PROCESSO CONSULTA Nº 04/2014 PARECER CONSULTA Nº 19/2014

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1 PROCESSO CONSULTA Nº 04/2014 PARECER CONSULTA Nº 19/2014 Solicitante: DRA. F. F. D. G. CRM/GO XXXXX Conselheiro Parecerista: DR. WASHINGTON LUIZ FERREIRA RIOS Assunto: PAGAMENTO DOS HONORÁRIOS MÉDICOS PELO PACIENTE AO MÉDICO AUXILIAR NÃO COOPERADO Sr. Presidente, Srs(as). Conselheiros(as), Ementa: O médico não cooperado ou credenciado deve receber pelos procedimentos executados e se uma vez estando o paciente de acordo o mesmo pode receber diretamente do paciente. O auxiliar devidamente qualificado pode realizar parte do procedimento cirúrgico quando o cirurgião assim o permitir não configurando ilícito ético. O auxiliar na impossibilidade do cirurgião pode realizar visitas, evoluções, prescrições e altas as pacientes nas quais participou do referido procedimento. Devendo ficar claro que a responsabilidade da indicação, realização do procedimento e sua evolução e de responsabilidade do cirurgião principal.. Designado que fui para emitir relatório do presente Processo Consulta, o faço da forma que se segue: 1

2 PARTE EXPOSITIVA QUESTIONAMENTOS: 1) Se vou internar um paciente pelo convênio, é legítimo, se o paciente estiver de acordo, cobrar os honorários médicos do auxiliar, no caso deste médico estar descredenciado ou não cooperado à operadora de plano de saúde, visto que ele não poderá mais receber do convênio? Sim. É direito do médico receber por procedimentos por ele executados desde que respeitados os valores dignos a cada procedimento e dentro do possível compatíveis com os valores pagos pelo convênio ou operadora de saúde do qual o(a) paciente possui o vinculo. O Código de Ética Médica (CEM) já em seus princípios fundamentais, no seu artigo 30 define que A fim de que possa exercer a Medicina com honra e dignidade, o médico deve ter boas condições de trabalho e ser remunerado de forma justa. E conforme o parecer consulta N 1897/2007 CRM-PR Portanto, o médico praticou um ato profissional e deve ser remunerado por isto. A grande questão se resume na responsabilidade pelo pagamento. As cooperativas médicas têm estatuto e regimento interno próprios, não cabendo a este Conselho parecer de ordem administrativa. Sugiro contato com a cooperativa de origem, explicação do caso específico, e verificação se existe a possibilidade de recebimento de honorários de forma direta, via Hospital ou até por reembolso. Caso não se consiga nenhuma das possibilidades aventadas, desde que o paciente concorde, os honorários poderiam ser cobrados diretamente do mesmo, seguindo os valores praticados pela operadora. Se este for o caminho empregado, temos dois artigos no CEM que devem ser seguidos: Ao médico é vedado: Art Deixar de se conduzir com moderação na fixação de seus honorários, devendo considerar as limitações econômicas do paciente, as circunstâncias do atendimento e a prática local. Art Deixar de ajustar previamente com o paciente o custo provável dos procedimentos propostos, quando solicitado. 2

3 Diante do exposto, cabe ao responsável pelo ato, ou seja, o cirurgião, a responsabilidade de formar a sua equipe, bem como verificar qual a forma do pagamento dos honorários da mesma, dentro da esfera administrativa e seguindo os princípios éticos.. 2) Por ele ser Mastologista e sempre ter me auxiliado em cirurgias de mama (nódulos, ginecomastia, etc), há algum inconveniente se eu, como ginecologista, internar a paciente sob minha responsabilidade e ele, sendo meu auxiliar, e especialista na área, executar a cirurgia ou parte dela quando eu julgar apropriado? A decisão da realização de um procedimento médico deve ser baseada na capacidade, competência, formação e habilidade do mesmo para realizar o ato. O médico ginecologista ter formação básica para realizar procedimentos em mastologia, porém deve nos casos em que não se sentir apto encaminhar o(a) paciente ao especialista em mastologia que possui melhor formação para realização do procedimento. Não é ético solicitar procedimentos que sabidamente serão realizados por outro médico, no caso, o médico cirurgião principal, e delegar ao médico cirurgião auxiliar a responsabilidade pelo procedimento. A montagem da equipe cirúrgica, composta de recursos humanos e técnicos, é da responsabilidade efetiva do cirurgião titular, ao qual incumbe oferecer ao paciente o máximo zelo, o melhor progresso científico, o que significa usar auxiliares qualificados e, desta forma, evitar danos por imprudência ou negligência.. Portanto é ético em cirurgias em que não se sente segura a realizar tal procedimento deve ser OBRIGATORIAMENTE o paciente encaminhado ao colega com formação especifica na área para o mesmo decidir o que é melhor ao paciente e este passar a ser o seu cirurgião principal. Conforme RESOLUÇÃO CFM n 1.490/98 Art.1º - A composição da equipe cirúrgica é da responsabilidade direta do cirurgião titular e deve ser composta exclusivamente por profissionais de saúde devidamente qualificados. Art. 2º - É imprescindível que o cirurgião titular disponha de recursos humanos e técnicos mínimos satisfatórios para a segurança e eficácia do ato. 3

4 Art. 4º - Deve ser observada a qualificação de um auxiliar médico, pelo cirurgião titular, visando ao eventual impedimento do titular durante o ato cirúrgico. Art. 5º - O impedimento casual do titular não faz cessar sua responsabilidade pela escolha da equipe cirúrgica. PARECER CREMEC N 03/2005 de 14/02/05: A cirurgia é um ato exclusivo do médico, o qual é o responsável legal pela indicação e execução da mesma. A montagem da equipe cirúrgica é da responsabilidade do cirurgião, o qual responderá jurídica e eticamente por qualquer dano ao paciente, ainda que tenha que se ausentar, por motivo de força maior, durante o ato cirúrgico. Ao considerarmos os pareceres relatados, principalmente o do CREMESP em processo-consulta nº 7.731/89 e os do CREMEC 29/97, 18/99 e 04/00, utilizamos os seguintes subsídios para embasar este parecer: 1 - O responsável pelo ato cirúrgico é o cirurgião, cabendo a ele a escolha ou aceitação de seus auxiliares, bem como o estabelecimento do número e qualificação a serem exigidos, devendo, porém, agir sempre em benefício do paciente e levar em conta o que é reconhecidamente aceito nos meios científicos: 2 - O primeiro auxiliar deverá ser médico cirurgião, conhecedor da técnica e metodologia do primeiro cirurgião, e apto a terminar o ato cirúrgico no impedimento do titular. A necessidade de um primeiro auxiliar, e até de um segundo auxiliar com as características acima, está na dependência do porte da cirurgia e é de exclusiva decisão do cirurgião titular, não podendo existir limitações institucionais ou de outra origem quanto à sua decisão, considerando o artigo 8º do Código de Ética Médica.. Conforme PARECER-CONSULTA Nº 4320/2011 do CRM/MG 1) O profissional responsável pela equipe cirúrgica assim como pela cirurgia é o cirurgião principal, portanto, é de sua responsabilidade indicar ou contraindicar a cirurgia, definir a técnica, via de acesso, demarcação de áreas a serem ressecadas ou extirpadas e demarcação de retalhos cutâneos. 2) Como responsável pela cirurgia, entende-se que o cirurgião principal é o responsável pela realização de anamnese e exame físico, avaliou exames 4

5 complementares e definiu o momento de realizar o ato operatório. Tais procedimentos podem ser delegados a outro cirurgião, porém a responsabilidade não. 3) A responsabilidade é do cirurgião principal responsável que permitiu que seu auxiliar realizasse o procedimento que é da competência daquele.. Conforme Parecer Consulta Nº 4023/2005 do CREMESP Ementa: Não caracteriza infringência ética o cirurgião que delega aos seus assistentes o fechamento de incisões, colocação de drenos, curativos etc, visto que os mesmos são treinados e habilitados para a realização destes atos complementares.. (...) o desejável é que sempre o cirurgião auxiliar seja médico habilitado a realizar a cirurgia que está sendo proposta, caso haja qualquer impossibilidade do titular dar sequência ao ato. Desta forma, respondendo aos quesitos, não se caracteriza infringência ética e muito menos, poderíamos aventar negligência, imprudência ou imperícia na condição apresentada, pois o mesmo é habilitado e especialista na área em questão. 3) Sempre fizemos prescrições, evoluções, visitas e altas médicas um para o outro. Há algum problema nesta prática, sendo que os dois participam do procedimento cirúrgico e dividem responsabilidades legais? Não. No caso de impedimento do cirurgião em realizar prescrições, evoluções, visitas e altas médicas e estando o auxiliar disposto a realiza-los e sendo ele profissional habilitado e que ainda participou do procedimento cirúrgico não há impedimento. Porém deve-se ressaltar que a responsabilidade do procedimento e sua evolução satisfatória ou não é do cirurgião principal e não do auxiliar. PARTE CONCLUSIVA Diante do exposto entendo que: 1) O médico não cooperado ou credenciado deve receber pelos procedimentos executados e se uma vez estando o(a) paciente de acordo e com consentimento pós informado assinado pelo(a) paciente ou responsável, o mesmo pode receber diretamente do(a) paciente, procurando previamente ajustar os valores 5

6 de acordo com os valores pagos pelo convênio ou operadora de plano de saúde. Porém mesmo assim em procedimentos eletivos o cirurgião deve procurar colegas que fazem procedimentos pelo plano de saúde do(a) paciente evitando desgastes ao(à) paciente, plano de saúde e profissionais médicos. 2) O cirurgião principal jamais deve indicar um procedimento médico que sabidamente não ira realiza-lo delegando tal responsabilidade de execução ao médico auxiliar. Portanto, neste caso o correto e ético é encaminhar o(a) paciente ao colega competente a realizar tal procedimento e este decidir a conduta, local de internação, auxiliares e valores de tal procedimento. Portanto não é ético ou permitido ao cirurgião principal solicitar procedimento que sabidamente não tem competência a realizar delegando responsabilidade a terceiros. 3) O auxiliar na impossibilidade do cirurgião pode realizar visitas, evoluções, prescrições e altas as pacientes nas quais participou do referido procedimento. Em todos os três quesitos devem ficar claro que a responsabilidade da indicação, realização do procedimento e sua evolução e de responsabilidade do cirurgião principal. Este é o meu parecer, S. M. J. Goiânia, 30 de junho de DR. WASHINGTON LUIZ FERREIRA RIOS Conselheiro Parecerista 6

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