AS NOVAS TECNOLOGIAS COMO MEIO DE DISSEMINAÇÃO DA MÚSICA

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1 Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) Instituto de Artes (IA) Campinas, 2013 AS NOVAS TECNOLOGIAS COMO MEIO DE DISSEMINAÇÃO DA MÚSICA CS200 Captação e Edição de Áudio Profº. Dr.: José Eduardo Ribeiro de Paiva Discente: Larissa Cezarino Moreira R.A.: RESUMO As novas tecnologias têm permitido maior acesso às músicas e provocado, consequentemente, grandes impactos no mercado fonográfico, principalmente após os surgimento do formato MP3. A disseminação da música foi facilitada com esse novo formato, principalmente após a criação de programas que possibilitam o compartilhamento de arquivos musicais pela Internet, se desvinculando do mercado físico para o virtual, e exigindo que a indústria fonográfica também modificasse suas formas de negócio, além de dar início ao debate sobre os direitos autorais devido à problemática da distribuição ilegal e da "pirataria". No entanto, vê-se que o avanço tecnológico ainda está em curso, implicando que, possivelmente, novas transformações ainda venham a acontecer, sendo necessária uma nova adaptação tanto de produtores quanto de consumidores.

2 INTRODUÇÃO Atualmente, vivemos em uma sociedade marcada pela interação entre o homem e a máquina, a qual vem sofrendo mudanças desde as décadas de 1960 e 1970 com o advento das tecnologias digitais, proporcionando novas formas de armazenamento, transmissão e reprodução de novas obras. A internet tem estado presente intensivamente em nosso cotidiano, seja para fins de trabalho, estudo ou lazer. (MOREIRA; SALLES; CARMO; SALAZAR, 2002) As tecnologias digitais ( cibercultura ) modificaram a forma de disseminação musical por meio de compressão de arquivos. O download desses arquivos (música transformada em arquivo digital virtual) na Internet é um processo inovador tanto de difusão da música quanto de seu próprio consumo pela sociedade atual. Desse modo, a Internet permite que a relação entre consumidor e produtor seja alterada, já que o primeiro pode usar e modificar arquivos sem a intermediação da indústria fonográfica e o segundo pode disseminar com facilidade seus produtos, permitindo maior acesso a menores custos. (LIMA; OLIVEIRA, 2005) A música é um produto social e simbólico de grande importância nas diferentes formações culturais, principalmente se considerarmos a sua capacidade de criar vínculos afetivos entre as pessoas. A música pode usar diferentes formas de linguagem e expressão, sendo produto cultural de características muito especiais: nenhum produto cultural tem mostrado tamanha capacidade de adaptação aos diferentes meios de comunicação. (LIMA; OLIVEIRA, 2005, p.36) Segundo Pereira (2011), ao adentrar a internet, a música fez com que o mercado fonográfico revisse suas regras e previsões sob uma ótica lógica digital, pois este novo âmbito alterou o papel do público receptor, o qual se tornou um usuário-interativo, podendo opinar sobre o que está ouvindo ou assistindo e auxiliar na difusão do conteúdo. O ciberespaço pode então ser considerado como um espaço comunicacional simbólico de virtualização da realidade e de interações virtuais, promovendo o distanciamento entre artista e público e a disseminação da música para o mundo, democratizando o acesso à mesma. (MOREIRA; SALLES; CARMO; SALAZAR, 2002) Em relação ao acesso e compartilhamento musical, torna-se presente a problemática dos direitos autorais por meio da comercialização virtual ilegal (pirataria) apropriação do lucro e da venda das obras dos artistas, além do questionamento do trabalho intermediário das gravadoras (MOREIRA; SALLES; CARMO; SALAZAR, 2002). Sendo assim, torna-se necessário o debate sobre a ideologia da cultura livre, a qual considera que todo conhecimento deve ser livre, ou seja, deve ser possibilitado seu uso, cópia, compartilhamento e distribuição, garantindo direitos sobre a propriedade intelectual, não sendo, portanto, uma cultura sem propriedade aonde os artistas não são pagos (LAWRENCE, 2004).

3 CAPÍTULO I Dos discos de vinil ao MP3: uma breve história de aperfeiçoamento tecnológico O século XX marca o surgimento dos processos eletromecânicos de gravação e reprodução (fixação do som em um meio material), considerada a primeira grande transformação da produção musical, pois até então era necessária a presença de alguém que executasse e alguém que ouvisse no momento de sua realização. Tal acontecimento possibilitou o distanciamento do artista com o público, já que este último estava acostumado com a performance ( ao vivo ), além de possibilitar que a música fosse pensada, analisada e modificada. o mercado fonográfico acreditava que o que o público primava era um som realista, a verossimilhança do disco com a realidade. Assim a gravação ainda se limitava ao registro de um evento em particular. (LIMA; OLIVEIRA, 2005) Segundo Lima e Oliveira (2005) foram os discos de vinil que fizeram surgir as indústrias gravadoras e produtoras de discos a indústria fonográfica, além disso estes prometiam democratizar o acesso à música devido ao fato de poderem ser tocados em qualquer lugar e de proporcionarem contato com outras culturas de outros países. Na década de 1960, é colocada em circulação no mercado a fita cassete (SOUZA, 2009), considerada um intermediário no processo de gravação pelo fato de não mais precisar gravar performances inteiras. Os produtores podiam cortar, editar e eliminar trechos de diferentes performances, criando, dessa forma, eventos ideias e não reais, começa-se então a distinção entre música ao vivo e música feita em estúdio (LIMA; OLIVEIRA, 2005). A partir de 1980, devido ao barateamento e aperfeiçoamento das tecnologias digitais (intensificadas desde a década de 1970), boa parte das atividades musicais interagia com algum tipo de recurso de informática, permitindo a gravação de músicas por computadores, dando início ao registro de música em Compact-Disc (CD) (LIMA; OLIVEIRA, 2005) e Compact Disc Recordable 1 (CD-R) (SOUZA, 2009). Com a expansão dessas tecnologias, tem-se início a construção de uma rede interativa de computadores, que consolidada no mundo inteiro a partir da década de 1990, permite que a informação seja transmitida e recebida sem a necessidade de um suporte físico. O surgimento da web caracteriza-se pelo ciberespaço como um novo espaço de difusão e circulação de textos, imagens e sons (LIMA; OLIVEIRA, 2005). Devido essas características e o fato de a internet ser um espaço de livre circulação de informação, o ciberespaço possibilita a potencialização da difusão musical, podendo ser considerado como uma biblioteca musical (MOREIRA; SALLES; CARMO; SALAZAR, 2002). Segundo Lima e Oliveira (2005), para se transmitir áudio, nos primeiros tempos da internet, era necessária a compressão dos dados para que a informação fosse suficientemente compactada. Para suprir a perda de qualidade surgiu o MP3, criado pelo Instituto alemão Fraunhofer, reduzindo cerca de dez vezes o espaço ocupado pleos arquivos de áudio, o qual começou a ser utilizado em 1994 para gravação de áudio em CD, que com o avanço das tecnologias digitais possibilitou-se a gravação de CDs em computadores pessoais, porém foi com a internet que adquiriu maiores possibilidades de uso. 1 Disco compacto gravável possibilita a cópia de álbuns oficiais a partir de computadores pessoais, sem a necessidade de processos de prensagem industrial

4 Na busca de soluções para o envio de áudio pela Rede, muitas formas de compressão foram sendo desenvolvidas para transmissão em rede e muitas delas passaram a ser utilizadas para transmissão de áudio na Internet. Todas elas, porém, deterioravam demasiadamente a qualidade do material sonoro até o surgimento do MP3. (LIMA; OLIVEIRA, 2005, p.42) O formato MP3 possui qualidade sonora levemente inferior ao CD e pode ser copiado livremente e infinitamente, viabilizando a distribuição de música na Internet. A emissão e reprodução da música sem um suporte físico é uma realidade do ciberespaço, sendo que a popularização das mesmas propiciou discussões no mercado sobre as mudanças no formato de venda da música, cogitando uma possível decadência do CD (LIMA; OLIVEIRA, 2005). Além disso, o MP3 possibilita a divulgação de músicas sem o papel intermediário das gravadoras por um custo mais baixo (MOREIRA; SALLES; CARMO; SALAZAR, 2002).

5 CAPÍTULO II A internet, os dispositivos tecnológicos e suas conseqüências para o mercado fonográfico A Internet permite que muitos participem da construção e do cultivo de uma cultura, alcançando além das fronteiras locais e ameaçando as indústrias de conteúdo. Associadas à Internet, as tecnologias digitais podem produzir um mercado mais competitivo de se criar e distribuir culturas, incluindo uma diversidade de criadores (LAWRENCE, 2005). Assim, para que essa difusão cultural ultrapasse tais fronteiras, necessita-se que seja disseminada a ideologia de uma cultura livre, que considera que todo conhecimento deve ser livre, ou seja, deve-se poder ser compartilhado, distribuído, copiado e utilizado, sempre preservando os direitos autorais (MOREIRA; SALLES; CARMO; SALAZAR, 2002). Uma cultura livre não é uma cultura sem propriedades; não é uma cultura aonde os artistas não são pagos. (...) Uma cultura livre, como um mercado livre, é composta de propriedades. Ela é composta por regras de propriedade e contratos que são garantidos pelo estado. (...) Culturas livres são culturas que deixam uma grande parcela de si aberta para outros poderem trabalhar em cima(...) (LAWRENCE, 2005, p. XV, 28) A transmissão de arquivos virtuais ganha maior rapidez e facilidade de transmissão com a Internet, assim o formato MP3 revoluciona a transmissão de arquivos musicais (SOUZA, 2009). Com tal facilidade, surge a problemática dos direitos autorais, através da venda de determinado conteúdo e da apropriação do lucro desta, o que é considerado com pirataria (MOREIRA; SALLES; CARMO; SALAZAR, 2002). Para enfrentar esse problema e proteger a propriedade, a indústria de conteúdo se lança em uma guerra (LAWRENCE, 2005). Assim como as indústrias de softwares, a imprensa, as editoras e as produtoras de cinema, a indústria fonográfica produz e distribui o que chamamos de "Informações Protegidas por Copyright" (IPC). Isso significa que para se explorar economicamente essas informações (que no caso fonográfico correspondem às músicas gravadas) é necessário antes se adquirir os direitos para tal. O Copyright encontra-se na essência da indústria de música gravada. É ele que protege legalmente as firmas contra a reprodução não autorizada de seus conteúdos (...). (SOUZA, 2009, p. 7) Em 1997, surge o Winamp (primeiro software livre) que facilita a troca de arquivos musicais, possibilitando seu uso na internet, e logo depois surgiram os softwares de compartilhamento de arquivos na Internet (SOUZA, 2009). O Winamp incentivou que diversos outros programas de download e upload de MP3 fossem criados (LIMA; OLIVEIRA, 2005). O primeiro deles foi o Napster, em 1999 por um estudante da Boston s Northeastern University, o qual permitia que seus usuários conseguisse compartilhar arquivos MP3 com outros usuários sem custo para ambos, garantindo acesso gratuito às coleções virtuais de músicas de todos os usuários. Nesse mesmo ano, a Associação de Gravação Norte Americana acusou o programa de facilitar a pirataria musical e entrou com um processo contra o Napster, e em 2001 o programa foi desligado, voltando a funcionar em 2002 com um serviço pago por assinatura (SOUZA, 2009).

6 Os processos de perseguição da indústria fonográfica amedrontam usuários e empresas, por isso decidiram se proteger e garantir a disseminação de redes descentralizadas que impedem a localização dos usuários, como, por exemplo, o programa KaZaA, que em março 2003 atingiu a marca de cerca de 4,7 milhões de usuários e aproximadamente 1 bilhão de arquivos disponíveis (LIMA; OLIVEIRA, 2005). Segundo Lima e Oliveira, 2005, as redes descentralizadas conquistaram milhões de usuários no mundo inteiro, que fazem downloads de músicas, programas de televisão e filmes protegidos pela lei autoral. Atualmente, vêem-se inúmeros programas existentes na Internet que permitem o download gratuito de arquivos MP3, e até agora não há uma forma de controlar a distribuição ilegal desses arquivos. Para Souza, 2009, tal fato, gera uma grande fonte de discussão sobre o grau de pirataria existente no download digital: "Uma grande fonte de discussão atualmente é sobre o grau de pirataria existente no download digitai. Isso porque, se por um lado a pirataria física incorre em um desvio de receita das majors 2 para terceiros que estão comercializando as obras ilegalmente, por outro os downloads ilegais apesar de também reduzir a receita das gravadoras não necessariamente incorrem em rendimentos financeiros para seus praticantes. (SOUZA, 2009, p. 20) Percebe-se, então, que a Internet altera o modo de fazer e experimentar a cultura, promovendo a virtualização da música e possibilitando que qualquer obra musical possa ser produzida, compactada e difundida semelhantemente a um arquivo de texto ou imagem digital, ou seja, a cibercultura redimensionou o mundo da música através da compressão de arquivos de áudio. Essa transmissão de arquivos de música na Internet permite uma alteração na relação produtor e consumidor, onde o primeiro pode disseminar facilmente sua obra tornando-a acessível a milhares de pessoas a custo reduzido, e o segundo pode recuperar e utilizar arquivos musicais. Ambos (produtor e consumidor) podem fazer a música circular sem o papel intermediário da indústria fonográfica (LIMA; OLIVEIRA, 2005). Ao analisar a reação da indústria fonográfica frente à ilegalidade das trocas virtuais de músicas, nota-se que a mesma deveria ter se preparado para as transformações que se apresentavam e que mudariam todo o mercado, ou seja, talvez seu maior erro tenha sido não se identificar com a rede de compartilhamento e com suas oportunidades e sim ter visto apenas os riscos que esta poderia ocasionar (SOUZA, 2009). Segundo, Lima e Oliveira, 2005, o real impacto da pirataria pela Internet na indústria fonográfica ainda é incerto, pois alguns estudos revelam que, mesmo com o download gratuito, muitos internautas não deixam de comprar CDs gravados. Assim, algumas gravadoras se renderam ao mercado dos tocadores de MP3 e tentaram vender músicas dos seus artistas por serviços de assinatura ou por pagamento separado de cada download. Para Souza, 2009, uma forma positiva de reação da indústria fonográfica teve início em 2001, quando a empresa Apple lança no mercado o ipod (aparelho tocador de áudio digital portátil MP3 player), destinado ao armazenamento de músicas em 2 Seis grandes grupos que dominavam a Indústria Fonográfica na década de Em 2004, esse número se reduziu para quatro, considerado de Big Four Universal Music Group, Sony BGM, EMI Group e Warner Music Group. O restante do mercado é constituído por selos fonográficos, que são pequenas gravadoras que atuam de maneira independente no mercado.

7 formato MP3. Sua consolidação possibilitou o surgimento do itunes Music Store (itms) pela Apple em 2003, o qual consistia em uma loja virtual de música digital que tornou-se, rapidamente, popular e lucrativa. Em 2001, simultaneamente com o ipod, tem-se o surgimento do Rhapasody, um serviço de música online da empresa RealNetworks, o qual possuía uma biblioteca virtual com acesso via internet a partir de uma mensalidade fixa, possuindo apoio da indústria fonográfica para a oferta de uma grande diversidade de músicas, que podem ser escutadas sem que seja necessário ocupar espaço no disco rígido do computador. Atualmente, esse serviço também pode ser acessado através de aparelhos celulares que sejam compatíveis com o sistema (SOUZA, 2009). Os clientes, muitas vezes, por causa de urna única canção eram obrigados a comprar um álbum de com doze musicas (em média), caso contrário não havia como se ter acesso à mesma. A possibilidade de consumo unitário aliada aos grandes acervos disponíveis on-line representam um grande chamariz do mercado de música na Internet. (...) os consumidores buscam a internet para adquirir música porque sabem que ali as chances de encontrar exatamente o que procuram são muito maiores do que em uma loja física de música. (SOUZA, 2009, p. 26 e 27) Alguns reflexos dos inúmeros portais de notícias da Internet atuam na oferta e demanda por música digital, onde em relação à primeira tem-se que o custo de oferecer títulos é muito menor nas lojas de arquivos digitais, tornando rentável grande quantidade de músicas que eram desprezadas nas lojas físicas, além de oferecer uma quantidade de música praticamente ilimitada, e em relação à segunda há a difusão das preferências musicais e um distanciamento dos hits oferecidos pela indústria. Assim, tem-se o fortalecimento do mercado de nicho em relação ao de massa, e para o estabelecimento deste, depende-se da democratização das ferramentas de produção e distribuição, a qual se pode alcançar através do Computador Pessoal (PC) que possibilita que várias pessoas produzam suas próprias músicas e álbuns. Vê-se então, que os PCs transformaram pessoas em produtores e a Internet as converteu em distribuidores de música, transformando também os consumidores em divulgadores. (SOUZA, 2009). Assim que a música chegou na internet as regras e as previsões do mercado fonográfico precisaram (e ainda precisam) ser revistas sob a ótica de uma nova lógica digital. (...) Os usuários-interativos uniram a vontade de conhecer profundamente artistas, bandas, músicas com uma ferramenta de fácil acesso e uso: a Internet. (...) Na web, no momento em que o usuário-interativo passa pela experiência de ouvir o som e ver a banda tocar na internet, ele pode também opinar sobre o que assistiu e ouviu e espalhar sua opinião em suas redes pessoais. (...) Para as bandas e artistas, as redes sociais se tornaram facilitadoras na difusão de conteúdo, uma vez que seu fã pode auxiliar com suas redes pessoais para que o projeto se espalhe com maior agilidade e credibilidade. (PEREIRA, 2011, p. 10 e 11)

8 Segundo Souza, 2009, outro importante fator de ligação da oferta e demanda é o papel desempenhado pelos conglomerados virtuais, como o Google, e pelos grandes ofertantes da Internet, os quais observam o comportamento de milhares de consumidores, analisando suas preferências e realizando recomendações personalizadas. Além disso, atualmente, um único artista pode ser oferecido em formatos diferentes, como download de vídeos, ringtones ou faixas completas para celulares, ou seja, além dos computadores, vê-se que os celulares têm se tornado um importante meio de vendas no mercado virtual. Para Iazzeta, 2009, isso pode ser constatado devido a o fato de nos últimos dez anos ter existido uma troca entre a busca por qualidade pela busca por portabilidade e acessibilidade, mesmo que tal representasse uma diminuição na qualidade sonora, substituindo, assim, o que poderia ser entendido como ruído por um ambiente agradável. Nota-se, portanto, que a Internet, a pirataria e a troca de músicas virtualmente possibilitaram o surgimento de um novo mercado com possibilidades ainda não totalmente exploradas ou descobertas. A troca virtual de música proporcionou uma disseminação até então nunca vista, ampliando a divulgação dos produtos da indústria fonográfica e fortalecendo a carreira de seus artistas devido a facilidade de acesso à estas. Dessa forma, percebe-se que o avanço tecnológico das telecomunicações e da informática permitiram que as pessoas consumissem música sem necessariamente possuí-las, e conseguem fazê-lo onde e quando quiserem (SOUZA, 2009).

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os avanços tecnológicos nas áreas de telecomunicação e de informática possibilitaram um amplo acesso dos indivíduos à música, onde os mesmos podem fazêlo quando, onde e quanto quiserem, criando um novo mercado e um novo consumidor, devido a facilidade de se adquirir música gratuitamente. Fala-se hoje da mobilidade da música, podendo estar em qualquer lugar e em qualquer horário, como, por exemplo, através dos celulares ou rádios nos automóveis. Devido a isso, nota-se o impacto causado na indústria fonográfica pelo fato de a mesma não ter conseguido perceber as oportunidades advindas com as novas tecnologias, se restringindo a combater as consequências. Porém, o mercado fonográfico, ultimamente, tem aumentado sua receita com os programas de distribuição de músicas legais, passando a se apropriar das novas tecnologias como modo de garantir e consquistar o público, além do que, os CDs ainda possuem grandes vendas. Assim, o mercado se encontra em constante transformação, a partir de novos produtos, processos de produção e formas de negócios. O que vale a pena destacar é que algumas pessoas ainda não possuem condições financeiras o suficiente para se utilizar dos meios legais para adquirir músicas, portanto passam a se valer das formas de distribuição ilegais para quem sabe, dessa forma, não se encontrarem à margem da cultura. Além disso, há necessidade de ressaltar que tal ação não pode ser considerada como "pirataria", já que esta implica em lucrar das vendas dos produtos de outrem, e que, muitas vezes, acaba por auxiliar na disseminação da música a ponto de torná-la conhecida. Dessa forma, é possível entender que as novas tecnologias atuam sobre o mercado, modificando-o de modo a torná-lo mais acessível e mais facilitado e de fazê-lo acompanhar o avanço tecnológico. Sendo assim, se torna necessário que os músicos se adaptem a essa nova realidade e esse novo mercado, assumindo uma sociedade em rede, para divulgar suas obras, tornando a Internet um meio de integração social. Portanto, a ideologia de cultura livre se faz necessária tanto para produtores quanto consumidores, a fim de beneficiar ambos no âmbito musical. No entanto, todas essas transformações ainda estão ocorrendo, e como os avanços tecnológicos em curso, possivelmente, outras venham a ocorrer, pressionando, novamente, uma nova adaptação às formas de produção e divulgação de músicas, e provocando uma nova forma de negócio e uma nova relação entre produtores e consumidores.

10 REFERÊNCIAS IAZZETTA, F. Música e mediação tecnológica. São Paulo: Perspectiva: Fapesp, p. p LAWRENCE, L. Cultura Livre: como a grande mídia usa a tecnologia e a lei para bloquear a cultura e controlar a criatividade. São Paulo: Trama, p. Disponível em: <https://www.ufmg.br/proex/cpinfo/educacao/docs/10d.pdf> Acesso em: 21 de outubro de LIMA, C. R. M; OLIVEIRA, R. M. S. MP3: música, comunicação e cultura. Rio de Janeiro: E-Papers, p. Disponível em: < Acesso em: 21 de outubro de MOREIRA, A. R.; SALLES, I. G.; CARMO, L. B.; SALAZAR, L. R. Música e internet: uma expressão da Cultura Livre. In: CONGRESSO NACIONAL UNIVERSIDADE, EAD E SOFTWARE LIVRE, Anais. Belo Horizonte: UFMG, Disponível em: < Acesso em: 20 de outubro de PEREIRA, A. T. G. As redes sociais na disseminação de projetos musicais no Brasil. São Paulo: CELACC/ECA-USP, Disponível em: <http://www.usp.br/celacc/ojs/index.php/blacc/article/view/288> Acesso em: 20 de outubro de SOUZA, R. A. O impacto de novas tecnologias sobre o mercado fonográfico: o advento da internet e das tecnologias virtuais na indústria da música. Campinas: UNICAMP/IE, Disponível em: < Acesso em: 19 de outubro de 2013.

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