AS QUESTÕES DAS MULHERES PERIFÉRICAS SOB UM OLHAR DE PESQUISADORAS PERIFÉRICAS

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1 AS QUESTÕES DAS MULHERES PERIFÉRICAS SOB UM OLHAR DE PESQUISADORAS PERIFÉRICAS Renata Miranda Lima Isolda Pereira dos Santos RESUMO: O objetivo na comunicação oral para o 13º Congresso Mundos de Mulheres (Women s Worlds Congresso) é refletir sobre algumas questões das mulheres periféricas, dentre elas: territorialidade, reconhecimento e emancipação no enfrentamento de violências cotidianas violência doméstica, precariedade do trabalho, falta de creches, moradia, saúde e (I) mobilidade nas periferias da capital de São Paulo. Assim, a pesquisa visa transmitir como estas mulheres vêm resistindo historicamente às agruras que lhes são impostas dia a dia e como são capazes de elaborar estratégias para o enfrentamento de seus sofrimentos em busca de seus sonhos. Trata-se, desse modo, de refletimos neste evento, os resultados preliminares de duas pesquisadoras negras que vêm desenvolvendo seus projetos de pesquisa sob o respaldo do Núcleo Juvenil de Pesquisa Comunitária, que se estabelece pela integração entre universidade e comunidade. Tudo isso, no intuito de transferir para a comunidade, tecnologias de metodologia científica, de forma articulada com a troca de saberes para promover o território como espaço de integração e protagonismo juvenil. O projeto de pesquisa está situado no CDHEP - Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo. Palavras-chave: Mulheres. Periferia. Resistência. Protagonismo juvenil. Introdução O CDHEP - Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo é uma organização não governamental com 36 anos de existência, que tem como objetivo promover estratégias de formação, articulação, comunicação e incidência em políticas públicas para prevenir e superar as diversas formas de violência existentes nas periferias. O CDHEP propôs um projeto experimental de jovens pesquisadoras, em que seu público-alvo é formado por jovens negras, estudantes de cursos de graduação ou graduadas, moradoras e atuantes nos coletivos da região (distritos de Campo Limpo, Capão Redondo, Jardim São Luís e Jardim Ângela). Tal projeto se justifica pela carência de dados de pesquisa aplicada no território, que possam melhor explicar e subsidiar políticas públicas na região. Assim, busca-se fortalecer o debate e a luta por direitos. Para tanto, em parceria com universidades, visa formar jovens pesquisadoras da região, em métodos qualitativos e quantitativos de pesquisa social e 1

2 incentivá-las à participação em instâncias decisórias de poder local e regional, a fim de, contribuir para dar visibilidade às demandas do território. Objetiva se que as jovens pesquisadoras se tornem protagonistas no seu cenário e em seu território, e que possam trabalhar na produção de diagnósticos e sistematização das pesquisas, por meio de vídeos, textos e áudios no estudo de mulheres em sua historicidade de lutas e enfrentamentos. Serão discutidos, nesta apresentação, dois projetos: um voltado à participação de mulheres negras na política e o outro à mobilidade de mulheres negras. Procedimentos da Pesquisa O primeiro estudo se debruça sobre a mobilidade urbana no bairro do Jardim São Luís, e reflexos no acesso à educação superior de mulheres negras da periferia. Este se propõe, a compreender como o transporte e a mobilidade urbana, interferem no acesso à educação superior destas. O objetivo do segundo estudo tem como tema os desafios de participação das mulheres negras na política, em que prioriza investigar a atuação do Fórum de Políticas para Mulheres, que é realizado no território cenário da pesquisa, na promoção de uma política de direitos. Esta avaliação visibilizará às ações de luta e resistência das mulheres e seus enfrentamentos. O foco deste estudo é a participação das mulheres no espaço de poder político, especificamente as mulheres negras dos territórios periféricos. Os dois estudos serão desenvolvidos no enquadre de pesquisas qualitativas (GIL, 1989, p. 28), partindo do pressuposto que, como pesquisadoras, contam histórias: Nós contamos histórias e nós nos tornamos as histórias que nós contamos. Os contadores e contadoras de histórias nos contam sobre valores, sobre heróis, heroínas, sobre o passado e sobre o presente, para que possamos vir a ser as histórias que são contadas. Seguramos seus aventais, sentamos no chão a seus pés e nos localizamos e posicionamos nas tramas que aí desenrolam. ( P. SPINK, 2003, p.22) Conforme afirma Carlos Eduardo Mendes, quando conversamos, dialogamos, contamos algo, nossas palavras referem-se ao mundo que nos envolve com sua realidade e suas ficções. (2014, p. 14) Assim, nossas temáticas são frutos da vivência de cada pesquisadora. Desse modo, o método utilizado nas duas pesquisa aqui mencionado, têm por objetivo formar jovens pesquisadoras negras para a produção de pesquisas, com fôlego teórico 2

3 cientifico que possam beneficiar a comunidade e a mobilidade social das próprias pesquisadoras. Vale apontar que, a proposta desenvolvida tem como foco as questões da mulher negra na periferia. Para tanto, as pesquisas têm como contexto o cotidiano da periferia. Mas o que é o cotidiano? Peter Spink (2008, p. 2) pergunta: Será que a expressão se refere a algo simplesmente mundano, uma parte corriqueira e irrelevante da vida, separada e distinta dos acontecimentos importantes ou, ao contrário, o cotidiano é tudo que temos? O autor explica: Todos vivem no seu cotidiano, sejam eles presidentes, prefeitos, reis e rainhas, chefes, escriturários, moradores de rua ou qualquer um de nós. Podemos, no jogo dos sentidos, valorizarem o cotidiano de alguém como sendo importante no sentido institucional. Todos nós, independentemente de onde estamos e quem somos, acordamos pela manhã e entramos no dia que temos pela frente; dia este que nada mais é que um fluxo de fragmentos corriqueiros e de acontecimentos em microlugares (P. SPINK, 2008, p. 2). O termo micro-lugares, visa chamar a atenção para a importância do acaso diário, dos encontros e desencontros, do falado e do ouvido em filas, bares, salas de espera, corredores, escadas, elevadores, estacionamentos, bancos de jardins, feiras, praias, banheiros e outros lugares de breves encontros e de passagem (P. SPINK, 2008, p. 2). Trata-se, portanto, de uma pesquisa qualitativa desenvolvida de modo participativo na qual o conhecimento de cada jovem pesquisadora e de suas interlocutoras está sendo reconhecido e valorizado. As duas pesquisas serão desenvolvidas em três etapas. A primeira volta-se à revisão bibliográfica por meio da análise de bancos de dados de produções em artigos, livros, teses e dissertações como primeiro passo importante o preparo que antecede o trabalho de campo. A base de dados e estudo bibliográfico há de permitir acesso a materiais que foram produzidos ao longo do tempo e em locais diferentes, sobre assuntos que interligam nossas pesquisas e questionamentos. O que há de ampliar horizontes e auxiliar, na organização das informações fortalecendo argumentos, críticas e posicionamentos (LANG et al, 2015, p. 63). A segunda etapa consiste no levantamento de documentos que ajudam a contar a história do território e a participação das mulheres que nele residem. Com base nas informações obtidas nas duas primeiras etapas, passa-se à fase de trabalho de campo propriamente dita. 3

4 A Mobilidade da Mulher Negra da Periferia: resultados preliminares A questão da mobilidade de mulheres negras na periferia, segundo revisão bibliográfica já realizada, envolve duas temáticas: o que vem a ser periferia e a mobilidade propriamente dita. Ao falarmos de território periférico é importante compreender que a construção de periférico é resultado histórico da segregação, tanto social quanto espacial que é uma característica das cidades. Diferentes regras organizam o espaço urbano e estes nada mais são que padrões de diferenciação social e de separação. Elas variam cultural e historicamente, revelam os princípios que estruturam a vida pública e indicam como os grupos sociais se inter-relacionam no espaço da cidade (CALDEIRA, 2003, p. 211). O território pesquisado, conforme dados do IBGE, de 2012 é predominantemente composto por autodeclarados negros e pardos; que a juventude desse território vive em meio aos problemas de acesso a direitos sociais e econômicos ; que no território há riscos no meio ambiente com deslizamentos e transbordamento de córregos e enchentes e que há riscos de morte por causas externas tais como acidente de carro ou motocicleta, morte por bandidos e por alguns policiais, tráfico de drogas. (MENDES, 2014, p. 23 e 24). Assim, são negados sistematicamente e simultaneamente direitos à saúde, educação, cultura, lazer entre outros. Evidente é a desigualdade que se perpetua ao longo da história, e se agrava ainda mais quando se fala de mulheres negras em territórios periféricos. Neste contexto, o sexo, a cor da pele e o território habitado é o marcador extremo da desigualdade, e as mudanças ocorridas são pequenos passos durante um longo percurso para um reconhecimento e emancipação dessa mulher, a legitimação de direitos é oprimida pelo sistema reprodutor de machismo e preconceitos que se prolifera em um embate constante entre consciência e inconsciência. Por sua vez, a mobilidade tem importante função na cidade, uma vez que é crucial na realização da cidadania. É por meio dela que os indivíduos podem atender as suas necessidades e desenvolver aptidões. Contudo, ela só pode ser efetiva e real, quando se atenta as necessidades particulares dos grupos sociais, pois, somente assim, de fato, estará apta a contribuir para a efetivação do direito à cidade (SPECIE et al, 2016). Vários são os motivos, ligados inclusive ao exercício de Direitos Fundamentais, para se viver em uma grande cidade: localização de escolas e universidades (Direito à Educação); de grandes empresas e oportunidades de emprego (Direito ao Trabalho); de parques e museus (Direito à Cultura e ao Lazer); de clínicas e hospitais de 4

5 referência (Direito à Saúde), os quais podem ser fruídos pelo cidadão se garantido o Direito a Mobilidade Urbana (LIMA, 2016, p. 81). Como bem trabalhado por Ferreira Filho A liberdade de locomoção, assim impropriamente chamada, pois é o direito de ir e, vir e também ficar (...) é primeira de todas as liberdades, sendo condição de quase todas as demais. (1996, p, 255). Por conseguinte, é importante trabalhar as questões de mobilidade porque esta cria mecanismo de equidade social, garantia de cidadania, diminuição de desigualdades sociais e instrumento de mobilidade social (OLIVEIRA JÚNIOR, 2011, p. 63). O objetivo de estudar a mobilidade realizada por meio do transporte público via ônibus e a mobilidade a pé se justifica em estudos realizados em 2012, pela Companha do Metropolitano de São Paulo que, a partir de dados desagregados de padrões de deslocamento na cidade, por meio de pesquisa de origem e destino (OD) 1. Estes apontam que mulheres usam mais intensamente o transporte coletivo e se deslocam mais a pé que os homens (MEKARI, 2016). Enquanto 34,1% da mobilidade das mulheres e feita a pé, o percentual dos homens é de 27,8%. Na mobilidade feita via ônibus, enquanto a mulher atinge índice de 24,6%, homens ficam em 18,9%. Mas, quando se trata da mobilidade concretizada por automóvel, em que a mulher está dirigindo, o percentual fica em 13,7, enquanto com o homem o valor vai para 26,4%. Com isso pode-se concluir que o acesso ao transporte individual como principal condutor do automóvel ainda é majoritariamente masculino (MEKARI, 2016). Quando os dados são analisados à luz da renda familiar, os números mostram um enorme abismo entre mulheres de diferentes classes sociais. Mulheres que têm ganhos de até R$ 2.488, fazem 3% de suas viagens na direção de veículos. Já mulheres com renda mais alta (em valores que superam R$ 9.330) realizam 45% de suas locomoções dessa maneira (SPECIE et al, 2016). Na análise dos destinos de viagem e motivos, e os resultados foram que 34,9% das respostas correspondem à educação como motivo de se locomover na cidade para as mulheres, enquanto para os homens o percentual é de 29,1%. Com isso pode se perceber que a educação é majoritariamente buscada por mulheres, mas sua efetivação é 1 A OD é um levantamento quinquenal, de caráter domiciliar amostral, que descreve as viagens seus tipos, destinos e modais realizadas pelos habitantes da Região Metropolitana de São Paulo. 5

6 majoritariamente concretizada pelo transporte público e a pé. Por tais motivos está pesquisa têm como recorte apenas estas duas modalidades de transporte: ônibus e a pé (MEKARI, 2016). Questiona-se o ter direito à cidade. Conforme prevê a Carta Magna em seu artigo 182 caput e o Plano Diretor Estratégico no artigo 5, inciso V, deveríamos ter direito de se deslocar pela cidade de maneira adequada (SPECIE et al, 2016). Importante colocar que o Plano Diretor Estratégico da Cidade no artigo 303, inciso I, em que tem como objetivo a proteção de grupos sociais mais vulneráveis, dentre eles a mulher. Entretanto, é importante perceber que a mulher negra não pode ser tratada de maneira genérica diante de suas especificidades, vez que estas se concentram majoritariamente em bairros mais preconizados, violentos e, consequentemente, são mais vítimas de violência. Do contrário mais uma vez as políticas não serão efetivadas. Para compreender a estrutura da discriminação que a mulher negra está inserida é necessário olhar o período escravocrata que, findou-se legalmente em 1888, contudo, como todo Direito Humano, sua conquista plena exige que se atravesse a ponte do plano jurídico a fim de que se desça ao plano real na efetivação social. Porém, até o presente momento, negros e negras vivem resquícios do período pósescravidão de segregação racial que os marginalizam e mantém o racismo estrutural pelo sistema político-econômico capitalista hoje (INÁCIO, 2014, p. 2459). Com o fim da escravidão, o negro não encontra lugar no mercado de trabalho, por isso ocupavam postos considerados desvalorizados, o que fez com que se se perpetua a marginalidade, informalidade e precariedade impostas historicamente (INÁCIO, 2014, p. 2466). Nessa conjuntura a mulher negra sofreu maior negligência de direitos e em segregação, pois, não tinha local de fala, escuta e voz. Em suma, não lhe fora permitido ocupar posição de falar por si mesma. Por tais razões, as questões que discrimina a mulher, brotaram de um sistema escravocrata e capitalista que a colocou como inferior e em um lugar de violências das mais diversas, dentre elas, as sofridas pela precariedade de direitos disponíveis que afetam a saúde, educação, segurança, moradia digna, mobilidade segura e efetiva. Tudo é resultado da ausência de mulheres como protagonistas na construção das decisões que recaem sobre elas. A ausência de mulheres no poder político e na tomada de decisões dificulta as conquistas e manutenção de nossos direitos. 6

7 Os Desafios de Participação das Mulheres Negras na Política: resultados preliminares A participação das mulheres no espaço de poder político é de extrema importância, especificamente as mulheres negras dos territórios periféricos, pois além de executar políticas locais, influencia na tomada de decisões que impactam na vida da mulher em comunidade. A dificuldade de diálogo ainda é um déficit na democracia do país. Cabe, portanto, reforçar que tal déficit se ocupa de revestir as lutas destas mulheres de invisibilidade, mesmo que não se possa contar a história das periferias sem a devida menção ao protagonismo feminino. (CAMPOS, 2015) A discussão sobre participação política feminina historicamente enfrenta várias questões, que estão para além do feminismo e por isso suas estratégias precisam ser vistas (PINTO, 2001, p. 101). Segundo Ângela Davis, cabe às mulheres negras um papel essencial, por se tratar do grupo que, sendo fundamentalmente atingido pelas consequências de uma sociedade capitalista, foi obrigada a compreender, para além de suas opressões, a opressão de outros grupos (2016, p. 13). O principal objetivo de ocupar tais espaços é apresentar modificações que avancem a questão de gênero e raça, bem como pressionar a rejeição de projetos já aprovados e direitos garantidos para as mulheres, é nesse sentido que caminham as pautas proposta nos Fóruns de Política para Mulheres, que dialogam entre poder público e sociedade civil. Há diversas formas de violências em relação à mulher na sociedade, muitas vezes de modo oculto, diante disso desvendar essas ocultações se faz necessário. Pensando na política como forma de organização, esta configuração auxilia na emancipação e autonomia da mulher a fim de cessar uma submissão imposta pelo machismo emergente na sociedade. É evidente a intensificação da luta no combate à disparidade de espaços de poder em meio ao território em todas as formas políticas, visibilizando a necessidade de inclusão de mulheres em todos os âmbitos sociais como protagonistas de suas histórias que promovem sororidade. Penso que urge um programa de inclusão das mulheres na vida política, que não poder ser entendido como confecção de cartilhas ou campanhas publicitárias, mas, e 7

8 eu estou convencida disto, como um programa para dar voz às mulheres, para construir espaços nos quais as mulheres falem. Dar a palavra para as mulheres - e só as mulheres podem fazê-lo de modo a não construir novas relações de poder. Esta certamente não é uma ação suficiente, o "caminho das pedras", porque não há tal caminho, mas certamente é essencial (PINTO, 2010, p. 22). A pesquisa visa compreender e analisar o Fórum de Política para Mulheres que há na região Sul de São Paulo (junto a ele existe mais quatro Fóruns para representação de outras regiões), modelo constituído pela Prefeitura de São Paulo na gestão de governo de Fernando Haddad, prefeito da cidade entre 2013 e 2016, pensando em um espaço no qual as mulheres majoritariamente negras da sociedade civil e poder público com o objetivo fortalecer a participação feminina no município para que possam debater e avaliar as ações da Prefeitura em uma perspectiva de gênero. Sendo assim representadas por vinte mulheres da sociedade civil e cinco mulheres do poder público, deu-se inicio com as eleições para delegadas, que foram realizadas em plenárias deliberativas em março de 2015, com a proposta de oferecer curso de capacitação para as mulheres eleitas com o tema políticas publicas de gênero e as demandas das mulheres na cidade, um projeto da extinta Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres (SMPM). A partir da eleição e curso realizado, houve uma cerimônia de posse das delegadas e a participação das mesmas para construção do regimento interno do Fórum, cabe ressaltar que as delegadas e coordenadoras também participaram da construção do Plano Municipal de Políticas para Mulheres. Ao fim desse processo deu-se início as reuniões para articulação das ações futuras do fórum na região, mobilizando outras mulheres e discutindo temas no que diz respeito ao olhar do poder público à essa mulher do território periférico. (Secretaria de Política para Mulheres 2015, p. 3) Para compreender porque as mulheres nos espaços institucionalizados da política e do poder, a exemplo do parlamento brasileiro, estão em desvantagem (e até excluídas), é necessário compreender primeiro porque as mulheres, de uma forma abrangente e generalizada, mesmo após três grandes ondas de conquistas feministas no país (PINTO, 2003). Com a extinção da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, não há mais institucionalização do Fórum com a Prefeitura, portanto, as ações realizadas para emponderamento da mulher nos espaços e a discussão sobre políticas publicas são realizadas de forma autônoma e sem vínculo com o Governo. Foi constatado pelas participantes que a quantidade de mulheres que frequentam as reuniões não atende as expectativas, nesse sentido 8

9 foi levado em consideração à importância da formação da Executiva do Fórum com a participação das Delegadas que dispõe de mais tempo. A história das mulheres negras no Brasil, que tem em sua herança histórica a marca cruel da escravatura, não foi dignamente contada. O silenciamento da história, de diversas mulheres negras líderes em seus tempos, impede a representatividade de figuras femininas negras com as quais as mulheres possam se identificar (Portal da Prefeitura de São Paulo, 2015). Neste sentido o dialogo entre Alves e Nobrega contextualiza que: a união possibilita implantação e formulação de políticas organizadas para comunicação eficiente visando uma construção de equidade de gênero. O grupo demonstra a necessidade de enfrentar desafios para manter e garantir direitos, dialogar questões do racismo, ousar inovações e descobrir novos caminhos para interação para outras mulheres (2013, p. 2). Considerações Finais Na presente discussão, sistematizam-se conclusões parciais e resultados preliminares. É necessário dar visibilidade as demandas locais e a segregação de gênero no território, com padrões de diferenciação social e separação de classe, neste contexto agrava os problemas de acessos à direitos sociais e econômicos que são negados nas possibilidades de efetivação, pois as necessidades dessas mulheres são reais e a privação de liberdade na locomoção afeta a emancipação e a autonomia, tendo em vista a tripla jornada de trabalho realizada por elas. A ausência de mulheres na construção de política públicas como protagonistas atinge diariamente estas, com violências sofridas na sociedade. Assim, como a não efetividade de políticas publicas auxilia em todas as opressões supramencionadas. É necessária modificações na execução de tais políticas para que haja avanços positivos nas questões de gênero. A capacitação e a inclusão das mulheres em espaços de decisões possibilitam a descoberta de novos caminhos de enfrentamento para garantir e manter direitos, além de interação com outras mulheres da comunidade. Desta forma pode-se ressaltar que a demanda das mulheres não é devidamente vista, e sobre elas recaem um silenciamento e a falta de subsídio para uma vida de bem-estar social. 9

10 Referências ALVES, Sandra Cristina Santos e NOBREGA, Ionara. Produção do Conhecimento em Educação Profissional. Natal: IFRN, BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de DF: Senado Federal, Disponível na internet no site: Acesso em 23/06/2017. BRASIL. Plano diretor Estratégico do Município de São Paulo lei n de São Paulo SP: Disponível no site: 31%20-%20LEI% %20-20PLANO%20DIRETOR%20ESTRAT%C3%89GICO.pdf. Acessado em 12/06/2017 CALDEIRA. Teresa Pires. Cidade de Muros: Segregação e cidadania em São Paulo. Tradução de Frank de Oliveira e Henrique Monteiro. 34 Ed. São Paulo: Edusp, p. CAMPOS, Ana Cristina. Participação das mulheres na política é tema de debate no Senado. Brasília: Repórter da Agência Brasil, Disponível no site: Acesso em 24/03/2017. DAVIS, Ângela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo Editorial (1944) tradução HECI Regina Candiani. FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves da Silva. Curso de direito constitucional. 23 Ed. São Paulo: Saraiva GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social, 2 Ed. São Paulo: Editora Atlas S.A 1989, p INÁCIO, Miriam de Oliveira. Mulher, raça e etnia. 18 REDOR da Universidade Federal do Pernambuco: Disponível no site: Acessado em 12/06/2017. LIMA, Renata Miranda. Direito de ir e vir: Mobilidade Urbana na Cidade de São Paulo. IV Congresso Nacional da FEPODI. Federação Nacional de Pós-graduandos: Disponível no site: Acessado em 23/06/2017. MEKARI, Danilo. Estudo traça panorama da mobilidade urbana de mulheres em São Paulo. São Paulo SP: UOL, Disponível no site: Acessado em 12/06/

11 MENDES, Carlos Eduardo. Os sentidos de futuro para jovens: por caminhos do capão redondo e do jardim ângela na periferia paulista. Catalogação na biblioteca Dante Moreira Leite. Dissertação de Mestrado no Programa de Pós-graduação da Universidade de São Paulo: Psicologia Social, Disponível no site: file:///c:/users/renata%20miranda/downloads/mendes_corrigida-1.pdf. Acessado 23/06/2017. OLIVEIRA JUNIOR, João Alencar de. Direito a mobilidade urbana: a construção de um direito social. 33 Ed. São Paulo: Revista dos transportes públicos ANTP. [S.I]. 1 quadrimestre/2011, p Disponível no site: rbana/docs/antp_direito_a_mobilidade_urbana.pdf. Acesso em 23/06/2017. PINTO, Céli Regina Jardim. Feminismo, história e poder. Curitiba: Revista sociologia e política, 2010, p Uma história do feminismo no Brasil São Paulo: Fundação Perseu Abramo.. Paradoxos da participação política da mulher. n 49 Ed. São Paulo: Revista USP, 2001, p QUEIROZ, Delcele M. Ações afirmativas na universidade brasileira e acesso de mulheres negras. 8 Ed, Bahia: Revista Ártimis, junho de 2008, p LANG,C.H.; ; BERNARDES, J. de S.; ; RIBEIRO, M.A.T &; ZANOTTI, S.V. (Org.). Metodologias: pesquisa em saúde, clínica e práticas psicológicas. Maceió: EDUFAL, 2015, p Secretaria de política para mulheres. Disponível no site: acesso em 18/06/2017. Secretaria Municipal de política para mulheres. Disponível no site: acesso em 20/05/2017. SPECIE, Priscila; VANETI, Vitor César; MOUALLEM, Pedro Salomon Bezerra. A mobilidade das mulheres na cidade de São Paulo. 25 Ed. Prefeitura de São Paulo: Informes urbanos, novembro Disponível no site: Acessado em 12/06/2017. SPINK, Peter Kevin. O pesquisador conversador no cotidiano. 20 Ed. Porto Alegre: Revista de Psicologia Social, Disponível no site: Acessado em 23/06/2017. SPINK, Peter Kevin. Pesquisa de campo em psicologia social: uma perspectiva pósconstrucionista. 15 (2). Pontifícia Universidade Católica - SP: Revista de Psicologia & 11

12 Sociedade: jul./dez.2003, p Disponível no site: file:///c:/users/renata%20miranda/downloads/pesquisa%20piter%20spink%20(2).pdf. Acessado em 23/06/2017. THE ISSUES OF THE PERIPHERAL WOMEN UNDER A PERIPHERAL RESEARCHERS' LOOK ABSTRACT: The pretension of our oral communication at the 13th Women's Worlds Congress (WW), of which we are proud to be able to participate, is to reflect the issues of peripheral women such as: territoriality, recognition and emancipation in coping with daily violence such as domestic violence, precariousness of work, lack of day-care centers, housing and health, in the outskirts of the capital of São Paulo. Such a pretension is actually that we talk about how these women historically have come to terms with the hardships that are imposed on them in their daily lives and how they are capable of elaborating their sufferings and pursuing their dreams. In this way, we reflect together in this event, the preliminary results of 5 black researchers who have been developing their research projects under the support of the Youth Research Community Center, which is built by the integration between university and community in order to transfer To the community technology of scientific methodology in an articulated way with the exchange of knowledge to promote the territory as a space for integration and youth protagonism. The research project is located at CDHEP (Center for Human Rights and Popular Education - Capão Redondo-SP). Keywords: Black Women, endurance, periphery, neighbourhood, youth protagonism. 12