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1 Turma e Ano: Flex A (2014) Matéria / Aula: Civil (Parte Geral) / Aula 11 Professor: Rafael da Motta Mendonça Conteúdo: Fatos Jurídicos: Negócio Jurídico - Classificação; Interpretação; Preservação. - FATOS JURÍDICOS - 1. Conceito: Fato jurídico é qualquer fato que cria, modifica ou extingue um direito. O fato jurídico poderá ser: Fato Jurídico Natural - causado pela natureza Fato Jurídico Humano - causado pelo ser humano. O fato jurídico natural poderá ser: Ordinário - previsível (ex. maioridade); Extraordinário, quando for imprevisível (ex. fatos da natureza). 2. Fato Jurídico Humano : É todo fato jurídico consistente na declaração de vontade, a qual o ordenamento jurídico atribui efeitos, respeitando os planos (pressupostos) de existência, validade e eficácia, impostos também pela norma jurídica. (Conceito de Antônio Junqueira de Azevedo). O fato jurídico humano divide-se em: 1) Ato Ilícito - é a fonte da responsabilidade civil extracontratual.

2 Conceito (art. 186) / Abuso de direito (art. 187) / Excludentes de Ilicitude (art. 188) Art Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Art Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Art Não constituem atos ilícitos: I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido; II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente. Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. 2) Ato-Fato Jurídico: é o fato jurídico humano que produz efeitos independentemente da vontade do ser humano. Exs: Aquisição originária da posse através da ocupação - produz efeitos independentemente da vontade. 3) Ato Jurídico: tem os seus efeitos previstos em lei. Exs. emancipação (antecipação da capacidade plena do menor), pagamento (extinção da obrigação). Aos atos jurídicos aplicam-se as disposições dos negócios jurídicos (art. 185): Art Aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos, aplicam-se, no que couber, as disposições do Título anterior (negócio jurídico). 4) Negócio Jurídico: tem os seus efeitos decorrentes da vontade das partes. 3. NEGÓCIO JURÍDICO: 3.1 Classificação do Negócio Jurídico: Unilateral - é aquele que se aperfeiçoa pela manifestação de apenas uma vontade - Ex. Testamento; Promessa de recompensa. Atos jurídicos unilaterais - arts. 854 a 878 CC) Bilateral - é aquele que se aperfeiçoa com o encontra de pelo menos duas vontades - Ex. Contrato.

3 Obs: O contrato também poderá ser: Unilateral - gera obrigações para apenas uma das partes. Ex: Doação - há apenas a obrigação do doador de doar. Sendo a doação uma espécie de contrato, negócio jurídico bilateral, será imprescindível a aceitação pelo donatário. Dispensa de aceitação pelo donatário: 1) Art. 543 CC - Doação pura (sem termo, condição ou encargo) realizada em favor de absolutamente incapaz - dispensa a aceitação do incapaz e do seu representante legal. # Doação em favor do nascituro - é exigida a aceitação por seus representantes legais. 2) Art. 546 CC - Doação em favor de casamento futuro (presente de casamento) - dispensa a aceitação dos nubentes. Muitos autores, dentre eles Nelson Rosenvald sustentam que a doação pura e a doação em favor de casamento futuro, em razão da dispensa de aceitação pelo donatário, teriam natureza de ato jurídico stricto sensu e não negócio jurídico. Bilateral - gera obrigações para ambas as partes. 3.2 Interpretação do Negócio Jurídico: Obs1: Boa fé interpretativa ou hermenêutica (art. 113 CC): Art. 113 CC. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. Gustavo Tepedino defende que a boa fé é uma cláusula geral presente em todo e qualquer negócio jurídico, constituindo uma fonte precípua de interpretação negocial. O art. 113 do CC trata da boa fé objetiva. Alguns autores (Rui Rosado, Rose Melo Venceslau) defendem que a boa fé objetiva implica no estabelecimento de critérios objetivos na interpretação do negócio através da análise do caso concreto (não se limitando apenas ao conteúdo formalista da norma), objetivando que as partes e terceiros interessados interpretem o negócio jurídico de forma a satisfazer todos os envolvidos (e não somente a si próprio).

4 Obs2: Reserva Mental (art. 110 CC): Art A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento. Trata-se da emissão de uma declaração de vontade não desejada no seu conteúdo e resultado, havendo clara intenção de enganar o destinatário da vontade. A reserva mental é proibida, salvo nas hipóteses em que o destinatário conhecia a reserva mental. Exs. Autor de livro que afirma ser a sua obra filantrópica apenas para impulsionar as vendas, não repassando às obras de caridade; Casamento de estrangeiro com mulher brasileira apenas para não ser expulso do país. Obs3: Silêncio (art. 111 CC): Art O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa. O silêncio poderá significar anuência ou recusa, a depender da situação concreta. Ex1: Silêncio = Recusa Ex2: Silêncio = Aceitação Silêncio # Aceitação Tácita Aceitação tácita é uma atitude do declarante que torna clara a sua vontade, enquanto o silêncio consiste em uma inércia do agente. Ex. Art CC - Aceitação tácita da herança: Art A aceitação da herança, quando expressa, faz-se por declaração escrita; quando tácita, há de resultar tão-somente de atos próprios da qualidade de herdeiro.

5 Obs4: Teoria da Vontade (art. 112 CC): Art Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. De acordo com a teoria da vontade, o que importa efetivamente é a intenção das partes na celebração do negócio (vontade real), muito mais do que o que está escrito (vontade declarada). A teoria da vontade é aplicada apenas a negócios jurídicos onerosos, ou seja, aqueles que geram vantagens para ambas as partes (ex. compra e venda). Obs5: Teoria da Declaração (art. 114 CC): Pela teoria da declaração, a interpretação dos negócios jurídicos deverá ser literal, sendo tal entendimento utilizado apenas em relação aos negócios jurídicos gratuitos, ou seja, aqueles que geram vantagens para apenas uma das partes (ex. doação). 3.3 Formas de Conservação do Negócio Jurídico: O princípio geral do CC/02 é a conservação dos negócios jurídicos. a) Conversão Substancial (art. 170 CC): Art Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade. Ex: Compra e venda de um imóvel no valor de 1 milhão de reais por instrumento particular. O art. 108 do CC dispõe que os negócios jurídicos envolvendo bens imóveis com valor superior a 30 salários mínimos exige o instrumento público. Ainda, de acordo com o art. 166, IV do CC, o ato que não cumprir a forma prescrita em lei será nulo. No entanto, seria admitida a promessa de compra e venda deste imóvel por instrumento particular (art. 462 CC). Presente a boa fé dos contratantes, através da conversão substancial será possível a recategorização do negócio (compra e venda promessa de compra e venda), aproveitando-se a manifestação de vontade para reconhecer no fato concreto um outro negócio, como forma de buscar o máximo aproveitamento daquele negócio jurídico.

6 Pressupostos da Conversão Substancial: Possibilidade de aproveitamento dos elementos fáticos do negócio inválido em outra figura negocial. Enunciado 13 CJF: Art. 170: o aspecto objetivo da convenção requer a existência do suporte fático no negócio a converter-se. Pressuposto subjetivo - intenção das partes em obter a recategorização Observância dos requisitos essenciais da substância e forma do ato que se pretende converter. b) Ratificação ou Confirmação (art. 172 CC): Trata-se da possibilidade de um negócio anulável ter o vício sanado. Poderá se dar de forma expressa ou tácita. Art O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro. Art O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de mantê-lo. Art É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte pelo devedor, ciente do vício que o inquinava. c) Redução (art. 184 CC): A redução ocorre quando dentro de um mesmo ato negocial são manifestadas duas ou mais declarações de vontades. Art Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal. O CDC em seu art. 51, 2º utiliza-se da técnica de redução para a conservação do negócio jurídico ao prever que apenas a cláusula abusiva será considerada nula, e não o negócio jurídico em si. Ex: Locação e fiança - a anulação da fiança não anula a locação (aplicação concreta do instituto da redução).

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