O PROGRAMA ASSISTÊNCIA SÓCIO-JURÍDICA E OS DIREITOS DO IDOSO

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1 O PROGRAMA ASSISTÊNCIA SÓCIO-JURÍDICA E OS DIREITOS DO IDOSO Maria Salete da Silva Josiane dos Santos O Programa Assistência Sócio-Jurídica, extensão do Departamento de Serviço Social, funciona no Núcleo de Prática Jurídica da Universidade Regional de Blumenau, que oferece estágio curricular obrigatório para acadêmicos dos cursos de Direito, Serviço Social e Psicologia. O Programa compõe-se dos Projetos Plantão Social, Interação, Caracterização dos Usuários do Serviço Social, GT Rede de Proteção às Pessoas em Situação de Violência Intrafamiliar, Informação e Oficinas de Cidadania. Atende usuários em situação de vulnerabilidade social, em decorrência de desemprego, baixa renda, dependência de substância psico-ativa, conflitos familiares, entre outros fatores e que buscam acesso gratuito à justiça. Este, numa concepção ampliada, extrapola o ingresso nos tribunais e inclui o direito à informação, ou seja, é a garantia do exercício dos demais direitos. A atuação do Serviço Social no campo sócio-jurídico caracteriza-se pela prestação de orientação e acompanhamento social; articulação de recursos sociais das diferentes políticas públicas; realização de encaminhamentos aos recursos sociais; desenvolvimento de ações de caráter preventivo, com o intuito de evitar disputas judiciais e suas conseqüências; socialização de informações sobre direitos sociais e procedimentos para o acesso e sobre organizações de representação coletiva. A atuação do assistente social deve contribuir com os sujeitos para que possam analisar e redimensionar suas situações de litígio, esclarecendo seus direitos e deveres, tentando buscar alternativas de ação para resolução desses conflitos (CHUAIRI, 2001, p. 139). É esta a direção presente na intervenção da equipe de Serviço Social. Neste sentido, no Projeto Plantão Social, elaboramos estudos sociais, emitimos pareceres e prestamos orientação sócio-familiar; articulamos os serviços da rede e realizamos

2 encaminhamentos visando à inclusão social dos usuários. Utilizamos um Cadastro online para o registro das informações e da intervenção. O Projeto Interação prevê atividades envolvendo os alunos de Direito e de Psicologia com vistas ao desenvolvimento de prática interdisciplinar; a capacitação permanente da equipe de recepção, formada por alunos do curso de Direito, responsável pela acolhida e cadastramento dos usuários; a promoção de seminários semestrais, abertos à comunidade, para socialização de pesquisas e de experiências. O Projeto Caracterização dos Usuários é uma pesquisa de caráter permanente, que desenvolvemos a partir dos dados constantes no Cadastro do Usuário, preenchido durante a abordagem no Plantão Social. A coleta de dados ocorre nos meses de julho e dezembro e, em seguida, são sistematizados e utilizados para a avaliação e planejamento. Seu objetivo principal é aprofundar o conhecimento sobre a população usuária, incluindo a situação sócioeconômica; condições de moradia; ocupação e inserção no mercado de trabalho; composição familiar; nível de acesso aos recursos comunitários; motivo de procura pela instituição; violência intrafamiliar, sujeitos envolvidos, associação com dependência psico-ativa, registro de boletim de ocorrência, entre outros. O GT Rede de Proteção às Pessoas em Situação de Violência Intrafamiliar, coordenado pelo Programa Assistência Sócio-Jurídica, foi criado em 2003 com o objetivo de promover o debate sobre a rede de serviços necessária ao atendimento de pessoas em situação de violência intrafamiliar com vistas à formação de uma rede de proteção. O GT reúne-se mensalmente e está finalizando o Protocolo de Serviços que será posteriormente publicado. O Projeto Informação é desenvolvido através de abordagens educativas na sala de espera enquanto os usuários aguardam atendimento. Os temas escolhidos estão vinculados às demandas expressas pela população, em torno dos quais estabelecemos objetivos específicos, definimos procedimentos metodológicos e criamos os materiais didáticos. O Projeto Oficinas de Cidadania compõe-se dos módulos: Família e Poder Familiar; Violência Intrafamiliar; Sensibilização e Prevenção ao Uso do Álcool e Direitos do Idoso. Para a realização das oficinas firmamos parcerias com instituições sociais do município,

3 governamentais e não governamentais, pois o público alvo são usuários de programas sociais, portanto, grupos já constituídos. Para efeitos deste trabalho, focalizaremos os Projetos Informação e Oficinas de Cidadania. Com a promulgação da Lei nº , de 01 de outubro de 2003, Estatuto do Idoso, observamos um aumento sensível de idosos e ou de seus familiares no Núcleo de Prática Jurídica em busca de informações e do acesso gratuito à justiça em face de maus tratos, abandono, negligência e graves conflitos familiares. Considerando a necessidade de responder a demanda identificada no âmbito da instituição e de contribuir para a ampliação do debate em torno do Estatuto do Idoso, inserimos, no planejamento para 2004, atividades que contemplavam a temática nos Projetos Informação e Oficinas de Cidadania, sobre as quais abordaremos na seqüência. Objetivos: Refletir sobre a condição do idoso como portador de direitos; debater as representações sociais acerca da velhice; divulgar o Estatuto do Idoso; divulgar os serviços municipais destinados ao idoso; estimular a denúncia de violência contra o idoso. Metodologia: Com relação ao Projeto Informação, as abordagens em sala de espera são desenvolvidas na própria Instituição. Para motivar o debate e a troca de experiências confeccionamos, com papel cartão e recortes de revistas, pequenos quadros com imagens de idosos em vários contextos e situações, os quais são entregues aos usuários. Na medida em que expressam suas opiniões, levantamos questionamentos a fim de aprofundar a reflexão e repassamos informações pertinentes ao assunto. Além disso, elaboramos painel informativo que fica exposto durante todo o mês em que são realizadas as abordagens. No Projeto Oficinas de Cidadania, realizada em parceria com as instituições, o Módulo Direito do Idoso inicia com uma apresentação dos participantes, contemplando nome, idade e uma atividade que gosta de fazer. Para tal, utilizamos um Dado que é jogado para um dos participantes, que se apresenta e, em seguida, repassa o dado adiante até que todos tenham se apresentado. Na continuidade, para abordar a violação de direitos e as garantias legais utilizamos um jogo de cartas, criado especialmente para este fim. No centro das cartas há informações sobre o Estatuto do Idoso, fotos de idosos, perguntas questionando a condição do idoso em

4 nossa sociedade, entre outros. As mesmas são distribuídas para os participantes e a discussão começa quando um jogador compõe um jogo formado por três cartas, com uma seqüência numérica. Estas são mostradas ao grupo e as informações nelas contidas servem de referência para a exploração do tema. Para finalizar, estimulamos os participantes a avaliarem a oficina, considerando o conteúdo, a pertinência das informações para a vida cotidiana e os recursos técnicos utilizados. Em ambas atividades distribuímos panfletos com serviços municipais e uma poesia, além de possibilitarmos o manuseio da própria Legislação, com leitura e discussão de artigos. Resultados e conclusões: As abordagens em sala de espera e as oficinas têm possibilitado o alcance de um público significativo, tanto interno quanto externo. Considerando os diversos módulos, em 2003, quando foram implantadas as ações, realizamos 152 abordagens (1213 usuários) e 09 oficinas (159 usuários); em 2004 foram 129 abordagens (896 usuários) e 18 oficinas (223 usuários); em 2005 já somamos 20 abordagens (178 usuários) e 09 oficinas (67 usuários). Em especial, com a realização das oficinas, estamos estreitando as relações com as instituições, sobretudo, as organizações não governamentais que atendem crianças e adolescentes, pois o público alvo preferencial da oficina Direito do Idoso é composto por adolescentes. Com base nos depoimentos dos usuários ficou evidenciada a imagem estereotipada do idoso, bem como as violências cotidianas que são observadas na família e no espaço público. Foi possível abordar os direitos fundamentais proclamados pelo Estatuto e tornar mais conhecidas as políticas sociais. Neste sentido, constatamos maior visibilidade dos direitos do idoso através das avaliações dos usuários, que relataram exemplos de desrespeito aos mesmos e afirmaram a relevância de conhecerem a legislação e os serviços a fim de contribuírem para a mudança da realidade hoje posta. Os elementos aqui apontados demonstram que a abordagem na sala de espera e as oficinas são espaços potenciais para socializar informações e experiências, bem como para provocar a ressignificação das representações e demandas expressas pela população usuária. As ações profissionais devem oportunizar o desvelamento do real e o acesso à informação

5 constitui uma condição central para a ampliação da criticidade e a proposição de ações. Palavras-chave: Cidadania, Direitos do Idoso, Velhice. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRUNO, Marta Regina Pastor. Cidadania não tem idade. Serviço Social e Sociedade. São Paulo, n. 75, p , Set CHUAIRI, Sílvia Helena. Assistência jurídica e serviço social: reflexões interdisciplinares. Serviço Social e Sociedade. São Paulo, n. 67, p , Set MERCADANTE, Elisabeth F. Velhice: a identidade estigmatizada. Serviço Social e Sociedade. São Paulo, n. 75, p , Set SILVA, Maria Salete da. SANTOS, Vanessa Juliana da Silva. SOUZA, Maria Clarice de. Projeto Informação: a abordagem em sala de espera como instrumento do Serviço Social. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS, X, 2001, Rio de Janeiro. CD-rom. SILVA, Maria Salete da. Programa Assistência Sócio-Jurídica. Universidade Regional de Blumenau. Fevereiro de Não publicado.. Programa Assistência Sócio-Jurídica. Relatório de Atividades Universidade Regional de Blumenau. Dezembro de Não publicado.. Programa Assistência Sócio-Jurídica. Relatório de Atividades Universidade Regional de Blumenau. Dezembro de Não publicado.. Programa Assistência Sócio-Jurídica. Relatório Parcial de Atividades Universidade Regional de Blumenau. Julho de Não publicado.

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