Novos fundamentos para a psicanálise: Teoria da feminilidade generalizada

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1 Novos fundamentos para a psicanálise: Teoria da feminilidade generalizada

2 2001 Novos fundamentos para a psicanálise: Teoria da feminilidade generalizada Márcio Peter de Souza Leite Conteúdo Argumento... 2 Objetivo... 2 Proposta da pesquisa... 2

3 Argumento Nestes tempos onde se anuncia o fim da psicanálise é necessário reinventá-la. O lugar da psicanálise na cultura mudou, e o viés da abordagem analítica do sintoma psiquiátrico se esgotou. A clínica confirma, como sempre, a visão da psicanálise da condição humana, que é procurar no outro o que lhe falta, como mostra o amor de transferência. Daí a observação, feita por Lacan, da psicanálise ser uma erotologia. É necessária a psicanálise voltar onde sempre esteve, deixando de lado a ordenação psiquiátrica do sofrimento, e perseguir sua própria clínica, fundada na diferença sexual, produzindo a constatação da existência de formas diferentes de amor no homem (fetichista) e na mulher (erotomaníaco). A partir disso se poderia falar em inconsciente masculino diferente de um inconsciente feminino? Objetivo Reconsiderar, desde a prática e teoria analítica atual, as questões clínicas que são conseqüências do fato do animal humano, por ser atravessada pela linguagem, ser desnaturalizado, e por isso, não ter um objeto sexual predeterminado. Proposta da pesquisa 1 - Seqüência do pensamento sobre a feminilidade em Freud (mulher freudiana) e Lacan (mulher lacaniana). Em Lacan se pode considerar um primeiro momento da reflexão sobre o feminino, desenvolvido a partir do Seminário III, quando a sexualidade é pensada como determinada pelo simbólico, livre da noção de desenvolvimento, reflexão que se completa no texto "A significação do falo", e principalmente no texto "Idéias diretivas para um congresso sobre a sexualidade feminina", cujas idéias estão resumidas no esquema abaixo: Noções que marcam este período de Lacan: o A Mascarada feminina

4 o A mulher como objeto de desejo o A mulher que falta aos homens (ser-ter o falo) o Forma erotomaníaca de amor para as mulheres e convergência entre desejo e objeto o Forma fetichista de amor para os homens e divergência entre desejo e objeto Um segundo período no pensamento de Lacan ocorre quando, nos anos 70, pricipalmente no Seminário XX inscrever-se como homem ou mulher já não é mais uma questão de identificação e sim de sexuaçao, quer dizer de escolha de gozo: A conseqüência desta escolha é que masculino e feminino se repartem segundo o modo de gozar da castração na relação ao outro sexo: um modo fálico e outro não-toda. Marcam este período da reflexão de Lacan sobre o feminino, as noções : o A mulher não toda o A mulher não existe o A verdadeira mulher o A mulher sintoma do homem 2 - Sexuação Para a psicanálise a diferença sexual não é a diferença anatômica. Justamente por issso o termo usado por Lacan, sexuação, opõe-se a pensar a sexualidade como condicionada pelo gênero. A sexuação se dá em três tempos (G. Morel): o Diferença anatômica natural o Discurso sexual (o sexo e um dizer) o Sexuação 3 - Consequências da sexuação lado mulher a) Clínica

5 o Masoquismo feminine o Homossexualidade feminina o Frigidez o Bulimia o Anorexia o Gozo vaginal / gozo outro o Capricho feminino o Verdadeiro parceiro de uma mulher o Parceiro sintoma o Ciúmes femininos o Devastação o Histeria e feminilidade b) Figuras o a mulher fatal o a mulher pobre c) Fantasias femininas o Dom Juan o Amante castrado o Homem morto d) O que é uma mulher para um homem o Falo o Objeto o Sintoma

6 4 - Conseqüências da sexuação lado homem a) Clínica o Forma fetichista de amor o Homem sem ambiguidades (verdadeiro homem?) o Degradação geral da vida erotica o Disfunção erétil o Homossexualidade masculine o Fetichismo o Empuxo à mulher b) Figuras o Dandy c) Fantasias masculinas d) que é uma mulher para um homem

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