Palestrante: Tatiana C. Reis Filagrana

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1 Palestra -ABANDONO AFETIVO: QUESTÕES CONTROVERTIDAS Palestrante: Tatiana C. Reis Filagrana

2 ARTIGOS -LEI Art. 186 CCB: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Art. 227 CF/88. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

3 Art. 5º, X, CF/88: são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Art. 229, CF/88: Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores.

4 Art , IV, CCB: São deveres de ambos os cônjuges: IV- sustento, guarda e educação dos filhos. Art , CCB: A direção da sociedade conjugal será exercida, em colaboração, pelo marido e pela mulher, sempre no interesse do casaledosfilhos.. Art , CCB: O divórcio não modificará os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos.

5 Art CCB: Compete aos pais, quanto à pessoa dos filhos menores: I- dirigir-lhes a criação e educação; II-tê-losemsuacompanhiaeguarda. O Estatuto da Criança e do Adolescente também apresenta normasprotetivasdoafeto,taiscomoosartigos3ºe22: Art.3º: A criançaeoadolescente gozam de todosos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. Art. 22: Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.

6 JURISPRUDÊNCIA EMENTA: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. FAMÍLIA. ABANDONO AFETIVO. COMPENSAÇÃO POR DANO MORAL. POSSIBILIDADE. 1. Inexistem restrições legais à aplicação das regras concernentes à responsabilidade civil e o consequente dever de indenizar compensar no Direito de Família. 2. O cuidado como valor jurídico objetivo está incorporado no ordenamento jurídico brasileiro não com essa expressão, mas com locuções e termos que manifestam suas diversas desinências, como se observa do art. 227 da CF Comprovar que a imposição legal de cuidar da prole foi descumprida implica em se reconhecer a ocorrência de ilicitude civil, sob a formade omissão. Isso porque o non facere, queatinge um bem juridicamente tutelado, leia-se, o necessário dever de criação, educação e companhia de cuidado importa em vulneração da imposição legal, exsurgindo, daí, a possibilidade de se pleitear compensação por danos morais por abandono psicológico.

7 4. Apesar das inúmeras hipóteses que minimizam a possibilidade de pleno cuidado de um dos genitores em relação à sua prole, existe um núcleo mínimo de cuidados parentais que, para além do mero cumprimento da lei, garantam aos filhos, ao menos quanto à afetividade, condições para uma adequada formação psicológica e inserção social. 5. A caracterização do abandono afetivo, a existência de excludentes ou, ainda, fatores atenuantes por demandarem revolvimento de matéria fática não podem ser objeto de reavaliação na estreita via do recurso especial. 6. A alteração do valor fixado a título de compensação por danos morais é possível, em recurso especial, nas hipóteses em que a quantia estipulada pelo Tribunal de origem revela-se irrisória ou exagerada. 7. Recurso especial parcialmente provido. (RECURSO ESPECIAL Nº SP/ RELATORA: MINISTRA NANCY ANDRIGHI).

8 EMENTA: AÇÃO DE INDENIZAÇÃO - DANOS MORAIS - ABANDONO PATERNO - VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA - NOVA CONFIGURAÇÃO DA ENTIDADE FAMILIAR - DEVERES DOS PAIS - ART. 227 DA CONSTITUIÇÃO - ART , I E II, DO CÓDIGO CIVIL - A família atual deve se preocupar com o livre desenvolvimento da personalidade de cada um dos seus membros, sendo um ente funcionalizado, onde todos têm o objetivo de promover o livre desenvolvimento dos demais membros. - Nesse contexto, em que a família torna-se o centro de desenvolvimento da personalidade de cada umdeseusmembros,acondutadopaiqueabandonaseufilhorevela-se violadora dos seus direitos, uma vez que o art. 227 da Constituição inclui noroldosdireitosdacriançaedoadolescenteaconvivênciafamiliar.-o paiquedeixadeprestaraassistênciaafetiva,moralepsicológicaaum filho, violando seus deveres paternos, pratica uma conduta ilícita, ensejadora de reparação no campo moral. (APELAÇÃO CÍVEL N /001- COMARCA DE EXTREMA MG).

9 Ementa: Responsabilidade civil. Filiação. Abandono material, moral e intelectual do pai em relação ao filho. Tratamento anti-isonômico entre os filhos. Dano moral configurado. Excepcionalidade do caso concreto. Recurso desprovido. (TJSC, Apelação Cível nº , Relª Desª. Maria do Rocio Luz Santa Ritta, 3ª Câmara de Direito Civil, pub. 26/09/2011). EMENTA: A fixação do quantum indenizatório requer prudência, pois, alémdesevalerpararecuperar quandoépossível ostatusquo ante, tem função pedagógica e compensatória, com o intuito de amenizar a dor do ofendido.(tjrs. Apelação Cível nº Des. Rel. Ricardo Raupp Ruschel. 7ª Câmara Cível. Comarca de São Leopoldo. Data de julgamento: Diário de Justiça: ).

10 EMENTA: A responsabilidade civil, no Direito de Família, é subjetiva. O dever de indenizar decorre do agir doloso ou culposo do agente. No caso, restando caracterizada a conduta ilícita do pai em relação ao filho, bemcomoonexodecausalidadeeodano,cabeindenizaçãopordanos materiais e morais. TJRS.(Apelação Cível nº Des. Relator Claudir Fidelis Faccenda. 8ª Câmara Cível. Comarca de São Gabriel. Data de julgamento: Diário de Justiça ). "EMENTA- INDENIZAÇÃO DANOS MORAIS- RELAÇÃO PATERNO-FILIAL- PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA - PRINCÍPIO DA AFETIVIDADE - A dor sofrida pelo filho, em virtude do abandono paterno, que o privou do direito à convivência, ao amparo afetivo, moral e psíquico, deve ser indenizável, com fulcro no princípio da dignidade da pessoa humana."(tamg, 7ª Câmara Cível, Apelação Cível Nº , julgamento em 01/04/2004).

11 EMENTA: A educação abrange não somente a escolaridade, mas também a convivência familiar, o afeto, amor, carinho, ir ao parque, jogar futebol, brincar, passear, visitar, estabelecer paradigmas, criar condições para que a criança se auto-afirme. Desnecessário discorrer acerca da presença do pai no desenvolvimento da criança. A ausência, o descaso e a rejeição do pai em relação ao filhorecém nascido ou em desenvolvimento violam a sua honra e a sua imagem. Basta atentar para os jovens drogados e ver-se-á que grande parte deles derivam de paisquenãolhededicaramamorecarinho;assimtambémemrelação aos criminosos.( ) Por óbvio que o Poder Judiciário não pode obrigar ninguém a ser pai. No entanto, aquele que optou por ser pai e é o caso do autor deve desincumbir-se de sua função, sob pena de reparar os danos causados aos filhos. Nunca é demais salientar os inúmeros recursos para evitar a paternidade(vasectomia, preservativos etc.). Ou seja, aquele que não quer ser pai deve precaver-se. ( ) Assim, não estamos diante de amores platônicos, mas sim de amor indispensável ao desenvolvimento da criança. ( ) A função paterna abrange amar os filhos. Portanto, não basta ser pai biológico ou prestar alimentos ao filho.

12 O sustento é apenas uma das parcelas da paternidade. É preciso ser pai na amplitude legal (sustento, guarda e educação). Quando o legislador atribui aos pais a função de educar os filhos, resta evidente queaospaisincumbeamarosfilhos.paiquenãoamafilhoestánão apenas desrespeitando função de ordem moral, mas, principalmente, de ordem legal, pois não está bem educando seu filho. (Ação de Indenização nº 141/ , 2ª Vara da Comarca de Capão da Canoa/RS, julgado em ).

13

14 Filha não quer pagar pensão alimentícia à mãe que a abandonou na infância Hoje a Defensoria Pública do Gama está interpondo recurso contra sentença que negoualimentosaumamãeidosa.afilhadissequenãoqueriapagarpensãoàmãe biológica porque fora por ela abandonada na infância, tendo sido criada por terceiros. Assim, na visão da filha, não seria justo ter de ajudar financeiramente a mãe.caberáaotribunaldejustiçadodfdecidirocaso. Na legislação brasileira há pelo menos as seguintes previsões: ConstituiçãoFederal,art.229:"Ospaistêmodeverdeassistir,criareeducaros filhosmenores,eosfilhosmaiorestêmodeverdeajudareampararospaisna velhice, carência ou enfermidade". Código Civil, art :"O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximosemgrau,unsemfaltadeoutros".

15 Pensamento: AMAR É FACULDADE, CUIDAR É DEVER!

16 Obrigada!!!

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