Metodologia da pesquisa científica

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1 Metodologia da pesquisa científica: como uma monografia pode abrir o horizonte do conhecimento Por Albenides Ramos São Paulo: Atlas, páginas. A importância de uma monografia não se discute hoje, em qualquer curso de graduação ou especialização, tanto para a vida acadêmica como para a contínua renovação profissional. Trata-se de um texto argumentativo que, redigido a partir de uma pesquisa científica, aprofunda um tema relevante na área de formação do aluno. Este livro, em vez de tornar a monografia só como o desafio final de um curso, valoriza-a como chance de aprimorar capacidades valiosas para toda a vida. Como frisa o autor, a pesquisa científica permite aprimorar os três princípios organizadores da realidade intelectual: conhecimentos (informações organizadas e estruturadas), habilidades (para a transformação do conhecimento em resultados) e competências (compreensão de si e da realidade para fazer acontecer ). A convergência desses princípios contribui para o estudante interagir o saber com o saber-fazer, expandindo seu potencial, refletindo em seu agir e o aprender a ser. Assim, o leitor inicia uma caminhada em direção a si próprio, leva-o ao Outro e envolve a busca de novos conhecimentos e a consequente abertura de nossas mentes. Uma vez que a integração do aprender ao viver significa religar o conhecimento à vida, podemos aprender sempre e precisamos ter disposição para mudanças. O livro também pretende lapidar competências e habilidades individuais para transformar os conhecimentos em aplicações práticas, úteis e significativas. Isso requer um novo modelo mental que nos impele à ação dirigida, à realização qualificada. Com isso, abrimos nossas mentes, desenvolvemos o senso crítico e tornamos o aprendizado uma atividade que requer esforço, mas é, sobretudo, prazerosa! Logo, o estudante precisa se conscientizar de que uma monografia não só representa a expressão de parte de seu patrimônio intelectual, mas também é uma investigação científica que, por definição, é algo que se procura com rigor. É um caminhar para um conhecimento mais profundo sobre um problema de pesquisa, com todas as hesitações e incertezas inerentes. Ele insere-se, assim, num processo de construção do conhecimento científico, busca metodológica e escolha de técnicas. A metodologia associase aos paradigmas que orientam a pesquisa e é necessária à adequação concreta entre teoria, problematização, objeto de estudo e o método. O foco aqui é capacitar o estudante para conquistar sua autonomia intelectual, a competência para enfrentar a busca permanente de conhecimentos sobre um tema, assunto, disciplina escolar ou ciência, sabendo investigar e orientar-se numa lógica e seguindo métodos de estudo e pesquisa. A ciência revela-se, portanto, elucidadora por dissipar mistérios, enriquecedora por satisfazer necessidades pessoais e sociais e conquistadora por fazer desabrochar a civilização. Ao explicitar autonomia intelectual como seu eixo norteador, o livro não subestima a função do professor ou orientador. A autonomia está relacionada com o surgimento de relações de cooperação, que se constroem com interações de reciprocidade, de parceria, em que é necessário um conjunto de compromissos, de responsabilidade, em função de objetivos comuns, permeados pelo respeito mútuo. Editora Atlas Metodologia da pesquisa científica, Albenides Ramos 1

2 Desse modo, em sintonia com o nosso tempo, com uma nova visão de ciência e do processo ensino/aprendizagem, consolida-se neste livro conceito de pesquisa como uma forma de aprender a [como] aprender, que, por sua vez, requer pensar criticamente, isto é, dar significado à informação, analisá-la, sintetizá-la, resolver problemas, criar ideias, conectar informações, enfim, envolver-se mais na aprendizagem. Tudo isso culmina em elaboração própria a monografia e na capacidade de intervir na realidade que, se fosse estática, apenas a lógica formal seria mais adequada para explicá-la. Hoje, priorizamos a lógica dialética assim como a lógica quântica. Troca-se o é pelo pode ser, ou seja, abrese mão de verdades absolutas. Abordagem transdisciplinar No momento em que o indivíduo se dá conta de sua responsabilidade, ele percebe que o mundo em que vive depende de sua vontade. Esse é um momento comovedor e libertador. É comovedor porque resulta que o que fazemos não é trivial. É libertador porque dá sentido ao viver. Maturana e Varela É preciso que os professores sejam mestres, quer dizer, as pessoas que mostram o caminho! Que estejam abertos para as outras disciplinas, no sentido de se atingir a transdisciplinaridade. Creio que é o caminho para se chegar a um mundo onde se possa viver melhor, um mundo mais luminoso e mais equilibrado. Basarab Nicolescu Você já se perguntou de que modo o ser humano se apropria do conhecimento? O leitor é convidado a galgar junto alguns degraus da busca por conhecimento. O mapeamento dos métodos nos leva a pensar que não há conhecimento fora de uma sistematização metodológica nem que possa estar distanciado de marcos reconhecíveis. O que implica que todo conhecimento é relativo. Ou seja, não se caminha metodicamente sem que antes haja uma trilha. Cientistas como Maturana, Varela, Basarab Nicolescu e outros pesquisadores contemporâneos de diferentes campos estão quebrando paradigmas, colocando de cabeça para baixo nossos pressupostos mais básicos sobre o conhecer e sobre o aprender. Percorrendo um pouco mais esse caminho do conhecer, confirmamos que: nascer para aprender é a capacidade inata que todo ser humano dispõe e que está ligada à de descobrir, selecionar, conectar, criar sentido, diferenciar, interagir, decidir, reconhecer as leis da vida, entre outras. Aprendem os professores ao informarem os alunos, tanto quanto os alunos informam os professores (Maturana e Varela, 1995, Capra, 1996, Assman, 1998, Nicolescu, 1999, Morin, 2001). A prática docente necessita, então, estar mais adequada ao processo evolutivo da ciência, cujas raízes encontram-se plantadas, entre outras, nas teorias biológicas mais recentes, na teoria da complexidade, nos critérios decorrentes da própria Física Quântica e em suas implicações na filosofia da ciência e na educação, teorias que revelam a importância do pensamento sistêmico, complexo, dialógico e transdisciplinar. Este novo olhar sobre o mundo é um dos caminhos para dominar saberes que se acumulam de forma cada vez mais vertiginosa. No ensino, ela é vista como o caminho viável para a Editora Atlas Metodologia da pesquisa científica, Albenides Ramos 2

3 construção do conhecimento globalizante. Nicolescu e Morin propõem um diálogo das diversas ciências com a arte, a literatura, a poesia e a experiência interior do ser humano. A adoção de princípios transdisciplinares no ensino universitário requer uma mudança grande nas atitudes e comportamentos dos indivíduos, acompanhadas por uma nova concepção de estrutura organizacional acadêmica. A geração de uma atitude transdisciplinar, mais evoluída e madura que a atitude acadêmica atual, requer a geração de uma nova mentalidade, acompanhada de novas práticas. Trata-se de um aprendizado permanente de tolerância e afetividade que inclui a atitude transcultural, transreligiosa, transpolítica e transnacional. Para o físico quântico Nicolescu, o aprender a ser significa descobrir nossos condicionamentos, individual e social, especialmente, os relacionados às nossas certezas. O aprender a conhecer significa ter acesso aos saberes e ao espírito científico, estimulando o questionamento desse conhecimento, a pesquisa e a construção de pontes entre os diferentes saberes e suas significações na vida cotidiana. Quando o tempo é de novos desafios, temos de apurar nossa observação e lançar um olhar crítico sobre a realidade. Em todo avançar intelectivo, reconhecemos caminhos que, enquanto forem mapeados, possibilitam reconhecimento em favor dos que vierem depois. Eleger um método equivale a escolher um caminho. Quando optamos pelo método transdisciplinar referimo-nos ao que se serve e recorre a tantas disciplinas quantas conhecidas, visando captar entre elas o que há de semelhança, interdependência, convergência e conexão, tanto de informações, como leis, métodos e conhecimentos. Nesse contexto, é necessário que os conteúdos do curso de graduação tenham a sustentação teórica e metodológica, a fim de que possam, efetivamente, contribuir com o fortalecimento da prática. Lamentavelmente, convivemos no Brasil com modelos de ensino que, via de regra, não têm na pesquisa um dos pilares de sustentação da qualidade dos profissionais que serão formados. Tais fatos nivelam os espaços de formação a meros repassadores de conhecimentos pesquisados por outros. Contudo, é alentador considerar que a possibilidade de desenvolver a sua monografia torna-o capaz de investigar problemas da sua área de conhecimento, amplia competências específicas, habilidades, atitudes de se tornar autônomo intelectualmente e responsável pelo seu crescimento pessoal e profissional. Enfim, você se torna produtor de conhecimento e não apenas um compilador de informações. Os pontos de partida de cada um deles podem ser diferentes; os caminhos que cada um percorre podem ser distintos, mas o ponto de chegada é um só: o da melhoria e o da permanente elevação do processo ensino/aprendizagem. Em sintonia com os últimos avanços científicos, o livro valoriza o paradigma holístico- quântico (Ramos, 2009, p.13) que rompe com hábitos antiquados, revendo valores e percebendo o mundo em que vivemos como um todo, um grande contexto onde a vida acontece. Ao mesmo tempo, aplica conteúdos não só da Nova Ciência como de outros campos do conhecimento para enxergar as conexões entre a vida e a nossa percepção do todo maior. Dessa forma, é um salto à frente em termos de caminhos didáticos, um salto quântico diante da realidade, passando para um novo patamar do conhecimento no sentido de mudança superlativa. Uma vez repetido muitas vezes, esse aprendizado, que inclui a consciência, passa a fazer parte do comportamento de todo o organismo. Ou seja, a consciência estará Editora Atlas Metodologia da pesquisa científica, Albenides Ramos 3

4 sempre disponível para aprender o que é novo, que, depois, deixa a esfera consciente e se torna patrimônio de todo o corpo (o aprendizado é incorporado). E dentro dessa nova ordem, os dilemas e desafios da educação contemporânea incluem despertar o potencial do estudante para usar a pesquisa como ferramenta para continuar aprendendo ao longo da vida e evoluindo em direção ao mais alto desempenho. Assumimos pesquisa como o diálogo crítico e criativo com a realidade, culminando na elaboração própria e capacidade de intervenção (Pedro Demo, 1995, p.128). O diálogo envolve uma relação baseada no princípio de que a mente humana é capaz de usar a lógica, o raciocínio para entender o mundo em vez de ter de confiar na interpretação de alguém que se impõe por meio da força, da tradição ou de intelecto superior. Ao transmitir essas informações científicas recentes, é necessário que nos interroguemos sobre os conceitos fundamentais do ato educativo. A metodologia proposta faz emergir o questionamento sobre nossos saberes, nossas práticas, nossas práticas e nossos valores; explora nossas potencialidades e capacidades para aprender e facilita a construção (a passagem ao ato) de práticas educativas e comunicativas com ênfase na monografia. Esquematicamente, os resultados são sintetizados: uma tomada de consciência por parte dos diferentes parceiros da situação de aprendizagem de nossos recursos cognitivos e de nossas exigências de significação; uma clarificação dos conceitos fundamentais que constituem a base do ato de aprender: aprendizagem, memória, percepção, abstração, decisão, imaginação, compreensão, expressão; e uma ajuda à estruturação do saber-aprender por meio de sete etapas que abrem o caminho da autonomia daquele que aprende. (Trocmé-Fabre, 2006,23 que recomenda construir-se o fluxograma, a seguir, sob forma de espiral). Tomada de consciência Clarificação dos conceitos Estruturação do saber-aprender No caso de orientação de monografia, aplica-se uma metodologia integradora, que consiste no uso dos métodos em função das necessidades de cada momento do processo ensino-aprendizagem, das tarefas e situações, da diversidade dos projetos de pesquisa alunos/orientandos. Ela pressupõe leituras prévias, revisão da bibliografia pertinente ao tema, exercícios de ensaios acadêmicos, artigos científicos, resumos e resenhas críticas. Como tarefa principal, a elaboração, dentro das sugestões da nossa Matriz Decisória para um Projeto de Pesquisa (Ramos, 2009,p ) para se chegar, com sucesso, à construção da monografia. Editora Atlas Metodologia da pesquisa científica, Albenides Ramos 4

5 Concluindo, o livro antes de ser mais um sobre metodologia científica ou um manual de como escrever uma monografia, existentes no mercado, é uma proposta inovadora e arrojada por desenvolver o potencial do estudante tornando-o capaz de elaborar, cientificamente, uma monografia (...); contribuir no aprimoramento da capacidade de pensar com inteligência para analisar a complexa realidade a fim de ampliar o horizonte do conhecimento e manter os professores atualizados em práticas apoiadas no processo evolutivo da ciência (...) e na teoria da complexidade que revelam a importância tanto do pensamento sistêmico como da transdisciplinaridade (Ramos,2009,p.22-3). Enfim, ousamos colocar que: se houver entusiasmo pelo novo e uma abertura a novas formas de se obter informações e construir conhecimentos; se houver uma mudança/reforma do pensamento que vá além do paradigma mecanicista e atinja o modelo quântico (Ibidem, p.245), não haverá uma visão integrativa da natureza que permita, de fato, um caminhar que se sustente numa nova ética em defesa de uma cidadania responsável; se houver uma flexibilidade nos conceitos para permitir que o Outro não seja olhado como objeto. Então, haverá o como saber, o como fazer e o como ser uma pessoa plena, um estudante com autonomia intelectual, um professor/orientador que não se preocupa somente com ele mesmo, pois tendo uma visão holística inclui-se no todo da sociedade e da totalidade cósmica. Como está no Rig Veda: somos todos joias brilhantes na mesma rede, cada uma irradiando a sua luz na posição que ocupa na rede, uma refletida na outra o que reforça um trecho do discurso de posse do Presidente Mandela África do Sul -1994): [...] Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, genial, fabuloso? Na verdade, que é você para não ser? Você é um filho de Deus. Seu papel apequenado não serve ao mundo. Não há nada de sábio em diminuir-se para que outros não se sintam inseguros por perto. ESCOLHA SUA OPÇÃO! Editora Atlas Metodologia da pesquisa científica, Albenides Ramos 5

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