Os direitos das crianças e adolescentes no contexto das famílias contemporâneas. Ana Paula Motta Costa

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1 Os direitos das crianças e adolescentes no contexto das famílias contemporâneas Ana Paula Motta Costa

2 Pressuposto: Direito à Convivência Familiar, um direito fundamental de crianças e adolescentes. Como garantir tal direito fundamental, diante da possibilidade de intervenção do Estado nas famílias, com suas configurações contemporâneas?

3 A Constituição brasileira reconhece a família como instituição fundamental, espaço de desenvolvimento das pessoas, em condição de igualdade e diversidade. Famílias brasileiras, são um contexto paradoxal de risco e proteção (SUDBRAK)

4 Vínculos e conflitos violentos no âmbito familiar não são novidade. Com a passagem do tempo, cada um dos membros da família foi ganhando singularidade e importância. A condição de igualdade passou a reconfigurar as relações de poder entre pais e filhos, homens e mulheres.

5 A antiga ideia de paz doméstica e manutenção da família à custa das expectativas e sonhos individuais, independente das circunstâncias vividas em seu contexto, passou a ser relativizada. Ampliou-se, então, a possibilidade de intervenção social e estatal nas famílias, em nome da garantia dos direitos de cada um dos membros. Família não é mais fim em si mesma, é meio para a garantia da dignidade humana dos sujeitos. (TEPEDINO)

6 A intervenção estatal nos contextos familiares, desde o ponto de vista histórico, sempre esteve a serviço da manutenção dos padrões de moralidade vigentes. O recolhimento de crianças em instituições, até o século XX, foi o principal instrumento de assistência ao público infantil no País (RIZZINI). Com o tempo, as crianças objeto de intervenção e institucionalização passam a ser as crianças pobres. Logo, menores em situação irregular.

7 As famílias pobres sempre contaram com menos limites à intervenção externa. A intervenção estatal/filantrópica passou a ser exercida como forma de controle (FOUCAULT). As grandes instituições ganharam espaço e legitimidade no discurso de tratamento e preventivo, com praticas repressivas e reformadoras.

8 A tradição histórica de intervenção familiar está fundada na ideia de que as famílias pobres não são capazes de cuidar de seus filhos; Isso justifica o descaso com a preservação de vínculos familiares. Dimensão pré-reflexiva que que constitui hierarquias valorativas sociais diferenciais. (JESSÉ de SOUZA) Pobres brasileiros sem valor!

9 Estatuto da criança e do Adolescente exclui a possibilidade da justificativa de intervenção por razões econômicas art. 23 ECA. Pesquisas apontam que as mudanças trazidas pela Lei surtiram resultado no momento seguinte da sua implementação, em sequência há um discurso de incorporação dos conceitos da nova Lei e velhas práticas.

10 Adolescentes em instituições requerem avaliação específica: Casos de muito tempo de instituição Casos da vida até então em instituições Dificuldade de adoção Dificuldade de projeto de vida fora da instituição. Se a vida quando se adolesce não é fácil, mais difícil é em contextos institucionais...

11 Adolescências: condição peculiar porque se caracteriza pela busca de identidade, escolhas, referências, valoração da individualidade. Adolescentes institucionalizados vivem a contradição intrínseca da sua condição: a necessidade de aprender a viver em sociedade com a autonomia de um adulto, entretanto tendo como espaço para tal aprendizado uma instituição que, ainda que não prive formalmente a liberdade, afasta-os do contexto social de onde vieram e para onde irão.

12 Na família, também adolescer é um processo complexo. Toda a família adolesce e nem sempre está preparada para a nova etapa. Ao mesmo tempo em que o mundo é o limite, a buscam referências lá fora; a família é o refúgio e o espaço para o exercício da contradição e do teste de limites.

13 Adolescentes vivem, muitas vezes, nos limites que identificam. Vivem o presente, o tempo real da geração e da adolescência. A família, por razões diversas, tem dificuldades e, varias vezes, não conta com apoio estatal como suporte às suas dificuldades geracionais e conjunturais. Dificuldades não é o mesmo que incapacidades...

14 Em razão de praticas infracionais, ou por medidas protetivas, por exemplo quanto à violência sexual, ou violência doméstica. Muitas vezes, o Estado intervém no contexto familiar, em nome da proteção de direitos fundamentais do adolescente ou de terceiros. Esta intervenção, ainda que fundamentada em direitos, priva o direito fundamental de convivência familiar e comunitária.

15 Diretriz 11ª Cuidados Alternativos à Criança, da Organização das Nações Unidas ONU, 2009, estabelece recomendações na direção do cuidado alternativo à institucionalização. Plano Nacional de Proteção, Proteção e Defesa do Direito à Convivência Familiar e Comunitária, 2006, na mesma direção. Claudia Fonseca tem apresentado em suas pesquisas as diferentes alternativas encontradas por famílias brasileiras, de classes populares, para o cuidado de seus filhos extensos. Trata-se da necessária desnaturalização da família, enquanto categoria analítica universalmente válida. (FONSECA)

16 No campo jurídico e estatal é preciso diálogo intercultural entre planos normativos distintos, aplica-se em concreto nessas situações. Os parâmetros a serem buscados para a intervenção do Estado devem considerar o mosaico de famílias que fazem parte da diversidade nacional, seja no que se refere às distintas composições e arranjos familiares, seja no campo dos referenciais normativos de conduta pessoal.

17 A mudança de prática institucionalizante de crianças e adolescentes e, em consequência, o respeito ao direito fundamental à convivência familiar e comunitária, depende de uma alteração importante de mentalidade dos operadores do Estado com dever e função protetiva. Nesse sentido, propõe-se medidas interventivas e protetivas, mas afirmativas de direitos coletivos e de políticas públicas.

18 Propostas: 1. Empoderamento da família para o cuidado de adolescentes 2. Reconhecimento das potencialidades familiares 3. Oferta de mecanismos de mediação de conflitos 4. Elaboração e especificação de critérios mais objetivos para a intervenção familiar 5. Reconhecimento e suporte às estratégias informais de prestação de cuidados

19 Quando se faz necessária a intervenção no contexto familiar, deve-se observar sem restrições os princípios da brevidade, excepcionalidade e melhor interesse. A redução dos danos a serem causados, somente é possível a partir da consciência acerca dos mesmos.

20 Os direitos das crianças e adolescentes no contexto das famílias contemporâneas Ana Paula Motta Costa

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