ENVIO DE CONTRIBUIÇÕES REFERENTES À AUDIÊNCIA PÚBLICA Nº 10/2009 NOME DA INSTITUIÇÃO: SKY BRASIL SERVIÇOS LTDA.

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1 ENVIO DE CONTRIBUIÇÕES REFERENTES À AUDIÊNCIA PÚBLICA Nº 10/2009 NOME DA INSTITUIÇÃO: SKY BRASIL SERVIÇOS LTDA. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA ANEEL ATO REGULATÓRIO: (Resolução nº, de de de 2009 EMENTA: Regulamenta a utilização das instalações de distribuição de energia elétrica como meio de transporte para a comunicação de sinais

2 CONTRIBUIÇÕES I. Comentários de ordem geral A SKY BRASIL SERVIÇOS LTDA. ( SKY ) agradece a oportunidade de apresentar seus comentários à Audiência Pública em questão. A proposta apresentada pela ANEEL, no sentido de regular o uso das redes elétricas para promover o acesso à banda larga ( BPL ) representa, sem dúvidas, um avanço para o país, para a concorrência e, sobretudo, para o consumidor. Entretanto, é importante ressaltar a necessidade de as autoridades reguladoras se atentarem, sobretudo, à criação de regras concorrenciais relativas ao acesso às redes, conforme será discorrido nos tópicos adiante. II. Contribuições: II.I DAS DEFINIÇÔES Texto Aneel: Art. 2º Para os fins desta Resolução são adotadas as seguintes definições: I Power Line Comunication PLC (ou Broadband over Power Line BPL: sistema de telecomunicações que utilize a rede elétrica como meio de transporte para a comunicação digital e/ou analógica de sinais: tais como internet, vídeo, voz, entre outros. II Cessionário de PLC: toda pessoa jurídica detentora de concessão, autorização ou permissão nos termos da regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações Anatel para a exploração comercial de serviço de telecomunicações utilizando a tecnologia PLC. III Distribuidora: Agente titular de concessão ou permissão federal para prestar o serviço público de distribuição de energia elétrica. Texto Sugerido: Art. 2º Para os fins desta Resolução são adotadas as seguintes definições: I Power Line Comunication PLC (ou Broadband over Power Line BPL: sistema de telecomunicações que utilize a rede elétrica como meio de transporte para internet banda larga a comunicação digital e/ou analógica de sinais: tais como internet, vídeo, voz, entre outros. II Cessionário de BPL PLC: toda pessoa jurídica detentora de concessão, autorização ou permissão nos termos da regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações Anatel para a exploração comercial de serviço de telecomunicações utilizando a tecnologia PLC BPL

3 III Distribuidora: Agente titular de concessão ou permissão federal para prestar o serviço público de distribuição de energia elétrica. Justificativa: Inicialmente, e com base na terminologia utilizada no Regulamento sobre Condições de Uso de Radiofreqüências por Sistemas de Banda Larga por meio de Redes Elétricas aprovado pela ANATEL através da Resolução 527, de 08 de abril de 2009, sugere-se à ANEEL, com a finalidade de harmonizar terminologia utilizada pelas duas Agências Reguladoras, a alteração da nomenclatura PLC (Power Line Comunication) pela terminologia BPL (Broadband over Power Line), tal qual utilizada no referido diploma elaborado pela ANATEL. Pede-se atenção para que a sigla PLC seja substituída por BPL também nas demais disposições do regulamento ora analisado. Ainda contribuindo no intento de parear a terminologia utilizada nas regulamentações elaboradas pelas Agências, a SKY sugere, respeitosamente, que a ANEEL altere a definição das empresas que prestarão serviço de telecomunicação através da tecnologia BPL, restringindo o leque de serviços para internet banda larga, e às empreses detenham autorização da ANATEL. Tal medida justifica-se uma vez que o artigo 3 do Regulamento sobre Condições de Uso de Radiofreqüências por Sistemas de Banda Larga por meio de Redes Elétricas aprovado pela ANATEL através da Resolução 527, de 08 de abril de 2009, determina que somente poderão utilizar esta tecnologia as empresas que detiverem a autorização do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) ou do Serviço Limitado Privado (SLP), e o regulamento proposto pela ANEEL, do modo como se encontra, daria margem à extrapolação destes limites impostos pela ANATEL à prestação do serviço de acesso à internet banda larga através da rede elétrica. Assim, novamente reiterando o intuito de compatibilizar as disposições contidas nos regulamentos elaborados por ambas as Agências, a SKY sugere que no regulamento a ser elaborado pela ANEEL, seja considerado como Cessionário de BPL apenas as pessoas jurídicas detentoras de autorização nos termos da regulamentação da ANATEL para prestação. II.II DA ABRANGÊNCIA, ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES Novo Artigo: As concessionárias de telecomunicações, e suas empresas controladas, estão impedidas, nas suas respectivas áreas de concessão, de desenvolver atividades comerciais com o uso da tecnologia BPL.

4 Justificativa: É imperioso levar em consideração que o acesso à rede de energia elétrica deve ser viabilizado, prioritariamente, aos novos entrantes no mercado de banda larga. Isto significa dizer que as concessionárias de STFC devem ser proibidas de operar banda larga através da rede elétrica nas suas regiões de concessão, uma vez que elas já detêm o monopólio da rede telefônica nessas regiões. Tal medida torna-se necessária para assegurar o crescimento da competição no setor de telecomunicações e evitar uma concentração de redes por parte de grandes conglomerados econômicos, que já possuem uma infra-estrutura de acesso. Deve se observar que o dever do Poder Público de estimular a expansão do uso de redes e serviços de telecomunicações em benefício da população brasileira vem consagrado na própria Lei Geral de Telecomunicações, em seu Art. 2. Ademais, no inciso seguinte, o referido instituto legal diz que devem ser criadas oportunidades de investimento e estímulo ao desenvolvimento tecnológico e industrial, em ambiente competitivo. Dito isso, se forem adequadamente estabelecidas regras de oferta dos serviços de banda larga via rede elétrica, ex ante, que priorizem o acesso à rede por novos entrantes, estar-se-á fomentando a competição através da regulamentação em apreço. Caso contrário, o que se verá é uma fortificação do monopólio de acesso a última milha pelas concessionárias locais, gerando efeitos perversos e desestímulos aos investimentos na infra-estrutura e na inovação tecnológica. Portanto, a inclusão deste novo artigo justifica-se por garantir o máximo uso da infra-estrutura existente, proibir a sobreposição de redes existentes, estimular a competição e possibilitar a entrada de novos players no mercado de telecomunicação. Medidas estas que, conforme exposto acima, trarão enorme benefício ao usuário final dos serviços que utilizam a tecnologia BPL. Texto Aneel: Art. 6º A distribuidora deve dar publicidade antecipada sobre o interesse em disponibilizar suas instalações para o uso da tecnologia PLC: Parágrafo Único: Os custos decorrentes da realização de estudos técnicos para avaliar a viabilidade de disponibilização de infra-estrutura para uso da tecnologia serão de responsabilidade do interessado. Texto Sugerido: Art. 6º A distribuidora deve dar publicidade antecipada sobre o interesse em disponibilizar a disponibilidade de suas instalações para o uso da tecnologia BPL:

5 Parágrafo Único 1 Os custos decorrentes da realização de estudos técnicos para avaliar a viabilidade de disponibilização de infra-estrutura para uso da tecnologia serão de responsabilidade do interessado. 2 A distribuidora deverá fornecer as informações solicitadas pela empresa interessada para que estudos técnicos possam ser realizados a fim viabilidade do uso da infra-estrutura para uso da tecnologia BPL. Justificativa: Inicialmente trazemos à baila os ensinamentos da Ilustre Doutrinadora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, que em sua obra Direito Administrativo discorre sobre a característica do contrato de concessão de serviço público: O poder concedente só transfere ao concessionário a execução do serviço, continuando titular do mesmo, o que lhe permite dele dispor de acordo com o interesse público (...) 1 (grifamos) Diante deste ensinamento, devemos nos ater ao fato de a prestação do serviço de transporte e distribuição de energia elétrica está sob a égide das regras inerentes aos serviços públicos, e de que a infra-estrutura desta rede é um bem público. Assim, temos que a utilização e negociação desta rede devem respeitar todos os princípios existentes no Direito Administrativo, dos quais, para o momento destacamos o da Supremacia do Interesse Público. Neste toada, a sugestão da SKY vem no sentido de tornar a disponibilização da rede elétrica pelas distribuidoras para a prestação do serviço de acesso à internet banda larga por meio da tecnologia BPL um ato vinculado, onde, se comprovada a viabilidade técnica para tanto, terá a distribuidora a obrigação de oferecê-la comercialmente à empresa interessada. Neste mesmo sentido, e a fim de que não haja limitação ao máximo uso do bem público em favor do usuário final, a SKY também sugere que a realização deste estudo técnico seja responsabilidade da empresa interessada em utilizar a rede e de que a distribuidora fique vinculada a auxiliar no que for preciso em sua elaboração. Justificando a pertinência da alteração sugerida, a SKY, novamente recorre aos ensinamentos de Di Pietro: 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella, Direito Administrativo, Editora Atlas, 15ª edição, pg. 279.

6 Esse princípio, também chamado de princípio da finalidade pública, está presente no momento da elaboração da lei como no momento da sua execução em concreto pela Administração Pública 2 Assim, uma vez patentes os benefícios trazidos pela utilização da tecnologia BPL à sociedade, para que se faça prevalecer o princípio da Supremacia do Interesse Público é imprescindível que a utilização da infra-estrutura da distribuidora, quando comprovado que não comprometerá os serviços de energia, deve ser disponibilizada para os interessados que queiram prestar o serviço de banda larga por meio desta tecnologia. Portanto, deve esta D. Agência, desde a elaboração do presente regulamento, fazer prevalecer os princípios inerentes à Administração Pública. 2 Op cite. pg 68

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