Os documentos do processo disciplinar

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Os documentos do processo disciplinar"

Transcrição

1 . asse I I erar1a, ~ PCdoB Encarte especial da edição no de Outubro de 2003 Areunião do Comitê Central to/ firme e tranqüila. Na mesa, Péricles de Souza, Adalberto Monteiro e Nádia Campeão Os documentos do processo disciplinar Comitê Central do Partido Comunista do Brasil encerrou nos dias 27 e 28 de setembro, em Brasília, o processo disciplinar em face do voto dissidente dos parlamentares Sérgio Miranda, Jandira Feghali e Alice Portugal na votação da reforma da Previdência na Câmara Federal. Dos 51 membros do Comitê Central, 49 votaram a favor da Resolução, com duas abstenções, de Sérgio e Jandira. No dia 27, a reunião foi aberta com a intervenção do presidente nacional do PCdoE, Renato Rabelo que, em nome da Comissão Política Nacional, apresentou o conteúdo da instrução do processo disciplinar e as propostas de sanções. Em seguida, cada um dos parlamentares que proferiram o voto dissidente fez sua defesa. O debate que se seguiu foi intenso e marcado pelo equilíbrio, respeito e responsabilidade; entre titulares e suplentes do Comitê Central, 60 dirigentes usaram a palavra, demonstrando convicção em defesa da unidade e da política do Partido. Esta reunião do Comitê Central foi considerada uma das mais importantes dos últimos tempos, pela natureza dos problemas tratados e pela plena afirmação da unidade do Partido em torno de questões tão graves, com manifestação unânime em defesa do centralismo democrático e da aplicação da política partidária aprovada na ga Conferência. Leia, abaixo, a íntegra da Resolução do Comitê Central e, nas páginas seguintes, as defesas apresentadas oralmente ou por escrito pelos parlamentares. Esta edição não inclui o questionário proposto pelo Secretariado durante a instrução do processo disciplinar, nem as respostas dadas a eles pelos parlamentares; não inclui também notas e anexos -originais. Por se tratar de um documento, preservaram-se as referências ao deputado Afonso Gil, embora ele tenha se desfiliado do Partido antes da conclusão do processo. O RESOLUÇÃO DOCOMITÊCENTRAL O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil, PCdoB, após examinar e debater a instrução do processo disciplinar instaurado pela Comissão Política Nacional (CPN), aprova o parecer desta instrução de que os parlamentares da bancada comunista na Câmara Federal, Sérgio Miranda, Jandira Feghali e Alice Portugal, desrespeitaram as normas partidárias na votação da reforma da Previdência, em 6 de agosto, quando da votação em primeiro turno da matéria e em 27 de agosto, na votação em segundo turno. Em conseqüência, o Comitê Central, em defesa da unidade e da política do Partido aprovada na 9a Conferência Nacional, bem como em defesa do respeito às suas normas e àautoridade de seus órgãos de direção, decide aplicar a cada um dos parlamentares mencionados as sanções abaixo individualmente estipuladas. Estas medidas disciplinares têm uma finalidade educativa, uma vez que a construção ideológica e política do Partido Comunista se realiza, entre outros meios, pela força do exemplo. E o exemplo deve emanar sobretudo de seus órgãos de direção e dos que foram eleitos para eles. Esta finalidade educativa se destina, em especial, aos parlamentares que cometeram as faltas, no sentido de que revejam seus equívocos e se reencontrem com a disciplina e a política partidárias. As sanções aprovadas estão alicerçadas na seguinte fundamentação: a) A infração é grave, uma vez que o centralismo democrático - princípio no qual se assenta a construção orgânica e ideológica do Partido e que garante sua unidade - foi violado; uma decisão legítima emanada da instância superior de direção do PCdoB, o Comitê Central, foi desrespeitada no 1o turno, com recorrência no 2 turno da votação da reforma da Previdência. b) Este voto dissidente, de desrespeito a uma decisão do Comitê Central, é um fato único na história da representação parlamentar comunista no Congresso Nacional; c) Os três parlamentares violaram a disciplina partidária tendo plena consciência da gravidade da infração e dos prejuízos que ela provocaria ao Partido; d) São graves os prejuízos causados ao Partido pelo ato de indisciplina dos três parlamentares, notadamente por desrespeitar uma decisão política do Comitê Central e macular a imagem pública de um Partido coeso, com isso atingindo a autoridade do Comitê Central e as relações com as forças aliadas; e) Os parlamentares Sérgio Miranda e Jandira Feghali, membros do Comitê Central, objetivamente por esta condição têm sobre si uma responsabilidade especial, pois enquanto membros da mais alta instância de direção partidária jamais poderiam agir contra uma decisão do Partido, sobretudo, como foi o caso, de uma decisão tomada pelo próprio CC. Sobre Sérgio Miranda, há ainda uma singularidade em relação aos demais- ele é integrante da própria Comissão Política Nacional do CC; f) Quanto à autocrítica, reconhecimento sincero do erro e compromisso manifesto de superá-lo, ela é nula na defesa de Jandira Feghali. No caso de Sérgio Miranda e Alice Portugal, ambos reconhecem os efeitos negativos do ato de indisciplina, lastimam sua ocorrência; todavia, a infração é apresentada como relativa e produto de um conjunto de condicionantes e divergências de mérito com a decisão. Acresce à falta de Jandira o fato de ela ter divulgado a defesa apresentada mesmo antes de os membros do CC terem tido acesso ao documento e contra a orientação do Secretariado, através de notícia publicada na imprensa partidária, segundo a qual até a decisão do CC não se daria publicidade ao conteúdo da instrução do processo; g) Em que pese suas faltas, os três parlamentares, cada um com sua história, têm longa trajetória de serviços à construção do PCdoB e são em termos de sanções sofridas por infrações estatutárias. O Comitê Central ressalta que o amplo direito de defesa dos parlamentares já nomeados foi garantido desde a instrução do processo até o seu desfecho nesta reunião decisória. Foi, pois, rigorosamente obedecido o rito do Estatuto cujo objetivo é a adoção de decisões judiciosas que resguardem tanto seu respeito e aplicação, quanto os direitos que ele assegura aos mil. itantes. A decisão ora apresentada se dá nos marcos da legalidade partidária, no estrito exame da infração, de seu significado e conseqüências e, também, no exame do contraditório das defesas apresentadas. Finalmente, tudo considerado e com base no conjunto dos artigos do Capítulo IV, do Estatuto, "Da disciplina partidária", em especial, no que dispõe os artigos 11, 12, 13, e ainda no que estabelece a alínea "g" o artigo 29, o Comitê Central decide: Destituir SÉRGIO MIRANDA do Comitê Central pelo prazo de 8 (OITO) meses, ficando também neste período impedido de exercer funções de liderança da bancada federal e sem direito ao voto em suas reuniões. Destituir JANDIRA FEGHALI do Comitê Central pelo prazo de 8 (OITO) meses, ficando também neste período impedida de exercer funções de liderança da bancada federal e sem direito ao voto em suas reuniões. Fica também destituída da atual condição de vice-líder da bancada federal e de coordenadora da Comissão Nacional de Saúde do Partido. Censurar publicamente ALICE PORTUGAL pelo seu ato de indisciplina e dos prejuízos dele decorrentes ao Partido. Sua atitude foi incompatível tanto com a confiança que ne!~ depositou a militância e a direção partidária, quanto com os compromissos por ela assumidos com o Programa e o Estatuto do Partido. Alice Portugal fica, também, impedida pelo prazo de 5 (CINCO) meses, de exercer funções de liderança da bancada federal e sem direito ao voto em suas reuniões. Brasília, 27 e 28 de setembro de 2003 O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil - PCdoB

2 ACLASSE OPERÁRIA Encarte especial 2de outubro de2003 B Instrução do processo disciplinar - O presente documento é a instrução, realizada pelo Secretariado Nacional, do processo disciplinar instaurado pqr decisão da Comissão Política Nacional (CPN), em 9 de agosto de 2003, em face do voto dissidente proclamado pelos parlamentares Sérgio Miranda, Jandira Feghali, Alice Portugal e-afonso Gil quando da votação do substitutivo do relator José Pimentel da reforma da Previdência. D evidamente examinado pela Comissão Política Nacional (CPN) que o aprovou por unanimidade dos presentes na sua reunião de 12 e 13 de setembro, este documento é assim constituído: 1) Do objeto do processo disciplinar: flagrante desrespeito às normas partidárias; 2) Conteúdo e histórico da decisão violada; 3) Dos prejuízos causados ao Partido pelo ato indisciplinar; 4) Das defesas apresentadas; 5) Das sanções; e 6) Anexos: defesas dos parlamentares, documentos partidários, expedientes da instrução. 1J Do objeto do processo disciplinar: flagrante desrespeito às normas partidárias A Resolução da Comissão Política Nacional (CPN), Em def esa da Unidade e da Política do Partido, de 9 de agosto de 2003, decidiu pela instauração do presente processo disciplinar em decorrência do "flagrante desrespeito às normas partidárias praticadas pelos parlamentares Sérgio Miranda, Jandira Feghali, Alice Portugal e Afonso Gil". (l) A referida resolução da CPN assim qualificou o "flagrante desrespeito às normas partidárias": "O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil reuniu-se no último dia 2 de agosto, em São Paulo, para cumprir uma de suas responsabilidades, estabelecida pelo Estatuto do Partido no artigo 29, indicativo de que a ele compete dirigir a bancada federal de parlamentares. Nesse sentido, debateu e decidiu o voto do Partido referente ao relatório da reforma da Previdência, em fase fmal de deliberação no plenário da Câmara dos Deputados. A decisão tomada por 4 7 votos a 3 e 1 abstenção -, foi pelo voto favorável da bancada comunista ao relatório do deputado José Pimentel (PT-CE), explicitando-o como um voto de dimensão politica de apoio ao governo Lula, e reiterando as divergências do PCdoB quanto à oportunidade e ao teor dessa reforma. Desta reunião do Comitê Central (CC) participaram todos os integrantes da bancada que estão no exercício de seus mandatos. Essa posição do Comitê Central (CC) foi encaminhada pelos comunistas na Câmara Federal, tendo sido proclamada pelo lider da bancada em declaração de voto. Contudo, na votação ocorrida no plenário, no dia 6 de agosto passado, ao contrário do que sempre se deu ao longo dos anos, a bancada não votou unida. Quatro parlamentares: Sérgio Miranda, Jandira Feghali - estes dois membros do Comitê Central -, Alice Portugal e Afonso Gil, votaram em oposição a uma decisão democraticamente tomada pelo órgão superior de direção do Partido, o Comitê Central." (2) A CPN, ao analisar à luz do Estatuto partidário o significado desse voto dissidente dos quatros parlamentares antes citados, concluiu ter havido uma clara e inequívoca violação das normas partidárias: "Confrontando a atitude desses parlamentares com o Estatuto do Partido salta aos olhos que eles infringiram várias normas partidárias, transgrediram o próprio princípio diretor da organização do Partido, o centralismo democrático. O artigo 9 dispõe sobre os deveres dos membros do Partido, entre os quais destaca-se: 'salva- guardar, por todos os meios, a unidade do Partido como principal condição de sua força; aplicar -as decisões do Partido; observar a disciplina do Partido, igualmente obrigatória para todos os membros, independentemente de seus méritos ou dos cargos que ocupem'. No caso concreto é patente a violação de cada um desses deveres(...)" No segundo turno da votação, ocorrido em 27 de agosto, os 4 parlamentares mantiveram o voto dissidente, repetindo, pois, o desrespeito à já citada decisão do Comitê Central (3). A repetição do ato lesivo à unidade partidária, a ruptura com o centralismo democrático, por parte desses quatro parlamentares se deu a despeito da firme reação do conjunto do Partido em defesa de sua unidade e de sua política, reação que veio à tona entre a realização do primeiro e segundo turnos da votação. Primeiramente, ao repetir o voto dissidente, eles desconheceram a própria resolução da CPN, de 9 de agosto, que ao seu final, conclama a "militância e o conjunto das organizações partidárias a salvaguadar a unidade partidária". Foram ainda alheios a resoluções de direções de 16 Estados em defesa da unidade do Partido e de reprovação ao voto dissidente proclamado no primeiro turno. O Comitê Estadual da Bahia conclamou os quatro parlamentares a rever o voto e acompanhar o Partido no segundo turno da votação. A Comissão Política de Minas Gerais fez um apelo para que Sérgio Miranda não votasse contra a decisão do CC. O Comitê Estadual do Rio de Janeiro, Estado onde milita Jandira Feghali, posicionou-se plenamente favorável à resolução da CPN; e o mesmo fez o Comitê Estadual do Piauí, Estado de Afonso Gil. Além de terem desconhecido estes apelos, a recorrência aconteceu a despeito do diálogo empreendido pela Direção Nacional que, através da Presidência do Partido, buscou persuadir os quatro parlamentares a reverem a indisciplina cometida, o que possibilitaria, ao menos no segundo turno, que a bancada comunista votasse unida. Em suma, tinham com o segundo turno a oportunidade de se alinhar com a decisão do CC; contudo, optaram por rersistir no erro. 2) Do conteúdo e histórico da decisão violada O processo que regeu a tomada de posição do Comitê Central em relação à reforma 1 da Previdência assentou-se num amplo debate nas várias esferas do Partido, em especial na bancada comunista de parlamentares e no âmbito do próprio CC e da CPN, conforme já sublinhara a Resolução da CPN: "Já o artigo 10, ao discorrer sobre os direitos dos membros do Partido, assegura a cada um a participação nas discussões e decisões nas instâncias a que pertencem acerca do conjunto das questões da vida e da ação política do Partido. Neste processo de tomada de decisão as opiniões são apresentadas ' de forma livre e responsável'. O desfecho deste método de elaboração coletiva é arbitrado pela norma básica de que as decisões da maioria são acatadas, cumprem-se decisões do coletivo mesmo que delas se divirja. Na questão em exame, esses direitos foram largamente garantidos e assegurados. Até porque o PCdoB passa por um período de aperfeiçoamento crescente de sua demo- cracia interna, de que foi prova máxima a realização da 9" Conferência Nacional. Suas decisões, cada vez mais, são fruto da elaboração coletiva." Concretamente, a decisão do Comitê Central sobre a reforma da Previdência foi um exemplo desse método. Ela foi antecedida de inúmeras reuniões da bancada comunista, de 4 sessões da Comissão Política Nacional e 2 do próprio Comitê Central. Foi decorrência de uma reflexão amadurecida, esculpida por todos e com base na política traçada pelo coletivo na 9" Conferência e nas resoluções específicas do CC sobre o tema. Os quatro parlamentares participaram das duas reuniões do CC. Sérgio Miranda, membro da CPN, participou de todas as reuniões desta instância, tendo inclusive recebido a responsabilidade de apresentar um relatório sobre o assunto. E Jandira Feghali participou, além das reuniões do CC, de duas reuniões da CPN para as quais foi convidada. O CC fez duas reuniões para definir a posição do Partido frente a esta matéria. Na primeira, em 15 de junho, de um ponto de vista mais geral considerou tanto inoportuna a prioridade que assumiu a referida reforma na agenda do governo, quanto avaliou seu teor conflitante com a política partidária, no que concerne à recomposição e fortalecimento do Estado Nacional e à preservação e ampliação de direitos dos trabalhadores. Com base nesta análise o CC deliberou: "1) O PCdoB atuará no sentido de construir posições em comum na base de sustentação política do governo e com o movimento social, buscando um desfecho negociado entre o projeto original do Executivo, as propostas apresentadas pelo Partido e as posições defendidas pela CUT na representação dos trabalhadores; 2) O PCdoB participará das mobilizações em curso, entendendo-as como espaço de luta e disputa pelas nossas posições, seja quanto ao mérito da matéria da Previdência, seja quanto à direção política do movimento, em consonância com o aspecto central de nossa política, de buscar o êxito do governo Lula na condução do processo de mudanças reclamadas pela situação do país." (4) De fato assim aconteceu. O Partido atuou dentro e fora do governo e do Congresso sob esta diretriz traçada. A bancada comunista, com o camarada Inácio Arruda na sua Liderança, apresentou seis emendas com os propósitos acima enumerados. Os parlamentares realizaram intenso debate crítico e prepositivo sobre a matéria, tanto no âmbito do Parlamento, quanto na imprensa e debates públicos. Por sua vez, a liderança do governo, exercida pelo camarada Aldo Rebelo, atuou no sentido de o governo absorver as propostas do movimento social e outras áreas da sociedade. A área sindical do Partido, através da CSC, participou ativamente tanto das mobilizações em geral - inclusive da greve dos servidores quanto das negociações. Quando o CC voltou a se reunir no dia 2 de agosto, já próximo da votação em primeiro turno, a ele foi apresentado pelo presidente do Partido, Renato Rabelo, em nome da CPN, um balanço da jornada realizada e uma proposta de resolução. O Partido empreendera, de fato, em conjunto com outras forças políticas e sociais integrantes da base de sustentação do governo Lula, inten- sas articulações e mobilizações; enfim, uma gama de esforços pela modificação do projeto original do Executivo. O resultado a que se chegou foi a conquista de importantes alterações atenuandose com elas aspectos negativos anteriormente fixados e, no âmbito do que inicialmente estava estabelecido, alterou-se positivamente a proposta original desta Reforma. O CC concluiu que, embora o projeto tivesse conservado sua essência inicial, alcançara-se um determinado desfecho negociado como fruto das negociações empreendidas no interior da base aliada e da pressão das mobilizações dos trabalhadores. Face a isso, considerando-se sua condição de parte integrante do governo, seus compromissos com a Frente e considerando, também, a fase de consolidação em que ainda se encontra o governo Lula e que o voto contra do Partido nesta matéria, nesta circunstância concreta, poderia levar o governo à derrota e a seu conseqüente enfraquecimento; e levando-se ainda em conta, finalmente, que o voto contra conduziria o Partido a se distanciar do governo, o CC decide pelo voto favorável da bancada comunista ao relatório da reforma da Previdência, explicitando-o como um voto de dimensão política de apoio ao governo e reiterando as divergências do PCdoB com a oportunidade e o teor da reforma (5). A outra decisão desta mesma reunião do CC estabeleceu que o Partido não deveria votar a favor do destaque do PDT contra a taxação dos aposentados. Contudo, em relação a este tema da taxação dos aposentados e outras questões relevantes também ficou deliberado que seriam ainda objeto de negociações a serem conduzidas pela bancada sob o controle da CPN e do Secretariado. O CC pela primeira vez, dada a complexidade da matéria, admitiu que os parlamentares que, por razões politicas variadas, julgassem necessário extemar publicamente uma opinião pessoal sobre o assunto, poderiam fazê-lo através de uma declaração de voto. Conforme está fundamentado na resolução da CPN: "Compreende-se a existência de discrepâncias e opiniões conflitantes no debate sobre uma matéria complexa como esta, mas não é admissível que seja infringida a lei maior da organização do Partido, o centralismo democrático. Como demonstração dessa abertura - de ~e levar em conta opiniões diferentes-, a resolução do CC, mesmo reafirmando que por princípio a posição do Partido é uma só e que essa posição deveria ser externada pela liderança da bancada, pela primeira vez admitiu que os parlamentares fizessem um tipo de declaração de voto, tomando pública uma opinião pessoal distinta sobre o assunto." Em relação à primeira decisão, do voto favorável ao relatório Pimentel com as ressalvas já citadas, ela foi proclamada em nome do Partido pelo líder da bancada, Inácio Arruda, através de declaração de voto (6). Contudo, como já foi relatado, quatro parlamentares votaram em oposição a esta deci~ão. Quanto à da taxação dos aposentados, ocorreu que tanto o destaque do PDT quanto um outro destaque que havia sido feito pela liderança do PCdoB ficaram prejudicados por mecanismos regimentais. Ao final, foi a voto um destaque do PFL contra a taxação dos aposentados. Num esforço último

3 c ACLASSE OPERÁRIA Encarte especial 2de outubro de 2003 e extremo de se construir a votação unitária da bancada sobre a votação principal do Relatório sobre a qual havia uma decisão imperativa do CC de voto favorável, o presidente do Partido, após consulta a integrantes da Comissão Política a quem foi possível fazer, decidiu liberar o voto da bancada quanto à taxação dos aposentados. Resultado: sete votaram contra a taxação e quatro votaram a favor. Contudo, como atesta o documento da CPN este expediente resultou nulo nos seus propósitos, visto que a despeito dele, os quatro parlamentares não foram demovidos da decisão de se rebelarem contra a decisão do CC. 3) Dos prejuízos causados ao Partido Reunida em 9 de agosto, 3 dias após a proclamação do voto dissidente, a CPN já apontava os primeiros sinais dos efeitos danosos ao Partido causados por este episódio: "O resultado é que o Partido apresentou-se dividido, acontecimento que causou indignação da militância e estranhamento da opinião pública que sempre admirou a coesão do PCdoB. Essa justificada consternação expressa a sadia compreensão de que os mandatos parlamentares do PCdoB, conquistados pelo prestígio de sua legenda e política, bem como do trabalho generoso de sua militância, pertencem ao Partido, não podendo ser utilizados para debilitá-lo." A resolução da CPN acrescenta: "O debate de idéias e opiniões necessário para o Partido construir coletivamente seus caminhos, suas orientações políticas, foi conspurcado por essa atitude. A enriquecedora luta de idéias se dá nos marcos das regras e dos princípios partidários. Estes camaradas, uma vez na condição de defensores de uma posição minoritária, resolveram impô-la ao coletivo por via da indisciplina, colocaram a divergência acima do próprio compromisso com as normas do Partido. E a resultante é que os seus posicionamentos pessoais se sobrepuseram a uma decisão legitimamente construída e deliberada pelo Partido." De fato, o frutífero ambiente partidário de reflexão política, de elaboração, de debate, o amplo esforço coletivo de perscrutar os caminhos da atuação partidária nesta realidade inédita que o país vive desde a posse do governo Lula, foi bruscamente atingido pelos efeitos corrosivos dessa ruptura da unidade. Circunstancialmente, a militância e as organizações partidárias viram-se impelidas a priorizar a defesa do próprio Partido, a "agenda disciplinar" adquiriu objetivamente o status de prioridade. Transcorrido um tempo maior, pode-se aferir melhor os prejuízos causados. Maculou-se uma imagem pública construída em décadas de atuação que confere ao PCdoB o conceito de um Partido orgânico, sério, que atua unido nas batalhas que trava. Em razão da quebra da unidade política ter ocorrido justamente pela atuação de parte de sua bancada parlamentar federal, o fato adquiriu ampla repercussão nos meios de comunicação do país. Fatos de tal monta atingiram a autoridade do Comitê Central. Quando o centralismo democrático é desrespeitado e a unidade é ferida, a linha política que está no comando da'orientação partidária é seriamente prejudicada. É a unidade de ação que confere força concentrada ao Partido para que ele materialize a diretriz política que julga apropriada para esta e aquela conjuntura. No caso concreto, ao se rebelar contra a já citada resolução do CC, golpeou-se a linha política traçada pela 9" Conferência Nacional, cujo núcleo é atuar pelo êxito do governo na condução das mudanças. 4) Das defesas apresentadas tâncias históricas. Argumentações que, independentemente das intenções, objetivamente relativizam, anulam e negam o centralismo-democrático. Nas defesas é explicito que a quebra da unidade partidária e a afronta ao centralismo-democrático irromperam a partir da divergência dos quatros parlamentares com as razões políticas que levaram o CC a decidir pelo voto favorável do Partido ao relatório da reforma da Previdência. Divergem de o Partido, mesmo explicitando sua discordância com a essência da referida reforma, ter decidido por um voto favorável, de dimensão política, de apoio ao governo Lula. No âmbito da política, com destaque às defesas de Sérgio Miranda e Jandira Feghali, depreendem-se divergências de fundo com a linha traçada pela 9" Conferência Nacional, sobre o significado do governo Lula, sua composição, seu desempenho, suas perspectivas, e, em especial, acerca das relações do Partido com o governo. O direito de defesa, garantido pelo Estatuto, visa assegurar que as decisões tomadas neste terreno se dêem nos marcos da legalidade partidária, no estrito exame da infração, de seu significado e conseqüências e, também, no exame do contraditório das defesas apresentadas. Analisam-se se estas defesas confirmam ou não a falta imputada, se atenuam ou agravam o mérito do erro cometido. Em última instância, o Estatuto fixa um rito cujo objetivo é a adoção de decisões judiciosas, que resguardem tanto seu respeito e aplicação quanto os direitos que ele assegura aos militantes. No caso, nesta fase de instrução do processo foi rigorosamente garantido o amplo direito de defesa, conforme estabelece o Estatuto e, igualmente, também, como determinou a resolução da CPN. Inicialmente, os quatros parlamentares foram notificados através de oficio sobre a abertura do presente processo, sendo-lhes enviada cópia da resolução da CPN de 9 de agosto e sendolhes, também, informado que a CPN fixara o prazo de trinta dias, a partir da notificação, para apresentação da defesa ou pessoalmente ou por escrito. (ANEXOS 1, 2, 3, 4) Posteriormente, foi agendada, por oficio, (ANEXOS 5, 6, 7, 8) a apresentação de defesa perante o Secretariado Nacional. Compareceram à sede nacional do Partido, para as reuniões marcadas com esta finalidade Sérgio Miranda, dia 29 de agosto; e Alice Portugal, no dia 1o de setembro. Para garantir plena fidelidade às defesas apresentadas, as referidas reuniões foram gravadas. Posteriormente, foram enviadas cópias dos textos contendo a transcrição das fitas para receber o visto dos que desta forma apresentaram a defesa. Jandira Feghali optou por apresentá-la por escrito através de documento enviado ao Secretariado. O mesmo procedimento adotou Afonso Gil. As defesas apresentadas - embora cada uma tenha sua singularidade e, como tal, adiante uma a uma será contestada -, sobretudo as de Sérgio Miranda, Jandira Feghali e Alice Portugal, concentraram-se em justificar a ruptura da unidade de ação, a quebra das normas partidárias, o desrespeito ao princípio do centralismo-democrático, com uma argumentação que subordina as normas e o princípio à divergência com o conteúdo da decisão, às razões ético-morais, à complexidade da matéria em foco, a compromissos que este ou aquele tenha assumido com parcelas da sociedade. A validade do próprio centralismo estaria fortemente condicionada às circuns- Sobre o centralismo democrático O proletariado na sua luta revolucionária pela transformação da sociedade foi levado a concluir, após inúmeras batalhas, que para enfrentar e vencer o poderio das classes dominantes é imperativo que os oprimidos estejam unidos e que o partido que pretenda ser sua vanguarda, seu comando, tenha uma atuação política coesa e unitária. Até porque os opressores, apesar das contradições que têm entre si, se apresentam com uma coesão férrea quando a questão é derrotar o projeto de emancipação dos trabalhadores. Foi em decorrência desse aprendizado histórico que o movimento revolucionário concebeu o centralismo-democrático que, longe de ser uma simples norma organizativa, é um princípio de fundo ideológico, orgânico e político, sobre o qual se ergue a estrutura do Partido Comunista, que a ele dá uma singularidade ímpar entre os demais partidos, e a ele proporciona atributos para intervir coeso com sua política transformadora no curso real da luta de classes. As circunstâncias históricas, de menor ou maior liberdade, de regimes ditatoriais ou democráticos, obviamente influenciam sua aplicação. Sob ditaduras em que a sociedade está asfixiada por ausência de liberdade, tal circunstância também contingencia o funcionamento do partido. Contudo, mesmo assim, ele desenvolve métodos para garantir a democracia interna possível e com base nela garante sua unidade de ação, cumpre suas tarefas históricas. Por outro lado, se o Partido atua num cenário de democracia como acontece hoje ele utiliza esta condição favorável para desenvolver ao máximo sua democracia interna. A realidade permite que as decisões do Partido sejam resultado de uma ampla elaboração coletiva. Decisões derivadas de muitos debates e reuniões necessários. A 9"Conferência e a própria tomada de decisão sobre o voto à reforma da Previdência são exemplos disso. Mais democracia, mais elaboração coletiva, para propiciar uma vida partidária ascendentemente mais rica em elaboração, realizações e combates. E, sobretudo, mais democracia para que se possa contar com um partido unido, atuando coeso nas batalhas. Por isso são improcedentes teorizações expostas nas defesas que aludem o centralismo-democrático, a unidade de ação, apropriados tão somente para períodos revolucionários ou de atuação na clandestinidade do Partido Comunista. O PCdoB tem uma rica experiência histórica na qual tanto sob ditaduras quanto sob governos democráticos regeu-se por este princípio e sob ele enfrentou com eficácia os desafios de ambas as situações. Baseado em sua própria história, o Par- Ao empreender esta atuação, o Partido a faz como integrante do governo e de sua base de sustentação política. Persegue este objetivo atuando dentro e fora do governo para que se tome realidade o programa de mudanças com o qual o presidente Lula se elegeu. Todavia, na medida em que sua bancada de parlamentares apresentou-se dividida, a autoridade do Partido, tanto em relação às demais agremiações partidárias que formam a base aliada, quanto ao próprio núcleo do governo, foi afetada visto que o Partido se apresentou com dois votos, dois discursos e duas políticas. Finalmente, quanto aos danos provocados, é inegável que este episódio negativo tem consumido energias preciosas do coletivo que poderiam estar sendo canalizadas ao forte movimento de expansão e crescimento do Partido que, apesar do ocorrido, é uma realidade. Nos Estados a que pertencem os quatro parlamentares, com destaque para Minas Gerais e Rio de Janeiro, obviamente as tensões e sobretudo as perdas são maiores. Quando o cenlralismo democrático é desrespeitado, alinha política é seriamente prejudicada tido reafirmou o centralismo-democrático no boj o da denominada crise do socialismo, no início da década de 90, quando reacionários e os social-democratas no atã de dissolver ou alterar a essência dos partidos comunistas combatiam-no como um princípio arcaico e autoritário. Noutro plano, são errôneos os argumentos contidos nas defesas que subordinam o centralismo democrático a imperativos de compromissos outros acima do compromisso livre e conscientemente expresso de fidelidade à política, ao programa e às normas partidárias. Acatar estes argumentos seria conceder o privilégio a este e àquele para agir de modo diferente ao que decidiu o coletivo, o Partido; seria alçar o individuo acima do coletivo, de a minoria sobrepor-se à maioria; enfim, seria alterar a essência do Partido, seria empurrá-lo à vala comum dos partidos social-democratas ou burgueses, crivados de grupos e tendências, sob a regência de uma balbúrdia de posições políticas e mumeros centros de direção. Em suma inapto para liderar o projeto de emancipação dos trabalhadores. Não procede, também, no caso concreto, argüir que nesta reforma, por ser um tema complexo e controverso, deveria se flexibilizar a norma partidária. Ora, é exatamente para questões complexas e prenhes de divergências que se espera a eficácia do princípio. Com base na democracia, no debate coletivo, "a questão complexa" é desvendada, face a ela se fixa uma decisão e a unidade do Partido é assegurada.. Nas defesas, Sérgio Miranda, Jandira Feghali, Alice Portugal, reconheceram que desrespeitaram o centralismo democrático, que violaram a decisão do Comitê Central acerca do voto do Partido sobre o relatório da reforma da Previdência. Todavia este auto-reconhecimento da infração cometida deu-se em cada defesa apresentada com conteúdos e gradações diferenciadas, embora todas tenham recorrido a um rol de considerações que buscam minimizar o ato de indisciplina cometido, como também seu significado e conseqüências. Já a defesa de Afonso Gil é omissa ao tema, apenas diz que suas convicções políticas o levaram a assumir "a posição questionada como dissidente". Tal omissão desnudou-se com a atitude intempestiva do referido deputado em comunicar, pela imprensa em 11 de setembro, sua desfiliação ao PCdoB, para ser candidato por outra agremiação. Para enfrentar o poderio das classes dominantes é imperativo que os oprimidos estejam unidos em seu pal1ido Sobre as divergências políticas Quanto à divergência política que motivou a ruptura com a unidade partidária, não cabe neste processo de instrução instaurar um debate sobre este universo. A rigor, embora ele prossiga, o debate já aconteceu. Durante mais de três meses, o conjunto da militância, inclusive, os quatro parlamentares em questão, participaram de um extenso e frutífero debate que resultou na resolução "Um novo tempo para o Partido, buscar o êxito do governo Lula na consecução de um projeto democrático, nacional-desenvolvimetista", da 9" Conferência Nacional. Sob o crivo concreto da vida política do país, a linha traçada pela Conferência tem se revelado acertada. O Partido sob suas diretrizes está a conhecer uma expansão e um crescimento significativos. Isto por si só já contesta a visão negativista contida nas defesas, sobretudo nas de autoria de Sérgio Miranda e Jandira Feghali, acerca do governo Lula e suas perspectivas e das relações dos comunistas com este governo. Quanto ao voto do PCdoB na reforma da Previdência, motivação específica do voto dissidente, na segunda parte desta instrução já estão expostas no fundamental as justificativas do voto decidido no Comitê Cen-

4 - ~ ~ --~ AClASSE OPERÁRIA Encarte especial 2de outubro de 2003 D trai e o balanço da jornada de luta social e política travada pelos comunistas em defesa do Estado Nacional e dos direitos dos trabalhadores em todo itinerário desta reforma. As defesas, é evidente, estão no campo oposto das razões políticas em que o CC se alicerçou para esta tomada de posição. Das defesas individuais Posto este juízo de valor de conjunto sobre as defesas, passa-se a analisá-las individualmente nos quesitos afetos ao presente processo, em especial, o desrespeito às normas partidárias, ao centralismo democrático e, também, a divergência política à qual se vincula este fato. 4.1) A defesa de Sérgio Miranda Na sua defesa (ANEXO 9) o camarada Sérgio Miranda reconhece que tinha consciência da infração cometida, inclusive "os riscos" que tal atitude poderia expor à sua militância. Contudo, segundo disse, sob o imperativo de sua consciência viu-se sob a irremediável necessidade de a ela obedecer, em contraposição à decisão tomada pelo coletivo dirigente. Ele reconhece que desrespeitou uma decisão do organismo do qual é membro, mas advoga que tal fato deve ser relativizado em decorrência do conteúdo negativo da reforma da Previdência e do histórico percorrido por ele e o Partido nas lutas em defesa da seguridade social. Em essência, Sérgio opôs-se ao voto político em apoio ao governo, conforme textualmente está dito em sua defesa. Deriva pois dessa divergência política o seu voto dissidente. Sérgio Miranda revolve os argumentos, as razões por ele apresentadas no período destinado ao debate, para fundamentar e justificar o seu voto dissidente proclamado após a decisão do CC. Ora, se cada individuo que compõe um organismo, após uma decisão no qual foi voto vencido, justificar o descumprimento da decisão tomada pela maioria pela "justeza" de argumentos rejeitadas por essa maioria, obviamente não estará possibilitando a unidade de ação. Leva à primazia do individuo em detrimento do coletivo. Mas Sérgio entende de modo oposto, julga que com seu voto dissidente ele se coloca na defesa do Partido e de sua política: "Viver é muito perigoso. Quando adotei essa postura sei dos riscos que corro. Até dos riscos mais graves. Mas acho que com esse meu voto, de uma forma indireta e mesmo quebrando normas, eu me coloco na defesa do Partido e na defesa de nossa política." Ainda sobre o centralismo democrático, o camarada indica uma reflexão sobre o tema. Afirma que este princípio diretor não é atemporal, que depende das circunstâncias históricas concretas de atuação do Partido, se na legalidade ou clandestinidade, etc... De fato, tais circunstâncias históricas condicionam sobremaneira as possibilidades de maior ou menor democracia na vida interna do Partido. Contudo, a unidade de ação política, essência do centralismo democrático, é uma exigência quer estejamos nesta ou naquela situação imposta pela luta de classes. Hoje, por exemplo, pelo fato de o Partido viver talvez sob a condição mais favorável de sua história do ponto de vista da democracia burguesa, esta condição é aplicada para que internamente o PCdoB seja regido pela mais rica e frutífera democracia interna. As decisões são fruto, como já foi demonstrado, da mais ampla participação do coletivo. Daí por que no caso concreto em exame, a indisciplina não se justifica à medida que Sérgio teve ampla participação no processo decisório da matéria. ovoto Do ponto de vista político mais geral, Sérgio Miranda diz que sua decisão não feriu nem o Programa nem a linha traçada pela 9" Conferência. Mas para citar apenas dois trechos de sua defesa, fica patente a discrepância entre os juízos apresentados e o texto da referida Conferência. Diz Sérgio Miranda: "Estamos sim em um momento político novo, complexo, no qual pela primeira vez na nossa história nosso Partido participa oficialmente de um governo. Mas de um governo que não é o nosso, que não serve à nossa linha. Então é natural que surjam contradições entre as posições históricas do Partido e as posições do governo.(... ) Que governo é esse? Esse é um governo de frente? Não, camaradas, esse não é um governo de frente. Esse é um governo petista. Já que os partidos não compartilham das decisões." Ora, tais opiniões são divergentes da 9" Conferência Nacional! 4.2) A defesa de Jandira Feghali A defesa de Jandira Feghali (ANEXO I O) releva ao máximo o seu desrespeito ao centralismo democrático e privilegia quase toda sua defesa para expor um conjunto de fundamentações políticas que sustentariam as razões do voto dissidente. Usa sua defesa para expressar a opinião pessoal que tem sobre o governo, a avaliação dela sobre a qualidade das relações do PCdoB com o governo; em suma, discorre sob uma ótica própria sobre a realidade e suas perspectivas. Jandira ao longo de sua defesa, pinça este e aquele trecho do texto da Conferência e os encaixa a seus próprios juízos acerca do governo Lula e da relação do Partido com este governo; juízos estes distintos das conclusões multilaterais a que chegou a 9" Conferência. A camarada afirma: "(...)A nossa diluição na agenda de continuidade distancia-nos da massa, fragiliza nossa influência, desloca-nos para a defensiva política e retira a nossa capacidade de vanguarda na disputa interna do governo". Esta equivocada avaliação de Jandira, de que o Partido teria se diluído na agenda de continuidade, entra em contradição com o próprio balanço por ela mesma apresentado na página 8 de sua defesa, em relação à atitude do PCdoB e dela mesma enquanto parlamentar comunista acerca da reforma da Previdência: "Diante das propostas do PCdoB, defendemos com tranqüilidade a posição critica a demonstrar as alternativas em vários estados e, no meu estado. Realizei seminário de grande repercussão além de dezenas de debates em várias instituições". Jandira se opõe ao voto político em apoio ao governo decidido pelo Partido, não obstante as discordâncias de aspectos de mt!rito da proposta de reforma da Previdência. Ela reconhece nestes termos sua ruptura com a disciplina partidária: "O voto dado, a rigor, significa a quebra de um procedimento que constitui característica de nossa organização partidária. Realço, porém, que não considero o voto dado como fator gerador da crise. Mas julgo oportuna a pergunta: a flexibilização acima descrita de decisão do Comitê Central não poderia ter semelhante interpretação?" (Refere-se à decisão de se liberar a bancada na votação do destaque da taxação dos inativos) E depois aprofunda seu raciocínio: "Considero que o fator gerador da crise foi o conteúdo das decisões tomadas ao longo dos debates que, na minha opinião, ferem nossas diretivas definidas em instâncias maiores da democracia partidária como o Congresso e a resolução da 9" Conferência, homologada pelo Comitê Central". dissidente deriva de opiniões contrárias à ga Conferência Nacional Ou seja, ela proclama um voto dissidente, rompe com o centralismo democrático, mas tal fato para ela resume-se tão somente à quebra de "procedimento que constitui característica de nossa organização partidária". E mais, ela realça que o voto dissidente não foi gerador de nenhuma crise ou prejuízo ao Partido. Para Jandira o responsável pela crise de unidade, pelo voto dissidente, é a própria CPN e o CC que, segundo ela, "adotaram diretivas que ferem as resoluções do Congresso e a resolução da 9" Conferencia". Ao final, categoricamente ela arremata suas convicções: "O voto contra a reforma é um voto confirmador do Programa e da resolução da 9" Conferência Nacional realizada em junho de É conseqüência do pensamento político do Partido Comunista do Brasil". Como se lê, Jandira fundamenta sua violação ao Estatuto partidário apresentando-se como a genuína intérprete e guardiã das resoluções do Congresso e da 9" Conferência. O CC estaria tomando suas decisões à margem do Congresso e da linha política da 9" Conferência. Em suma, Jandira, pela sua atitude na votação do texto da reforma, pelo que escreveu na sua defesa, movimentase por outra política, conflitante com as resoluções do CC e da 9" Conferência. Finalmente, Jandira indaga: "(... ) A disciplina é um instrumento fundamental para aplicação da política. A política, não pode ser incoerente com o programa e resoluções superiores. Em que documento pós-conferência o Partido autoriza apoio às teses neoliberais em nome da 'govemabilidade '?" Obviamente a camarada Jandira sabe que sua pergunta é improcedente. O PCdoB jamais autorizou qualquer apoio às teses neoliberais. O PCdoB, sem presunção alguma, é um dos partidos da esquerda brasileira que mais contribuições tem dado para que o país e povo brasileiro se libertem do jugo deste nefasto modelo de reprodução do capital imposto pela globalização imperialista. A camarada Jandira, por suas responsabilidades de dirigente, de liderança, deveria refletir sobre este equívoco de imputar ao Partido, que ao longo do tempo a tem projetado, uma inverdade depreciativa dessa ordem. sentam os interesses do conjunto dos trabalhadores e do povo. Não se pode assumir compromissos que impedem honrar o compromisso assumido com o Partido de fidelidade ao seu programa e sua política, bem como de respeito às suas normas. Alice Portugal reconhece e lastima o fato de ter desrespeitado a disciplina partidária. Disse considerar para ela uma derrota votar diferente do Partido. Contudo apresenta uma tese para anular ou atenuar a falta: "A presente defesa visa, exatamente, demonstrar a possibilidade de justificativa excepcional para situação especialíssima, na qual todos almejam o mesmo objetivo mas não podem optar pelo mesmo ato político específico, porquanto em contraposição princípios partidários e ideológicos, no particular, se equivalem". Ora, numa tomada de decisão onde há opiniões conflitantes, cada um dos pólos divergentes apresenta-se portador de razões às vezes todas elas plausíveis. Surgem justificativas ordinárias e excepcionais. Como arbitrar, como decidir, mantendo-se a unidade do coletivo? Evidentemente, se o Partido admitisse esta tese "de justificativas excepcionais" para se abrir exceções a este e àquele da obrigatoriedade de se aplicar a decisão da maioria, a toda deliberação um sem número de vozes surgiria reivindicando o privilégio da "situação especialíssima". Esta tese consubstancia as razões do individuo acima das razões do coletive. Alice Portugal explicita sua concordância com o núcleo das conclusões políticas da 9" Conferência de o Partido "lutar pelo sucesso do governo Lula, sem o qual fatalmente o Brasil poderá sofrer grave retrocesso". Explicita que seu voto contra a Proposta de Emenda Constitucional Número 40, a PEC-40, não teve "qualquer traço de oposição ao governo. Foi um ato contra o conteúdo regressivo do texto. E complementa: "Um voto dado nos marcos da coerência histórica de nosso Partido, reafirmada nas resoluções da 9" Conferência." Esta assertiva de Alice não procede. A Conferência, consoante a finalidade com a qual foi realizada, expõe sobre as reformas apenas diretrizes mais gerais. O CC assentado na essência da política pela Conferência traçada decidiu, com os condicionantes já citados, por um voto político tendo em vista o sucesso do governo Lula, objetivo este que Alice reitera estar de acordo. Se é assim fica explícito, neste caso, uma distância entre a consciência e o voto da camarada. As defesas relativizam, anulam, negam o princípio do centralismo democrático 4.3) A defesa de Alice Portugal Eis o epicentro da defesa (ANEXO 11 ): defende o centralismo democrático e a unidade de ação, concorda com a linha da 9" Conferência; contudo, afirma que se viu imr~lida pelos seus vínculos históricos com :-.ervidores públicos e pelo teor negativo da reforma, a desrespeitar a disciplina partidária. Alice, ao tratar de seu voto dissidente, a que ela denomina de "voto divergente", assim o justifica: "No ambiente político, profissional, sindical e pessoal em que vivo, o meu voto a favor da matéria geraria uma desconstrução tamanha que abalaria a estrutura partidária nesta área. Estaria sujeita a um destrato político e moral por parte de todos aqueles crédulos no ideário que apresentei ao longo da minha vida política". Não se pode concordar com essa conclusão a que a camarada chegou. O militante comunista integra um Partido cujo programa, a política e a prática buscam representar os ideais libertadores do proletariado que propugnam libertar não somente a si, mas a humanidade. Por mais que alguém tenha vínculos com este ou aquele segmento dos trabalhadores, não se pode sob o intento de preservar tais vínculos, abdicar dos compromissos maiores assumidos com a classe, com o Partido e a política que repre- 4.4) A defesa de Afonso Gil Afonso Gil fez sua defesa (ANEXO 12) num sucinto texto. De início, equivocadamente, afirma que a resolução da CPN já teria previsto, antecipadamente, a pena "aos acusados". Afirma que com esse procedimento suprimiu-se "o princípio do processo legal e do contraditório, da essência da democracia". A decisão número 2, da resolução da CPN, de 9 de agosto diz: "Conforme também estabelece o Estatuto, os camaradas já nomeados estão notificados, por esta Resolução, das faltas a eles imputadas, sendolhes assegurado amplo direito de defesa nos termos estatutários". Na abertura deste item número 4 fica demonstrado que "o princípio do processo legal e do contraditório" foi e está plenamente respeitado. No restante da peça, Afonso Gil limitase a justificar por que "resolveu assumir a posição questionada como dissidente", isto é, as razões que o levaram a votar contra o relatório da reforma da Previdência. Diz ter votado contra, entre outras razões, por suas convicções políticas e porque considera are-

5 .--~~ ~~--- AClASSEOPERÁRIA Encarte especial 2de outubro de2003 ferida reforma inconstitucional. Agrega ainda outro argumento: "após participar de diversos debates com os servidores públicos e consultar a maioria dos militantes do Piauí". As justificativas de Afonso Gil não têm nenhum amparo ou mesmo nexo com o Estatuto Partidário. Embora sua filiação seja relativamente recente ao Partido, ele, inclusive, por ser um promotor de justiça, certamente assinou a ficha de filiação plenamente consciente do teor do Programa e do Estatuto partidários. Dessa maneira ele é ciente de que o Estatuto estabelece, entre outros deveres do militante, aplicar as decisões do Partido. Decisões provenientes do método da elaboração coletiva; método este arbitrado pela norma básica de que as decisões da maioria são acatadas pela minoria, cumpre-se as decisões do coletivo mesmo que delas se divirja. Diz ainda o Estatuto que a disciplina é igualmente obrigatória para todos os seus membros, independentemente de seus méritos ou dos cargos que ocupem. Ao se filiar, Afonso Gil, como qualquer outro filiado, assinou atestando estar de acordo com o Estatuto, portanto, com as normas citadas. Isto posto, sublinha-se que Afonso Gil, ao votar contra uma decisão do CC, tinha pleno conhecimento de que o voto de um parlamentar comunista não é derivado tão somente de convicções políticas pessoais e nem de juízos exclusivamente individuais. O voto do Partido é decidido pelo Partido num processo democrático de amplo debate. Assinale-se que Afonso Gil, como integrante da bancada, foi convidado para todas as reuniões em que se debateu a reforma da Previdência e participou de muitas delas. Também foi convidado para as duas reuniões do CC que decidiram sobre a referida votação. A ele foi garantido o direito de apresentar suas convicções e opiniões e dele, pelas regras do Estatuto, se esperava que cumprisse a decisão tomada. Afonso Gil refere que coo- sultou a maioria da militância do PCdoB do Piauí para desrespeitar a decisão do Partido; não informa porém como e quando tal consulta foi realizada. O que de material existe é a resolução do Comitê Estadual do Piauí de pleno apoio à resolução CPN e de explícita defesa da unidade e dos princípios partidários. Isto tudo demonstrou o baixo grau de compromisso de Afonso Gil com a politica e as normas do PCdoB, do qual acabou se desligando em desrespeito ao processo instaurado, rompendo com a força que sustentou sua eleição e traindo assim os compromissos que assumiu com o Partido e os eleitores. 5) Das Sanções A presente instrução deste processo disciplinar demonstrou e comprovou as faltas imputadas pela Comissão Política Nacional (CPN), de desrespeito às normas partidárias, aos parlamentares da bancada federal do Partido Comunista do Brasil, Sérgio Miranda, Jandira Feghali, Alice Portugal e Afonso Gil, quando da votação do substitutivo do relatório da reforma da Previdência. Fato ocorrido em 6 de agosto, por ocasião da votação em primeiro turno da matéria e repetido na votação em segundo turno, em 27 de agosto. Pelo exposto, a CPN propõe ao CC a aplicação, a cada um dos parlamentares mencionados, das sanções abaixo individualmente estipuladas. Obviamente, o nome de Afonso Gil está excluído das sanções pelo fato já informado de sua desfiliação. As referidas medidas disciplinares têm por objetivo defender a unidade e a política do Partido, bem como o respeito às suas normas e à autoridade da Direção Nacional. Elas têm, ainda, uma finalidade educativa uma vez que sua construção ideológica e política se realiza, entre outros meios, pela força do exemplo. E o exemplo deve emanar sobretudo de seus órgãos de direção e E dos que foram eleitos para eles. Essa finalidade educativa também se destina, em especial, aos camaradas que comentaram as faltas, no sentido de que revejam seus equívocos e se reencontrem com a disciplina e a política partidárias. Balizam as propostas de sanções os seguintes parâmetros: A infração é grave uma vez que o centralismo democrático, princípio no qual se assenta a construção orgânica e ideológica do Partido e que garante sua unidade, foi violado; a decisão legítima emanada da instância superior de direção do PCdoB, o Comitê Central, foi desrespeitada no 1 turno, com recorrência no 2" turno da votação; Este voto dissidente, de desrespeito a uma decisão do Comitê Central, é um fato único, ao menos nas últimas três décadas, na história da representação parlamentar comunista no Congresso Nacional; Os três parlamentares violaram a disciplina partidária sob plena consciência da gravidade da infração e dos prejuízos que ela provocaria ao Partido; São graves os danos e prejuízos causados ao Partido pelo ato indisciplinar dos quatro parlamentares; Os parlamentares Sérgio Miranda e Jandira Feghali, membros do Comitê Central, objetivamente por esta condição têm sobre si uma responsabilidade especial, pois enquanto membros da mais alta instância de direção partidária jamais poderiam agir contra uma decisão do Partido, sobretudo, como foi o caso, de uma decisão tomada pelo próprio CC. Sobre Sérgio Miranda há ainda a singularidade em relação aos demais - ele é integrante da própria Comissão Política Nacional do CC;. Quanto à autocrítica, reconhecimento sincero do erro e compromisso manifesto de superá-lo, ela é nula na defesa de Jandira Feghali. No caso de Sérgio Miranda e Alice Portugal, ambos reconhecem os efeitos negativos do ato indisciplinar, lastimam sua ocorrência; todavia, a infração é apresentada como relativa e produto de um conjunto de condicionantes e divergências de mérito com a decisão. Acresce à falta de Jandira o fato de ela ter divulgado a defesa apresentada mesmo antes de os membros do CC terem tido acesso ao documento e contra a orientação do Secretariado, através de notícia publicada na imprensa partidária, segundo a qual até a decisão do CC não se daria publicidade ao conteúdo da instrução do processo. Os três parlamentares são primários em termos de sanções sofridas por infrações estatutárias. Finalmente, tudo considerado e com base no conjunto dos artigos do Capítulo IV, do Estatuto, "Da disciplina partidária", em especial, no que dispõe os artigos 11, 12, 13, e ainda no que estabelece a alínea "g" o artigo 29, a CPN propõe ao CC: *A CPN decidiu que as propostas de sanções serão tratadas diretamente na reunião do CC **Esta instrução teve o seu parecer aprovado pela 7 Reunião ordinária do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil, realizada em 27 e 28 de setembro de 2003, em Brasília, Distrito Federa São Paulo, 12 e 13 setembro de 2003 A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasii-PCdoB Notas: (1) Resolução da Comissão Política Nacional do PCdoB, Em defesa da unidade e da política do Partido (2) Lista de votantes, 1 Turno da PEC N" 40/2003, Fonte: Câmara dos Deputados (3) Lista de votantes, 2" Turno PEC N" 40/2003, Fonte: Câmara dos Deputados (4) Resolução do Comitê Central de 15 de junho de 2003 (5) Resolução do Comitê Central de 2 de agosto de03 (6) Declaração de voto da Liderança do PCdoB Delesa de Sérgio Miranda Depoimento de defesa do deputado federal Sérgio Miranda devido ao voto dissidente quando da votação do relatório da reforma da Previdência Adalberto Monteiro- Bom, camarada Sérgio, conforme a notificação que ora recebemos, de 12 de agosto, a notificação encaminhada pelo Secretariado, a Comissão Política Nacional, no último dia 9 do corrente, decidiu instaurar um processo disciplinar como eu já disse em face do voto dissidente proclamado pelo camarada, quando da votação do relatório da reforma da Previdência, ocorrida no dia 6 de agosto no plenário da Câmara Federal. Como também é sabido a Comissão Política Nacional determinou ao Secretariado a responsabilidade da instrução desse processo disciplinar. O Secretariado, no que concerne ao amplo direito de defesa que lhe é assegurado pelo Estatuto do Partido, agendou para nesta data e nesta fase de instrução do processo, a garantia, nessa reunião da defesa do camarada. Antes de passar a palavra ao camarada Sérgio, para que faça a sua defesa esclareço aqui as fases seguintes desse processo A Comissão Política Nacional irá se reunir, em reunião já marcada para 12 de setembro, para com base nessa instrução do Secretariado, encaminhar ao CC a proposta com as medidas que julgar cabíveis. O CC, a partir dessa proposição da CPN, irá deliberar sobre o assunto. Obviamente, nessa reunião decisória do CC está assegurada a participação pessoal do camarada quer seja por ele ser membro do Comitê Central, quer seja porque essa participação pessoal do camarada é assegurada pelo Estatuto a presença e o amplo direito de defesa na reunião decisória. Então, eu passo a palavra ao camarada Sérgio para que ele nos coloque inicialmente as considerações que julgar pertinentes, necessárias, à sua defesa. Sérgio Miranda -Eu preparei uma intervenção que aborda quatro aspectos nesse debate. O p rimeiro ponto é que não podemos discutir o que ocorreu na votação da reforma da Previdência sem levar em conta o seu conteúdo. O que é que foi objetivamente votado na Câmara dos Deputados, na chamada PEC 40? Nós votamos uma reforma após um acordo com o FMI que tem como base a implantação de um modelo de previdência para os servidores públicos baseado nos fundos de pensão e, juntamente com isso, um aprofundamento do ajuste fiscal. O voto do PSDB e da metade da bancada do PFL, apoiando a reforma, é bastante revelador do seu caráter. Além disso, nós votamos uma reforma que aprofunda e reforça o desmonte do Estado nacional, torna a função pública basicamente efêmera. Ela parte de uma incompreensão sobre o serviço público, aborda os servidores públicos de um ponto de vista genérico, do trabalho abstrato, relevando as peculiaridades dessa função e o papel do Estado Nacional. Ao contrário da reforma tributária que realiza mudanças limitadas no tempo, de caráter provisório, a reforma da Previdência é uma mudança estrutural. É verdade que no Congresso, as negociações representaram um avanço, porém em aspectos secun- to e a complementação por meio dos rendidários da proposta. Avançou-se nos cálcumentos de um fundo de pensão, fica bastanlos das pensões e na própria integralidade para os atuais servidores, porém com condite evidente na reforma, bem como o seu cações draconianas e sem uma efetiva parida- ráter fiscalista. A recente divulgação dos dados sobre o regime geral e sobre o regime de. A questão da inclusão no regime geral da Previdência foi tratada em um artigo gepróprio dos servidores mostra que essa prenérico e sem bases objetivas para a definitensa crise da Previdência dos servidores ção de uma legislação complementar. No públicos é algo totalmente falso. Enquanto item fundo de pensão, a negociação buscou que, a partir de 2001, o suposto déficit do regime dos servidores era de R$ 30 bilhões inovar mas manteve e incluiu na Constituição que o regime desses fundos será de con- - em valores nominais, ou seja correntes, tribuição definida. Mesmo a natureza públisem nenhuma correção - este passa para R$ ca dos fundos, citada neste artigo, não fica 29,3 bilhões, em 2002 e para 2003, R$ 31,4 clara. Defende a contribuição dos inativos, bilhões. Para 2004, a previsão é de 29,7 biuma posição que historicamente o Partido lhões. Há uma certa estabilidade do chamado déficit. Enquanto no regime geral, o "désempre rejeitou. ficit" em 2001 foi de R$ 12,8 bilhões, em Além disso, comete uma injustiça pro2002 passou para a casa dos R$ 17 bilhões. funda na nova transição. O servidor público Para 2003, chegou a 25 bilhões, em 2004 que tinha condições de se aposentar um dia antes da promulgação terá uma condição para 31; e para o ano de 2007, segundo os dados do Ministério do Planejamento, R$ profundamente diferente dos servidores públicos que se aposentarão um dia depois. 51 bilhões. A burguesia brasileira não comenta, É evidente que o eixo fundamental de mas a reforma aumenta a carga tributária implantação desse novo modelo de fundos exatamente às custas dos inativos. No pro- de pensão que, direta ou indiretamente, favorece o capital financeiro, estava presente jeto de lei orçamentária apresentado ao como núcleo dessa reforma quando se aprecongresso leva-se em conta que as consesentou uma alternativa em negociação com qüências da reforma da Previdência aumentarão a arrecadação em R$ 1,4 bilhão com a os lideres da Câmara dos Deputados. Na contribuição dos inativos e em R$ 1,8 biproposta, o aumento do tempo de serviço e lhão com a elevação do teto, implicando em do tempo de contribuição dos servidores um aumento da arrecadação de R$ 3,2 bipúblicos, tanto para os atuais como para os futuros, mantinha o ajuste fiscal embutido lhões. O caráter da implantação do modelo na proposta original da reforma. Mas foi redos fundos de pensão, onde se define um tecusada pelo governo porque inviabilizaria

6 F ACLASSE OPERÁRIA Encarte especial 2de outubro de 2003 os fundos de pensão. Porque é esse o conteúdo da reforma que nós votamos. Uma reforma de conteúdo regressivo, que favorece o setor hegemônico do capitalismo hoje no país - o capital financeiro -injusta com os servidores públicos, além de aprofundar o processo de desmonte do Estado nacional. Não é absolutamente um fator de crescimento da economia nem será feita porque o país iria quebrar caso não se implementasse. Esse é o primeiro ponto. O segundo ponto que merece ser abordado é que o Partido, por meio de seus parlamentares e militantes, assume uma construção histórica nas nossas posições acerca do debate relativo à Previdência. Isso não surgiu hoje. Isso tem uma história. A implantação do neoliberalismo busca alterar o caráter do Estado e golpear profundamente a sua função social. A Constituição de 88 avançou significativamente nos conceitos de proteção social. Ela se deu dentro de um momento histórico de rejeição à ditadura militar e o ambiente político daquele período estava centrado em dois pilares básicos: a luta pelas liberdades, pelas garantias democráticas e a luta pela justiça social. Isso apareceu significativamente também no capítulo da seguridade social, onde se incorpora um novo conceito. Não apenas um conceito de seguro em que se exige como contrapartida de beneficias previdenciários ligada à contribuição de cada um. Não. Discutem-se fontes não excludentes para a seguridade social, amplia-se o conceito do financiamento chegando ao limite de a Constituição exigir um orçamento especifico para a seguridade social. O Partido se destacou na defesa desses princípios da Constituição de 88 e na elaboração de políticas para essa área social Durante a emenda 20, o nosso Partido teve ainda um papel destacado e de oposição àquelas propostas de privatização da Previdência Social. Além do debate no Congresso, por meio de nossos militantes participamos ativamente das conferências de saúde, de assistência social e também do debate orçamentário. No debate sobre a privatização da Previdência e da saúde o Partido sempre foi voz destacada e participou na liderança da defesa dessas áreas sociais. Tive, além de outros camaradas, sem dúvida mais destacados, como Jandira Feghali, Jussara Cony e dentre outros, uma participação pessoal nesses movimentos, bem como em debates com a sociedade, palestras nessas conferências e também na Comissão de Orçamento. Muitos dados que aparecem em publicações dos movimentos em defesa da seguridade social foram fornecidos por pesquisas e trabalhos feitos em nosso gabinete. O voto Sim entra, objetivamente, em confronto com toda essa trajetória. O nosso posicionamento histórico era e é de rejeição ao conteúdo dessa reforma previdenciária. Este confronto com o passado, este fato de um voto desmentir as intervenções que já fizemos, se torna muito pesado. O voto Sim a esta proposta, além de contrariar a nossa trajetória histórica de elaboração da política para a área de seguridade social, entra em confronto também com o movimento social amplo de servidores públicos. Isso também se contrapõe a essa reforma. Com a intelectualidade progressista deste país, como é demonstrado em documentos divulgados recentemente pela Adusp, pela Adunicamp. Intelectuais que sempre representaram o pensamento avançado, mesmo no campo do PT, sendo militantes e muitos deles amigos pessoais do Lula, fazem críticas bastante vigorosas a essa reforma da Previdência. O terceiro aspecto que eu queria também tratar com os camaradas diz respeito à nossa relação com o governo. Que governo é esse? Esse é um governo de frente? Não, camaradas, esse não é um governo de frente. Esse é um governo petista. Já que os partidos da frente não compartilham das decisões. Posso dizer mais ainda, não é apenas um governo petista, mas de um núcleo duro do PT, que comanda todo este processo. Nós não aprovamos essas propostas em um ambiente de decisão que o governo poderia ter criado. Quero lembrar que apesar de alguns argumentarem que a essência, a semente dessas propostas, estava contida na Carta aos Brasileiros, nosso Partido respondeu à Carta aos Brasileiros de forma indireta, afirmando os seus princípios já durante a campanha eleitoral. A política do governo e, principalmente essa ênfase em iniciar a sua administração aprovando tal reforma da Previdência, buscava garantir a confiabilidade nos mercados, assumir o cumprimento de compromissos firmados na Carta de Intenções com o FMI e refletem, como fazendo parte do discurso, principalmente do presidente Lula, idéias do senso comum que não se ajustam à realidade dos fatos. Esta reforma está embutida num documento do ministério da Fazenda tão criticado por nós. Faz parte desse programa econômico do governo. Nós, o nosso Partido, deve manter seu apoio ao governo, mas principalmente garantir uma margem de manobra. Temos compromissos, sim, com o governo, mas temos compromisso com o povo, temos compromisso com os movimentos sociais, temos compromisso com a nossa base. Mas também temos, e principalmente, compromissos com as nossas idéias e a nossa ideologia. Considero que uma posição justa nessa relação com o governo, mesmo o apoiando, é o Partido garantir um grau de flexibilidade no seu voto. Porque o voto nesses projetos polêmicos aparece como a posição oficial do Partido. Não há uma diferença, ou uma compreensão por parte das pessoas, do chamado voto político. Somos contra, mas votamos a favor porque fazemos parte da base. O que aparece é que votamos a favor. Considero que o governo tem ambigüidades, aparece no campo político da disputa ainda, como está dito na nossa 9" Conferência. Devemos levar em conta que uma política de confronto e oposição ao governo não ajuda a luta do nosso povo, porém uma política de submissão total às decisões do go- UM NOVO TEMPO PARA O PARTIDO BUSCAR O ~XITO DO GOVERNO LULA NA CONSECUÇÃO DE UM PROJETO DEMOCRÁTICO, NACIONAL DESENVOLVIMENTISTA Resolução Política da ga Conferência Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) Aprovada em 29 de junho de 2003 Pedidos Editora e Livraria Anita Ltda R. Monsenhor Passa/ácqua, n 158 Cep São Pau/o/SP Te/efax: (11) vemo em questões de princípio, em questões-chave, também não ajuda a luta do nosso povo. O quarto e último ponto da minha defesa aborda o fato objetivo, o qual com o meu voto eu descumpri uma decisão coletiva. Quero levantar alguns aspectos. Primeiro, acho importante relativizar essa decisão coletiva. Não votei contra em nenhum aspecto essencial do nosso programa, nem da nossa estratégia, nem muito menos da proposta política da 9" Conferência. O voto contra significou o rompimento de um acordo tático com o governo. Segundo ponto: deve-se levar em conta toda a complexidade deste momento. Objetivamente, o CC adotou duas decisões. Na primeira, a minha posição foi derrotada de maneira amplamente majoritária. Já na segunda decisão, em que houve uma disputa maior, que, se não me engano, o quorum da votação foi de 26 a 14, havia um compromisso de não votar a favor da taxação dos inativos porque nós tínhamos já decidido anteriormente que não apresentaríamos destaque sobre essa questão. Apresentaríamos o destaque, caso fosse necessário, sobre a inclusão social e sobre a integralidade. Quero lembrar também aos camaradas que essas duas questões já estavam de antemão decididas, como na reunião eu frisei em duas ocasiões. Tanto a integralidade para os atuais, como um artigo que vislumbrava a inclusão social, já estavam dentro do processo de acordo. A liberação da bancada na votação da taxação dos inativos criou mais problemas para o governo porque naquela votação o governo teria objetivamente mais dificuldades de garantir a sua vitória. Nesse sentido, considero que a liberação da bancada neste caso foi uma atitude correta, pois sentiu-se o clima político da própria bancada, por meio de uma consulta, como foi afirmado a membros da Comissão Política. Mas foi alterada a decisão. Então, quando se fixa uma posição unilateral sobre o nosso descumprimento dessa norma, é preciso observar de uma forma mais abrangente o conjunto das decisões envolvendo esse tema. Em terceiro lugar, trago uma reflexão: fazia-se necessária uma adequação ao momento em que vivemos, do próprio conceito de centralis mo democrático, que não é algo atemporal. Centralismo, veementemente discutido por Lênin, principalmente a partir do Que fazer? vinculava-se a um período revolucionário. Nós não estamos vivendo um momento revolucionário, camaradas, e nem mais passamos por um período de clandestinidade, quando o descumprimento de compromissos coletivos põem em risco a própria sobrevivência individual de camaradas e do próprio partido. Estamos sim em um momento político, novo, complexo, no qual pela primeira vez na nossa história nosso Partido participa oficialmente de um governo. Mas de um governo que não é o nosso, que não serve à nossa linha. Então é natural que surjam contradições entre as posições históricas do Partido e as posições do governo. Saliento também que o voto no segundo turno não pode ser considerado como uma reincidência. Ninguém mudou o voto no segundo turno. Aliás, somente o Walter Pinheiro, do PT da Bahia, saiu da abstenção e foi para o voto não. Ressalto que votamos com a decisão do Partido no destaque das pensões. Um voto meramente político, como daqueles que se opuseram à votação da reforma da matéria, foi o voto contra. O nosso voto foi a favor porque levamos em conta não o aspecto político de se contrapor a uma cobrança de contribuição dos pensionistas, mas porque consideramos que a proposta passou a ser mais avançada quando fixou o piso de isenção de R$ 2,4 mil, entre outros aspectos. Por último, apresento mais uma questão aos camaradas. Hoje no Jornal dobrasil há uma nota no Informe JB dizendo que já está decidida a nossa expulsão do Partido. Todos nós temos consciência e eu mais ainda que isso são notícias plantadas. E sei que não foi plantada pelo Secretariado. O Secretariado não tem acesso a esse tipo de procedimento jornalístico e também não o faria. Mas alguém está plantando, isso não aparece por acaso. Alguém que tem acesso à imprensa planta. Acho que nós devemose tenho buscado isso nesse período - ter bastante serenidade nessa questão. Não me arvoro em contestador da linha geral do Partido nem em dissidente e nem tento criar uma corrente dentro do Partido. Tenho tido uma postura bastante recatada nesse período recente, após o meu voto, porque sei dos problemas acarretados para o coletivo partidário. Para encerrar aqui a minha intervenção, considero - levanto estas questões para os camaradas - que nós não podemos ter uma visão unilateral apenas na questão disciplinar. Deveríamos levar em conta todos esses aspectos que aqui foram abordados: o conteúdo do que estava sendo votado e a situação dos camaradas que estiveram à frente desse processo de construção histórica dessa política do Partido para a área da Previdência. Temos maior dificuldade para mudar de posição após tantos anos de seminários, debates, conferências colaborando para forjar essa visão no Partido. É preciso ponderar essa relação conflituosa com o governo Lula, que se tem aspectos positivos está seguindo uma linha e põe sérias dúvidas, principalmente no terreno econômico e onde essa reforma se insere, sobre os objetivos reais que pretende alcançar. Por último, também, uma compreensão mais clara dessa quebra de disciplina. Reconheço que houve uma quebra de disciplina. Reconheço que não respeitei uma decisão de um organismo do Partido a que eu pertenço. Mas acho que os aspectos que aqui abordei devem ser levados em conta nas decisões que serão propostas para o Comitê Central. Que não era uma questão de princípios que estava sendo votada, que houve liberação da bancada na votação dos inativos. Só queria me reportar (fazer uma pausa aqui na gravação) a uma liberação proposta pelo Batista e que foi justa. E muitos camaradas foram radicais em cima dele. E posteriormente nós observamos que houve liberação e isso que pode ser uma inovação na nossa conduta política e parlamentar, a se justificar, camaradas, pelos novos tempos. Eu não me senti, quero encerrar tratando de uma questão,pessoal, com a menor condição de votar. E quase como se eu estivesse sob a influência de um imperativo moral, político, ideológico, que me dizia "com esse voto você está negando a sua trajetória, o seu discurso, negando a sua militância, sua militância comunista". Senti-me assim porque tenho sido um dos mais destacados camaradas na defesa dessas questões políticas e sociais dentro do Congresso e junto à sociedade brasileira. Trago aos camaradas dezenas de jornais, de folhetos, de artigos produzidos pelo meu gabinete onde esses temas são tratados, que não é de agora, que surgiu a partir da proposta da PEC 40. São anos de trabalho em torno desse tema. Trago para os camaradas o número de debates, convites, participações em conferências elaboradoras de políticas na área social tanto da saúde quanto da assistência social. Tenho sido um dos mais destacados palestrantes sobre o financiamento da seguridade social, da saúde e da Previdência. Então o voto Sim a essa proposta era e se tornou insuportável em função de toda essa trajetória. E essa trajetória foi construída com a anuência, com a participação, com o beneplácito. do Partido. Fiz esse movimento orientado e acompanhado pelo Partido, nunca foi criticada a defesa que fazemos da seguridade social. Então, nas circunstâncias dessa votação, eu me vi impelido por um sentimentoque eu tenho chamado de imperativo ético e moral - a contrariar a decisão do CC. Sei dos riscos. Na reunião do Comitê Regional de Minas, trouxe à baila uma citação do nosso Guimarães Rosa: "Viver é muito perigoso". Quando adotei essa postura, sei dos riscos que eu corro. Até dos riscos mais graves. Mas acho que com esse meu voto, de uma forma indireta e mesmo quebrando normas - eu me coloco na defesa do Partido e na defesa da nossa política.

7 ACLASSE OPERÁRIA Encarte especial 2de outubro de 2003 G Defesa de Jandira Feghali Defesa apresentada pela deputada Jandira Feghali face ao voto dissidente por ela proclamado quando da votação do relatório da reforma da Previdência Sumário I- Dos Fatos II- A 9." Conferência do Partido Comunista do Brasil III - O Processo de Defmição dos Votos IV - Das Razões do Voto - Conclusão Histórico de Participação na Defesa da Previdência Social Pública A Proposta de Emenda Constitucional N. 0 40/2003 "Os comunistas só se distinguem dos outros partidos operários em dois pontos: 1) Nas diversas lutas nacionais dos proletários, destacam e fazem prevalecer os interesses comuns do proletariado, independentemente da nacionalidade. 2) Nas diferentes fases por que passa a luta entre proletários e burgueses, representam, sempre e em toda a parte, os interesses do movimento no seu conjunto. Praticamente, os comunistas constituem, pois, a fração mais resoluta dos partidos operários de cada país, a fração que impulsiona as demais; teoricamente têm sobre o resto do proletariado a vantagem de uma compreensão nítida das condições, da marcha e dos resultados gerais do movimento proletário." (Manifesto Comunista - Marx e Engels) l-dos FATOS No dia 9 de agosto de 2003, em reunião da Comissão Política Nacional, foi instaurado processo disciplinar referente ao "desres- peito às normas partidárias praticado pelos parlamentares Sérgio Miranda, Jandira Feghali, Alice Portugal e Afonso Gil. " A abertura do processo teve como foco a votação da PEC 40/ Reforma da Previdência, onde os parlamentares acima citados manifestaram-se contrariamente à matéria. A "Resolução da Comissão Política Nacional do PCdoB em Defesa da Unidade e da Política do Partido" ressalta que, em 2 de agosto, reuniu-se o Comitê Central para debater e decidir o voto do Partido referente a proposta e, por 47 votos a 3 e 1 abstenção, decidiu-se pelo voto favorável à matéria. Tal decisão explicitou "como um voto de dimensão política de apoio ao governo Lula, e reiterando as divergências do PCdoB quanto à oportunidade e ao teor dessa reforma. " A nota afirma que com "a decisão, ao contrário do que sempre se deu ao longo dos anos, a bancada não votou unida ", os quatro parlamentares citados "votaram em oposição a uma decisão democraticamente tomada pelo órgão superior de direção do Partido, o Comitê Central. " Conclui que a atitude desses parlamentares confronta com o Estatuto do Partido com transgressão, inclusive, do princípio diretor da organização do Partido, o centralismo democrático. Defende que o voto contrário causou "prejuízo à imagem do Partido, à sua unidade e ao processo de direção, trazendo como conseqüência o enfraquecimento político do Partido e de sua atuação no rumo da linha deliberada pela 9. a Conferência. " A decisão de voto incluía orientação favorável à matéria principal e contrária a todos os destaques apresentados. No destaque referente à taxação dos inativos houve uma flexibilização do voto e o líder do Partido, deputado Inácio Arruda, liberou o voto da Bancada. A liberalização teve como resultado 7 votos contrários à matéria e 4 favoráveis a instituição da referida taxação, conforme estabelecido pela Emenda Aglutinativa. Em 11 de agosto de 2003, comunicado do Secretariado N acional do PCdoB, informou aos quatro parlamentares a abertura de processo disciplinar, dando-lhes um prazo de 30 dias para a apresentação da defesa. Um novo comunicado, recebido em 20 de agosto, antecipava a data de apresentação para 29 de agosto. 11- A 9. a CONFERÊNCIA DO PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL A 9" Conferência do PCdoB, finalizada em junho de 2003, produziu alentado documento final onde os comunistas examinam a nova realidade política internacional e nacional e daí extraem o rumo tático para o Partido. No cenário internacional o Partido identifica que "o efeito cumulativo de ciclos de dependência cada vez mais profundos e de extrema concentração de renda gerou a crise atual manifestada pela contradição entre duas tendências: uma definida pelo anseio de soberania nacional, desenvolvimento económico e progresso social, respaldada em crescente aspiração democrática e popular, e, outra, definida pelo projeto neoliberal, consumado pelo pacto de setores da classe dominante tradicional que se submeteram às imposições do sistema de poder do império hegemónico e dos círculos financeiros centrais" I_ A Conferência, realizada após seis meses de posse do governo Lula, produz um minucioso diagnóstico da situação nacional, caracteriza a nova realidade política produzida pelo resultado eleitoral apontando para a grande tarefa que se coloca para as forças políticas vitoriosas, qual seja, "superar ho- je os marcos impostos pelo domínio imperial e pelas exigências predominantes dos círculos financeiros centrais, construindo um projeto democrático, nacional-desenvolvimentista, de base popular. " Em sua análise, a 9" Conferência enfatizou a maior dimensão que a contradição entre as duas tendências objetivas assume neste momento: a manutenção do caminho seguido pelo governo passado e a busca de uma outra via. A possibilidade de aplicação de uma nova política choca-se com poderosos interesses internos e externos, com o hegemonismo do imperialismo norte-americano na América Latina e a centralidade da oligarquia financeira na condução económica. O enfrentamento, diz a Resolução, entre as duas políticas - a velha e a nova a ser concretizada - está presente no âmbito governamental e na sociedade, não estando definido de antemão o desfecho desse embate. Inaugura-se, assim, uma nova fase de luta para as correntes revolucionárias, democráticas e patrióticas, que consiste na construção efetiva da alternativa de superação da hegemonia neoliberal, reunindo amplas forças políticas e sociais para tanto e fazendo vingar o p rojeto nacional, democrático e popular (grifo nosso). Os movimentos dos trabalhadores, das camadas populares e médias, dos estudantes e setores empresariais, através de suas organizações, poderão ser as forças-motrizesfúndamentais para a mudança. Essa luta pela transição da situação presente à nova realidade, na qual predomine o novo projeto, é que caracteriza a fase atual da luta política em nosso país. Diz ainda a resolução: "Essa dualidade revela as pressões para o continuísmo que podem se avolumar diante do peso da inércia das instituições, da ausência de uma convicção estratégica transformadora a ser seguida (grifo nosso) e, ainda, diante de uma falta de uma mobilização popular maior." O governo Lula, expressão das contradições já abordadas na resolução, avança na política externa, mas na política interna, apro- funda o modelo anterior da economia e permite o agravamento das condições de vida do povo. Reconhecemos medidas positivas, mas de caráter pontual, mostrando-se, até aqui, incapaz de apresentar um rumo claro no sentido do avanço. O Presidente da República reafirma peremptoriamente como "intocável" o Ministro da Fazenda, sinalizando a "permanência" da política econômica, caracterizada como estratégica e não transitória, nas cartas enviadas ao Fundo Monetário, e flagrada na LDO, na restrição orçamentária de 2004, na aplicação hipertrofiada do superávit primário, escassez de recursos para as políticas de investimento e desenvolvimento das politicas sociais, contingenciamento de recursos para a reforma agrária e o mais recente anúncio da possibilidade de renovação,não sabemos em que condições, do acordo com FMI. Queda da produção, aumento do desemprego, continuidade da redução da massa salarial, risco de paralisação de projetos estratégicos, restrição da cobertura de políticas públicas, entre outros, são conseqüências sentidas com intensidade. Pode estar em curso a gestação de uma crise social sem controle. Os constantes elogios do capital financeiro e de Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central) nos remetem à uma triste e irônica analogia, já publicizada: Malan/Armínio e Palocci/Meirelles. A reforma da Previdência ajusta-se a esta realidade, decorrente do compromisso assumido com o mercado financeiro, reeditando os compromissos do governo anterior. Afirmando o rumo do ajuste fiscal, desconstitucionaliza direitos, fere direitos adquiridos, reduz beneficios, cria os fundos de pensão na administração pública, fragiliza profundamente o Estado, desqualifica o serviço público. Diante disso, cresce a nossa responsabilidade de intensificar a disputa, reforçando as teses da mudança, acumulando forças pelo êxito do governo. A Resolução da 9" Conferência prossegue indicando como tarefa urgente a luta pela mudança de rumo afirmando que "é falsa a idéia de que a polí- tica macroeconómica do governo anterior pode ser mantida por um ou dois anos para então ser substituída. O mais provável é que, isso acontecendo, a crise poderia se agravar "empurrando" para uma saída mais dificil, ou se conseguiria um crescimento contido - como sempre-, voltandose a conviver com o mesmo círculo vicioso de crise financeira e cambial. " Como o Partido pode interferir nos rumos de um governo em disputa, com uma base heterogênea e largamente fisiológica? Não será, centralmente, pelo seu peso institucional parlamentar ou pelo limitado espaço ocupado no governo. Mas sim pela força da sua política e das suas idéias inseridas amplamente no movimento social organizado hasteando bandeiras e realizando ações que reforcem as correntes mudancistas, promovendo um grande crescimento do Partido, cujos objetivos vão além do mandato governamental. A nossa diluição na agenda de continuidade, distancia-nos da massa, fragiliza nossa influência, desloca-nos para a defensiva política e retira a nossa capacidade de vanguarda na disputa interna do governo. O voto no parlamento é uma expressão visível da nossa política, estabelece referência para a sociedade e para as diversas forças do próprio governo. Argumentar como essencial a unidade da base governista, em pautas estruturais e de conteúdo neoliberal, decididas pelo núcleo fechado de governo sem a concordância dos aliados, põe em risco a transição, constrange as forças de esquerda, coloca em questão a coerência histórica, fragiliza o Partido, confunde o povo e a militância partidária. Os progressistas no seio do governo, esperam do PCdoB, uma atitu- de de resistência à continuidade e prepositiva para a construção de uma nova agenda. O governo cobra o "voto solidário" que, independente do mérito, argumenta ser importante para sua consolidação nesta fase. Devemos no entanto, como Partido de vanguarda, analisar o processo. O governo, eleito com 60% dos votos válidos e amplo apoio de forças, coloca em pauta prioritária, temas que não correspondem à fase de transição, de conteúdo claramente continuísta, como reforma da Previdência, trabalhista, sindical e política, sem qualquer demanda urgente do país que as justifiquem, utilizando-se da credibilidade alcançada e do apelo da fase inicial de governo, para exatamente, legitimar uma clara opção pela credibilidade, mais uma vez, do mercado. Um partido como o nosso, não pode aceitar esses apeios como justos. Aceitamos e auxiliamos o governo em todas as medidas, que mesmo conservadoras, no campo econômico, compreendemos como necessárias à estabilidade e governabilidade. Mas para isso a agenda, repito, decidida pelo núcleo de governo, sem a consulta aos aliados e com posição contrária do PCdoB, não é necessária. O governo antecipou, conscientemente, por sua opção e convicção político-ideológica os conflitos que se apresentaram, decorrentes das diferenças programáticas dos partidos, principalmente de esquerda, contradisse o programa de governo apresentado na campanha, afastando-se de.importantes bases sociais, instrumento essencial para sua real consolidação. Cabe aqui a citação de José Luis Fiori, em artigo entitulado "Resultados de uma gestão socialista do capitalismo", referindose à Espanha: "Gonzalez foi eleito com um programa de governo que defendia uma estratégia político-económica de tipo Keynesiana, junto a um plano negociado de estabilização económica e a defesa de uma política de reestruturação industrial e de crescimento económico voltado para o aumento do emprego e da equidade social. Mas apesar das condições ótimas de governabilidade e credibilidade, o governo socialista não cumpriu seu programa, e passou quatorze anos anunciando a sua necessidade de acumular mais credibilidade " Se, por um lado, não devemos fazer - e nunca o fizemos - a crítica extemporânea, apressada, descolada da realidade, enfim, irresponsável, também não devemos perder de vista que, sob o enganoso argumento de manter a "confiança do mercado", endossar as reformas propostas, significaria abjurar das nossas convicções, afirmadas perante o povo brasileiro, ao longo do tempo. Aprevalecer os interesses do mercado fmanceiro na condução dos rumos da nossa economia, prediz a Resolução que, "assim acontecen- do, ao fim e ao cabo, o governo perderá a confiança tanto do povo quanto do mercado financeiro ". Camaradas, O conteúdo das propostas apresentadas pelo governo para a aprovação do Congresso não foge, tanto em essência como na aparência, do que é recomendado pelo receituário liberal Em sentido contrário, a nossa Conferência afirma que "as reformas em discussão se não forem apontadas no rumo da ampliação da democracia, dos direitos sociais e de uma nova estratégia de desenvolvimento, se confundirão com a agenda do governo passado, ficando à mercê da disputa de múltiplos interesses.(grifo nosso). E sinaliza para reformas distintas daquelas do governo Fernando Henrique Cardoso "que fragilizaram o Es- tado, a Soberania Nacional e os direitos dos trabalhadores ".

8 H A Resolução da 9" Conferência abordou, e também o fez com extrema clareza, em que bases deve ser dar a relação do Partido com o governo - "resguardando a sua independência ideológica e política". Reafirma o empenho que deve ter o Partido na sustentação do governo, pontuando que "por mais forte e leal que seja, não significa 'seguidismo' ou ausência de crítica. Porque entre o programa do PCdoB e o programa de governo naturalmente existem divergências. Os nossos objetivos e compromissos vão além dos assumidos pelo governo".. Deste extrato das principais formulações políticas da Resolução, transcrevo a seguir a tática do Partido: "Não podemos perder de vista que o centro da nossa tática política atual, tt:ndo presente o sentido estratégico já referido, é atuar pelo êxito do governo Lula na condução das mudanças que consistem no aprofundamento da democracia e na adoção de um projeto nacional de desenvolvimento voltado para a defesa da soberania do país e o progresso social. Por isso, a ação política decorrente traduz-se em dois movimentos inseparáveis: 1) no esforço conjunto de concretizar a saída da engrenagem neoliberal para o começo do novo projeto; 2) ao mesmo tempo em que deve reunir forças populares, democráticas, patrióticas, renovadoras para o sucesso desse propósito. Como parte integrante do novo governo, o Partido deve colocar essa condição a serviço do fortalecimento da convicção e da consecução da nova linha transformadora por meio de amplo trabalho de debate e mobilização política. A orientação do PCdoB é principalmente propositiva e também crítica no sentido da consolidação da perspectiva mudancista do governo. Passa por uma estreita combinação entre a ação institucional- no parlamento e cargos executivos - e a mobilização política das massas populares. " Aguçando o olhar para a acumulação estratégica do Partido, a conferência expressa com convicção: (...) "São esses, portanto, os impulsionadores da nova fase: maior protagonismo na luta política; mais intensa atuação na luta de idéias; o mergulho nos movimentos sociais; e a participação institucional. Não desconhecemos que as potencialidades de nosso desenvolvimento estarão intimamente vinculadas aos rumos do governo Lula, e ao papel que cumpriremos - dentro e fora do governo -, para seu êxito. Para isso, nossa orientação política precisa ser base para construir espaços próprios do Partido, marcas distintivas, perseguir seu fortalecimento, conferir-lhe uma base social mais ampla, impulsioná-lo em seu crescimento eleitoral. Trata-se da questão da independência política e ideológica dos comunistas, indispensável nas condições de participante do novo governo. Isso nos exige conferir maior visibilidade ao projeto político dos comunistas, pois a afirmação partidária se dá em meio a ambiente de forte disputa, nos marcos de uma convivência prolongada com uma organização política de tendência social-democrata, hegemônica política, cultural e socialmente entre os trabalhadores. " Recuperadas, então, a avaliação da conjuntura e a tática, como também o papel do Partido, não consigo vislumbrar onde, em que momento e como extrair deste importante documento partidário a autorização para votar as reformas propostas pela "banda liberal do governo", por aquele setor que o nosso Partido considera, muito acertadamente, herdeiros da "velha política," da agenda do governo entreguista de Fernando Henrique Cardoso. Ou não seria a proposta apresentada pelo governo Lula a mesma reforma previdenciária "recomendada" pelo FMI? Há alguém entre nós, comunistas, que interprete que esta reforma não seja a reforma do liberalismo, que enfraquece o Estado e usurpa os direitos dos trabalhadores? A PEC 40/2003 é um novo capítulo de uma nlesma história que começou em Retoma os aspectos perversos do PLP ACLASSEOPERÁRIA Encarte especial 2de Oldubro de /99 com um agravante:. a previdência complementar é inscrita no texto constitucional com a contribuição definida como única modalidade de beneficies, significando que o trabalhador saberá quanto paga, mas não saberá qual o valor do beneficio futuro e se nos riscos de aplicação no mercado de capitais vier a ter déficits que prejudiquem os beneficiários o Tesouro não tem qualquer responsabilidade sobre a garantia dos direitos dos trabalhadores. Expressei esta posição em meu voto em separado, autorizada pelo Partido. Reproduzo, aqui parte deste voto, por considerar oportuno: "Consideramos que o texto, ora sob apreciação desta Comissão Especial, não contribui para a universalidade do sistema, restringe o papel do Estado, fratura o conceito de Seguridade Social e, ainda, permite o repasse de recursos para o mercado financeiro. ISSO POSTO, declaramos a manutenção de nossa posição em defesa da integralidade e paridade para os atuais e futuros servidores, com ampliação das carências; pela aprovação das emendas que visam estabelecer no texto constitucional medidas que promovam a inclusão, fixação do teto do valor dos beneficies do Regime Geral de Previdência Social em salários mínimos, contra a taxação de inativos e pensionistas e, também, contra a instituição de fundos de pensão na administração pública." III - OPROCESSO DE DEFINIÇÃO DOS VOTOS Desde a posse do Ministro da Previdência Ricardo Berzoini e o anúncio da agenda da reforma, analisamos as razões expressas pelo governo e elaboramos a crítica e a construção de um pensamento contrário ao conteúdo, sem deixar de apresentar as nossas propostas, viáveis e dentro da concepção previdenciária acumulada ao longo de décadas, reafirmando, inclusive, a necessidade de reforçar o papel do Estado. Acompanhamos, passo a passo, todas as movimentações do governo, da Câmara e dos movimentos sociais. Participei, a convite, de três reuniões da Comissão Política, sendo que nas duas primeiras debatemos o conteúdo com a publicização dos resultados. Diante das propostas do PCdoB, defendemos com tranqüihdade a posição crítica a demonstrar as alternativas nos debates em vários estados e, no meu estado. Realizei seminário de grande repercussão além de dezenas de debates em várias instituições, incluindo saúde, universidades, magistratura, Escola Superior de Guerra, institutos de pesquisa, petroleiros, Câmara de Vereadores-RJ, aposentados, etc. A nossa presença na Comissão Especial, estabeleceu referências importantes para o Partido, tendo sido feito um consistente debate de conteúdo. A terceira reunião da Comissão Política Nacional, em que também estive a convite, tratou do voto na Comissão Especial, fase em que o projeto já havia sofrido alterações, mas continuava sendo reconhecido pelos dirigentes como privatista, de fragilização do Estado e usurpador de direitos. Apesar disto, considerados aspectos conjunturais e devotar solidariamente com o governo, optou-se pelo voto a favor, por maioria, e a apresentação de um único destaque, em relação a inativos e pensionistas, após calorosa discussão. O líder do governo, camarada Aldo Rebelo, defendia não haver destaque de nenhum partido da base, face ao acordo feito com os outros líderes. Declarei o meu impedimento em relação a este voto diante da análise do mérito e fui então substituída pelo camarada Jamil Murad, na referida Comissão Especial. Destaco que o debate sobre apresentação ou não de destaque já foi polêmico desde a Comissão de Constituição e Justiça, e a decisão de não apresentá-lo foi tomada por uma votação na Comissão Política Nacional, com apenas dois votos de diferença (9 a 7, uma abstenção e duas ausências). Aí deu-se a substituição do Deputado Sérgio Miranda, que também sentiu-se impedido de estar na Comissão, sem a defesa e votação do destaque. No processo conclusivo para a votação em Plenário, reuniu-se o Comitê Central e dehberou pelo voto favorável, por ampla maio- ria, reconhecendo mais uma vez a inoportunidade da matéria e discordando da essência de seu conteúdo. Novamente na decisão sobre o destaque contra a taxação de inativos e pensionistas, houve defesa a favor do Deputado Inácio Arruda e contrária do Deputado Aldo Rebelo. Após a votação venceu a tese de não apresentá-lo e nem de apoiá-lo caso fosse apresentado pelo PDT. Note-se que foi por várias vezes levantada a contradição entre a existência do destaque e ter o líder do governo. Apesar dessa decisão do Comitê Central, o Presidente do Partido, Renato Rabelo, autorizou o líder da bancada a apresentar o destaque e a liberar os votos, fato que acabou por permitir que novamente a bancada se apresentasse dividida, com sete votos contra a posição do governo e o acordo feito entre os partidos da base e quatro apoiando a posição do governo de taxar os inativos e pensionistas, votando contra o próprio destaque do Partido. Antes das votações em Plenário, houve conversa com o Presidente e vice-presidente do Partido, Renato Rabelo e Haroldo Lima, respectivamente, onde informei da impossibilidade de acompanhar a orientação em função do conteúdo da matéria e solicitei que, diante da flexibilização da posição feita para o destaque que alterava a decisão votada na reunião do Comitê Central, que a mesma flexibilização fosse feita em relação ao projeto, mantido o encaminhamento fa vorável do líder, para assim preservar a unidade do Partido. O pedido foi negado pelos argumentos que levaram ao voto favorável. O resultado da votação, de quatro votos na bancada contra a PEC 40 levou ao processo disciplinar ora em curso. O voto dado, a rigor, significa a quebra de um procedimento que constitui característica da nossa organização partidária. Realço, porém, que não considero o voto dado como o fato r gerador da "crise". Mas, julgo oportuna a pergunta: a flexibilização acima descrita de decisão do Comitê Central não poderia ter semelhante interpretação? Considero que o fator gerador da crise foi o conteúdo das decisões tomadas ao longo dos debates, que, na minha opinião, ferem as nossas diretivas definidas em instâncias maiores da democracia partidária, como o Congresso e a resolução da 9 Conferência, homologada pelo Comitê Central. Registro como importante para análise, que, no momento de definição do nosso voto, os trabalhadores do serviço público estavam em greve nacional, com grande manifestação programada para Brasília, e que os nossos camaradas dirigentes do movimento, insatisfeitos com o conteúdo da PEC e com o restrito processo negocial, defendiam o voto contrário, o que também se expressou através das entidades sindicais e estudantis. Por esse motivo, na manifestação de setenta mil pessoas realizada um dia após a votação do projeto, não havia ambiente para a presença dos parlamentares que votaram a favor, distanciando o conjunto da bancada do movimento social, resultando num exemplo da dicotomia, constitutiva do caminho contrário ao apontado na resolução da 9 Conferência. Quanto ao segundo turno de votação da matéria, exigência constitucional, por se tratar de emenda à própria Constituição, foi perceptível uma inovação, já que antes nunca houve no parlamento a formulação da tese da reincidência, caso de repetição do mesmo voto, não sendo esperado o contrário. A matéria é única, votada em dois tempos. Nos últimos treze anos em que exerço mandato federal, não há registro de mudanças qualitativas ou de aprovação de mérito em votações de segundo turno. Como disse o Presidente da Câmara João Paulo Cunha na sessão em que votamos o segundo turno da PEC 40, dia 27 de agosto, ao indeferir questão de ordem: "A Constituição garante os dois turnos, e ambos exigem os três quintos exatamente para confirmar o que o plenário disse no primeiro. Por isso, indefiro a questão de V.Exa., sustento a decisão da Mesa de que esses destaques não podem prosperar e utilizo o mesmo exemplo do destaque do PDT para explicar ao Plenário os outros destaques" Considero, portanto, irrelevante e, no mínimo, um artificialismo, a tese criada e plantada na grande midia. Cabe registro que os votos favoráveis à PEC 40, no primeiro turno, foram em número de 358 e no segundo turno de 357. Contou com encaminhamento favorável da liderança do PSDB nos dois turnos, que sustentou seus argumentos na semelhança da proposta com a do governo anterior, oferecendo maioria da bancada. O PFL, ofereceu um número próximo de 50% de votos SIM da bancada, apesar de um encaminhamento, politicamente feito, contrário. IV - DAS RAZÕES DO VOTO - CONCLUSÃO Camaradas, O voto contra a reforma é um voto confirmador do programa e da resolução da 9 Conferência Nacional realizada em junho de É conseqüência do pensamento do Partido Comunista do Brasil. Ele é um voto pontual, momento em que nos colocamos, como reafirma a resolução, diferenciados, somando com aqueles que se postam ao lado dos mais caros interesses do povo brasileiro e sobretudo de combate ao neoliberalismo. Longe de nos colocar em oposição ao governo, nos conduz ao lugar que os comunistas devem ocupar - o combate ao neoliberalismo. Continuamos, sem qualquer dúvida, compondo a base de sustentação do governo e devemos prosseguir a luta dentro do próprio governo, reforçando a tendência identificada pela Resolução dos que pugnam por um novo modelo de desenvolvimento. A peça acusatória fala de algo inusitado para todos nós- a dimensão política do voto - "um voto de dimensão política de apoio ao governo". Tendo-se em conta que todo voto tem dimensão política e que nem toda dimensão é igual, qual a dimensão deste voto? Qual a dimensão do voto da bancada comunista quando este voto se dirige e endossa as teses do receituário neoliberal? Não seria este voto uma violência contra o Partido? O movimento social foi às ruas e a militância do Partido, ainda que perplexa, hasteou a bandeira contra a reforma. Por que a orientação de votar a favor do liberalismo também não foi estendida aos militantes comunistas que dirigem as entidades de massa? O centralismo pressupõe a unidade de ação do Partido, independente de frente de atuação. Então vamos às ruas com uma proposta e apertamos o botão do voto de outra forma? O que esta atitude constrói? A dimensão política do apoio pode nos retirar a identidade? O liberalismo é a expressão do reinado do mercado, é o ambiente da desigualdade, da competição, da fragilidade das nacionalidades, afasta-nos do objetivo estratégico: o socialismo. A reforma proposta, e ninguém poderá dizer diferente, está rigorosamente dentro do figurino liberal. O que fundamenta a tal "dimensão política" do voto é conferir "govemabilidade" no momento em que o governo fortalece a tendência conservadora, dos que são herdeiros da agenda do governo anterior? O que verdadeiramente arrisca a govemabilidade? A Resolução da 9" Conferência expressa exatamente o contrário. A disciplina é um instrumento fundamental para a aplicação da política. A política, não pode ser incoerente com o programa e resoluções superiores. Em que documento pós Conferência, o Partido autoriza apoio às teses neoliberais em nome da "govemabilidade"? Espero, sinceramente, que todo esse processo traga ensinamentos e um maduro e frutífero debate, que resulte no fortalecimento da nossa linha revolucionária, da nossa unidade e da nossa organização. Sempre acreditei que as renúncias feitas para nos dedicarmos à militância partidária só fazem sentido se conseguimos acreditar nas idéias e empunhá-las com convicção, emoção e dignidade. Por isso estou no Partido Comunista do Brasil. Brasília, 29 de agosto de 2003 Jamlira Feghali

9 ACLASSE OPERÁRIA Encarte especial 2de outubro de 2003 HISTÓRICO _DE PARTICIPAÇ40 NA DEFESA DAPREVIDENCIA SOCIAL PUBLICA Iniciei minha militância partidária quando concluía o curso de medicina. Eram os tempos da ditadura e o ambiente de recrutamento era a luta pela melhoria da saúde pública e das condições da chamada residência médica. Pronta para a vida profissional recebi a tarefa de participar da direção das entidades estadual e nacional dos residentes e incorporar-me à luta sindical da minha categoria, cujo sindicato participei em duas gestões. Em 1986, primeira eleição parlamentar com a nossa legenda, após o fim do regime militar, o Partido entendeu adequada a colocação do meu nome na disputa de uma vaga para a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e aí, como constituinte estadual, começava uma nova frente de luta - o parlamento. Estando no quarto mandato federal pelo PCdoB, completo em 2003, dezessete anos nesta frente, em vinte e dois anos de militância partidária. Militante de base, dirigente de estrutura intermediária, regional e membro do Comitê Central, tenho tranqüilidade em afirmar que me considero uma mulher de partido, tendo contribuído para fortalecê-lo durante todo este período. Nas frentes de atuação, resgato o primeiro período, onde o grande debate das políticas de saúde no campo progressista já se colocava contrário à sua mercantilização, a necessidade de fortalecê-las pela responsabilidade do Estado na busca de garantir a sua universalidade. Construir um sistema de proteção social, entrelaçado com políticas de previdência e assistência conformando o marcante conceito, internacionalmente debatido, da Seguridade Social. O ponto culminante dos debates acerca da reforma sanitária e das propostas solidárias e universais, deu-se na 8 Conferência Nacional de Saúde, onde participei como sindicalista e militante do Partido. As suas resoluções, somadas às teses da Organização Mundial da Saúde, subsidiaram o texto constitucional impresso em No transcurso de todos os mandatos, integrando as lutas concretas da sociedade, e acompanhando a evolução das formulações teóricas, suas modificações no período neoliberal e confrontando-as, vimos crescer a referência do Partido e do mandato neste debate. Resultante deste processo, sou membro titular da Comissão de Seguridade Social da Câmara desde o primeiro mandato, há treze anos, tratando-a com prioridade, sem abandonar outras frentes importantes de atuação. Com a existência dos Regimes Próprios de Previdência Social, civil e militar, o debate se estendeu ao conjunto do serviço público: universidades, institutos de pesquisa, carreiras de Estado, servidores estaduais e municipais das várias áreas. Isso gerou um debate rico e amplo. Em 1991, quando assumi o mandato federal, participei dos debates que culminaram com a sanção das Leis (organização da Seguridade Social) e (planos de beneficios da Previdência Social), ambas de julho de Hoje, no exercício do quarto mandato federal, acumulo inúmeras lutas no tema que, travadas no Congresso Nacional, ajudaram a construir o alicerce que sustenta nossa posição em defesa de uma previdência social pública que passa, necessariamente, pela defesa de um Estado forte e indutor de desenvolvimento. Ressalto três momentos em que, por meio de alterações, constitucionais e infra-constitucionais, assistimos ao desmonte do Estado brasileiro, priorizando uma política fiscalista em detrimento dos direitos dos trabalhadores brasileiros. A Emenda Constitucional n. 0 20, de 1998, do governo Fernando Henrique Cardoso, alterou significativamente os principais alicerces da Previdência Social. Cortou-se beneficios, ampliou a participação do trabalhador no seu custeio e, principalmente, acabou com a segurança do segurado na certeza do seu beneficio, que ficou condicionado ao equilíbrio financeiro do sistema. Não menos grave foi a inscrição, no texto constitucional, da possibilidade de limitar os beneficios dos servidores públicos a um teto. Estabelecido o teto regulamenta-se, por lei complementar, o regime de previdência de caráter complementar. À época, fui indicada pelo PCdoB para compor a Comissão Especial e, ao final dos trabalhos, apresentei voto em separado, contrário. Em março 1999 o governo encaminha ao Congresso o projeto de lei complementar n. 0 09/99, que dispõe sobre as normas gerais para a instituição de regime de previdência complementar pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. A matéria teve voto contrário do PCdoB em Plenário e sua tramitação foi interrompida, entre outros, em função de estabelecer, exclusivamente, beneficios na modalidade de contribuição definida. Restaram três destaques para conclusão da votação da matéria, todos com o objetivo de derrubar a expressão "contribuição definida" No mesmo ano, o governo encaminha o Projeto de Lei 1.527, do qual fui relatora, com grande repercussão e participação social, envolvendo entidades intelectuais e institutos econômicos, pois confrontamos e desmoralizamos os números do governo que apontavam falsos déficits, discutimos o conceito de seguridade em oposição ao do seguro e apontamos saídas. Meu parecer foi pela rejeição da proposta com apresentação de um substitutivo que pretendia, entre outros pontos, excluir a implantação do fator previdenciário, perverso redutor de beneficios. Meu parecer foi derrubado pela Comissão e, quando a matéria foi votada em Plenário, o PCdoB manifestou seu voto contra a proposição. Vale lembrar que nesses 12 anos como deputada federal tive a oportunidade de me manifestar na Tribuna da Câmara dos Deputados por 180 vezes para tratar da previdência social, além das participações em comissões especiais e CPI. Debati e defendi em inúmeras ocasiões, dentro e fora do Congresso Nacional, o ideal de uma previdência justa e solidária para todos. APROPOSTA DE EMENDA CONSTITUCIONAL N.o Sustentada pela mídia conservadora a proposta de reforma da Previdência foi entregue ao Congresso Nacional pelo Presidente da República e os 27 governadores. Foi amplamente divulgada a relação da aprovação da reforma como solução para a crise econômica, além da tese de que as alterações tinham por objetivo acabar com os privilégios. Buscava-se alterar profundamente os regimes previdenciários dos servidores civis com dois focos. O primeiro tem natureza fiscal, ampliar requisitos, e reduzir direitos, e instituir, através da cobrança de inativos, mais um redutor a beneficios já concedidos. O segundo visa criar fundos de pensão. O enfoque dado teve como resultado a divisão de trabalhadores, do setor público e privado. Os primeiros tidos como os "privilegiados" e colocados como alvo para a salvação dos beneficios dos llltimos, fragilizando a imagem do Estado e do serviço público, do qual depende a maioria da população brasileira. Mesmo antes da proposta ser enviada ao Congresso, o Partido manifestou-se apresentando propostas para a reforma, também pretendia ampliar requisitos, respondendo aos problemas fiscais enfrentados principalmente por estados e municípios. Mas, a diferença entre os dois posicionamentos é maior do que a oposição histórica e natural do Partido em condicionar o direito previdenciário dos trabalhadores ao humor e percalços do mercado de capitais. A proposta do Partido, posteriorment~:; materializada em emendas, diferentemente da proposta do governo, agia sobre os direitos dos servidores com claro propósito distributivo, ampliava a cobertura previdenciária dos milhões de trabalhadores que o modelo econômico em curso expulsou do mercado formal de trabalho. A preocupação inclusiva não estava presente na proposta governamental. O corte nos direitos dos servidores atendia, como afirmado textualmente nos documentos do Ministério da Fazenda, à mesma lógica de viabilizar o ajuste fiscal, tão qual as reformas pretendidas nos governos anteriores. Mas, os problemas da proposta não se resumem a essa questão. A vontade de atender aos interesses do mercado de capitais ficou manifesta quando o governo recuou do acordo indicado para garantir a integralidade e paridade de todos. O texto aprovado, em essência mantém os seus eixos originais, desconstitui direitos, reservando para a legislação ordinária um espaço futuro para maiores e mais profundos ajustes. Assegura, com esses cortes, espaços para os fundos de pensão. O debate dessa reforma ficou muito aquém de um projeto mudancista, nem se preocupou em assegurar um Estado que dê suporte a um projeto de desenvolvimento. Alguns dos principais pontos aprovados são: Para os atuais servidores, a proposta acaba com a transição e acrescenta um redutor de beneficios,para quem ainda não tiver cumprido os requisitos para se aposentar. A integralidade plena só cumprindo maiores exigências, e não garante a paridade. Para os novos servidores ficou mantida a possibilidade de restringir os beneficias ao teto de beneficios do RGPS, não sendo integral nem dentro deste limite, com a criação de fundos de pensão, que mesmo acrescido da expressão de natureza pública, não impede que na lei, seja autorizada a administração por bancos privados e terão como todos os outros, a busca de rendimentos no mercado de capitais. Ficou também determinado, na Constituição!!, que os fundos oferecerão exclusivamente beneficios na modalidade de contribuição definida; realço que a experiência dos fundos de pensão na realidade internacional, com a crescente instabilidade do mercado, tem sido desastrosa para os trabalhadoresem muitos países, particularmente n América Latina. O texto acaba com a integralidade da aposentadoria por invalidez, moléstia profissional ou doença grave. A aposentadoria nessas situações, hoje integral, será na formada lei; Foi instituída a contribuição de inativos e pensionistas, proposta derrotada com os votos do PCdoB, por três vezes no governo anterior; As pensões tiveram seus valores reduzidos; A emenda altera o valor do teto dos beneficias do RGPS (hoje de R$ 1.869) para R$ 2.400, mantendo-se na constituição um valor fixado em reais, que continuará sendo corrigido frente à inflação. As emendas que vinculavam esse teto em salários mínimos ou que permitiam à legislação ampliá-lo não foram acatadas. Sendo cumprida a promessa de campanha de dobrar o valor real do salário mínimo até o fmal deste mandato, o teto do RGPS será reduzido a 5 salários mínimos; Quanto à inclusão, a proposta criou um subsistema previdenciário. Seus integrantes terão acesso somente a beneficios de um salário mínimo, exceto aposentadoria por tempo de contribuição. A inclusão previdenciária determinada para os trabalhadores rurais em 1988 foi mais completa e mais universal, porque diferencia esse segmento social somente quanto à sua contribuição, não quanto a seus direitos previdenciários. Repetindo o movimento iniciado por FHC, essa Proposta de Emenda à Constituição suprime os direitos dos trabalhadores ou os restringem drasticamente, reservando para a Constituição a ampliação de requisitos e carências. O texto acaba com aspectos importantes do regime de previdência dos servidores, tanto dos atuais quanto dos que serão contratados a partir da promulgação da emenda. Desta forma, dá continuidade à política do governo anterior cumprindo à risca o receituário do dos organismos internacionais. A importância de retirar da Constituição direitos individuais e sociais é realçada no Relatório do Banco Mundial "Brasil questões criticas da previdência social", de Dele avalia-se que o "primeiro avanço da primeira rodada de reformas [a Emenda Constitucional n. o 20, de 1998] foi - na me- dida em que removeu a fórmula de beneficios da Constituição - tomar mais fáceis as reformas mais profundas" I. Numa perspectiva estritamente fiscalista, essa PEC introduz nos regimes próprios dos servidores as transformações que FHC levou ao regime geral de previdência social. É preciso ressaltar que carecem de fundamento as colocações que apontam o crescimento do mercado de capitais como um novo projeto de desenvolvimento para o país, como até mesmo reconhece o Banco Mundial, no documento supracitado. Nele afirma-se que "embora a justificação baseada no desenvolvimento da poupança e do mercado de capitais não tenha sido geralmente provada, as condições no Brasil indicam que melhor equilíbrio fiscal e atuarial das pensões no primeiro pilar - especialmente do RJU - criarão o espaço fiscal necessário para promover o crescimento sustentável do terceiro pilar, financiado [o BM propõe regimes [racionados e focalizados de cobertura previdenciária, no primeiro pilar é o Estado que garante os beneficias, o segundo é um regime compulsório capitalizado e o terceiro é o regime facultativo capitalizado, ambos privados ]"2. Vê-se que a preocupação do Banco Mundial, que não deveria ser a do nosso governo, é estritamente com o desenvolvimento dos fundos privados de pensão, independentemente de não estar provado que as restrições de direitos dos regimes previdenciários tenham efeito prático no desenvolvimento. Longe do debate público que até agora acompanha essa reforma, mas mais perto da verdade dos fatos, estão as afirmações constantes do Anexo de Metas Fiscais da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2004, enviado pelo governo em abril deste ano. Nesse anexo pode ser lido que a reforma da Previdência é fundamental para que se alcance a meta fiscal: "A redução das despesas especialmente algumas despesas obrigatórias de maior vulto também deverá contribuir para a meta fiscal. Dentre as medidas para melhorar o quadro fiscal, destaca-se a reforma da Previdência social". A afinnação de que a reforma está vinculada ao ajuste fiscal é importante para que se perceba que os resultados fiscais que derivam dos cortes no regime próprio de previdência e da cobrança de inativos (aposentados e pensionistas) não se destinam a financiar outros gastos sociais, mas fundamentalmente ao ajuste fiscal; passarão a ser vinculados às despesas financeiras do Estado. Essa lógica fiscalista não pretende cortar direitos dos servidores para ampliar outras obrigações do Estado, derivadas da expansão da seguridade ou da cobertura previdenciária. A redução das despesas obrigatórias é a desconstituição de direitos assegurados pelo Estado. Perderão os servidores públicos e toda a sociedade, pela precarização dos serviços públicos prestados. Divulga-se que a proposta "avançou". Ressalto que quando avaliamos wna situação adotamos um ponto de referência. A conclusão de que determinado ponto sob análise melhorou, piorou ou manteve-se inalterado leva, necessariamente, em consideração um referencial. Muito se ouve dizer à respeito dos avanços obtidos no texto da Reforma da Previdência. Oculta-se, no entanto, qual o ponto de referência escolhido para balizar tal afirmação. O substitutivo aprovado pela Comissão Especial avançou em alguns pontos específicos. O texto aprovado em 1.0 turno pela Câmara dos Deputados avança um pouco mais O texto final, no entanto, piora em relação ao atual texto constitucional. Retira os poucos incentivos para o ingresso no serviço público e qualificação do mesmo. Promove um ajuste fiscal, passando a conta para a população desassistida. Brasília, 29 de agosto de 2003 Jandira Feghali 1 Relatório n BR, de 19 de junho de 2000, vol. 1: Sinopse do relatório; p. XIV; 2 Banco Mundial; oc.; p. XXII

10 ACLASSE OPERÁRIA Encarte especial 2de outubro de 2003 J Defesa de Alice Portugal Defesa apresentada pela deputada Alice Portugal face ao voto dissidente por ela proclamado quando da votação do relatório da reforma da Previdência São Paulo-SP, 1 de setembro de Ao Secretariado Nacional do Partido Comunista do Brasil Camaradas, Instada no dia 12 de agosto a exercer meu direito de defesa "no prazo máximo de 30 dias, nesta fase de instrução" e, logo após, em 18 do mesmo mês, notificada a apresentar a defesa em 1o de setembro perante o Secretariado do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil no "Processo Disciplinar" instaurado em função de meu voto divergente a respeito da Reforma da Previdência que tramitou na Câmara dos Deputados, apresento minha defesa primeira, nos termos do caput do artigo 13 do Estatuto do PCdoB, aduzindo para tanto o seguinte: I - Da minha trajetória no Partido Sou militante do Partido Comunista do Brasil desde 1979, tendo ingressado em suas fileiras ainda estudante, nos difíceis tempos da ditadura militar, quando nosso Partido era impedido de se apresentar com a feição própria, senão nos momentos de aberto desafio à repressão. Ingressei no Partido Comunista dobrasil atraída pela correção de sua linha política, pela coerência mantida nas lutas políticas que dirigia e participava, pela respeitabilidade de seus dirigentes mais destacados e em perseguição ao ideário socialista, jamais abandonado pelo PCdoB. Nesses anos de militância, seja no movimento estudantil, seja no movimento sindical, seja no parlamento, sempre levantei bem alto a rubra bandeira de nosso Partido, procurando implementar suas orientações e assegurar o avanço de suas propostas em defesa da democracia, dos interesses nacionais e do socialismo. No meu processo de formação no PCdoB e na observação de seus estatutos, aprendi a "manter estreitas ligações com o povo e a dedicar-me à defesa de suas reivindicações", a "pertencer ao sindicato de minha profissão ou entidade relacionada com meu trabalho, atividade ou moradia, respeitando as decisões democráticas que ali se tomem e concorrendo, por todas as formas possíveis, para o fortalecimento e desenvolvimento das entidades", a "hipotecar plena solidariedade à luta dos trabalhadores e povos por sua independência nacional e por sua emancipação social". Aprendi, ainda, a respeitar a democracia interna e os mecanismos disciplinares do Partido, com os quais concordo e sem os quais acredito que o PCdoB jamais teria conseguido percorrer unido o longo e sacrificado caminho trilhado nos seus oitenta e um anos de lutas. Por isso, apoio e defendo o centralismo democrático como método de controle disciplinar e como instrumento necessário para a garantia da democracia interna de nosso Partido. Da mesma forma, tenho plena confiança na linha política do PCdoB e na competência e retidão de suas direções nacional e intermediárias. Embora tenha iniciado minha militância comunista no movimento estudaptil, foi no movimento sindical dos servidores públicos federais que mais tempo atuei e com o qual mantenho ainda hoje estreita ligação. Como Farmacêutica e Bioquímica, servidora técnico-administrativa do Hospital das Clínicas da Universidade Federal da Bahia, presidi e dirigi por muitos anos a Associação dos Servidores Técnico-administrativos da UFBA. Fui diretora da Federa- ção Nacional de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra) em dois mandatos, tendo dirigido lutas e campanhas em defesa das reivindicações e dos direitos dos servidores públicos e da preservação de um serviço público profissional, valorizado e eficiente. Liderei mais de uma dezena de greves entre 1982 e Participei da reorganização do movimento dos servidores federais, na retomada de suas entidades das mãos dos pelegos (1981 ), transformando-me em referência nacional da nossa força política neste importante segmento. Pela notoriedade alcançada, atuei na elaboração e na execução de políticas do Partido na Comissão Nacional Pró-CUT, nos Enclat's, Conclat e Concut's, sempre destacada por nossa direção para defender nossas posições em decisivas plenárias sindicais. Fui dirigente da CUT -Bahia e integrei a Executiva Nacional dacut. Eleita por duas vezes deputada estadual da Bahia fui, com legitimidade incontestável, a porta-voz dos servidores públicos na Assembléia Legislativa, estreitando ainda mais as relações do Partido e do mandato com as entidades representativas dos servidores das três esferas de Poder. O setor público foi a alavanca para a ampliação da nossa ação política junto a inúmeros setores da sociedade, pré-requisito indispensável para a maior votação para deputado federal já alcançada pelo Partido na Bahia. Em todas essas lutas, campanhas, greves e manifestações, ao lado de outros comunistas que participam do movimento sindical dos servidores públicos, atuei em sintonia com as orientações do PCdoB, refutando as ameaças que pairavam sobre conquistas e direitos históricos da categoria e visavam, acima de tudo, o enfraquecimento do Estado nacional e do serviço público. Ao longo de anos e de lutas memoráveis, assumi em nome do PCdoB compromissos que, como ensina nosso próprio estatuto, tinha por dever honrar. Durante os governos Collor e Fernando Henrique Cardoso, quando os ataques mais virulentos foram desferidos contra o serviço público e os direitos e conquistas dos servidores, nosso Partido esteve na linha de frente da resistência. Suas lideranças assumiram importantes postos na direção destas lutas, conseguindo importantes vitórias e tomando nosso Partido referência inconteste deste movimento nacional. A bancada federal do PCdoB destacou-se como portadora dos mais sólidos conceitos na defesa do Estado soberano e da Previdência pública e solidária. Em todas as campanhas eleitorais em que o PCdoB apoiou o candidato Lula, a participação dos servidores públicos foi destacada. Não apenas porque o candidato das forças progressistas significava a esperança de novos tempos, mas também porque na direção das entidades representativas dos servidores públicos estavam comunistas respeitados pela combatividade, pela coerência e pelos compromissos firmados com a categoria, a indicar o melhor caminho a seguir, o melhor candidato a apoiar. Assim também se deu nas últimas eleições, quando conquistamos uma vitória histórica, da qual nosso Partido foi força determinante e, em função da qual, o PCdoB assumiu responsabilidades perante nosso povo. No exercício de dois mandatos estaduais, não houve qualquer observação negativa sobre meus votos, opiniões e práticas. Enfrentando as forças do atraso e a concorrência desigual dos aliados de esquerda, representei com dignidade o único mandato comunista naquele período, tendo sido a mais premiada parlamentar da história do Parlamento Baiano. Tudo isso em nomedopcdob. Defendo o centralismo democrático e afirmo minha concordância com a história, o programa, a tática e 'o destino socialista do Partido Comunista do Brasil. O voto contra esta reforma da Previdência não se deu como discordância a estes preceitos partidários. Não se deu como afronta, mas como pontual divergência sobre uma matéria típica da agenda do governo anterior, enviada ao Congresso pelo nosso governo sem levar em consideração nossas opiniões, emendas, apelos e, muito menos, o constrangimento público imposto a centenas de militantes com trajetórias muito similares a que acabo de descrever Aproposta de reforma da Previdência A proposta de reforma da Previdência do nosso governo foi elaborada sem qualquer participação dos aliados e dos setores sociais diretamente envolvidos. A construção, iniciada em 1999 com o seminário nacional das administradoras dos fundos de pensão, em Brasília, teve, no entanto, intensa participação de integrantes do PT. Os participantes daquele encontro ocupam, hoje, postos estratégicos no governo para a defesa destas idéias. A Seguridade Social é um conceito que expressa uma enorme conquista dos trabalhadores. É a proteção social que compreende a Assistência, a Previdência e a Saúde. No Brasil, apenas em 1988 estes conceitos foram incorporados à Constituição Federal, por conta das lutas empreendidas pela sociedade, tendo o Partido como uma de suas forças incentivadoras. Acabou-se, em tese, com o conceito de indigência. Garantiu-se proteção ao indivíduo desde antes do nascimento (acompanhamento pré-natal) até depois da sua morte (auxílio-funeral, pensão, etc.). Solidificou-se a existência da Previdência pública, solidária, por repartição, baseada no pacto geracional. A PEC-40, exatamente como as iniciativas do governo Fernando Henrique (PEC 136, PLP 09/99 e a Emenda 20), visa desfigurar estes avanços obtidos com a luta dos trabalhadores. Criar fundos de pensão para servidores públicos, transferindo obrigações do Estado para o mercado, retirar direitos destes trabalhadores e submetê-los a intensa campanha difamatória foi muito perverso da parte do governo. A mentira do déficit, repetida sistematicamente, não pode contar com nossa anuência. A Previdência é parte da Seguridade, que teve um superávit de R$ 36 bilhões em Ocorre que as fontes de fmanciamento criadas para cobrir a ampliação dos direitos relativos à saúde e assistência social, não são unicamente usadas para esta destinação, o que leva o governo a usar recursos previdenciários para manter toda a seguridade social. Os servidores são os que mais contribuem com o caixa da Previdência ( 11% sobre o total dos vencimentos) e com maior regularidade (35/30 anos), geralmente ininterruptas. O discurso, inclusive do Presidente da República, no gozo do prestígio resultante da vitória obtida nas últimas eleições, foi o da busca do corte de privilégios de servidores ativos e aposentados, que receberiam vencimentos vultosos. Para conter a devassa prometia a definição do teto remuneratório, como se essas medidas justificassem a reforma como um todo. Para isto bastava regulamentar o texto constitucional. Os dados oficiais, desmontando o argumento do governo, comprovam que dos aproximadamente quatro milhões de servidores públicos entre União, Estados e Municípios, cerca de percebem salários acima de R$ ,00. Os conceitos de integralidade e paridade, únicos diferenciais exclusivos da carreira pública, foram considerados sazonais. A PEC-40 tratou de criar uma linha divisória entre os atuais e os novos servidores, desestimulando as novas gerações para as funções públicas e detratando o constante da Lei 8112/90, o Regime Jurídico Único, que garante que para trabalho igual, salário igual. A integralidade para os atuais servidores, comemorada como conquista negocial, não passou de um blefe. Ainda com a PEC40 na Câmara dos Deputados, o Procurador Geral da União ingressou com uma ADIN (2968), em 15.08, para desproteger da "integralidade" aqueles servidores egressos do Regime CLT e incorporados, por opção unilateral da União em 1990, ao Regime Jurídico Único. De uma só vez, mais de servidores perdem o direito anunciado à integralidade como uma concessão do governo. A taxação de aposentados foi aprovada e ganhou um falso brilho argumentativo na boca da esquerda, ao aludir-se, contrariando o discurso dos privilégios, de que a maioria não seria taxada, pois os salários da maioria são muito baixos. O problema está no estabelecimento de um teto, que inspira o modelo dos fundos de pensão e sobretaxa quem já pagou a vida toda com uma alíquota superior à dos demais trabalhadores. Este tema polêmico foi derrotado seguidamente no plenário da Câmara no passado com o voto do PCdoB e a mobilização dos servidores públicos. Agora é aprovado atropelando decisões anteriores do Congresso e do STF, a tese do direito adquirido e o paradigma da isonomia de tratamento com os aposentados do Regime Geral. Taxar pensionistas com que objetivo atuarial? E, pior, sem qualquer análise da dependência econômica do beneficiado. Reduziu-se o dano para uma taxa de 30% linear, mas nada justifica a medida. O Ministro da Previdência afirma que taxar os inativos manteria as pensões. E taxar os pensionistas manteria o quê, se são eles terminativos no sistema de benefícios? Ao liquidar com a Previdência Pública dos servidores, votou-se na criação de um Fundo Público de pensão. Isso aparece como uma grande e importante novidade. Pergunto: a aplicação dos recursos dos servidores e do governo será feita aonde? Até então o governo administrava estes recursos e os trabalhadores tinham a garantia constitucional do amparo do Tesouro. Agora será o mercado a delimitar os ganhos das aposentadorias e das pensões acima do teto criado. A contribuição dos servidores continua definida em 11%, mas o beneficio ficou indefinido. Para os atuais, será definido em Lei Complementar. Para os futuros, na dependência do humor do mercado. É isso o que foi aprovado. Neste curto debate sobre a reforma da Previdência o governo cedeu mais para a Magistratura do que para qualquer outro segmento social. Pesquisas realizadas no período das conversas do governo com os juízes mostraram descontentamento da sociedade com as alterações em curso. Como compreender um governo popular, como o nosso, que não negocia com seus trabalhadores em greve? Foram 50

11 ACLASSE OPERÁRIA Encarte especial 2de outubro de 2003 dias de greve, duas grandes marchas em Brasília, quase trabalhadores parados e nenhuma negociação efetiva. Dos 13 pontos apresentados pelas 11 entidades em greve a penas 1 foi incorp orad o integralmente ao texto, q ue foi a desp rivatização do Seguro p or Acidente do Trabalho. As entidades de servidores apresentaram em seguidas audiências na Câmara uma proposta diferente de Reforma da Previdência. Uma outra de Reforma Tributária. Fizeram inúmeras sugestões para alteração do texto. Praticamente nada foi incorporado e em todas as sete audiências que participei ouvi do relator que "tudo passaria pelos governadores", desqualificando aquele espaço que poderia ter se transformado em uma grande negociação com o segmento em greve. A CUT, majoritariamente dirigida pelo grupo Articulação Sindical, o mesmo grupo majoritário do PT, endossou este raciocínio. O seu Presidente participou das sete audiências com as entidades de servidores e os líderes da base aliada e, ao final, por entender "não ter havido negociação", exigiu dos parlamentares o voto contrário ao texto, conforme nota transcrita abaixo: "Previdência: CUT recomenda voto contra o relatório Diante dos desdobramentos do debate sobre o relatório do deputado José Pimentel, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) recomenda aos senhores deputados o voto contrário ao projeto de reforma da Previdência. A CUT reconhece vários avanços no projeto apresentado à consideração da Câmara Federal, entre elas a interrupção do processo de privatização do seguro de acidente do trabalho, o aumento do teto de aposentadoria para os trabalhadores da iniciativa privada bem como a intenção de incluir os 40 milhões de trabalhadores brasileiros que hoje não são alcançados por qualquer beneficio previdenciário. No entanto, em nome dos princípios de justiça previdenciária que defende, a CUT não pode aceitar que o relatório apresentado ao plenário da Câmara deixe de contemplar, entre outras reivindicações dos trabalhadores, a necessidade de regras de transição e isenção de aposentados e pensionistas que protejam o funcionalismo de baixo salário. Para a CUT, o processo negocial estabelecido pelas lideranças da base do governo limitou-se ao entendimento construído com os governadores e setores de alta renda em prejuízo de negociações com os trabalhadores representados pela CUT. Diante disto, a CUT reforça seu apoio e reitera seu chamamento à Marcha em Defesa da Previdência Pública e Solidária prevista para amanhã, dia 6, em Brasília. Luiz Marinho Presidente da CUT" Em minha compreensão, o PT pode decidir abrir mão de uma base social de apoio com tamanha inabilidade. Comenta-se nos corredores do Congresso a existência de uma bancada dos fundos de pensão. Os compromissos por eles firmados com o mercado podem justificar tal escolha. Esse não é o nosso caso. São milhares de formadores de opinião, técnicos especializados, professores universitários, intelectuais, que influenciamos no curso de todos esses anos e que, agora, são transformados em vilões das contas públicas por um governo popular. O PCdoB não pode se dar ao luxo de perder tanta influência na sociedade. A PEC-40 tem na alma a filosofia do corte e da redução de direitos, submete o social ao econômico, acena generosamente para o mercado dos fundos de pensão. Durante a tramitação da PEC 40 na Câmara, a adesão aos fundos de pensão cresceu mais de 30%. É um modelo de expectativas em curso, com sinais explícitos para um mercado voraz. III - OPCdoB e a tramitação da PEC-40 Já no mês de março circulava em Brasília a decisão governamental de manter as L quatro reformas da agenda anterior em pauta. No tocante à previdenciária, rumores da manutenção do PLP-09 foram afastados, em função dos protestos vindos de diversos setores. O texto apresentado à sociedade, no entanto, manteve a matriz anterior. Antes de qualquer pronunciamento oficial, nosso Partido aprovou em sua Comissão Política um elenco de pontos e sugestões e os entregou aos Ministros Berzoini e José Dirceu. O Projeto chega com o aval dos governadores, sem qualquer tinta dada pelo movimento social ou pela base aliada. Ingressamos com seis emendas justas e, ao final do processo, duas foram parcialmente acatadas, porém seus créditos publicamente conferidos aos partidos da oposição. No âmbito da Comissão Especial onde atuei como suplente nenhuma contribuição foi incorporada. Na noite anterior à votação do relatório, a Comissão Política reúne-se e resolve que a bancada deveria dar o voto 'sim', ressalvando u m destaque contra a taxação dos aposentados. A Comissão Política muda a representação do Partido na Comissão Especial. No meu caso, isto se dá já com a reunião de votação instalada. O camarada-deputado, substituto da titular, apresenta o destaque, que de pronto foi rejeitado por acordo de tod as as lideranças partidárias, anulando as intenções diferenciadoras do nosso Partido, contrariando a decisão anterior da Comissão Política. De imediato faz o anúncio de que nos reservaríamos a apresentar o destaque em plenário. Antes da votação da PEC-40 em plenário, o Comitê Central, em delicada reunião, manifesta sua decisão por conferirmos mais um "voto político", forma adotada quando da desconstitucionalização do sistema financeiro. Justifica-se que um voto contra pontuaria um rompimento com o governo, além da sua possível desestabilização. A reunião d ecide que não deveríamos oferecer e nem votar em qualquer destaq ue, contrariando a expectativa publicamente criada pela decisão anterior da Comissão Política. Ainda perseverei na esperança de mudanças centrais no projeto, frustrada em reunião com a CUT e demais entidades na segunda-feira, dia 05 de agosto, véspera da votação, levando-me ao impedimento de conferir-lhe o voto. Momentos antes da votação, com a bancada reunida, foi anunciado pelo líder que, por autorização do Presidente do Partido, havia dado entrada no destaque contra a taxação dos aposentados. Em plenário, o líder liberou a bancada para que alguns depu- tados pudessem votar contra o destaque do próprio Partido. Como podemos ver, mesmo nas sucessivas reuniões partidárias, o grau de dificuldade para consolidar uma posição já estava evidenciado. Pelo regimento da Câmara dos Deputados, ao serem apreciadas emendas constitucionais, a votação deve dar-se em dois turnos, pela relevância do tema. Trata-se apenas do segundo turno de uma mesma votação. No intervalo entre o primeiro e o segundo turno, apelos foram realizados para a mudança do meu voto. Ressalto a boa intenção da proposta, porém contesto a denominação de reincidente aplicada à decisão de manter o voto contário. Tratava-se da mesma PEC-40, com o núcleo do projeto inalterado, mantendo, no texto e na intenção Legislativa, a mesma essência fiscalista e privatista, motivos que, em confronto com a coerência das opiniões defendidas por mim e pelo Partido, com minha origem e trajetória, me impediram de votar, desde o primeiro turno, como decidiu a nossa Direção. IV - Oapolo ao governo Lula e a g Conferência Tenho concordância de que nosso Partido precisa lutar pelo sucesso do governo L ula, sem o qual fatalmente o Brasil poderá sofrer grave retrocesso. Não vejo, igualmente, qualquer alternativa conseqüente ao nosso projeto de governo. Essa experiência traz, pela primeira vez, para o núcleo do governo forças antes excluídas do processo decisório. Tenho consciência também de que há, no interior do governo, um embate entre forças que defendem visões opostas e de que é nossa tarefa lutar para que desse debate soerga um novo país, para livrá-lo das amarras do capital financeiro e conduzilo rumo ao desenvolvimento independente e soberano. Mudar os rumos do Brasil é tarefa hercúlea, que não se resolve do dia para a noite, mormente quando se tem pela frente o pesado fardo da herança deixada pelo governo FHC, a voracidade do capital financeiro e a resistência de uma classe dominante cevada com privilégios durante anos. É atualíssima a opinião do Camarada Amazonas! sobre a estratégia neoliberal: "Naqueles países (capitalistas desenvolvidos), argumenta-se, seria necessário promover cortes nos beneficios sociais adquiridos pelas classes trabalhadoras, reformular legislações laborais, reduzir salários, redimensionar direitos previdenciários". Amazonas prossegue afirmando que: "Sob o fraudulento pretexto de extinguir o Estado obeso, burocrático e ineficiente, de livrálo de encargos tidos como supérfluos, os arautos do neoliberalismo visam converter os Estados nacionais dos países dependentes em meros aparelhos administrativos com funções secundárias, sem nenhum compromisso com o fomento ao desenvolvimento nacional...". Nosso Partido, nos documentos que produziu e nas intervenções de seus dirigentes, identificou com clareza e precisão a disputa entre a continuidade e a mudança dentro do governo Lula. A resolução aprovada em nossa 98 Conferência Nacional é cristalina ao vaticinar: "o novo governo tem a incumbência de realizar mudanças no sentido de um modelo de desenvolvimento voltado para o crescimento da economia, a afirmação da soberania nacional e a melhoria das condições de vida do povo... ". O texto prossegue afirmando que "a orientação do PCdoB é principalmente propositiva e também crítica no sentido da consolidação da perspectiva mudancista do governo. Passa por uma estreita combinação ent re a ação institucional - no pa rlamento e cargos executivos - e a mobilização política das massas populares". Na Conferência Nacional, reafirmando seus compromissos com o sucesso do governo Lula, o Partido manifestou seu apoio à mobilização dos servidores públicos. O texto dá suporte a esta decisão, ao afirmar que "a militância precisa aumentar o protagonismo no movimento social real". O Partido reafirmou sua disposição em lutar para modificar a PEC-40, seja através da apresentação de emendas que resgatassem o caráter universal da Previdência, assegurassem a inclusão de milhões de trabalhadores sem qualquer tipo de proteção social, mantivessem a integralidade e a paridade e livrassem os aposentados da taxação de suas aposentadorias; seja através do apoio à mobilização dos trabalhadores em defesa de uma Previdência justa (opiniões do Partido e da Conferência Nacional da esc realizada 02 meses antes). Sinalizando neste sentido o documento final da Conferência diz: "O mergulho no movimento operário e social é fato r indispensável da nova acumulação de forças do Partido, inclusive de seu incremento eleitoral. É a fonte principal de onde emanarão os novos contingentes militantes. Este desafio precisa urgentemente ser desdobrado em proposições e ações concretas que sinalizem as mudanças necessárias". A resolução afirma que "as reformas em pauta - previdenciária, tributária, trabalhista e política -, propostas pelo governo devem ter como norte na sua definição a retomada do desenvolvimento, a Nova edição de Princípios Com uma temática voltada para o grande desafio de promover o desenvolvimento com a criação de empregos, a capa da nova edição da revista Princfpios apresenta cinco textos que se complementam, procurando abordar sob diferentes ângulos a difícil realidade económica brasileira nestes primeiros oito meses do governo presidido por Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro deles apresenta a proposta que o Partido Comunista do Brasil divulgou a todas as forças progressistas do país, propugnando a União pelo desenvolvimento, emprego e valorização do trabalho. Em seguida, a revista traz uma entrevista com o economista Luciano Coutinho tratando da tarefa indutora do Estado Nacional em um projeto de desenvolvimento como esse, após duas décadas de crescimento do PIB brasileiro absolutamente insuficiente. O FMI e a soberania nacional é o tema do terceiro texto, assinado por Aldo Arantes, onde o autor analisa as condicionalidades e a oportunidade da eventual assinatura da renovação do acordo com o Fundo. Renildo Souza, por sua vez, procura tirar lições da experiência neoliberal no Brasil, Argentina e México, que deixou um legado de destruição nacional e desemprego no continente. E, por fim, Dilermando Toni trata da questão nacional no governo Lula, defendendo a tese de que o enfrentamento dos problemas da soberania nacional é a condição para abrir caminho a um novo ciclo de desenvolvimento económico. Editora Anita Garibaldi- Telefone: (11) Página da Web: o

12 M ACLASSE OPERÁRIA Encarte especial 2de outubro de 2003 distribuição de renda, a preservação e ampliação de direitos e a ampliação democrática, apesar das pressões que vêm sofrendo de sentido conservador, neoliberal. Reformas, portanto, em rumo distinto daquelas do governo de Fernando Henrique Cardoso que fragilizaram o Estado, a soberania nacional e os direitos dos trabalhadores". O documento é sábio ao pontuar que "as reformas em discussão se não forem apontadas no rumo da ampliação da democracia, dos direitos sociais e de uma nova estratégia de desenvolvimento, se confundirão com a agenda do governo passado, ficando à mercê da disputa de múltiplos interesses". E diz que "o centro da questão está em que uma mudança efetiva passa pela alteração dos fundamentos económicos até aqui prevalecentes, pela recomposição do Estado nacional e pela afirmação crescente da soberania nacional". O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, ao discursar na solenidade de encerramento da 9 Conferência Nacional do Partido, afirmou: "participamos do governo por- que temos a consciência de que uma derrota do governo seria uma derrota nossa". Sobre as reformas da Previdência, Tributária e Política, disse: "Cada Partido tem o seu programa, assim como o governo tem o dele. No caso da Previdência nós temos, sim, uma visão diferente. Isto nós não temos escondido. O nosso objetivo é debater, é discutir, buscando uma saída construtiva. O Congresso pode jogar um papel nesta mediação". Porém, ressaltou ao ministro José Dirceu, presente à solenidade, que "algumas questões nos preocupam... " e que, sobre a Previdência, lutaríamos para mudar o projeto e, caso não conseguíssemos, poderíamos até votar contra. São claras as diretrizes táticas de nossa vitoriosa 9 Conferência. Não há margem para dupla interpretação. Comungo integralmente com a visão de que temos que apoiar o governo, com manifestações de apoio e crítica, de unidade e luta. O meu voto foi contra a PEC-40, sem qualquer traço de oposição ao governo. Foi contra um texto regressivo em relação a direitos trabalhistas e sociais. Contra uma proposta de inspiração neoliberal, arquitetada por setores, inclusive do PT, susceptíveis aos apelos do mercado. Um voto dado nos marcos da coerência histórica de nosso Partido, reafirmada nas resoluções da 9" Conferência. v- Sobre o voto divergente Na reunião do Comitê Central convocada para discutir o voto da bancada comunista em relação a PEC-40, foram majoritárias as intervenções criticas sobre o conteúdo da Reforma da Previdência, mas preponderou a opinião de que o voto da bancada comunista deveria ser um voto político, a favor do governo Lula e não de apoio ao conteúdo da Reforma da Previdência. Durante todo o primeiro semestre de 2003 participei ativamente como suplente da Comissão Especial da Reforma e de todas as mobilizações em defesa dos direitos dos servidores públicos e contrárias à Reforma da Previdência como pretendida pelo governo. Foram dezenas de assemblé;as, atos públicos, passeatas, debates, palestras, encontros e manifestações de rua nas quais os comunistas tiveram destacado papel. Frise-se que, quanto a essa conduta incentivadora da movimentação social, em nenhum momento recebi qualquer tipo de orientação em contrário por parte da direção de nosso Partido. No movimento social defendi sempre a negociação para votarmos unidos com o governo. O movimento sindical, sob nossa orientação, também assim procedeu; porém, o governo preferiu trocar a negociação com os servidores pela intensificação de uma propaganda oficial desinformativa, preconceituosa e abertamente afrontosa à carreira pública. Apelos múltiplos de entidades como OAB, CUT, CNBB, entre outras, foram em vão e não demoveram o governo de levar à frente seu projeto. No Partido e na bancada, durante todo o período que antecedeu a votação, em tom de quase súplica, solicitei a apresentação de alternativas para o impasse. Deixei claro o meu IMPEDIMENTO para votar a matéria com aquele conteúdo, não pelo calor do debate, ou problemas eleitorais, muitos menos por uma febre corporativista, mas unicamente pela construção de 22 anos nos quais atuei como protagonista, defendendo de forma autorizada pelo PCdoB estas teses agora contestadas pelo governo que apoiamos. No ambiente político, profissional, sindical e pessoal em que vivo, o meu voto a favor da matéria geraria uma desconstrução tamanha que abalaria a estrutura partidária nesta área. Estaria sujeita a um distrato político e moral por parte de todos aqueles crédulos no ideário que apresentei ao longo da minha vida política. Os incrédulos, por sua vez, se incumbiriam do linchamento político, pois, por ser do setor e por ter derrotado inúmeras vezes suas expectativas de êxitos contra o PCdoB, não perderiam esta rara oportunidade de nos dar um "tratamento especial", bem mais rigoroso do que o dispensado aos demais parlamentares em situação semelhante. VI - Das faltas a mim Imputadas O presente processo iniciou-se com a manifestação da Presidência do Partido, em 7 de agosto do ano em curso, quando, em nota pública, entendeu ser o meu voto "dissidente", e de outros camaradas, na reforma da Previdência "fato grave" que "causou justificada indignação da militância comunista", configurando "desrespeito" "ao centralismo democrático" que sob nenhum argumento "se justifica". Apesar da admiração por mim devotada, sempre, ao Presidente e aos dirigentes partidários, camaradas da maior relevância para engrandecimento do Partido, cumpre destacar que o episódio pontual e específico da posição partidária e dos quatro parlamentares na votação da reforma da Previdência trouxe à confronto princípios estatutários e políticos a configurar exceção raríssima ao prestígio incondicional do centralismo democrático. A presente defesa visa, exatamente, demonstrar a possibilidade de justificativa excepcional para situação especialíssima, na qual todos almejam o mesmo objetivo fortalecimento do Partido e sucesso do governo - mas não podem optar pelo mesmo ato político específico, porquanto em contraposição princípios partidários e ideológicos cujas forças, no particular, equivalemse. A mim é imputado o descumprimento aos artigos 9, 1Oe 11 do Estatuto do Partido. O primeiro teria sido malferido porque meu voto não teria contribuído para salvaguardar a unidade partidária. O segundo porque, assegurado amplo debate interno, deveria a minoria curvar-se à maioria, sendo a "lei maior da organização do Partido, o centralismo democrático". O terceiro, por sua vez, seria a mim aplicável porquanto meu voto traduziria atividade desagregadora do Partido. A análise da questão excepcional do episódio no qual manifestei meu voto não deve ser apenas pela óptica dos princípios organizacionais do Partido. Também deve considerar que, nesse ponto específico, emergiram em confronto outros princípios, estatutariamente tratados no mesmo plano, quais sejam: a) trabalhar constantemente para desenvolver as bases do marxismo-leninismo (art.9, "a"); b) dedicar-se à defesa das reivindicações do povo (idem "b") - e os funcionários públicos também são povo; c) pertencer e respeitar as decisões democráticas tomadas no âmbito sindical, concorrendo, POR TODAS AS FORMAS POSSÍVEIS, para o fortalecimento e desenvolvimento da entidade (idem "c"). Além desses, merecem destaque os três fundamentos essenciais da atividade partidária, inseridos no artigo 12 do Estatuto, quais sejam: DISCIPLINA PARTIDÁRIA, PRINCÍPIOS PROGRAMÁTICOS E LINHA POLÍTICA. Assim, nesse pontual episódio, ocorreu circunstância única em que tais fundamentos entraram em confronto. A contradição pontual dos referidos princípios estatutários não inviabiliza a coexistência deles, da mesma forma que meu voto na especialíssima situação da reforma da Previdência não macula e nem impede a minha militância dedicada e fiel no Partido. Na reforma da Previdência, matéria complexa e polêmica, não é simples substituir a análise do mérito por um voto político que abstraia toda a iniqüidade do conteúdo da peça, concretizando-se um voto de socorro ao governo. Mais dificil ainda, no meu caso, sendo parte integrante de toda uma resistência de anos a este mesmo conteúdo, quando veiculado por governos anteriores. Por isso, também reputo que meu voto não foi dissidente com o Partido, mas foi apenas divergente com o mérito da matéria, levando-me à inédita circunstância de não prestigiar o princípio da disciplina partidária, mas amparada nos demais princípios programáticos. Divergência específica e exclusiva com a natureza do voto, jamais contra o princípio e a cultura do centralismo democrático. Por certo, o fundamento da minha escolha, não tem amparo na nossa lógica de funcionamento partidário. Porém vi-me impedida do cumprimento da decisão. Pessoalmente, significa uma derrota votar diferente do meu Partido. Espero dela tirar lições e, quem sabe, também contribuir com um debate partidário sobre como tratar contradições como estas, quando o Partido é contra no mérito, mas por razões conjunturais, explicita uma opinião favorável, a despeito de suas convicções. Portanto, o voto diferente não buscou quebrar a unidade partidária, questionar o centralismo democrático, ou desagregar o Partido. Não fiz deste episódio pontual uma bandeira contra o governo ou contra o Partido. Procurei, ao contrário, me esquivar dos setores da imprensa que sempre buscaram macular nossas opiniões. Em público tenho defendido nossa posição contrária ao mérito desta reforma e explicado o voto político do Partido. Tive zelo especial para com os demais parlamentares do Partido e das forças aliadas, afirmando que "uma história não se constrói e não se desfaz com um voto", exceto quando é você a porta-voz dos direitos ora vilipendiados. Assim, prezados camaradas, espero que esse episódio seja tratado com a excepcionalidade que as circunstâncias requerem e que possamos juntos permanecer na caminhada em prol dos ideais comunistas, defendidos com afinco pelo Partido e por mim. Eis a minha defesa e a minha esperança no reconhecimento dos meus propósitos passados, presentes e futuros com o Partido Comunista do Brasil. Alice Mazzuco Portugal REFE!d.NCIA BIBLIOGRÁFICA: 1AMAZONAS, João. O Estado e a Modernidade. ln: Revista Princípios n 34, Defesa de Afonso Gil Defesa apresentada pelo deputado Afonso Gil face ao voto dissidente proclamado na votação do relatório da reforma da Previdência Excelentíssimo Senhor Presidente Nacional do Partido Comunista do Brasil. Afonso Gil Castelo Branco, brasileiro, separado judicialmente, promotor de justiça, ora deputado federal, vem, nos autos do processo disciplinar que lhe promove a Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil, apresentar defesa, fazendoo no prazo legal e aduzindo o seguinte: Preliminarmente, estranho que, advogando o princípio da ampla defesa, a Reso- lução da Comissão Política esteja a prever, antecipadamente, a pena que será aplicada ao acusado, suprimindo o princípio do processo legal e do contraditório, da essência da democracia. No mérito, esclarece o acusado, queresolveu votar contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional número 40, por considerá-la inconstitucional e após participar de diversos debates com servidores públicos e consultar a maioria dos militantes do Partido no Estado do Piauí. Demais disso, o acusado consultou, nos arquivos da câmara, documento de autoria e responsabilidade de membros do Partido, considerando de teor neoliberal, várias propostas da mensagem número 3066/95, dentre as quais a taxação dos proventos dos inativos e a extinção da paridade entre ati vos e inativos. Tais propostas, de bom alvitre lembrar, foram tratadas pelo Partido como Destaque a ser emendadas em plenário, o que não ocorreu, permanecendo na essência a PEC original. Posto isso, resolveu o acusado assumir a posição questionada como dissidente, reflexo de suas convicções políticas e de seu passado de lutas em favor dos direitos dos trabalhadores. Justiça! N. autos P. Deferimento Brasília 03 de Setembro 2003 Afonso Gil Castelo Branco Deputado Federal

Ao Conselho Deliberativo, como órgão que estabelece as diretrizes de atuação da ASBERGS competem:

Ao Conselho Deliberativo, como órgão que estabelece as diretrizes de atuação da ASBERGS competem: Regimento Interno Objeto Composição e Competência Presidência Reuniões Ordem dos Trabalhos Disposições Gerais Capítulo I Objeto Art. 1.º - Em cumprimento ao Estatuto Social da Associação dos Funcionários

Leia mais

Regimento Interno da Articulação de Esquerda

Regimento Interno da Articulação de Esquerda Regimento Interno da Articulação de Esquerda A Articulação de Esquerda (AE) é uma tendência interna do Partido dos Trabalhadores. Existe para a defesa de um PT de luta, de massa, democrático, socialista

Leia mais

DECISÃO COREN/RJ N.º 1821/2012

DECISÃO COREN/RJ N.º 1821/2012 DECISÃO COREN/RJ N.º 1821/2012 Dispõe sobre a criação de Comissão de Ética de Enfermagem Institucional. CONSIDERANDO o disposto no artigo 8º, I, da Lei 5.905/73, que possibilita ao COFEN aprovar seu regimento

Leia mais

COLÉGIO DA ESPECIALIDADE DE ENFERMAGEM DE SAÚDE MATERNA E OBSTÉTRICA REGULAMENTO INTERNO

COLÉGIO DA ESPECIALIDADE DE ENFERMAGEM DE SAÚDE MATERNA E OBSTÉTRICA REGULAMENTO INTERNO COLÉGIO DA ESPECIALIDADE DE ENFERMAGEM DE SAÚDE MATERNA E OBSTÉTRICA CAPÍTULO I Disposições Iniciais COLÉGIO DA ESPECIALIDADE DE ENFERMAGEM DE SAÚDE MATERNA E OBSTÉTRICA REGULAMENTO INTERNO Artigo 1º -

Leia mais

REGIMENTO INTERNO CAPÍTULO I. Da Finalidade

REGIMENTO INTERNO CAPÍTULO I. Da Finalidade REGIMENTO INTERNO CAPÍTULO I Da Finalidade Art. 1ª Fica instituído o Regimento Interno da da Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF, em conformidade com o Decreto nº. 6.029 de 1º de fevereiro

Leia mais

REGIMENTO DA ASSEMBLEIA GERAL DA ASSOCIAÇAO DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA

REGIMENTO DA ASSEMBLEIA GERAL DA ASSOCIAÇAO DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA REGIMENTO DA ASSEMBLEIA GERAL DA ASSOCIAÇAO DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA CAPÍTULO I Da Assembleia Geral Artigo 1 Natureza A Assembleia Geral é constituída por todos os associados no pleno gozo dos seus

Leia mais

Regimento Interno do Conselho Municipal do Idoso de Passo Fundo COMUI Capitulo I Da Natureza e Finalidade

Regimento Interno do Conselho Municipal do Idoso de Passo Fundo COMUI Capitulo I Da Natureza e Finalidade Regimento Interno do Conselho Municipal do Idoso de Passo Fundo COMUI Capitulo I Da Natureza e Finalidade Art. 1º - O Conselho Municipal do Idoso de Passo Fundo COMUI- possui atribuições de caráter propositivo

Leia mais

RESOLUÇÃO Nº 016/2015 DE 05 DE MARÇO DE 2015

RESOLUÇÃO Nº 016/2015 DE 05 DE MARÇO DE 2015 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA GOIANO CONSELHO SUPERIOR RESOLUÇÃO Nº 016/2015 DE 05

Leia mais

LEI DOS PARTIDOS POLÍTICOS (Lei n. 9.096/95)

LEI DOS PARTIDOS POLÍTICOS (Lei n. 9.096/95) - Partido Político: pessoa jurídica de direito privado, destinada a assegurar, no interesse democrático, a autenticidade do sistema representativo e a defender os direitos fundamentais definidos na CF.

Leia mais

REGIMENTO INTERNO CONSELHO DELIBERATIVO SANTOS ATLÉTICO CLUBE

REGIMENTO INTERNO CONSELHO DELIBERATIVO SANTOS ATLÉTICO CLUBE REGIMENTO INTERNO CONSELHO DELIBERATIVO SANTOS ATLÉTICO CLUBE CAPITULO I - DA MESA DIRETIVA Art. 01 - A Mesa Diretiva do Conselho Deliberativo será composta pelo Presidente, Vice-Presidente e Secretário,

Leia mais

REGIMENTO INTERNO CONSELHO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO CONSEPE

REGIMENTO INTERNO CONSELHO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO CONSEPE REGIMENTO INTERNO CONSELHO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO CONSEPE TÍTULO I DA COMPOSIÇÃO E DAS COMPETÊNCIAS CAPÍTULO I - DA COMPOSIÇÃO Art. 1º O CONSEPE é o órgão colegiado superior que supervisiona e

Leia mais

METODOLOGIA PARA A ESTATUINTE UFRB DOS OBJETIVOS. Art. 2º - São objetivos específicos da ESTATUINTE: a) definir os princípios e finalidades da UFRB.

METODOLOGIA PARA A ESTATUINTE UFRB DOS OBJETIVOS. Art. 2º - São objetivos específicos da ESTATUINTE: a) definir os princípios e finalidades da UFRB. METODOLOGIA PARA A ESTATUINTE UFRB DOS OBJETIVOS Art. 1º - A ESTATUINTE consiste em processo consultivo e deliberativo que tem por objetivo geral elaborar o Estatuto da UFRB. Art. 2º - São objetivos específicos

Leia mais

Estatutos CAPÍTULO I. Definições gerais ARTIGO 1º. Denominação, natureza e duração

Estatutos CAPÍTULO I. Definições gerais ARTIGO 1º. Denominação, natureza e duração , Estatutos CAPÍTULO I Definições gerais ARTIGO 1º Denominação, natureza e duração 1. A Federação Académica Lisboa, adiante designada por FAL, é a organização representativa das Associações de Estudantes

Leia mais

REGIMENTO INTERNO DA COMISSÃO DE ÉTICA

REGIMENTO INTERNO DA COMISSÃO DE ÉTICA REGIMENTO INTERNO DA COMISSÃO DE ÉTICA Artigo 1º A Comissão de Ética, pretende de maneira independente, imparcial, sigilosa e soberana, assegurar a apuração das representações, apresentadas pelos associados

Leia mais

DECRETO Nº 6.029, DE 1º DE FEVEREIRO DE 2007

DECRETO Nº 6.029, DE 1º DE FEVEREIRO DE 2007 SENADO FEDERAL SUBSECRETARIA DE INFORMAÇÕES DECRETO Nº 6.029, DE 1º DE FEVEREIRO DE 2007 Institui Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA,

Leia mais

160945 Agrupamento de Escolas de Esgueira ÍNDICE

160945 Agrupamento de Escolas de Esgueira ÍNDICE ÍNDICE Artigo 1.... 4 Finalidades... 4 Artigo 2.... 4 Composição... 4 Artigo 3.... 4 Competências do Conselho Geral... 4 Artigo 4º... 5 Duração do Mandato... 5 Artigo 5º... 5 Perda do Mandato... 5 Artigo

Leia mais

Estatuto da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Autarquias de Fiscalização do Exercício Profissional - FENASERA

Estatuto da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Autarquias de Fiscalização do Exercício Profissional - FENASERA Estatuto da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Autarquias de Fiscalização do Exercício Profissional - FENASERA Capítulo I Da Federação e Seus Objetivos Seção I Da Constituição, Denominação, Sede,

Leia mais

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO COMISSÃO DE ÉTICA DO CEFET/RJ REGIMENTO INTERNO CAPÍTULO I. Competências

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO COMISSÃO DE ÉTICA DO CEFET/RJ REGIMENTO INTERNO CAPÍTULO I. Competências MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA COMISSÃO DE ÉTICA DO CEFET/RJ REGIMENTO INTERNO CAPÍTULO I Competências Art. 1º - Compete à Comissão de Ética, no âmbito

Leia mais

CÓDIGO DE ÉTICA DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA DO TRABALHO

CÓDIGO DE ÉTICA DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA DO TRABALHO CÓDIGO DE ÉTICA DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA DO TRABALHO Considerando a intensificação do relacionamento do profissional na área da segurança do trabalho, sendo imperativo para a disciplina profissional,

Leia mais

A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM MATÉRIA DE POLÍTICA INTERNACIONAL. Fábio Konder Comparato *

A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM MATÉRIA DE POLÍTICA INTERNACIONAL. Fábio Konder Comparato * A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM MATÉRIA DE POLÍTICA INTERNACIONAL Fábio Konder Comparato * Dispõe a Constituição em vigor, segundo o modelo por nós copiado dos Estados Unidos, competir

Leia mais

ESTATUTO DA ASSOCIAÇÃO CATARINENESE DE PRESERVAÇÃO DA NATUREZA - ACAPRENA

ESTATUTO DA ASSOCIAÇÃO CATARINENESE DE PRESERVAÇÃO DA NATUREZA - ACAPRENA ESTATUTO DA ASSOCIAÇÃO CATARINENESE DE PRESERVAÇÃO DA NATUREZA - ACAPRENA CAPÍTULO I - DA INSTITUIÇÃO Art. 1 - Fundada em 05 de maio de 1973, por prazo indeterminado, a ASSOCIAÇÃO CATARINENSE DE PRESERVAÇÃO

Leia mais

CAMARJ CAIXA DE ASSISTÊNCIA AOS MEMBROS DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CONSELHO CONSULTIVO REGIMENTO INTERNO

CAMARJ CAIXA DE ASSISTÊNCIA AOS MEMBROS DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CONSELHO CONSULTIVO REGIMENTO INTERNO 1 CAMARJ CAIXA DE ASSISTÊNCIA AOS MEMBROS DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CONSELHO CONSULTIVO REGIMENTO INTERNO ARTIGO 1º Este regimento Interno dispõe sobre as atribuições e o funcionamento

Leia mais

REGIMENTO INTERNO ELEITORAL (Aprovado na AGE de 10.08.2011)

REGIMENTO INTERNO ELEITORAL (Aprovado na AGE de 10.08.2011) REGIMENTO INTERNO ELEITORAL (Aprovado na AGE de 10.08.2011) I - Das disposições gerais II - Do processo eleitoral A) Da eleição para a Diretoria e o Conselho Fiscal B) Da eleição para o Conselho de Ética

Leia mais

3. Autonomia frente aos partidos e parlamentares e Independência em relação aos patrões e governos

3. Autonomia frente aos partidos e parlamentares e Independência em relação aos patrões e governos Eixo III: Programa de trabalho para a direção do SISMMAC Continuar avançando na reorganização do magistério municipal com trabalho de base, organização por local de trabalho, formação política e independência

Leia mais

REGIMENTO INTERNO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA FE/FFCL

REGIMENTO INTERNO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA FE/FFCL REGIMENTO INTERNO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA FE/FFCL 2 CAPÍTULO I DAS FINALIDADES Art. 1º O Comitê de Ética em Pesquisa, multidisciplinar, é um órgão colegiado, instituído através da Portaria n.03/2008,

Leia mais

RESOLUÇÃO Nº 86/11-CEPE

RESOLUÇÃO Nº 86/11-CEPE RESOLUÇÃO Nº 86/11-CEPE Cria as Comissões de Ética no Uso de Animais da Universidade Federal do Paraná. O CONSELHO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO, órgão normativo, consultivo e deliberativo da administração

Leia mais

ESTATUTO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE BIOLOGIA CELULAR - S.B.B.C. CNPJ. 61.849.352/0001-00

ESTATUTO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE BIOLOGIA CELULAR - S.B.B.C. CNPJ. 61.849.352/0001-00 ESTATUTO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE BIOLOGIA CELULAR - S.B.B.C. DA DENOMINAÇÃO, SEDE E FINS CNPJ. 61.849.352/0001-00 Artigo 1º - A Sociedade Brasileira de Biologia celular (S.B.B.C.) é uma Sociedade Juridica

Leia mais

O SENADO FEDERAL resolve:

O SENADO FEDERAL resolve: PROJETO DE RESOLUÇÃO DO SENADO Nº 27, DE 2015 Altera o inciso II do caput do art. 383 do Regimento Interno do Senado Federal para disciplinar, no âmbito das comissões, a arguição pública dos indicados

Leia mais

Apresentação. Grupo de Trabalho Lívia Pommerening (Anauê 174/RS) Marjorie Friedrich (Guia Lopes 002/RS) Rebeca Pizzi Rodrigues (Novo Horizonte 137/RS)

Apresentação. Grupo de Trabalho Lívia Pommerening (Anauê 174/RS) Marjorie Friedrich (Guia Lopes 002/RS) Rebeca Pizzi Rodrigues (Novo Horizonte 137/RS) Apresentação Com o crescimento despontado da rede a cada ano, e havendo práticas já rotineiras, consolidadas em cima dos parâmetros nacionais, regimentos da UEB e as características fortes dos escoteiros

Leia mais

ESTATUTO DA ASSEMBLEIA PARLAMENTAR DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

ESTATUTO DA ASSEMBLEIA PARLAMENTAR DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA ESTATUTO DA ASSEMBLEIA PARLAMENTAR DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA Nós, representantes democraticamente eleitos dos Parlamentos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné- Bissau, Moçambique, Portugal,

Leia mais

R E S O L U Ç Ã O Nº 002/88

R E S O L U Ç Ã O Nº 002/88 R E S O L U Ç Ã O Nº 002/88 CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA UFPI Aprova o Regimento do Conselho de Administração da UFPI. O Reitor da Universidade Federal do Piauí e Presidente do Conselho de Administração,

Leia mais

Professor Rodrigo Marques de Oliveira Presidente do Conselho Acadêmico do IFMG - Campus Governador Valadares

Professor Rodrigo Marques de Oliveira Presidente do Conselho Acadêmico do IFMG - Campus Governador Valadares SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MINAS GERAIS CAMPUS GOVERNADOR VALADARES - CONSELHO ACADÊMICO Av. Minas Gerais, 5.189 - Bairro Ouro

Leia mais

"DIAGNÓSTICOS DA AMÉRICA S.A. NIRE nº 35.300.172.507 CNPJ/MF nº 61.486.650/0001-83 Companhia Aberta

DIAGNÓSTICOS DA AMÉRICA S.A. NIRE nº 35.300.172.507 CNPJ/MF nº 61.486.650/0001-83 Companhia Aberta "DIAGNÓSTICOS DA AMÉRICA S.A. NIRE nº 35.300.172.507 CNPJ/MF nº 61.486.650/0001-83 Companhia Aberta REGIMENTO INTERNO DO COMITÊ DE AUDITORIA ESTATUTÁRIO Este Regimento Interno dispõe sobre os procedimentos

Leia mais

PROJETO DE LEI Nº, DE 2014

PROJETO DE LEI Nº, DE 2014 PROJETO DE LEI Nº, DE 2014 (Da Sra. Flávia Morais) Altera o art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993 Lei Orgânica da Assistência Social, e o art. 34 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003

Leia mais

FACULDADE DOS GUARARAPES REGIMENTO INTERNO DE CONSELHO DE CURSO. Jaboatão dos Guararapes/PE

FACULDADE DOS GUARARAPES REGIMENTO INTERNO DE CONSELHO DE CURSO. Jaboatão dos Guararapes/PE FACULDADE DOS GUARARAPES REGIMENTO INTERNO DE CONSELHO DE CURSO Jaboatão dos Guararapes/PE SUMÁRIO TÍTULO I: Do Regimento e Sua Finalidade... 03 TÍTULO II: Da Estrutura Colegiada da Administração Acadêmica

Leia mais

Regimento do Conselho Municipal de Educação de Cascais

Regimento do Conselho Municipal de Educação de Cascais Regimento do Conselho Municipal de Educação de Cascais Índice Natureza e Objetivos 2 Competências 2 Composição 3 Comissão Permanente 4 Presidência 5 Periodicidade 5 Convocação das reuniões 6 Quórum 6 Uso

Leia mais

REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO SETORIAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO SETORIAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO SETORIAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA Art. 1 - O Conselho Setorial de Pós-Graduação e Pesquisa constitui-se em órgão consultivo, deliberativo

Leia mais

LEI Nº 2.998/2007 CAPÍTULO I DA COMPOSIÇÃO

LEI Nº 2.998/2007 CAPÍTULO I DA COMPOSIÇÃO LEI Nº 2.998/2007 REGULAMENTA O CONSELHO MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO URBANO - COPLAN, CRIADO NO ARTIGO 2º, DA LEI COMPLEMENTAR N.º 037/2006, DE 15 DE DEZEMBRO, QUE DISPOE SOBRE NORMAS DE

Leia mais

R E S O L U Ç Ã O Nº 1, DE 2002-CN(*)

R E S O L U Ç Ã O Nº 1, DE 2002-CN(*) REPUBLICAÇÃO ATOS DO CONGRESSO NACIONAL R E S O L U Ç Ã O Nº 1, DE 2002-CN(*) Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Ramez Tebet, Presidente do Senado Federal, nos termos do parágrafo único

Leia mais

CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DAS MULHERES REGIMENTO INTERNO CAPITULO I DA CATEGORIA E FINALIDADE

CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DAS MULHERES REGIMENTO INTERNO CAPITULO I DA CATEGORIA E FINALIDADE CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DAS MULHERES REGIMENTO INTERNO CAPITULO I DA CATEGORIA E FINALIDADE Art.1º _ O Conselho Nacional dos Direitos da Mulher CNDM, é órgão colegiado de natureza consultiva e deliberativa,

Leia mais

Do 6º. Congresso Estatutário dos Funcionários da USP

Do 6º. Congresso Estatutário dos Funcionários da USP REGIMENTO DO 6º CONGRESSO ESTATUTÁRIO DOS FUNCIONÁRIOS DA USP SINDICATO DOS TRABALHADORES DA USP DATA: 27, 28, 29 E 30 DE ABRIL DE 2015. LOCAIS: ABERTURA DIA 27, ÀS 18H00 E INSTALAÇÃO DA PLENÁRIA PARA

Leia mais

REGIMENTO DO X CONGRESSO DA UGT (EXTRAORDINÁRIO) DOS MEMBROS DO CONGRESSO

REGIMENTO DO X CONGRESSO DA UGT (EXTRAORDINÁRIO) DOS MEMBROS DO CONGRESSO REGIMENTO DO X CONGRESSO DA UGT (EXTRAORDINÁRIO) DOS MEMBROS DO CONGRESSO ARTIGO. 1º. (Definição e Mandato) 1. São membros de pleno direito os delegados eleitos e designados e os membros por inerência

Leia mais

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISA E INOVAÇÃO INDUSTRIAL (EMBRAPII) REGIMENTO INTERNO

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISA E INOVAÇÃO INDUSTRIAL (EMBRAPII) REGIMENTO INTERNO ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISA E INOVAÇÃO INDUSTRIAL (EMBRAPII) REGIMENTO INTERNO Aprovado na 3ª Reunião Ordinária do Conselho de Administração da EMBRAPII, realizada em 25 de fevereiro de 2014 ÍNDICE

Leia mais

O que fazer para reformar o Senado?

O que fazer para reformar o Senado? O que fazer para reformar o Senado? Cristovam Buarque As m e d i d a s para enfrentar a crise do momento não serão suficientes sem mudanças na estrutura do Senado. Pelo menos 26 medidas seriam necessárias

Leia mais

COMUNICADO LEGISLATIVO Nº 1/2013. Projetos de Lei e Trâmites 1ª quinzena de novembro/2013

COMUNICADO LEGISLATIVO Nº 1/2013. Projetos de Lei e Trâmites 1ª quinzena de novembro/2013 Matérias na Câmara PEC 185/2012 Acrescenta parágrafos ao art. 37 da Constituição Federal para estabelecer data certa para a revisão geral anual da remuneração dos servidores públicos e dá outras providências.

Leia mais

FENAJ - FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS COMISSÃO NACIONAL DE ÉTICA

FENAJ - FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS COMISSÃO NACIONAL DE ÉTICA FENAJ - FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS COMISSÃO NACIONAL DE ÉTICA RESOLUÇÃO CNE Nº 01/2008, REPUBLICADA (*), DE 07/07/2008 Artigo 1º Este Regimento Interno contém as normas que regulam o funcionamento

Leia mais

REGIMENTO DO CONSELHO GERAL. fevereiro 2014

REGIMENTO DO CONSELHO GERAL. fevereiro 2014 REGIMENTO DO CONSELHO GERAL fevereiro 2014 Agrupamento de Escolas Monte da Lua Regimento do Conselho Geral Capítulo I Enquadramento Legal Índice Artigo 1º Fundamento legal do Conselho Geral...... 2 Capítulo

Leia mais

GENILDO LINS DE ALBUQUERQUE NETO

GENILDO LINS DE ALBUQUERQUE NETO MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES GABINETE DO MINISTRO PORTARIA Nº 126, DE 25 DE JUNHO DE 2014 O MINISTRO DE ESTADO DAS COMUNICAÇÕES Interino, no uso das atribuições que lhe confere o inciso II do parágrafo

Leia mais

MUNICÍPIO DE CONDEIXA-A-NOVA

MUNICÍPIO DE CONDEIXA-A-NOVA NOTA JUSTIFICATIVA A Lei 159/99, de 14 de Setembro, estabelece no seu artigo 19.º, n.º 2, alínea b), a competência dos órgãos municipais para criar os Conselhos locais de Educação. A Lei 169/99, de 18

Leia mais

Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (CEP/Emescam) Regimento Interno

Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (CEP/Emescam) Regimento Interno Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (CEP/Emescam) Regimento Interno Das finalidades: Art. 1º O presente Regimento Interno contém as normas

Leia mais

REGULAMENTO INTERNO DA COMISSÃO DE PRERROGATIVAS DA AMATRA XV

REGULAMENTO INTERNO DA COMISSÃO DE PRERROGATIVAS DA AMATRA XV REGULAMENTO INTERNO DA COMISSÃO DE PRERROGATIVAS DA AMATRA XV CAPÍTULO I DAS ATRIBUIÇÕES Art. 1º. Compete à Comissão de Prerrogativas a efetivação prática do disposto no inciso III do artigo 2º do Estatuto

Leia mais

C 213/20 Jornal Oficial da União Europeia 6.8.2010

C 213/20 Jornal Oficial da União Europeia 6.8.2010 C 213/20 Jornal Oficial da União Europeia 6.8.2010 COMISSÃO ADMINISTRATIVA PARA A COORDENAÇÃO DOS SISTEMAS DE SEGURANÇA SOCIAL Estatutos da Comissão Administrativa para a Coordenação dos Sistemas de Segurança

Leia mais

Regimento Interno de Atuação do Conselho Fiscal da Fundação das Escolas Unidas do Planalto Catarinense Fundação UNIPLAC

Regimento Interno de Atuação do Conselho Fiscal da Fundação das Escolas Unidas do Planalto Catarinense Fundação UNIPLAC 1 Regimento Interno de Atuação do Conselho Fiscal da Fundação das Escolas Unidas do Planalto Catarinense Fundação UNIPLAC Capítulo I Da Natureza, Finalidade e Composição Art. 1 - O Conselho Fiscal é o

Leia mais

CAPÍTULO III - DA ORGANIZAÇÃO Art. 3º. - O CEMACT funciona através do Plenário, das Câmaras Técnicas, comissões e Secretaria Administrativa.

CAPÍTULO III - DA ORGANIZAÇÃO Art. 3º. - O CEMACT funciona através do Plenário, das Câmaras Técnicas, comissões e Secretaria Administrativa. REGIMENTO DO CEMACT REGIMENTO INTERNO DO CEMACT CAPÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 1º. - Este Regimento estabelece as formas de organização e funcionamento do conselho Estadual de Meio Ambiente,

Leia mais

PARA O COMITÊ DE CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS (CSG) 1 A Conferência de Serviços Gerais, do ponto de vista estatutário.

PARA O COMITÊ DE CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS (CSG) 1 A Conferência de Serviços Gerais, do ponto de vista estatutário. 29GE PARA O COMITÊ DE CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS (CSG) 1 A Conferência de Serviços Gerais, do ponto de vista estatutário. A Conferência de Serviços Gerais é o corpo permanente autorizado a expressar

Leia mais

PREFEITURA MUNICIPAL DE LAURENTINO CONSELHO MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE COMAM REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE

PREFEITURA MUNICIPAL DE LAURENTINO CONSELHO MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE COMAM REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE PREFEITURA MUNICIPAL DE LAURENTINO CONSELHO MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE COMAM REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE APRESENTADO PARA SER DISCUTIDO E APROVADO na reunião do Conselho CAPÍTULO

Leia mais

b - O sócio Institucional terá anuidade correspondente a dez vezes a dos sócios efetivos e colaboradores.

b - O sócio Institucional terá anuidade correspondente a dez vezes a dos sócios efetivos e colaboradores. Regimento Interno da Sociedade dos Zoológicos do Brasil - SZB Da Sociedade Artigo 1º - A sociedade dos Zoológicos do Brasil SZB, fundada em 23 de setembro de 1977, funciona conforme o disposto nos seus

Leia mais

XVI CONAPEF CONGRESSO NACIONAL DOS POLICIAIS FEDERAIS REGIMENTO INTERNO

XVI CONAPEF CONGRESSO NACIONAL DOS POLICIAIS FEDERAIS REGIMENTO INTERNO XVI CONAPEF CONGRESSO NACIONAL DOS POLICIAIS FEDERAIS REGIMENTO INTERNO O Presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais - FENAPEF, no uso das atribuições que lhe conferem os artigos 14 e 25,

Leia mais

REGIMENTO INTERNO DA ANSEF/RJ

REGIMENTO INTERNO DA ANSEF/RJ REGIMENTO INTERNO DA ANSEF/RJ I - DOS ASPECTOS LEGAIS Art. 1º - A ANSEF/RJ reger-se-á pelo seu ESTATUTO e por este REGIMENTO INTERNO. Art. 2º - O presente Regimento Interno tem por fim estabelecer normas,

Leia mais

FUNCASAL REGIMENTO INTERNO CONSELHO FISCAL

FUNCASAL REGIMENTO INTERNO CONSELHO FISCAL FUNCASAL REGIMENTO INTERNO CONSELHO FISCAL dezembro/2008 Capítulo I Da competência do Conselho Fiscal Art. 1º Como órgão de controle interno da EFPC, compete ao Conselho Fiscal, na forma estabelecida no

Leia mais

ESTATUTO DO GRÊMIO DA ESCOLA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS

ESTATUTO DO GRÊMIO DA ESCOLA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS CAPÍTULO I Da Denominação, Sede, Fins e Duração Artigo 1 O Grêmio Estudantil é o Grêmio geral da Escola Nossa Senhora das Graças, fundado no dia 07 de abril de 1992, com sede no estabelecimento e de duração

Leia mais

REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO MUNICIPAL DE JUVENTUDE DE MAFRA CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS. Artigo 1.º. (Objecto)

REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO MUNICIPAL DE JUVENTUDE DE MAFRA CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS. Artigo 1.º. (Objecto) REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO MUNICIPAL DE JUVENTUDE DE MAFRA CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Artigo 1.º (Objecto) O presente Regimento Interno tem por objectivo definir o funcionamento e organização do

Leia mais

Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros

Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros Capítulo I - Do direito à informação Art. 1º O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange

Leia mais

5.5.4 Para cada eleição deverá haver uma folha de votação que ficará arquivada na empresa por um período mínimo de 3 (três) anos.

5.5.4 Para cada eleição deverá haver uma folha de votação que ficará arquivada na empresa por um período mínimo de 3 (três) anos. NR 5 5.1 As empresas privadas e públicas e os órgãos governamentais que possuam empregados regidos pela ConsoIidação das Leis do Trabalho - CLT ficam obrigados a organizar e manter em funcionamento, por

Leia mais

CARLOS VALDER DO NASCIMENTO. A Lei da Ficha Limpa. Ilhéus-Bahia

CARLOS VALDER DO NASCIMENTO. A Lei da Ficha Limpa. Ilhéus-Bahia CARLOS VALDER DO NASCIMENTO 02 A Lei da Ficha Limpa Ilhéus-Bahia 2014 Copyright 2014 by Carlos Valder do Nascimento Direitos desta edição reservados à EDITUS - EDITORA DA UESC A reprodução não autorizada

Leia mais

Associação Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia Página 1 de 9

Associação Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia Página 1 de 9 Associação Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia Página 1 de 9 ASSOCIAÇÃO FÓRUM NACIONAL DE GESTORES DE INOVAÇÃO E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA FORTEC REGIMENTO INTERNO Sumário

Leia mais

VI SEMINÁRIO DE DIREITO PARA JORNALISTAS - DIA 28.11.06 PERGUNTAS E RESPOSTAS

VI SEMINÁRIO DE DIREITO PARA JORNALISTAS - DIA 28.11.06 PERGUNTAS E RESPOSTAS VI SEMINÁRIO DE DIREITO PARA JORNALISTAS - DIA 28.11.06 PERGUNTAS E RESPOSTAS Perguntas e resposta feitas ao jornalisa Romário Schettino Perguntas dos participantes do 6 Seminário de Direito para Jornalistas

Leia mais

Estatuto da corte internacional de justiça (Nações Unidas)

Estatuto da corte internacional de justiça (Nações Unidas) Estatuto da corte internacional de justiça (Nações Unidas) Artigo 1 Capítulo I: Organização da Corte (artigos 2-32) Capítulo II: Competência da Corte (artigos 34-38) Capítulo III: Procedimento (artigos

Leia mais

ESTATUTO SOCIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE FISIOLOGIA VEGETAL SBFV

ESTATUTO SOCIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE FISIOLOGIA VEGETAL SBFV Estatuto ESTATUTO SOCIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE FISIOLOGIA VEGETAL SBFV CAPÍTULO I DA DENOMINAÇÃO, OS FINS E A SEDE DA ASSOCIAÇÃO. Art. 1º - A associação é denominada Sociedade Brasileira de Fisiologia

Leia mais

Estatuto do Fórum Internacional de Plataformas Nacionais de ONGs

Estatuto do Fórum Internacional de Plataformas Nacionais de ONGs Estatuto do Fórum Internacional de Plataformas Nacionais de ONGs Preâmbulo O Fórum Internacional de Plataformas Nacionais de ONGs (FIP) foi criado em outubro de 2008, em Paris, pelo conjunto de 82 plataformas

Leia mais

Código: ESGE Revisão: 03 Páginas: 08 ESTATUTO SOCIAL GRÊMIO ESTUDANTIL

Código: ESGE Revisão: 03 Páginas: 08 ESTATUTO SOCIAL GRÊMIO ESTUDANTIL GRÊMIO ESTUDANTIL Paulo Medeiros Prudêncio Júnior 0 CAPÍTULO I DA DENOMINAÇÃO, SEDE, DURAÇÃO, OBJETIVOS Art. 1º - O Grêmio Estudantil Paulo Medeiros Prudêncio Júnior, fundado no ano de 1997, com sede no

Leia mais

Tese da AJR para o XI Congresso dos Estudantes da USP. Fora Rodas! Fora PM! Ensino público e gratuito! Poder Estudantil!

Tese da AJR para o XI Congresso dos Estudantes da USP. Fora Rodas! Fora PM! Ensino público e gratuito! Poder Estudantil! Tese da AJR para o XI Congresso dos Estudantes da USP Fora Rodas! Fora PM! Ensino público e gratuito! Poder Estudantil! Fora PM da USP! O estado de sítio na USP, com a instalação de bases da Polícia Militar

Leia mais

SUGESTÕES PARA O DEBATE SOBRE O REGIMENTO INTERNO

SUGESTÕES PARA O DEBATE SOBRE O REGIMENTO INTERNO SUGESTÕES PARA O DEBATE SOBRE O REGIMENTO INTERNO Os Fóruns estão começando a rever seus Regimentos Internos e conferindo se estes estão colaborando da melhor forma possível para seu funcionamento. Este

Leia mais

VOTO ABERTO E VOTO FECHADO NO CONGRESSO NACIONAL

VOTO ABERTO E VOTO FECHADO NO CONGRESSO NACIONAL ESTUDO VOTO ABERTO E VOTO FECHADO NO CONGRESSO NACIONAL Márcio Nuno Rabat Consultor Legislativo da Área XIX Ciência Política, Sociologia Política, História, Relações Internacionais ESTUDO DEZEMBRO/2007

Leia mais

CÓDIGO DE ÉTICA PREÂMBULO E INTRODUÇÃO:

CÓDIGO DE ÉTICA PREÂMBULO E INTRODUÇÃO: CÓDIGO DE ÉTICA PREÂMBULO E INTRODUÇÃO: O objetivo deste código é enunciar os princípios que orientam a atitude e a conduta dos tradutores e dos intérpretes em seu correto desempenho específico e dotar

Leia mais

ASSOCIAÇÃO DOS DIÁCONOS BATISTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO REGIMENTO INTERNO DA ADIBERJ

ASSOCIAÇÃO DOS DIÁCONOS BATISTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO REGIMENTO INTERNO DA ADIBERJ ASSOCIAÇÃO DOS DIÁCONOS BATISTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO REGIMENTO INTERNO DA ADIBERJ Capítulo I Nome, Constituição e Objetivo Art. 1º - A ADIBERJ é uma sociedade civil de natureza religiosa constituída

Leia mais

PROCESSO Nº TST-RR-1357-39.2013.5.09.0016. A C Ó R D Ã O Ac. 3ª Turma GMALB/arcs/AB/wbs

PROCESSO Nº TST-RR-1357-39.2013.5.09.0016. A C Ó R D Ã O Ac. 3ª Turma GMALB/arcs/AB/wbs A C Ó R D Ã O Ac. 3ª Turma GMALB/arcs/AB/wbs RECURSO DE REVISTA SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 13.015/2014. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL. EMPREGADOR. EMPRESA SEM EMPREGADOS. Os arts. 578 e 579 da CLT se dirigem a todos

Leia mais

REGIMENTO INTERNO ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANUTENÇÃO

REGIMENTO INTERNO ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANUTENÇÃO REGIMENTO INTERNO ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANUTENÇÃO Capítulo I da Finalidade Art. 1o. - Este Regimento Interno complementa e disciplina disposições do Estatuto da Associação Brasileira de Manutenção

Leia mais

stf.empauta.com 'Sessão secreta não é compatível com a Carta' NACIONAL ENTREVISTA

stf.empauta.com 'Sessão secreta não é compatível com a Carta' NACIONAL ENTREVISTA 'Sessão secreta não é compatível com a Carta' Lewandowski critica voto secreto no Congresso Para ministro do Supremo, "esse modo de pensar é incompatível com a Constituição" 'Sessão secreta não é compatível

Leia mais

REGIMENTO DO CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

REGIMENTO DO CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO REGIMENTO DO CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO Considerando que: 1. A experiência do Conselho Local de Educação em Palmela procurou fomentar a valorização da educação como motor de desenvolvimento do local,

Leia mais

REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO MUNICIPAL DO IDOSO CAPÍTULO I DA DENOMINAÇÃO, SEDE, DURAÇÃO E FINALIDADE

REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO MUNICIPAL DO IDOSO CAPÍTULO I DA DENOMINAÇÃO, SEDE, DURAÇÃO E FINALIDADE REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO MUNICIPAL DO IDOSO CAPÍTULO I DA DENOMINAÇÃO, SEDE, DURAÇÃO E FINALIDADE Art. 1º - O Conselho Municipal do Idoso CMI de Carlos Barbosa, criado pela Lei Municipal nº 1754,

Leia mais

FUNDAÇÃO FRANCISCO MASCARENHAS FACULDADES INTEGRADAS DE PATOS COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA ENVOLVENDO SERES HUMANOS

FUNDAÇÃO FRANCISCO MASCARENHAS FACULDADES INTEGRADAS DE PATOS COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA ENVOLVENDO SERES HUMANOS 1 REGIMENTO INTERNO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA ENVOLVENDO SERES HUMANOS O presente Regimento (versão aprovada em reunião plenária de 24 de maio de 2011) disciplina os critérios de composição, eleição

Leia mais

Art. 1º Fica aprovado, na forma do Anexo, o Regimento Interno do Conselho Nacional de Arquivos - CONARQ. JOSÉ EDUARDO CARDOZO ANEXO

Art. 1º Fica aprovado, na forma do Anexo, o Regimento Interno do Conselho Nacional de Arquivos - CONARQ. JOSÉ EDUARDO CARDOZO ANEXO PORTARIA Nº 2.588, DE 24 DE NOVEMBRO DE 2011 Aprova o Regimento Interno do Conselho Nacional de Arquivos O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA, no uso de suas atribuições previstas nos incisos I e II do parágrafo

Leia mais

CENTRO UNIVERSITÁRIO DO ESTADO DO PARÁ REGIMENTO DO PROGRAMA DE MESTRADO EM DIREITO

CENTRO UNIVERSITÁRIO DO ESTADO DO PARÁ REGIMENTO DO PROGRAMA DE MESTRADO EM DIREITO CENTRO UNIVERSITÁRIO DO ESTADO DO PARÁ REGIMENTO DO PROGRAMA DE MESTRADO EM DIREITO Belém-PA, janeiro/2015 REGIMENTO DO PROGRAMA DE MESTRADO EM DIREITO DO CENTRO UNIVERSITÁRIO DO ESTADO DO PARÁ CAPÍTULO

Leia mais

Lutar pelo êxito do governo Dilma e reforçar o papel do PCdoB

Lutar pelo êxito do governo Dilma e reforçar o papel do PCdoB Resolução da 5ª reunião do CC - eleito no 12º Congresso Lutar pelo êxito do governo Dilma e reforçar o papel do PCdoB A maioria da nação enalteceu a eleição de Dilma Rousseff para a presidência da República

Leia mais

REGIMENTO INTERNO CAPITULO I

REGIMENTO INTERNO CAPITULO I 1 Conselho Municipal do Idoso de São Caetano do Sul Lei n 4.179 de 23/10/2003. R. Heloísa Pamplona, 304 B. Fundação CEP 09520-310 São Caetano do Sul/SP. cmi@saocaetanodosul.sp.gov.br REGIMENTO INTERNO

Leia mais

Cadastro Organizacional/PMS CMI/SETAD CONSELHO MUNICIPAL DO IDOSO - CMI

Cadastro Organizacional/PMS CMI/SETAD CONSELHO MUNICIPAL DO IDOSO - CMI CONSELHO MUNICIPAL DO IDOSO Órgão/Sigla: Natureza Jurídica: Vinculação: Finalidade: CONSELHO MUNICIPAL DO IDOSO - CMI ÓRGÃO COLEGIADO SECRETARIA MUNICIPAL DO TRABALHO, ASSISTÊNCIA SOCIAL E DIREITOS DO

Leia mais

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA SECRETARIA DE ESTADO DOS DIREITOS HUMANOS AUTORIDADE CENTRAL ADMINISTRATIVA FEDERAL

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA SECRETARIA DE ESTADO DOS DIREITOS HUMANOS AUTORIDADE CENTRAL ADMINISTRATIVA FEDERAL II REUNIÃO DO CONSELHO DAS AUTORIDADES CENTRAIS BRASILEIRAS RESOLUÇÃO N.º 02/ 2000 Dispõe sobre a Aprovação do Regimento Interno e dá outras providências O Presidente do Conselho das Autoridades Centrais

Leia mais

REGIMENTO INTERNO DA COMISSÃO DE ÉTICA E PROCESSAMENTO

REGIMENTO INTERNO DA COMISSÃO DE ÉTICA E PROCESSAMENTO REGIMENTO INTERNO DA COMISSÃO DE ÉTICA E PROCESSAMENTO Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Implantes (11) 3256-1321 abraidi@abraidi.com.br www.abraidi.com.br 1ª. Edição 2014 REGIMENTO

Leia mais

ESTATUTOS DA ASSOCIAÇAO DE PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO DA ESCOLA DO 1º CICLO DE MOUTIDOS. Rua de Moutidos 4445 ÁGUAS SANTAS PORTUGAL

ESTATUTOS DA ASSOCIAÇAO DE PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO DA ESCOLA DO 1º CICLO DE MOUTIDOS. Rua de Moutidos 4445 ÁGUAS SANTAS PORTUGAL ESTATUTOS DA ASSOCIAÇAO DE PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO DA ESCOLA DO 1º CICLO DE MOUTIDOS Rua de Moutidos 4445 ÁGUAS SANTAS PORTUGAL CAPÍTULO I Da Denominação, Sede, Âmbito da Acção e Fins ARTIGO UM

Leia mais

REGIMENTO DO CENTRO DE GESTÃO E TRATAMENTO DE RESÍDUOS QUÍMICOS

REGIMENTO DO CENTRO DE GESTÃO E TRATAMENTO DE RESÍDUOS QUÍMICOS REGIMENTO DO CENTRO DE GESTÃO E TRATAMENTO DE RESÍDUOS QUÍMICOS TÍTULO I DO CENTRO E SEUS FINS Artigo 1 O Centro de Gestão e Tratamento de Resíduos Químicos é um órgão auxiliar, de natureza técnica e científica,

Leia mais

MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO PROCURADORIA-GERAL Processo PGT/CCR/PP/Nº 15437/2013

MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO PROCURADORIA-GERAL Processo PGT/CCR/PP/Nº 15437/2013 Câmara de Coordenação e Revisão Origem: PRT 4ª Região Interessados: 1. João Carlos Strappazzon 2. Carlos Maier Pilla/Lúcia Salinet Pasquato/SERPRO Regional Porto Alegre/Maria Luiza Fonticielha/Daniel de

Leia mais

CNPJ/MF nº 29.978.814/0001-87. Comitê de Auditoria Estatutário. Regimento Interno. Capítulo I Introdução

CNPJ/MF nº 29.978.814/0001-87. Comitê de Auditoria Estatutário. Regimento Interno. Capítulo I Introdução PÁGINA 1 DE 7 DO PÁGINA 1 DE 7 DO CNPJ/MF nº 29.978.814/0001-87 Comitê de Auditoria Estatutário Regimento Interno Capítulo I Introdução Artigo 1º. O Comitê de Auditoria Estatutário ( Comitê ou CAE ) da

Leia mais

CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL (APROVADO EM 09 DE MAIO DE 1986) INTRODUÇÃO

CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL (APROVADO EM 09 DE MAIO DE 1986) INTRODUÇÃO CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL (APROVADO EM 09 DE MAIO DE 1986) INTRODUÇÃO As idéias, a moral e as práticas de uma sociedade se modificam no decorrer do processo histórico. De acordo

Leia mais

REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO PEDAGÓGICO

REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO PEDAGÓGICO REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO PEDAGÓGICO TRIÉNIO 2014/2017 Artigo 1º Princípios Gerais 1. O Conselho Pedagógico é o órgão de coordenação e orientação educativa da unidade orgânica, nomeadamente nos domínios

Leia mais

SENADO FEDERAL Comissão de Assuntos Sociais

SENADO FEDERAL Comissão de Assuntos Sociais SENADO FEDERAL Comissão de Assuntos Sociais AUDIÊNCIA PÚBLICA REALIZADA NA COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS EM 28 DE JUNHO DE 2006 PARA INSTRUIR O PROJETO DE LEI DO SENADO Nº25, DE 2002, QUE DISPÕE SOBRE O

Leia mais

ART. 543-C DO CPC - FIM DOS REPETIDOS RECURSOS ESPECIAIS

ART. 543-C DO CPC - FIM DOS REPETIDOS RECURSOS ESPECIAIS ART. 543-C DO CPC - FIM DOS REPETIDOS RECURSOS ESPECIAIS Rénan Kfuri Lopes- Advogado, Professor, Palestrante, Pós- Graduado em Direito Processual Civil e Direito de Empresa, Membro do Instituto Brasileiro

Leia mais

REGULAMENTO INTERNO REDE PROCURA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE PROTEÓMICA

REGULAMENTO INTERNO REDE PROCURA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE PROTEÓMICA REGULAMENTO INTERNO REDE PROCURA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE PROTEÓMICA CAPITULO I PREÂMBULO Artigo 1º Objeto 1. O presente Regulamento vem complementar e executar as normas estatutárias da Rede Procura Associação

Leia mais

CÓDIGO DE ETICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL (APROVADO A 8 DE MAIO DE 1965)

CÓDIGO DE ETICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL (APROVADO A 8 DE MAIO DE 1965) CÓDIGO DE ETICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL (APROVADO A 8 DE MAIO DE 1965) INTRODUÇÃO Considerando que: A formação da consciência profissional é fator essencial em qualquer profissão e que um Código

Leia mais

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA PROJETO DE LEI Nº 215, DE 2015 (EM APENSO OS PLS NºS 1.547 E 1.589, DE 2015)

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA PROJETO DE LEI Nº 215, DE 2015 (EM APENSO OS PLS NºS 1.547 E 1.589, DE 2015) COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA PROJETO DE LEI Nº 215, DE 2015 (EM APENSO OS PLS NºS 1.547 E 1.589, DE 2015) Acrescenta inciso V ao art. 141 do Decreto- Lei nº 2.848, de 7 de dezembro

Leia mais