A CONTRACULTURA NA MÚSICA DOS ANOS 60 - SCRIPT DO JOGRAL

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1 1 DEPARTAMENTO DE LETRAS E ARTES LICENCIATURA EM LETRAS COM A LÍNGUA INGLESA LITERATURA BRASILEIRA JOÃO BOSCO DA SILVA A CONTRACULTURA NA MÚSICA DOS ANOS 60 - SCRIPT DO JOGRAL FEIRA DE SANTANA BAHIA 2008

2 1 ENTRADA Entrar cantando: (A banda Chico Buarque) Estava à toa na vida, o meu amor me chamou, pra ver a banda passar, cantando coisas de amor. Nossa apresentação vai fazer uma viagem musical pela contracultura dos anos 60. Inicialmente, a contracultura surgiu em 1948 nos Estados Unidos, com o Escritor Jack Kerouac, com o primeiro grande grupo Beat Generation (Geração Beat) (Os Beatniks eram jovens intelectuais que contestavam o consumismo e o otimismo do pós-guerra americano, a falta de pensamento crítico etc. Kerouac morreu isolado, em 21/10/1969. Em comun os jovens daquela geração usavam muita droga. No âmbito musical, surgiram vários gêneros de influências vindos dos Beatles, Rollings Stones, Jimmy Hendrix, Janis Joplin entre outros. No Brasil começou no Rio de Janeiro em meados dos anos 60, por influência da cultura americana do Pós-Guerra e um inconformismo com o formato musical simples da época no Brasil. Durante o regime militar a contracultura também foi influenciada pelo Concretismo de Juntamente com a influência do rock internacional, a contracultura começou em agosto de 1958 com o cantor João Gilberto - baiano nascido em Juazeiro. Esse movimento foi acusado por críticos e pesquisadores e, principalmente, por parte da esquerda brasileira, de ser um movimento elitizado de músicos alienados, apolítico, que caminhava na contramão da maioria das manifestações culturais da época, de oposição à ditadura. Que movimento foi esse? Vou te contar: Cantando: Vou te contar, meus olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender. Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho. BOSSA NOVA Existiu outro movimento também chamado de alienado, na época pelos críticos e esquerdistas, pois não estava nem aí para o golpe militar. Foi aquele que trazia músicas românticas de simples composições e estrutura de letras sem conteúdo pragmático. Era tão ingênuo, que a intenção de botar o povo pra dançar deu certo. Ele... era... JOVEM GUARDA Cantando: Era um biquíni de bolinha amarelinha tão pequenininho, mal cabia na Ana Maria. Biquíni de bolinha amarelinho tão pequenininho, que na palma da mão se escondia. (A jovem Guarda)

3 2 Influenciado também pelo concretismo, surge um movimento musical debochado e perseguido pela ditadura, pela sua capacidade de explorar temas da época com letras irreverentes e contestadoras, nuns compassos musicais misturados. Enquanto alguns morriam assassinados no regime militar, outros se exilavam e poucos quiseram fazer a diferença. Surgiram então os contestadores do absurdo e jogaram a inteligência a serviço da musicalidade tropical com os aviões sobre a cabeça. Cantando: Sobre a cabeça os aviões, sobre os meus pés os caminhões a força contra os chapadões meu nariz..(-) Viva a banda da da da, Carmem Miranda da da da da. Viva a banda da da da. Carmem Miranda, da da da da. A TROPICÁLIA... Caetano perguntou: "por que não?"porque não? ALEGRIA, ALEGRIA (Caetano Veloso) Caminhando contra o vento, sem lenço sem documento, no sol de quase dezembro, eu vou O sol se reparte em crimes, espaçonaves, guerrilhas em Cardinales bonitas, eu vou... Por que não, por que não (2x) Por que não lembrar também de outro baiano nascido em Irará na Tropicália? Ele é o irreverente Tom Zé. TOM ZÉ - Antônio José Santana Martins. TOM ZÉ Nasceu em 11/10/36, em Irará, Bahia. É um compositor, cantor, arranjador e ator brasileiro, considerado uma das figuras mais originais da Música Popular Brasileira, tendo participado ativamente do movimento musical conhecido como Tropicália nos anos 1960 e se tornado uma voz alternativa influente no cenário musical do Brasil. Juntamente com Alegria, Alegria de Caetano, a música Parque Industrial foi um marco na contracultura musical do Brasil. Parque Industrial (Tom Zé) Pois temos o sorriso engarrafado, já vem pronto e tabelado É somente requentar. E usar. É somente requentar. E usar, Porque é made, made, made. Made in Brazil. (bis)

4 Quem foi um outro líder do tropicalismo que fez músicas de protesto lançando a semente da conscientização e agitando a opinião pública, um baiano retado, filho do médico José Gil Moreira, e da professora primária dona Claudina? Foi Gilberto Gil... GILBERTO GIL Gilberto Gil (1942) é um músico compositor e poeta brasileiro, sendo um dos criadores do movimento tropicalista nos anos 60. Filho de médico, nasceu em Salvador e viveu durante pouco tempo no interior da Bahia, onde recebeu grande influência da música popular. Na infância, ganhou um violão da mãe e conheceu a música de João Gilberto, o que o influenciou fortemente. Na faculdade, conheceu Caetano Veloso, Tom Zé, Gal Costa e Maria Bethânia. Na tropicália ficou conhecido pela música Domingo no Parque: O rei da brincadeira -Ê, José! O rei da confusão - Ê, João! Um trabalhava na feira - Ê, José! Outro na construção - Ê, João!... A semana passada, no fim da semana, João resolveu não brigar. No domingo de tarde saiu apressado, e não foi pra Ribeira jogar. Capoeira! Não foi prá lá. Pra Ribeira, foi namorar... (...) Namorar era o forte da época entre os tropicalistas. Dentre eles, um advogado paraibano parceiro de Carlos Lira foi destaque, e também fez músicas consideradas subversivas pelos militares. Foi Geraldo Vandré... GERALDO VANDRÉ Precisa ser intelectual para encontrar as flores dessa canção? Pra não dizer que não falei das flores (Geraldo Vandré) Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguais braços dados ou não Nas escolas nas ruas, campos, construções Caminhando e cantando e seguindo a canção Ref. Vem, vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer (bis) Há soldados armados, amados ou não Quase todos perdidos de armas na mão Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição De morrer pela pátria e viver sem razão 3

5 4 CONCLUSÃO Depois de tanto sofrimento para dar qualidade à música brasileira, estamos vivendo no início do século XXI com uma enxurrada de péssimas músicas, de letras que não apresentam criatividade ou possibilidades de reflexões, pois exaltam partes do corpo humano e denigrem a imagem da mulher, além de estimular a violência e uso de drogas. Portanto, é preciso conhecer o passado, para aprender a fazer música no presente.

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