Palavras-chave: Arranjos Produtivos Locais; Economia do conhecimento; Incubação de empresa; Política Pública; Pernambuco.

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1 OS ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS NO DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA DO CONHECIMENTO: UM ESTUDO DE CASO NO PROGRAMA DE INCUBAÇÃO DE EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA DO INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO Christianne Amaral Machado 1 Geraldo de Magela Souza Catão 2 José Augusto Menezes de Santana 3 José Geraldo Pimentel Neto 4 Luciene Cristina de Souza 5 RESUMO Para um ideal funcionamento de um modelo cujos ativos intangíveis das organizações sejam elementos diferenciadores de mercado, se faz necessário que os atores interessados no incentivo à ciência, tecnologia e inovação interajam de maneira coordenada para o desenvolvimento do seu arranjo produtivo local (APL). Considerando o Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP) como executor de políticas públicas, o presente trabalho visa compreender o papel dos APL no programa de Incubadoras de Empresas de Base Tecnológica do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (INCUBATEP). O resultado foi um aumento no número de empresas de base tecnológica e uma incorporação da cultura da inovação e do empreendedorismo por parte da sociedade local nos municípios estudados e em suas respectivas regiões de influencia. Palavras-chave: Arranjos Produtivos Locais; Economia do conhecimento; Incubação de empresa; Política Pública; Pernambuco. ABSTRACT For optimal functioning of a model whose organizations intangible assets are differentiating elements of the market, it is necessary that local stakeholders in encouraging science, technology and innovation interact in a coordinated manner in order to develop the local productive arrangement (LPA). Considering the Institute of Technology of Pernambuco 1 Graduada em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista e Especialista em Gestão de Marcas. Assessora Técnica no Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do ITEP Av. Prof. Luís Freire, 700, Cidade Universitária. Recife-PE. (81) Graduado em Engenharia civil pela Universidade Federal de Pernambuco e especialista em Quality control for American Society. Gerente do Programa da INCUBATEP do ITEP. (81) Graduado em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco. Assessor Técnico do Programa da INCUBATEP do ITEP. (81) Graduado em Geografia pela UFPE, Mestre em Geografia pela UFPE e Doutorando em Desenvolvimento pela UFPE. Coordenador do NIT do ITEP. (81) Graduada em Administração pela Faculdade Frassinetti do Recife (FAFIRE). Gestora do CERNE vinculado ao Programa da INCUBATEP do ITEP. (81)

2 (ITEP) as a public policies executor, this study aims to understand the role of LPA in the Technology-based Companies Incubators Program of the Institute of Technology of Pernambuco (INCUBATEP). The result was an increase in the number of technology-based companies and a merger of the culture of innovation and entrepreneurship on the part of the local society in the cities studied and in their respective influence areas. Key words: Local Productive Arrangements; Knowledge economy; Business Incubation; Public Policy; Pernambuco. Introdução Os territórios são protagonistas do desenvolvimento regional, dinamizando a economia e minimizando questões sociais. A partir da década de 1990, o Brasil passou a adotar com frequência o termo Arranjo Produtivo Local (APL) para se referir a uma aglomeração de empresas (ou produtores) similares, ou interdependentes, que interagem em uma escala espacial definida, através de fluxos de bens e serviços (COSTA, 2010). Por conta do crescimento das atividades setoriais observadas nesses aglomerados, é possível observar também o avanço dos APL como instrumento de políticas públicas. Em Pernambuco, a estratégia do Governo foi estimular os APL através de atração de investimentos e fortalecimento do empreendedorismo. A partir de um Contrato de Gestão entre o Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP) e a Secretaria de Ciência e Tecnologia, teve início um processo de criação de incubadoras no interior do estado, visando o desenvolvimento regional e atender às oportunidades e gargalos existentes. A proposta deste trabalho é discutir a interação dos atores envolvidos nos APL do interior de Pernambuco, na abrangência de atuação do ITEP e de seu programa de incubação. Para tanto, foram escolhidas três incubadoras do programa de Incubadoras de Empresas de Base Tecnológica do Instituto de Tecnologia de Pernambuco: a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do Vale do São Francisco (INVASF), a Incubadora Tecnológica do Agreste Central (ITAC) e a Incubadora do Pajeú. Uma análise situacional dos Arranjos Produtivos Locais de Petrolina, Serra Talhada e Caruaru e sua relação com as incubadoras de base tecnológicas do ITEP 2

3 O APL de confecção e moda de Caruaru é composto, segundo Barros (2009), por cerca de vinte mil empresas, responsáveis pela produção de 57,8 milhões de peças por mês e pela utilização de 73,4 mil máquinas. Apesar de o APL movimentar de forma significativa a economia do estado pernambucano, ainda hoje há dificuldades na produção, visto que os produtos possuem baixo valor agregado devido a uma falta de conhecimento técnico, piratarias, infraestruturas adequadas, entre outras questões. A Incubadora do Agreste Central (ITAC), em Caruaru, foi inaugurada em 2011, objetivando fortalecer o Programa de Incubação de Empresas do ITEP. A incubadora tem um total de 12 empresas que passaram pelo processo de incubação, sendo 3 graduadas, 3 que não terminaram o processo de incubação e 6 que se encontram no processo de incubação. Dessas, 4 atuam no setor da economia do APL, ou seja, moda e confecção. O restante atua na dinâmica local da cidade e de seu entorno. Por sua vez, o APL de caprinovinocultura tem como cidade pólo Serra Talhada. Segundo o ITEP (2010), o APL possui 293 estabelecimentos formais com um total de 989 empregados, um volume de produção de cabeças e um volume de vendas para o mercado interno de R$ ,00. Um dos grandes problemas identificados na pesquisa do ITEP (2010) é que a cadeia produtiva do APL é fragilizada, com pouco dinamismo e muitas vezes o produto está em uma cadeia secundária na produção de algumas cidades. A incubadora que fica na cidade de Serra Talhada, a Incubadora do Pajeú, também foi inaugurada em Nesta incubadora, existe um total de 13 empresas, das quais 5 são graduadas, 2 realizaram distrato e 6 estão no processo de incubação. De todas essas empresas, apenas duas estão ligadas ao setor da economia da caprinovinocultura da região. Apesar de não estarem diretamente ligadas, suas atividades podem atender a qualquer área relacionada à alimentação. O resto das empresas visa atuar na demanda local dos diversos serviços da cidade e do seu entorno. Finalmente, o último APL a ser analisado é o da cidade pólo de Petrolina, destaque na área de fruticultura e vitivinicultura. O Vale do São Francisco tem mais de 30 mil hectares irrigados e cerca de produtores, gerando mais de 100 mil empregos diretos para a área de vitivinicultura e fruticultura. É importante destacar que o APL de vitivinicultura e fruticultura é um dos mais desenvolvidos do estado de Pernambuco, tendo ações de 3

4 exportação para a Europa e para outros continentes, com grandes taxas de faturamento e lucrabilidade. A Incubadora do Vale do São Francisco (INVASF) foi inaugurada em 2009 e possui um total de 15 empresas no seu processo de incubação: 6 empresas foram graduadas desde sua inauguração e atualmente existem 8 incubadas. Em todo o processo, só uma empresa não completou o ciclo de incubação. De todas as empresas, apenas uma está ligada diretamente ao APL, pois produz um fungicida à base de cobre para a proteção do solo, gerando assim melhorias no meio ambiente e na produção das frutas para exportação e para a fabricação de vinhos. Seis empresas desenvolvem softwares, ou para a cadeia produtiva do APL ou para a dinâmica local da cidade. Considerações finais Neste artigo, foi visto que em alguns casos, os APL podem ser superestimados em relação a sua dinâmica local. Somente em um dos casos, na Incubadora do Agreste Central (ITAC), em Caruaru, foi verificada uma maior atuação da incubadora no APL. Mesmo neste caso, a demanda pela dinâmica econômica local-regional é maior que a especificidade do APL na área de moda e confecção. Para Petrolina, a hipótese é que o APL de fruticultura e vitivinicultura já esteja em um grau de desenvolvimento alto e por este motivo, a penetração de qualquer empresa seja mais complicada, pois a cadeia produtiva do APL já existe, possuindo todas as conexões, inclusive para a exportação dos seus produtos. O caso de Serra Talhada é que o APL ainda é fragilizado, necessitando de uma intervenção estadual e/ou federal para a promoção do APL de carinovinocultura. Em suma, mesmo as condições dos APL dificultando a penetrabilidade das empresas incubadas e graduadas no Arranjo, é notável que para muitos dos casos, a incubadora capacita e desenvolve empresas para outros setores da economia, privilegiando não apenas o APL, 4

5 como também vários setores da economia que possuem uma importância na dinâmica localregional dessas regiões. Referências bibliográficas BARROS, Izabelle Sousa. O cenário do pólo de confecções do Agreste de Pernambuco. SENAC, Recife, 2009 COSTA, Eduardo José Monteiro da. Arranjos Produtivos Locais, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional. 1. ed. Brasília: Mais Gráfica, v p. Disponível em: <http://www.integracao.gov.br/c/document_library/get_file?uuid=58908ef0-c6ff-45f3-ac3f- 91b2baf3e755> INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO. Rede de Inovação para o Desenvolvimento Regional: Um instrumento para o fortalecimento do Arranjo Produtivo Local da Caprinovinocultura de Pernambuco. Relatório final para CNPq (Processo574391/2008-8), Recife,

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