UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Pedagogia. Elaine Ely Martins Godinho

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1 0 UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Pedagogia Elaine Ely Martins Godinho A BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: o direito de brincar da criança de 3 a 5 anos e as estratégias de intervenção do educador infantil LINS-SP 2013

2 1 ELAINE ELY MARTINS GODINHO A BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: o direito de brincar da criança de 3 a 5 anos e as estratégias de intervenção do educador infantil Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Banca Examinadora do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, curso de Pedagogia, sob a orientação da profª Daniela Aparecida Francisco e orientação técnica da Profª Esp. Érica Cristiane dos Santos Campaner. LINS SP 2013

3 2 Elaine Ely Martins Godinho A BRINCADEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: o direito de brincar da criança de 3 a 5 anos e as estratégias de intervenção do educador infantil. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, para obtenção do título de Licenciada em Pedagogia. Aprovada em: / / Banca Examinadora: Profª. Orientadora: Daniela Aparecida Francisco Titulação: Graduação em Pedagogia, Mestre em Estudos Literários. Assinatura: 1º Profª: Karina de Fátima Gomes Titulação: Graduação em Pedagogia, Letras, Especialista em Educação Especial e Mestranda em Estudos Literários. Assinatura: 2º Profª: Ana Paula Menoti Dyonísio Titulação: Graduação em Pedagogia e Mestre em Estudos Literários. Assinatura:

4 3 DEDICATÓRIA Aos meus pais Olivia e João, fonte de inspiração para a vida, que me apoiaram em todos os momentos dando forças para que eu conquistasse mais essa vitória, que não é só minha, é nossa! À minha família que de uma forma ou de outra por meio de palavras, gestos, um simples olhar, um sorriso, um abraço, ou uma singela palavra de carinho ou de apoio contribuíram para que eu chegasse até aqui e crescesse como Ser Humano. Especialmente dedico aos meus filhos Ana Carolina, Guilherme e Rafael, pela paciência e generosidade em compreender a minha ausência em momentos de nossas vidas durante as horas de estudos para a realização deste trabalho. Ao meu namorado Josué, que sempre soube enfeitar os meus dias com seu sorriso, gestos de carinho, seu amor. E aquelas pessoas que direta ou indiretamente, contribuíram de alguma forma, para que mais essa vitória fosse conquistada. Obrigada a todos, de coração!

5 4 AGRADECIMENTOS À DEUS Senhor, por todos estes anos que estiveste conosco, a cada instante de nossa batalha, que incomparável e inconfundível na sua infinita bondade, compreendeste nossos anseios e nos deste a necessária energia e esperança para aprendermos a assimilar os ensinamentos que nos foram transmitidos para resistirmos quando o desânimo e o cansaço se abatia sobre nós, todo agradecimento seria pouco. Foste luz em nossos dias mais turbulentos e sombrios, mantendo-nos sempre firmes para a conclusão de trabalhos, provas, foste enfim, a coragem para que com garra conseguíssemos atingir nossos ideais. Nosso Deus Pai Querido, agora que deixamos de ser estudantes para sermos profissionais pedimos sua orientação com a mais humilde simplicidade, para que possa nos conduzir para o caminho do bem e da verdade, dando-nos força e fé para enfrentarmos os momentos de importantes decisões. Pedimos e rogamos para que continue abençoando cada um de nós que agora seguirá seu próprio caminho. Interceda Deus de Misericórdia em nossas vidas, em nossos lares dando firmeza para que sejamos bem sucedidos no exercício de nossa profissão. Obrigada por chegarmos onde estamos e por hoje não sermos piores nem melhores que ninguém... Obrigada por sermos seus filhos, simples mortais, mas grandes seres humanos.

6 5 RESUMO A importância da brincadeira na educação infantil já foi comprovada por diversos estudiosos. Devido a isso, o trabalho de mediador dos educadores nas brincadeiras das crianças criam possibilidades diversas em relação ao aprendizado e desenvolvimento infantil. O presente trabalho objetiva, então, esclarecer e demonstrar a importância do ato de brincar na Educação Infantil por meio de pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo mediante análise qualitativa dos dados. Para isso, apresenta discussões de diversos teóricos sobre o tema, além da legislação atual, em que o direito de brincar da criança de 3 a 5 anos está assegurado. O papel do educador também é abordado e analisado teoricamente; praticamente sendo possível perceber a valorização que estes profissionais atribuem a brincadeira, como fator auxiliar para o desenvolvimento integral da criança. Palavras-chave: Brincar. Educação Infantil. Mediação. Estratégias de Intervenção.

7 6 ABSTRACT The importance of game in Child Education has already been proven by many scholars. Due to this, the job as a mediator of the educators in play, creates several possibilities in relation to child s learning and development. The present work aims to clarify and demonstrate the importance of the action of playing in Child Education by bibliographic research and field research through data qualitative analysis. For this, it presents many theorists discussions on the subject, beyond the current legislation, where the 3-5 years child s right to play is assured. The educator s role is also discussed and analyzed theoretical and practically, it s possible to realize the appreciation that these professionals attribute to the game, as a contributing factor to the child s development. Keywords: Play. Child Education./Mediation/ Intercession. Intervention strategies.

8 7 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Resposta da pergunta Tabela 2: Resposta da pergunta Tabela 3: Resposta da pergunta Tabela 4: Resposta da pergunta Tabela 5: Resposta da pergunta Tabela 6: Resposta da pergunta Tabela 7: Resposta da pergunta Tabela 8: Resposta da pergunta Tabela 9: Resposta da pergunta Tabela 10: Resposta da pergunta Tabela 11: Resposta da pergunta

9 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I O BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL O SIGNIFICADO DO BRINCAR A Importância do Brincar para a Aprendizagem CAPÍTULO II A FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA DO DIREITO DO BRINCAR 19 2 O DIREITO DO BRINCAR Constituição Federal de A Convenção Internacional dos Direitos da Criança Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Lei de Diretrizes e bases da Educação Resolução Nº. 5 de 17 de dezembro de CAPÍTULO III O PAPEL DO EDUCADOR INFANTIL O EDUCADOR INFANTIL E SEU PAPEL CAPÍTULO IV ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO DO EDUCADOR INFANTIL 30 4 O EDUCADOR INFANTIL E A INTERVENÇÃO A qualidade de ação do mediador CAPÍTULO V DADOS DA PESQUISA REALIZADA COM PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS... 34

10 9 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO CONCLUSÃO REFERÊNCIAS APÊNDICES

11 10 INTRODUÇÃO Ao iniciar o curso de Pedagogia, em várias disciplinas, o tema do brincar esteve presente. E, as informações obtidas nas aulas, juntamente com as observações no ambiente de trabalho, instigaram a tentar compreender a importância deste ato aparentemente tão simples, mas que possui tamanha importância dentro e fora da escola. Durante a trajetória de trabalho em escolas públicas e ou privadas observa-se o prazer das crianças no ato de brincar. Mesmo aquelas que demonstram-se tímidas, em momentos de interação com outras crianças, apresentam grande alegria e descontração. De acordo com Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil, (BRASIL, 2009), a educação infantil precisa considerar as especificidades do desenvolvimento da criança em diferentes idades, no sentido de possibilitar a exploração dos objetos e do ambiente. Isso significa proporcionar às crianças os deslocamentos amplos no espaço, a imaginação, as manifestações simbólicas infantis, a criação de significados, a expressão de ideias e sentimentos e a expansão das experiências de cultura. É preciso, então que a proposta pedagógica da educação infantil contemple um espaço físico e um ambiente de aprendizagem estimulante, que favoreça o desenvolvimento da autonomia e das potencialidades físicas, emocionais e intelectuais da criança, bem como sua comunicação e socialização com seus pares. A criança deve ser considerada e tratada como um ser integral e socialmente ativo. (KUHLMANN JR., 2007) Considerando então a importância da educação infantil, assim como a necessidade do brincar nestes espaços, iniciou-se uma pesquisa para compreender não apenas estes fatores, mas também como poderia intervir neste ambiente pedagógico de brincar e aprender. Como professora, qual seria o papel no ato da brincadeira? Como ser mediadora dos conflitos gerados entre as crianças sem desautorizá-las e sem podar seu processo de busca, de autonomia? Com estas questões, esta pesquisa foi iniciada, necessitando-se de um maior conhecimento sobre a importância do brincar na educação infantil, respectivamente

12 11 sobre o direito de brincar da criança de três a cinco anos e as estratégias de intervenção do educador infantil. Dessa maneira, o objetivo geral da pesquisa foi demonstrar a importância do educador infantil no ato do brincar para agregar e estimular as crianças no ensino infantil, apresentando regras, sugerindo modos de resolução de problemas e atitudes alternativas, mediando possíveis conflitos e auxiliando o educando a gerir seus sentimentos e frustrações. Os objetivos específicos propostos foram: analisar se o direito de brincar da criança de 3 (três) a 5 (cinco) anos na educação infantil, garantindo por diversas instâncias legais é respeitado no contexto social; demonstrar a necessidade da criança em brincar para um bom desenvolvimento cognitivo, físico e social; analisar as estratégias pedagógicas utilizadas pelos professores na educação infantil nas brincadeiras das crianças quando as planejam, iniciam e direcionam e apontar a importância do educador infantil como mediador nas brincadeiras para despertar a criatividade da criança. Para alcançar estes objetivos, utilizou-se de pesquisa bibliográfica sobre o tema, além de análise e reflexão de questionários dirigidos a professores da educação infantil. Quanto aos procedimentos bibliográficos, estes foram desenvolvidos a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Já os questionários se caracterizam pela interrogação direta das pessoas, cujo comportamento se deseja conhecer. Procede-se a solicitação de informação a um grupo significativo de pessoas, acerca de problema estudado para, em seguida, mediante análise, obterem-se as informações correspondentes aos dados coletados. Para melhor organização deste estudo, o presente trabalho de conclusão de curso foi dividido em cinco capítulos. O capítulo 1, intitulado O significado de brincar aborda o significado da palavra brincar, seu sentido real, aplicado na atualidade nas escolas de educação infantil e também a importância que o ato de brincar adquiriu, como ponto fundamental da cultura da infância, a brincadeira como uma atividade humana, na qual as crianças são inseridas apropriando-se da cultura em um modo de assimilação e recriação. No capítulo 2, Fundamentação jurídica do brincar, elenca-se o brincar como um direito da criança, garantido não apenas pela sua importância, mas por diversas leis que regem a educação no país e por acordos internacionais que valorizam o

13 12 brincar não apenas como atividade rotineira, mas como algo intrínseco e essencial ao desenvolvimento do infante. No capítulo 3, O papel do educador infantil, abordamos a atuação do professor, que torna-se um investigador do que a criança pensa e sente na medida em que se posiciona como um parceiro acolhedor e intérprete da rica diversidade de manifestações infantis. Apresenta-se o educador como mediador na brincadeira infantil. Já no capítulo 4, denominado Estratégias de intervenção do educador infantil, demonstra que a tarefa dos professores é colocar a criança em circunstâncias favoráveis, que lhes permitam descobrir aquilo que ela deve saber, ou seja, é criar situações mais estimuladoras para que a criança, por si mesma, descubra o conhecimento. Por fim, o capítulo 5, Resultados da análise qualitativa apresenta os resultados obtidos durante a pesquisa, pela análise dos questionários sobre o brincar respondidos por professores que lecionam na educação infantil. Após o desenvolvimento dos capítulos, apresenta-se a Proposta de Intervenção, as Considerações Finais e o modelo do questionário utilizado, anexo a este trabalho.

14 13 CAPÍTULO I O BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL 1 O SIGNIFICADO DO BRINCAR Atualmente, muito se tem discutido sobre o sentido e a importância do brincar. Devido a este fato, compreender o conceito de brincar torna-se imprescindível ao educador e ou pesquisador que estuda este tema, em uma tentativa de compreender seu papel no desenvolvimento infantil. Segundo o dicionário Aurélio (Ferreira, 2003), brincar é "divertir-se, recrearse, entreter-se, distrair-se, folgar", mas também pode ser "entreter-se com jogos infantis", ou seja, brincar é algo muito presente nas nossas vidas, enquanto crianças e até mesmo na idade adulta, ou pelo menos deveria ser. Na Enciclopédia e Dicionários Porto Editora, o brincar é divertir-se (com jogos); entreter-se (com brincadeiras infantis); gracejar, zombar ou até mesmo proceder com leviandade (em relação ao algo). A complexidade da palavra pode ser verificada quando observa-se o uso geral da palavra brincar na língua inglesa, o termo play (em português, brincar ou jogar) pode ser considerado um substantivo, um verbo, um advérbio e um adjetivo - um jogo ou um objeto para brincar, como uma peça de teatro ou um brinquedo; agir em relação a um método ou modo; realizar alguma coisa de forma divertida; ou pode-se descrever alguém como uma criança divertida. Mesmo nesse nível básico de atribuição de sentido da palavra brincar não é fácil distinguir um significado único que poderia ser atribuído exclusivamente ao brincar infantil, pois ele provavelmente seria uma combinação de muitas dessas designações à ação de brincar. Moyles (2006), afirma que faz mais sentido o brincar como um processo que em si mesmo abrange uma variedade de comportamentos, motivações, oportunidades, práticas, habilidades e entendimentos. De acordo com Oliveira, em seu livro Educação Infantil muitos olhares (2000) o brincar não significa apenas recrear, é muito mais, caracterizando-se como uma das formas mais complexas que a criança tem de comunicar-se consigo mesma e

15 14 com o mundo, ou seja, o desenvolvimento acontece por meio de trocas recíprocas que se estabelecem durante toda sua vida. Assim, através do brincar a criança pode desenvolver capacidades importantes como a atenção, a memória, a imitação, a imaginação, ainda propiciando o desenvolvimento de áreas da personalidade como afetividade, motricidade, inteligência, sociabilidade e criatividade, além da constante necessidade de resolver conflitos entre seus pares. Apesar dos diversos sentidos e significados atribuídos à palavra brincar, como se pode observar pelo trabalho dos pesquisadores apresentados neste trabalho de pesquisa utilizou-se o brincar com o sentido de uma interação entre as crianças, aprendizagem para a vida no atual contexto social, político e pedagógico da educação infantil brasileira, sendo uma atividade de extrema importância para o desenvolvimento saudável da criança. 1.1 A importância do brincar para a aprendizagem Brincar é a primeira forma de cultura. A criança que brinca livremente e no seu nível de desenvolvimento, à sua maneira, está não só explorando o mundo ao seu redor, mas também comunicando sentimentos, ideias, fantasias, intercambiando o real e o imaginário num terceiro espaço, o espaço do brincar e das futuras atividades culturais. No brincar, a criança lida com sua realidade interior e sua tradução livre da realidade exterior: é também o que o adulto faz quando está filosofando, escrevendo e lendo poesias, exercendo sua religião. Brincar é também raciocinar, descobrir, persistir e perseverar; aprender a perder percebendo que haverá novas oportunidades para ganhar; esforçar-se, ter paciência, não desistindo facilmente e se empenhando na resolução de conflitos. Brincar é viver criativamente no mundo. Ter prazer em brincar é ter prazer em viver. Brincar com espontaneidade, sem regras rígidas e sem precisar seguir estritamente os folhetos de instruções dos brinquedos, é explorar o mundo por intermédio dos objetos. Enquanto usa, manipula, pesquisa e descobre um objeto, a criança chega às próprias conclusões sobre o mundo em que vive. Quando puxa, empilha, amassa, desamassa e dá nova forma, a criança transforma, brincando e criando ao mesmo tempo.

16 15 Segundo Maria Marcondes Machado (1994), em seu livro O Brinquedosucata e a criança A importância do brincar- Atividades e materiais, esclarece que brincando a criança pode transformar o mundo e os objetos nele existentes, dar novas formas a materiais como quiser, criando instrumentos para o crescimento mais saudável, que estimula a explorar o mundo de dentro e o mundo de fora dando a eles novas possibilidades, no presente e no futuro, a partir de sua vivência. Brincar é, para a criança pequena, o que trabalhar deveria ser para o adulto: fonte de autodescoberta, prazer e crescimento. Brincar é um aprendizado de vida que leva as crianças para esse ou aquele caminho: para traçar seu próprio percurso ou para tê-lo traçado pelos pais, professores, tios, namorados, vizinhos. Tudo depende de como as crianças brincam e qual a atitude dos adultos ao redor em relação a essas brincadeiras. Brincar é também um grande canal para o aprendizado, senão o único canal para verdadeiros processos cognitivos. Para aprender precisa-se adquirir certo distanciamento das pessoas e é isso que a criança pratica desde as primeiras brincadeiras. Através do filtro do distanciamento podem surgir novas maneiras de pensar e de aprender sobre o mundo. Ao brincar, a criança pensa, reflete e organiza-se internamente para aprender aquilo que ela quer, precisa, necessita, está no momento de aprender; isso pode não ter a ver com o que o pai, o professor ou o fabricante de brinquedos propõem que ela aprenda. O adulto precisa também estar distanciado, ausente, mas presente ao mesmo tempo, apostando na sabedoria daquela criança, respeitando o seu momento, suas ideias, hipóteses, sentimentos e pensamentos, seus sonhos! Considerando todas as afirmações acima, sobre o ato de brincar, indaga-se: o brincar realmente é capaz de elevar o padrão da educação inicial? A resposta para esta questão não é simples de ser respondida. No entanto, elenca-se as ideias mais correntes entre os pesquisadores deste tema. De acordo com o que vários autores sugerem, há muitas evidências indicando que experiências curriculares infantis baseadas no brincar geram e estimulam a elevação dos padrões na educação infantil e posterior. Os elementos lúdicos do brincar, incluindo o modo como envolvem os contextos do brincar de faz-de-conta, permitem mais oportunidades de criatividade e de brincar linguístico e constituem oportunidades de ensaio e prática. Talvez um dos maiores atributos do brincar seja as oportunidades que ele possibilita de aprender-se a viver com o não saber, pois

17 16 reconhece-se prontamente que aprende-se mais efetivamente por meio de tentativa e erro. Holt (1991), em seu livro Como Aprendem as Crianças esclarece que o brincar é uma maneira não ameaçadora de manejarmos novas aprendizagens mantendo, ao mesmo tempo, nossa autoestima e autoimagem. O brincar é um convite a manejar novas aprendizagens, principalmente na educação infantil. As crianças brincam sobre aquilo que sabem geralmente através da imitação. Na brincadeira, as crianças representam papéis do dia a dia, daquilo que vivem e convivem na vida real e que reproduzem no faz de conta podendo criar e recriar a realidade. Se o adulto estiver atento a esses momentos poderá auxiliar a criança em ampliar seu repertório de conhecimento e suas vivências, mas em especial despertar a criatividade, a espontaneidade e a curiosidade. É fato que brincar é coisa séria, que auxilia o ato de aprender, conviver e ser da criança. As crianças tem um estilo de aprendizagem que se adapta às suas condições e utilizam-nas naturalmente até o momento em que as impedem de fazêlo. Conhecer as necessidades de aprendizagem das crianças também permite ao adulto abranger as noções de Vygotski (1998) e Bruner (1978), respectivamente, em relação à zona de desenvolvimento proximal a partir de um processo que se proporciona à criança um apoio necessário naquele momento, que poderá ser retirado mais tarde, quando ela deixar de precisar dele. A zona de desenvolvimento proximal diz respeito à co-construção de conhecimento e significados, realizada dentro de contextos nos quais há a necessidade de participação de um par mais competente, o qual conduzirá e ajudará seu parceiro de modo a desempenhar algo, chegar a algum ponto no qual ele não chegaria de maneira independente. A aprendizagem deve levar ao desenvolvimento cognitivo. Desenvolvidos,serão capazes de interagir dentro de novos contextos. E por meio da interação que constrói-se o conhecimento, dando-se significado às coisas. Tendo-se diferentes motivos, diferentes bagagens, diferentes histórias, vivendo-se em ambientes distintos. Construção é um processo dialógico, dialético, transformacional. As pessoas após vivenciarem determinadas experiências, tranformaram-se. Compreender o conceito de zona de desenvolvimento proximal é extremamente necessário para que possa-se saber trabalhar com o conhecimento

18 17 potencial em desenvolvimento. O envolvimento profundo por parte da criança é necessário e deve ser permitido e incentivado pelos adultos, para que o brincar seja realmente desafiador e contribua de forma integral para o processo de aprendizagem (MONGHAN-NOUROT ET AL, 1987). A criança sempre se comporta, na brincadeira, além do que está habituada, além de seu comportamento diário, como se ela fosse maior do que é na realidade. (VYGOTSKY, 2000). Pode-se dizer, então, que, mesmo quando brinca espontaneamente, a criança não está apenas passando o tempo, já que sua escolha é motivada por razões e reações internas, desejos e ansiedades. O que ocorre em sua imaginação é o que determina suas atividades, o brincar funciona com sua linguagem secreta, sua forma de interagir com o meio, o que deve ser respeitado, mesmo quando não compreendemos. Observa-se que as crianças pequenas, especialmente as que estão na fase da educação infantil, procuram compreender o mundo adulto fazendo uso de alguns objetos, transformando-os de acordo com suas necessidades, para representar situações já vivenciadas ou pessoas de seu convívio, imitando-os. É uma forma da criança ir entrando no mundo adulto pouco a pouco, elaborando e reinventando a realidade a partir da fantasia. Quando está brincando, a criança pode, então, se tornar algo que não é, ou melhor, que ainda não é, porque, por meio da brincadeira, ela pode tudo que imaginar, agir com objetos inexistentes, interagir segundo padrões não determinados pela realidade do espaço social em que vive e ultrapassar os limites que lhe são apresentados. (PRADO, 1998) De acordo com Leontiev (2001), em se livro Os Princípios Psicológicos da Brincadeira Pré-escolar, o brincar e o uso dos brinquedos aparecem na vida da criança como necessidade de interação com o mundo dos adultos: [...] a percepção que a criança tem do mundo, dos objetos humanos determina o conteúdo de suas brincadeiras. O brincar também possibilita às crianças desenvolverem suas próprias habilidades de pensamento. Elas superam a sua própria condição infantil, agindo como se fossem maiores, desafiando seus limites, uma necessidade de agir como um adulto surge na criança, isto é, de agir da maneira como ela vê os outros agirem, da maneira que lhe disseram e assim por diante. (LEONTIEV, 2001, p.125) Para Leontiev (2001), de fato, o brincar constitui o mais alto nível de desenvolvimento infantil por fornecer ampla estrutura básica para mudanças das necessidades e da consciência, proporcionando a ação na esfera imaginativa, sendo

19 18 que a criação das intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real favorecem o desenvolvimento. Quando brinca, a criança potencializa e pratica os quatro pilares da educação propostos por Delors (1998) à UNESCO, como forma integral de desenvolvimento: ela aprende a conhecer, aprende a fazer, aprende a conviver e aprende a ser. Por meio da brincadeira, a criança aprende a seguir regras, experimenta formas de comportamento e se socializa, descobrindo o mundo ao seu redor. Brincando com outras crianças encontra seus pares e interage socialmente, descobrindo, desta forma, que não é o único sujeito da ação, e que para alcançar seus objetivos, precisa considerar o fato de que outros também têm objetivos próprios. A atividade lúdica é, portanto, uma das formas pelas quais a criança se apropria do mundo, e pela qual o mundo humano entra em seu processo de constituição, enquanto sujeito histórico. O brincar pode representar, então, um suporte para a aprendizagem e para solução de problemas, mas também precisa-se levar em conta a função do brinquedo como um todo e lembrar que há inúmeros tipos de jogos, brinquedos e brincadeiras que, apesar de propiciarem uma ação no mundo imaginário da criança, também podem vir acompanhados de desprazer e frustração. O trabalho com jogos não é o foco desta pesquisa, mas assim como o brincar, seu uso possibilita crescimento às crianças, na área social, cognitiva e afetiva. Levando em consideração as informações apresentadas neste tópico, é possível pensar no papel que o brincar ocupa no desenvolvimento infantil e na aprendizagem da criança, sendo fator importantíssimo em sua vida.

20 19 CAPÍTULO II A FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA DO DIREITO DO BRINCAR 2 O DIREITO DO BRINCAR Devido a tantas pesquisas realizadas por estudiosos e educadores sobre os diversos aspectos do brincar, sua importância ganhou cenário e institui-se na forma de lei. O brincar tornou-se um direito da criança, devendo ser garantido e efetivado dentro do contexto escolar em uma tentativa de garantir o direito à infância. O brincar, como um direito com fundamentação jurídica, destaca-se como um viés essencial para o desenvolvimento social e educacional da criança. A criança também precisa contar com um educador competente para estimular, garantir e permitir que ela manipule sua ludicidade como forma de ser ou estar no mundo, pois a efetivação do seu direito ao brincar só acontece por meio da orientação do profissional responsável por essa mediação: o professor. Dessa maneira pergunta-se quais são as leis que prevêem e garantem o direito da criança ao brincar? Qual a sua relação com a construção, consolidação dos direitos voltados para a infância? Como a escola, lugar privilegiado de promoção dos direitos da criança, planeja seus espaços, tempos e vivências para garantir o direito de brincar? Sendo o educador agente especial para a promoção do direito de brincar, como pensar na sua formação profissional e na sua postura para permitir e estimular o brincar como um direito, bem como expressão de liberdade e cidadania? Tentar-se-á, a partir de agora, responder a estas questões por meio da legislação referente ao tema em destaque, tanto nacional como internacional. 2.1 Constituição Federal de 1988 A Constituição Federal de 1988 definiu uma nova doutrina em relação à criança, que é o reconhecimento oficial da criança como sujeito de direitos. Desde a Constituição de 1988 ficou legalmente definida que os pais, a sociedade e o poder público têm que respeitar e garantir os direitos das crianças definidos no artigo 227:

21 20 É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência e opressão. (BRASIL,1988). Considerando o texto deste artigo, nem os pais,nem as instituições de atendimento, nem qualquer setor da sociedade ou do governo poderão tomar atitudes desfavoráveis em relação às crianças. Todos são obrigados a respeitar os direitos definidos na Constituição do país que reconheceu a criança como um cidadão em desenvolvimento. Quanto ao brincar, a Constituição Federal de 1988 focaliza a conjunção dos direitos ao lazer, à convivência familiar, à convivência comunitária e o direito ao não trabalho, que é muito mais do que um direito ao ócio. É a garantia da possibilidade da brincadeira. Ao tornar a criança um sujeito de direitos, a Constituição Federal de 1988 abriu novas possibilidades aos infantes, coroado com a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; o Estatuto da Criança e do Adolescente. 2.2 A Convenção Internacional dos direitos das crianças A infância é, na sociedade contemporânea, fase de direitos e liberdades, momento em que as crianças, consideradas sujeitos de direitos, não são meros objetos de intervenção adulta. Sustenta-se também que ela, como sujeito de direitos e liberdades, é considerada um sujeito dentro da comunidade humana e isso significa a construção e consolidação das singularidades próprias desta etapa. A construção e a consolidação dos seus direitos fortalecem a concepção de criança como ser social, de acordo um lento processo histórico de reconhecimento e legitimação da criança como ser que necessita de proteção e amparo legais. A Convenção Internacional dos Direitos das Crianças ( Brasil, 1989) resultante desta caminhada histórica e social em prol dos direitos imprimiu marcas significantes para o chamando processo de libertação das crianças. Até a chegada desta convenção a trajetória contemplou dois textos declaratórios que a precederam

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