Portaria nº 1032/98 SES/GO de 25 de maio de 1998 NORMA TÉCNICA DOS RESÍDUOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE CAPÍTULO I DA CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS

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1 Portaria nº 1032/98 SES/GO de 25 de maio de 1998 NORMA TÉCNICA DOS RESÍDUOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE CAPÍTULO I DA CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS Art. 1º - São os seguintes os resíduos que apresentam risco potencial à saúde pública e ao meio ambiente devido à presença de agentes biológicos: sangue, hemoderivados; excreções, líquidos orgânicos; fetos, peças anatômicas, tecidos, órgãos; meios de cultura; resíduos de laboratórios de análises clínicas; resíduos de unidades de atendimento ambulatorial; resíduos de sanitários de unidades de internação e de enfermaria; resíduos advindos de área de isolamento (restos alimentares); animais usados em experimentação, bem como materiais que tenham entrado em contato com os mesmos; animais mortos a bordo de meios de transporte; objetos perfurocortantes (lâminas de barbear, bisturi, agulhas, escalpes, vidros quebrados, etc) provenientes de estabelecimentos prestadores de serviços de saúde; filtros de gases aspirados de área contaminada. Art. 2º - Os resíduos mencionados no artigo anterior deverão ser esterilizados a vapor para em seguida serem enviados à disposição final. Art. 3º - Para fins desta norma técnica, considera-se a seguinte classificação para os resíduos: I- Resíduos Infectantes que são constituídos por: a) - materiais provenientes de local de isolamento, compostos por resíduos de quartos de pacientes em isolamento ou que tenham entrado em contato com estes. Incluem-se aqui sangue e secreções de pacientes que apresentam doenças transmissíveis por estas vias. b) - Materiais Biológicos - compostos por culturas ou estoques de microorganismos provenientes de laboratórios clínicos ou de pesquisas, meio de cultura, placas de petri, instrumentos usados para manipular, misturar ou inocular microorganismos, vacinas vencidas ou utilizadas, filtros e gases aspirados de áreas altamente contaminadas. c) - Sangue humano e hemoderivados - compostos por bolsas de sangue com prazo de utilização vencido ou sorologia positiva, amostras de sangue para análise, soro, plasma e outros produtos. d) - Resíduos cirúrgicos e anátomo patológicos - compostos por tecidos, órgãos, peças de anatomia, sangue e outros líquidos resultantes de cirurgias, drenagens, autópsias e biópsias. e) - Resíduos perfurocortantes - compostos por agulhas, ampolas, pipetas, lâminas de bisturi, lâmina de barbear, vidros quebrados ou que se quebre facilmente. f) - Animais contaminados - integram este item carcaças ou partes inoculadas em laboratório ou expostas a germes patogênicos, bem como a forração das camas destes animais. II- Resíduos Especiais que são constituídos por: a) - resíduos radioativos - compostos por materiais radioativos ou contaminantes com radionuclídeos com baixa atividade (ver resolução CNEM - nº 6/73), provenientes 2

2 de laboratórios de pesquisas em química e biologia, laboratórios de análises clínicas e serviços de medicina nuclear. Estes materiais são normalmente sólidos ou líquidos (seringas, papel absorvente, frascos, líquidos derramados, urina, fezes, etc). Resíduos radioativos com atividade superior às recomendadas pela resolução CNEM nº 6/73, deverão ser acondicionados em depósitos de decaimento (até que suas atividades se encontrem dentro do limite permitido para sua eliminação). b) - Resíduos Farmacêuticos - compostos por medicamentos vencidos, contaminados, não mais necessários, interditados ou não utilizados. c) - Resíduos Químicos Perigosos - compostos por resíduos tóxicos, corrosivos, inflamáveis, explosivos, reativos, genotóxicos ou mutagênicos. Alguns exemplos mais comuns são quimioterápicos antineoplásicos, produtos químicos não utilizados, germicidas fora de especificação, solventes, ácidos crômicos (usados na limpeza de vidros de laboratório), mercúrio de termômetro, soluções para revelação de radiografias, baterias usadas, óleo lubrificante usado, etc. III- Resíduos Comuns que são compostos por: Todos os resíduos que não se enquadrem em nenhuma das categorias anteriores e que por sua semelhança com os resíduos domésticos comuns, podem ser considerados como tais. Nesta categoria incluem-se por exemplo, o lixo administrativo, os resíduos provenientes da limpeza de jardins e pátios e os restos do preparo de alimentos. Dependendo das circunstâncias, caso haja interesse em se reduzir o volume dos resíduos destinados à tratamento especial, admitir-se-a que o material coletado em unidades de internação, ambulatórios e similares seja classificado como lixo comum, desde que seja conhecido seu conteúdo, e este não se enquadre nas categorias anteriores. O lixo comum pode ser gerado em qualquer área do estabelecimento. Sua correta identificação permite entre outros benefícios que isso acarreta, a redução do volume de resíduos sujeitos às medidas adicionais. Art. 4º - Quanto à separação entre resíduo perigoso e comum, deve ser feita no local de origem e a seguir ser identificado. CAPÍTULO II DO ACONDICIONAMENTO DOS RESÍDUOS Art. 5º - O acondicionamento deverá ser feito de acordo com o tipo de resíduo: I - materiais cortantes e/ou perfurantes serão embalados em recipientes de paredes rígidas. Em seguida deverão ser colocados em saco plástico branco leitoso para evitar acidentes durante o transporte. II - Líquidos deverão ser descontaminados (desinfetantes apropriados) e desprezados na rede de esgoto. III - Sólidos ou semi-sólidos serão embalados em sacos plásticos. Art. 6º - Para acondicionamento dos resíduos devem ser tomadas as seguintes precauções: I - todo resíduo a ser transportado deverá ser acondicionado em saco plástico resistente e impermeável, conforme norma da ABNT. Recomenda-se a utilização de dupla embalagem (um saco contendo um ou mais sacos), para resíduos de áreas altamente infectadas (como unidade de isolamento ou de laboratório) - desta forma, os sacos coletados nesta unidade são colocados dentro de um saco maior, evitando-se o contato com o lado externo do primeiro saco e garantindo-se maior segurança contra vazamento. II - Os resíduos especiais têm que ser embalados de uma forma segura, compatível com suas características físico-químicas. A padronização dessas embalagens e da forma de identificação deverá seguir normas ministeriais. III - Os resíduos comuns serão embalados em sacos plásticos de qualquer cor, como o lixo domiciliar. IV - Os sacos deverão ser totalmente fechados, de tal forma a não permitir o derramamento do conteúdo, mesmo que virados de boca para baixo. Uma vez fechados, precisam ser mantidos íntegros até o processamento ou destruição final do resíduo. Caso ocorra 3

3 rompimentos frequentes do sacos, deverá ser verificada a qualidade do mesmo, do conteúdo ou os métodos de transporte utilizados. V - Caso ocorram rompimentos frequentes dos sacos plásticos, deverá ser verificada a qualidade dos mesmos, do conteúdo ou os métodos de transportes utilizados. VI - O recipiente tem que ser fechado quando 2/3 (dois terços) da capacidade estiver preenchida. Quando se tratar de resíduo de alta densidade, devem ser tomadas precauções de forma a evitar o rompimento do recipiente. 2º - A utilização de saco inadequado para o tipo de lixo será punível com multa para o estabelecimento. CAPÍTULO III DA COLETA DOS RESÍDUOS Art. 7º - A coleta interna realizada dentro da unidade consiste no recolhimento do lixo das lixeiras no fechamento do saco e no seu transporte até a sala de resíduo. 1º - Os sacos e as lixeiras deverão ter 2/3 (dois terços) de sua capacidade ocupados. 2º - O horário da coleta deverá ser programado, de forma a minimizar o tempo de permanência do lixo no local. 3º - Jamais despejar o conteúdo da lixeira em outro recipiente. 4º - As lixeiras para resíduos infectantes deverão ser providas de tampa e pedal. Devendo ser lavadas diariamente ou em qualquer momento que houver vazamento do conteúdo do saco. 5º - Cuidados do pessoal com o resíduo infectante: I - utilizar os equipamentos de segurança individual recomendados para o tipo de resíduo; II - fechar totalmente o saco; III - retirar o saco da lixeira; IV - lavar a lixeira uma vez por dia ou todas as vezes que houver vazamento; V - se houver derramamento do conteúdo, cobrir o material derramado com um pano embebido em desinfetante e recolher em segurança com uma pá, o material e o pano. Proceder depois a lavagem do local e a desinfecção, caso seja necessário. Deve-se usar avental, botas, luvas e máscaras. Utensílios que entrarem em contato direto com o material e o pano deverão passar por desinfecção posterior. 6º - Após coleta colocar um saco plástico novo na lixeira e nas bordas. O saco deverá ser maior que a capacidade da lixeira, para haver dobra externa na lixeira até no mínimo em 20 cm (vinte centímetro). Art. 8º - Da coleta do lixo até a área de armazenamento deverão ser tomados os seguintes cuidados: 1º - O resíduo infectante deverá ser transportado com o resíduo comum, desde que reembalado em um segundo saco plástico claramente identificado. 2º - O carro que transporta o lixo da unidade deverá ser tampado, com caçamba estanque, que não permita vazamento de líquido. Deverá ser construído de material resistente, lavável, liso e sem arestas. 3º - Deverá ser evitado o cruzamento entre material limpo e material sujo. E também deverá ser evitado o transporte de lixo em área de maior circulação de transeuntes. 4

4 4º - Caso o lixo seja transportado através de elevador deverá ser obedecida uma rotina de transporte para lixo e alimentos. E ainda proceder a desinfecção do elevador após cada transporte de lixo. 5º - Os carros de lixo deverão ficar fora da unidade. Em área de lavagem e higienização. 6º - Cada unidade deverá ter um carro de lixo para evitar que o carro cheio circule por várias unidades. 7º - É proibido a existência de tubo de queda na unidade de saúde. 8º - Se usar monta-cargas, o lixo deverá estar acondicionado em sacos plásticos e os montacargas deverão ser limpos diariamente, conforme Normas de Desinfecção de Artigos e Superfícies do Ministério da Saúde. CAPÍTULO IV DO ABRIGO DOS RESÍDUOS Art. 9º - O abrigo de resíduos, que é o local onde o resíduo é armazenado externamente, de forma provisória, obedecerá os seguintes requisitos: 1º - O abrigo, bem como, o container deverá ser lavado diariamente após a coleta. 2º - Onde houver derramamento de lixo deverá proceder-se como descrito no inciso v, do parágrafo 5º do artigo 7º. 3º - Não poderá haver reutilização de sacos plásticos. 4º - O acesso ao local de armazenamento provisório será impedido para pessoas estranhas ao serviço. Deverá ser telado para impedir contato de insetos e animais. 5º - As janelas do local de armazenamento serão teladas; as portas deverão fechar totalmente, sem deixar frestas, sendo dotadas de chaves para que permaneçam fechadas até o momento da coleta. A chave poderá ser dispensada, quando a lixeira for localizada em área interna e vigiada. O acesso deverá ser exclusivo para funcionário da área. 6º - A entrada do depósito provisório deverá estar identificada adequadamente. 7º - O piso terá caimento adequado e ralo sinfonado ligado à rede de esgoto. 8º - Terá instalação de torneira para lavagem (recomenda-se o uso de água quente). 9º - A iluminação deve ser abundante, principalmente se a coleta for noturna. 10º - Caso se utilize conteiners, deverá ser prevista área para movimentação e fácil acesso à coleta pública. 11º - As dimensões da lixeira deverão ser suficientes para abrigar a produção de no máximo 3 (três) dias. Recomenda-se coleta diária. 12º - Deverá ser prevista área para lavagem e higienização dos carros de transporte de lixo. 13º - O lixo deverá ser depositado no container por gravidade. 14º - O abrigo de resíduo não deve ser utilizado para a guarda ou permanência de utensílios, materiais, equipamentos de limpeza e outros. 5

5 CAPÍTULO V DOS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL Art Para manuseio do lixo deve dispor-se de equipamentos de coleta interna e externa, e equipamentos de proteção individual (EPIs). Art Os EPIs devem ser os mais apropriados possíveis. Deverão ser compostos por: a) - uniforme - calça comprida e camisa com manga no mínimo ¾ (três quarto), de tecido resistente e de cor clara, e identificado. b) - Luvas - devem ser de PVC, impermeáveis, resistentes, de cor clara, preferencialmente branca, antiderrapante e de cano alto. c) - Botas - devem ser de PVC, impermeáveis, resistentes, de cor clara, preferencialmente branco, com cano ¾ (três quartos) e solado antiderrapante. Para os funcionários da coleta interna admite-se sapatos impermeáveis. Gorro - deve ser de cor clara, de forma a proteger os cabelos. d) - Máscara - deverá ser respiratória, tipo semifacial e impermeável. e) - Óculos - deve ter lente panorâmica, incolor, ser de plástico resistente, com armação em plástico flexível. f) - Avental - deve ser de PVC, impermeável e de médio comprimento. CAPÍTULO VI DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Art Nos casos emergenciais não previstos na presente norma e que configurem iminente risco à saúde pública, o Superintendente de Vigilância Sanitária poderá baixar portaria disciplinando a melhor conduta pertinente, objetivando maior agilidade de ação fiscalizadora AD REFERENDUM do titular da Secretaria de Estado da Saúde. Art A presente norma entrará em vigor a partir da data de sua publicação. 6

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