Produzindo Artigos Científicos Relacionados à Ciência da Computação

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1 Produzindo Artigos Científicos Relacionados à Ciência da Computação Diego V. S. Sousa 1, Regis Pires Magalhães 1,2 1 Programa de Mestrado e Doutorado em Ciência da Computação (MDCC) Universidade Federal do Ceará (UFC) 2 Instituto Federal do Piauí (IFPI) Abstract. Scientific research aims to get answers to specific problems. In order to accomplish such task, researchers need to work actively from the problem definition to the publication of results. This paper provides relevant information to assist with the process of writing and oral presentation of scientific papers related to Computer Science. In addition, this work details two strategies illustrated with examples for writing papers, and best practices for the presentation of the work. Resumo. A pesquisa científica busca a obtenção de respostas a problemas propostos. Para isso, pesquisadores precisam trabalhar ativamente desde a definição do problema até a publicação dos resultados. Este artigo fornece informações relevantes para auxiliar o processo de escrita e apresentação oral de artigos científicos relacionados à Ciência da Computação. São detalhadas duas estratégias de escrita de artigos ilustradas através de exemplos, além de boas práticas para a apresentação dos trabalhos. 1. Introdução Muitos alunos de cursos na área de Computação, no início de sua carreira acadêmica, se deparam com a necessidade de publicação e divulgação do conhecimento por parte da universidade. Embora possam ter a intenção de se tornarem pesquisadores, muitas vezes eles não percebem a importância da realização de pesquisas científicas para o curso do qual fazem parte. Os avanços do conhecimento humano ocorrem graças ao desenvolvimento de pesquisas científicas e estas acontecem graças ao aporte financeiro de instituições de fomento à pesquisa. No entanto, para que esses avanços possam ser amplamente utilizados e as pesquisas viabilizadas financeiramente, os resultados destas precisam ser publicados em meios respaldados pela comunidade científica (seminários, congressos, periódicos, etc.). Desta forma as universidades podem ser avaliadas, possibilitando um incentivo financeiro proporcional à sua qualificação. Visando auxiliar pesquisadores no entendimento do que é pesquisa científica e de como elaborar um artigo científico para a divulgação dos resultados desta, este trabalho abordará estratégias para a elaboração de um artigo científico, assim como para apresentálo em um simpósio ou congresso.

2 O artigo é dividido da seguinte forma: a seção 2 abordará o significado de pesquisa científica, assim como o papel do aluno e do orientador; a seção 3 explicará a necessidade de divulgação da pesquisa; a seção 4 apresenta como deve ser a estruturação de um artigo e duas estratégias para sua construção; a seção 5 mostra como deve ser estruturada a apresentação sobre o artigo, além de abordar boas práticas relacionadas à sua exposição oral. Por fim, na seção 6 estabeleceremos algumas considerações finais e conclusões sobre este trabalho. 2. Entendendo o significado de pesquisa científica Pesquisa é o procedimento racional e sistemático cujo objetivo consiste em obter respostas a problemas propostos [Gil 2007]. A pesquisa é um processo que ocorre em várias etapas que iniciam na elaboração do problema e culminam na publicação dos resultados. Pesquisar significa avançar em relação ao conhecimento existente. Para isso, é preciso conhecer os últimos avanços do conhecimento e contribuir para que esse conhecimento possa dar um passo adiante. O conhecimento dos últimos avanços em determinada área pressupõe o estudo dos trabalhos mais relevantes relacionados a essa área. Tais trabalhos são, normalmente, publicados como artigos em periódicos e conferências de âmbito internacional. Para contribuir para o avanço da Ciência, o pesquisador se apoia no conhecimento existente e dá um passo adiante, descobrindo algo novo e publicando ou patenteando sua descoberta. Portanto, o pesquisador deve esforçar-se ininterruptamente por sua atualização. Normalmente as pesquisas são conduzidas em grupos de pesquisa, onde pesquisadores mais experientes orientam outros menos versados na pesquisa científica. Os pesquisadores mais experientes são chamados de orientadores. Já os mais novos, são frequentemente alunos de graduação participantes de programas de iniciação científica e alunos de mestrado ou doutorado. Desse modo, os programas de iniciação científica, as pósgraduações acadêmicas e a participação em projetos de pesquisa são responsáveis pela formação de novos pesquisadores. [Moro et al. 2004] destaca a importância de o aluno ler bastante durante todo o decorrer do seu curso. Ler os trabalhos recentes do seu orientador, os anais das conferências e periódicos mais importantes relacionados à sua área, as referências bibliográficas mais relevantes dos artigos que houver lido. No entanto, somente ler não basta. É também necessário analisar e criticar o que lê, identificando pontos falhos e possíveis melhorias. Além disso, cabe ao aluno discutir essas leituras com seu orientador e colegas; bem como implementar as soluções apresentadas na medida do possível. Cabe ao aluno escolher o tema de sua monografia, dissertação ou tese, auxiliado pela experiência de seu orientador, que deve possuir um repertório de pesquisa bem mais amplo que o do aluno. Uma possibilidade interessante é vincular o tema do trabalho a um projeto do orientador para uma maior inserção no grupo de pesquisa e para dar um direcionamento mais prático ao trabalho. O aluno deve ter o orientador como um grande parceiro de trabalho durante todo o seu curso. Cabe ao orientador auxiliar o aluno na escolha de disciplinas, nas decisões de projeto, submissão de artigos e em outras questões relacionadas ao curso [Moro et al. 2004]. Na iniciação científica e no mestrado o orientador coordena todo o trabalho do aluno mais diretamente. Já no doutorado, o aluno praticamente desenvolve

3 tudo, obtendo do orientador uma segunda opinião capaz de embasar melhor ou mesmo redirecionar algumas ações no decorrer do trabalho. 3. A necessidade de divulgação da pesquisa Para muitas pesquisas chegarem até nós, visando à praticidade e a melhoria de nossas vidas, é necessário que ocorra a sua divulgação. A divulgação é uma forma de trocar ideias com outros pesquisadores e verificar o que pode ser melhorado para a resolução de um determinado problema ou para a análise de algum dado. Divulgando seu trabalho de pesquisa, o autor contribui para o avanço da ciência e para o respaldo da instituição, à qual ele pertence, frente aos órgãos de fomento à pesquisa (CNPq 1, CAPES 2, FAPEPI 3, etc.). Para que a universidade tenha uma cota maior de investimentos perante estes órgãos é necessário que esta seja bem qualificada com relação à produção científica. A qualificação acontece de acordo com a nota de avaliação da Capes 4 (Qualis), que é atribuída a todas as instituições com cursos de Pós-Graduação no país. Este conceito é atribuído aos periódicos, veículos de comunicação científica, e qualifica os programas de pós-graduação do país através da publicação de artigos, por parte dos pesquisadores de cada instituição, nos periódicos avaliados. Mais detalhes sobre esta avaliação pode ser verificado em [Braganholo et al. 2004] e em capes.gov.br/webqualis/. Além de contribuir para os investimentos em pesquisa, a divulgação destas enaltece o pesquisador como profissional, contribuindo para o seu sucesso no meio acadêmico. Para que um trabalho seja considerado relevante por muitos pesquisadores, é necessário que o mesmo seja publicado em congressos ou revistas que tenham Qualis Capes A ou B. Isto se deve ao fato de que na Ciência da Computação, um artigo engloba tanto as publicações em periódicos quanto em conferências, devido ao processo rigoroso de avaliação que os trabalhos submetidos passam nestas últimas [CAPES 2009]. Muitas conferências possuem um grande respaldo científico, por contarem com renomados pesquisadores. Para o cálculo dos conceitos atribuídos aos periódicos e às conferências são utilizados três índices: JCR 5, H-index baseado no Scopus, H-index baseado no Google Scholar. Mais informações sobre estes índices podem ser obtidas em [CAPES 2009]. Estes índices são utilizados para o cálculo do indicador normalizador J, que indicará a nota do periódico ou da conferência (nacional ou internacional) [CAPES 2009]. Desta forma, os conceitos atribuídos pela CAPES (A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5, C) são calculados de acordo com o índice normalizador, que pode ser verificado Documento de Área referente à Ciência da Computação disponibilizado pela CAPES. Uma fonte bibliográfica importante na área de computação é o serviço online DBLP (Digital Bibliography & Library Project) 6 que indexa e fornece informações deta Journal Citation Reports - science/science_products/a-z/journal_citation_reports/ 6

4 lhadas sobre anais, autores e publicações dos principais periódicos e conferências relacionados à computação. Outras importantes fontes bibliográficas são: O CiteSee: A biblioteca digital do Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE): A biblioteca digital da Association for Computing Machinery (ACM): dl.acm.org/dl.cfm; O portal de periódicos da Capes: br. 4. Construindo um artigo científico O processo de construção de um artigo científico não é uma tarefa fácil e, muitas vezes, requer paciência, dedicação e, principalmente, compreensão do tema de pesquisa. A estruturação do documento é o primeiro passo para a organização das ideias relacionadas à pesquisa realizada, impulsionando o autor a um desenvolvimento linear do artigo. Uma forma possível de estruturar o documento pode ser verificada a seguir [Chinneck 1999]: Introdução: A principal seção do artigo, responsável pela apresentação do trabalho e pela breve descrição da solução do problema, mostrando uma visão geral dos resultados. Uma estratégia interessante é dividir esta seção em parágrafos abordando os seguintes assuntos [Stirewalt 2011]: Introdução: explicação muito breve do problema e porque ele é relevante e não trivial; Antecedentes do Trabalho: criticar trabalhos anteriores, mostrando o diferencial do trabalho; Transição: explicitar o que foi aplicado visando superar outras abordagens; Detalhes: abordar os desafios superados e a validação executada; Avaliação: avaliar os resultados alcançados, expor as conclusões interessantes e a estruturação do trabalho. Informação de Contexto (opcional): Conceitos iniciais relevantes para o entendimento do artigo. Revisão do estado da arte: O que outros pesquisadores já fizeram para solucionar o problema em questão. Definição do problema de pesquisa: Explanação do problema a ser resolvido ou pergunta a ser respondida (dependendo do caso). Enfatiza aqui por que o problema é importante e por que este não foi resolvido. Descrevendo a resolução do problema: Explicação de como o problema foi resolvido pela pesquisa do autor. Por que o que foi feito é realmente válido para a solução do problema. Conclusão: O que pode ser concluído a partir do texto, o resumo das contribuições e trabalhos futuros. É importante salientar que não é necessário que todas as seções de seu artigo tenham o mesmo nome das seções abordadas acima. Para facilitar o processo de construção serão abordadas duas estratégias para a escrita de artigos científicos.

5 4.1. Estratégia de escrita passo a passo Há diversas estratégias para a elaboração da estrutura inicial de um documento científico, entre elas podemos destacar a descrita em [Ashby 2000]. Essa estratégia consiste em projetar o artigo seguindo cinco passos que são descritos a seguir: Relevância do tema: Aqui, perguntas como Qual a proposta do artigo?, A quem ele se destina?, Como os leitores irão utilizar as ideias contidas nele?, trazem consigo respostas que ajudam a entender o nível de detalhe do artigo a ser escrito Conceitualização: Estruturação do pensamento. Planejamento do artigo considerando seções e subseções que podem aparecer. Materialização: É o primeiro esboço do artigo. É quando o autor escreve tudo o que sabe sobre o tema, sem uma preocupação com o estilo. É importante fazer um rascunho de cada seção, os cálculos que poderão ser feitos, as figuras e as tabelas que devem ser inseridas. Detalhamento: Neste estágio será priorizado a clareza, a legibilidade e um estilo com introdução, desenvolvimento e conclusão. Produto Final: Onde é priorizada a aparência do artigo, com as seções bem divididas e em uma ordem coerente. O acabamento das figuras, assim como a finalização das tabelas, é feito neste estágio. Cada um dos 5 estágios apresentados em [Ashby 2000], podem ser imaginados como uma linha de desenvolvimento a ser seguida para a conclusão do artigo científico, como pode ser observado na Figura 1. Nesta figura, os passos de conceitualização, materialização e detalhamento estão classificados como edição, indicando que estes passos estarão envolvidos diretamente com o processo de escrita. Figura 1. Processo de desenvolvimento de um artigo. Ainda com relação ao trabalho de [Ashby 2000] podemos destacar a fase de conceitualização. Esta fase é considerada uma das mais importantes, pois é responsável pela estruturação do pensamento. Para uma melhor organização das ideias é proposto, nesta fase, o desenho de uma folha de conceitos. A folha de conceitos é uma representação, em um papel na orientação paisagem, da organização do pensamento do autor com relação ao artigo. Esta representação conterá o título do artigo no topo da página e cada título de seção dentro de um quadrado, delimitando-o. Após a inclusão de todas as seções que o autor julgar necessárias para o seu documento, será o momento de pensar nas ideias, figuras, tabelas, referências e parágrafos que cada seção necessitará para a escrita de seu texto. Este é o momento de esquecer detalhes e pensar prioritariamente no conteúdo [Ashby 2000]. Um modelo de como a folha deve se assemelhar pode ser verificado na Figura 2. A forma de organizar através da folha de conceitos ajuda ao autor ter uma visão geral do artigo a ser escrito. Outra facilidade que esta abordagem acarreta é que a ordem

6 Figura 2. Folha de conceitos exemplo para o projeto de construção de um artigo. Os balões verdes indicam boas ideias. Os balões em lilás significam informações que necessitam ser adicionadas de escrita do artigo não terá importância, já que o autor terá uma visão total do documento, a partir das seções e subseções colocadas no papel. Para explicitar a utilidade da folha de conceitos, pode-se verificar a que representa este artigo na figura 3. A referida figura foi desenhada para auxiliar os autores na construção do texto do presente artigo. Produção de Artigos Científicos em Computação Resumo Introdução - Motivação para escrever artigos; - Explicitar os temas tratados; - Mostrar a estrutura do artigo; O que é Pesquisa Científica? - Por que pesquisar? - A relação entre aluno e orientador Avaliação dos Programas de Pós- Graduação Comparar estratégias A necessidade de divulgação da pesquisa - Por que publicar? - Quais os interesses nisso? - O que faz um pesquisador ser prestigiado?. Mencionar as qualificações dos congressos Construindo um artigo científico - O processo de construção - Incluir estratégias de construção Mencionar Qualis Incluir Figuras Realizando a apresentação do Artigo - Não sobrecarregar os slides - Não abusar de figuras e animações - Enfatizar a questão do tempo - Slide de dúvidas Conclusão - Visão geral do que foi apresentado - Onde pode ser encontrado mais materiais Agradecimentos Referências Exemplos de Estruturas Página 1 Figura 3. Folha de conceitos do presente artigo

7 Pode-se perceber que as seções não são as mesmas da versão final do artigo, embora os significados de cada uma delas sejam semelhantes Estratégia de escrita através de scripts Outra estratégia bastante semelhante à anterior, mas com uma abordagem diferente é a técnica de escrita de artigos através de scripts [Hirsch 2003] explicado de forma sucinta em [Braganholo et al. 2004]. Esta técnica consiste na escrita do artigo em quatro etapas, nas quais o artigo vai sendo aprimorado até a sua conclusão. As quatro etapas descritas em [Braganholo et al. 2004] consiste: Etapa 1: Aqui o autor do artigo planeja as seções e subseções que seu trabalho pode vir a ter. Um exemplo pode ser verificado na figura 4. Etapa 2: Nesta etapa é enumerada uma sequência de pontos que cada seção e/ou subseção deve abordar. Uma boa escolha dos pontos garante um processo de escrita facilitado. Esta etapa pode ser verificada na figura 5. Etapa 3: Cada ponto escolhido na etapa anterior é detalhado. Este detalhamento já poderá produzir o texto final, como pode ser verificado na figura 6. Deve-se ter, ao final da resposta de cada ponto, uma indicação para determinar a qual ponto a resposta pertence. Etapa 4: Remoção das marcas que indicam cada ponto escolhido na etapa 2. Ao final desta etapa tem-se a constituição do artigo final. Um exemplo desta etapa pode ser verificado na seção 3. Que apresenta o texto referente à Figura 6 com algumas melhorias e maior. Produzindo Artigos Científicos em Computação Resumo 1. Introdução 2. Entendendo o Significado de Pesquisa Científica 3. A necessidade de divulgar a pesquisa 4. Construindo um Artigo Científico 4.1. Estratégia de escrita passo a passo 4.2. Estratégia de escrita por script 5. Apresentando o Artigo 5.1. Estrutura da apresentação Conclusão 7. Agradecimentos Figura 4. Etapa 1: Titulo do Artigo 5. Realizando a apresentação do artigo Apresentação oral em conferências, seminários e workshops é outro meio de divulgação de resultados de pesquisas. Ela aproxima o autor da plateia e propicia uma interação entre ambos [Dixon 1990]. A apresentação deve deixar clara qual é sua contribuição e motivar o público à leitura completa do trabalho escrito. Importante ressaltar que a apresentação oral não substitui o trabalho escrito, mas motiva sua leitura e estudo.

8 Produzindo Artigos Científicos em Computação Resumo A necessidade de divulgar a pesquisa P1. Por que publicar? P2. Quais os interesses nisso? P3. Dicas para ser reconhecido (Falar aqui das qualificações dos congressos e sua importância).... Figura 5. Etapa 2: Pontos importantes da seção 3 3. A necessidade de divulgar a pesquisa Para muitas pesquisas chegarem até nós, visando à praticidade e a melhoria de nossas vidas (na maioria dos casos), é necessário que ocorra a sua divulgação. A divulgação é uma forma de trocar ideias com outros pesquisadores e verificar o que pode ser melhorado para a resolução de um determinado problema ou para a análise de algum dado [P1. Por que publicar?]. Figura 6. Etapa 3: Detalhamento de ponto P1 da seção 3 Uma boa apresentação oral é fundamental para divulgar e ampliar o interesse pela pesquisa do tema proposto. Para isso, deve ser interessante e informativa ao mesmo tempo. No entanto, conhecimento e familiaridade com um tema, não são suficientes para garantir sucesso em uma apresentação. Outras habilidades que trataremos nessa seção devem ser consideradas para a elaboração de apresentações capazes de cumprir seus objetivos. Inicialmente a apresentação deve estar compatível com a necessidade e com o nível de compreensão do público ao qual é destinada. Assim, é importante conhecer esse público. Identificar se é constituído de leigos e/ou especialistas na área em questão, quantas pessoas farão parte desse público e qual o seu nível de escolaridade. Ao conhecer melhor a plateia, o autor da apresentação pode, mais facilmente, adaptar o conteúdo à sua compreensão Estrutura da apresentação Para [Bulska 2006], uma apresentação pode ser didaticamente organizada nas seguintes partes: 1. Introdução. Visão geral do conteúdo da apresentação. Deve ser breve, especialmente quando o tempo total para a apresentação é curto. 2. Conteúdo 3. Considerações finais e conclusões [Hill 1997] sugere um esquema geral mais completo que pode ser usado como ponto de partida para a elaboração de apresentações. O esquema considera o tempo médio de 2 minutos por slide, exceto slide título e esquema da apresentação, para uma apresentação de 20 minutos. 1. Título/Autor/Instituição (1 slide) 2. Resumo (1 slide). Delimita o problema atacado. Sintetiza o conteúdo da apresentação oral.

9 3. Esquema da Apresentação (1 slide). Mostra como a apresentação está estruturada. 4. Fundamentação (a) Motivação e problema (1-2 slides) (b) Trabalhos relacionados (0-1 slide) (c) Métodos (1 slide) 5. Resultados (4-6 slides). Conteúdo principal da apresentação. Os resultados principais devem ser cobertos. 6. Conclusões (1 slide) 7. Trabalhos futuros (0-1 slide). Problemas em aberto e não solucionados com a pesquisa. 8. Slides extra (0-3 slides). Slides que podem ser usados para esclarecer algum aspecto após a apresentação. Não são contados no tempo da apresentação. Um último slide pode ser acrescentado para delimitar o final da apresentação. Pode ser um slide sugerindo um momento para resposta de dúvidas da plateia ou mesmo para indicação de fontes adicionais de informações relacionadas ao tema proposto. Uma estimativa do tempo médio para apresentação de cada slide ajuda a obter uma previsão mais precisa do tempo total da apresentação. Para [Hill 1997], a apresentação de cada slide dura cerca de 2 minutos em média. Em alguns casos é possível reservar alguns minutos ao final da apresentação para que os participantes possam fazer perguntas Limitar a quantidade de informações Uma característica importante de uma boa apresentação é a objetividade. Assim, deve contemplar os aspectos mais relevantes de um tema, e não tentar esgotar o assunto com excesso de informação. Também é importante limitar a quantidade de informação apresentada em cada slide para facilitar a assimilação do conteúdo por parte do espectador [Hill 1997]. O ideal é evitar frases longas e usar a menor quantidade de texto possível. Pode-se também criar tópicos para subdividir e organizar melhor o conteúdo. No entanto, cada slide não deve possuir mais de 3 ou 4 tópicos Destacar aspectos mais relevantes Para facilitar o entendimento dos aspectos mais importantes de cada slide, é possível usar o recurso de destacar seus pontos principais. Assim, palavras-chave do slide podem assumir cores ou formatações diferenciadas. O uso de muitas cores em um mesmo slide, no entanto, pode torná-lo confuso, pois o espectador não saberá exatamente o que deve observar primeiro. É importante, então, usar poucas cores distintas para facilitar a visualização de diferentes informações. O uso de fotos, figuras, esquemas e gráficos podem facilitar bastante a assimilação de vários assuntos. Figuras relacionadas aos aspectos principais de um slide, também facilitam sua identificação e assimilação. Setas e círculos podem ser usados para destacar partes de figuras Formatação Os slides devem ser criados em formato paisagem que é a orientação mais comumente usada em telas e projetores.

10 Em relação ao uso das margens, elas devem ser usadas de modo a evitar que o texto fique muito próximo às bordas da tela. Também deve ser evitada a colocação de conteúdo relevante em áreas muito próximas à base do slide, desde que parte da plateia pode estar diante de algum obstáculo, como pessoas à sua frente, dificultando a visualização de elementos dispostos nessas áreas Transições e efeitos Transições entre slides e efeitos para apresentação de novos tópicos podem ser usados, especialmente se forem sutis. No entanto, a sobrecarga de efeitos e sons pode chamar mais atenção que o conteúdo da apresentação, o que deve ser evitado Uso de fontes O uso de fontes muito pequenas pode dificultar a leitura dos textos. Assim, o ideal é que as fontes sejam grandes o suficiente para serem lidas por todos da plateia. O uso de várias fontes em uma mesma apresentação pode dificultar o estabelecimento de um padrão visual para a apresentação. Desse modo, não se aconselha o uso de mais de duas ou três fontes distintas em uma mesma apresentação [Purrington 2007]. Quanto aos tipos de fontes usados nas apresentações, fontes sem-serifa como Arial e Helvetica são mais legíveis na tela que fontes serifadas como Times New Roman e Garamond [Purrington 2007]. Sugere-se, então, que fontes com serifas sejam evitadas quando o tamanho da fonte for muito pequeno. Recomenda-se também não escrever frases totalmente em caixa alta em títulos ou mesmo em outros locais [Purrington 2007], desde que as letras maiúsculas são mais semelhantes entre si que as minúsculas, dificultando, por exemplo, uma leitura mais acelerada. As cores das fontes e mesmo de outros elementos visuais devem ter um bom contraste em relação ao fundo da apresentação para que possam ser lidos com mais facilidade Testar a apresentação Antes de realizar a apresentação oral é bastante aconselhável testar os slides em tela cheia e, se possível, no computador que será usado para exibir a apresentação a fim de evitar problemas. Também é aconselhável levar cópias de segurança da apresentação e mesmo versões da apresentação em outros formatos como PDF. O teste também serve para ajustar melhor o tempo da apresentação e para deixar o apresentador mais seguro sobre cada detalhe de sua explanação Durante a apresentação oral A apresentação oral não deve se transformar em leitura dos slides [Bulska 2006]. O apresentador também não deve se movimentar muito, nem ficar completamente parado durante a apresentação. Além disso, deve olhar para a plateia o máximo possível e evitar dar as costas para ela, especialmente enquanto estiver falando. O tempo estipulado para a apresentação deve ser rigorosamente respeitado em atenção à plateia, à organização do evento e aos demais apresentadores.

11 O expositor não deve falar demasiadamente rápido ou lento. Também não pode falar muito baixo de modo a não ser compreendido. Deve falar para ser ouvido por todos da plateia. O uso de um apontador laser é especialmente útil para indicar pontos específicos dos slides e um controle sem-fio facilita a navegação pelos slides ao mesmo tempo em que permite a mobilidade do expositor. 6. Conclusão Este artigo trata da importância da pesquisa científica e de sua propagação para beneficiar a coletividade a partir da aquisição de novos conhecimentos. O objetivo principal foi motivar e prover informações úteis para auxiliar a escrita, bem como, a elaboração e exposição de apresentações orais na área de Ciência da Computação, apesar de que os conselhos aqui explicitados possam servir para trabalhos em outras áreas. 7. Agradecimentos Agradecemos ao Prof. Dr. Jose Antônio F. de Macêdo pela oportunidade de realizar este trabalho. Agradecemos também pelo apoio financeiro recebido da CAPES e da FUNCAP. Referências Ashby, M. (2000). How to write a paper. Engineering Department, University of Cambridge, Version, 5:1 18. Braganholo, V., Heuser, C., and Reis, A. (2004). Redigindo artigos de Ciência da Computação: uma visão geral para alunos de mestrado e doutorado. In WTDBD-Workshop de Teses e Dissertações em Banco de Dados, Brasília, Brasil. Bulska, E. (2006). Good oral presentation of scientific work. Analytical and bioanalytical chemistry, 385(3): CAPES (2009). Documento de área Ciência da Computação. Chinneck, J. W. (1999). How to Organize your Thesis. carleton.ca/faculty/chinneck/thesis.html. [Online; acessado 07- Setembro-2010]. Dixon, B. (1990). Scientifically Speaking: Mimicry and more. Bmj, 301(6762): Gil, A. C. (2007). Como Elaborar Projetos de Pesquisa. Editora Atlas. Hill, M. D. (1997). Oral Presentation Advice. ~markhill/conference-talk.html. [Online; acessado 07-Agosto-2010]. Hirsch, H. (2003). Essential communication strategies for scientists, engineers, and technology professionals. Wiley-IEEE Press. Moro, M., Braganholo, V., Nacul, A., and Fornari, M. (2004). Rumo ao título de Doutor / Mestre. RITA, 10(2): Purrington, C. (2007). Gratuitous advice on giving a talk. swarthmore.edu/natsci/cpurrin1/powerpointadvice.htm. [Online; acessado 07-Setembro-2010]. Stirewalt, R. E. K. (2011). 5-paragraph rule for writing Introductions. [Online; acessado 15-Agosto-2011].

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