Os sistemas global e americano de proteção dos direitos humanos parte I. A Declaração Universal dos Direitos Humanos

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1 Os sistemas global e americano de proteção dos direitos humanos parte I Camila Bressanelli* A Declaração Universal dos Direitos Humanos Antes mesmo da análise dos sistemas global e americano de proteção dos direitos humanos, é mister observar a Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948, como sendo o reflexo da preocupação da comunidade internacional para a proteção de direitos fundamentais e a preservação da dignidade do ser humano. * Mestre em Direitos Humanos e Democracia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Professora do Centro Universitário Curitiba (Unicuritiba). Advogada. Na verdade essa declaração funcionou como uma declaração de princípios sobre os direitos e liberdades fundamentais do homem, além de ter iniciado uma nova política voltada para a proteção do ser humano. Quanto ao seu conteúdo, pode-se analisá-la a partir da construção de quatro vértices principais, como no esquema a seguir: Direito à vida, à liberdade física e à segurança jurídica da pessoa artigos 1 ao 11. Base dos laços do indivíduo com os grupos (família, nações), com os lugares (domicílio, circulação) e com os bens (propriedade) artigos 12 ao 17. Faculdades espirituais, liberdades públicas e direitos políticos artigos 18 ao 21. Direitos econômicos, sociais e culturais (trabalho, segurança social, educação, vida cultural, proteção dos criadores de obras artísticas, literárias e científicas) artigos 22 ao 30. Para esclarecer e melhor contextualizar tais pilares, é essencial a análise de alguns exemplos emblemáticos de cada um deles.

2 O artigo três da Declaração Universal dos Direitos Humanos é expresso ao estabelecer que todos têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, justamente em respeito ao estipulado no primeiro pilar retro referido. Em seguida, a Declaração Universal dos Direitos Humanos previu no seu artigo doze que ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques a sua honra e reputação. Assim, todo o homem tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques, protegendo-se, dessa forma, não apenas a privacidade, mas também a intimidade como grau mais avançado na proteção da personalidade humana. 1 É este o conteúdo do artigo 19, da Declaração Universal de Direitos Humanos: Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras. 2 Artigo 25, da Declaração Universal de Direitos Humanos: 1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. 2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social. 3 PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional. Acerca das faculdades espirituais, liberdades públicas e direitos políticos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo dezenove 1, previu a liberdade de opinião e de expressão a todo e qualquer indivíduo, como direito fundamental individual. Quanto aos direitos econômicos, sociais e culturais (trabalho, segurança social, educação, vida cultural, proteção dos criadores de obras artísticas, literárias e científicas), a Declaração Universal dos Direitos Humanos, no artigo vinte e cinco 2, visou à proteção integral ao ser humano, a começar pela preocupação com a manutenção de um padrão de vida capaz de satisfazer as suas necessidades vitais básicas. A partir desses pilares estruturantes, observa-se a ampliação do conceito de cidadão como aquele sujeito de direitos, e, portanto, portador do direito a ter direitos. Ademais, através da Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948, sagrou-se o reconhecimento, pela comunidade internacional, de que a dignidade e o direito a ter direitos são inerentes ao ser humano, incondicionalmente. Verificou-se a transformação da pessoa em sujeito de direitos na ordem internacional. Discute-se, apesar dessa perspectiva universalista, acerca da efetiva universalidade dos direitos humanos. Nesse sentido, a doutrina mais contemporânea, de Flávia Piovesan 3, por exemplo, vem apontado para o necessário processo de internacionalização dos direitos humanos. 2

3 O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos A Organização dos Estados Americanos (OEA) é uma organização internacional criada pelos Estados do continente americano a fim de conseguir uma ordem de paz e justiça, promover sua solidariedade e defender sua soberania, sua integridade territorial e sua independência, conforme prevê o artigo 1.º, da Carta da OEA. Essa Carta foi aprovada pela nona Conferência Internacional Americana, em Bogotá, em A OEA possui órgãos de atuação específica, e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos tem por função principal promover o respeito e a defesa dos direitos humanos, e servir como órgão consultivo da organização em tal matéria, de acordo com o artigo 106, da Carta da OEA. Para tanto, os Estados americanos estruturam o Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos para: reconhecer e definir com precisão quais são esses direitos; estabelecer normas de conduta obrigatórias para a proteção e promoção de direitos humanos; criar órgãos destinados a velar pela observância deles. Convenção americana sobre direitos humanos. Pacto de São José da Costa Rica Também denominada de Pacto de São José da Costa Rica, celebrada em 22 de novembro de 1969 (apesar de ter entrado em vigor em 1978), é a norma constituinte do Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos. 3

4 O Pacto de São José da Costa Rica foi elaborado para garantir a dignidade do ser humano, estabelecendo a obrigação de os estados respeitarem os direitos e as liberdades reconhecidas e de adotarem as medidas necessárias, na esfera interna, para dar efetividade aos direitos humanos. Para a busca da efetividade foi criada a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Dicas de estudo Leitura da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de (A Declaração pode ser encontrada no site da ONU. Basta clicar em documentos e o link aparece logo abaixo). Regulamento da Corte Interamericana de Direitos Humanos. (Disponível em: < Esse site está em espanhol, entretanto, para encontrar o regulamento em Língua Portuguesa, basta passar o mouse sobre link información e depois clicar em regulamento. Do lado esquerdo da página há um link para a versão em Língua Portuguesa). Análise da competência da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Observar a atuação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. (A página oficial da Comissão é: < O site está em espanhol, porém existe a opção de selecionar a Língua Portuguesa como padrão. Também no site DH Net há um artigo explicando o campo de atuação da Comissão. Basta entrar no site e buscar o nome do artigo). Referências ALMEIDA, Guilherme Assis de Almeida; PERRONE-MOISÉS, Cláudia (Coord.) Direito Internacional dos Direitos Humanos instrumentos básicos. 2. ed. São Paulo: Atlas, COMPARATO, Fábio Konder. A Afirmação Histórica dos Direitos Humanos. 6. ed. São Paulo: Saraiva, COTRIM, Gilberto. Direito Fundamental instituições de Direito Público e Privado. 22. ed. São Paulo: Saraiva,

5 GUERRA FILHO, Willis Santiago. Direitos fundamentais, processo e princípio da proporcionalidade. In: GUERRA FILHO, Willis Santiago (Coord.). Dos Direitos Humanos aos Direitos Fundamentais. Porto Alegre: Livraria do Advogado, OLIVEIRA, Erival da Silva. Direitos Humanos. São Paulo: Revista dos Tribunais, (Elementos do Direito, v.12). PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional. 10. ed. rev. atual. São Paulo: Saraiva, SANTOS, Fernando Ferreira. Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana. São Paulo: Celso Bastos, SILVA, Reinaldo Pereira e. Biodireito a nova fronteira dos direitos humanos. São Paulo: LTr, SIQUEIRA JUNIOR, Paulo Hamilton; OLIVEIRA, Miguel Augusto Machado de. Direitos Humanos e Cidadania. 2. ed. rev. atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, SZANIAWSKI, Elimar. Direitos de Personalidade e sua Tutela. 2. ed. rev. atual. amp. São Paulo: Revista dos Tribunais, WOLKMER, Antonio Carlos. Introdução aos fundamentos de uma teoria geral dos novos direitos. In: Wolkmer, Antonio Carlos; Leite, José Rubens Morato (Coord.). Os Novos Direitos no Brasil natureza e perspectivas. São Paulo: Saraiva,

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