FACULDADE ENERGIA DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS - FEAN CURSO DE ADMINISTRAÇÃO CIÊNCIAS CONTÁBEIS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO DESIGN GRÁFICO

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1 FACULDADE ENERGIA DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS - FEAN CURSO DE ADMINISTRAÇÃO CIÊNCIAS CONTÁBEIS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO DESIGN GRÁFICO MARCELLO B. ZAPELINI SILVIA M. K. C. ZAPELINI METODOLOGIA CIENTÍFICA E DA PESQUISA DA FEAN FLORIANÓPOLIS 2013

2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO A LEITURA E SUA IMPORTÂNCIA PARA O APRENDIZADO O PROCESSO DE LEITURA que ler e onde ler A ideia principal Os diferentes tipos de leitura Fases da leitura Como sublinhar um texto ESQUEMAS, RESUMOS E FICHAS DE LEITURA CONHECIMENTO E CIÊNCIA CONHECIMENTO Conceito Elementos Tipos de conhecimento CIÊNCIA Conceito Características da ciência Divisão da ciência Critérios de cientificidade A PESQUISA COMO PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO O MÉTODO CIENTÍFICO FUNDAMENTOS DE METODOLOGIA Conceito Tipos de raciocínio MÉTODOS CIENTÍFICOS ELEMENTOS DOS TRABALHOS ACADÊMICOS ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS ELEMENTOS TEXTUAIS ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS CITAÇÕES REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: A NBR 6023: PROJETOS E TRABALHOS DE CONCLUSÃO DE ESTÁGIO O QUE É UM PROJETO DE ESTÁGIO ESCOLHA DO TEMA, DO PROBLEMA, DO LOCAL E DO ORIENTADOR Definição da área e do tema Definição do problema Definição do local Definição do orientador PROJETOS DE ESTÁGIO O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE ESTÁGIO ABORDAGENS DE PESQUISA NO ESTÁGIO ABORDAGENS QUANTITATIVAS E QUALITATIVAS Pesquisa quantitativa Pesquisa qualitativa Pesquisa quali-quantitativa PERSPECTIVA TEMPORAL DE ESTUDO TIPOLOGIA DAS PESQUISAS

3 9.3.1 Classificação quanto aos fins Pesquisa explicativa Pesquisa descritiva Pesquisa explicativa Pesquisa metodológica Pesquisa aplicada Pesquisa intervencionista Classificação quanto aos meios Pesquisa de campo Pesquisa de laboratório Pesquisa documental Pesquisa bibliográfica Pesquisa experimental Pesquisa ex-post-facto Pesquisa participante/participativa Pesquisa-ação Estudo de caso Levantamento CONSIDERAÇÕES GERAIS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS POPULAÇÃO DE PESQUISA AMOSTRA Tipos de amostragem Cálculo da amostra TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS OBSERVAÇÃO Observação simples Observação participante Observação sistemática Roteiro de observação: Uma proposta ENTREVISTA O Focus Group QUESTIONÁRIO PESQUISA DOCUMENTAL A pesquisa bibliográfica ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS CLASSIFICAÇÃO CODIFICAÇÃO TABULAÇÃO ANÁLISE ESTATÍSTICA INTERPRETAÇÃO DOS DADOS TRABALHOS ACADÊMICOS RESUMOS DE TEXTO REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ARTIGO PAPER RESENHA CRÍTICA ENSAIOS MONOGRAFIAS ESTUDOS DE CASO

4 13.9 SEMINÁRIO REFERÊNCIAS APÊNDICES

5 4 1 INTRODUÇÃO O estudo não pode prescindir dos cuidados com o método para sua realização, tampouco independe de técnicas que aumentem sua eficiência. Foi com esse espírito que este trabalho foi realizado, objetivando fornecer ao estudante de graduação noções gerais sobre o método científico, as técnicas de estudo e as normas que regulamentam a apresentação dos trabalhos acadêmicos. Dessa forma, este trabalho procura identificar e desenvolver aspectos metodológicos básicos para o estudo e a pesquisa eficientes. Com seu foco voltado para o curso de graduação, o trabalho discute aspectos referentes aos projetos e relatórios de estágio, fase de extrema importância na vida acadêmica, que exige cuidados redobrados em termos metodológicos, e fornece bases para os trabalhos acadêmicos na área.

6 5 2 A LEITURA E SUA IMPORTÂNCIA PARA O APRENDIZADO 2.1 O PROCESSO DE LEITURA O que ler - e onde ler A leitura é essencial para o aprendizado e a formação do administrador de empresas, sendo ainda uma prática que o acompanhará necessariamente durante toda a sua vida profissional: relatórios, atas de reuniões, documentos da empresa, são a face mais visível, mas não a única, pois o administrador precisará se manter informado a respeito da conjuntura econômica e empresarial, os concorrentes, a realidade social em que sua organização está inserida, bem como acompanhar os mais recentes desenvolvimentos de sua especialidade. Assim, o primeiro aspecto que deve ser trabalhado para se garantir a maior eficiência no processo de leitura refere-se ao que deve ser lido. Evidentemente, deve-se procurar ler o que é importante para a vida e a prática do indivíduo. Ruiz (1995, p. 36) destaca muito bem a importância da leitura: A leitura amplia e integra os conhecimentos, desonerando a memória, abrindo cada vez mais os horizontes do saber, enriquecendo o vocabulário e a facilidade de comunicação, disciplinando a mente e alargando a consciência pelo contato com formas e ângulos diferentes sob os quais o mesmo problema pode ser considerado. Quem lê constrói sua própria ciência; quem não lê memoriza elementos de um todo que não se atingiu. Para determinar o que ler, é preciso ter em mente, inicialmente, o que se pretende atingir, ou seja, o propósito da leitura. De acordo com Ruiz (1995), a leitura busca captar, criticar, reter e integrar conhecimentos. Isso se faz, segundo Northedge (1998), para desenvolver os próprios pensamentos do leitor, agregando informações e ideias adicionais àquelas que este já possui, conferindo-lhe novos pontos de vista. O objetivo da leitura não é apresentar uma porção de palavras passando em frente de seus olhos [...]. É reunir suas ideias e fazê-lo repensá-las. (NORTHEDGE, 1998, p. 34, grifos do autor). Northedge (1998) sublinha que o conhecimento só será eficientemente construído a partir da leitura se o leitor tiver interesse pelo assunto; isso significa, antes de mais nada, que a leitura idealmente deve ser motivada por uma curiosidade e um desejo de aprendizado, de dominar o conhecimento que o texto traz. Definidos os propósitos, é preciso examinar o título do livro, o nome do autor, seu curriculum, o índice, a bibliografia, e, sempre que possível, a introdução, o prefácio, a nota do

7 6 autor, para ver se este está de acordo com o que se objetiva atingir (ou seja, a leitura deve estar previamente planejada, deve seguir objetivos previamente definidos). Professores, colegas e pessoas que já tenham tido contato com a área de conhecimento da qual a obra trata podem ajudar a tirar dúvidas quando se está selecionando a bibliografia a ser lida. Uma vez que se tenha selecionado o que será lido, o passo seguinte se refere à seleção de um local para a leitura. A grande maioria das pessoas necessita de ambiente bem iluminado, arejado e silencioso para uma leitura proveitosa. Manter distância de fontes de ruído é essencial para não prejudicar a concentração do leitor. Ergonomicamente falando, está demonstrado que a fonte de iluminação, no caso de luz artificial, deve estar à esquerda do leitor. Uma cadeira ou poltrona confortável é fundamental, sobretudo nos casos em que a pessoa irá passar muito tempo lendo; não obstante, é recomendável interromper periodicamente a leitura para esticar as pernas e descansar os olhos, reduzindo o esforço no processo. Alguns outros acessórios são importantes para uma leitura proveitosa: um dicionário de fácil manuseio deve estar disponível para dirimir dúvidas em relação ao significado das palavras do autor, e um bloco de papel com lápis ou caneta é de grande utilidade para destacar aspectos fundamentais do texto, dúvidas e pontos que mereçam maior desenvolvimento em leituras posteriores A ideia principal Um aspecto central no processo de leitura está na captação da ideia principal ou central de cada parágrafo. Cada texto escrito, qualquer que seja sua dimensão, destaca Ruiz (1995), possui uma ideia central, fundamental para sua compreensão. O bom leitor, ao ler, concentra-se em captar a ideia central do texto, procurando unidades de pensamento e ideias em cada parágrafo (RUIZ, 1995). Como reconhecer essa ideia central? Uma vez que o leitor tenha encontrado uma ideia importante em um parágrafo, ele deve memorizá-la ou anotá-la, e continuar o processo de leitura com ela em mente, procurando desenvolver a argumentação do autor a partir dessa ideia, distinguindo, dentro dessa argumentação, o principal do secundário. Normalmente, a ideia central exige maior esforço do autor em termos de prová-la e demonstrá-la, levando-o a incluir exemplos, analogias e fatos que a expliquem, que a sustentem, que a demonstrem, pois a ideia central, de uma forma grosseira, é a mensagem que o autor deseja passar.

8 Os diferentes tipos de leitura Lakatos, Marconi (2001) apresentam uma classificação dos tipos de leitura baseada nos objetivos do leitor, organizada em termos de profundidade: a) Scanning: é uma leitura rápida, de procura de algum tópico ou assunto, lendo-se o índice, algumas linhas ou alguns parágrafos do texto, em busca de frases ou palavras-chave. Trata-se de leitura de contato inicial com a obra; b) Skimming: é uma leitura que objetiva captar a tendência geral de pensamento do autor do texto, usando-se sobretudo os títulos e subtítulos nos quais o texto se divide, mas também alguns parágrafos, de modo a permitir a compreensão da tendência do trabalho ou a metodologia com o qual ele foi construído; c) Leitura de significado: procura dar uma visão ampla do conteúdo, desprezando aspectos secundários. O leitor normalmente percorre uma única vez o texto, não voltando para aprofundar sua compreensão; d) Leitura de estudo ou leitura informativa: seu objetivo é dar uma visão completa do conteúdo do texto, exigindo normalmente mais de uma leitura do mesmo texto, a sublinha e o destaque de trechos ou palavras-chave do texto, e o resumo; e) Leitura crítica: como o tipo mais profundo de leitura, pretende formar um ponto de vista sobre o texto, comparando o que o autor escreveu com conhecimentos anteriores, avaliando a qualidade, correção, atualidade e fidedignidade dos dados apresentados por este e a solidez da argumentação. Neste caso específico, o processo de leitura exige, para ser bem-sucedido, sólido conhecimento do assunto por parte do leitor. Estes dois últimos tipos de leitura são os que mais recompensam o leitor em termos de conhecimentos, mas também são os mais trabalhosos. É praticamente impossível, mesmo para o leitor treinado, captar adequadamente as ideias centrais e a mensagem do autor em uma só leitura. Por isso o processo de leitura se divide em fases Fases da leitura Lakatos e Marconi (2001) apresentam diversas fases diferentes para o processo de leitura, que podem ser sintetizadas como se segue:

9 8 a) Leitura de reconhecimento ou leitura prévia: é uma leitura rápida, que visa dar um contato inicial com o texto, para determinar se os conhecimentos que se procura estão sendo abordados no mesmo. Lê-se normalmente o índice, os títulos e subtítulos do texto; b) Leitura exploratória: busca sondar as informações disponíveis no texto. Já se determinou a existência, neste, do conhecimento que se pretende buscar, mas é preciso definir se de fato o texto aborda os aspectos específicos que se procura. Lê-se normalmente a folha de rosto, a contracapa e as orelhas do livro, a bibliografia e as notas de rodapé do texto e, mais importante, a introdução ou o prefácio do texto; c) Leitura seletiva: visa selecionar as informações mais importantes do texto, relacionadas com o problema que se está estudando. Busca-se eliminar o supérfluo no texto, como subitens e outras subdivisões que não abordem o assunto; d) Leitura reflexiva: nesta fase, busca-se frases-chave e ideias centrais que determinem o que o autor pensa sobre o assunto, e porque faz determinadas afirmações. É uma leitura mais profunda do que todas as anteriores; e) Leitura crítica: avalia as informações prestadas pelo autor, hierarquizando as ideias que este desenvolve de maneira a determinar suas intenções ao escrever o texto. Nesta fase, o leitor primeiro compreende o que o autor quis transmitir, e depois modifica ou ratifica suas próprias ideias e argumentos sobre o texto; f) Leitura interpretativa: procura relacionar as afirmações do autor com os problemas para os quais o leitor está procurando uma solução através da leitura. É um estudo mais profundo das ideias desenvolvidas no texto, buscando a associação de ideias na solução dos problemas que motivaram a leitura; g) Leitura explicativa: a mais profunda de todas, procura verificar os fundamentos de verdade usados pelo autor. Portanto, o processo de leitura engloba mais de uma leitura. As fases iniciais ( a e b ) normalmente são cumpridas numa só leitura do texto, mas as demais exigem mais leituras. O importante, aqui, não é o número de vezes que o texto será lido, e sim quanto de conhecimento será gerado pelo processo de leitura. Esse conhecimento pode ser gerado por apenas duas leituras, no caso de leitores metódicos e experimentados, que possuem bom conhecimento do assunto tratado pelo autor. Entretanto, dependendo do leitor, leituras adicionais deverão ser empreendidas. Dessa maneira, é fundamental que o leitor disponha de tempo suficiente para a leitura antes de empreender o processo completo de leitura, ou seus objetivos serão prejudicados.

10 9 Evidentemente, antes de iniciar o processo de leitura, o leitor deve ter estabelecido objetivos em relação à leitura, de modo que possa determinar quais textos devem ser lidos com maior profundidade. Isto, entretanto, será trabalhado com maior profundidade quando se tratar da pesquisa bibliográfica, na qual o planejamento prévio desempenha um papel central no delineamento Como sublinhar um texto Sublinhar um texto é uma das melhores formas de captar seu conteúdo, pois permite identificar melhor as ideias principais de cada parágrafo, destacando-as para leituras posteriores, além de aumentar a concentração do leitor. Sublinhar, de acordo com Ruiz (1995), exige alguns cuidados: a) Não se deve sublinhar em demasia, somente as ideias principais e os aspectos mais importantes do texto; b) Não se deve sublinhar após a primeira leitura, pois esta somente fornece um contato inicial com o texto, e dificilmente permite uma seleção eficaz dos detalhes mais importantes do texto; c) A parte sublinhada deve dar a possibiliade de reconstituir todo o parágrafo; d) O texto sublinhado deve permitir uma leitura rapidíssima do texto, como um telegrama - vai daí que a sublinha não precisa ser contínua, ou seja, não é preciso sublinhar todo um período para se captar o que ele quer dizer, mas apenas duas ou três palavras ou expressões do texto, que possam ser concatenadas posteriormente; e) Deve-se sublinhar com dois traços as palavras-chave da ideia central do texto, e com um só traço detalhes e pormenores importantes do texto, associados àquela ideia; f) As passagens mais significativas do texto devem ser destacadas com linha vertical à margem do texto; g) Dúvidas e pontos de discordância devem ser assinaladas com um ponto de interrogação. Naturalmente, determinar o que sublinhar, e o quanto sublinhar é um aspecto essencial para o processo eficiente de sublinha; somente a prática pode conduzir à perfeição neste item, pois sublinhas em demasia tornam monótona e demorada a leitura, enquanto que poucas dificultarão a compreensão do texto. O trabalho, entretanto, é compensador: textos adequadamente sublinhados são lidos mais rapidamente quando há a necessidade de leituras adicionais, de rememorização das ideias tratadas, e de compreensão mais profunda do que o autor desejava passar com o texto.

11 ESQUEMAS, RESUMOS E FICHAS DE LEITURA Uma técnica que normalmente dá bons resultados em termos de maior aproveitamento da leitura consiste em fazer anotações sobre o texto, na forma de esquemas, fichas e resumos. Algumas dicas são importantes para facilitar o trabalho. O esquema é o processo mais simples de trabalhar o conteúdo de um texto. Consiste em condensar as ideias expressadas pelas frases do texto em palavras-chave, as ideias de um parágrafo em uma frase-mestra que transmita a ideia principal do mesmo, e finalmente, a sucessão das ideias desenvolvido no texto como um todo por meio de parágrafos-chave. O processo exige o encadeamento lógico das diferentes ideias, de modo que se possa ter uma compreensão do texto como um todo. Nas palavras de Lakatos e Marconi (2001, p. 25), a elaboração de um esquema fundamenta-se na hierarquia das palavras, frase e parágrafoschave que, destacados após várias leituras, devem apresentar ligações entre as ideias sucessivas para evidenciar o raciocínio desenvolvido. De acordo com Ruiz (1994), a elaboração de um esquema obedece a algumas regras: a) É preciso ser fiel ao texto, evitando encaixar as ideias deste nos próprios pensamentos e conhecimentos; b) Deve-se usar os títulos e subtítulos do texto como guias para apreensão do tema trabalhado pelo autor; c) Clareza, simplicidade e critério na distribuição das ideias são essenciais para se manter fidelidade ao texto; d) Deve-se encadear e subordinar as ideias trabalhadas pelo autor, em vez de simplesmente reuni-las; e) Deve-se ter um sistema uniforme de observações, gráficos ou símbolos para dividir o texto e subordinar as ideias umas às outras. Os resumos exigem um esforço maior por parte do leitor, condensando o texto de modo a reduzi-lo aos seus elementos mais importantes. Ao contrário do esquema, o resumo deve formar um texto completo, redigindo cada parágrafo de modo a garantir a compreensão do texto original, desobrigando o leitor de voltar a este quando precisar do conteúdo do mesmo. É possível também incluir no resumo uma apreciação crítica do texto, a partir de um posicionamento assumido pelo autor (RUIZ, 1994).

12 11 Um resumo é um instrumento valioso para testar a compreensão do texto por parte do leitor, mas também permite treinar e desenvolver um estilo de escrita (RUIZ, 1994). Algumas regras, de acordo com Ruiz, são importantes: a) Deve-se resumir um texto somente depois de tê-lo lido o suficiente para compreendê-lo, e depois de fazer anotações sobre o mesmo; b) Um resumo deve ser breve e compreensível; c) O autor do resumo deve utilizar as palavras sublinhadas e as anotações feitas ao longo do texto, pois estas devem transmitir as ideias deste; d) Toda vez que for necessário fazer uma transcrição textual, é preciso usar as aspas e fazer a referência bibliográfica completa da mesma; e) Pode-se incluir, ao final do resumo, ideias integradoras, referências bibliográficas adicionais e posicionamentos críticos a respeito do texto. Esta última regra não é referendada por todos os autores. Alguns consideram que os resumos não devem incluir posicionamentos pessoais, devendo guardar o máximo de fidelidade em relação ao texto. Severino (2000) menciona que o resumo deve usar as próprias palavras do estudante, mas precisa se manter fiel às ideias do autor do texto original. De qualqeur forma, o resumo capta, analisa, relaciona, fixa e integra o assunto estudado, expondo-o de modo a permitir uma rápida consulta e a rememorização do assunto (LAKATOS; MARCONI, 2001). Os resumos são de três tipos básicos: a) Indicativo ou descritivo: semelhante ao esquema, é um resumo que apenas faz referência às partes mais importantes do texto, descrevendo-lhe sua natureza, forma e propósito, valendo-se de frases curtas para indicar elementos importantes deste; b) Informativo ou analítico: mais amplo que o anterior, contém todas as principais informações do texto e dispensa leituras adicionais deste. Deve evidenciar os objetivos e o assunto do texto, os métodos e técnicas adotados na exposição do assunto, e os resultados e conclusões a que o autor chegou; c) Crítico: formula um julgamento sobre a forma, o conteúdo e a apresentação do texto. Resumir o texto, portanto, é um trabalho a ser empreendido sempre que for necessário absorver conteúdos e rememorizá-los rapidamente. Dessa maneira, o resumo é um aliado tanto do estudante que está realizando um trabalho de maior fôlego, que exija pesquisa em diversas fontes diferentes, ou está se preparando para uma prova (e precisa relembrar conteúdos), quanto daquele que apenas deseja maior compreensão de um determinado

13 12 assunto. Subseqüentemente, este trabalho abordará os resumos enquanto trabalhos acadêmicos. Finalmente, as fichas consistem num sistema de apresentação de conteúdo do material escrito, permitindo identificar uma obra, conhecer e analisar seu conteúdo, apresentar citações importantes, e elaborar críticas ao texto (LAKATOS; MARCONI, 2001). As fichas seguem regras básicas para sua apresentação: toda ficha possui três componentes, o cabeçalho, a referência bibliográfica e o corpo ou texto, sendo opcional incluir a indicação da obra (ou seja, a que tipo de público ela se destina) e sua localização (LAKATOS; MARCONI, 2001). O cabeçalho identifica a ficha, apresentando-lhe o título, o número de classificação e, no caso de o conteúdo se estender por mais de uma ficha, a letra indicativa de seqüência (LAKATOS; MARCONI, 2001). Em seguida, a ficha deve apresentar a referência bibliográfica, que deve ser elaborada de acordo com a norma da ABNT (6023: 2002). Já o corpo ou texto deve ser elaborado de acordo com o tipo de ficha. A classificação das fichas é definida por sua finalidade; assim, as fichas se classificam em bibliográficas (de obra inteira ou parte), de citações, de resumo ou conteúdo, de esboço, e de comentário ou analítica (LAKATOS; MARCONI, 2001). As fichas bibliográficas abordam, de maneira sucinta e breve, os principais elementos da obra fichada, definindo-lhes o campo do saber, a problemática abordada, as conclusões às quais o autor chegou, as contribuições que este possa ter dado, as fontes dos dados, a metodologia utilizada, entre outros. As fichas de citações reproduzem fielmente citações relevantes para o estudo empreendido. As fichas de resumo sintetizam clara e concisamente as principais ideias ou aspectos da obra. As fichas de esboço são semelhantes às de resumo, mas detalham com maior profundidade a obra estudada. Por fim, as fichas de comentário analisam a obra, abordando aspectos como a forma e a metodologia de exposição, fazendo análises críticas do conteúdo e/ou a comparação da obra com outras do mesmo tema, e explicando a importância da obra para o estudo que está sendo empreendido (LAKATOS; MARCONI, 2001).

14 13 3 CONHECIMENTO E CIÊNCIA 3.1 CONHECIMENTO Conceito Etimologicamente, a palavra conhecimento deriva do latim cognitio (o termo grego correspondente é ghnosis). Segundo Nicola Abbagnano (1992), conhecimento é a técnica para comprovação de um objeto (seja ele uma entidade, um fato, uma coisa, uma realidade ou uma propriedade); o termo comprovação deve ser entendido como um procedimento que possibilita a descrição, o cálculo ou a previsão do objeto. É preciso mencionar, adicionalmente, que essa comprovação não é infalível. Neste sentido, não se deve confundir o conhecimento com a crença: esta deve ser entendida como o empenho de colocar uma verdade qualquer, mesmo que ela não seja comprovável; ademais, o verdadeiro conhecimento atinge as causas da coisa. O conhecimento é um processo mais complexo do que a crença, como será visto na próxima seção, aonde serão descritos os elementos do processo cognitivo Elementos O processo de conhecer alguma coisa ou fenômeno envolve necessariamente três elementos, a saber: o sujeito, isto é, o cognoscente ou aquele que conhece, o objeto, ou seja, aquilo que deve ser conhecido, e a imagem, que vem a ser o ponto de coincidência entre o sujeito e a realidade; o conhecimento vem a ser uma transferência das propriedades do objeto para o sujeito. Felix Kaufmann (1977) frisa: a imagem não é uma cópia fiel da realidade. A figura a seguir auxiliará no entendimento: Figura 1- Os elementos do processo de conhecimento SUJEITO OBJETO Fonte: Autores. IMAGEM

15 14 Toda operação cognitiva se dirige do sujeito para o objeto e tende a efetuar uma relação com esse objeto, de forma que surja uma característica efetiva deste na mente do sujeito. Dessa maneira, como dizem os filósofos, todo conhecimento é uma apropriação do mundo objetivo por parte do sujeito cognoscente. A percepção desempenha um papel fundamental no conhecimento. Embora todos os seres vivos sejam capazes de possuir alguma forma de conhecimento, somente o ser humano é capaz de transcender o conhecimento fornecido pelos sentidos: o conhecimento humano é intelectual, ou seja, o homem é capaz de conhecer as realidades materiais não somente na sua singularidade, mas vai além disso, pois ele pode comparar, analisar e fazer relações entre os objetos. Uma pedra é a mesma coisa para qualquer animal, mas somente ao homem ela pode ser considerada preciosa; uma planta é percebida pelos animais herbívoros como comida, e pelo homem como: comida, como remédio, como decoração, etc.; um pedaço de carne é identificado como tal por um cachorro ou um gato, mas somente para um ser humano ele tem forma triangular ou retangular Tipos de conhecimento A tipologia de conhecimentos que será explicada nesta seção é fornecida por João Álvaro Ruiz em seu livro Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos (1995); os estudantes que desejem se aprofundar nessa tipologia, especialmente no que tange à diferença entre as diferentes formas e o conhecimento científico devem consultar o capítulo 4 dessa obra. O primeiro tipo que se pretende descrever é o chamado conhecimento vulgar. Este é uma forma empírica de conhecer as coisas, baseada nas experiências e vivências de cada pessoa, que é capaz de atingir os fatos mas não de discutir-lhes as causas. Toda pessoa acumula imensa carga de conhecimento vulgar ao longo de sua vida; as experiências vividas são acumuladas pelas pessoas de forma acrítica e ametódica, isto é, sem a realização de análises, de críticas ou de demonstrações sobre os objetos conhecidos. O conhecimento vulgar forma a maior parte da carga de conhecimentos de cada um, sendo capaz de fornecer aos homens algumas certezas; entretanto, não concede nenhuma demonstração ou prova dessas certezas. Para exemplificar o tipo de conhecimento vulgar, pode-se mencionar o fato de que, por experiência própria ou transmitida pelos parentes e amigos, todas as pessoas sabem receitas caseiras de remédios para algumas doenças; entretanto, não sabem explicar o porquê dessas receitas funcionarem, nem tampouco a forma

16 15 pela qual elas fazem efeito. Um cientista procederia à análise das receitas, buscando identificar as razões pelas quais elas curam as doenças a que se destinam, bem como a forma pela qual ocorre essa cura. O segundo tipo é chamado conhecimento intuitivo. Ruiz (1995) observa que a intuição é uma forma de conhecimento que, pela sua característica de atingir o objeto sem meio ou intermediários de comparação, assemelha-se ao fenômeno do conhecimento sensorial, em particular da visão; Abbagnano reforça essa ideia mencionando que a intuição é uma relação direta com um objeto qualquer, relação esta que implica a presença do objeto. Como forma de conhecimento, o tipo intuitivo é imediato, subjetivo, e se reduz a um único ato de experiência. Laville e Dionne (1999) associam o conhecimento intuitivo ao senso comum, observando que ele representa uma primeira compreensão do objeto, e denunciando como ele pode ser enganador. O conhecimento intuitivo não pode aspirar à validade do conhecimento científico (que é objetivo), pois suas conclusões não têm validade geral. Há duas formas de conhecimento intuitivo, a saber: a) Sensorial: conhecimento obtido por meio dos sentidos; b) Intelectual: conhecimento obtido por meio de determinados princípios lógicos ( nada pode ser e não ser ao mesmo tempo sob o mesmo aspecto ), éticos ( faça o bem, evite o mal ) e estéticos (conceito do belo ou esteticamente agradável). O terceiro tipo é o conhecimento teológico, o qual pressupõe a existência de uma autoridade divina, suprema e soberana acima dos homens. Exige também a fé, e se baseia na revelação divina; os livros sagrados, revelados por Deus aos homens são as fontes dos conhecimentos divinos. Para o fiel, o conhecimento teológico é superior ao científico, pois se origina diretamente de Deus e é atingível pelo homem por meio da revelação. A fé é, dessa forma, o conhecimento supremo para o ser humano. A crença não deve ser confundida com o conhecimento teológico, pois este apresenta fundamento definido. O objeto do conhecimento teológico é (ou pode ser) o mesmo do científico, mas ele se pauta por princípios diferentes: em primeiro lugar, o cientista se vale dos sentidos e de sua razão para conhecer, ao passo que o teólogo utiliza a razão iluminada, ou seja, esclarecida por Deus; em segundo lugar, o cientista se fundamenta no conhecimento dos fatos e das experiências, enquanto que o teólogo se baseia na Revelação. Dessa maneira, enquanto o teólogo sustenta que o mundo é uma criação de Deus - pois assim está escrito nos livros sagrados - o cientista se esforça por explicar as leis físicas que deram origem ao mundo. O quarto tipo é o conhecimento filosófico. A filosofia já foi definida das mais diferentes maneiras, mas pode-se ficar com a conceituação de Platão, na qual ela é o saber a

17 16 serviço do homem. (apud ABBAGNANO, 1992). Filósofo é uma palavra grega cunhada por Pitágoras como um substituto para a denominação sábio : segundo esse pensador, apenas os deuses são sábios; os homens são apenas amigos (philos) da sabedoria (sophoi). O conhecimento filosófico objetiva as ideias, as relações conceituais e as causas mais remotas do objeto; embora ela tenha o mesmo objeto material das ciências particulares, estas não podem se pronunciar sobre as finalidades supremas de tal objeto, ao passo que a filosofia, sim (RUIZ, 1994). Num exemplo simples, o cientista estuda os mecanismos da vida humana, ao passo que o filósofo indaga o porquê do homem estar vivo; o cientista estuda o papel do cérebro no conhecimento, enquanto que o filósofo se concentra nos mecanismos utilizados pela mente para o raciocínio, e assim por diante. A filosofia se vale do método racional e dedutivo para conhecer; esse método não necessita da confirmação empírica, e sim de coerência. Além disso, a filosofia busca a síntese e o todo, enquanto que a ciência é analítica e procura a parte, o fragmento, a particularidade. Devido a isso, não existe nenhuma verdade definitiva em filosofia: ela faz perguntas, fornece respostas, mas não aspira a alcançar respostas supremas ou absolutamente corretas. A ciência, em contraste, faz perguntas e oferece respostas, algumas das quais podem ser aceitas como perfeitamente verdadeiras (pelo menos no estágio atual de seu desenvolvimento). Finalmente, deve-se introduzir o conhecimento científico. Tal como o compreendemos, ele é uma conquista recente, podendo ser datado na Revolução Galileana do século XVII; isso não quer dizer que não existisse ciência antes de Galileu, e sim que as bases modernas da ciência foram estabelecidas a partir do cientista italiano. O conhecimento científico aspira à objetividade, pois o cientista deve se despir de suas emoções e preconceitos, de forma que suas experiências possam ser repetidas e suas conclusões, verificadas por seus colegas. Além disso, o cientista se vale de uma linguagem rigorosa que é de conhecimento dos outros cientistas. O conhecimento científico se caracteriza ainda, por ser sistemático, metódico, preciso, e por estudar fatos abstratos, isolados do todo aonde se inserem. O cientista está interessado em descobrir regularidades que lhe permitam enunciar generalidades sobre os fenômenos na forma de leis; assim, ele busca descobrir relações universais e necessárias sobre os fenômenos estudados e, ao encontrá-las, prever acontecimentos e agir sobre a natureza. Evidentemente, nada disso será atingido se não for possível repetir as experiências que levaram ao descobrimento das leis; como Alan F. Chalmers colocou, o conhecimento científico é conhecimento confiável porque é conhecimento provado objetivamente. (CHALMERS, 1995, p. 23).

18 CIÊNCIA Conceito Etimologicamente, a palavra ciência deriva do termo latino scientia, cujo sentido original é conhecimento ; o termo grego, epistheme, vem sendo modernamente utilizado no sentido de epistemologia, teoria do conhecimento. Portanto, o que se originalmente utilizava para definir todo o conhecimento humano, atualmente deve ser considerado somente como uma das formas possíveis de se conhecer. Não existe um conceito universalmente aceito de ciência. Na verdade, esse conceito não somente mudou ao longo dos séculos, como ainda foi profundamente influenciado pelas tradições de pesquisa e de conhecimento adotadas. A lista que se segue não pretende ser exaustiva, e sim apresentar uma variedade de concepções diferentes sobre o assunto: Nicola Abbagnano (1992): ciência é um conhecimento que inclui, em qualquer forma ou medida, uma garantia de sua própria validade. Oposto à ela é o conceito de opinião, que não possui garantia alguma de validade; Rubem Alves (1987): a ciência é uma especialização: ela consiste num refinamento de potenciais comuns a todos e na hipertrofia de capacidades que todos têm. Neste sentido, ela pode ser considerada uma metamorfose do senso comum, já que ambos (ciência e senso comum) são expressões da mesma necessidade de compreender o mundo com o intuito de melhor viver. Ambos estão em busca de ordem, ainda que possuam visões diferentes do que é ordem; Roy Bhaskar (1975 apud MAY, 2004): a ciência é uma tentativa sistemática de pensar as estruturas e ações das coisas que existem e agem independentemente do pensamento; Alan F. Chalmers (1995): a ciência é objetiva. Não existe uma categoria geral chamada ciência, em relação à qual alguma área de conhecimento pode ser aclamada como tal ou difamada por não sê-la; Antonio Carlos Gil (1995): a ciência é uma forma de conhecimento, e seu objetivo é a formulação, através de linguagem rigorosa e adequada (quando possível, com o uso da linguagem matemática), de leis que regem o comportamento dos fenômenos, leis estas que sejam capazes de descrever séries de fenômenos, comprováveis por meio de experimentação e observação e capazes de prever acontecimentos futuros;

19 18 William J. Goode (1979): a ciência é um método de abordagem de todo o mundo empírico (sendo este o mundo suscetível de ser experimentado pelo homem). Não visa alcançar a verdade última, e sim analisar os fenômenos de forma que os cientistas possam apresentar proposições sob a forma de se..., então... ; Fred N. Kerlinger (1977): a ciência é um empreendimento preocupado exclusivamente com o conhecimento e a compreensão dos fenômenos naturais. Os cientistas desejam conhecer e compreender as coisas, de forma que possam afirmar: se fizermos isto aqui, acontecerá aquilo ali ; João Álvaro Ruiz (1995): a palavra ciência pode ser entendida de duas maneiras: num sentido AMPLO, ela significa simplesmente conhecimento; num sentido RESTRITO, trata-se de um conhecimento que não apenas apreende ou registra fatos, mas também os demonstra pelas suas causas determinadas ou constitutivas Características da ciência O tipo de conhecimento que a ciência fornece ao ser humano é, como visto na seção anterior, muito diferente dos demais que o ser humano pode alcançar. Dessa maneira, a ciência possui diversas peculiaridades, que Antonio Carlos Gil (1995) formulou da seguinte maneira: a) A ciência é objetiva, no sentido de que descreve a realidade independentemente dos caprichos, valores e preconceitos do observador; b) É racional, uma vez que se vale da razão, e não de sensações ou impressões, para chegar aos resultados; c) É sistemática, já que procura construir sistemas de ideias racionalmente organizadas e em incluir conhecimentos parciais em totalidades cada vez maiores; d) É geral, posto que busca formular leis e normas que expliquem fenômenos de todos os tipos; e) É verificável, dado que possibilita a demonstração da veracidade de suas informações; f) É falível, porque reconhece sua capacidade de errar. A objetividade (a característica apresentada na letra a acima) é freqüentemente considerada como uma das características centrais da ciência, um dos critérios que devem ser satisfeitos para que se possa falar em conhecimento científico. Bernstein (apud MAY, 2004) a define como uma convicção fundamental: existe uma estrutura permanente, independente da História, que permite determinar a racionalidade, a correção, a realidade, a verdade ou a

20 19 bondade. Assim, a objetividade seria uma base de conhecimento à qual se pode apelar em caso de dúvida, fornecendo uma medida das afirmações feitas pelo cientista. Como uma complementação, de acordo com Ruiz (1995), a ciência se caracteriza por ser um conhecimento pelas causas (demonstra os porquês de determinado enunciado), por ser capaz de conhecer profundamente os fenômenos, por generalizar suas conclusões, por ter uma finalidade teórica (aumentar o conhecimento) e uma prática (melhorar as condições de vida do ser humano), por possuir um objeto formal (entendido como a forma pela qual ela atinge o objeto material), por empregar método na busca do conhecimento, por operar sob condições de controle rigoroso, por alcançar um resultado final exato e por ser uma instituição social. Das características levantadas por Ruiz é importante, sobretudo o fato de que a ciência é uma instituição social (ou seja, a ciência é produzida em um grupo social, para uso desse grupo e deve ser validada por ele); esse aspecto fica muito mais visível nas ciências sociais, como será visto Divisão da ciência Abbagnano (1992) e Gil (1995) destacam: ao longo da história, a ciência foi objeto de uma grande quantidade de divisões diferentes, nenhuma das quais pode ser considerada inteiramente satisfatória, ou ao menos universalmente aceita pelos estudiosos. Uma vez que não é possível apresentá-las todas, serão colocadas algumas tentativas. Abbagnano (1992) coloca, entre as divisões mais conhecidas, a de Ampère, que se baseou sobretudo nas teorias dos filósofos gregos (entre eles Platão e Aristóteles), e reconhece as ciências noológicas (ou do espírito) e as cosmológicas (ou da natureza), e a de Comte, que classifica as ciências em abstratas (que buscam descobrir as leis que regulam os fenômenos) e concretas (ciências descritivas que buscam aplicar as leis à história dos seres existentes). Durante o século XIX, Wilhelm Dilthey (conhecido filósofo alemão) complementou a divisão de Ampère ao estabelecer que as ciências noológicas tentam compreender um objeto (o homem) e revivê-lo internamente, enquanto que as cosmológicas buscam conhecer causalmente um objeto externo. Mas é a divisão de Comte que se tornou mais conhecida e serve de base para a que será utilizada ao longo desta disciplina, que reconhece as ciências formais (como a matemática e a lógica formal), que tratam de entidades ideais e suas relações, e as empíricas, que tratam de fatos e processos. As ciências empíricas podem ser subdivididas em dois grandes grupos, as naturais (como a física, a química, a biologia e a astronomia) e as sociais

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