ACÓRDÃO. O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores ANTONIO CELSO AGUILAR CORTEZ (Presidente) e TORRES DE CARVALHO.

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1 Registro: ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº , da Comarca de São Paulo, em que é apelante FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO, é apelado FABIO COSTA FERNANDES. ACORDAM, em 10ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Deram parcial provimento ao recurso para determinar a aplicação da Lei nº , a partir de sua vigência. V.U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão. O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores ANTONIO CELSO AGUILAR CORTEZ (Presidente) e TORRES DE CARVALHO. São Paulo, 18 de fevereiro de ANTONIO CARLOS VILLEN RELATOR Assinatura Eletrônica

2 VOTO Nº 97/13 10ª CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO APELAÇÃO COM REVISÃO Nº COMARCA: SÃO PAULO 2ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA APELANTE: FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO APELADO: FABIO COSTA FERNANDES JUIZ: MARCELO SERGIO AÇÃO DE COBRANÇA. Perito judicial. Perícia efetuada em demanda cujos autores eram beneficiários da justiça gratuita. Honorários. Dever do Estado de arcar com o respectivo quantum. Artigo 5º, inciso LXXIV, da Constituição Federal. Lei Federal nº , de Norma de natureza processual, de aplicação imediata aos processos em andamento. Sentença de procedência. Recurso parcialmente provido para determinar a aplicação da Lei nº , a partir de sua vigência. Trata-se de apelação interposta contra sentença que julgou procedente ação de cobrança ajuizada por perito judicial para condenar a Fazenda do Estado ao pagamento da importância de R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais), referente a honorários periciais arbitrados em ação cujos autores são beneficiários da assistência judiciária. Em suas razões recursais, a apelante insiste na falta de interesse de agir e na prescrição. Assevera que o Estado não tem obrigação de pagar os honorários periciais, pois não fez parte da ação. Alega que, em caso de manutenção da sentença de procedência, deve ser aplicada a Lei nº /09. Pede a reforma da sentença para que a ação seja julgada improcedente, ou seja reduzido o valor da condenação. Recurso tempestivo e respondido. Apelação nº

3 É O RELATÓRIO. O prazo prescricional para a cobrança dos honorários periciais é de um ano, conforme estabelecido pelo artigo 206, 1º, III do Código Civil, e começa a fluir a partir do trânsito em julgado da decisão que os arbitrou. Tendo em vista que os honorários periciais foram arbitrados em (fl. 7) e que a ação foi ajuizada em , o prazo prescricional não expirou. Também não procede a alegação de falta de interesse de agir. A ação não é de execução, como alegado pela Fazenda do Estado, mas de cobrança. Correta a via processual eleita. Quanto ao mérito, o pedido é mesmo procedente. A matéria é conhecida neste Tribunal, e a Fazenda do Estado tem ficado sistematicamente vencida em demandas semelhantes. Nesse sentido, a Apelação nº , 6ª Câmara, Rel. Des. REINALDO MILUZZI, j , v.u: O apelante foi nomeado Perito Judicial em ação movida por parte beneficiária da assistência judiciária gratuita, na qual foram os honorários do profissional liberal arbitrados judicialmente e extraída certidão correspondente para cobrança desta verba, conforme se constata a fl. 7 destes autos. Nos termos do art. 5º, LXXIV, da Constituição Federal, é do Estado o ônus decorrente da produção da prova pericial em processos nos quais um dos litigantes faz jus aos benefícios da assistência judiciária gratuita. O pagamento dos honorários periciais, portanto, é dever Apelação nº

4 constitucional e legal do Estado àqueles que comprovarem a insuficiência de recursos, sob pena de violação à garantia de amplo acesso à Justiça. É irrelevante o fato de a apelante não ter figurado como parte nos processos em que o apelado atuou como perito. Basta que o litigante seja beneficiário da justiça gratuita e isento da remuneração do perito (art. 3º, V, Lei 1060/50) para que surja o dever do Estado de arcar com honorários do expert. Assim, a certidão em que se funda a ação está apta a aparelhar a pretensão do apelado. Tem ela fé pública e não há nenhuma obscuridade, nem contrariedade, como quer fazer crer a apelante. Quanto à alegação de que a prova pericial deve ser considerada como encargo, ou seja, munus público, não cabe guarida. Como bem anotou o MM. Juiz a quo, 'não se pode aceitar a idéia de munus publico do perito, quando se lembra que a realização da perícia, além de ser realizada por profissional em autêntico exercício de seu trabalho (atingindo, por vezes, elevada complexidade), exige também a realização de despesas pessoais pelo profissional (logo, se ele não for pago, além de nada ganhar ainda terá que arcar pessoalmente com as despesas, tiradas de seu sustento pessoal). Isso já demonstra que não pode ser aceita a ideia de munus publico a cargo do perito (sendo inadequada a equiparação dessa hipótese com a dos jurados, pois estes não atuam no exercício de sua profissão, ou com o emprego de conhecimentos técnicos, não sendo obrigados a despesas pessoais; no mais, eles se dedicam, naquele encargo, a atuarem em benefício de toda a sociedade e, portanto, deles próprios)'. No tocante ao argumento de que a Defensoria Pública possui convênio com o CREA para a indicação de peritos em causa Apelação nº

5 de assistidos, bem assim que deve ser fixado o valor da tabela para o pagamento dos honorários periciais, caso seja confirmada a procedência da ação, anoto que o perito é auxiliar de confiança, nomeado pelo juízo, e que, no caso em tela, os honorários foram fixados em valor adequado. No mais, adoto os fundamentos da sentença (art. 252 do Regimento Interno desta Corte). As considerações transcritas, que adoto integralmente, demonstram, à saciedade, a improcedência do inconformismo da Fazenda do Estado. Igual entendimento foi adotado nas Apelações nº , Rel. Des. RONALDO ANDRADE, 3ª Câmara, j , v.u.; , Rel. Des. CARLOS EDUARDO PACHI, 9ª Câmara, j , v.u. e , Rel. Des. OSVALDO DE OLIVEIRA, 12ª Câmara, j , v.u. Esta 10ª Câmara também já adotou igual orientação na Apelação nº , Rel. Des. URBANO RUIZ, j , v.u. A sentença comporta reparo apenas no tocante aos juros de mora e correção monetária. Embora tenha adotado orientação diversa no passado, os Tribunais Superiores vêm decidindo que o artigo 5º da Lei Federal nº /09, que entrou em vigor na data de sua publicação ( ), possui natureza processual e tem aplicação imediata aos processos em andamento. Nesse sentido, o Agravo Regimental nos Embargos à Execução em Mandado de Segurança nº /DF, Rel. Min. LAURITA VAZ, Terceira Seção, STJ, v.u., Em razão disso, os juros de mora de 1% ao mês serão Apelação nº

6 devidos a partir da citação e a correção monetária será devida a partir da fixação dos honorários periciais até , aplicando-se, a partir do dia 30 do mesmo mês, o referido dispositivo com a redação que lhe foi dada pela Lei Federal nº /09 (em igual sentido, Apelação nº , 10ª Câmara, j , v.u., Rel. Des. URBANO RUIZ, Agravo Interno nº , 10ª Câmara, j , v.u., Rel. Des. TERESA RAMOS MARQUES). Pelo meu voto, dou parcial provimento ao recurso para determinar a aplicação da Lei nº , a partir de sua vigência. ANTONIO CARLOS VILLEN RELATOR Apelação nº