ARTIGOS CIENTÍFICOS LETRAS SUMÁRIO

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1 ARTIGOS CIENTÍFICOS LETRAS SUMÁRIO AS VOZES QUE FALAM CAPITU... 3 EMPRÉSTIMOS LINGUISTICOS NA PUBLICIDADE DE ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS, NA CIDADE DE UBERABA, MG... 6 QUEM SÃO OS NATIVOS DIGITAIS E COMO O ENSINO DE LÍNGUA INGLESA PRECISA MUDAR PARA ATENDÊ-LOS O SIMBOLISMO DE RIO EM CABRAL E EM GUIMARÃES: UMA ANÁLISE FILOSÓFICO-SOCIOLÓGICA SENTIMENTO DO MUNDO: ANÁLISE CRÍTICA DA POESIA DRUMMONDIANA O ENSINO DA GRAMÁTICA NA PRÁTICA DOCENTE A INCLUSÃO DA LÍNGUA ESPANHOLA NO SISTEMA EDUCACIONAL DA CIDADE DE UBERABA-MG - UMA VISÃO POLÍTICA E CULTURAL UM ESTUDO ACERCA DAS TEORIAS DE AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM.. 39 A LUDICIDADE COMO FERRAMENTA DE ENSINO E APRENDIZAGEM DA LÍNGUA ESPANHOLA EM ESCOLAS PARTICULARES DE UBERABA-MG46 A RECORRÊNCIA TEMÁTICA EM CECÍLIA MEIRELES E MARIO QUINTANA: UMA ANÁLISE COMPARATIVA RUBEM FONSECA: UM GRITO CONTA A VIOLÊNCIA URBANA PROFESSORES-PESQUISADORES: EM BUSCA DA CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA PRÁTICA PEDAGÓGICA SÉCULO XXI - A ASCENSÃO DO ENSINO DA LÍNGUA ESPANHOLA NO CONTEXTO EDUCACIONAL BRASILEIRO UMA ANÁLISE SOBRE A INCLUSÃO DE DEFICIENTES NA ESCOLA REGULAR A MULHER ESCRAVA EM UBERABA ( )... 80

2 A INFLUÊNCIA DA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LÍNGUA INGLESA ARA CRIANÇAS NÃO ALFABETIZADAS LINGUAGEM COMO INSTRUMENTO DE RECONHECIMENTO AFIRMAÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO SER AS VARIANTES LINGUÍSTICAS E O TRABALHO DO PROFESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESA O USO OU (NÃO) USO DO PRONOME RELATIVO CUJO: UMA ANÁLISE LINGUÍSTICA A VARIAÇÃO SOCIOLINGUÍSTICA DA LÍNGUA ESPANHOLA- ASPECTOS FONÉTICO-FONOLÓGICOS, LEXICAIS E MORFOSSINTÁTICOS A CULTURA E O ENSINO DE LÍNGUA INGLESA O CANGAÇO NA LITERATURA BRASILEIRA O PROCESSO DE APRENDIZAGEM DE LÍNGUA ESTRANGEIRA POR ALUNOS DA EJA DE UBERABA-MG ANÁLISE DE VÍDEOS DAS SANDÁLIAS HAVAIANAS NA PERSPECTIVA DISCURSIVA AS QUESTÕES SOCIO-HISTÓRICAS EM OS FUZILAMENTOS DE 03 DE MAIO DE GOYA E VOZES D ÁFRICA DE CASTRO ALVES - UMA ANÁLISE COMPARATIVA

3 AS VOZES QUE FALAM CAPITU FRANCO, L.M. 1 ; CAMILO, A.E.C. 2 1 Professor das Faculdades Associadas de Uberaba Av. do Tutuna, 720, Bairro do Tutunas, fone: (34) , 2 Graduando do Curso de Letras das Faculdades Associadas de Uberaba Av. do Tutuna, 720, Bairro do Tutunas, fone: (34) , Resumo: O presente trabalho tem por objetivo a análise de diferentes vozes que norteiam a personagem Capitu de Dom Casmurro, do autor Machado de Assis, fazendo uma intertextualidade com quatro artigos presentes no livro Quem é Capitu?, cuja organização é de Alberto Schprejer, O que despertou o interesse por essa linha de pesquisa foi o jogo polifônico que permeia os intertextos de Capitu. A presente pesquisa é de cunho qualitativo, conforme Chizzotti, O corpus é constituído de quatro artigos do livro Quem é Capitu?, publicado em 2008, organizado por Alberto Schprejer, sendo estes Uma nação Capitu, da atriz Fernanda Montenegro, Capitu ou a mulher sem qualidades, da especialista em história do Brasil Mary Del Priore, De Capitu a capeta, do professor de antropologia Roberto DaMatta e Ainda uma vez, Capitu da escritora Lygia Fagundes Telles, e o livro Dom Casmurro de Machado de Assis, publicado em Para alcançarmos os objetivos propostos e responder às questões levantadas, os pressupostos teóricos da Análise do Discurso em Gregolin e Pêcheux, citados por Fernandes (2007, p. 70), Rocha & Deusdara (2005), Orlandi (2001; 2005) e Koch (1997) nortearam o estudo. Para abordar as questões de Sujeito, Dialogismo, Polifonia e Intertextualidade nos embasamo-nos em Maingueneau, Brandão, Pêcheux e Verón, Robin, Ducrot citados por Orlandi (2001, p. 11), Authier-Revuz citado por Koch (1997, p. 50), e Fiorin (1999). No momento, estão sendo feitas as leituras iniciais, sendo assim, maiores detalhes sobre a pesquisa não podem ser aclarados, visto que se encontra em fase inicial. Palavras-chave: Análise do Discurso, Capitu, intertextualidade. INTRODUÇÃO A temática deste estudo diz respeito ao dialogismo, em especial: As vozes que falam Capitu. O objetivo geral é analisar as vozes que norteiam essa personagem da literatura brasileira, e os objetivos específicos são: constatar como as vozes do discurso de Capitu, da obra de Machado de Assis, Dom Casmurro, ecoam nos dizeres da obra Quem é Capitu? organizado por Alberto Schprejer; mostrar a visão ideológica de Capitu explicitada nas vozes de seus depoentes, em Quem é Capitu?, sendo estes: Uma nação Capitu, da atriz Fernanda Montenegro, Capitu ou a mulher sem qualidades, da especialista em história do Brasil, Mary Del Priore, De Capitu a capeta, do professor de antropologia, Roberto DaMatta e Ainda uma vez, Capitu da escritora Lygia Fagundes Telles, a escolha de quatro artigos dos dezesseis apresentados no livro, foi por enfocarem intensamente na personagem Capitu. Uma das razões para a realização deste estudo é de ordem teórica no que se refere à análise das vozes que norteiam a personagem Capitu. Além disso, há necessidade de resgatar o jogo polifônico que permeia os intertextos de Capitu. 3

4 Em um conceito breve de polifonia, usando as palavras de Bakthin, citado por Fiorin (1999, p. 5): emprega-se polifonia para caracterizar um certo tipo de texto, aquele em que se deixam entrever muitas vozes, por oposição aos textos monofônicos, que escondem os dialogos que os constituiem. Monofonia e polifonia de um discurso são, dessa forma, efeitos de sentido decorrentes de procedimentos discursivos que se utilizam em textos, por definição, dialógicos Koch (1997) descreve que todo caso de intertextualidade é uma polifonia, mas nem toda polifonia pode ser vista como manifestação de intertextualidade, pois esta compreende as diversas maneiras pelas quais a produção e a recepção do texto depende do conhecimento de outros textos por parte dos interlocutores, isto é, diz respeito aos fatores que tornam a utilização de um texto dependente de um ou mais textos previamente existentes. Nesse sentido podemos dizer que intertextualidade e Análise do Discurso caminham juntas, pois ambas resultam no conhecimento prévio do mundo vivido pelos interlocutores. O eu codifica o sentido de cada texto que é proposto ou imposto Assim, a Análise do Discurso implica intervenções de leitura e interpretação. A Análise do Discurso concebe a linguagem como mediação entre o homem e a realidade natural e social, tornando possível a permanência e a continuidade quanto ao seu deslocamento e a transformação do homem e da realidade em que ele vive. Não podemos deixar de ressaltar um aspecto muito importante, o dialogismo entre os vários textos de cultura que se constroem no interior de cada um dos textos que serão analisados. Dialogismo, para Bakthin, citado por Fiorin (1999, p. 6), é o princípio constituitivo da linguagem e de todo discurso. Os textos são diaógicos porque resultam do embate de muitas vozes sociais; podem produzir efeitos de polifonia, caso essas vozes se deixam escutar ou de monofonia, quando o dialogo é mascarado e apenas uma voz faz-se ouvir. MATERIAL E MÉTODOS Este trabalho tem como corpus As vozes que falam Capitu, utilizando como objeto de análise o livro do escritor brasileiro Machado de Assis, publicado em 2000, Dom Casmurro e quatro artigos do livro organizado por Alberto Schprejer Quem é Capitu?, publicado em Os artigos escolhidos para análise foram: Uma nação Capitu, da atriz Fernanda Montenegro, Capitu ou a mulher sem qualidades, da especialista em história do Brasil Mary Del Priore, De Capitu a capeta, do professor de antropologia Roberto DaMatta e Ainda uma vez, Capitu da escritora Lygia Fagundes Telles. A pesquisa tem como natureza qualitativa, segundo Chizzotti (2005), utilizandose da análise textual (SILVERMAN, 1993) como ferramenta de análise. Devemos ressaltar que a pesquisa qualitativa foi escolhida pela possibilidade que o pesquisador tem de explorar seu pensamento livre, abrindo assim campo para a interpretação e análise de conteúdos. Sobre a pesquisa qualitativa, Chizzotti (2005, p. 78) descreve que nas ciências humanas e sociais, a hegemonia das pesquisas positivas, que privilegiavam a busca da estabilidade constante dos fenômenos humanos, a estrutura fixa das relações e a ordem permanente dos vínculos sociais, foi questionada pelas pesquisas que se empenharam 4

5 em mostrar a complexidade e as contradições de fenômeno singulares, a imprevisibilidade e a originalidade criadora das relações interpessoais e sociais. Sendo assim, a partir de dados aparentemente simples, a pesquisa qualitativa evidencia a complexidade da vida humana e evidenciam sinais ignorados na vida social. CONCLUSÃO A pesquisa, em andamento, pretende analisar as vozes que norteiam a personagem Capitu de Machado de Assis com os quatro artigos do livro Quem é Capitu?. Os detalhes da conclusão não estão prontos, pois a pesquisa está em andamento. REFERÊNCIAS ASSIS, J.M.M. de. Dom Casmurro. 39. ed. São Paulo: Ática, CHIZZOTTI, Antônio. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 7. ed. São Paulo: Cortez, FERNANDES, C. A. Análise do discurso: reflexões introdutórias. 2. ed. São Carlos: Claraluz, FIORIN, José Luiz. Polifonia txtual e discursiva. In: BARROS, Diana Luz Pessoa de;. Dialogismo, polifonia, intertextualidade em torno de Bakhtin. 2. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, KOCH, I.G.V. Texto e coerência. São Paulo: Cortez, O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, ORLANDI, E. P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 3. ed.. Campinas: Pontes, SILVERMAN, D. Interpreting qualitative data: methods for analysing talk, text and interaction. London: SAGE Publications Ltd., MONTENEGRO, Fernanda. Uma nação Capitu. In: SCHPREJER, Alberto.(Org.) Quem é Capitu? Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p PRIORE, Mary Del. Capitu ou a mulher sem qualidades. In: SCHPREJER, Alberto.(Org.) Quem é Capitu? Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p TELLES, Lygia Fagundes. Ainda uma vez, Capitu!. In: SCHPREJER, Alberto.(Org.) Quem é Capitu? Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p DAMATTA, Roberto. De Capitu a capeta. In: SCHPREJER, Alberto.(Org.) Quem é Capitu? Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p

6 EMPRÉSTIMOS LINGUISTICOS NA PUBLICIDADE DE ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS, NA CIDADE DE UBERABA, MG FRANCO, L. M. 1 ; DE PAULA, A. J. 2 1 Professor das Faculdades Associadas de Uberaba Av. do Tutuna, 720, Bairro do Tutunas, fone: (34) , 2 Graduando do Curso de Letras Português/Inglês das Faculdades Associadas de Uberaba Av. do Tutuna, 720, Bairro do Tutunas, fone: (34) , Resumo: Atualmente, percebemos ampla exploração de termos de outras línguas na publicidade e no comércio, como, por exemplo, da língua inglesa. Nesse contexto, o referido trabalho tem como objetivo analisar e refletir acerca das alterações sofridas pelo léxico da língua portuguesa em sua vertente brasileira, provenientes do acréscimo de empréstimos lingüísticos ao seu acervo lexical para nomear diferentes estabelecimentos comerciais, na cidade de Uberaba, MG. Secundariamente, pretendemos verificar o tipo de alterações grafológicas, morfológicas, semânticas ou fonológicas que, supostamente, tais empréstimos passam para se adaptar à língua receptora e, por fim, compreender os motivos que levaram os comerciários a adotarem escolhas lexicais de outros idiomas. Garcez e Zilles (2000) definem empréstimo como o fenômeno constante no contato entre comunidades lingüísticas. Por outro lado, Carvalho (1989, p. 35) nos lembra que o empréstimo é uma conseqüência do contato entre línguas. A natureza da pesquisa é, por um lado, bibliográfica, quando nos valemos das contribuições dos teóricos Bechara (2002), Garcez e Zilles (2000), Faraco (2002) e Carvalho (1989). Por outro lado, o estudo é qualitativo (CHIZZOTTI, 2001), quando faremos uma pesquisa de campo em estabelecimentos comerciais na cidade de Uberaba, MG. Palavras-chave : estrangeirismo, empréstimos lingüísticos, linguagem, língua, léxico, variação terminológica. INTRODUÇÃO Atualmente, linguistas brasileiros se empenham em pesquisas e em elaborações teóricas com o objetivo de compor um retrato o mais fiel possível da realidade linguística brasileira. Fazendo um breve panorama no universo linguístico brasileiro, podemos perceber vários vocábulos / termos utilizados de cunho estrangeiro, em especial, os anglicismos, alguns até modificados e já dicionarizados, enquanto outros procuram o seu lugar, seja por modismo ou por sofisticação. A língua é um organismo vivo, mutável, nunca se fixa, pois se movimenta constantemente para satisfazer as necessidades comunicativas dos usuários. Tal argumento é válido quando nos deparamos com usos expressivos de estrangeirismos em situações rotineiras, como, por exemplo, um simples passeio ao shopping, ao centro da cidade, nas bancas de jornal, na televisão e até mesmo nos diálogos diários, nos quais os falantes mesclam usualmente o Inglês com o Português. Express, cyber, boulevard, trip, street, solution, shoes, ice, sport, delivery entre outros, são encontrados em quase toda 6

7 parte no Brasil. Porém, muitos desses empréstimos não são incorporados à língua e são usados de forma abusiva, visando o diferente, o chique, status social e submissão cultural. Por conseguinte, temos conflitos internos que buscam, por um lado, impedir o excesso de estrangeirismos, e, por outro, defender e apoiar o fenômeno. Entre os lados que discutem o tema estão políticos, estudiosos da língua, cantores e autores literários. Em contrapartida, o cenário mundial bombardeia o Brasil, principalmente Europa e Estados Unidos, com promessas de ascensão comercial e status. O referido trabalho tem como objetivo principal analisar e refletir acerca das alterações sofridas na língua portuguesa, em sua vertente brasileira, provenientes do acréscimo de empréstimos lingüísticos ao seu acervo lexical para nomear diferentes estabelecimentos comerciais, na cidade de Uberaba, MG. Secundariamente, nesse contexto, pretendemos verificar o tipo de alterações grafológicas, morfológicas, semânticas ou fonológicas que, supostamente, tais empréstimos passam para se adaptar à língua receptora. O interesse pelo estudo se justifica por três razões: na tentativa de mostrar que a ocorrência de empréstimos em uma língua pode ser vista como um indicador da vitalidade do próprio sistema linguístico. Pelo fato de o empréstimo ser tomado como um fenômeno que não é de hoje, mas, presente nas línguas modernas, sendo fonte de enriquecimento cultural para a língua receptora e seus usuários. E, por fim, pelo fato de talvez criar uma relação de exclusão com o consumidor que, muitas vezes, sem o domínio do idioma tomado por empréstimo, impõe uma relação lingüística que não é do domínio do consumidor, como em On Sale e % off price, para indicar descontos, promoções e liquidações. Saussure (2002, p. 21), considerado por muitos como o pai da Linguística Moderna, observa que a língua é um organismo abstrato, homogêneo e uniforme. Porém, a língua não é estática, ela está à mercê, de início, da própria comunidade que a altera o tempo todo, com as variantes lingüísticas. Com as conquistas de territórios por conquistadores e colonizadores durante os séculos, a língua sofreu várias mudanças, substituindo ou alterando as formas existentes anteriormente, e até extinguindo-as. Nos tempos modernos, os motivos que levam uma língua se sobrepor, ou se fundir a outra é o status de 1º mundo, o poder de mercado, a tecnologia e os avanços científicos. Daí a presença dos Estrangeirismos. Um dos motivos mais comuns da necessidade de usar um empréstimo lingüístico é na área da tecnologia. Os Estados Unidos e Japão são os países que mais se destacam em avanços tecnológicos. O Brasil, ao comprar computadores de última geração, aparelhos de som, TV e outros, também compra um leque de nomenclaturas no idioma inglês e que não são encontrados correspondentes em português. Aí entram os Empréstimos Linguísticos. Dubois (2000, p ), em relação aos empréstimos linguísticos, afirma que: Há empréstimo linguístico quando um falar A usa e acaba por integrar uma unidade ou um traço lingüístico que existia precedentemente num falar B e que A não possuía; a unidade ou o traço emprestado são, por sua vez, chamados de empréstimo. O empréstimo é o fenômeno sóciolinguístico mais importante em todos os contatos de línguas. 7

8 são: Em seguida, Câmara Jr. (1998, p. 111) nos fala também que os estrangeirismos Os empréstimos vocabulares não integrados na língua nacional, revelando-se estrangeiros nos fonemas, na flexão e até na grafia, ou os vocábulos nacionais empregados com a significação dos vocábulos estrangeiros de forma semelhante. Na língua portuguesa os estrangeirismos mais frequentes são hoje galicismos e anglicismos. O vocábulo estrangeiro, quando é sentido como necessário, ou pelo menos útil, tende a adaptar-se à fonologia e à morfologia da língua nacional, o que para a nossa língua vem a ser o aportuguesamento. Segundo Garcez (2000), estrangeirismo é o emprego, na língua de uma comunidade, de elementos oriundos de outras línguas. No nosso cotidiano, é cada vez mais comum o emprego de palavras emprestadas de outros idiomas. No Brasil, por exemplo, temos, em maior parte casos de anglicismo (palavras oriundas do inglês), galicismo (do francês), e algumas outras em menores proporções. Porém, essa questão, que vem se afirmando desde o descobrimento do Brasil, é alvo de discussão de estudiosos e políticos quanto à sua aplicação, relevância e limite. O projeto de lei nº 1676/99, de autoria do deputado Aldo Rebelo, objetiva defender, proteger e promover a língua portuguesa no Brasil. No projeto, o deputado afirma que há o uso desmedido e despreocupado de estrangeirismos em todos os ramos de comércio e nas diferentes mídias. Também argumenta que todo cidadão brasileiro deve estar atento aos excessos de uso de empréstimos linguísticos, porque os mesmos podem fazer com que coloquemos em risco a nossa língua materna. Caso seja aprovada, a lei obrigará que palavras ou expressões em língua estrangeira sejam substituídas por correspondentes em português. Na visão do deputado, o estrangeirismo é uma ameaça à língua materna, elemento do nosso patrimônio cultural. Ele afirma que ignorância, falta de senso crítico e de estética são a única explicação para esse fenômeno que vem crescendo ao longo dos últimos 10 a 20 anos, tido por ele, como indesejável, chegando a apontar que tal fato significa falta de autoestima. No entanto, de acordo com alguns estudiosos, o referido projeto é baseado em um desejo impensado de proteção à língua. De acordo com Bechara (2002, p. 74), tratar o problema do Estrangeirismo numa língua como um sinal de decadência cultural ou de perda da noção de identidade nacional, é colocá-lo em ótica errada, ou pelo menos, sujeito a graves críticas e profundos prejuízos de natureza científica. Segundo esse autor, é fechar os olhos a uma realidade que não é exclusiva de uma nação, mas que se repete e, muitas vezes, mais aguda em nações extremamente ciosas de seu sentimento de pátria e etnia que reagem ao empréstimo, principalmente do inglês como acontece na França, na antiga República Democrática Alemã e na Bulgária. Na perspectiva sociolinguística, temos, porém, uma visão mais ampla e mais imparcial dos intercâmbios entre os vários idiomas e a relevância desse fenômeno para a língua materna que, no caso em questão, é a Língua Portuguesa. Alguns linguistas, como a professora-doutora de Sociolinguística da UFU, Maura Alves Rocha, são totalmente contra o projeto que tem como intuito vetar a influência do estrangeirismo no Brasil. Essa estudiosa afirma que é um projeto inconsistente, xenófobo e inexequível, argumentando que o projeto não especifica quais palavras podem ou não ser usadas e 8

9 que é impossível evitar esse empréstimo lexical. Como exemplificação, Rocha (2007) afirma: filé, hotel, maionese, garagem, bife, camisa, café, abajur, self-service, alfaiate, muçarela, pizza, estrogonofe, lasanha, mouse, deletar, entre tantas outras não são palavras do português e, no entanto, já estão incorporadas à nossa fala. A Sociolingüística garante que toda e qualquer língua é um organismo vivo e em constante evolução e o que faz e caracteriza uma língua é o seu uso. Não é possível e nem lógico tentar controlar, por meio de uma lei, a língua falada, pois o falante não pode ser punido e nem sancionado baseando-se na maneira como ele se expressa. Conforme salienta Bourdieu (1998, p. 32): Para que um modo de expressão entre outros (uma língua, no caso do bilinguismo, uma utilização da língua, no caso de uma sociedade dividida em classes) se imponha como único legítimo, é preciso que o mercado linguístico seja unificado e que os diferentes dialetos (classistas, regionais ou étnicos) estejam praticamente referidos à língua ou ao uso legítimo. Enquanto produto da dominação política incessantemente reproduzida por instituições capazes de impor o reconhecimento universal da língua dominante, a integração numa mesma comunidade linguística constitui a condição da instauração de relações de dominação linguística. Não é de hoje que, nos meios sociais e políticos de diversos grupos, o estrangeirismo é propício a debates em torno do seu uso correto no meio lingüístico. Na década de 20, tivemos movimentos puristas de estudiosos que não se conformavam com o uso das palavras francesas, que eram usadas em demasia por grande parte da elite que compunha a população do Rio de Janeiro. A Sociolinguística defende que os estrangeirismos têm sua função e relevância, principalmente na área científica, em que muitos termos usados para designar fórmulas de produtos, como, por exemplo, os cosméticos mantém a termologia igual à original, na sua passagem para o Brasil. Quanto a outros exemplos, pode-se afirmar a procura de status e estética. No entanto, não devemos nos deixar totalmente influenciados pela língua do outro, nem mesmo usá-la para fazer uma seleção de clientes para o comércio, a não ser em casos específicos, como escolas de idiomas, por exemplo. O maior problema é o uso do fenômeno sem um estudo amplo da sua real necessidade. Garcez e Zilles (2000) apontam que os falantes de língua portuguesa associam o uso do Estrangeirismo ao que é representado em suas mentes. Essas representações que são feitas a respeito de alguns falantes de inglês vão desde valores eliticistas, dinamistas, consumistas, cômodos, até poder e valores que querem associar a si mesmos. O maior problema encontrado por pessoas que se colocam no lugar do deputado Aldo Rebello, é o fato crescente de concentração de elementos, principalmente do inglês, estarem se infiltrando cada vez mais no uso cotidiano de falantes de língua portuguesa no Brasil, principalmente anglicismos. O fato também de que a língua inglesa no Brasil não é língua falada no uso diário em nenhuma comunidade, sendo claramente uma língua estrangeira. Na atualidade, o inglês é uma grande fonte de empréstimos línguísticos não só no português, mas também nas demais línguas, fato aumentado ainda mais com a globalização. O inglês hoje é tido como língua franca para contatos internacionais, sucesso esse devido ao sucesso imperial britânico e americano, sendo o Brasil cliente servil. Já a Língua Portuguesa, apesar de ser o quinto idioma mais falado do mundo, sendo o sétimo em ocupação territorial do globo, não é reconhecida nos organismos internacionais, como a ONU, a FAO e a 9

10 Unesco, como idioma de trabalho. E também tem o fato de que a Língua Portuguesa não é como a Língua Inglesa, disseminada praticamente em todo o globo, tendo cursos em quase todos os continentes do planeta. Em contrapartida, para Carvalho (1989, p. 26), é de grandes proporções a influência e correntes ideológicas que a língua pode denunciar, sendo insofismável prova e testemunho do domínio cultural. Acontece que, temos também, o fator poder de mercado, que os Estados Unidos tem por excelência, sendo o mesmo considerado o pai do capitalismo. Sendo assim, isso pode influenciar outras comunidades linguísticas, fazendo com que elas se apoderem da linguagem do país tido como primeiro mundo. Diante disso, o comércio, sabendo que é necessário, para ter sucesso usar recursos e artefatos que atraiam consumidores, explora os anglicismos por parte da associação semiótica feita com a língua inglesa e a sua grande reposição de recursos simbólicos, sociais e econômicos que são por ela mediados. A esse respeito, Garcez e Zilles (200observam que o anglicismo traz a promessa de que o comércio pode quebrar a insegurança, as dificuldades de vendas e ascensão comercial. Garcez e Zilles (2000, p. 23) acrescentam: [...] A força desse desejo parece irrefreável. Dele resultam muitos empréstimos, desnecessários na sua maioria, de gosto duvidoso quase sempre (e gosto linguístico se discute, é claro). Ou seja: seriam imprescindíveis esses estrangeirismos? Não. Desejados? Sim, por muitos de nós. Fazem mal? Tanto quanto as ondas que vieram antes, como a dos galicismos os empréstimos franceses do início do século XX passageiros, na maior parte; incorporados sem cicatrizes, os mais úteis ou simpáticos. Reprimi-los, por quê? O próprio português é uma língua que é invadida e também invasora, falada em cinco continentes. Tendo em vista a língua portuguesa sendo uma língua moldada e desenvolvida através de séculos, e atualmente com o uso crescente de influências externas de outras línguas, é criado a ideia errônea de que pode ocorrer uma descaracterização do português, fazendo assim com que percam de vista de que a verdadeira essência é a fala, mutável, dotada de vitalidade incontrolável. MATERIAL E MÉTODO A pesquisa é, por um lado, de natureza bibliográfica, quando nos valemos das contribuições dos teóricos Bechara (2002), Garcez e Zilles (2000), Faraco (2002) e Carvalho (1989), os quais defendem o estrangeirismo como medida necessária para o enriquecimento da língua e descrevem sua importância na formação da língua portuguesa como conhecemos atualmente. Por outro lado, o estudo é qualitativo (CHIZZOTTI, 2001), quando será feita uma pesquisa de campo nos mais diversos estabelecimentos comerciais. Aqui, o objetivo é pesquisar e analisar o porquê de cartazes, nomes fantasias e produtos estarem em outro idioma e não na língua materna e o que esperam com o uso desse artifício. Será elaborado um questionário com questões abrangendo o ambiente, a posição em que se encontra o estabelecimento, o significado e importância que comerciantes dão para o uso de estrangeirismos e a repercussão esperada a respeito do uso dos mesmos. Foi vista a necessidade de adicionar no questionário, perguntas com o intuito de verificar as particularidades que o tema pode trazer, devido ao fato de que a escolha 10

11 do uso de um termo de outra língua pode ser tanto de influências que vêm desde as preocupações estéticas, crenças, comparações com exemplos de outros estabelecimentos comerciais do mesmo ramo, visão mercadológica global e outros. Tendo em vista esses detalhes, poderemos ter acesso a dimensões maiores que podem explicitar melhor a real necessidade vista pelos comerciantes na prática do uso de Empréstimos Linguísticos. A escolha pelo método Qualitativo, corroborando com Demo (1995), deu-se também pelo fato de ser a melhor opção para se verificar a realidade de uma situação estudada, pelos várias combinações particulares entre o teórico e a prática. Existe também a intenção de separar por etapas o processo de pesquisa. A meta é identificar vários segmentos comerciais, fazendo assim um cronograma, com localização, estrutura em geral e de comparações com lojas comerciais do mesmo ramo. Com isso, será possível fazer análises de grandes e pequenas empresas (lojas comerciais), em suas respostas ao questionário, para poder ser observado se há divergências nas opiniões, observando assim, o que ambos almejam. Serão feitos gráficos demonstrativos do resultado final, com a porcentagem de cada particularidade ligada ao uso de Estrangeirismos. Sendo assim, as etapas serão as seguintes: 1º) criação de um questionário contendo itens de pesquisa que serão preenchidos pela própria visão do pesquisador a respeito de estrutura, ramo e localização de estabelecimentos comerciais. E também itens que serão a respeito da opinião do dono do estabelecimento, do porque do uso de Estrangeirismo no nome de fantasia da loja. 2º) elaboração de gráficos estatísticos contendo todo o resultado da pesquisa, com um gráfico para cada item, expondo as diferentes opiniões e análises feitas. CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa de campo ainda está em andamento, mas já avançamos quanto a algumas conclusões: a de que vivemos em um mundo globalizado. Não há dúvida de que o dia a dia do brasileiro está repleto de termos estrangeiros, principalmente no meio logístico, onde é claro o uso exagerado de termos vernáculos do inglês. O Estrangeirismo é apenas uma maneira que foi encontrada para que a permuta de informações pudesse ser facilitada. O estrangeirismo ou a utilização de algumas palavras estrangeiras como abajur ou camisa não farão com que nossa língua perca sua identidade. Não devemos afirmar a importância e relevância de nossa língua criticando e proibindo a utilização de alguns vocábulos estrangeiros, mas devemos, sim, valorizar a língua por ser formada e ser o que ela é. Porém, devemos estar atentos para barbáries desnecessárias, caprichos que visam imitar o comércio externo, os países de primeiro mundo, buscando evitar uma submissão cultura. A língua é uma mistura de várias línguas de diversos povos e comunidades que viveram e até hoje vivem de forma harmoniosa nesse território a que chamamos Brasil. Porém, acreditamos que a pesquisa de campo trará resultados que poderão responder o porquê de tantos estabelecimentos comerciais utilizarem o fenômeno de forma exagerada, e, muitas vezes, com termos que temos equivalentes em nossa língua materna. Não podemos esquecer que foi o uso do idioma que muitos povos utilizaram para a conquista e dominação de outros. Quando os romanos tiveram o seu domínio nas ilhas britânicas, prevaleceu o inglês arcaico, depois vieram os anglo-saxões e os normandos, momento em que o francês prevaleceu por um bom tempo. Hoje, com a 11

12 globalização, o inglês parece ser a língua mais difundida, daí, ser nomeada como língua universal. A mídia, que deveria difundir melhor sobre a temática, acaba provocando mais confusão, ora é a favor, ora é contra, portanto, só serve para confundir ainda mais a população. É inevitável o fato de que empréstimos linguísticos sempre estarão presentes no nosso cotidiano. Porém, é preciso que haja muita atenção ao fato que muitos aparecem sem avisar e nem são necessários. Há o prestígio por parte da comunidade e a não observação dos equivalentes já existentes. Quanto aos termos que não têm correspondentes no nosso idioma, pode ser feita uma proposta à Academia Brasileira de Letras para que se faça o aportuguesamento caso realmente for necessária a aquisição dos termos estrangeiros pretendidos. Muitos países perderam a sua identidade devido às colonizações e à expansão do domínio das culturas dominantes. Não podemos facilitar com o uso supérfluo de termos de outros idiomas por questões estéticas e de status, porque, quando menos percebermos, estaremos em uma situação que não poderá ter mais retorno. REFERÊNCIAS CARVALHO, N. Empréstimos linguísticos. São Paulo: Ática, CHIZZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. São Paulo: Cortez, GARCEZ, P. M., ZILLES, A. M. S. Estrangeirismos: empréstimos ou ameaça? In: LOPES DA SILVA, F; MOURA, H. M. M. (Orgs.) O direito à fala: a questão do preconceito lingüístico. Florianópolis: Insular, p FARACO, Carlos Alberto. Estrangeirismos: guerras em torno da língua. In: (Org.). Estrangeirismos: guerras em torno da língua. São Paulo: Parábola Editorial, p BECHARA, E. C. (Org.). Na ponta da língua 5. In: O estrangeirismo e a pureza do idioma 1. Rio de Janeiro: Lucerna, p ROCHA, M, A. Estrangeirismo pode ser proibido. Disponível em: <http://www.correiodeuberlandia.com.br/texto/2007/12/26/885/estrangeirismo_pode_se r_proibido.html>, Acesso em: 08 abr Estrangeirismo agrega valor ao produto? Disponível em: <http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13001&id_noticia=1 06>, Acesso em: 12 mar SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de lingüística geral. São Paulo, Cultrix, DUBOIS, Jean et al. Dicionário de linguística. São Paulo: Cultrix, CAMARA Jr., J. Mattoso. Princípios de linguística geral. Rio de Janeiro: Padrão,

13 QUEM SÃO OS NATIVOS DIGITAIS E COMO O ENSINO DE LÍNGUA INGLESA PRECISA MUDAR PARA ATENDÊ-LOS MAXWELL, L.J. 1 ; SOUSA, A.M.A. de 2 1 Professora das Faculdades Associadas de Uberaba Av. do Tutuna, 720, Bairro do Tutunas, fone: (34) , ; 2 Graduanda do Curso de Licenciatura em Letras Português / Inglês das Faculdades Associadas de Uberaba Av. do Tutuna, 720, Bairro do Tutunas, fone: (34) , Resumo: O mundo muda o tempo todo. Nada é sempre do mesmo jeito. Tal como a observação da mutabilidade natural das coisas, a observação das relações de ensino atuais permite notar que o mundo no qual os professores de hoje nasceram não é o mesmo mundo no qual seus alunos nasceram. Quanto maior a diferença de idade entre eles, maior a diferença entre seus mundos. Em função disso, as maneiras de educar, de aprender e o conceito de o que seja educação, ou não, também não são os mesmos. Os professores de hoje planejam, em sua maioria, aulas para alunos que presumidamente pensam como eles. Mas isso não é mais verdade tampouco as situações imaginadas pelos professores da língua inglesa para contextualizar suas atividades serão possíveis ou naturais quando esses alunos saírem de suas escolas. Prensky (2001) apresentou e explicitou conceitos anteriormente inexistentes: imigrante digital (Digital Immigrant) e nativo digital (Digital Native), que fazem um trocadilho interessante com falante nativo e imigrante de uma língua, e que permitem explicar como os alunos atuais não raciocinam, deduzem, estudam ou aprendem como os que hoje deveriam estar lhes ensinando. Palfrey (2008) estende sua análise até as esferas política e econômica ao constatar que a primeira geração de nativos digitais chegou à maioridade, o que acarretará uma mudança no mundo com relação à sua imagem. Em uma pesquisa bibliográfica, outros autores serão pesquisados, tanto para opor como para ratificar os conceitos defendidos para alcançar os objetivos propostos neste trabalho, por meio de comparação de informações e teorias de estudiosos da educação, do ensino de língua inglesa, da tecnologia e do desenvolvimento humano. Assim, esse trabalho, que é participante do programa de iniciação científica das Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU), propõe-se a verificar quem são os nativos digitais, quais suas características e quais as mudanças pelas quais a metodologia do ensino de língua inglesa, como idioma estrangeiro, deverá passar para propiciar que uma verdadeira aquisição da linguagem. Ao longo desta proposta de adequação da metodologia de ensino, opções tecnológicas com uso educacional serão estudadas para verificar quais melhor atendem às necessidades dos nativos digitais, bem como as necessidades de seus professores, que, muitas vezes, são imigrantes digitais. Palavras-chave: educação, língua inglesa, nativos digitais, tecnologia. INTRODUÇÃO Ao assistir a uma palestra proferida por um especialista em uso de tecnologia e de recursos multimídia no ensino da língua inglesa, tomamos conhecimento da existência de um estudo inicial feito por Prensky (2001) em que ele separa as pessoas 13

14 que vivem atualmente em três gerações: a geração analógica, formada primordialmente por adultos nascidos até a década de 60, a geração net, dos nascidos entre os anos 60 e 80, e a geração digital, formada pelos nascidos a partir da segunda metade da década de 80. Uma maneira simplista de explicar suas diferenças seria imaginar uma hipotética situação em que um membro de cada geração receberia um equipamento eletrônico novo. O representante analógico olharia o manual e chamaria um técnico para instalá-lo; o representante net leria o manual passo a passo e instalaria o equipamento; o representante digital o tiraria da embalagem e começaria a mexer no equipamento até tê-lo instalado correta e rapidamente e ainda descobrindo características talvez desconhecidas pelos outros dois. Prensky também afirma que a geração digital seria formada por nativos digitais. Esses seres nasceram em um momento multimídia, multitarefa, rápido e lógico. Dentre os membros das outras gerações, há os chamados imigrantes digitais, que não são nativos, mas já dominam mais elementos tecnológicos do que seus contemporâneos e por isso dialogam de maneira mais proveitosa com a geração digital. Desde 2001 essa teoria vem se alastrando pelos países de língua inglesa desde Harvard University chegando, inclusive, à Universidade de Campinas (Unicamp) no departamento de matemática. Ambas as vertentes também serão analisadas nesse trabalho. Uma pesquisa acerca da veracidade dessas informações, bem como de suas falhas e oposições faz-se necessária para que possamos discutir a quem se pode atribuir o rótulo de nativo digital. Após a constatação da existência do nativo digital e de seu perfil, caberá um questionamento de como a educação em geral, mas principalmente a de língua inglesa para brasileiros, precisa mudar para tornar-se interessante e atrativa aos olhos dos alunos da geração digital. Em Vigotskii serão buscados os conceitos relativos à psicologia para fundamentar o estudo quanto ao desenvolvimento e aprendizagem da linguagem em geral. Quanto à aquisição de um segundo idioma, aqui a língua inglesa, os estudos de Ellis serão utilizados. Também será necessário considerar quais mecanismos tecnológicos disponíveis podem ser utilizados tanto por professores quanto por alunos para facilitar a assimilação da língua inglesa. Esse trabalho exploratório e descritivo (GIL, 2002) tem por objetivo geral verificar a existência do nativo digital. A partir dele, dois outros objetivos específicos são almejados: verificar, a partir de uma pesquisa bibliográfica, como o nativo digital é, como se comporta e como se difere das gerações anteriores e verificar quais aspectos metodológicos do ensino de língua inglesa precisam ser alterados para melhor atenderem a esse novo ser humano. A constatação de sua importância para a formação de professores e para o ensino de língua inglesa comprovou a necessidade desse trabalho, bem como o interesse pessoal da autora em educação, ensino de língua inglesa, psicologia e tecnologia aplicada à educação e aprendizagem. Caso durante a evolução do trabalho seja justificada a adoção de novos objetivos ou adequação dos objetivos supracitados, ela será feita, contanto que o cerne da questão levantada pela autora seja mantido. MATERIAL E MÉTODOS A pesquisa para este trabalho será de natureza bibliográfica (GIL, 2002) e utilizará o método comparativo (LAKATOS; MARCONI, 1996) para a obtenção e 14

15 análise dos dados. A maior parte do material encontrado até o presente momento está em formato de livros e artigos científicos, mas em função do caráter digital e internacional do tema, alguns artigos, estudos e apresentações estão disponíveis somente na Internet. Esse material também será utilizado, desde que procedência, veracidade e autoria possam ser verificadas e comprovadas. Para alcançar os objetivos propostos, partir-se-á do estudo dos trabalhos de dois autores exponenciais em nativos digitais, sendo um da área de jogos eletrônicos corporativos e o outro da área do estudo, ensino e aplicação do direito. Paralelamente, será feito um estudo dos processos de desenvolvimento e aprendizagem da linguagem e do processo de aquisição de um segundo idioma. Quando passarmos para a aplicação prática desses estudos, isto é, da utilização de tecnologia como facilitador do aprendizado, material científico-bibliográfico e informações próprias dos fabricantes destes equipamentos, serão utilizados, já que vários deles já possuem áreas específicas referentes à utilização e ao desenvolvimento de tecnologias para a educação. RESULTADOS E DISCUSSÃO Como este trabalho encontra-se em andamento e em uma fase bastante inicial, limitar-nos-emos a discutir os resultados obtidos, tentando transpô-los para a realidade da sala de aula. CONCLUSÃO Esperamos que, ao final deste trabalho, possamos concluir que a educação como um todo, mas principalmente no que se refere ao ensino de língua inglesa, precisa desenvolver para ficar o mais próximo possível da realidade de seus usuários, mantendo seu interesse e obtendo resultados mais expressivos e positivos. REFERÊNCIAS BERKMAN CENTER FOR INTERNET & SOCIETY AT HARVARD UNIVERSITY. Digital natives. Disponível em < Acesso em: 01 set BORN DIGITAL. Site oficial. Disponível em < Acesso em 01 set CHURCHWARD, A.; GRAY, K.; JUDD, T. S.; KENNEDY, G. E.; KRAUSE, K. L. First year students' experiences with technology: Are they really digital natives? Australasian Journal of Educational Technology, 24(1), p Disponível em: <http://www.ascilite.org.au/ajet/ajet24/kennedy.html>. Acesso em: 01 set D AMBROSIO, U. Site oficial. Disponível em <http://vello.sites.uol.com.br/ubi.htm>. Acesso em 01 set EDUTOPIA. Young minds, fast times: The Twenty-First-Century Digital Learner. Disponível em < Acesso em: 01 set ELLIS, R. Second Language Acquisition. Oxford University Press, p. ELLIS, R. Understanding Second Language Acquisition. Oxford University Press, p. GASSER, U.; PALFREY, J. Born digital: Understanding the First Generation of Digital Natives. Perseus Books, p. 15

16 GEE, J.P.; PRENSKY, M. Don t bother me mom I m learning. Spring Publications, p. ICTlogy. UNESCO Seminar on the web2.0 and e-learning. John Palfrey: Born Digital. Disponível em < and-e-learning-john-palfrey-born-digital/>. Acesso em: 01 set PALFREY, J. Blog. Disponível em < Acesso: em 01 set PRENSKY, M. Digital natives, digital immigrants. in On the Horizon. MCB University Press, Vol. 9 No. 5, October PRENSKY, M. Site oficial. Disponível em < Acesso em: 01 set PRENSKY, M.; THIAGARAJAN, S. Digital game-based learning. Continuum Publishing, p. LEONTIEV, A.N.; LURIA, A.R.; VIGOTSKII, L. S. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. Ícone editora, p. YOUTUBE. Pay attention. Disponível em <http://www.youtube.com/watch?v=_m_336pdwom&feature=related>. Acesso em 01 set YOUTUBE. Reaching digital natives. Disponível em <http://www.youtube.com/watch?v=6zkvmpe50gq&feature=related>. Acesso em 01 set YOUTUBE. Teaching in a digital age. Disponível em <http://www.youtube.com/watch?v=cao4pchiuj0&feature=related>. Acesso em 01 set

17 O SIMBOLISMO DE RIO EM CABRAL E EM GUIMARÃES: UMA ANÁLISE FILOSÓFICO-SOCIOLÓGICA BORGES, C. F. P.¹; SANTOS, A.P.S.² 1-Professora das Faculdades Associadas de Uberaba - FAZU - Av. do Tutuna, 720, Bairro do Tutunas, fone: (34) , ; 2-Graduanda do Curso de Letras das Faculdades Associadas de Uberaba FAZU - Av. do Tutuna, 720, Bairro do Tutunas, fone: (34) , * Projeto financiado pela FAZU Faculdades Associadas de Uberaba * Projeto financiado pela FAPEMIG Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais Resumo: Este trabalho tem como meta confrontar dois textos da literatura modernista brasileira: O cão sem plumas, de João Cabral de Melo Neto, e A terceira margem do rio, de João Guimarães Rosa, partindo da perspectiva simbólica da imagem-palavra rio e alcançando abordagens filosófico-sociológicas. Por meio desse objetivo geral, a pesquisa se propõe a analisar a exploração da simbologia da imagem-palavra rio, na constituição de princípios filosóficos em Rosa; a investigar as implicações sociológicas, no texto cabralino, a partir do valor simbólico da imagem-palavra rio e a verificar se há possibilidade de existência de pontos de contato nos textos dos dois autores mencionados, no que se refere ao entrelaçamento dos conceitos ligados ao mundo social e ao universo filosófico. Para isso, esta pesquisa é de natureza qualitativa (CHIZZOTTI, 2005), ao utilizar a Análise de Conteúdo, como ferramenta de análise (BARDIN, 1977), dos textos O cão sem plumas, de João Cabral de Melo Neto, e A terceira margem do rio, de João Guimarães Rosa. Para a constituição da fortuna crítica deste trabalho, utilizaram-se os princípios conceituais de Carvalhal (2006), Remak (1994) e Kaiser (1980), no que diz respeito à literatura comparada. Em relação ao simbolismo de rio, foram utilizados os dizeres de Chevalier e Gheerbrant (2007), bem como os fundamentos compilados por Wellek e Warren (1955). Sobre o aspecto filosófico, teóricos como Nunes (2002), Rée (2000) e Cotrim (1999) foram consultados. Buscando fundamentação para o entendimento de conceitos sociológicos, as considerações de Cândido (2000) e Chinoy (1993) foram levadas em conta. Esta pesquisa apresenta uma simbiose disciplinar, já que demonstra, analiticamente, a relação existente entre a literatura e outras áreas do conhecimento, como a filosofia e a sociologia. Palavras-chave: Filosofia, Literatura, Rio, Símbolo, Sociologia. INTRODUÇÃO Como toda arte, a literatura sempre foi alvo de estudos diversos. Pode-se dizer que a teoria da literatura sempre ofereceu um vasto campo de análise a estudiosos, a professores, e muitos apontamentos conceituais compilados por essa vertente de estudo e pela própria crítica literária vêm apontando caminhos mais propícios para a realização de análises coerentes que esbocem um entendimento mais amplo e, ao mesmo tempo, mais criterioso dos textos que pertencem ao universo literário. Considerando, então, as múltiplas possibilidades de enfrentamento que os escritos literários podem propor, surgiu o interesse de se fazer um estudo que apresentasse a comunhão entre textos que possuem excelência literária e outras áreas do 17

18 conhecimento, já que a arte literária se apropria da representação significativa da palavra e reflete, como um verdadeiro espelho, os pensamentos de uma época, as ideologias que são firmadas, a compreensão de mundo dos muitos sujeitos que nele habitam, de forma irrestringível, ou seja, de forma mais ampla e valorativa. Pensando nisso, o objetivo principal desta proposta de investigação baseia-se em confrontar dois textos da literatura brasileira, sendo eles O cão sem plumas, de João Cabral de Melo Neto, e A terceira margem do rio, de João Guimarães Rosa, por meio do estudo do simbolismo de rio presente em ambos os referenciados escritos e utilizando, para tanto, considerações filosóficas e sociológicas. Como objetivos subsequentes, foram elencados os seguintes: analisar a exploração da simbologia da imagem-palavra rio, na constituição de princípios filosóficos em Rosa; investigar as implicações sociológicas, no texto cabralino, a partir do valor simbólico da imagempalavra rio e verificar se há possibilidade de existência de pontos de contato nos textos dos dois autores mencionados, no que se refere ao entrelaçamento dos conceitos ligados à sociologia e à filosofia. Ao se fazer essas conexões entre a literatura, a filosofia e a sociologia, percebese que esta pesquisa possui um enfoque próprio de uma área de estudo denominada literatura comparada. Sabe-se que essa vertente do conhecimento tem aqui, no Brasil, seus cinquenta anos de existência e que foi difundida pelo crítico literário Antônio Cândido, quando o mesmo propôs a abertura da disciplina Literatura Comparada, na Universidade de São Paulo USP, na década de sessenta. No mundo inteiro, essa ramificação da literatura foi alvo de inúmeros questionamentos no que se refere à sua especificidade, já que se originou no século XIX, o denominado século cientificista. Esse tempo foi marcado pelo pensamento cosmopolita e a comparação de estruturas ou fenômenos análogos foi dominante nas ciências naturais, de acordo com Carvalhal (2006, p. 8). A literatura comparada teve, em princípio, dois momentos principais, sendo que, no primeiro deles, ela possuiu caráter político, pois era utilizada para comparar quadros culturais e sociais, dando maior ênfase aos países da França e da Alemanha. Em seu segundo momento, os questionamentos foram direcionados para os textos literários, para, em seguida, atingirem a esfera de comparação entre a literatura nacional e a literatura de outras nacionalidades. Como muitos estudiosos e especialistas passaram a enxergar uma estreita relação entre a disciplina literatura comparada e o estudo do que se considera como sendo literatura geral, vários questionamentos cercearam e, ainda hoje, cerceiam o delineamento de um conceito plausível para a definição de literatura comparada. Como se não fosse o bastante, o próprio termo comparada gera uma séria de argumentações, visto que existe o comparativismo próprio de qualquer investigação e que, na maioria dos casos, se apresenta, metodologicamente, como ato estruturador de raciocínios. No tocante à literatura comparada, é preciso deixar claro que ela não se restringe à típica comparação de textos diversificados. Nessa linha de pensamento, o eixo norteador desta pesquisa encontra-se edificado, a respeito da literatura comparada, nos dizeres de Remak (1994, p. 75): A literatura comparada é o estudo da literatura além das fronteiras de um país específico e o estudo das relações entre, por um lado, a literatura, e, por outro, diferentes áreas do conhecimento e da crença, tais como as artes (por exemplo, a pintura, a escultura, a arquitetura, a 18

19 música), a filosofia, a história, as ciências sociais (por exemplo, a política, a economia, a sociologia), as ciências, a religião, etc. Através desse conceito, as análises do texto de Guimarães Rosa, A terceira margem do rio, em comunhão com a filosofia, e do texto de João Cabral de Melo Neto, O cão sem plumas, relacionado a princípios sociológicos, foram suscitadas. MATERIAL E MÉTODOS Este trabalho apresenta, como suporte metodológico, os dizeres de Chizzotti (2005), de Bardin (1977) e, ao aplicar a Análise de Conteúdo como ferramenta de análise, foi enquadrado nas perspectivas da pesquisa considerada qualitativa. Assim, inserida na abordagem qualitativa, aquela cuja função é observar as relações existentes entre o sujeito-observador e os dados coletados, para que se possa compreender, então, os fenômenos que, por ventura, forem citados, através de interpretações carregadas de significação, esta pesquisa lançou, como proposta, a análise do texto A terceira margem do rio, de Guimarães Rosa (2001), confrontado-o com princípios filosóficos, em comunhão com o estudo do poema O cão sem plumas, de João Cabral de Melo Neto (1994), relacionando-o com preceitos sociológicos. Percebese, dessa forma, que os referidos textos compuseram o corpus desta investigação. Tais escritos fizeram parte da terceira geração modernista, a geração de quarenta e cinco. O cão sem plumas foi escrito por João Cabral de Melo Neto, em Barcelona, e publicado em O poema foi considerado o primeiro de uma série de outros poemas voltados para a denúncia social das precárias condições da realidade nordestina. Já o conto de João Guimarães Rosa, A terceira margem do rio, lançado em 1962, foi um dos textos do livro Primeiras Estórias. Resumidamente, o conto narra a história de um homem que se desliga de toda a convivência familiar e social, ao construir uma canoa, preferindo ficar isolado na solidão de um rio. Um de seus filhos, o narradorpersonagem, acompanha a trajetória do pai nessa jornada e, por isso, acaba não constituindo sua própria família. No final do conto, o filho não aceita o legado que o pai lhe tentara deixar, negando-se, assim, a assumir o lugar do pai, numa canoa, em meio ao rio. De acordo com esse corpus, a pesquisa teve, como procedimento de análise, o estudo comparativo entre o texto de Guimarães Rosa e os fundamentos filosóficos, bem como ainda apresentará a análise de O Cão sem plumas em relação aos conceitos próprios da sociologia. Existe, também, como proposta analítica, a verificação da possibilidade de se utilizarem os conceitos filosóficos na análise do texto cabralino, bem como fazer uso dos dizeres baseados na sociologia, no que diz respeito à análise do texto rosiano, ou seja, pretende-se inverter os paradigmas analíticos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Este estudo, financiado pela FAPEMIG, encontra-se em andamento e, como resultados parciais, apresenta algumas considerações sobre o conto A terceira margem do rio e os preceitos compilados por um filósofo alemão existencialista chamado Heidegger. Desse modo, ressalta-se que as análises propostas estão em desenvolvimento, sendo constatadas apenas algumas observações em relação ao objetivo de se aliar a filosofia ao estudo do texto de Guimarães. 19

20 Levando em consideração o eixo temático escolhido como alvo desta investigação, a análise do simbolismo da imagem-palavra rio, notou-se, de imediato, que Guimarães utiliza uma verdadeira alegoria, ou seja, vincula a significação da imagem-palavra rio à exposição de uma ideia, a fim de atingir determinada representatividade, por meio da suscitada terceira margem. Partindo, dessa maneira, da narração do comportamento incomum de um pai que se isola, dentro de uma canoa, no meio das águas de um rio, Rosa parece ter evidenciado a existência de uma realidade transcendente que possui a significação do que seria essa terceira margem. Assim, percebe-se, com nitidez, que o conto mencionado possui caráter existencial. De acordo com Cotrim (1999), o filósofo existencialista Heidegger, que estruturou sua linha de pensamento na análise da essência humana, desenvolveu a ideia de que o homem, em si, representa um somatório do que ele denominou ente o modo de ser do homem no mundo, o Daisen e do que ele chamou de ser a essência de cada indivíduo. Então, quando, no conto rosiano, o personagem pai rompe com as realidades social e familiar, preferindo navegar sobre as águas do rio, constata-se que ele não mais dava importância ao seu estar no mundo, mas possuía o intento de fluir dentro dele mesmo: Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar nunca mais. (ROSA, 2001, p. 80). Esse rompimento com o mundo social, em busca do que há de essencial na própria existência, apresenta uma relação com a negação da inautenticidade do modo de vida que o homem leva quando é nada mais que um Daisen, quando somente está no mundo, de acordo com Heidegger. A respeito disso, Rée (2000, p. 31), fazendo uma leitura da teoria heideggeriana, afirma que: Inautenticidade é que sucede quando não possuímos a nós mesmos - quando negligenciamos a peculiaridade de nossa existência como intérpretes do mundo, isto é, como Daisens, e tratamo-nos como se fôssemos uma das entidades à-mão ou simples-existências com que deparamos no curso de nossa experiência. Tomando partido desse pensamento, observou-se que o pai, no texto rosiano, representa, com sua atitude, a busca pela autenticidade da própria existência, a busca de se encontrar com seu eu mais profundo: [...] descrevendo que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. (ROSA, 2001, p. 81). E, apropriando-se, então, do simbolismo da imagem-palavra rio, Rosa conseguiu expressar que o homem, o pai, era a própria representação de um rio cursando dentro de outro rio, ao demonstrar a transcendentalidade de sua atitude considerada, aos olhos dos outros, absurda e estranha: Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queria falar: doidera. (ROSA, 2001, p. 80). A imagem de o homem ser um rio que flui em outro rio e dentro dele mesmo casa bem com a noção, segundo Chevalier e Gheerbrant (2007), de que o simbolismo de rio apresentado estabelece uma relação estreita entre o consciente e o inconsciente, abrindo o espírito para o infinito, para o desconhecido. O cursar do rio homem aqui mencionado mostra-se certeiro, fluido - Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio pondo perpétuo?( ROSA, 2001, p. 20

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