Afonso Barroso. Abreu & Marques

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1 Afonso Barroso Abreu & Marques

2 O Regime Fiscal dos Residentes Não Habituais (RNH) Abreu & Marques

3 O RNH foi introduzido no Código do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS) pelo Decreto Lei 249/2009 de 23 de Setembro, e regulamentado pela Portaria 12/2010 de 7 de Janeiro e circulares 2/2010 de 6 de Maio e 9/2012 de 3 de Agosto. O regime foi actualizado pela Lei 63-B/2011 de 30 de Dezembro e pela Lei 66-B/2013 de 31 de Dezembro. Abreu & Marques

4 A introdução deste regime representa uma alteração muito relevante na política fiscal internacional de Portugal. Passa-se de uma prioridade de tributação na fonte, para a introdução de criação de incentivos fiscais para atracção de individuos altamente qualificados e de elevado valor económico. Abreu & Marques

5 Quem é qualificável para o regime de RNH e qual o prazo: Indivíduos não residentes fiscalmente em Portugal, nos últimos cinco anos; Indivíduos que, enquanto requerentes, pretendam adquirir residência fiscal em Portugal. O regime é concedido pelo período não renovável de 10 anos. Abreu & Marques

6 Um indíviduo é considerado residente fiscal em Portugal se: Permanecer em território português, continuado ou interpoladamente, durante mais de 183 dias num ano. Permanecendo menos do que os 183 dias, a 31 de Dezembro do ano de apresentação do pedido, possua habitação em condições que permitam supor a ocupação de uma residência habitual. Um dos cônjuges for, a 31 de Dezembro do ano de apresentação do pedido, residente fiscal em Portugal. Abreu & Marques

7 O Residente Não Habitual em Portugal tem acesso a: A) Uma taxa especial de tributação de 20% sobre certos tipos de rendimento (Portaria 12/2010, de 7 de Janeiro), B) Isenção de tributação para rendimento oriundo do estrangeiro (fora de Portugal) em certas condições. Abreu & Marques

8 A) Tributação às seguintes taxas especiais: Rendimento do trabalho dependente, rendimento profissional autónomo edeempresário em nome individual em certas condições de alto valor acrescentado, é tributado apenas à taxa de 20%; Esta tributação de 20% incide sobre os rendimentos identificados quer sejam obtidos em Portugal, e aqueles obtidos fora do país, que não estejam isentos. A taxa de 20% é aplicável ao rendimento liquído (após deduções fiscalmente aceites). Abreu & Marques

9 B) Isenção fiscal para rendimento obtido fora de Portugal: O rendimento do trabalho dependente, estará isento de tributação em Portugal, conquanto as seguintes condições se verifiquem: i. O rendimento seja tributado efectivamente noutro Estado com o qual Portugal tenha um Tratado (para evitar) Dupla Tributação, ou, (ii) O rendimento seja tributado noutro Estado, na ausência de Tratado de Dupla Tributação com Portugal, e não seja considerado como obtido em território português pelas leis fiscais deste país. Abreu & Marques

10 B) Isenção fiscal para rendimento obtido fora de Portugal: Rendimentos empresariais e profissionais, de investimento (dividendos; juros, mais valia), prediais (rendas) beneficiam de isenção desde que, alternativamente: i. Possam ser tributados no Estado onde são obtidos, em conformidade com um Tratado de Dupla Tributação que exista com Portugal; ou (ii) Possam ser tributados no país onde são gerados, em conformidade com o Modelo da OCDE para os tratados de Dupla Tributação, na ausência entre o Estado onde os rendimentos são gerados, de tratado desta natureza com Portugal, e esse Estado ou território não esteja classificado como off-shore por Portugal (Portarias 150/2004 e 292/2011). Abreu & Marques

11 B) Isenção fiscal para rendimento obtido no estrangeiro: As pensões pagas no estrangeiro estão isentas de tributação em Portugal se: Forem tributadas na fonte por Estado com Tratado de Dupla Tributação com Portugal, ou Esses rendimentos forem considerados obtidos fora de Portugal, o que ocorre se a entidade que paga não tiver presença fiscal em Portugal. Abreu & Marques

12 Processo de obtenção de RNH em Portugal Os requerentes têm que: i) Inscrever-se como não residentes fiscais em Portugal (morada fora de Portugal); ii) Obter autorizações de residência (nacionais fora União Europeia) ou cartões de residência (nacionais da UE); iii) Inscreverem-se como residentes fiscais (indicando a residência fiscal em Portugal); iv) Requerer o estatuto fiscal de Residente Não Habitual. Abreu & Marques

13 Exemplo 1 Rendimento de administração e de actividade autónoma, pessoal. Messr Gautier, cidadão francês, fiscalmente residente em Portugal sob o regime de RNH, aufere rendimento no ano de 2014: Como membro do conselho de administração de uma sociedade de importação de rolhas e vinhos com sede nos Estados Unidos da América; Com violinista (em França e Portugal). Abreu & Marques

14 O rendimento gerado nos Estados Unidos é tributado neste país e isento em Portugal, ao abrigo do Tratado de Dupla Tributação entre os dois países. O rendimento gerado em Portugal, como violista, será tributado à taxa de 20%. O rendimento gerado em França, será tributado em Portugal àtaxade20%,amenosquesejapotencialmente tributado em França, por força do Tratado de Dupla Tributação entre os dois países. Abreu & Marques

15 Exemplo 2 Rendimento como pensionista de Messr. Peters, cidadão belga. Messr. Peters, cidadão belga, fiscalmente NRH em Portugal, aufere as seguintes pensões: Pensão por actividades de serviço público na Bélgica; Pensões por actividade profissional privada, oriundas da Bélgica. Abreu & Marques

16 Em Portugal estes rendimentos oriundos de pensões estão isentos de tributação porque são pagos por entidades não residentes fiscalmente em Portugal. Abreu & Marques

17 Outros aspectos fiscais relevantes: Não há tributação sobre fortunas em Portugal; Não há tributação na transmissão gratuita de património por doação ou herança entre ascendentes, descendentes e cônjuges. Nas transmissões gratuitas entre outros destinatários há tributação (imposto de selo) de 10% apenas; Exclusão de tributação em sede de mais valias geradas na alienação de imóvel que seja residência permanente em Portugal, se reinvestidas noutra residência permanente na União Europeia ou no Espaço Económico Europeu. Abreu & Marques

18 Actual ambiente regulamentar. Ausência de qualquer incerteza quanto à disponibilidade e uso do regime fiscal de RNH, havendo já variadíssimos novos residentes com RNH. O RNH, sendo um regime totalmente português e, nesta medida, doméstico, não requer qualquer aprovação da União Europeia que não o questiona, nomeadamente com impugnação ou sugestões de eliminação ou alteração. O RNH é um regime muito atractivo, sendo um dos melhores actualmente em vigor, atenta a sua combinação de tributação reduzida em redimentos profissionais, laborais e de pensionistas, com isenção de rendimento gerado no exterior. Abreu & Marques

19 OBRIGADO! Abreu & Marques

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