Boletimj. Manual de Procedimentos. Imposto de Renda e Legislação Societária. Tributos e Contribuições Federais. Legislação Societária.

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1 Boletimj Manual de Procedimentos Imposto de Renda e Legislação Societária Fascículo N o 01/2015 Acesse a versão eletrônica deste fascículo em Aviso Importante Este fascículo contém folha extra do Calendário Mensal de Obrigações e Tabelas Práticas IOB referente ao mês de Janeiro/2015. // Tributos e Contribuições Federais IRPJ Avaliação de estoques // Legislação Societária Assembleia ou reunião dos sócios de sociedade limitada // IOB Comenta Simples Nacional Processo de adesão Veja nos Próximos Fascículos a IRPF e Fonte - Desconto do imposto sobre rendimentos pagos a pessoas físicas no ano-calendário de 2015 a IRPJ - Escrituração do livro Registro de Inventário a IRPJ - Opção pelo pagamento mensal em 2015 // IOB Perguntas e Respostas Contabilidade Provisões - Revisão periódica - Obrigatoriedade IRRF Complementação do 13º salário - Recálculo do imposto... 18

2 2015 by IOB SAGE Capa: Marketing IOB SAGE Editoração Eletrônica e Revisão: Editorial IOB SAGE Telefone: (11) (São Paulo) (Outras Localidades) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Imposto de renda e legislação societária : IRPJ : avaliação de estoques ed. -- São Paulo : IOB Folhamatic EBS - SAGE, (Coleção manual de procedimentos) ISBN Falência - Leis e legislação - Brasil 2. Imposto de renda - Leis e legislação - Brasil 3. Pessoa jurídica - Brasil 4. SIMPLES - Leis e legislação - Brasil I. Série CDU-34:336.2:347.72(81) Índices para catálogo sistemático: 1. Brasil : Tributação : Empresas : Direito tributário 34:336.2:347.72(81) Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio ou processo, sem prévia autorização do autor (Lei n o 9.610, de , DOU de ). Impresso no Brasil Printed in Brazil Boletim IOB

3 Calendário de Obrigações e Tabelas Práticas - Tributário EXTRA Tributário Federal Mantenha esta folha encartada no Calendário Tributário Federal para Janeiro/2015 Indicadores econômicos e fiscais e reajuste de aluguéis I - Indicadores econômicos e fiscais Posteriormente ao envio do Calendário Mensal de Obrigações e Tabelas Práticas - Tributário Federal para Janeiro/2015, foram divulgados os seguintes índices que o complementam: a) TR de dezembro/2014: 0,1053%; b) Selic de novembro/2014: 0,84%; c) TJLP (4º trimestre/2014): 5% a.a.; d) valor que teria o BTN atualizado pela TR (dezembro/2014): R$ 1,5852. Também foram divulgados os índices de inflação do mês de novembro/2014, conforme tabela a seguir. ÍNDICES DE INFLAÇÃO - PRINCIPAIS ÍNDICES ICV (DIEESE) IPC (FIPE) INPC (IBGE) IPCA (IBGE) MÊS/ANO VARIAÇÃO VARIAÇÃO VARIAÇÃO VARIAÇÃO NO MÊS NO ANO NO MÊS NO ANO NO MÊS NO ANO NO MÊS NO ANO % % % % % % % % DEZEMBRO/2013 0,44 6,02 0,65 3,89 0,72 5,56 0,92 5,92 JANEIRO/2014 1,95 1,95 0,94 0,94 0,63 0,63 0,55 0,55 FEVEREIRO/2014 0,61 2,57 0,52 1,46 0,64 1,27 0,69 1,24 MARÇO/2014 0,81 3,40 0,74 2,21 0,82 2,10 0,92 2,17 ABRIL/2014 0,57 3,99 0,53 2,75 0,78 2,90 0,67 2,85 MAIO/2014 0,14 4,14 0,25 3,00 0,60 3,52 0,46 3,32 JUNHO/2014 0,00 4,14 0,04 3,04 0,26 3,79 0,40 3,73 JULHO/2014 0,68 4,85 0,16 3,20 0,13 3,92 0,01 3,74 AGOSTO/2014 0,02 4,87 0,34 3,55 0,18 4,11 0,25 4,00 SETEMBRO/2014 0,23 5,11 0,21 3,77 0,49 4,62 0,57 4,59 OUTUBRO/2014 0,50 5,64 0,37 4,15 0,38 5,02 0,42 5,03 NOVEMBRO/2014 0,52 6,19 0,69 4,87 0,53 5,58 0,51 5,57 Nota Os índices de inflação acumulados podem variar de acordo com a fonte consultada. Nosso critério de arredondamento é o mesmo utilizado na regra aritmética: o resultado final do algarismo igual ou acima de 5 é arredondado para cima. II - Reajuste de aluguéis comerciais e residenciais 1. CLÁUSULA DE REAJUSTE ANUAL Por força das medidas decorrentes do Plano Real, é admitida a estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a 1 ano, como ocorre, por exemplo, nos contratos de aluguéis. Anexo à Edição nº 01/2015 FE 1

4 Calendário de Obrigações e Tabelas Práticas - Tributário Assim, os contratos de aluguéis poderão conter cláusula de reajuste, desde que tenham prazo igual ou superior a 1 ano. Observe-se, sob esse aspecto, que é nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a 1 ano. (Lei nº /2001, art. 2º, caput, 1º) 2. Contratos COM estipulação de reajuste pelo (extinto) IPC-r Os contratos de aluguéis firmados a partir do mês de julho/1994 somente poderiam prever cláusula de reajuste (anual) segundo a variação acumulada do IPC-r. Todavia, como o referido índice foi extinto desde 1º , nas obrigações e nos contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPC-r, este deve ser substituído, a partir da citada data, pelo índice previsto contratualmente. Na hipótese de inexistir previsão de índice de preços substitutos e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada a média aritmética simples do INPC e do IGP-DI, a qual pode ser encontrada por meio da seguinte fórmula: Variação mensal = Variação anual do INPC + Variação anual do IGP-DI 2 Com base nessas disposições, a média aritmética simples do INPC e do IGP-DI, acumulados de dezembro/2013 a novembro/2014, é de 5,22%. (Lei nº 9.069/1995, arts. 27 e 28; Lei nº /2001, art. 8º, 1º e 2º; Decreto nº 1.544/1995) 2 FE Anexo à Edição nº 01/2015

5 Boletimj Manual de Procedimentos a Tributos e Contribuições Federais IRPJ Avaliação de estoques SUMÁRIO 1. Obrigação de avaliar os estoques 2. Mercadorias para revenda e matérias-primas industriais 3. Critérios de avaliação de estoque 4. Registro permanente de estoques 5. Inexistência de registro permanente de estoques 6. Produtos acabados e em elaboração 7. Avaliação dos estoques de produtos com base em contabilidade de custos 8. Arbitramento do valor do estoque de produtos acabados e em fabricação 9. Proibição de ajustes, reduções e provisões 10. Indedutibilidade da provisão para ajuste ao valor de mercado 11. Estoques de produtos rurais 12. EFD-ICMS/IPI 1. Obrigação de avaliar os estoques Para efeitos da legislação do Imposto de Renda, ao final de cada período de apuração do imposto, a pessoa jurídica deverá promover o levantamento e avaliação dos seus estoques das mercadorias, das matérias-primas e dos bens em almoxarifado, os quais serão avaliados pelo custo de aquisição, e, em relação aos produtos em fabricação e acabados, serão avaliados pelo custo de produção. Para fins fiscais, a avaliação do estoque terá por base o valor dos bens existentes no encerramento do período de apuração, podendo ser o custo médio ou o dos bens adquiridos ou produzidos mais recentemente (Fifo ou Peps), admitida, ainda, a avaliação com base no preço de venda, subtraída a margem de lucro. Caso a escrituração do contribuinte não mantiver um sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração, os estoques deverão ser avaliados por arbitramento nos moldes do art. 294 do RIR/1999. As pessoas jurídicas submetidas à tributação com base no lucro real devem, ao final de cada período de apuração, proceder ao levantamento e à avaliação dos estoques existentes Ressalte-se, porém, que, de acordo com a legislação vigente, a adoção da Escrituração Fiscal Digital (EFD-ICMS/IPI), nos termos do Ajuste Sinief nº 2/2009, supre a elaboração, registro e autenticação de livros para registro de inventário e registro de entradas, em relação ao mesmo período, desde que sejam informadas na escrituração as especificações que facilitem a identificação das mercadorias, dos produtos manufaturados, das matérias-primas, dos produtos em fabricação e dos bens em almoxarifado existentes na data do balanço patrimonial levantado ao fim da cada período de apuração, bem como observados os critérios para avaliação do estoque, nos termos dos arts. 261 e 292 a 298 do RIR/1999 (veja o tópico 12). Dessa forma, com a instituição da EFD-ICMS/ IPI, os dados referentes ao controle de produção e do estoque e do livro registro de inventário serão informados, respectivamente, nos Blocos K e H dessa escrituração digital. Essas informações serão geradas a partir da contabilidade de custos, que passará a ser obrigatória a partir de 1º , justamente para atribuir valor ao inventário e, consequentemente, apurar o custo das mercadorias ou dos produtos vendidos. Portanto, as empresas que não mantêm contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, ou seja, aquelas que vêm utilizando o critério do arbitramento para avaliar os estoques e apurar o custo dos produtos vendidos terão de se adequar, implantar um sistema que atenda à legislação tributária e, principalmente, observar as regras do leiaute para evitar inconsistências no envio da EFD-ICMS/IPI. (RIR/1999, arts. 292 e 293; Instrução Normativa RFB nº 1.420/2013, art. 6º, parágrafo único, I; Instrução Normativa RFB nº 1.486/2014) Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Jan/ Fascículo 01 IR/LS01-01

6 1.1 Empresas tributadas com base no lucro real As pessoas jurídicas submetidas à tributação com base no lucro real devem, ao final de cada período de apuração, proceder ao levantamento e à avaliação dos estoques existentes, devendo essa providência abranger os estoques de (RIR/1999, arts. 261 e 292): a) mercadorias para revenda, nas empresas comerciais; b) matérias-primas, materiais auxiliares (e outros materiais empregados na produção) e produtos (acabados e em elaboração), nas empresas industriais; c) outros bens existentes em almoxarifado, em qualquer empresa Encerramento de períodos de apuração do lucro real O lucro real das pessoas jurídicas deve ser apurado trimestralmente, em períodos de apuração encerrados em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, ressalvados (RIR/1999, art. 220, Instrução Normativa RFB nº 1.515/2014, art. 2º, 1º e 4º): a) os casos de incorporação, fusão, cisão e encerramento de atividades, nos quais a apuração do lucro real (se a empresa estiver submetida à tributação com base nesse lucro) deve ocorrer na data do evento; e b) a opção pelo pagamento mensal do imposto por estimativa, hipótese em que a empresa fica obrigada à apuração do lucro real somente em 31 de dezembro ou por ocasião de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades Levantamento de balanços ou balancetes de redução ou suspensão do imposto A empresa que optar pelo pagamento mensal do imposto por estimativa pode, se quiser, levantar balanços ou balancetes periódicos e apurar o lucro real gerado no ano-calendário em curso (até o mês do levantamento do balanço ou balancete), para fins de suspensão ou redução do pagamento do imposto mensal. Na data desses balanços ou balancetes, para fins de apuração do resultado do período, será necessário levantar e avaliar os estoques existentes, embora seja dispensada a escrituração do livro Registro de Inventário (Instrução Normativa RFB nº 1.515/2014, art. 12, 2º). Todavia, se a empresa possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final de cada ano-calendário ou no encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades (Instrução Normativa RFB nº 1.515/2014, art. 12, 3º). Portanto, a existência de registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, dispensa o levantamento físico dos estoques por ocasião dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução do pagamento mensal. Para esse fim, prevalecerá o valor dos estoques constante do registro permanente. Em 31 de dezembro, porém, será indispensável o levantamento físico. 1.2 Empresas tributadas pelo lucro presumido ou optantes pelo Simples Nacional As pessoas jurídicas optantes pela tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido, bem como as microempresas (ME) e as empresas de pequeno porte (EPP) que se submeterem ao regime tributário do Simples Nacional, também ficam obrigadas a proceder, em 31 de dezembro de cada ano-calendário, ao levantamento e à avaliação dos estoques, tendo em vista que a lei lhes impõe o dever de escriturar, nessa data, o livro Registro de Inventário (RIR/1999, art. 190, parágrafo único, II, e art. 527, II, Resolução CGSN nº 94/2011, art. 61, II). 2. Mercadorias para revenda e matérias- -primas industriais As mercadorias adquiridas para revenda, as matérias-primas adquiridas para emprego na produção industrial e os bens em almoxarifado deverão ser avaliados pelo custo de aquisição (RIR/1999, art. 293, Lei nº 6.404/1976, art. 183, II). Por essa razão, importa, inicialmente, ressaltar quais componentes financeiros devem integrar o custo de aquisição desses bens. 2.1 Parcelas integrantes do custo de aquisição O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda, bem como o de matérias-primas e quaisquer outros bens utilizados ou consumidos na produção industrial, compreende, além do preço pago ao fornecedor, as despesas de transporte e de seguro até a entrega dos bens no estabelecimento do adquirente, os impostos não recuperáveis pagos na aquisição ou na importação e os gastos com desembaraço aduaneiro (RIR/1999, art. 289, 1º a 3º). Impostos não recuperáveis são aqueles dos quais o adquirente dos bens não pode se creditar nos livros fiscais, como, por exemplo: IR/LS Manual de Procedimentos - Jan/ Fascículo 01 - Boletim IOB

7 a) IPI pago na aquisição de mercadorias, por comerciante varejista ou atacadista não equiparado a industrial; b) ICMS pago na aquisição de mercadorias cuja saída do estabelecimento adquirente não gera débito desse imposto e para as quais não haja permissão legal para manutenção do crédito pela entrada. Integra também o custo de aquisição o valor da contribuição previdenciária do produtor rural quando o adquirente de produtos rurais assume o ônus de seu pagamento (Ato Declaratório Normativo CST nº 15/1981). Esse tratamento aplica-se, também, ao ICMS pago pelo adquirente (contribuinte substituto) de produtos rurais destinados a uso ou consumo próprio (não destinados a comercialização ou industrialização). 2.2 Parcelas não integrantes do custo de aquisição Não integram o custo de aquisição o IPI e o ICMS, o PIS-Pasep e a Cofins não cumulativos, recuperáveis mediante crédito na escrita fiscal do adquirente (RIR/1999, art. 289, 3º). CÁLCULO DO CUSTO UNITÁRIO PARA ENTRADA NO ESTOQUE 1ª hipótese: aquisição, por uma empresa industrial, de 700 unidades de certa espécie de matéria- -prima, ao preço de R$ 10,00 por unidade (ICMS incluso - 18%), 10% de IPI, 1,65% de PIS-Pasep, 7,6% de Cofins, com frete e seguro por conta do vendedor: Preço das matérias-primas, sem inclusão do IPI (700 X R$ 10,00) R$ 7.000,00 (-) ICMS destacado na nota fiscal (recuperável) (R$ 1.260,00) (-) PIS-Pasep não cumulativo (R$ 115,50) (-) Cofins não cumulativo (R$ 532,00) = Custo líquido de aquisição R$ 5.092,50 Custo unitário (para entrada em estoque): R$ 5.092, = R$ 7,27 2ª hipótese: aquisição de unidades de determinada mercadoria, destinada a revenda no varejo, ao preço de compra de R$ 50,00 por unidade (ICMS incluso - 18%), 10% de IPI, 1,65% de PIS-Pasep, 7,6% de Cofins, com frete e seguro por conta do vendedor: Preço das mercadorias: (5.000 X R$ 50,00) R$ ,00 + IPI (não recuperável) R$ ,00 (-) ICMS (recuperável) (R$ ,00) (-) PIS-Pasep não cumulativo (R$ 4.537,50) (-) Cofins não cumulativo (R$ ,00) = Custo líquido de aquisição R$ ,50 Custo unitário (para entrada em estoque): R$ , = R$ 40,91 Nota Para efeito da apuração do crédito da contribuição para o PIS-Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da alíquota de 1,65% e de 7,6%, respectivamente, sobre as aquisições, despesas, custos e encargos de depreciação e amortização, na forma e nas condições previstas na Instrução Normativa SRF nº 404/2004, observando-se que: a) o IPI incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e b) o ICMS integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços. 2.3 Frete e seguro pagos a terceiros As despesas de frete e seguro, quando cobradas diretamente pelo vendedor de bens, não oferecem maiores dificuldades, porque são debitadas na própria nota fiscal de venda e somadas ao preço total. Nesse caso, para se determinar o custo unitário de aquisição, basta dividir o valor total da nota fiscal (excluídos o IPI e o ICMS, quando recuperáveis) pela quantidade adquirida. Entretanto, quando tais despesas forem pagas a terceiros (transportadores, companhias seguradoras), deve ser providenciada a sua agregação ao custo de aquisição dos bens, por meio de lançamento contábil específico (excluído o ICMS passível de crédito, quando for o caso). (RIR/1999, art. 289, 1º) 2.4 Custo de importação O custo de aquisição de mercadorias ou matérias- -primas importadas diretamente pela empresa compreende, além do valor da operação cambial, frete, seguro e impostos não recuperáveis, todos os demais gastos com o desembaraço aduaneiro (despesas portuárias, honorários do despachante, etc.). Na prática, recomenda-se que, para cada importação, seja aberta uma conta transitória de importação em andamento (classificável no Ativo Circulante), na qual serão debitados os gastos imputáveis a ela, na medida em que forem sendo pagos ou incorridos. Após o recebimento dos bens, o custo final da importação, representado pelo saldo da conta transitória de importação em andamento, será transferido para conta própria do estoque. Se a importação for pactuada para pagamento a prazo, o valor a pagar, expresso em moeda estrangeira, será convertido em reais com base na taxa cambial (para venda da moeda pelas instituições operadoras de câmbio) vigente na data do desembaraço aduaneiro e registrado a débito da importação e a crédito de conta própria do Passivo Circulante ou exigível a longo prazo, de acordo com o vencimento. A partir daí, o ajuste do valor da obrigação, em decorrência de variações na taxa cambial verificadas até a sua liquidação, terá como contrapartida conta de resultado (variações monetárias). Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Jan/ Fascículo 01 IR/LS01-03

8 Se o vendedor dos bens importados for pessoa vinculada ao importador (por exemplo: se o vendedor for a matriz ou filial da empresa importadora, ou detiver o controle societário dessa, ou for sociedade controlada ou coligada; ou se o importador e o vendedor forem sociedades sob controle societário ou administrativo comum) ou for domiciliado ou residente em país que não tribute a renda ou a tribute com alíquota máxima inferior a 20% (veja a nota), os custos constantes dos documentos de importação ficam, para fins de determinação do lucro real, sujeitos à observância das normas sobre preços de transferência, previstas na legislação consolidada no RIR/1999, art. 241, e na Instrução Normativa RFB nº 1.312/2012, alterada pelas Instruções Normativas RFB nºs 1.322, 1.395, 1.431/2013, e e 1.498/2014. Nota A Portaria MF nº 488/2014 reduziu de 20% para 17% o percentual de que trata o caput do art. 24 e os incisos I e III do parágrafo único do art. 24-A, ambos da Lei nº 9.430/1996, para países, dependências e regimes que estejam alinhados com os padrões internacionais de transparência fiscal, nos termos definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), sem prejuízo da observância das demais condições estabelecidas pelos arts. 24 e 24-A da referida lei, ou seja, nas hipóteses aplicáveis às regras de preços de transferência em relação: a) aos preços, custos e taxas de juros, constantes dos arts. 18 a 22 da Lei nº 9.430/1996, que também são aplicáveis às operações efetuadas por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior anteriormente prevista de 20%; b) ao regime fiscal privilegiado, ou seja, especificamente no caso daquele que apresentar uma ou mais das seguintes características: b.1) não tribute a renda ou a tribute à alíquota máxima inferior anteriormente prevista de 20%; e b.2) não tribute, ou o faça em alíquota máxima inferior à anteriormente prevista de 20%, os rendimentos auferidos fora de seu território. 3. Critérios de avaliação de estoque De acordo com a legislação consolidada no RIR/1999, art. 295, os estoques existentes na data do encerramento do período de apuração poderão ser avaliados pelo custo médio ponderado de aquisição ou produção ou pelo custo dos bens adquiridos ou produzidos mais recentemente (Fifo ou Peps). Admite- -se, ainda, a avaliação com base no preço de venda, subtraída a margem de lucro (veja o subtópico 3.4). Observe-se que não é admitida a utilização do método conhecido pela sigla inglesa Lifo (Last In, First Out) ou pela sua tradução Ueps (Último a Entrar, Primeiro a Sair). Nota Os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso III do caput do art. 184 da Lei nº 6.404/1976, relativos a cada operação, serão considerados na determinação do período de apuração em que o bem foi revendido ou utilizado como insumo na produção de bens ou serviços. Nessa hipótese, caso não haja controle individual das unidades em estoque, poderá ser utilizado o método contábil denominado Peps, independentemente de haver ou não registro permanente de estoque, ou do registro permanente ser feito com base no custo médio (Instrução Normativa RFB nº 1.515/2014, art. 38, 5º). 3.1 Custo médio É o método mais usado no Brasil e consiste em avaliar o estoque pelo custo médio de aquisição apurado em cada entrada de material, ponderado pelas quantidades adicionadas e pelas anteriormente existentes. Para exemplificar, vamos imaginar a seguinte movimentação no estoque de determinada espécie de mercadoria: em 1º.12: compra de 120 unidades, ao custo unitário de R$ 800,00; em 08.12: compra de 80 unidades, ao custo unitário de R$ 805,00; em 10.12: venda de 100 unidades; em 16.12: compra de 100 unidades, ao custo unitário de R$ 810,00; em 20.12: venda de 100 unidades; em 23.12: compra de 100 unidades, ao custo unitário de R$ 815,00; em 30.12: venda de 100 unidades. REGISTRO DO CUSTO MÉDIO PERMANENTE Aplicando a técnica do custo médio permanente, esse movimento registra-se da seguinte forma: Data Histórico Entradas Saídas Saldos Qtd. Custo unitário R$ Total R$ Qtd. Custo médio R$ Total R$ Qtd. Custo médio R$ Total R$ 1º.12 Compra , , , , Compra , , , , Venda , , , , Compra , , , , Venda , , , , Compra , , , , Venda , , , ,00 Somas , , , , IR/LS Manual de Procedimentos - Jan/ Fascículo 01 - Boletim IOB

9 Conforme demonstrado por meio de exemplo, cada entrada a custo unitário de aquisição diferente do custo médio anterior implica ajuste ao custo médio. Como o custo médio resulta da divisão do saldo monetário pelo saldo físico, cada saída, conquanto mantenha inalterado o custo médio, altera o fator de ponderação, influindo, assim, no cálculo do custo médio na entrada seguinte. REGISTRO DO CUSTO MÉDIO MENSAL É aceito pelo Fisco (Parecer Normativo CST nº 6/1979) que as saídas sejam registradas somente ao fim de cada mês, desde que avaliadas ao custo médio que, sem considerar o lançamento de baixa, se verificar no mês. Para exemplificar esse critério alternativo de aplicação do custo médio, utilizaremos as mesmas informações que serviram de base para o exemplo anterior: Data Histórico Entradas Saídas Saldos Qtd. Custo unitário R$ Total R$ Qtd. Custo médio R$ Total R$ Qtd Custo médio R$ Total R$ 1º.12 Compra , , , , Compra , , , , Compra , , , , Compra , , , , Venda , , , ,00 Somas , , , , ,00 Conforme verificamos, o registro de saídas ensejou somente ao final do mês uma redução no valor do estoque final e, consequentemente, uma majoração no custo das mercadorias vendidas. Não obstante tal fato, esse critério alternativo é perfeitamente aceito pelo Fisco e, inclusive, oferece grande utilidade prática, principalmente para as empresas cuja movimentação de estoque seja muito dinâmica. 3.2 Custo das aquisições mais recentes (Peps ou Fifo) De acordo com o método conhecido pela abreviatura Peps (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair), que corresponde à tradução do inglês (First In, First Out), as saídas de estoque são avaliadas pelos respectivos custos de aquisição, pela ordem de entrada; dessa forma, o estoque sempre será avaliado pelos custos das aquisições mais recentes. REGISTRO DO CUSTO DAS AQUISIÇÕES MAIS RECENTES Registraremos o mesmo movimento utilizado nos exemplos anteriores: Data Histórico Entradas Saídas Saldos Qtd. Custo unitário R$ Total R$ Qtd Custo unitário R$ Total R$ Qtd. Custo unitário R$ Total R$ 1º.12 Compra , , , , Compra , , Venda , , Compra , , ,00 805,00 800,00 805,00 800,00 805,00 810, , , , , , , , , , , Venda ,00 805, , , , , , Compra , , ,00 815, , , , Venda , , , ,00 Somas , , , ,00 Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Jan/ Fascículo 01 IR/LS01-05

10 3.3 Análise comparativa Supondo-se que as mercadorias vendidas tenham produzido uma receita líquida de vendas de R$ ,00, demonstraremos as variações que podem ocorrer no resultado em função do critério adotado na avaliação do estoque: Custo médio Análise comparativa PEPS (FIFO) Permanente R$ Mensal R$ Receita líquida de , , ,00 vendas Custo das mercadorias vendidas ( ,00) ( ,00) ( ,00) Lucro bruto , , , Preço de venda, subtraída a margem de lucro A lei fiscal admite, alternativamente, a avaliação dos estoques a preço de venda, subtraída a margem de lucro. Entendida a margem de lucro como sendo a diferença entre o preço de venda e o custo de aquisição ou produção dos bens, avaliar o estoque pelo preço de venda, subtraída a margem de lucro, é o mesmo que avaliar pelo custo de aquisição ou produção. Assim, a empresa não pode, simplesmente, chutar uma margem de lucro qualquer. Tal procedimento poderia implicar superavaliação dos estoques e, consequentemente, antecipação de tributação (por majoração do lucro) ou subavaliação sujeita ao risco de questionamento fiscal. Observe-se, também, que o critério de avaliação com base no preço de venda, subtraída a margem de lucro, por razões óbvias, não se aplica aos estoques de insumos de produção (matérias-primas etc.), aos quais só cabe a avaliação pelo custo médio ou pelo Peps. A propósito, vale lembrar que, para o caso de empresa industrial que não mantiver sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração, a legislação prescreve critérios específicos para a avaliação dos estoques de produtos acabados e em elaboração dos quais trataremos, com exemplos, no tópico Registro permanente de estoques 4.1 Aspectos formais e critérios de registro O registro permanente de estoques pode ser feito em livros, fichas (Kardex) ou formulários contínuos emitidos por sistema de processamento de dados, cujos modelos são de livre escolha da empresa (Parecer Normativo CST nº 6/1979). Para cada espécie de bem estocado deve ser aberta ficha própria (ou página do livro, se for o caso), na qual as entradas e as saídas serão registradas em ordem cronológica. O custo das mercadorias vendidas ou das matérias-primas utilizadas na produção deverá corresponder à soma dos valores lançados durante o período de apuração de resultado na coluna Saídas. No registro de estoque de matérias-primas, as saídas são lançada s com base nas requisições de materiais transferidos pakra a produção. O livro ou as fichas de estoque não necessitam ser autenticados, mas os respectivos registros deverão ser mantidos em boa guarda durante o prazo prescricional aplicável ao Imposto de Renda para eventual exibição aos agentes do Fisco (RIR/1999, art. 264). 4.2 Registro de devoluções Nos casos de devolução de mercadorias ao fornecedor ou de recebimento de devolução de clientes, ocorridos após terem sido efetuados os registros da entrada ou da saída, respectivamente, na ficha de estoque, tecnicamente, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) as devoluções ao fornecedor são lançadas na ficha de estoque, na coluna Entradas, negativamente (entre parênteses), e não na coluna Saídas ; b) as devoluções recebidas de clientes são lançadas na coluna Saídas, também negativamente. Com a adoção de tais procedimentos, a soma das Entradas corresponderá ao valor das compras líquidas, e a das Saídas equivalerá ao valor do custo das mercadorias vendidas, registrados na contabilidade Valor das devoluções Quanto ao valor a ser atribuído às devoluções, observe-se que: a) o valor da devolução ao fornecedor será o mesmo pelo qual houver sido registrada a compra das mercadorias devolvidas; b) o valor da devolução de cliente será aquele pelo qual foi registrada a respectiva saída, sendo irrelevante o preço médio (se adotado esse critério de avaliação de estoque) vigente na data do registro da devolução. É oportuno observar, também, que o lançamento da devolução implica ajuste no custo médio, em virtude da alteração nos saldos físico e monetário, mas não há necessidade de se refazer a ficha de estoque, IR/LS Manual de Procedimentos - Jan/ Fascículo 01 - Boletim IOB

11 recalculando toda a movimentação a partir da data da compra ou da venda, conforme o caso. 5. Inexistência de registro permanente de estoques Se a empresa não possuir registro permanente, não poderá adotar o critério de avaliação de estoque com base no custo médio (Parecer Normativo CST nº 6/1979). Nesse caso, efetuado o inventário do estoque existente na data de encerramento do período-base, as quantidades encontradas, por contagem física, são avaliadas segundo os preços unitários praticados nas compras mais recentes, constantes de notas fiscais (excluindo-se o valor do IPI e do ICMS, quando recuperáveis, e do PIS-Pasep e da Cofins não cumulativos). AVALIAÇÃO DE UNIDADES INVENTARIADAS Vamos admitir que na contagem física de determinada espécie de mercadoria ou matéria-prima foram encontradas 200 unidades; na última compra desse bem, efetuada antes do encerramento do período de apuração do resultado, foram adquiridas 120 unidades, ao custo unitário de R$ 25,00, e na compra imediatamente anterior foram adquiridas 150 unidades, ao custo unitário de R$ 23,50 (em ambos os casos, já excluídos os impostos recuperáveis). Nesse caso, as 200 unidades inventariadas são avaliadas da seguinte forma: 120 unidades (total da última compra) a R$ 25,00 R$ 3.000,00 80 unidades (parte da penúltima compra) a R$ 23,50 R$ 1.880,00 Custo total das 200 unidades R$ 4.880,00 Caso as duas últimas aquisições houvessem somado uma quantidade inferior à inventariada, teríamos de nos reportar, sucessivamente e pela ordem, às compras imediatamente anteriores, tomando por base sempre o custo da aquisição (excluídos os impostos recuperáveis). CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS O custo das mercadorias vendidas ou das matérias-primas empregadas será obtido por meio da seguinte operação: EI + CP EF (Estoque Inicial mais Compras do Período menos Estoque Final) = CMV (Custo das Mercadorias Vendidas). Estoque inicial R$ ,00 (+) Compras do período R$ ,00 (-) Devolução de compras (R$ ,00) Soma R$ ,00 (-) Estoque final (R$ ,00) (=) Custo das mercadorias vendidas R$ ,00 6. Produtos acabados e em elaboração De acordo com o RIR/1999, art. 290, e o Parecer Normativo CST nº 6/1979, nas empresas que exploram atividade industrial, o custo dos produtos fabricados deve ser determinado com observância do método conhecido como custeio por absorção (também chamado de custeio pleno ou integral), não sendo admitida, para efeitos fiscais, a adoção do custeio direito ou variável. Portanto, o custo de produção deve compreender, além da matéria-prima e da mão de obra direta empregada (custos diretos), os chamados gastos gerais de fabricação (custos indiretos). 6.1 Componentes obrigatórios do custo de produção O RIR/1999, art. 290, relaciona os seguintes componentes que devem integrar obrigatoriamente o custo dos produtos: a) custo de aquisição de matérias-primas empregadas e de quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, determinado segun do as normas e os critérios expostos nos tópicos 2 a 5; b) custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) custos de locação, manutenção e reparo e encargos e depreciação dos bens aplicados na produção; d) encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) encargos de exaustão dos recursos naturais empregados na produção. Notas (1) Essa relação não é exaustiva e, portanto, comporta outros elementos que na prática são identificados como formadores do custo. (2) A obrigatoriedade de computar no custo da produção os encargos de depreciação e exaustão não se estende à depreciação acelerada admitida a título de incentivo fiscal nem à exaustão mineral incentivada calculada com base na receita bruta (na parte que exceder a quota de exaustão com base no custo de aquisição dos direitos minerais), que devem ser registradas apenas no Livro de Apuração do Lucro Real (RIR/1999, art. 313, 1º, e art. 331, 6º, e Parecer Normativo CST nº 96/1978). Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Jan/ Fascículo 01 IR/LS01-07

12 6.2 Bens de consumo eventual Conforme previsto no parágrafo único do RIR/1999, art. 290, a aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a 5% do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Isso significa que a compra de materiais de consumo eventual, desde que não excedente ao valor do limite fixado, poderá ser imputada imediatamente ao custo da produção, ainda que os materiais não tenham sido imediata e integralmente empregados ou consumidos. Essa permissão tem por finalidade desobrigar a empresa do esforço administrativo do controle de referidos materiais em contas de estoque. Alerte-se, entretanto, que somente poderão ser enquadrados como de consumo eventual os materiais utilizados de forma esporádica no processo produtivo, os quais, normalmente, a empresa não empregaria na obtenção do produto, tais como (Parecer Normativo CST nº 70/1979): a) materiais destinados a restaurar a integridade ou a apresentação de produtos danificados; b) embalagem especial (utilizada, por exemplo, para atender a determinadas necessidades de transporte); c) produtos para retificar deficiências reveladas pelas matérias-primas ou produtos intermediários etc. Nota Os materiais cujo uso seja previsível no processo produtivo e que sejam periodicamente empregados ou regularmente consumidos na produção, ainda que de forma intermitente, não poderão ser considerados como de consumo eventual. Tais materiais, independentemente de limite de valor, somente poderão ser computados no custo da produção quando forem efetivamente empregados ou consumidos (Parecer Normativo CST nº 70/1979). 6.3 Indústria calçadista Na indústria calçadista, o valor de aquisição de formas para calçados e o de facas e matrizes (moldes), estas últimas utilizadas para confecção de partes de calçados, são admitidos também como integrantes do custo de produção (Instrução Normativa SRF nº 104/1987). A permissão para imputar o valor desses bens ao custo da produção significa que não precisam ser registrados no Ativo Imobilizado para serem depreciados. 6.4 Custo padrão A apuração de custos com base em padrões preestabelecidos (custo padrão ou standard), que muitas empresas adotam como instrumento de controle de gestão, será aceita para efeitos fiscais, desde que (Parecer Normativo CST nº 6/1979): I - o padrão preestabelecido incorpore todos os elementos constitutivos do custeio por absorção (matéria-prima, mão de obra e gastos gerais de fabricação); II - as variações de custos (negativas e positivas) sejam distribuídas aos produtos, de modo que a avaliação final dos estoques não difira da que seria obtida com o emprego do custo real; III - as variações de custos sejam identificadas em nível de item final de estoque, de forma a permitir a verificação do critério de neutralidade do sistema adotado de custos sobre a valoração dos inventários. Segundo, ainda, o mencionado Parecer Normativo, a distribuição das variações entre os produtos (em processo e acabados) em estoque e o custo dos produtos vendidos deverá ser feita em intervalos não superiores a 3 meses ou em intervalos de maior duração, desde que, em qualquer caso, não seja excedido qualquer um dos seguintes prazos: a) o período de apuração do lucro real; b) o ciclo usual de produção, assim entendido o tempo normalmente despendido no processo industrial do produto avaliado. 7. Avaliação dos estoques de produtos com base em contabilidade de custos Segundo o RIR/1999, art. 294, 1º, a empresa industrial que mantiver sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração poderá utilizar os custos apurados contabilmente para avaliação dos estoques de produtos acabados e em elaboração. 7.1 Sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração Considera-se sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração aquele que, cumulativamente (RIR/1999, art. 294, 2º): a) seja apoiado em valores originados da escrituração contábil (matéria-prima, mão de obra direta e gastos gerais de fabricação); b) permita a determinação contábil, ao fim de cada mês, do valor dos estoques de matérias- -primas e outros materiais, produtos em elaboração e produtos acabados; IR/LS Manual de Procedimentos - Jan/ Fascículo 01 - Boletim IOB

13 c) seja apoiado em livros auxiliares, ou fichas, ou formulários contínuos, ou mapas de apropriação ou rateio, tidos em boa guarda e de registros coincidentes com aqueles constantes da escrituração principal; d) permita avaliar os estoques existentes na data de encerramento do período de apropriação de resultados segundo os custos efetivamente incorridos. Os lançamentos contábeis de custos poderão ser feitos mensalmente ou em períodos menores, desde que apoiados em comprovantes e demonstrativos adequados (Parecer Normativo CST nº 6/1979). 7.2 Necessidade da existência de registro permanente de estoques O sistema integrado de custos pressupõe a existência de controle escritural permanente de estoques, sendo incompatível com tal sistema a avaliação de estoque baseada em contagem física (Parecer Normativo CST nº 6/1979). Nas fichas de estoque de produtos acabados, as entradas serão avaliadas com base nos valores apurados por meio do sistema de custos integrado com a escrituração e as saídas serão avaliadas com base no custo médio de produção ou pelo custo das produções mais antigas (Peps ou Fifo), ficando o estoque final, consequentemente, avaliado pelo custo médio ponderado de produção ou pelo custo das produções mais recentes, respectivamente (veja os subtópicos 3.1 e 3.2). 8. Arbitramento do valor do estoque de produtos acabados e em fabricação De acordo com o RIR/1999, art. 296, se a empresa industrial não mantiver sistema de contabilidade de custos ou o sistema mantido não possuir os requisitos para ser considerado integrado e coordenado com o restante da escrituração, os estoques existentes no final do período de apuração deverão, obrigatoriamente, ser avaliados de acordo com as regras examinadas nos subitens seguintes. 8.1 Produtos acabados Os produtos acabados serão avaliados em 70% do maior preço de venda verificado no período-base, sem a inclusão do IPI, quando for o caso. Saliente-se que, para esse fim, o maior preço de venda será tomado sem a inclusão apenas do IPI, não se admitindo a exclusão de qualquer parcela a título de ICMS (RIR/1999, art. 296, 1º). AVALIAÇÃO DE PRODUTOS ACABADOS Vamos supor que na contagem física sejam encontradas 80 unidades de determinado produto, cujo maior preço unitário de venda no período-base tenha sido R$ 500,00 (sem IPI). Então: Valor unitário atribuído ao produto (70% de R$ 500,00) R$ 350,00 Quantidade inventariada: 80 unidades x R$ 350,00 R$ , Produtos em elaboração Os materiais que se encontrarem em processamento no setor de produção (produtos em elaboração), na data de encerramento do período-base, deverão ser avaliados por um dos seguintes critérios: a) uma vez e meia o maior custo de aquisição das matérias-primas adquiridas no período- -base (excluídos o IPI, o ICMS, o PIS-Pasep e a Cofins quando recuperáveis); ou b) 80% do valor-base para avaliação dos produtos acabados, determinado de acordo com o critério exposto no subtópico anterior. AVALIAÇÃO DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO I - Avaliação com base no custo da matéria-prima: Vamos imaginar que no encerramento do seu período-base uma indústria tenha em andamento uma Ordem de Produção na qual foram empregados 300 kg do material A e 400 kg do material B. Considerando que durante o período-base o maior custo de aquisição dessas matérias-primas (excluídos os impostos recuperáveis) tenha sido de R$ 30,00 por kg (material A ) e R$ 50,00 por kg (material B ), teríamos: Ordem de produção nº Matérias-primas empregadas Avaliação Requisição nº Espécie de Material Quantidade (Q) Unidade Maior Custo Unitário de Aquisição (MC) R$ Base: 150% do MC (B) R$ Valor total (Q x B) R$ 000 A 300 Kg 30,00 45, , B 400 Kg 50,00 75, ,00 Valor total desta Ordem de Produção ,00 Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Jan/ Fascículo 01 IR/LS01-09

14 II - Avaliação com base no preço de venda do produto acabado: Admitindo a existência de 30 unidades de determinado produto em fase de acabamento e considerando que o maior preço de venda do produto acabado, no período-base, tenha sido de R$ 200,00, por unidade (excluído o IPI), teríamos: Maior preço de venda do produto acabado no período-base (sem IPI) R$ 200,00 Avaliação do produto acabado: 70% de R$ 200,00 R$ 140,00 Avaliação do produto em elaboração: 80% de R$ 140,00 R$ 112,00 Quantidade de produtos em elaboração: 30 unidades Valor do estoque: 30 x R$ 112,00 R$ 3.360,00 Notas (1) O valor unitário a ser atribuído ao produto em elaboração pode ser determinado simplesmente calculando-se 56% do maior preço de venda do produto acabado: 56% de R$ 200,00 = R$ 112,00. (2) O arbitramento do valor do estoque final, conforme explanado neste subtópico, somente se aplica às matérias-primas em processamento (produtos em elaboração), isto é, àquelas que estiverem sendo empregadas na produção na data do encerramento do período-base; as matérias- -primas estocadas devem ser avaliadas pelo custo médio (se a empresa tiver registro permanente do estoque) ou pelo custo das aquisições mais recentes. 8.3 Reconhecimento na escrituração comercial Conforme dispõe o RIR/1999, art. 296, 2º, o valor do estoque determinado de acordo com as regras tratadas neste tópico deverá ser reconhecido na escrituração comercial. 9. Proibição de ajustes, reduções e provisões Para efeito de apuração do lucro real, na avaliação de estoques não são admitidas (RIR/1999, art. 298): a) reduções globais de valores inventariados nem formação de reservas ou provisões para fazer face à sua desvalorização; b) deduções de valor por depreciações estimadas ou mediante provisões para oscilação de preços; c) manutenção de estoques básicos ou normais a preços constantes ou nominais. 10. Indedutibilidade da provisão para ajuste ao valor de mercado A Lei nº 6.404/1976, art. 183, II, determina que o valor dos estoques seja deduzido de provisão para ajustá-lo ao valor de mercado. Todavia, desde 1º , a despesa com a constituição dessa provisão é indedutível tanto para fins de determinação do lucro real como da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 9.249/1995, art. 13, I, incorporado ao RIR/1999, art. 298, IV, e Instrução Normativa SRF nº 390/2004). 11. Estoques de produtos rurais O RIR/1999, art. 297, diz que os estoques de produtos agrícolas, animais e extrativos poderão ser avaliados aos preços correntes de mercado, conforme as práticas usuais em cada tipo de atividade. No Parecer Normativo CST nº 5/1986 consta que a faculdade de avaliar o estoque desses produtos ao preço corrente de mercado se aplica não só aos produtores, mas também aos comerciantes desses produtos e aos industriais que os utilizam como insumo da produção. Todavia, deve-se alertar que: a) se o valor corrente de mercado dos produtos for maior que o custo de aquisição ou produção registrado na contabilidade, a contrapartida do aumento do Ativo em virtude da avaliação do estoque a preços de mercado constituirá receita tributável (Ato Declaratório Normativo SRF/Cosit nº 32/1994); e b) se o valor de mercado dos produtos for menor que o custo de aquisição ou produção registrado na contabilidade, a avaliação a preços de mercado implicará a constituição de uma provisão que cai na regra geral de indedutibilidade, da qual tratamos no tópico EFD-ICMS/IPI Conforme mencionado no tópico 1, a adoção da EFD-ICMS/IPI supre a elaboração, registro e autenticação de livros para registro de inventário e registro de entradas, em relação ao mesmo período, desde que informados na escrituração, as especificações que facilitem a identificação, das mercadorias, dos produtos manufaturados, das matérias-primas, dos produtos em fabricação e dos bens em almoxarifado existentes na data do balanço patrimonial levantado ao fim da cada período de apuração, bem como observados os critérios para avaliação do estoque, nos termos do arts. 261 e 292 a 298 do RIR/ obrigatoriedade de apresentação da EFD-ICMS/IPI O Convênio ICMS nº 143/2006 e, posteriormente, o Ajuste Sinief nº 2/2009, dispõem acerca da insti IR/LS Manual de Procedimentos - Jan/ Fascículo 01 - Boletim IOB

15 tuição da EFD-ICMS/IPI, em arquivo digital, de uso obrigatório para os contribuintes do ICMS e/ou do IPI, no qual são integrados em um conjunto de registros de apuração de impostos, referentes às operações e às prestações praticadas pelo contribuinte, bem como de documentos fiscais e de outras informações de interesse dos Fiscos das Unidades da Federação e da Secretaria da RFB. Desde 1º , os contribuintes obrigados à EFD-ICMS/IPI devem escriturar e transmiti-la, via Internet, observando-se que foi fixado o prazo máximo de 1º para a obrigatoriedade da escrituração dos contribuintes ainda não obrigados, excetuando- -se contribuintes do Simples Nacional, cujo prazo máximo para obrigatoriedade foi estabelecido para 1º , podendo ser antecipado a critério de cada Estado. Assim, o contribuinte deve: a) gerar e manter uma EFD-ICMS/IPI para cada estabelecimento, devendo esta conter todas as informações referentes aos períodos de apuração do(s) imposto(s); b) manter todos os documentos fiscais que deram origem à escrituração, na forma e prazos estabelecidos para a guarda de documentos fiscais na legislação tributária, observados os requisitos de autenticidade e segurança nela previstos. Nota Os contribuintes obrigados à EFD-ICMS/IPI, mesmo que estejam com suas atividades paralisadas, devem apresentar os registros obrigatórios (notação = O ), informando, portanto, a identificação do estabelecimento, período a que se refere a escrituração e declarando, nos demais blocos, valores zerados, o que significa que não efetuou qualquer atividade Blocos Na escrituração entre o registro inicial (registro 0000) e o registro final (9999), o arquivo digital é constituído de blocos, cada qual com um registro de abertura, com registros de dados e com um registro de encerramento, referindo-se cada um deles a um agrupamento de documentos e de outras informações econômico-fiscais. A apresentação de todos os blocos, na sequência, conforme Tabela Blocos abaixo (item do Ato Cotepe/ICMS nº 9/2008), é obrigatória, sendo que o registro de abertura do bloco indicará se haverá ou não informação Tabela de Blocos Bloco Descrição 0 Abertura, Identificação e Referências C Documentos Fiscais I Mercadorias (ICMS/IPI) Bloco Descrição D Documentos Fiscais II Serviços (ICMS) E Apuração do ICMS e do IPI G* Controle do Crédito de ICMS do Ativo Permanente - CIAP H Inventário Físico K** Controle da Produção e do Estoque 1 Outras Informações 9 Controle e Encerramento do Arquivo Digital * Bloco G incluído para vigorar a partir do período de apuração de janeiro/2011. ** Bloco K incluído para vigorar a partir do período de apuração de janeiro/ Bloco K A partir de 1º , além das demais informações que compõem a EFD-ICMS/IPI, deverão ser preenchidas as constantes do Bloco K, o qual se destina à demonstração do controle da produção e do estoque Pessoas jurídicas obrigadas ao preenchimento do Bloco K Estão obrigadas ao registro de controle de produção e do estoque e, consequentemente, ao preenchimento do Bloco K as indústrias e equiparados a indústrias, o comércio atacadista e varejista, conforme a legislação a seguir: a) Convênio s/nº, de 1970, art. 63, 4º: os estabelecimentos industriais ou a eles equiparados pela legislação federal e pelos atacadistas, podendo, a critério do Fisco, ser exigido de estabelecimento de contribuintes de outros setores, com as adaptações necessárias; b) Decreto nº 3.000/1999, art. 289 (RIR/1999) e Decreto-lei nº 1.598/1977, art. 14: o custo das mercadorias revendidas e das matérias- -primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração; c) Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): os contribuintes manterão, em cada estabelecimento, conforme a natureza das operações que realizarem, entre outros livros fiscais, o Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, que será utilizado pelos estabelecimentos industriais, e equiparados a industrial, e comerciantes atacadistas, podendo, a critério da Secretaria da RFB, ser exigido de outros estabelecimentos, com as adaptações necessárias. Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Jan/ Fascículo 01 IR/LS01-11

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