DESENHO GESTUAL PARA PROFESSORES (E ALUNOS) DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

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1 DESENHO GESTUAL PARA PROFESSORES (E ALUNOS) DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA Regina Coeli Moraes Kopke Universidade Federal de Juiz de Fora Resumo: A presente proposta de mini-curso se pauta no fato de que é preciso levar professores e professores a desenhar. Desenhar sem barreiras, bloqueios, facilitando sua prática de professor. Professores desenhadores estimulam alunos desenhadores, termo sugerido por Gomes (1998). É isso o que a educação precisa: de professores de todas as áreas que desenhem, comunicando-se melhor desta forma. E o que não dizer dos professores de matemática, de educação matemática, naturais porta-vozes da deusa geometria? Com uma técnica rápida e prática, a proposta do desenho gestual é a de promover a quebra repentina da dificuldade em se desenhar e, com isso, estimular um desenho natural e prazeroso. É preciso acreditar que se sabe desenhar! É o que a proposta propõe, destinada a todos os professores, alunos e demais interessados! Palavras-chave: Desenho gestual; Desenho à mão livre; Professores e alunos desenhadores; Didática de matemática; Metodologia de ensino de matemática Sobre a necessidade do resgate do desenho A questão pode ser antiga: eu não sei desenhar... assim pode dizer qualquer pessoa que levada a tanto se recusa ou se desculpa, diante da possível incapacidade de se desenhar... O desenho - presente desde a educação infantil e como ferramenta de várias, senão de todas as disciplinas escolares - torna-se cada vez mais importante na formação dos indivíduos, pois se utiliza do apelo visual, seja para divulgar informações e lugares, para vender produtos ou para se estimular o aprendizado, seja ainda como a linguagem de toda e qualquer indústria. No entanto, esta importância parece não ser sentida ainda na instância educacional, ou pelo menos vem sendo tratada de forma inadequada, conforme afirma Kopke (2002). Tendo em vista que as novas gerações começam a enfrentar os desafios da contemporaneidade, dado o bombardeio da visualidade e a irreversibilidade da informática, a ausência desta parcela do conhecimento e de uma educação mais integrada, tem como 1

2 conseqüência uma formação precária e insuficiente, facilitando o desequilíbrio futuro e o despreparo para o avanço do saber. É urgente buscar uma proposta de educação, que seja de fato plena diante do mundo, da vida, da comunicação humana focada no visual, no acesso às novas tecnologias, à informática, no distanciamento dos valores, das tradições, no esquecimento do ser. Desta forma, resgatar o aprendizado da geometria, o desenho da natureza e das formas criadas pelo homem, bem como a representação gráfica sem barreiras, torna-se ferramenta imprescindível neste contexto, dando àquele que a detém facilidades na comunicação e na interpretação de vários códigos. Assim, professores devem ser estimulados ao resgate do desenho, favorecendo seus próprios alunos e estimulando-os a dar continuidade a uma habilidade há pouco para os alunos, em sua grande maioria deixada de lado (desde a educação infantil e os primeiros anos do ensino fundamental). Conforme Gomes (1998) devem resgatar a habilidade de se tornarem desenhadores e propiciar que seus alunos sejam desenhadores da mesma forma. Não tem sido fácil para os professores do ensino superior que ensinam desenho para alunos de áreas que necessitam desta linguagem. A sensação que se tem é que os alunos de hoje têm mais dificuldades para apreender (não aprender) desenho e a compreensão geométrica, bi e tridimensional que os de uma década atrás. Falta a base, de acordo com Kopke (1997). O problema vem se tornando crônico ao longo dos últimos anos, como afirma Pavanello (1993, 1989) e os professores, de fato, preocupados com a necessidade desse aprendizado, necessitam descobrir formas de motivar os alunos para tal e lançar mão de uma metodologia que consiga minimizar os problemas assim gerados. É exatamente com esse propósito que se propôs estimular professores, alunos e interessados, a cursos de desenho gestual, aqui no caso, os voltados à área de matemática. Através do pulsar de imagens, os que se submetem a esta técnica de desenho são levados a desenhar sem que se d6e tempo ao cérebro de criticar tal atividade. A rapidez é que comanda o desenhar e ao se querer autocriticar os resultados, se observa que já se começou a desenhar e, de repente, se acredita que se consegue o feito! Acredita-se que com isso se consiga adentrar o problema da falta do desenho nas escolas, servindo, contudo, para apontar um tipo de solução urgente capaz de impactar o 2

3 sistema escolar, em busca de um ensino pleno, que vise ao desenvolvimento integral do ser humano. É importante frisar alguns pontos do PCN de Matemática (1997), como norma vigente na educação formal do ensino brasileiro: (...) observa-se que a expressão espaço e forma surge inicialmente utilizada (...) como referência ao ensino da geometria e de sua representação gráfica (...) observa-se o tratamento inicial dado à geometria evidenciando seu caráter concreto, abolindo a abstração que dificulta a aprendizagem (...) percebe-se a necessidade de se fazer ligação da realidade com o conhecimento matemático em suas várias linguagens (aritmética, geométrica, métrica, algébrica, estatística, combinatória e probabilística) em busca de um pensamento crítico. (...) a geometria é apontada como necessária à formação básica do ser humano. Percebe-se o caráter transversal proposto pela matemática e evidencia-se a necessidade tanto do uso da tecnologia, quanto da interseção com outras áreas e da comunicação humana plena (...) os conceitos geométricos constituem parte importante do currículo de matemática, pois, por meio deles, o aluno desenvolve um tipo especial de pensamento que lhe permite compreender, descrever e representar, de forma organizada, o mundo em que vive. A geometria é um campo fértil para se trabalhar com situaçõesproblema e é um tema pelo qual os alunos costumam se interessar naturalmente (...) (PCN Matemática, 1997, p. 39). Orientar professores para a necessidade do resgate do desenho pois tal capacidade se encontra apenas adormecida dentre o conjunto de conhecimentos que se dispõem a ministrar é uma contribuição que se quer deixar, propiciando ecos e práticas contextualizadas, para que cada qual aplique em sua prática. Sobre o desenho gestual Segundo Dorfman (2007) o desenho gestual é um esboço rápido, no qual a velocidade do gesto capta o essencial da forma com linhas contínuas, expressivas e espontâneas, de espessuras variadas. Desta forma o desenho se constitui numa ferramenta que estrutura a representação do espaço e o próprio pensamento visual. A autora afirma que o desenho gestual constitui a expressão visual do pensamento, transformando-se na linguagem do diálogo interior. Como uma poderosa ferramenta de um projeto, a representação influencia o fluxo do pensamento e conseqüentemente sua comunicação. O desenho livre permite o desenvolvimento posterior de outras linguagens gráficas, com o 3

4 emprego de técnicas específicas, como tintas, cores e dos inúmeros recursos da informática. De acordo com Lemos et al (2003) nossa cultura verbalizada e matemática e as práticas de ensino elaboradas para implementar seus objetivos induzem as pessoas a relegarem a um segundo (ou terceiro) plano a atenção com o aprendizado do desenho. Tal visão, mais ou menos consciente, faz com que, cada vez menos seja alcançado o entendimento da importância e do lugar do desenho na formação social, cultural e psíquica do ser humano. Assim, segundo os autores, áreas como a arquitetura e o design, que exigem uma capacitação mínima acima do convencional ao desenho gestual de seus estudiosos, acabam perdendo sustentação justificativa e motivando a investigação de seus universos de uma maneira distanciada desta prática. Arquitetos e designers e mesmo professores destas matérias começam a acreditar que não é prioritário o conhecimento técnico-prático do desenho gestual. Registram-se aqui questões colocadas por Lemos et al (2003) comum a todas as pessoas, de diferentes áreas e aqui, aos que se envolvem com a matemática? Por que algumas pessoas aprendem a desenhar e outras não? Sendo uma atividade tão agradável e admirada por todos, por que algumas pessoas simplesmente não conseguem desenhar? Como seria possível fazer com que todas as pessoas interessadas desenhassem? Existe algum estado de consciência específico para o desenho? Como é possível fazer com que as pessoas consigam registrar as formas e objetos como realmente são? (LEMOS, 2003, p. 7) A atividade de desenhar Utiliza-se para o pulsar de informações visuais, desde comandos sonoros (pronunciado/ditado) até imagens apresentadas por softwares, em forma de slides. Para a atividade do desenho, utiliza-se papel e lápis somente, evitando-se o uso da borracha e montando-se para tanto um bloco espiralado em que cada desenho é feito rapidamente em uma folha de papel, em tamanho equivalente a ¼ da folha de papel A4. Certos códigos escritos podem ajudar a criar uma forma de legenda à cada desenho, facilitando a apreciação de qualquer leitor, interessado na produção genuína das imagens. 4

5 A questão do tempo é fundamental para a questão do desenho gestual. O tempo curto, fragmentado, pulsado é o que deve ser aplicado à técnica, não permitindo àquele que desenha raciocinar se sabe ou não desenhar isto e aquilo. E a própria continuidade, de um desenho após o outro vai, aos poucos mostrando uma interatividade à atividade de desenhar, tornando-a conhecida, facilitada e prazerosa. Exemplos de desenho gestual Desenhos Livro de Kimon Nicolaides The Natural Way to Draw,

6 Desenho de Dorfman, 2007 Desenho de Kopke,

7 Referências DORFMAN, Beatriz R. Desenho gestual: pensar sem palavras. In: Anais Graphica Curitiba, 2007 GOMES, Luiz Vidal de N. Desenhando: um panorama dos sistemas gráficos. Santa Maria: EDUFSM, KOPKE, Regina C. M. Expressão Gráfica: desenho como meio e não como fim. In: Anais do Encontro Nacional de expressão Gráfica. João Pessoa, O raciocínio gráfico-espacial nos cursos de engenharia. In: Anais III Encontro de Ensino de Engenharia, 1997, Itaipava, RJ, Desenho Gestual: série para cursos. Juiz de Fora: UFJF, Parâmetros curriculares nacionais. Ensino fundamental/ 1ª a 4ª séries. Brasília: MEC, PAVANELLO, Regina M. O abandono do ensino da geometria no Brasil, causas e conseqüências. Revista Zetetikè, Campinas, SP, O abandono do ensino de geometria: uma visão histórica. Campinas, In: PEREIRA, Maria Regina de Oliveira. A geometria escolar: uma análise dos estudos sobre o abandono de seu ensino. São Paulo, 2001, 84 p. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, LEMOS José Carlos Freitas et al. Sensibilização ao Desenho Gestual. In Graphica Santa Cruz do Sul, RS,

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