APOSTILA DE METODOLOGIA CIENTÍFICA 1º Semestre

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1 APOSTILA DE METODOLOGIA CIENTÍFICA 1º Semestre Prof.ª Ms. Elisabeth Penzlien Tafner Prof.ª Ms. Renata Silva Administração, Ciências Contábeis, Design de Moda, Publicidade e Propaganda, e Sistemas de Informação. Associação Educacional do Vale do Itajaí-Mirim ASSEVIM 05/02/ INTRODUÇÃO A aprendizagem e o desenvolvimento do trabalho intelectual exigem conhecimentos de ordem conceitual, técnica e lógica. Estas três dimensões estão interligadas, pois um pensamento ou argumento apresentado pelo aluno ou pesquisador sem apoio em processos lógicos pode não passar de uma idéia superficial. No entanto, o domínio de conceitos reelaborados, sob critérios lógicos e com o auxílio da técnica, é fator determinante para o alcance dos objetivos da formação universitária: aprender a pensar e a produzir conhecimentos. O domínio do saber, dos métodos e das técnicas é uma exigência do ensino superior para vencer o superficialismo e a falta de rigor científico na produção e socialização do conhecimento. Este documento de diretrizes metodológicas, em formato paper, é apresentado aos professores e estudantes dos cursos de graduação da Associação Educacional do Vale do Itajaí- Mirim ASSEVIM em Brusque para o desenvolvimento de trabalhos técnico-científicos. A apostila pretende contribuir para o aprendizado acadêmico durante toda a trajetória do aluno, como também, na busca do conhecimento, a partir dos trabalhos técnico-científicos permitindo o exercício de práticas essenciais à atividade científica: a busca, o registro e o uso do saber já acumulado e disponível para propósitos próprios de construção do conhecimento. O objetivo desta apostila é favorecer e estimular a produção escrita de alunos e professores, sendo que esta é uma condição indispensável ao desenvolvimento da vida intelectual disciplinada e produtiva, norteada por posturas e práticas de pesquisa, característica da formação superior. Assim, a apostila de metodologia científica apresenta conceitos e teorias que envolvem a temática da disciplina como: tipos de conhecimento, ciência, métodos e tipos de pesquisa. O documento aborda também sobre apresentação oral e as características do texto técnico-científico. Todas as orientações para a formatação e uniformização dos trabalhos acadêmicos estão apresentadas e seguem os critérios da ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas, através das Normas Brasileiras Regulamentadoras - NBR s (Referências) e (Citações), como aqueles definidos pela faculdade ASSEVIM. 2 CONHECIMENTO Desde os primórdios da humanidade, a preocupação em conhecer e explicar a natureza é uma constante. Ao analisar a palavra francesa para conhecer, tem-se connaissance, que significa

2 2 nascer (naissance) com (con), logo se concluí que o conhecimento é passado de geração a geração, tornando-se parte da cultura e da história de uma sociedade. Para conhecer, os homens interpretam a realidade e colocam um pouco de si nesta interpretação, assim, o processo de conhecimento prova que ele está sempre em construção, visto que para cada novo fato tem-se uma análise nova, impregnada das experiências anteriores. Dessa forma, a busca pelo entendimento de si e do mundo ao seu redor, levou o homem a trilhar caminhos variados, que ao longo dos anos constituíram um vasto leque de informações que acabaram por constituir as diretrizes de várias sociedades. Algumas dessas informações eram obtidas através de experiências do cotidiano que levavam o homem a desenvolver habilidades para lidar com as situações do dia a dia. Outras vezes, por não dominar determinados fenômenos, o homem atribuía-lhes causas sobrenaturais ou divinas, desenvolvendo um conhecimento abstrato a respeito daquilo que não podia ser explicado materialmente. Assim, o conhecimento foi se dividindo da seguinte forma: empírico, teológico, filosófico e científico. 2.1 Conhecimento empírico O conhecimento empírico é também chamado de conhecimento popular ou comum. É aquele obtido no dia a dia, independentemente de estudos ou critérios de análise. Foi o primeiro nível de contato do homem com o mundo, acontecendo através de experiências casuais e de erros e acertos. É um conhecimento superficial, onde o indivíduo, por exemplo, sabe que nuvens escuras é sinal de mau tempo, contudo não tem idéia da dinâmica das massas de ar, da umidade atmosférica ou de qualquer outro princípio da climatologia. Enfim, ele não tem a intenção de ser profundo, mas sim, básico. 2.2 Conhecimento teológico É o conhecimento relacionado ao misticismo, à fé, ao divino, ou seja, à existência de um Deus, seja ele o Sol, a Lua, Jesus, Maomé, Buda, ou qualquer outro que represente uma autoridade suprema. O Conhecimento teológico, de forma geral, encontra seu ápice respondendo aquilo que a ciência não consegue responder, visto que ele é incontestável, já que se baseia na certeza da existência de um ser supremo (Fé). Os Conhecimentos ou verdades teológicas estão registrados em livros sagrados, que não seguem critérios científicos de verificação e são revelados por seres iluminados como profetas ou santos, que estão acima de qualquer contestação por receberem tais ensinamentos diretamente de um Deus.

3 3 2.3 Conhecimento filosófico A palavra Filosofia surgiu com Pitágoras através da união dos vocábulos PHILOS (amigo) + SOPHIA (sabedoria) (RUIZ, 1996, p.111). Os primeiros relatos do pensamento filosófico datam do século VI a.c., na Ásia e no Sul da Itália (Grécia Antiga). A filosofia não é uma ciência propriamente dita, mas um tipo de saber que procura desenvolver no indivíduo a capacidade de raciocínio lógico e de reflexão crítica, sem delimitar com exatidão o objeto de estudo. Dessa forma, o conhecimento filosófico não pode ser verificável, o que o torna sob certo ponto de vista, infalível e exato. Apesar da filosofia não ter aplicação direta à realidade, existe uma profunda interdependência entre ela e os demais níveis de conhecimento. Essa relação deriva do fato que o conhecimento filosófico conduz à elaboração de princípios universais, que fundamentam os demais, enquanto se vale das informações empíricas, teológicas ou científicas para prosseguir na sua evolução. 2.4 Conhecimento científico A ciência é uma necessidade do ser humano que se manifesta desde a infância. É através dela que o homem busca o constante aperfeiçoamento e a compreensão do mundo que o rodeia por meio de ações sistemáticas, analíticas e críticas. Ao contrário do empirismo, que fornece um entendimento superficial, o conhecimento científico busca a explicação profunda do fenômeno e suas inter-relações com o meio. Diferentemente do filosófico, o conhecimento científico procura delimitar o objeto alvo, buscando o rigor da exatidão, que pode ser temporária, porém comprovada. Deve ser provado com clareza e precisão, levando à elaboração de leis universalmente válidas para todos os fenômenos da mesma natureza. Ainda assim, ele está sempre sob júdice, podendo ser revisado ou reformulado a qualquer tempo, desde que se possa provar sua ineficácia. 3 CIÊNCIA Pode-se afirmar que ciência é um conjunto de informações sistematicamente organizadas e comprovadamente verdadeiras a respeito de um determinado tema. Contudo existem muitas maneiras de pensar, de organizar e de comprovar os estudos, dependendo do caminho que se segue (método). Os objetivos da ciência podem ser apresentados como a melhoria da qualidade de vida intelectual e vida material. Para o alcance dos objetivos, são necessárias novas descobertas e novos produtos. Os princípios da ciência podem ser classificados como: nunca absoluto ou final, pode ser sempre modificado ou substituído; a exatidão nunca é obtida integralmente, mas sim, através de modelos sucessivamente mais próximos; é um conhecimento válido até que novas observações e experimentações o substituam.

4 4 4 MÉTODO CIENTÍFICO O conhecimento científico passou por várias etapas sempre questionando a maneira de obtenção do saber, ou seja, o Método. De origem grega, a palavra método, segundo Ruiz (1996), significa o conjunto de etapas e processos a serem vencidos ordenadamente na investigação dos fatos ou na procura da verdade. O método não é único e nem uma receita infalível para o cientista obter a verdade dos fatos. Ele apenas tem a intenção de facilitar o planejamento, investigação, experimentação e conclusão de um determinado trabalho científico. Devido a seu caráter individual, cada método se presta com maior ou menor eficiência a um tipo de pesquisa ou ciência. Então, método científico é o conjunto de processos ou operações mentais que se deve empregar na investigação. É a linha de raciocínio adotada no processo de pesquisa. Os principais métodos de abordagem que fornecem as bases lógicas à investigação são: dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo e dialético (GIL, 1999). 4.1 Método dedutivo Este método foi proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz, pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas que, quando verdadeiras, levarão inevitavelmente a conclusões verdadeiras, visto que, por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente, de análise do geral para o particular, chega-se a uma conclusão. Ou seja, a resposta já estava dentro da pergunta. Essa forma de raciocínio é chamada silogismo, construção lógica que a partir de duas premissas, retira uma terceira logicamente decorrente das duas primeiras, denominada de conclusão (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). Veja um clássico exemplo de raciocínio dedutivo: Todo homem é mortal Pedro é homem Logo, Pedro é mortal. (premissa maior) (premissa menor) (conclusão) Pode-se definir duas características básicas do método dedutivo, segundo Salmon (1978): Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é verdadeira. Toda a informação ou conteúdo da conclusão já estava implicitamente nas premissas. 4.2 Método indutivo A indução já existia desde Sócrates, entretanto seus expoentes modernos são os empiristas Bacon, Hobbes, Locke e Hume. Considera que o conhecimento é fundamentado na experiência, não se levando em conta princípios preestabelecidos.

5 5 Assim como no método dedutivo, na indução o raciocínio é fundamentado em premissas, contudo, diferentemente do anterior, premissas verdadeiras levam a conclusões provavelmente verdadeiras. No raciocínio indutivo, a generalização deriva de observações de casos da realidade concreta. Pode-se, segundo Lakatos e Marconi (2000), determinar três etapas fundamentais para toda a indução: a) Observação dos fenômenos; b) Descoberta da relação entre eles e; c) Generalização da relação. Veja um clássico exemplo de raciocínio indutivo: a) Antônio é mortal. a) João é mortal. a) Paulo é mortal.... a) Carlos é mortal. b) Ora, Antônio, João, Paulo... e Carlos são homens. c) Logo, (todos) os homens são mortais. Define-se assim, duas características básicas do método indutivo segundo Salmon (1978): Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente verdadeira. A conclusão encerra informações que não estavam nas premissas 4.3 Método hipotético-dedutivo O método Hipotético-Dedutivo confronta as duas escolas anteriores, ou seja, racionalismo versus empirismo no que diz respeito à maneira de se obter conhecimento. Ambos buscam o mesmo objetivo, mas enquanto os racionalistas apóiam-se na razão e intuição concebida aos homens, os empiristas partem da experiência dos sentidos, a verdade da natureza. São inúmeras as críticas aos dois métodos, partindo inclusive de seus próprios defensores, contudo, foi a partir de Sir Karl Raymund Popper que foram lançadas as bases do método hipotético-dedutivo. Segundo Popper (1975) o método hipotético-dedutivo é o único realmente científico, por não se basear em especulações, mas sim na tentativa de eliminação de erros. Luciano (2001, p. 18) afirma que: [...] quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o problema. Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema, são formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses

6 6 formuladas, deduzem-se conseqüências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tornar falsas as conseqüências deduzidas das hipóteses. Consiste na adoção da seguinte linha de raciocínio: [...] em 1937, [...] sugeri que toda discussão científica partisse de um problema (P 1 ), ao qual se oferece uma espécie de solução provisória, uma teoria-tentativa (TT), passando-se depois a criticar a solução, com vista à eliminação do erro (EE) [...] (POPPER, 1975, p. 140, grifo nosso). P TT EE P 2... Lakatos e Marconi (2000, p. 74) expõem o esquema apresentado por Popper da seguinte forma: Conhecimento Prévio Problema Conjecturas Falseamento 4.4 Método dialético Desde a Grécia antiga, o conceito de Dialética sofreu muitas alterações, absorvendo as concepções de vários pensadores daquela época. Tem-se o conceito de eterna mudança, instituído por Heráclito ( a.c.) e paralelamente, a essência imutável do ser instituído por Parmênides que valoriza a Metafísica em detrimento da Dialética. Posteriormente, Aristóteles re-introduz princípios dialéticos nas explicações dominadas pela Metafísica, porém esta permanece norteando as discussões sobre o conhecimento até o Renascimento. No Renascimento, o pensamento dialético entra em evidência, atingindo seu apogeu com Hegel, que através dos progressos científicos e sociais impulsionados pela Revolução Francesa, compreende que no universo nada está isolado, tudo é movimento e mudança e tudo depende de tudo, retornando assim, às idéias de Heráclito. Hegel por ser um idealista, propõe uma visão particular de movimento e mudança, considerando que as mudanças do espírito é que provocam as da matéria. Segundo Lakatos e Marconi (2000, p. 82) existe primeiramente o espírito que descobre o universo, pois este é a idéia materializada. A atual fase da dialética está apoiada nos ensinamentos de Marx e Engels, denominada dialética materialista que, assim como na fase anterior, considera que o universo e o pensamento estão em eterna mudança, mas é a matéria que modifica as idéias e não o contrário. Assim se pode afirmar que a Dialética é um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade da qual se pode extrair quatro regras principais: Tudo se relaciona Tudo se transforma Mudança qualitativa Luta dos contrários

7 7 4.5 Métodos ou técnicas de procedimentos Segundo Lakatos e Marconi (2000), dentro das ciências sociais pode-se acrescentar aos métodos de abordagem descritos acima, técnicas de procedimento às vezes também tomadas por métodos, que seriam etapas mais concretas da investigação, com finalidade mais restrita em termos de explicação geral do fenômeno. Essas técnicas são freqüentemente utilizadas de forma associada, podendo ser descritas segundo Rauen (1997), como: Histórico: investigação de acontecimentos, processos e instituições no passado para a verificação de sua influência na atualidade; Comparativo: estudo de semelhanças ou diferenças entre diversos grupos, sociedades ou povos; Monográfico (ou estudo de caso): estudo de certos elementos, indivíduos, empresas, profissões, grupos, etc., com vistas à obtenção de generalização; Estatístico: redução de fenômenos sociais à representação quantitativa e aplicação de instrumentos estatísticos de análise; Tipológico: construção idealizada de um elemento tipo que consiste em modelo perfeito, contra o qual, os dados da realidade são analisados; Funcionalista: estudo da sociedade a partir das funções de cada elemento; Estruturalista: preocupa-se com a sociedade como um todo para explicar o comportamento de setores mais específicos ou de indivíduos. 5 METODOLOGIA CIENTÍFICA Na universidade, o papel do aluno torna-se mais ativo na aprendizagem e é a metodologia científica, a disciplina encarregada de fornecer ao aluno os elementos necessários para este autoaprendizado. Segundo Demo (1996, p.5) [...] a proposta atual da metodologia científica é a de introduzir na academia o gosto pela pesquisa. Para tanto, faz-se necessário à determinação de algumas normas, que têm por finalidade validar um estudo científico, ou seja, os métodos de pesquisa. 6 PESQUISA Segundo Köche (1997, p. 121) pesquisar significa identificar uma dúvida que necessite ser esclarecida, construir e executar o processo que apresenta a solução desta, quando não há teorias que a expliquem ou quando as teorias que existem não estão aptas para fazê-lo. Portanto, pesquisar é descobrir, e assim sendo, é um fato natural a todos os indivíduos. Ruiz (1996, p. 48) considera que pesquisa científica é a realização completa de uma investigação, desenvolvida e redigida de acordo com as normas de metodologia consagradas pela ciência. Para que uma pesquisa seja considerada científica, ela deve seguir uma metodologia que compreenda uma seqüência de etapas logicamente encadeadas, de forma que possa ser repetida obtendo-se os mesmos resultados. Dessa maneira, os dados obtidos contribuirão para a ampliação

8 8 do conhecimento já acumulado, bem como para a sua reformulação ou criação. Sem pesquisa não há progresso!!! 6.1 Classificações da pesquisa Existem várias formas de classificar as pesquisas. As formas clássicas de classificação serão apresentadas a seguir, conforme Gil (1991): a) Do ponto de vista da sua natureza pode ser: Pesquisa Básica: objetiva gerar conhecimentos novos, úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais. Pesquisa Aplicada: objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais. b) Do ponto de vista da forma de abordagem do problema pode ser: Pesquisa Quantitativa: considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números opiniões e informações para classificá-los e analisá-los. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas (percentagem, média, moda, mediana, desvio padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão, etc...). Pesquisa Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicos no processo de pesquisa qualitativa. Não requer os uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento chave. É descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos principais de abordagem. c) Do ponto de vista de seus objetivos pode ser: Pesquisa Exploratória: visa proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; análise de exemplos que estimulem a compreensão. Assume, em geral, as formas de Pesquisas Bibliográficas e Estudos de Caso. Pesquisa Descritiva: visa descrever as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Requer o uso de técnicas padronizadas de coleta de dados: questionário e observação sistemática. Assume, em geral, a forma de Levantamento. Pesquisa Explicativa: visa identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Aprofunda o conhecimento da realidade porque explica a razão, o porquê das coisas. Quando realizada nas ciências naturais requer o uso do método experimental e nas ciências sociais, o uso do método observacional. Assume, em geral, as formas de Pesquisa Experimental e Pesquisa Ex-post-facto. d) Do ponto de vista dos procedimentos técnicos pode ser:

9 9 Pesquisa Bibliográfica: utiliza material já publicado, constituído basicamente de livros, artigos de periódicos e atualmente com informações disponibilizadas na Internet. Quase todos os estudos fazem uso do levantamento bibliográfico e algumas pesquisas são desenvolvidas exclusivamente por fontes bibliográficas. Sua principal vantagem é possibilitar ao investigador a cobertura de uma gama de acontecimentos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. (GIL, 1999). A técnica bibliográfica visa encontrar as fontes primárias e secundárias e os materiais científicos e tecnológicos necessários para a realização do trabalho científico ou técnico-científico. Realizada em bibliotecas públicas, faculdades, universidades e, atualmente, nos acervos que fazem parte de catálogo coletivo e das bibliotecas virtuais. (OLIVEIRA, 2002). Pesquisa Documental: quando elaborada a partir de materiais que não receberam tratamento analítico, documentos de primeira mão, como documentos oficiais, reportagens de jornal, cartas, contratos, diários, filmes, fotografias, gravações etc., ou ainda documentos de segunda mão, que de alguma forma já foram analisados, tais como: relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas, etc. (GIL, 1999); e os localizados no interior de órgãos públicos ou privados, como: manuais, relatórios, balancetes e outros. Levantamento: envolve a interrogação direta de pessoas cujo comportamento se deseja conhecer acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, chegar as conclusões correspondentes aos dados coletados. O levantamento feito com informações de todos os integrantes do universo da pesquisa origina um censo. (GIL, 1999). O levantamento usa técnicas estatísticas, análise quantitativa e permite a generalização das conclusões para o total da população e assim para o universo pesquisado, permitindo o cálculo da margem de erro. Os dados são mais descritivos que explicativos. (DENCKER, 2000). Estudo de Caso: envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento. (GIL, 1999). O estudo de caso pode abranger análise de exame de registros, observação de acontecimentos, entrevistas estruturadas e não-estruturadas ou qualquer outra técnica de pesquisa. Seu objeto pode ser um indivíduo, um grupo, uma organização, um conjunto de organizações, ou até mesmo uma situação. (DENCKER, 2000). A maior utilidade do estudo de caso é verificada nas pesquisas exploratórias. Por sua flexibilidade, é sugerido nas fases iniciais da pesquisa de temas complexos, para a construção de hipóteses ou reformulação do problema. É utilizado nas mais diversas áreas do conhecimento. A coleta de dados geralmente é feita por mais de um procedimento, entre os mais usados estão: a observação, análise de documentos, a entrevista e a história da vida. (GIL, 1999). Pesquisa-Ação: concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo. Os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. (GIL, 1999). Objetiva definir o campo de investigação, as expectativas dos interessados, bem como o tipo de auxílio que estes poderão exercer ao longo do processo de pesquisa. Implica no contato direto com o campo de estudo envolvendo o reconhecimento visual do local, consulta a documentos diversos e, sobretudo, a discussão com representantes das categorias sociais envolvidas na pesquisa. É delimitado o universo da pesquisa, e recomenda-se a seleção de uma amostra. O critério de representatividade dos grupos investigados na pesquisa-ação é mais qualitativo do que quantitativo. É importante a elaboração de um plano de ação, envolvendo os objetivos que se pretende atingir, a população a ser beneficiada, a definição de medidas, procedimentos e formas de controle do processo e de avaliação de seus resultados. (GIL, 1996). Não segue um plano rigoroso de pesquisa, pois o plano é readequado constantemente de acordo com a necessidade,

10 10 dos resultados e do andamento das pesquisas. O investigador se envolve no processo e sua intenção é agir sobre a realidade pesquisada. (DENCKER, 2000). Pesquisa Participante: Pesquisa realizada através da integração do investigador que assume uma função no grupo a ser pesquisado, mas sem seguir uma proposta pré-definida de ação. A intenção é adquirir conhecimento mais profundo do grupo. O grupo investigado tem ciência da finalidade, dos objetivos da pesquisa e da identidade do pesquisador. Permite a observação das ações no próprio momento em que ocorrem. (DENCKER, 2000). Esta pesquisa necessita de dados objetivos sobre a situação da população. Isso envolve a coleta de informações sócioeconômicas e tecnológicas que são de natureza idêntica às adquiridas nos tradicionais estudos de comunidades. Esses dados podem ser agrupados por categorias, como: geográficas, demográficas, econômicas, habitacionais, educacionais, e outros. (GIL, 1996). Pesquisa Experimental: quando se determina um objeto de estudo, selecionam-se as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definem-se as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto. (GIL, 1999). A pesquisa experimental necessita de previsão de relações entre as variáveis a serem estudadas, como também o seu controle e por isso, na maioria das situações, é inviável quando se trata de objetos sociais. (GIL, 1996). Esse tipo de pesquisa é geralmente utilizado nas ciências naturais. Exemplo: Analisar os efeitos colaterais do uso de um determinado medicamento em crianças de até 8 anos. Pesquisa Ex-Post-Facto: quando o experimento se realiza depois dos fatos. O pesquisador não tem controle sobre as variáveis. (GIL, 1999). É um tipo de pesquisa experimental, mas difere da experimental propriamente dita pelo fato de o fenômeno ocorrer naturalmente sem que o investigador tenha controle sobre ele, ou seja, nesse caso, o pesquisador passa a ser um mero observador do acontecimento. Por exemplo: a verificação do processo de erosão sofrido por uma rocha por influência do choque proveniente das ondas do mar. (BOENTE, 2004). Esse tipo de pesquisa é geralmente utilizado nas ciências naturais. 7 TIPOS DE TRABALHOS CIENTÍFICOS Existem diversos tipos de trabalhos acadêmicos e/ou científicos. Pode-se citar, dentre eles, os seguintes tipos: Trabalhos de Graduação, Trabalho de Conclusão de Curso, Monografia, Dissertação, Tese, Artigos Científicos, paper, resenha crítica... Apesar de haver essa classificação, aceita inclusive internacionalmente, é comum encontrar certos equívocos em torno da palavra monografia com respeito a dissertações, teses e trabalhos de fim de curso de graduação. Etimologicamente, monografia é um estudo sobre um único assunto, realizado com profundidade. No entanto, essa nomenclatura, monografia, parece destinada aos Cursos de Especialização, e teria como fim primeiro levar o autor a se debruçar sobre um assunto em profundidade com o intuito de transmiti-lo a outrem ou de aplicá-lo imediatamente. Esses relatórios científicos possuem características próprias, como a sistemática, a investigação, a fundamentação, a profundidade e a metodologia. E, dependendo do caso, a originalidade e a contribuição da pesquisa para a ciência, como é o caso das teses e dissertações. Em todo o caso, destaca-se que a estrutura dos trabalhos científicos é quase sempre a mesma, compreendendo quase sempre uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. A introdução dos trabalhos costuma abranger os objetivos da pesquisa, bem como os problemas, as

11 11 delimitações e a metodologia adotada para a realização do trabalho. O desenvolvimento é mais livre, podendo o pesquisador dissertar sobre o tema propriamente dito, sem, contudo, abandonar pontos importantes como a demonstração, a análise e a discussão dos resultados. Por fim, o autor poderá escrever suas conclusões a respeito da discussão realizada ou dos resultados obtidos. É neste ponto que o pesquisador será enfático, ressaltando as posições que deseja defender ou refutar. 7.1 Trabalhos de graduação Os trabalhos de graduação não constituem exatamente trabalhos de cunho científico, mas de iniciação científica, uma vez que esses trabalhos tenham que ser apresentados dentro de uma sistemática e organização que estimulem o raciocínio científico. Visto que o enfoque pretendido em trabalhos de graduação é voltado para a assimilação de um conteúdo específico, é comum que uma revisão bibliográfica, ou uma revisão literária, seja tida como suficiente. Porém, nada impede que existam outros tipos de trabalhos acadêmicos, como relatórios e pequenas pesquisas. No entanto, é importante ter em mente a cientificidade da sistemática adotada para a realização desses trabalhos. 7.2 Trabalho de curso O Trabalho de Curso (TC), também conhecido como Trabalho de Final de Curso, é tido como uma monografia sobre um assunto específico. Tem como objetivo levar o aluno a refletir sobre temas determinados e transpor suas idéias para o papel na forma de uma pesquisa ou na forma de um relatório. Para o caso da graduação, por se tratar de mais um requisito para a complementação do curso, o estudo não necessita ser tão completo em relação ao tema escolhido como o caso de uma dissertação ou tese, mas o aluno não deve perder de vista a clareza, a objetividade e a seriedade da pesquisa. 7.3 Monografia A monografia, para obter o título de especialista em cursos de pós-graduação em nível de lato sensu, é parecida com o Trabalho de Final de Curso apresentado em cursos de graduação. Também possui como objetivo levar o aluno a refletir sobre temas determinados e transpor suas idéias para o papel na forma de uma pesquisa. Para o caso da pós-graduação, o estudo necessita ser um pouco mais completo em relação ao tema escolhido para a pesquisa. 7.4 Dissertação As dissertações, que paulatinamente vão se destinando aos trabalhos de cursos de pósgraduação stricto sensu (mestrado), buscam, sobretudo, a reflexão sobre um determinado tema ou problema expondo as idéias de maneira ordenada e fundamentada. E, dessa forma, como resultado de um trabalho de pesquisa, a dissertação deve ser um estudo o mais completo possível em relação ao tema escolhido. Deve procurar expressar conhecimentos do autor a respeito do assunto e sua capacidade de sistematização. E, dentro deste contexto, uma das partes mais importantes da dissertação é a fundamentação teórica, que procura traduzir o domínio do autor sobre o tema abordado e a sua perspicácia de buscar tópicos não desenvolvidos.

12 Tese A tese, a exemplo da dissertação dirigida para o mestrado, vai assumindo o papel de um trabalho de conclusão de pós-graduação stricto sensu (doutorado). Caracteriza-se como um avanço significativo na área do conhecimento em estudo. As teses devem tratar de algo novo naquele campo do conhecimento, de forma que promovam uma descoberta, ou mesmo uma real contribuição para ciência. O trabalho deve ser inédito, contributivo e não trivial. Os argumentos utilizados devem comprovar e convencer de que a idéia exposta é verdadeira. 7.6 Artigo científico O objetivo principal do artigo é levar ao conhecimento do público interessado alguma idéia nova, ou alguma abordagem diferente dos estudos realizados sobre o tema, como por exemplo: particularidades locais ou regionais em um assunto, a existência de aspectos ainda não explorados em alguma pesquisa, ou a necessidade de esclarecer uma questão ainda não resolvida. A principal característica do artigo científico é que as suas afirmações devem estar baseadas em evidências, sejam estas oriundas de pesquisa de campo ou comprovadas por outros autores em seus trabalhos. Isso não significa que o autor não possa expressar suas opiniões no artigo, mas que deve demonstrar para o leitor qual o processo lógico que o levou a adotar aquela opinião e quais evidências que a tornariam mais ou menos provável, formulando hipóteses. A estrutura do artigo científico é: identificação do trabalho (título e subtítulo do artigo, autor, disciplina, professor, curso e instituição), resumo e palavras-chave, introdução, desenvolvimento, conclusão e referências. 7.7 Paper 1 Durante a graduação, os trabalhos solicitados, pelos professores da ASSEVIM, serão o paper (de profundidade inferior ao trabalho de conclusão de curso ou do artigo científico). O paper possui estrutura muito similar à do artigo científico, em função disso, deve-se apenas excluir os itens resumo e palavras-chave. Os demais itens seguem as definições utilizadas no artigo científico. O principal diferencial quanto ao artigo científico está na profundidade de abordagem do tema, que no paper deverá se limitar a uma análise mais superficial e condensada, podendo ou não conter um parecer do autor. Porém caberá a cada professor definir os limites de aprofundamento dos trabalhos realizados, que poderão variar de um tema para o outro. 7.8 Resenha crítica É um tipo de redação técnica que avalia precisa e sinteticamente a importância de uma obra científica ou de um texto literário. A resenha nunca pode ser completa e exaustiva. O resenhador deve proceder seletivamente, filtrando apenas os aspectos pertinentes do objeto, isto é, apenas 1 Ver item 8.1 Estrutura do paper.

13 13 aquilo que é funcional em vista de uma intenção previamente definida. A resenha crítica combina resumo e julgamento de valor. Seu objetivo é oferecer informações para que o leitor possa decidir quanto à consulta ou não do original. Daí a resenha deve resumir as idéias da obra, avaliar as informações nela contidas e a forma como foram expostas e justificar a avaliação realizada. A resenha crítica consta de: a) uma parte descritiva em que se dão informações sobre o texto: nome do autor (ou dos autores); título completo e exato da obra (ou do artigo); nome da editora e, se for o caso, da coleção de que faz parte a obra; lugar e data da publicação; número de volumes e páginas. Pode-se fazer, nessa parte, uma descrição sumária da estruturada obra (divisão em capítulos, assunto dos capítulos, índices, etc.). No caso de uma obra estrangeira, é útil informar também a língua da versão original e o nome do tradutor (se se tratar de tradução). b) uma parte com o resumo do conteúdo da obra: indicação sucinta do assunto global da obra (assunto tratado) e do ponto de vista adotado pelo autor (perspectiva teórica, gênero, método, tom, etc.); resumo que apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral. comentários e julgamentos do resenhador sobre as idéias do autor, o valor da obra, etc. Modelo de resenhas (MEDEIROS, 1991, p. 76 apud LAKATOS; MARCONI, 1985, p. 236): A - Referências bibliográficas: - Autor - Título da obra. - Elementos de Imprensa (local da edição, editora, data). - Número de páginas. - Formato B - Credenciais do autor. - Informações sobre o autor, nacionalidade, formação universitária, título, outras obras. C - Resumo da obra: - Resumo das idéias principais da obra. De que trata o texto? Qual sua característica principal? Exige algum conhecimento prévio para entendê-la? Descrição do conteúdo os capítulos ou partes da obra. D - Conclusões da autoria: - Quais as conclusões a que o autor chegou? E - Metodologia da autoria: - Que métodos utilizou? Dedutivo? Indutivo? Histórico? Comparativo? Estatístico? - Que técnicas utilizou? Entrevista? Questionários? F - Quadro de referência do autor: - Que teoria serve de apoio ao estudo apresentado? Qual o modelo teórico utilizado? G - Crítica do resenhista (apreciação) - Julgamento da Obra. Qual a contribuição da obra? As idéias são originais? Como é o estilo do autor: conciso, objetivo, simples? Idealista? Realista?

14 14 H - Indicações do resenhista: - A quem é dirigida a obra? A obra é endereçada a que disciplina? Pode ser adotada em algum curso? Qual? Esses são os elementos estruturais de uma resenha. Em alguns casos, não é possível dar resposta a todas as interrogações feitas; outras vezes, se publicada em jornais ou revistas não especializados, pode-se omitir um ou outro elemento da estrutura da resenha. 8 APRESENTAÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO 8.1 Apresentação escrita: estrutura do paper Regras gerais de apresentação: O trabalho deve ser escrito em papel A4, com todas as margens (superior, inferior, esquerda e direita) de 2 cm. Todas as folhas do trabalho devem ser contadas, mas a numeração só aparece a partir da segunda página. A numeração é em algarismos arábicos, no canto superior direito da folha, a 2 cm da borda superior (último algarismo a 2 cm da borda direita da folha) e com tamanho 10. Ordem dos tópicos: - Elementos pré-textuais: a) Título do trabalho: No topo da página, em maiúsculas, centralizado, fonte Times New Roman tamanho 18, em negrito. b) Subtítulo (opcional): Logo abaixo do título, em fonte Times New Roman, tamanho 16, em negrito. Usar maiúsculas e minúsculas, seguindo a regra da língua portuguesa. Deixar duas linhas em branco (fonte 12). c) Autor: Abaixo do título ou subtítulo, centralizado, fonte Times New Roman, tamanho 12, em negrito. Deixar uma linha em branco. d) Solicitante: Usar uma linha para cada um dos seguintes itens: professor, disciplina, curso, instituição e data. Deixar 2 linhas em branco após estas informações. - Elementos textuais: a) Texto principal: O texto deve ser escrito usando a fonte Times New Roman, tamanho 12. O espaçamento entre as linhas deve ser simples, com uma linha em branco entre cada parágrafo. O alinhamento do texto deve ser justificado. O início de cada parágrafo deve ser precedido por um toque de tabulação (Tab) ou 1,27 cm. O texto principal do trabalho é composto pela introdução, desenvolvimento e considerações finais. Introdução: A introdução diz respeito ao próprio conteúdo do trabalho: sua natureza, seus objetivos, sua metodologia. A introdução não pode ser dispensada, pois é parte integrante do desenvolvimento do trabalho científico.

15 15 Na introdução, deve-se anunciar a idéia central do trabalho delimitando o ponto de vista enfocado em relação ao assunto e a extensão; deverá se situar o problema ou o tema abordado, no tempo e no espaço. Deve ser enfocada a relevância do assunto no sentido de esclarecer seus aspectos obscuros, bem como da contribuição desse trabalho para uma melhor compreensão do problema. Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas - NBR (2005, p. 5) a introdução é a parte inicial do texto, onde devem constar a delimitação do assunto tratado, objetivos da pesquisa e outros elementos necessários para situar o tema do trabalho. Assim, a introdução de um paper deve apresentar as seguintes etapas: contextualização do assunto (nível macro), relevância do tema; objetivo geral, tipos de pesquisa e forma coleta de dados e informações e os tópicos do desenvolvimento (o que será apresentado a seguir). Desenvolvimento: Esta é a parte principal do trabalho científico. O autor deve dividir esta parte em quantas forem necessárias para dar lógica e articulação adequada ao tema que pretende defender. Não existe exatamente uma norma rígida que oriente esta seção. No texto poderá haver idéias de autores, dados da pesquisa (se for pesquisa de campo, colocar gráficos e tabelas auxiliares) e interpretações. Tudo isto deve ser apresentado de forma integrada, substancial, criativa e lógica. É nesta parte que se procura explicar as hipóteses e relacionar a teoria com a prática. Conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas - NBR (2005, p. 5) o desenvolvimento é a parte principal do texto, que contém a exposição ordenada e pormenorizada do assunto. Dividi-se em seções e subseções, que variam em função da abordagem do tema e do método. Considerações finais: As considerações finais ou conclusão devem se limitar a um resumo sintetizado da argumentação desenvolvida no corpo do trabalho e dos resultados obtidos. Lembra-se, contudo, que elas devem estar todas fundamentas nos resultados obtidos na pesquisa. Também podem ser discutidas recomendações e sugestões para o prosseguimento no estudo do assunto. Portanto, esse item não deve trazer nada de novo e deve ser breve, consistente e abrangente. A Associação Brasileira de Normas Técnicas - NBR (2005, p. 5) afirma que a conclusão é a parte final do texto, na qual se apresentam conclusões correspondentes aos objetivos ou hipóteses. - Elementos pós-textuais: Referências 2 : Devem ser colocadas em ordem alfabética dentro das normas técnicas especificadas. Em território brasileiro, utiliza-se a ABNT NBR 6023 para normatizar as referências apontadas durante o trabalho. Segue o modelo da estrutura do paper: 2 Ver item Referências.

16 16 TIPOS DE CONHECIMENTO Evolução Científica Luiz Carlos Vilela Rodrigo Campos Vilson Souza Professor 3 : Administração Associação Educacional do Vale do Itajaí-Mirim Dia/Mês/Ano ASSEVIM 1 INTRODUÇÃO Na Introdução, deve-se anunciar a idéia central do trabalho delimitando o ponto de vista enfocado em relação ao assunto e à extensão; deverá se situar o problema ou o tema abordado, no tempo e no espaço... 2 TIPOS DE CONHECIMENTO Nesta seção o autor deve se preocupar em apresentar o trabalho resultante de sua pesquisa. Isto implica em uma apresentação clara, lógica e objetiva dos resultados Conhecimento empírico O empirismo foi Conflitos entre o conhecimento empírico e o filosófico Diversos autores afirmam que... 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS As considerações finais devem limitar-se a um posicionamento sintetizado da argumentação desenvolvida no corpo do trabalho. Salienta-se que as conclusões devem estar todas fundamentadas na pesquisa. REFERÊNCIAS LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica. 3. ed. São Paulo: Atlas, No caso do trabalho integrado, deve constar Professor Orientador.

17 17 Nos elementos textuais, principalmente no item desenvolvimento, deve levar em conta algumas regras para apresentação das informações como os títulos e subtítulos e também uso de elementos de apoio ao texto (gráficos, figuras etc.) para melhor compreensão e organização do conteúdo no trabalho. Títulos das seções: Os títulos das seções de Primeira Ordem (por exemplo, 1 INTRODUÇÃO) precisam ser escritos em letras maiúsculas, tamanho de fonte 12, em negrito, e alinhamento à esquerda. Deve-se deixar duas linhas em branco após um título de Primeira Ordem. Os títulos das seções de Segunda Ordem (por exemplo, 1.1 Formatação do papel) precisam ser escritos também com tamanho de fonte 12, em negrito e alinhamento à esquerda. Somente a primeira letra da primeira palavra deve ser maiúscula e as demais minúsculas. Deve-se deixar uma linha branca após um título de seção de Segunda Ordem. Os títulos das seções de Terceira Ordem (por exemplo, Tamanho da margem) precisam ser escritos também com tamanho de fonte 12, alinhamento à esquerda, porém sem negrito. As letras devem ser minúsculas, salvo a primeira letra da primeira palavra. Deve-se deixar uma linha branca após um título de seção de Terceira Ordem. Figuras/Quadros/Gráficos: Esses elementos devem aparecer centralizados na folha e seus títulos também centralizados e numerados a partir do 1. Cada elemento possui uma contagem numérica individual, ou seja, separada. Os materiais retirados através de alguma pesquisa devem ser referenciados, citando a fonte (esta deve estar também centralizada, em fonte 10, e abaixo do elemento apresentado). Veja abaixo os exemplos de figuras, quadros e gráficos: Figura 1 - Fusca Fonte: Barbosa (2000, p.20). Obs.: As fotografias também devem ser tratadas como figuras. Quadro 1 Cidade Km São Paulo 705 Porto Alegre 476 Curitiba 300 Rio de Janeiro Distância de Florianópolis das principais cidades emissoras de turistas Fonte: Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (2003).

18 Trim. 2 Trim. 3 Trim. 4 Trim. Leste Oeste Norte Gráfico 1 Vendas por Trimestre e Regiões Fonte: Empresa XXX (2004) Tabelas: As tabelas apresentam informações tratadas estatisticamente. A identificação da tabela deve estar na parte superior, precedida da palavra tabela, seguida de seu número de ordem de ocorrência no texto, em algarismos arábicos, e do respectivo título. A indicação da fonte deve ser feita na parte inferior da tabela, em fonte 10. Tanto o título quanto a fonte da tabela devem estar centralizados. Notas de rodapé: Tabela 1 Notas dos alunos Aluno 1º Semestre 1 Bim. 2 Bim. Média Exame André Souza 8,0 8,00 8, João Campos 7,0 7,0 7,0 5,0 Sílvia Regis 7,5 7,5 7,5 --- Fonte: Elaborado pelas autoras (2005) As notas de rodapé devem servir como apoio explicativo e devem ficar sempre no pé da página. A nota deverá estar separada do resto texto por uma linha. As notas, a exemplo das figuras, também devem ser numeradas partindo de 1. Sugere-se que se utilize do recurso de notas do Word para inserir notas de rodapé no texto (comando: Inserir > Notas), assim o próprio programa administrará a numeração. A posição do texto da nota no pé da página deve ser alinhada à esquerda e em fonte 10. Palavras estrangeiras: Todas as palavras e termos em língua estrangeira deverão ser escritos usando o modo itálico. Exemplos: Internet, workaholic, copenhagener zimtzötse Normas para citações Segundo Ruiz (1991, p. 83) citações são os textos documentais levantados com a máxima fidelidade durante a pesquisa bibliográfica e que se prestam para apoiar a hipótese do pesquisador ou para documentar sua interpretação. As citações, ao contrário do que possa parecer inicialmente, enriquecem um trabalho e demonstram o estudo e a atitude científica do autor. As citações têm muitos objetivos, dentre os quais se destacam:

19 19 desenvolvimento do raciocínio; corroboração das idéias ou da tese que o autor defende; contrariar a idéia ou a tese que o autor defende; permitir a identificação do legítimo dono das idéias apresentadas; possibilitar o acesso ao texto original. A apresentação das citações se encontra na NBR de agosto de 2002 da ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas. Indicação das citações: No texto, as citações devem ser feitas de modo uniforme, de acordo com o estilo do pesquisador ou critério adotado pela Revista em que o trabalho será publicado. Contudo, o sistema escolhido deve estar relacionado com a ordenação das referências. Para citações de idéias ou trechos de obras pesquisadas, sugere-se o sistema Autor-Data, que consiste em mencionar o nome do autor e a data da publicação da obra no próprio texto, deixando as notas de rodapé apenas para eventuais explicações, que forem necessárias para o melhor entendimento do texto. Ao se usar o sistema autor-data, devem ser observadas as seguintes condições: a) Não podem ser incluídas as fontes em rodapé, exceto nos casos de citação de citação em que somente o autor citado figura em nota de rodapé e o autor que o citou, em lista de referências; b) A referência completa do documento deve figurar em lista, no final do capítulo ou do trabalho, organizada alfabeticamente; c) As entradas de autoria são escritas após a citação, entre parênteses, com letras maiúsculas, seguidas da data de publicação do documento citado e da página ou seção da qual foi extraída a citação; d) Quando a menção ao nome do autor está incluída na frase, a data de publicação do documento e a paginação são transcritas entre parênteses, precedidas pela abreviatura correspondente; e) As notas explicativas ou informativas são chamadas normalmente no texto por números altos ou alceados, ou entre parênteses Tipos de citações * Citação direta: menção de uma informação extraída de outra fonte (NBR 10520, 2002, p. 1), isto é, transcrição literal extraída do texto consultado, respeitando-se redação, ortografia e pontuação original. a) Citação de até três linhas ou curta: a citação de até três linhas deve ser inserida no parágrafo entre aspas duplas. As aspas simples são utilizadas para indicar citação no interior da citação. Exemplo: A vida real muitas vezes se confunde com a arte da representar e nos leva a atitudes teatrais: não se mova, faça de conta que está morta. (CLARAC; BONNIN, 1985, p. 72). Ou Segundo Clarac e Bonnin (1985, p. 72) a vida real muitas vezes se confunde com a arte da representação e nos leva a atitudes teatrais, como: não se mova, faça de conta que está morta.

20 20 b) Citação de mais de três linhas ou longa: deve aparecer em parágrafo distinto, com recuo de 4 centímetros da margem esquerda, com espaçamento simples, sem aspas e em fonte menor. Sugere-se a utilização de fonte 10. Exemplo: Os métodos de ensino da leitura e da escrita abrangiam apenas o ensino do alfabeto, suas combinações e produção de sons, seguido depois pelo ensino da gramática como coisa pronta e acabada. De acordo com Rizzo (1998, p. 22): Ou Com Ferdinand Saussure (1916), fundador da lingüística, a investigação científica passou das línguas (todas as existentes) à língua (de concepção abstrata), percebida como e enquanto meio de comunicação do pensamento e definida como sistema de relações, determinado por suas propriedades internas, cujas possibilidades combinatórias oferecemse à verificação empírica: as regras gramaticais. Os métodos de ensino da leitura e da escrita abrangiam apenas o ensino do alfabeto, suas combinações e produção de sons, seguido depois pelo ensino da gramática como coisa pronta e acabada. Com Ferdinand Saussure (1916), fundador da lingüística, a investigação científica passou das línguas (todas as existentes) à língua (de concepção abstrata), percebida como e enquanto meio de comunicação do pensamento e definida como sistema de relações, determinado por suas propriedades internas, cujas possibilidades combinatórias oferecemse à verificação empírica: as regras gramaticais. (RIZZO, 1998, p. 22). c) Omissões em citações: é um recurso utilizado quando não é necessário citar integralmente o texto de um autor. São recomendadas apenas se não alterarem o sentido do texto original. As omissões (indicadas por reticências, colocadas entre colchetes) podem aparecer no início, no fim e no meio de uma citação. Exemplo: Os professores devem aceitar o desafio, recusando o fracasso escolar e buscando a melhoria da prática social coletiva construída no processo ensino-aprendizagem. Ou [...] só na reflexão que busca o entendimento nós, seres humanos, poderemos nos abrir mutuamente para espaços de coexistência nos quais a agressão seja um acidente legítimo da convivência e não uma instituição justificada com uma falácia racional. [...] Se não agirmos desse modo, [...] só nos restará fazer o que continuamente estamos fazendo [...]. (MATURANA; VARELA, 1995, p ). Os professores devem aceitar o desafio, recusando o fracasso escolar e buscando a melhoria da prática social coletiva construída no processo ensino- aprendizagem. Conforme Maturana e Varela (1995, p ): [...] só na reflexão que busca o entendimento nós, seres humanos, poderemos nos abrir mutuamente para espaços de coexistência nos quais a agressão seja um acidente legítimo da convivência e não uma instituição justificada com uma falácia racional. [...] Se não agirmos desse modo, [...] só nos restará fazer o que continuamente estamos fazendo [...]. d) Destaque em citações: são utilizadas somente em citações diretas quando se quer dar destaque e realçar uma palavra, uma expressão ou mesmo uma frase no texto do autor citado. Deve-se destacar a parte do texto, seguindo-se imediatamente a expressão grifo nosso entre parênteses, após a chamada da citação, ou grifo do autor, caso o destaque já faça parte da obra consultada. Exemplo:

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