apresentada por Krampen e Aicher (1981 apud OROZCO, 2006, p. 41): Um idioma consta de palavras faladas cujo significado está relacionado aos objetos ou às cirscunstâncias, e de uma gramática. A gramática regula a relação entre estas palavras, sua sucessão para obter, a partir de termos, uma mensagem coerente. Uma linguagem de signos também necessita de duas funções: os elementos semânticos que servem para a expressão de uma circunstância e sua função sintática. Assim quando

19 18 aparece um cigarro esfumaçando, associa-se à ação de fumar. Uma linha transversal significa proibição. Estes dois sinais, relacionados sintaticamente resultam em uma mensagem: proibido fumar. A compreensão de uma mensagem entre os participantes de um processo de comunicação tem lugar quando o emissor e o receptor utilizam os mesmos códigos, ou seja, quando se associam idênticos significados a um sistema de sinais determinado. Para Neves (2008, p. 5), um pictograma (do latim picto -pintado + grego graphe - caracter, letra) é um símbolo que representa um objeto ou conceito por meio de ilustrações. Já Costa (1989 apud NEVES, 2008, p. 5) define pictograma como um signo figurativo simplificado que representa coisas e objetos do meio envolvente: os pictogramas provêem dos antigos hieróglifos e são parte dos códigos funcionais atuais. Atualmente, o uso do pictograma tem sido muito frequente na sinalização de locais públicos, na infografia, e em várias representações esquemáticas de diversas peças de design gráfico (NEVES, 2008, p. 5). Nas últimas décadas, as vias de circulação na cidade e no campo, e até mesmo dentro de edifícios, foram construídos de forma tão densa, que um senso natural de direção não é mais suficiente para se chegar ao destino desejado, partindo-se de determinado local (FRUTIGER, 2007, p. 191). Neste contexto, fez-se necessária a criação de meios para orientar os usuários, sejam pedestres ou motoristas e motociclistas. Essa orientação acontece por meio de sinais que visam indicar a forma de atingir um determinado local - como as placas indicativas - ou pretendem que os usuários trafeguem com segurança, como no caso da sinalização de trânsito. Sem as inscrições e os sinais que indicam o sentido, qualquer tipo de locomoção é praticamente impossível. O surgimento constante de novos locais e caminhos e a utilização de novos meios de transporte, que precisam ser modernizados e automatizados continuamente, requerem a criação de sinais cuja imagem transmita instruções inequívocas (FRUTIGER, 2007, p. 191). Costa (1989 apud NEVES, 2008, p. 6) destaca que: O termo pictograma absorve outras variantes do signo icônico: ideograma e emblema, apesar das suas diferenças essenciais, pois se o pictograma é uma imagem analógica, o ideograma é um esquema de uma ideia, um conceito ou um fenômeno não visualizável e o emblema é uma figura convencional fortemente institucionalizada. A todos ele se denominou genericamente pictogramas. As figuras 3 e 4 ilustram as imagens de alguns pictogramas.

20 19 Figura 3: Signos que concorrem para formar pictogramas. Fonte: Neves (2008, p. 6) Na figura 3, a imagem A indica uma via reservada para automóveis; a imagem B, um aeroporto; a imagem C, um zoo; a imagem D, sanitários. A figura 4 mostra um sistema de pictogramas. Figura 4: Pictogramas Fonte: Slide do acervo do Centro de Artes da Udesc

21 IDEOGRAMA Ideograma pode definir-se como um signo abstrato que significa conceitos e fenômenos; os ideogramas provêem dos antigos hieróglifos e são parte dos códigos funcionais atuais (COSTA, 1998 apud NEVES, 2008, p. 5). A figura 5 ilustra imagem de signos que identificam ideogramas. A imagem A significa posto socorros; a imagem B, radioatividade; a imagem C, passagem permitida; a imagem D, passagem. Figura 5: Signos que representam ideogramas. Fonte: Neves (2008, p. 5) O ideograma é, então, um esquema de uma ideia, um conceito ou um fenômeno não visualizável (NEVES, 2008). Outro exemplo de ideograma (figura 6) é o idealizado, de acordo com Vieira (2008, p. 77), por Colin Fulcher, que adota o pseudônimo de Barney Bubbles, um dos principais talentos ingleses a adotar o Punk, é responsável pelo design da marca da banda Blockheads. Conforme Hollins (2000 apud VIEIRA, 2008, p. 77), é um ideograma impressionantemente criativo, que expressa com perfeição a agressividade espirituosa da banda. Bubbles era o único em sua capacidade de encontrar imagens para uma ideia verbal. Figura 6: Logotipo da banda Blockheads Fonte: Hollis (2000 apud NEVES, 2008, p. 77)

22 CONCEITUAÇÃO DE SINALIZAÇÃO E SINALÉTICA A finalidade do design de sinais O design de sinais é um processo que pode ser aplicado em vários ambientes, tais como as ruas, as indústrias, um shopping center, uma rodoviária, um aeroporto, entre outros. A finalidade é a orientação do usuário, possibilitando lhe respostas mais rápidas. A sinalização utilizada deve levar em conta o público-alvo e o local. O design dos elementos de sinalização busca a funcionalidade da informação oferecida por estes, com aplicações na empresa, mobiliário urbano, complexos residenciais, complexos industriais, entre outros. Suas formas, pictogramas e legendas deverão levar em conta o lugar onde estão localizadas e a quem são direcionadas. As vantagens de uma boa sinalização se traduzem na maioria das vezes em economia de tempo, tão importante em todos os aspectos da vida atual. A sinalização e a sinalética são trabalhos complexos e delicados, cada projeto tem desafios diferentes e distinto manejo da informação já que a reação dos usuários são diversas (OROZCO, 2006, p. 7). O sinal é definido, conforme Orozco (2006, p. 7, grifado), como marca, símbolo ou elemento utilizado para representar algo ou para distinguir o suporte sobre o qual se encontra; gesto ou ação para transmitir informação, uma ordem, um pedido, entre outros. Já Ferreira (2008, p. 740), define o sinal como [...] signo convencionado que serve para transmitir informação; símbolo ou dizeres, de orientação, advertência, entre outros, usado em vias públicas, aeroportos, entre outros.. O termo sinal pode ter significados muito diversos, no Design Gráfico utilizamos partindo de um ponto de vista mais específico para se referir a sinais que nos guiam quando vamos a algum lugar, seja a pé ou de bicicleta, de carro ou de transporte público. Estes sinais possuem uma longa história que se alastra desde os tempos romanos, e atualmente constituem elementos gráficos mais óbvios de muitas cidades (OROZCO, 2006, 7). Na mesma linha de pensamento, Frutger (2007) afirma que nas últimas décadas, as vias de circulação nas áreas urbanas e rural - e até mesmo os espaços no interior dos edifícios - foram construídos de maneira tão densa, que o antigo senso de direção natural que guiava os indivíduos já não é suficiente para fazer com que, saindo de um ponto de partida consiga, com facilidade, chegar ao seu destino. Sem os sinais e símbolos que indicam a direção e sentido corretos, a locomoção fica impossibilitada, e seria inimaginável conceber o funcionamento do trânsito urbano sem uma sinalização padrão, seria um verdadeiro caos. A expansão das vias e a modernização dos meios

23 22 de transporte demandam a criação e utilização de sinais cujas mensagens sejam facilmente compreensíveis (FRUTGER, 2007). A figura 7 apresenta uma sinalização utilizada no Parque Jardim Zoológico. Figura 7: Placa do Parque Jardim Zoológico Fonte: Slide do acervo do Centro de Artes da Udesc Sinalização A sinalização busca equacionar os problemas inerentes à localização e orientação dos indivíduos em um ambiente amplo, através da utilização de elementos gráficos que tem a finalidade de permitir rapidez e eficiência no fluxo de motoristas e transeuntes. Orozco (2006), ao abordar esta temática, menciona que a sinalização é uma área da comunicação visual que tem a finalidade de estudar as relações entre os signos - inseridos num ambiente - e o comportamento dos indivíduos. A sinalização busca atender às necessidades dos usuários, à sua orientação num lugar definido. O objetivo é agilizar e melhorar a acessibilidade aos serviços demandados, com o intuito de que haja um maior nível de segurança nas ações e deslocamentos. Matias (2002 apud GUIMARÃES; CUNHA, 2004, p. 44) lembra muito bem que a inadequação de uma sinalização pode comprometer a sua fonte de informação e que sua credibilidade é determinada pela forma com que o especialista em sua expertise usa o seu senso nesta informação propriamente. Orozco (2006, p. 87) afirma que: Existe um aumento no fluxo de indivíduos de procedências e níveis sócio-culurais muito diferentes. Mas este movimento demográfico tem caráter circunstancial, isto implica que o indivíduo se encontra constantemente frente a situações novas de organização e morfologia do espaço, o qual acarreta problemas no seu desenvolvimento e por consequência uma maior necessidade de informação e orientação. Por exemplo, usuários de diferentes nacionalidades, com sua diversidade linguística e cultural, níveis de alfabetização, componentes psicológicos, entre outros, reunidos em um determinado lugar: aeroporto, centro medico, administração pública. A sinalização representa uma forma de orientação para os usuários num determinado espaço. Neste sentido, Moraes (2004, p. 89) comenta que:

24 23 a orientabilidade de um ambiente começa com o conhecimento da tarefa. O usuário deve estar ciente do que vai executar e saber quais os locais deve ir. Depois disso, o ambiente deve fornecer para ele informações de onde se encontra e como chegar ao local desejado, ou seja, reconhecer tanto o ponto de origem quanto o destino. Essas informações vão contribuir com o usuário na definição e escolha do seu trajeto. Essa rede de informações fornecida pelo ambiente, a escolha do trajeto e a movimentação espacial. Todo esse processo é chamado por vários pesquisadores de wayfinding. Ao se reportar à importância da sinalização na comunicação, Redig (2004) comenta sobre a falta de eficácia das bulas de remédio como instrumento de comunicação, que servem para o emissor (laboratório), porém são de pouco prática para o receptor (o usuário do remédio). Por outro lado, o autor aponta a Sinalização de Trânsito, como um exemplo de informação analógica disseminada e útil, representando uma das pioneiras manifestações do Design de informação. Os seus parâmetros foram definidos na década de 1930 e, desde então tem servido de modelo para muitas outras áreas da comunicação visual. Orozco (2006) aponta, a seguir, algumas das principais características da sinalização: Tem por objetivo a regulação de fluxos humanos e motorizados no espaço externo. É um sistema determinante de condutas. O sistema é padronizado. Os sinais preexistem aos problemas itinerários. O código de leitura é conhecido a priori pelos usuários. Os sinais são materialmente organizados e homologados e se encontram disponíveis. É indiferente às características do entorno. Conclui-se por si mesmo Sinalética A sinalética é a ciência que estuda o emprego de signos gráficos para orientar as pessoas num determinado espaço e informar dos serviços que se encontram a sua disposição (OROZCO, 2006, p. 8). A sinalética contribui de uma forma eficaz na orientação de pessoas e bens num determinado território. É uma disciplina da ciência da comunicação visual que estuda as relações funcionais entre os signos de orientação no espaço e os comportamentos dos indivíduos. Ao mesmo tempo, é a técnica que organiza e regula estas relações (COSTA, 1989 apud NEVES, 2008).

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