Produção acadêmica: tipos de trabalhos científicos

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1 UNIDADE 5 Produção acadêmica: tipos de trabalhos científicos 5 Objetivos de aprendizagem Distinguir os tipos de resumo e conhecer os principais procedimentos para resumir. Conceituar e identificar a estrutura da resenha critica. Identificar os tipos e a estrutura da ficha de leitura. Distinguir os tipos de paper. Conhecer a estrutura do projeto de pesquisa. Conhecer os tipos e a estrutura do artigo científico. Conceituar relatório técnico-científico e monografia. Seções de estudo Seção 1 Seção 2 Seção 3 Seção 4 Seção 5 Seção 6 Seção 7 Seção 8 Resumo Resenha crítica Fichamento Paper Artigo científico Projeto de pesquisa Relatório técnico-científico Monografia

2 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Um trabalho acadêmico, segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2005), consiste num documento que representa o resultado de estudo, devendo expressar conhecimento do assunto escolhido, que deve ser obrigatoriamente emanado da disciplina, módulo, estudo independente, curso, programa e outros ministrados. Deve ser feito sob a coordenação de um orientador. Nesta unidade você conhecerá os principais tipos de trabalhos acadêmicos solicitados no cotidiano da vida universitária: o conceito, os tipos e os principais procedimentos para resumir, para fazer fichamentos, papers, artigo científico, projeto de pesquisa, relatório técnico-científico e monografia. Após o estudo dessa unidade, realize as atividades de autoavaliação sugeridas no final. Elas ajudarão você a estudar o conteúdo desta disciplina de maneira estruturada. SEÇÃO 1 - Resumo O resumo é a apresentação concisa das principais idéias de um texto. Resulta da capacidade analítica e compreensiva que o leitor adquire no momento em que faz sua leitura. Quanto mais se tem domínio e compreensão do texto, maior será a capacidade de síntese e de apresentação de forma breve. Sobre esse assunto você estudará na próxima seção desta unidade. Na apresentação do resumo, o aluno deve evitar a manifestação de opinião sobre o tema ou analisá-lo criticamente. O acréscimo da crítica no resumo caracteriza um outro tipo de trabalho, denominado resumo crítico ou resenha crítica. No meio acadêmico, o desenvolvimento de um resumo é importante, por que permite [...] em rápida leitura, recordar o essencial do que se estudou e [apresentar] a conclusão a que se chegou (GALLIANO, 1986, p. 89). 154

3 Ciência e Pesquisa Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003b), existem três tipos de resumos, que são: Resumo crítico: resumo redigido por especialistas com análise crítica de um documento. Também chamado de resenha. [...]. Resumo indicativo: indica apenas os pontos principais do documento, não apresentando dados qualitativos, quantitativos etc. De modo geral, não dispensa a consulta ao original. Resumo informativo: informa ao leitor finalidades, metodologia, resultados e conclusões do documento, de tal forma que este possa, inclusive, dispensar a consulta ao original. O resumo é útil para difundir as idéias contidas em obras de diversos tipos, como também, para favorecer ao leitor a possibilidade de escolha ou consulta do texto no original. Quais procedimentos devem ser seguidos na elaboração de um resumo? Para elaborar um resumo você deve seguir os seguintes procedimentos: a) Leitura integral para adquirir uma visão de conjunto da unidade (capítulo). Alguns alunos preferem não fazer a leitura integral do texto achando que vão perder tempo e partem logo para a elaboração do resumo, mas, ao contrário do que se pensa, a leitura integral do capítulo permitirá uma visão ampla da estrutura do texto, possibilitando diferenciar o que é essencial e o que é secundário. b) Delimitação das unidades de leitura do texto. Delimitar significa decompor as partes constitutivas do texto. Cada unidade de leitura possui um sentido completo e é composta por: idéia central ou diretriz, explicitação da idéia e conclusão. Aprendemos em linguagem e produção textual que a função do parágrafo é apresentar uma idéia nova com Unidade 5 155

4 Universidade do Sul de Santa Catarina uma totalidade de sentido, aprendemos que devemos mudar de parágrafo quando mudamos a idéia no texto. Esse procedimento fez com que por um período muito longo da história os autores escrevessem parágrafos longos. Entretanto, hoje, os autores preferem escrever textos com parágrafos breves, curtos e, muitas vezes, um parágrafo não dá conta de apresentar o sentido completo da informação. Assim, é possível que encontremos textos onde os autores utilizam mais de um parágrafo para expor uma idéia. Por isso, é importante separar as unidades de leitura do texto, decompondo-o analiticamente, antes de iniciar o resumo. c) Esquematização (na forma de tópicos) ou preparação das anotações da leitura. Consiste na estruturação gráfica e visual do texto com divisões e subdivisões. O esquema pode ser elaborado por meio de chaves, marcadores ou divisão numérica das idéias. A esquematização do texto servirá de base para a redação do resumo. d) Redação do resumo com frases breves e objetivas. Observe as sugestões apresentadas por Marconi e Lakatos (2003, p. 69, grifo do autor) para a redação da ordem em que aparecem as idéias no texto: a) conseqüências (quando se empregam palavras tais como: em conseqüência, por conseguinte, portanto, por isso, em decorrência disso etc.); b) justaposição ou adição (identificada com expressões de tipo: e, da mesma forma, da mesma maneira etc.); c) oposição (com a utilização das palavras: porém, entretanto, por outra parte, sem embargo etc.); d) incorporação de novas idéias; e) complementação do raciocínio; f) repetição ou reforço de idéias ou argumentos; g) justaposição de proposições (por intermédio de um exemplo, comprovação etc.); 156 h) digressão (desenvolvimento de idéias até certo ponto alheias ao tema central do trabalho).

5 Ciência e Pesquisa Acompanhe, a seguir, exemplos de resumo indicativo e informativo, elaborados com base nos procedimentos citados nesta seção. Observe que as palavras grifadas indicam que o resumo indicativo está dentro do resumo informativo: Resumo indicativo: LUCKESI, Cipriano Carlos et al. O leitor no ato de estudar a palavra escrita. In:. Fazer universidade: uma proposta metodológica. 2. ed. São Paulo: Cortez, cap. 3, p Estudar significa o ato de enfrentar a realidade. O enfrentamento da realidade pode ocorrer pelo contato direto ou indireto do sujeito que conhece com o objeto que é conhecido. As duas formas de estudar (direta ou indireta), podem ser classificadas como críticas ou a-críticas. O leitor poderá ser sujeito ou objeto, dependendo da postura que assume frente ao texto. Resumo informativo: LUCKESI, Cipriano Carlos et al. O leitor no ato de estudar a palavra escrita. In:. Fazer universidade: uma proposta metodológica. 2. ed. São Paulo: Cortez, cap. 3, p Estudar significa enfrentar a realidade para compreendê-la e elucidá-la. Este enfrentamento pode ocorrer, de um lado, pelo contato direto do sujeito com o objeto. Isso se dá quando o sujeito opera com e sobre a realidade. De outro lado, o enfrentamento pode ocorrer pelo contato indireto. Neste caso, o sujeito recebe o conhecimento por intermédio de outra pessoa ou por símbolos orais, mímicos, gráficos, etc. O ato de estudar indiretamente crítico equivale à objetividade na elucidação. O ato de estudar indiretamente crítico equivale a descrição da realidade como ela é, sem magnetização pela comunicação em si. A atitude a-crítica corresponde à abdicação da capacidade de investigar, à alienação e à retenção mnemônica. O leitor que assume uma postura de objeto frente ao texto de leitura é verbalista, ou seja, a aprendizagem não se dá pela compreensão, mas pela reprodução intacta e mnemônica das informações. O leitor sujeito, por outro lado, compreende e não memoriza, avalia o que lê e tem uma atitude constante de questionamento. Unidade 5 157

6 Universidade do Sul de Santa Catarina Os resumos que precedem trabalhos científicos assumem características diferentes dos resumos de textos didáticos, são normatizados pela NBR 6028 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003) e devem ressaltar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do trabalho. A extensão dos resumos científicos conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003, p. 2) deve ter: a) de 150 a 500 palavras para trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e outros) e relatórios técnicocientíficos; b) de 100 a 250 palavras para artigos de periódicos; c) de 50 a 100 palavras para indicações breves. O resumo do artigo escrito por Guimarães e outros (2006, grifo nosso), publicado pela Revista de Nutrição, indica, de forma clara a estrutura de um resumo que precede trabalhos científicos. Leia: Fatores associados ao sobrepeso em escolares Objetivo: Identificar variáveis associadas ao sobrepeso em escolares de Cuiabá, MT, Brasil. Métodos: Foi feito um estudo de caso-controle a partir de um inquérito antropométrico, aplicado em uma amostra aleatória de alunos da primeira série do ensino fundamental, com idades entre 6 e 11 anos. Foram incluídos, como casos, os 158 escolares que apresentaram sobrepeso (índice de massa muscular >P85) e, como controles, 316 crianças sorteadas entre as que apresentaram índice de massa muscular<p85. Informações socioeconômicas, do domicílio, da família e de atividade física dos escolares foram obtidas por meio de entrevistas. Foram tomadas medidas de peso e altura da criança e dos pais por antropometristas treinados. Os dados foram submetidos à análise de regressão logística múltipla hierarquizada. Resultados: O sobrepeso foi maior em escolares com renda familiar per capita >3 salários mínimos (OR= 3,75), que tinham mães de idade entre 25 e 29 anos (OR=1,74) e com nível mais alto de escolaridade (OR=1,91) e com história de apenas uma união conjugal (OR=2,53); também foi maior nos escolares, de sexo feminino (OR=2,15), que possuíam 158

7 Ciência e Pesquisa no máximo um irmão (OR=1,94), brincavam <10h por semana (OR=2,58), tinham mães e pais com índice de massa muscular >30 (OR= 7,27 e 2,65, respectivamente) e nasceram com peso >3500g (OR= 2,27). Conclusão: Os resultados apontam que variáveis de diferentes níveis hierárquicos se associam na configuração de contextos favoráveis ao aumento do sobrepeso em escolares e fornecem subsídios para o desenvolvimento de intervenções que considerem os grupos mais vulneráveis à presença de sobrepeso. SEÇÃO 2 - Resenha crítica A Resenha Crítica é uma modalidade de trabalho científico que consiste no desenvolvimento de uma síntese sobre uma obra, no sentido de expressar um juízo de valor acerca do assunto abordado. Corresponde à apreciação crítica de um texto com o objetivo de discussão das idéias nele contidas. Segundo Oliveira Netto (2005, p. 73), a resenha pode ser definida como a apresentação do conteúdo de uma obra, acompanhada de uma avaliação crítica ou indicativa. Este resumo deve apresentar as idéias da obra, a avaliação das informações e a forma como foram expostas, bem como a justificativa da avaliação desenvolvida no resumo. Para proceder a essa avaliação, é necessário que se recorra ao posicionamento de outros autores da comunidade científica em relação às defendidas pelo autor da obra criticada, estabelecendo uma espécie de comparação principalmente no que se refere ao enfoque, método de investigação e forma de exposição das idéias. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003), por meio da NBR 6028, denomina a resenha de resumo crítico. Normalmente, a Resenha é desenvolvida por especialistas, pois exige, por parte do resenhista, conhecimento completo da obra, capacidade crítica e maturidade intelectual. Salvador (1979 apud Unidade 5 159

8 Universidade do Sul de Santa Catarina MARCONI; LAKATOS, 2003, p. 264) apresenta os seguintes requisitos básicos para a elaboração de uma resenha crítica: a) conhecimento completo da obra; b) competência na matéria; c) capacidade de juízo de valor; d) independência de juízo; e) correção e urbanidade; f) fidelidade ao pensamento do autor. A apresentação da estrutura da resenha crítica pode variar de autor para autor. Em geral, dois elementos são essenciais: o resumo e a crítica. Dos diversos modelos encontrados na literatura de metodologia científica adotamos aqui o roteiro descrito por Marconi e Lakatos (2003, p. 264) apresentado a seguir: a) Obra apresentação dos dados de identificação da referência bibliográfica. b) Credenciais da autoria nacionalidade, formação acadêmica, outras obras escritas pelo autor. c) Conclusões da autoria síntese das principais conclusões da obra apresentada no final de cada capítulo ou no final da obra. d) Digesto resumo das principais idéias dos capítulos ou da obra como um todo; e) Metodologia da autoria descrição do tipo de método e das técnicas utilizadas pelo autor da obra. f) Crítica do resenhista julgamento da obra do ponto de vista da coerência e consistência na argumentação, originalidade, emprego adequado de métodos e técnicas, contribuição para o desenvolvimento da ciência e estilo empregado. É importante salientar que a crítica deve ser bem fundamentada e o resenhista deve confrontar as idéias da obra com outras idéias de outras obras e autores. 160

9 Ciência e Pesquisa g) Indicação do resenhista indicação da obra para qual público (estudantes, especialistas) e para qual curso ou área do conhecimento. Nessa seção você conheceu mais uma modalidade de trabalho científico: Resenha Crítica que em outras palavras, é uma síntese na qual você expressa um juízo de valor. A próxima seção convida você a estudar sobre o fichamento. Bom estudo! SEÇÃO 3 - Fichamento A leitura é uma atividade constante na vida acadêmica e se torna, no decorrer do curso, a base de sua formação. Você é sujeito ativo de sua aprendizagem e não pode esperar que tudo seja transmitido pelos professores. A iniciativa de aprender sempre deverá ser sua. O estudante tem de se convencer de que sua aprendizagem é uma tarefa eminentemente pessoal; tem de se transformar num estudioso que encontra no ensino escolar não um ponto de chegada, mas um limiar a partir da qual constitui toda uma atividade de estudo e de pesquisa [...] (SEVERINO, 2000, p. 35). A leitura é um instrumento de aprendizagem que permite a você ter o conhecimento e a compreensão do mundo, por isso, você deve ser especialista nela. Você pode perceber que estamos diante de uma cultura que se complexifica a cada dia que passa e nem sempre se consegue assimilar o conjunto das informações que nos rodeia. E, dependendo da leitura que estamos fazendo, seja pelo interesse ou pela necessidade, algumas anotações precisam ser feitas. A maneira mais adequada para reter essas informações é o registro em algum suporte físico. Achar que a memória vai dar conta de armazenar tudo, é um grande engano. Na memória, infelizmente, não podemos confiar. Unidade 5 161

10 Universidade do Sul de Santa Catarina A ficha de leitura pode se tornar um instrumento útil no momento da recuperação de uma informação e pode ser realizada com diferentes fins: a) como instrumento de coleta de dados na realização de uma pesquisa bibliográfica; b) como trabalho acadêmico em disciplinas de graduação e pós-graduação; c) como preparação de textos na apresentação oral de trabalhos em sala de aula; e, d) como um instrumento auxiliar na leitura e registro das idéias de um texto. Quando se fala em ficha de leitura automaticamente pensamos naquele papel de cartolina que é vendido em livrarias e que possui em média 10,5 x 15,5cm. Entretanto, com os recursos disponibilizados pela tecnologia, é possível fazer os registros diretamente no computador e depois imprimi-los em papel A4. Para fazer a ficha de leitura, primeiramente, é necessário delimitar a unidade de leitura do texto. Unidade de leitura pode ser compreendida com sendo um setor do texto que possui um sentido completo, ou seja, um livro, um capítulo de um livro, um artigo científico, uma matéria de jornal ou revista, ou qualquer outro texto que precise ser estudado. Classificação das fichas De maneira geral, as fichas podem ser classificadas em 2 tipos: bibliográfica e temática. A bibliográfica, como o próprio nome diz, ocupa-se de uma obra e, a temática, de um tema pesquisado em várias obras. 162

11 Ciência e Pesquisa Se o objetivo é fazer a leitura e apontamentos da obra A semente da vitória, de Nuno Cobra, teríamos um fichamento bibliográfico. Mas se o objetivo é a leitura e a tomada de apontamentos sobre o tema sono, em várias obras, teríamos um fichamento temático. As atividades desenvolvidas na leitura também podem servir para classificar os tipos de ficha. No momento da leitura podemos resumir, transcrever fragmentos considerados importantes ou simplesmente comentar analiticamente o texto. Dessas atividades podem resultar a ficha resumo, a ficha de citação e a ficha de comentário analítico. Acompanhe a seguir. a) Ficha resumo - resumir significa apresentar de forma concisa as principais idéias de um texto. O resumo deve ser elaborado na fase da leitura analítica, no exato momento em que conseguimos assimilar e compreender as idéias do texto. Quanto maior a compreensão das idéias, tanto maior será nossa capacidade resumir. Veja os procedimentos para a elaboração do resumo na seção 1 desta unidade. b) Ficha de citação - nesse tipo de ficha copia-se literalmente, na forma de transcrição textual (cópia fiel), fragmentos considerados relevantes para o estudo do texto. A parte a ser transcrita não deverá ser muito extensa, pois não faz muito sentido copiar por copiar. As fichas desse tipo podem dar origem às citações no texto quando se está elaborando um trabalho acadêmico. c) Ficha de comentário analítico nessas fichas podem ser registradas as nossas reflexões sobre o material que está sendo lido (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003, p. 233). As reflexões podem resultar em: afinidade - quando a análise manifesta nossa concordância e aceitação das idéias do texto; Unidade 5 163

12 Universidade do Sul de Santa Catarina antagonismo quando manifestamos discordância e, neste caso, é importante fundamentar bem nossas idéias com argumentos lógicos e convincentes, pois simplesmente não podemos discordar por discordar; e conexões com outras idéias neste caso, podemos comparar as idéias do autor com as idéias de outros autores e, assim, possuir uma visão mais ampla sobre o tema. Veja como fazer referências na Unidade 6. A estrutura da ficha de leitura é constituída de três partes: cabeçalho, referência e texto. No cabeçalho deve aparecer o título ou assunto da ficha; na referência os elementos de identificação da e no texto o conteúdo da ficha (resumo, transcrição ou comentário). Veja o exemplo: TÍTULO DA FICHA Referência Espaço livre para você inserir o texto (resumo, transcrição ou comentário analítico). SEÇÃO 4 - Paper O paper é um trabalho científico que tem como objetivo principal analisar um tema/questão/problema, por meio do desenvolvimento de um ponto de vista de quem o escreve. O paper geralmente trata do particular ou da essência do problema. Se o autor apenas compilou informações sem fazer avaliações ou interpretações sobre elas, trata-se simplesmente de um relato e não de um paper. Assim, a composição de um paper decorre do estudo e do posicionamento de quem o escreve. Para isso, o autor do paper deve manter certo distanciamento crítico ou evitar, na medida do possível, deixar transparecer suas crenças e preferências. 164

13 Ciência e Pesquisa Segundo Heerdt e Leonel (2005, p. 141), neste tipo de trabalho [...] as reflexões devem ser mesmo do autor do paper caracterizando-o principalmente pela originalidade. Conforme Roth (apud MEDEIROS, 1996, p. 186), para a composição do paper é necessário seguir cinco passos: 1) escolher o assunto; 2) reunir informações; 3) avaliar o material; 4) organizar as idéias; e 5) redigir o paper. Quanto à estrutura do paper, assim se organiza: folha de rosto; sinopse, introdução (objetivo e delimitação do tema); desenvolvimento; conclusão e referências. Position paper Segundo Heerdt e Leonel (2005, p. 143), o position paper consiste no desenvolvimento da: capacidade de reflexão e criatividade [do aluno] diante do que está escrito (livro, artigo, revista, jornal, etc.), diante do que é apresentado (palestra, congresso, seminário, curso, etc.) e também diante do que pode ser observado numa determinada realidade (empresa, projeto, entidade, viagem de estudos, etc.). Sua composição decorre do posicionamento de quem o escreve, exigindo, também, revisão de literatura para conhecer e sistematizar o posicionamento de outros autores sobre o tema/ questão/problema. Para Heerdt e Leonel (2005, p. 144), a estrutura do position paper é assim organizada: capa; folha de rosto; sumário; introdução (objetivo, delimitação do tema, metodologia); revisão bibliográfica sobre o assunto (no mínimo, dois outros autores); reflexão e posicionamento do autor sobre o assunto; conclusão; referências. Unidade 5 165

14 Universidade do Sul de Santa Catarina Paper comunicação científica É a informação concisa que se apresenta em congressos, simpósios, reuniões, academias, sociedades científicas, expostos em tempo reduzido. Sua finalidade é fazer conhecida a descoberta e os resultados alcançados com a pesquisa, podendo por fim fazer parte de anais [ou revistas] (HEERDT; LEONEL, 2005, p. 142). A comunicação não necessita de abrangência de aspectos analíticos, compondo-se basicamente da introdução, do desenvolvimento e da conclusão. SEÇÃO 5 - Artigo científico Na vida acadêmica, são várias as atividades de pesquisa realizadas, tanto pelo corpo docente como pelo discente. Essas atividades resultam de trabalhos didáticos e científicos elaborados freqüentemente nas disciplinas, cursos ou em grupos de pesquisa. Os trabalhos didáticos e científicos, muitas vezes, pelo nível de excelência que apresentam, são merecedores de publicação. As instituições de ensino, de maneira geral, e os cursos que a elas pertencem, em particular, dispõem de revistas especializadas para a publicação desses trabalhos produzidos por alunos e professores na forma de artigo científico. Artigo científico pode ser entendido como um trabalho completo em si mesmo, mas possui dimensão reduzida. Köche (1997, p. 149) afirma que o artigo é a apresentação sintética, em forma de relatório escrito, dos resultados de investigações ou estudos realizados a respeito de uma questão. Salvador (1977, p. 24) apresenta cinco razões para escrever artigos científicos. São elas: 166

15 Ciência e Pesquisa a) Expor aspectos novos por nós descobertos, mediante o estudo e a pesquisa, a respeito de uma questão, ou de aspectos que julgamos terem sido tratados apenas superficialmente, ou soluções novas para questões conhecidas; b) expor de uma maneira nova uma questão já antiga; c) anunciar resultados de uma pesquisa, que será exposta futuramente em livro; d) desenvolver aspectos secundários de uma questão que não tiveram o devido tratamento em livro que foi editado ou que será editado; e) abordar assuntos controvertidos para os quais não houve tempo de preparar um livro. O artigo é um meio de atualização de informações e por isso, enquanto fonte de pesquisa, jamais pode ser ignorado por alunos e professores no processo de busca e aquisição de conhecimentos. Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003) os artigos são classificados em dois tipos: original e revisão. O artigo original parte de uma publicação que apresenta temas ou abordagens originais [...] (relatos de experiência de pesquisa, estudo de caso etc.). O artigo de revisão parte de uma publicação que resume, analisa e discute informações já publicadas. O resumo do artigo escrito por Dalgalarrondo e outros (2004), publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria, exemplifica um artigo original. Acompanhe a seguir: Unidade 5 167

16 Universidade do Sul de Santa Catarina Religião e uso de drogas por adolescentes Introdução: Estudos internacionais e nacionais mostram que a religiosidade é um modulador importante no consumo de álcool e drogas entre estudantes adolescentes. Objetivos: verificar se diferentes variáveis da religiosidade influenciam o uso freqüente e/ou pesado de álcool e drogas entre estudantes de 1º e 2º graus. Métodos: Estudo transversal com uma técnica de amostragem do tipo intencional. Foi utilizado um questionário anônimo de autopreenchimento. A amostra foi constituída por estudantes de escolas públicas periféricas e centrais e escolas particulares da cidade de Campinas, SP, entrevistados no ano de As drogas estudadas foram: álcool, tabaco, solventes, medicamentos, maconha, cocaína e ecstasy. As variáveis independentes incluídas na análise de regressão logística foram: filiação religiosa, freqüência de ida ao culto/ missa por mês, considerar-se pessoa religiosa e educação religiosa na infância. Para identificar como as variáveis de religiosidade influenciam o uso de álcool e drogas utilizaram-se análises bivariadas e a análise de regressão logística para resposta dicotômica. Resultados: O uso pesado de pelo menos uma droga foi maior entre os estudantes que tiveram educação na infância sem religião. O uso no mês de cocaína e de medicamentos para dar barato foi maior nos estudantes que não tinham religião. O uso no mês de ecstasy e de medicamentos para dar barato foi maior nos estudantes que não tiveram educação religiosa na infância. Conclusões: Várias dimensões da religiosidade relacionam-se com o uso de drogas por adolescentes, com possível efeito inibidor. Particularmente interessante foi que uma maior educação religiosa na infância mostrou-se marcadamente importante em tal possível inibição. O resumo do artigo escrito por Pedroso e outros (2006, grifo nosso), publicado pela Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, exemplifica um artigo de revisão. Leia o texto a seguir: 168

17 Ciência e Pesquisa Expectativas de resultados frente ao uso de álcool, maconha e tabaco Este artigo teve como objetivo realizar uma revisão teórica acerca do construto expectativas de resultados frente ao uso de álcool, maconha e tabaco. As expectativas de resultados são determinadas a partir do que as pessoas acreditam acerca dos efeitos de determinada droga, sendo uma variável importante no tratamento de dependentes químicos. Foram realizadas buscas de artigos publicados nas bases de dados MEDLINE, PsycINFO, ProQuest, Ovid, LILACS e Cork, usando os descritores belief, expectancy, expectation, drugs, psychoactive e effect. Os resultados demonstraram que as expectativas de resultados frente ao uso dessas substâncias podem surgir de fontes como: exposição a estímulos condicionados, dependência física, crenças pessoais e culturais e fatores situacionais e ambientais. Conclui-se que ainda há necessidade de novas pesquisas quanto às expectativas relacionadas às diferentes substâncias psicoativas e faixas etárias para uma melhor compreensão deste construto. Para a publicação de um artigo científico é necessário que se observem as recomendações estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003) que estrutura, de maneira geral, os seguintes elementos: pré-textuais, textuais, pós-textuais. Os elementos pré-textuais apresentam, na página de abertura, as informações que identificam o artigo; os elementos textuais apresentam os resultados do estudo em três partes logicamente encadeadas: introdução, desenvolvimento e conclusão; e os elementos pós-textuais apresentam as informações que identificam o artigo, traduzidos para uma língua estrangeira, conforme indicação da própria revista, como também, as referências, apêndices e anexos. Unidade 5 169

18 Universidade do Sul de Santa Catarina Conheça os itens que compõem cada um dos elementos da estrutura de um artigo. Elementos pré-textuais - os elementos pré-textuais são os seguintes: a) título - contém o termo ou expressão que indica o conteúdo do artigo; b) autoria - nome do autor ou autores, acompanhado de um breve currículo em nota de rodapé; c) resumo - apresenta objetivos, metodologia, resultados e conclusões alcançadas. Deve ser elaborado de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003); d) palavras-chave - termos indicativos do conteúdo do artigo. Elementos textuais - Os elementos textuais são constituídos das seguintes partes: a) introdução - apresenta o tema-questão-problema, justifica-o, expõe os objetivos e descreve a metodologia que foi adotada na realização da pesquisa; b) desenvolvimento - apresenta fundamentação teórica e os resultados do estudo; c) conclusão - analisa criticamente os resultados do estudo e abre perspectivas para novas investigações. Elementos pós-textuais - Os elementos pós-textuais são os seguintes: 170

19 Ciência e Pesquisa a) título e subtítulo (se houver) - escrito em língua estrangeira; b) resumo - o mesmo resumo que aparece como elemento pré-textual, porém escrito em língua estrangeira; c) palavras-chave - escritas em língua estrangeira; d) notas explicativas - citadas para evitar notas de rodapé; e) referências - apresenta as obras que foram citadas no corpo do artigo conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2002). f) Glossário - definição, em ordem alfabética, de termos que assumem significado específico no artigo; g) Apêndice - texto escrito pelo autor, que complementa as idéias contidas no desenvolvimento; h) Anexo - texto não escrito pelo autor, que fundamenta, comprova ou ilustra aspectos contidos no desenvolvimento; É importante salientar que nem todas as revistas científicas seguem rigorosamente a ordem dos elementos apresentados nesta seção. Alguns itens podem variar de acordo com as necessidades e/ou exigência de cada conselho editorial. Independentemente disso, é importante que professores e alunos sintam-se motivados para publicar os resultados de suas atividades científicas ou didáticas. SEÇÃO 6 - Projeto de pesquisa Para Gil (2002, p. 19), projeto de pesquisa [...] é o documento explicitador das ações a serem desenvolvidas ao longo do processo de pesquisa. Trata-se, portanto, do documento que nos permite planejar todas as ações inerentes à pesquisa. Unidade 5 171

20 Universidade do Sul de Santa Catarina Pesquisa não é pura coleta de dados mas um conjunto de ações orientadas por metas e estratégias a serem atingidas na tentativa de buscar respostas para um determinado problema. De modo geral, um projeto de pesquisa deve oferecer respostas às seguintes indagações: Pergunta Indicação O que pesquisar? Com que base teórica pesquisar? Por que pesquisar? Que ações serão desenvolvidas na pesquisa? Quem pesquisar? Onde pesquisar? Quando pesquisar? Como pesquisar? Com quanto pesquisar? Determinação do objeto da pesquisa por meio da apresentação, principalmente, do tema, delimitação do tema e da problematização Referencial teórico e/ou marco teórico e/ou revisão de literatura Justificativa Objetivos Sujeitos Unidade ou local de observação e/ou coleta de dados Cronograma Determinação dos métodos e técnicas Orçamento Modelos de roteiro É comum encontrar na literatura de metodologia científica e da pesquisa vários modelos de roteiro de projeto de pesquisa. O modelo apresentado a seguir não deve ser entendido como único e absoluto, ao contrário, deve ser entendido apenas como um roteiro que nos permite entender quais são as etapas que se sucedem na elaboração de um projeto. 172

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