DENISE AVELAR AMENDOLA DENUNCIAS DE IRREGULARIDADES NA UNIÃO DAS FACULDADES FRANCANAS

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1 DENISE AVELAR AMENDOLA DENUNCIAS DE IRREGULARIDADES NA UNIÃO DAS FACULDADES FRANCANAS Denise Avelar Amêndola, sócia da Associação Cultural e Educacional de Franca- ACEF, mantenedora da União das Faculdades Francanas - UNIFRAN, dirige-se a este Conselho com denuncias contra a instituição. Pretende "lhe sejam garantidos os direitos que, ilegalmente, os atuais diretores da ACEF estão tentando lhe subtrair", propondo medidas para eliminação de "todas as irresponsabilidades, irregularidades e ilegalidades" que, em outra petição, já transmitiu ao Senhor Ministro da Educação. Em verdade, todo problema foi criado porque a denunciante era casada, em comunhão de bens, com um dos sócios-diretores da UNIFRAN. Com a separação judicial, em 1982, decidiram ficar, cada um, com relação à mantenedora ACEF, "com seus respectivos direitos e obrigações, não tendo sido o asssunto objeto de partilha, por não ser considerado, juridicamente, como bem vendável ou possivel de ser distribuído em cotas-partes; comprometeram-se, então, a jamais transferir seus direitos a não ser para os filhos... Tal compromisso não foi obedecido, no entanto, pelo ex-marido da denunciante que alienou, a terceiro, sua participação na sociedade. À denuncia dessa transferência - a venda ilegal de direitos de

2 sociedade civil sem fins lucrativos e mantenedora de cursos de nível superior - se junta a indicação de outras irregularidades, entre elas o recebimento de parte dos lucros da entidade pelos sócios, através da distribuição de lucros a cada dois meses após acertos Contábeis e a título de gratificação ou através de uma "caixa 2"; o recebimento, pelo exercício de cargos de direção na ACEF, de remuneração mensal correspondente a cerca de 20 salários mínimos por mês, para cada um dos três sócios a majoração abusiva e imoral de mensalidades pela Escola Alto Padrão, estabelecimento de ensino de lº e 2º graus mantido pela ACEF não atendimento, pelos alunos da exigência de frequência a 75% das aulas extrapolação do numero de vagas fixado pelo CFE Entre a documentação juntada aos autos, se encontra termo de declaração prestada por Maria José de Freitas que, a partir de maio de 1987, passou a exercer a função de supervisora do MEC junto à instituição. Segundo o texto a declarante passou a constatar irregularidades efetivas que vinham sendo praticadas na aludida instituição, as quais, até então, apenas tinha ciência "por ouvir dizer"; que essas irregularidades administrativas contrariavam as leis básicas de educação e o próprio regimento da escola; que tais irregularidades, entre outras, consistiam no desrespeito ao limite de vagas, descumprimento dos 75% da presença exigida pela lei vigente, sendo, então, a direção da escola forjava documentos para que se afeiçoassem com a lei, contrariando, dessa forma, a realidade dos fatos; que, no mês de junho de 1988, a direção da escola chamou a declarante, propondo-lhe um acordo para que a mesma não relatasse aos seus superiores as ditas irregularidades; que esse acordo consistia na promessa de vantagem em tomo de 100 (cem) a 150 (cento e cinquenta) OTNs mensais, a qual não foi aceita pela declarante; que, no entanto, para que pudesse avaliar pessoalmente a dimensão das fraudes

3 aceitou um cheque no valor de CZ$ ,00, datado de lº de junho de 1988, sacado contra o Banco Nacional, nº , de emissão da direção da escola, e que foi depositado na conta de poupança da declarante... ; que, a partir daí a declarante teve acesso aos arquivos da Escola, ao computador e demais documentos, que foram sendo colecionados pela declarante durante mais ou menos um mês; que, nesse Ínterim, recebeu outro cheque da direção da escola, aos 21 de junho de 1988, no valor de CZ$ ,00... com o qual a declarante pagou despesas pessoais no comércio; que, com relação a esse pagamento, recorda-se a declarante que na véspera do recebimento da vantagem, a declarante tinha obtido do Dr. Clóvis Eduardo Pinto Ludovice, um dos donos da escola, assinatura num documento que declarava a inexistência de folha diária de frequência dos alunos; que, assim, é certo que tal cheque visava obter da declarante o silêncio quanto ao contido naquele documento". Segundo ainda a declarante, entregou ela relatório completo do caso ao Senhor Delegado do MEC em São Paulo. 0 relatório foi entregue em mãos, sem passar no protocolo, já que o Delegado afirmara ser necessário um exame preliminar para avaliar a consistência das provas antes de ser tomado público. Em setembro de 1988, para surpresa da declarante, foi ela designada para exercer suas funções em outro município. A declarante julga que sua transferencia foi uma represália às denuncias que havia entregue. Indo à capital do Estado, para pedir esclarecimentos ao Delegado do MEC, teria ouvido deste que "jamais tinha entregue a ele qualquer prova e que jamais havia visto qualquer prova sobre as irregularidades". Distribuido o processo ao nobre Conselheiro Manoel Gonçalves Ferreira Filho, determinou ele se ouvisse a instituição, no prazo de quinze dias. Em 11 de setembro ultimo, o Diretor Presidente da ACEF - Associação Cultural e Educacional de Franca esclarece as denuncias afirmando que os problemas societários já se encontram "sub Júdice", aguardando decisão do Juizo de Direito da 2a. Vara Civel da Comarca de Franca;

4 que, em função das constantes denúncias, a DEMEC de São Paulo designou comissão que, em 1988, concluiu: "Levando-se em consideração a gravidade das denúncias formuladas pela TAE Maria José de Freitas, a Comissão encetou as diligências nos setores e secções da UNIFRAN, não conseguindo colher novas provas materiais"; que a referida comissão sugeriu fossem tomadas as seguintes providências: "a) Designação de Comissão de Acompanhamento composta por TAES, para exercer junto à UNIFRAN uma permanente verificação em todos os cursos, para controle e acompanhamento das frequências; b) Submeter ao Departamento de Pessoal as questões que envolvem a servidora para as providências que o caso requer"; finalmente, que uma segunda comissão, de acompanhamento, julgou regular a vida académica da instituição, constatando que a maioria do corpo discente reside em Franca e região, a normalidade da grade horária dos cursos e de sua frequência, a autenticidade do curriculo apresentado pelo corpo docente, a normalidade dos serviços de secretaria e tesouraria, etc.; 2. PARECER E VOTO DO RELATOR Estranha o Relator o modo como a primeira comissão, designada pela DEMEC-SP, enfrentou o problema do suborno da funcionária daquela Delegacia, que confessa ter recebido cheques e vantagens da instituição (para que pudesse, segundo ela, "avaliar pessoalmente a dimensão das fraudes") e que, afinal, surge nos autos como funcionária do Serviço de Orientação Pedagógica de escola mantida pela ACEF. Com relação a suas denúncias, diz a comissão que não conseguiu colher "novas provas materiais" e se limita a submeter seu caso ao Departamento de Pessoal. Nenhuma palavra quanto ao outro infrator, a instituição que cometeu o crime de cooptá-la. Temos, então, três aspectos deste processo a considerar: - o primeiro, o problema da separação da Requerente, entregue a uma decisão judicial que cabe aguardar; - o segundo, o das denúncias quanto a irregularidades na instituição, ao que parece afastadas pelo exame de duas comissões da DEMEC-SP; 4

5 - o terceiro, que envolve a funcionária Maria José de Freitas, para o qual sugere o Relator inquérito administrativo, para pleno deslinde do caso e apuração das responsabilidades. 3. CONCLUSÃO DA CAMARA A Câmara de Legislação e Normas acompanha o voto do Relator.

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