ESTUDO DIRIGIDO DAS NOVAS NORMAS APLICÁVEIS À CONTABILIDADE PÚBLICA. Aula 01. MCASP, parte I, Procedimentos Contábeis Orçamentários

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1 Aula 01 MCASP, parte I, Procedimentos Contábeis Orçamentários Abordaremos os seguintes pontos: reconhecimento da receita orçamentária relacionamento do regime orçamentário com o regime contábil. A contabilidade pública, ou governamental, é bastante influenciada pela execução orçamentária. Isto porque a grande maioria dos órgãos públicos depende, quase que exclusivamente, do orçamento, para dar cabimento aos seus gastos, projetos e atividades. Chegou-se a dizer que a contabilidade pública é uma contabilidade orçamentária. No entanto, a contabilidade pública é parte da ciência contábil e, como tal, deve registrar os atos e fatos no momento em que ocorrem, em obediência aos princípios contábeis da competência e da oportunidade. De maneira bem simples, podemos dizer que o alinhamento das normas brasileiras às práticas internacionais é no sentido de elevar o status da nossa contabilidade pública a uma contabilidade mais patrimonial, que privilegia a contabilização do fato gerador, em vez de se limitar apenas à execução orçamentária da receita e da despesa. No caso particular da receita, o fato gerador é o acontecimento real que ocasionou o ingresso da receita nos cofres públicos, nas palavras do próprio manual. Este deve ser contabilizado como uma variação patrimonial aumentativa, em contrapartida com um direito a receber. Num primeiro momento, este registro não afeta a disponibilidade financeira do ente, pois se trata de um crédito, que pode se realizar ou não. Ou seja, não há dinheiro envolvido, ainda. Caso este direito venha a se realizar, há a baixa do crédito anteriormente constituído e o processamento da receita orçamentária. O MCASP, parte I, traz como exemplo deste procedimento a contabilização do IPTU. A legislação deste tributo estabelece que o fato gerador ocorrerá no dia 1º de janeiro de cada ano. PROFESSOR IGOR OLIVEIRA 1

2 Todo dia 1º de janeiro, o ente deve efetuar o seguinte lançamento no sistema patrimonial: D Ativo (créditos a receber) C Variação Patrimonial Aumentativa Como você pode perceber, há o aumento do ativo e da situação líquida patrimonial da entidade, com o reconhecimento da VPA. Quando o contribuinte paga seu IPTU, a contabilidade do ente deve processar os seguintes lançamentos: No sistema patrimonial: D Ativo (caixa) C Ativo (créditos a receber) No sistema orçamentário D Receita a Realizar C Receita Realizada No sistema de compensação: D Controle da Disponibilidade de Recursos C Disponibilidade por Destinação de Recursos Os últimos dois lançamentos são comuns à arrecadação de todas as receitas orçamentárias. No lançamento do sistema patrimonial, os créditos a receber foram transformados em recursos na conta caixa. O impacto na situação líquida patrimonial ocorre apenas uma vez, no reconhecimento do crédito. Isso é meio lógico. Não faz sentido reconhecer duas vezes um aumento na situação líquida patrimonial, por um mesmo motivo. O candidato deve entender que, ocorrido o fato gerador da receita, o ente deve contabilizar o crédito. No recebimento deste direito, há a baixa do crédito e o reconhecimento da receita orçamentária. Isto é fundamental para um preciso conhecimento dessa parte da disciplina, tendo em vista que estes lançamentos harmonizam as exigências contábeis e legais (orçamentárias). PROFESSOR IGOR OLIVEIRA 2

3 A grande dificuldade disso tudo está em determinar o momento de ocorrência do fato gerador. Na atividade tributária, o manual orienta que se utilize o momento do lançamento, como referência para seu reconhecimento. Cabe destacar ainda que a receita orçamentária é reconhecida no momento da arrecadação, em obediência ao artigo 35 da lei 4.320/64, que dispõe: Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro: I as receitas nele arrecadadas; II as despesas nele legalmente empenhadas. Ou seja, a receita orçamentária obedece ao regime de caixa. No passado, este regime era atribuído a toda receita pública. Conforme vimos pelos lançamentos acima, isto já não é mais verdade. Há a contabilização da variação ativa patrimonial no momento de ocorrência do fato gerador. Logo, as receitas públicas, como um todo, obedecem ao regime da competência. O regime de caixa está adstrito ao âmbito orçamentário. No extinto Manual de Receita Nacional, a receita reconhecida no momento de ocorrência do fato gerador era chamada de Receita sob o Enfoque Patrimonial. De maneira simplificada, o procedimento de inscrição/recebimento da dívida ativa é muito parecido com o que foi apresentado. Justamente PROFESSOR IGOR OLIVEIRA 3

4 por isso, a dívida ativa era considerada como exceção ao regime de caixa da receita. Por fim, o MCASP assevera que não devem ser reconhecidos como receita orçamentária os recursos financeiros oriundos de: a) Superávit Financeiro a diferença positiva entre o ativo financeiro e o passivo financeiro, conjugando-se, ainda, os saldos dos créditos adicionais transferidos e as operações de créditos neles vinculadas. Portanto, trata-se de saldo financeiro e não de nova receita a ser registrada. O superávit financeiro pode ser utilizado como fonte para abertura de créditos suplementares e especiais; b) Cancelamento de despesas inscritas em Restos a Pagar consiste na baixa da obrigação constituída em exercícios anteriores, portanto, trata-se de restabelecimento de saldo de disponibilidade comprometida, originária de receitas arrecadadas em exercícios anteriores e não de uma nova receita a ser registrada. O cancelamento de Restos a Pagar não se confunde com o recebimento de recursos provenientes do ressarcimento ou da restituição de despesas pagas em exercícios anteriores que devem ser reconhecidos como receita orçamentária do exercício. Em resumo: 1 A contabilidade pública está alinhando suas normas às práticas contábeis internacionais. De maneira bem genérica, podemos dizer que o cerne conceitual dessas mudanças é a transformação de uma contabilidade pública orçamentária para uma contabilidade pública patrimonial. Perceba que o Manual é de Contabilidade Aplicada ao Setor Público. Isto é mais uma prova de que a STN quer enfatizar que a contabilidade pública está inserida no campo de aplicação da ciência contábil. 2 O fato gerador da receita deve ser registrado tempestivamente, no momento de sua ocorrência, em obediência aos princípios contábeis da competência e oportunidade. 3 Por ocasião do recebimento do direito, há a arrecadação da receita orçamentária e a baixa do crédito anteriormente constituído. Exemplos desse procedimento: IPTU e dívida ativa. 4 A receita orçamentária obedece ao regime de caixa. As receitas públicas como um todo, ao da competência. PROFESSOR IGOR OLIVEIRA 4

5 5 Não são receitas: superávit financeiro e cancelamento de despesas inscritas em restos a pagar. Lançamentos completos (IPTU): Fato Gerador (1º de janeiro) Arrecadação Apesar de não ser mais utilizado, o sistema financeiro deixou alguns resquícios. É importante que seja possível levantar o superávit financeiro do exercício, pois o mesmo é fonte de recurso para abertura de créditos adicionais. Assim, foram criados os atributos F ou P, de maneira a identificar se a conta é financeira ou permanente. No exemplo, a conta Créditos Tributários a receber tem o atributo de permanente. A rubrica Caixa e equivalentes de caixa em moeda nacional deveria vir com a letra F, como em outros exemplos do MCASP. Até a próxima! Abs! Igor. PROFESSOR IGOR OLIVEIRA 5

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