I SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR DAS CIÊNCIAS DA LINGUAGEM NO CARIRI DE 21 a 23 DE NOVEMBRO DE 2012 ISSN

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1 A TRADUÇÃO NO LIVRO DIDÁTICO DE INGLÊS INSTRUMENTAL Shalatiel Bernardo Martins (UFCG) Resumo: O presente trabalho objetiva apresentar um breve histórico do que são as categorias de tradução interlingual, intralingual e intersemiótica e como elas se manifestam em dois livros didáticos de inglês instrumental. Para isso, nos fundamentamos na abordagem funcionalista de Nord (1991), em que o ato de se traduzir tem um propósito comunicativo e em Albir (1994) dentro das manifestações tradutórias existentes na vertente instrumental reafirmando as novas perspectivas que distanciam o ato tradutório da visão estruturalista. A metodologia utilizada foi o estudo de caso que, segundo André (2003), é o estudo descritivo de uma unidade seja uma escola, um professor, um aluno ou uma sala de aula. Também realizamos pesquisa bibliográfica, uma vez que trabalhamos com três livros didáticos da área de inglês instrumental. O resultado parcial aponta que as categorias de tradução de Jakobson (2000) sendo elas a interlingual, intralingual, e intersemiótica estão presentes no livro de inglês instrumental, em especial nos livros didáticos constituintes do corpus dessa pesquisa, de forma indutiva, ou seja, ela se manifesta de forma não explícita pelas autoras. Isto pode indicar o começo de mudança do pensamento tradicional de que a tradução é uma ferramenta apenas de transposição de estruturas linguísticas para a percepção de que toda leitura possui um propósito. Esta conclusão, ainda que parcial, é válida se pudermos enxergar nessas categorias um subsídio para a leitura e compreensão textual por parte de alunos estudantes de língua estrangeira, nesse caso de língua inglesa na vertente instrumental. Palavras-chave: Inglês instrumental; tradução; funcionalismo, 1. Introdução Para a maioria dos estudantes de uma língua estrangeira, desde o nível básico até o nível superior, ou mesmo de pós-graduação, a tradução é vista apenas como aquela ação que faz o transporte da mensagem entre a língua de partida e a língua de chegada (NEWMARK 2001), desconhecendo a existência de outras vertentes dentro dos estudos tradutórios, O presente trabalho objetiva apresentar um breve histórico do que seja, e como as categorias de tradução (JAKOBSON 2000), sendo elas interlingual; intralingual e intersemiótica, se manifestam em dois livros didáticos de inglês instrumental. Para entender como essas categorias de tradução estão presente nos conteúdos dos textos e imagens analisados, inicialmente teceremos considerações acerca das categorias de tradução de Jakobson (2000) sendo elas a interlingual, intralingual e intersemiótica, bem como sobre a abordagem funcionalista da visão de Nord (1991), em que o ato de se traduzir tem um propósito comunicativo. Logo após essa etapa apresentaremos, também de forma breve, os materiais didáticos que utilizamos para fazer essa análise, ambos na área de inglês instrumental, para que o leitor possa entender a origem e o propósito de cada um destes materiais afim de que saibamos a proposta de cada autor, mais adiante faremos uma análise desse material para entendermos como a presença das categorias de tradução de Jakobson (2000) podem auxiliar os alunos em suas interpretações. Por fim teceremos considerações acerca do uso de tradução em sala de aula de inglês como LE, na vertente instrumental reafirmando as novas perspectivas que distanciam o ato tradutório da visão estruturalista que a maioria dos alunos e alguns estudiosos da área de linguagem têm do que seja traduzir.

2 3. As Categorias de tradução de Jakobson (2000) Muitos materiais didáticos de inglês instrumental, que possuem uma abordagem sociocognitiva, ou seja, aquela que exige a interação entre o sujeito/autor/texto, incluindo os que utilizaremos nesse estudo, se utilizam de vários recursos para facilitar a interpretação textual por parte dos alunos, incluindo figuras, tabelas, marcas tipográficas, e etc. Características comuns no ensino instrumental de qualquer língua (ARAÚJO 2002). Dessa forma, em sua função cognitiva, a linguagem depende muito pouco do sistema gramatical, por que a definição de nossa experiência está numa relação complementar com as operações metalinguísticas, assim, o nível cognitivo da linguagem não só admite como também exige a interpretação por meio de outros códigos, a recodificação, isto é, a tradução em suas mais variadas formas (JAKOBSON, 1959/2000). Para Jakobson existem três tipos de categorias de tradução, a saber: 1-tradução intralingual: consiste em uma interpretação de signos verbais por meio de outros signos da mesma linguagem, que ocorreria, por exemplo, quando nós recriamos uma frase ou uma expressão, ou mesmo quando recriamos um texto inteiro, usando a mesma linguagem. 2- tradução interlingual, consiste em uma interpretação de signos verbais por meio de alguma outra língua, que em suma seria a tradução entre duas línguas verbais diferentes. 3- tradução intersemiótica: define-se por ser uma interpretação de signos verbais através de um sistema de signos não-verbais, e acontece, por exemplo, quando transformamos um texto escrito em música, filme ou pintura. Costa (1988) diz que os estudantes que já tem um nível linguístico de inglês mais avançado se utilizam da tradução intralingual quase que naturalmente principalmente quando se deparam, por exemplo, com palavras que são mais conhecidas em vocabulários específicos como o médico ou científico. A tradução interlingual é uma das mais comuns e a mais utilizada por alunos que estão nos estágios iniciais de aprendizagem de língua inglesa como LE. Albir (1994) principalmente porque no ensino de nível básico essa categoria era a mais utilizada, pois da forma em que se era trabalhada nessas salas de aula, através de listas de palavras ou frases isoladas, exigia pouca ou nenhuma fluência oral por parte dos professores (BROWN 2000). A utilização de figuras como auxílio para a interpretação textual já foi destacada aqui por nós como um dos recursos mais repetidos por materiais didáticos e Fonseca (2005), reafirma essa importância dizendo que o uso de imagens leva o leitor a utilizar de forma mais ampla sua cognição, assim como ativa o conhecimento de mundo que cada um deles possui, construindo assim significados múltiplos dentro desse conceito, partindo assim do propósito que cada estudante têm, assunto esse abordado na próxima seção. 4. A Abordagem Funcionalista de Nord (1997) O ensino de inglês instrumental é uma metodologia de ensino de inglês como LE na qual todas as decisões com relação ao conteúdo a ser ministrado e suas estratégias estão baseadas nas necessidades do educando podendo ter variadas abordagens (MUNHOZ 2004), no caso desse artigo a de leitura e interpretação de texto. Dessa forma a abordagem funcionalista da visão de Nord (1997) também coloca como ponto principal a tradução voltada para o leitor e suas necessidades, assim como evidencia a função do texto traduzido e o contexto em que esse leitor está inserido, assim sendo o texto de partida deixa de ser a única fonte para se chegar a tradução (BRANCO 2009) na língua que se pretende, no caso desse estudo a relação entre o português brasileiro e o inglês.

3 A visão funcionalista influenciará, a todo o momento, as análises dos conteúdos dos textos que veremos ao longo da próxima seção de análise da presença das categorias de tradução de Jakobson (2000) justamente por estar intrinsecamente ligada ao propósito tanto dos leitores, quanto dos professores que utilizarão esse material em sala de aula, e os autores que criaram os manuais didáticos. 5. Análise dos Materiais Didáticos Dividiremos essa seção em duas, a saber: 5.1 a proposta dos materiais didáticos, onde abordaremos o que os autores dos dois livros didáticos propõem em seus materiais, e 5.2 a análise da presença das categorias de tradução de Jakobson (2000). 5.1 Os Materiais Didáticos Os materiais didáticos analisados nesse trabalho são: i) Inglês instrumental: caminhos para a leitura, Araújo & Sampaio (2002) tem organizadores e vários autores uma vez que os XV capítulos que compõe a sua estrutura são divididos entre eles, o livro traz uma proposta sociocognitivista de leitura e alguns objetivos, dentre eles trabalhar as estratégias de leitura, desenvolver a autoconfiança e autonomia do leitor e contribuir para a formação de um leitor crítico. E, ii) Inglês instrumental: estratégias de leitura, módulo I Munhoz (2004) a autora divide o seu material em módulos de forma que analisaremos apenas o primeiro, e ela afirma que seu curso é desenhado de maneira a desenvolver nos alunos a habilidade de leitura sem deixar de se preocupar com o processo de aprendizado. 5.2 Análise dos Materiais Didáticos Segundo André (2003), o estudo de caso aparece há muito anos nos livros de metodologia da pesquisa educacional, mas dentro de uma concepção bastante estrita, ou seja, o estudo descritivo de uma unidade seja uma escola, um professor, um aluno ou uma sala de aula. Esse estudo analisará três textos desses materiais didáticos, dois do (MUNHOZ 2004) e um do de (ARAÚJO E SAMPAIO 2002) leva-se em consideração para escolha desses textos sua aproximação com o trabalho, ou seja, são os que apresentam o uso das categorias de tradução de forma mais subsidiadora a leitura. Considerando que esses leitores estão em um estágio inicial de um curso de inglês instrumental e que podem não ser tão familiarizados com a língua inglesa. O primeiro texto faz uma série de questionamentos acerca do que é e de como se desenvolve a questão da ansiedade nas pessoas. Enfatizando bem a diferença entre alguém que está apenas cansado da rotina diária de um individuo com uma patologia séria e que precisa de tratamento. O texto traz consigo esse propósito ( NORD 1991) de alertar para o perigo da ansiedade.

4 A autora do livro se utiliza então de imagens dentro de placas com formas geométricas semelhantes aquelas utilizadas nas sinalizações verticais de trânsito fazendo uso da tradução intersemiótica (JAKOBSON 1959), pois as imagens funcionam como um suporte para que o futuro leitor consiga fazer um resumo adequado, ou seja, transmitir as informações mais importantes com um número reduzido de palavras., exercício requerido doravante o texto. Portanto vê-se que além de estar presente no recorte do material didático, essa categoria de tradução é indispensável para que o aluno-leitor consiga compreender o texto como um todo, fazendo não apenas uma leitura das estruturas linguísticas ou de palavra por palavra, mas entendendo o contexto a que aquilo é colocado mesmo que isso seja feito de forma indutiva (NORD 1997). O texto dois se apresenta em língua portuguesa uma vez que a autora do capítulo pretende desenvolver nos alunos a competência de encontrar as informações mais relevantes no texto. O assunto abordado refere-se á situação enfrentada por pessoas que vivem as margens da rodovia transamazônica ressaltando as dificuldades de se viver lá

5 Pode-se notar que nesse recorte feito pela autora é utilizado a categoria de tradução intralingual (JAKOBSON 1959) quando o mesmo necessita explicar que nessa região a principal característica do período invernoso é a quantidade excessiva de chuvas o que torna a situação de locomoção dos nativos insustentável, recriando essa informação através da mesma estrutura linguística, no caso a língua portuguesa. Torna-se importante ressaltar que dessa forma o leitor sente mais segurança ao interpretar esse texto, ou mesmo ao criar um texto autêntico a partir desse primeiro ao passo em que ele passa a notar essas particularidades que o texto carrega, ampliando assim a relação de interação leitor/texto/professor (PAIVA 2009). Ao longo do terceiro e último texto da analise, é ressaltado as características da cidade do Rio de Janeiro como os pontos turísticos e bairros mais famosos, bem como do povo e do cotidiano da cidade como um todo aproximando claramente o leitor de um contexto mais familiar, o que certamente despertará nele um interesse maior no momento da resolução dos exercícios e da leitura do texto como um todo ( ARAÚJO 2002). A categoria de tradução interlingual (JAKOBSON 1959) é a mais recorrente no desenvolvimento do texto, a ferramenta é utilizada para transpor informações de um código linguístico para outro, como, por exemplo, o uso de subway e metrô nesse caso da língua inglesa para a portuguesa, ou ainda chopes em relação a draft beers fazendo o processo inverso. Esse processo de utilização da categoria interlingual (JAKOBSON 1959) torna a leitura mais eficiente uma vez que utilizar de expressões semelhantes em dois códigos linguísticos aproxima o leitor da mensagem que o texto pretende passar (PAIVA 2004). E a utilização desse tipo de tradução por alunos iniciantes de ensino de inglês instrumental torna a atividade mais gratificante e menos cansativa (ALBIR 1998). Considerações Finais As categorias de tradução de Jakobson (2000) sendo elas a interlingual, intralingual, e intersemiótica estão presentes no livro de inglês instrumental, em especial nos livros didáticos

6 constituintes do corpus dessa pesquisa, de forma indutiva, ou seja, ela se manifesta de forma não explícita pelas autoras. Dessa forma, pode-se começar a mudar o pensamento tradicional de que a tradução é uma ferramenta apenas de transposição de estruturas linguísticas e perceber que toda leitura possui um propósito. Principalmente se pudermos enxergar nessas categorias um subsídio para a leitura e compreensão textual por parte de alunos estudantes de língua estrangeira, nesse caso de língua inglesa na vertente instrumental. A pesquisa apresentada encontra-se em fase de desenvolvimento como dissertação de mestrado e, portanto, ainda desenvolveremos e analisaremos mais dados dos livros estudados até aqui bem como de outro anexado ao estudo, nosso intuito foi de demonstrar como as categorias de tradução estão sim presentes e que ao saber utilizá-las o leitor certamente desenvolverá uma leitura em concordância com seu propósito. Referências ALBIR, Hurtado. La traducción en la enseñanza comunicativa. Cable: Revista de Didáctica del Español como Lengua Extranjera. Madrid, ANDRÉ, M. E. D. A. Etnografia da prática escolar. Campinas: Papirus, 2003 ARAÚJO, A.D., SAMPAIO S. Inglês instrumental: caminhos para a leitura. Piauí, Alínea, BRANCO, Sinara O. Teorias da tradução e o ensino de línguas estrangeiras, UFSC, BROWN, H. Douglas. Teaching by principles: na interactive approach to language pedagogy, Prentice Hall Regents COSTA, Walter Carlos. Tradução e ensino de línguas. In: BOHN, H.; VANDRESEN, P. (orgs.). Tópicos de Linguística Aplicada: o ensino de línguas estrangeiras. Florianópolis: UFSC, p , FONSECA, M. C. M. Por quê é tão difícil ensinar o Present Perfect na escola? In:BRUNO, F. C. (org). Ensino aprendizagem de línguas estrangeiras: reflexão epratica. São Carlos: Clara Luz, MUNHOZ, R. Inglês Intrumental estratégias de leitura, módulo I, NEWMARK, Peter. Approaches to translation.oxford: Pergamon Press, 2001 JAKOBSON, Roman. On linguistic aspects of translation. In: VENUTI, Lawrence (Ed.). The translation studies reader. London: Routledge, PAIVA, Vera Lúcia Menezes de Oliveira. Desenvolvendo a habilidade de leitura. In: Ensino e aprendizagem de lingua inglesa: conversas com especialistas, Parábola. NORD, C. (1991). Text Analysis in Translation: Theory, Methodology, and Didactic Application of a Model for Translation-Oriented Text Analysis. Amsterdam: Rodopi.

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