CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE MATO GROSSO

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1 PARECER CRM-MT Nº INTERESSADO: Sr. A.C. CONSELHEIRO CONSULTOR: Dr. Juliano Blanco Canavarros ASSUNTO: Acesso a Prontuários Médicos de Servidores Públicos por Comissões Disciplinares e outros DATA DE APROVAÇÃO: 08 de novembro de 2011 I. DA CONSULTA O Interessado alega que: RELATÓRIO DO CONSELHEIRO CONSULTOR a) É policial rodoviário e reside em Primavera do Leste; b) No dia 12 de novembro, apresentou atestado médico para justificar sua ausência ao serviço no período de 05 a 13 de novembro de 2009; c) Por estar licenciado do trabalho e de suas funções acabou por não lançar ao sistema de multas do Departamento de Polícia Rodoviária Federal um Auto de Infração, fato que levou ao seu perdimento; d) Que a sua Corregedoria juntou cópia do atestado médico, que obteve no setor de recursos humanos; e) Que entende que o Atestado Médico (com CID) não poderia ser acessado por outros servidores que faziam a investigação; f) Anexa cópia de nota técnica n.1.140/2009/cgu/crg/coras, que concede às Comissões Disciplinares acesso amplo e irrestrito aos prontuários Médicos dos Servidores sob a alegação que uma vez apresentados tornam-se propriedade da Administração; Isto Posto pergunta a este Conselho:

2 ) É permitido às comissões de PAD e SAD, Processos Administrativos Disciplinares e Sindicâncias Administrativas Disciplinares, terem acesso ao Prontuário Médico dos servidores?; 2) É permitido aos Agentes do Núcleo de Assuntos Internos não membros de comissão de SAD ou PAD acesso ao Prontuário Médico dos servidores?; 3) Por que os membros não médicos das Comissões de PAD e SAD podem ter acesso aos prontuários Médicos dos servidores se a priori não possuem capacidade técnica para questionar ou até mesmo entendê-los?; 4) Não deveriam as Comissões de PAD e SAD formular quesitos que julgassem pertinentes e solicitar uma junta médica oficial para que esta, analisando o Prontuário Médico, se pronunciasse acerca da condição de saúde do servidor?; 5) Se um Juiz de Direito em raríssimos casos tem acesso a Prontuários Médicos, podem os componentes de uma Comissão de PAD ou SAD, composta por não médicos, conhecer livremente a situação de saúde do servidor, se entender pertinente?; 6) A questão do sigilo médico só se aplica a relação médicopaciente-hospital? Na opinião do Conselho, neste caso específico, não houve quebra de sigilo médico? Às Fls.04, anexou Atestado Médico, da lavra de J. P., na data de 09 de novembro de 2009, médico cardiologista, com o CID de Taquicardia Paroxística, dispensando o servidor pelo período de nove dias (05/11/2009 à 13/11/2009); Às Fls.05 a 07, anexou Informações OM 045/2010/CR, onde os Policiais S. M. dos R. e L. C. A., na data de 16 de 2010, concluíram que se deveria ser instaurado um processo contra o Sr. A. C., pois o mesmo justificou sua falta sob a alegação de falha no sistema de internet no dia e por estar doente; posteriormente foi confirmado que a sua falta foi no dia 01/11/2009, e no referido dia o sistema SISCOM (internet) não

3 ficou operante e seu atestado foi emitido com data a posteriori ao fato, quando legalmente o mesmo tinha a obrigação legal de sanar a sua falta. Oportuno dizer que não houve citação a patologia e nem ao CID, lançados no Atestado Médico, mas tão somente ao período do mesmo; Foram anexados, também, Ofício n /2009/cgu-pr e Nota Técnica n /2009/CGU/CRG/CORAS, às fls.8 à 12, mas sem interesse para este Conselho. II. DA FUNDAMENTAÇÃO O sigilo profissional é um direito do paciente e uma conquista da sociedade organizada, que tem razões suficientes para que sejam mantidos em segredo fatos revelados em determinadas situações profissionais. O sigilo médico só pode ser quebrado por autorização expressa do paciente ou de seus responsáveis legais, ou por justa causa e dever legal. Assim o segredo médico não é absoluto. Os atestados médicos são documentos oficiosos, isto é, são documentos que podem ser contestados. A contestação aludida é fruto da subjetividade intrínseca do atestado médico, ou seja, o médico atesta a sua opinião sobre o estado do paciente, a qual pode não ser obrigatoriamente a opinião de outro médico. Entendo não haver nenhuma falta de nenhum profissional médico, para que se pudessem imputar responsabilidades éticas ao mesmo. Como a hipotética falta foi praticada por dois policiais, cabe ao interessado buscar amparo na lei, como a seguir:

4 O Código Penal Brasileiro, na Seção IV - Dos Crimes Contra a Inviolabilidade Dos Segredos - preconiza que é crime: Art.154: Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de quem tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem. Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. III. RESPOSTA AOS QUESITOS 1) Os documentos médicos devem ser examinados por médico e com a anuência do paciente ou seu representante legal, mas o Conselho Regional de Medicina não tem capacidade para impedir que não médicos façam ou deixem de fazer algo, pois como Autarquia só tem poder de determinar os atos de médicos; 2) Já respondido no item acima; 3) Não houve qualquer tentativa de interpretar ou questionar a validade do atestado médico, apenas e tão somente fora verificada a data de sua emissão, que segundo interpretação legal, fora expedido extemporaneamente, para servir de excludente de ilicitude; 4) Se fosse o caso de se interpretar ou questionar a validade do atestado médico emitido e acostado aos autos, entende este Conselheiro, que melhor seria a realização de uma perícia no documento, mas como a análise foi apenas da data de sua emissão, entendo não haver necessidade para constituição de uma junta médica oficial; 5) Respondido no quesito anterior; 6) Como o próprio interessado afirma, o sigilo médico diz respeito a médicos, mas não médicos têm o dever legal de

5 guardar segredo, de quem tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem; Este é o meu parecer salvo melhor juízo da plenária. Dr. Juliano Blanco Canavarros Conselheiro Consultor

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