Programa de Prevenção de Maus-Tratos em Pessoas Idosas

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1 Programa de Prevenção de Maus-Tratos em Pessoas Idosas Catarina Paulos Jornadas Litorais de Gerontologia: Intervenção Técnica no Processo de Envelhecimento Amarante, 26 de Setembro de 2007

2 Conteúdos Conceito de mau trato Categorias de maus tratos Factores de risco - vítima - agressor - maus tratos em instituições Prevenção - primária - secundária - terciária Prevenção: pressupostos a considerar

3 Mau Trato em Idosos Comportamento destrutivo dirigido a pessoa idosa, que ocorre no contexto de uma relação onde existe confiança, reveste intensidade ou frequência suficiente para produzir efeitos nocivos de carácter físico, psicológico, social ou financeiro, acarretando sofrimento, lesão, dor, perda ou violação de direitos humanos e diminuição da qualidade de vida. (Hudson, 1991)

4 Mau trato Categorias: Físico Psicológico Económico Negligência (física, psicológica) Medicamentoso Sexual Violação de direitos

5 Factores de risco

6 Factores de risco Associados à vítima Idade avançada; Deterioração cognitiva e alterações do comportamento; Dependência física e/ou emocional em relação ao cuidador; Isolamento social; Antecedentes de violência; Género feminino.

7 Factores de risco Associados ao agressor Sobrecarga física e/ou emocional; Perturbações psicopatológicas Abuso de álcool e/ou de outras drogas; Isolamento social; Pouca preparação para a prestação de cuidados; Cuidador depende economicamente do idoso; Experiência familiar de violência.

8 Factores de risco Para os maus tratos em instituições Pessoal com pouca formação; Sobrecarga de trabalho; Falta de pessoal; Instituição mal adaptada às necessidades dos idosos; Falta de recursos materiais; Normas de funcionamento inadequadas; Desresponsabilização; Falta de controlo por parte da instituição.

9 Primária Prevenção Actos destinados a evitar o aparecimento de maus tratos através do controlo das causas e dos factores de risco. Secundária Actos destinados a diminuir a prevalência de maus tratos mediante a detecção e a intervenção precoce de forma a evitar as consequências mais graves e a reincidência. Terciária Actos destinados a diminuir as consequências de uma situação de maus tratos já produzida, minorando as sequelas e proporcionando qualidade de vida ao idoso.

10 Prevenção primária Informação/Acções de sensibilização Formação Promoção de envelhecimento activo

11 Informação/Sensibilização Meios de comunicação social - Programas informativos (envelhecimento, direitos e deveres, maus tratos, recursos disponíveis para idosos e cuidadores) Folhetos informativos - Centros de saúde, hospitais, juntas de freguesia, paróquias, associações recreativas Escolas - Trabalhar estereótipos associados à idade

12 Formação Técnicos de saúde - currículos dos cursos devem incluir formação específica na área dos maus tratos Cuidadores (formais e informais) Voluntários

13 Formação a cuidadores Formação técnica -processo do envelhecimento, conceitos de saúde/doença, nutrição, higiene, locomoção, medicação/riscos da sobremedicação, cuidados a ter para com o idoso dependente, recursos sociais e comunitários disponíveis. Formação comportamental - gestão de conflitos, gestão do stress, estratégias de coping, técnicas facilitadoras da comunicação, lidar com a morte, luto.

14 Envelhecimento Activo Estilos de vida saudáveis geradores de autonomia; Reforço de capacidades como a autodeterminação; Combater o isolamento; Promoção de intergeracionalidade; Oportunidade de aprendizagem ao longo da vida (maximização de capacidades); Adaptação da habitação; Participação activa na sociedade (associativismo, cidadania).

15 Prevenção secundária Detecção de maus tratos Identificação e detecção de factores de risco do idoso e do cuidador Apoio aos cuidadores Formação continuada a cuidadores

16 Detecção de maus tratos Entrevista Escalas de avaliação/questionários Exploração de sinais físicos Avaliação do estado psicológico e emocional (depressão, ansiedade, confusão...) Equipa multidisciplinar

17 Detecção de maus tratos Entrevista Entrevistar o idoso e o cuidador em separado Garantir a confidencialidade Empatia Escuta activa Abordar factores de risco - perguntas abertas - perguntas mais concretas

18 Entrevista Exemplos de questões Idoso Sente-se seguro em casa? Está satisfeito com os cuidados que tem? Tem com frequência desacordos com? Quando vocês discordam de o que é que acontece? Cuidador Cuidar de um pai/mãe/residente com doença de Alzheimer deve ser muito difícil. Alguma vez perdeu o controlo?

19 Maus tratos - Sinais de alerta: - Atraso entre a lesão/doença e a procura de cuidados médicos; - Explicações pouco coerentes em relação à origem de lesões; - Lesões em vários estados de cura; - Contradições entre o relato do idoso e do cuidador (quando agressor) - Perda de peso, má nutrição, desidratação; - Despreocupação com a higiene; - Sensação de desamparo; - Confusão, desorientação, medo; - Agitação; - Baixa auto-estima; - Depressão.

20 Apoio aos cuidadores Grupos de apoio - partilha de experiências - gestão do stress - desenvolver estratégias de coping -desenvolver estratégias de resolução de problemas - diminuir o isolamento - partilha de informação (recursos sociais disponíveis)

21 Programa de Formação para o staff de lares de idosos (Coalition of Advocates for the Rights of the Infirm Elderly CARIE, 1991) Módulos - Enquadramento geral sobre os maus tratos em lares de idosos - Identificação e reconhecimento do abuso - Causas possíveis para o abuso - Sentimentos subjacentes à prestação de cuidados - Perspectiva cultural e implicações na dinâmica staff- idosos institucionalizados - Abuso sobre o staff por parte do idoso - Questões éticas e legais em reportar casos de maus tratos - Estratégias de intervenção na prevenção dos maus tratos

22 Prevenção terciária Tratamento e reabilitação do idoso vítima de maus tratos - apoio médico, psicológico, social, jurídico, económico Tratamento e reabilitação do agressor - Intervenções psicoterapêuticas (técnicas de autocontrolo, tratamento de casos de alcoolismo e de toxicodependência...)

23 Pressupostos Prevenção Grupo multidisciplinar (médicos, enfermeiros, psicólogos, serviço social...); Participação dos serviços de saúde (registo dos casos e participação em programas de prevenção); Desenvolvimento de planos de acção em cooperação com as entidades envolvidas nestes assuntos (saúde, autarquias, escolas, organizações de voluntariado...); Existência de programas específicos para os grupos de maior risco ou mais vulneráveis.

24 Jornadas Litorais de Gerontologia: Intervenção Técnica no Processo de Envelhecimento Catarina Paulos Psicóloga Mestre em Medicina Legal e Ciências Forenses

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