UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL

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1 UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL PERFIL DOS CONSUMIDORES DE PRODUTOS HORTIFRUTIGRANJEIROS ORGÂNICOS EM SUPERMERCADOS DA CIDADE DE FOZ DO IGUAÇU/PR MARIANNA DE CAMPOS FERREIRA E SILVA Foz do Iguaçu - PR 2009

2 MARIANNA DE CAMPOS FERREIRA E SILVA PERFIL DOS CONSUMIDORES DE PRODUTOS HORTIFRUTIGRANJEIROS ORGÂNICOS EM SUPERMERCADOS DA CIDADE DE FOZ DO IGUAÇU/PR Trabalho Final de Graduação apresentado à disciplina de TFG II da Faculdade Dinâmica de Cataratas UDC, como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro Ambiental. Prof. Orientador: Dr. Elisandro Pires Frigo. Foz do Iguaçu PR 2009

3 A258o Silva, Marianna de Campos Ferreira Perfil dos consumidores de produtos hortifrutigranjeiros orgânicos em supermercados da cidade de Foz do Iguaçu, Pr / Marianna de Campos Ferreira e Silva - Foz do Iguaçu: UDC / Orientador: Elisandro Pires Frigo Trabalho de Conclusão de Curso- (TCC) União Dinâmica de Faculdades Cataratas 1. Agricultura alternativa. 2. Equipamentos de varejo. 3 Marketing ambiental. CDU:77.03

4 TERMO DE APROVAÇÃO UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS PERFIL DOS CONSUMIDORES DE PRODUTOS HORTIFRUTIGRANJEIROS ORGÂNICOS EM SUPERMERCADOS DA CIDADE DE FOZ DO IGUAÇU/PR TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO PARA OBTENÇÃO DE GRAU DE ENGENHEIRO AMBIENTAL Aluna: MARIANNA DE CAMPOS FERREIRA E SILVA Orientador: PROF. DR. ELISANDRO PIRES FRIGO Nota Final Banca Examinadora: Prof(ª). Prof(ª). Foz do Iguaçu, 18 de junho de 2009.

5 AGRADECIMENTO À Deus, pelo fôlego de vida. Aos meus pais, pela dedicação na formação do meu caráter. Ao meu amado esposo Osiel, pela compreensão, apoio e por ficar ao meu lado nas madrugadas no término do meu trabalho. Aos professores, em especial à Professora Michelle Sato Frigo e meu orientador Professor Elisandro Pires Frigo pela direção do trabalho, paciência e profissionalismo. E aos meus colegas pelos estudos e aprendizados adquiridos juntos.

6 Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento. Provérbio 3:13 Porque o Senhor Deus dá a sabedoria; e da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento. Provérbios 2:6

7 FERREIRA, Marianna de Campos. Perfil dos consumidores de produtos hortifrutigranjeiros orgânicos em supermercados da cidade de Foz do Iguaçu/PR. Foz do Iguaçu, Trabalho Final de Graduação (Graduação em Engenharia Ambiental) União Dinâmica de Faculdades Cataratas. RESUMO Na década de oitenta já eram visíveis as conseqüências da transformação da agricultura e, com o crescimento da crítica à agricultura convencional, aumentou-se o interesse pelas práticas agrícolas consideradas alternativas. Com base neste cenário, o presente estudo teve por objetivo traçar o perfil dos consumidores de produtos hortifrutigranjeiros orgânicos em supermercados da cidade de Foz do Iguaçu/PR, devido à cidade se destacar dentre os municípios lindeiros, onde se concentram os produtores orgânicos da região. Os locais das pesquisas foram os supermercados Muffato e BIG, totalizando 59 pessoas entrevistadas de Janeiro a Março de 2009, através de questionário semi-aberto. Tal pesquisa não foi encaminhada à nenhuma Comissão de Ética em função da instituição onde esta foi desenvolvida ainda não fazer parte de nenhuma destas. Os questionários foram aplicados aleatoriamente com a prévia autorização dos supermercados, assim como dos consumidores, mediante Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Constatou-se que a maioria dos entrevistados era do sexo feminino; a faixa etária predominante era de jovens e as profissões em grande parte voltadas para a área administrativa. A maioria possui o ensino médio e uma renda de até 2 salário mínimos. Do total de entrevistados 61% consomem produtos orgânicos; 35,6% consumiam regularmente, tendo como propósito de compra, por não apresentarem agrotóxicos (47%); e o fator preço foi uma dificuldade no consumo para 47,5% do total de entrevistados, assim como 56% não sabiam sobre certificação orgânica e rotulagem ambiental. Conclui-se que o pouco conhecimento sobre o modo de produção e a certificação dos orgânicos, associada ao alto preço do produto em relação ao produto convencional tem causado um atraso no crescimento de consumidores fiéis, fazendo-se necessário elaborar planos estratégicos de marketing, atraindo novos consumidores e aumentando conseqüentemente a demanda por tais produtos, que a médio-longo prazo terão sua produção aumentada, diminuindo seu custo ao consumidor. Palavras-chaves: agricultura alternativa, equipamentos de varejo, marketing ambiental.

8 Ferreira, Marianna de Campos. Profile of consumers of organic products hortifrutigranjeiros of supermarkets in the city Foz do Iguaçu / PR. Foz do Iguaçu, Completion of course work (Bachelor of Environmental Engineering) - Faculdade Dinâmica de Cataratas. ABSTRACT In the eighties were visible the consequences of the transformation of agriculture, and with the growth of criticism of conventional agriculture, the interest of alternatives agricultural practices has increased. Based on this scenario, the present study aimed to delineate the profile of consumers of hortifruitgranger organics in supermarkets in Foz do Iguaçu / PR, based on the fact that the city stand out among counties nearby, where organic food producers are concentrated. The research locals were the supermarket Muffato and BIG, totaling 59 persons interviewed from January to March 2009, through semi-open questionnaire. This research was not referred to any Ethics Committee (EC), according that the institution where it was developed do not take part of any EC yet. The questionnaires were administered randomly with the prior permission of the supermarkets and consumers, by End of Free and Informed Consent. It was found that the majority of respondents were females; the predominant age group was young and the profession in large part devoted to the administrative area. The most of interviewed people had finished high school and has an income of up to 2 minimum wages. Of the total, 61% of respondents consume organic products; 35,6% consumed regularly, having the purpose of purchase because they did not have pesticides (47%); And so, the price was a difficulty in consumption for 47,5% of total respondents, and 56% did not know about organic certification and environmental labeling. States that little knowledge about the way of production and certification of organic food allied with the high prices of the products in relation of conventional product has caused a delay in the growth of loyal consumers, making it necessary to draw up strategic plans for marketing, attracting new consumers and consequently increasing the demand and in medium-long terms the production for such products, reducing their cost to the consumer. Keywords: farming equipment, alternative retail, marketing environment.

9 LISTA DE FIGURAS Página Figura 1: Localização do município de Foz do Iguaçu/PR Figura 2: Localização dos supermercados pesquisados em Foz do Iguaçu/PR Figura 3: Fachada do supermercado Muffato do bairro Boicy (à direita) e Muffato da Avenida JK (à esquerda) Figura 4: Seção de hortifrutigranjeiros do supermercado Muffato do bairro Boicy Figura 5: Seção de hortifrutigranjeiros do supermercado Muffato da Avenida JK Figura 6: Fachada do hipermercado Big Figura 7: Seção de hortifrutigranjeiros orgânicos do hipermercado Big Figura 8: Sexo dos entrevistados Figura 9: Faixa etária Figura 10: Grau de escolaridade Figura 11: Renda familiar Figura 12: Consumo de alimentos orgânicos Figura 13: Regularidade no consumo de produtos orgânicos Figura 14: Propósito na compra de produtos orgânicos Figura 15: Fatores que dificultam o consumo de produtos orgânicos... 56

10 SUMÁRIO Página RESUMO...17 ABSTRACT...18 LISTA DE FIGURAS...19 PÁGINA...19 SUMÁRIO...20 PÁGINA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...XXVI APÊNDICES...XXXII

11 1 INTRODUÇÃO O movimento da agricultura alternativa começou a se manifestar no Brasil durante a década de 70, quando se disseminava no país um processo de modernização da agricultura. No discurso governamental pretendia-se aumentar a produção e a produtividade da agricultura no país através da substituição das práticas agrícolas tradicionais por um conjunto de práticas tecnológicas, que incluíam a utilização de sementes geneticamente melhoradas, fertilizantes industrializados, agrotóxicos e mecanização agrícola, a chamada Revolução Verde. E, ao mesmo tempo em que alguns pesquisadores passavam a questionar no meio acadêmico os impactos ambientais produzidos pela intensificação do uso da tecnologia na agricultura, experiências agrícolas de produção de alimentos sem agrotóxicos eram bem sucedidas no interior de São Paulo, incrementando o interesse por um sistema de produção

12 sustentável, capaz de satisfazer as próprias necessidades sem reduzir as oportunidades das próximas gerações, com manejo e proteção dos recursos naturais. Na década de 80 já eram visíveis as conseqüências da transformação da agricultura com a Revolução Verde e, com o crescimento da crítica a esta agricultura, agora convencional, aumentou-se o interesse pelas práticas agrícolas consideradas alternativas. A partir desta época, a produção e o consumo de alimentos orgânicos vêm apresentando um crescimento considerável no país (ARCHANJO, BRITO e SAUERBECK, 2001). Este mercado é de consumidores específicos que buscam não somente uma vida mais saudável ao consumir alimentos produzidos sem o uso de insumos industrializados, mas com consciência dos problemas ambientais gerados pela produção e industrialização de alimentos convencionais. Como em diversos países, o crescimento do mercado de produtos alimentares orgânicos é uma evidência também no Brasil. Dessa forma, como um mercado em crescente expansão gera oportunidades, limitações também são evidenciadas, e o mercado de alimentos orgânicos não foge à regra, demandando pesquisas para sua melhor compreensão (BOAS, 2005). Com base neste cenário, o presente estudo teve por objetivo identificar o perfil dos consumidores de produtos hortifrutigranjeiros orgânicos em supermercados da cidade de Foz do Iguaçu/PR, no intuito de a partir dessas informações, os gestores dos equipamentos varejistas e produtores de hortifrutigranjeiros orgânicos da região possam planejar quanto à forma, variedade e sortimento de seus produtos e serviços de acordo com as necessidades dos seus clientes, aumentando assim seu consumo e disseminando sua importância na sociedade.

13 Tal estudo se justifica devido à cidade de Foz do Iguaçu/PR ser um potencial pólo consumidor, por se destacar dentre os municípios lindeiros, local onde se concentram os produtores orgânicos da região. O Estado do Paraná em relação a produção orgânica é um dos principais pólos do país, conforme dados da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), são cerca de agricultores diretamente envolvidos na atividade, com produção de 75 mil toneladas de produtos alimentícios por ano. No Paraná, cerca de 100 indústrias produzem produtos orgânicos industrializados. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, a produção orgânica brasileira ocupa cerca de 6,5 milhões de hectares e envolve aproximadamente 20 mil produtores, dos quais 80% são pequenos (VOSS, 2006).

14 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Tipos de agricultura alternativa A Terra já foi vista como se seus recursos fossem infinitos, porém hoje se percebe sua limitação, exigindo usos eficientes e renováveis buscando o desenvolvimento sustentável em longo prazo. A agricultura industrial, apesar de suas vantagens, traz consigo impactos ambientais negativos significativos. Não se pode conceber a agricultura moderna sem suas variedades super produtivas e adaptadas a um ambiente totalmente controlado com adubos solúveis e agroquímicos para manter esta artificialidade. Os impactos ambientais desses produtos geralmente não são incorporados nos custos privados de produção, distorcendo os preços de mercado de produtos por ela gerados. A agricultura que se utiliza de agrotóxicos gera problemas

15 ambientais pela sociedade como um todo, não apenas pelos produtores privados (MAZZOLENI e NOGUEIRA, 2006). Os principais sintomas de intoxicação causados pelos agrotóxicos para a saúde humana são confundidos pela semelhança com várias doenças: depressão nervosa, problemas nos rins e fígado, cansaço, fraqueza, tonturas, náuseas, etc. Já para o meio ambiente, o uso freqüente de agrotóxicos provoca erosão, perda de fertilidade dos solos, riscos de contaminação dos solos agrícolas, águas superficiais, águas subterrâneas, entre outros (MONQUERO, INÁCIO e SILVA, 2009). O consumo de agrotóxicos cresceu bastante no Brasil nas últimas décadas, transformando-o em um dos líderes mundiais no consumo de agrotóxicos. Entre 1972 e 1998, a quantidade de ingrediente ativo vendido cresceu 4,3 vezes, passando de toneladas para toneladas/ano 6. Em relação às classes de uso, em 2004, 40% dos produtos vendidos eram herbicidas, 31% fungicidas, 24% inseticidas e 5% outros (FARIA, FASSA e FACCHINI, 2007). De acordo com a EMBRAPA (2006), a agricultura orgânica busca a preservação ambiental utilizando o sistema de manejo sustentável, mantendo a biodiversidade, os ciclos naturais e a qualidade de vida. Esse tipo de agricultura põe em prática os conhecimentos da ecologia, integrando a fauna e a flora no sistema, onde os animais produzem matéria orgânica para o solo e plantas, e o solo acaba contendo mais nutriente para a alimentação animal. A agricultura biodinâmica, permacultura, orgânica e natural são correntes que integram o movimento orgânico, e o objetivo chave é encontrar um sistema de produção que seja sustentável através do manejo e proteção dos recursos naturais, sem a utilização de produtos agroquímicos, o que prejudica a saúde humana e

16 o meio ambiente, mantendo a diversidade biológica e respeitando a integridade cultural dos agricultores (SANTOS e MONTEIRO, 2004). A agricultura biodinâmica busca a harmonia do manejo agrícola com os ritmos naturais, sanar as chagas ambientais provocadas pela revolução tecnológica e a produção de alimentos saudáveis, buscando compreender as forças da terra e do céu (cosmos) sobre os cultivos e a criação animal para harmonizá-las na produção de alimentos saudáveis, a agricultura biodinâmica surgiu na Europa em Os conhecimentos deste sistema de produção foram difundidos em todo o mundo com o crescente interesse em sistemas agrícolas voltados para a preservação do ambiente e recursos naturais (SARMENTO e BRANDÃO, 2007). A agricultura natural teve início em 1931 e tem o objetivo de fazer com que o solo desenvolva seus frutos por si só, pois para este tipo de agricultura com um solo saudável, onde há presença de matéria orgânica em abundância e variedade de nutrientes, não existe a necessidade de interferência humana, pois, quanto mais puro é o solo maior é sua força para o desenvolvimento da vida (MACHADO et al., 2002). Outra agricultura alternativa, a permacultura, constitui-se na elaboração, implantação e manutenção de ecossistemas produtivos que mantenham a diversidade, a capacidade do indivíduo de se adaptar às mudanças e a estabilidade dos ecossistemas naturais, promovendo energia, moradia e alimentação humana de forma harmoniosa com o ambiente. É uma união do conhecimento ancestral com a ciência moderna (CASTAGNA, 2008).

17 2.2 Conceitos sobre agricultura orgânica Durante quarenta anos, no início do século XX, o inglês engenheiro agrônomo, Albert Howard, propôs o sistema de produção orgânica, enquanto realizava uma pesquisa na Índia (MARCHIORI, 2006). Este sistema de produção ficou conhecido como agricultura orgânica, na qual se exclui o uso de fertilizantes, agrotóxicos, reguladores de crescimento e aditivos do sistema de produção e não se altera a alimentação animal. Baseia-se no uso de estercos, rotação de culturas, adubação verde, compostagem e controle biológico de pragas e doenças. Busca manter a estrutura e produtividade do solo, trabalhando em harmonia com a natureza (AAO, 2008). De acordo com a Instrução Normativa 07/99 do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, Brasil (1999) considera-se sistema orgânico de produção agropecuária e industrial: todo aquele em que se adotam tecnologias que otimizem o uso de recursos naturais e socioeconômicos, respeitando a integridade cultural e tendo por objetivo a auto-sustentação no tempo e no espaço, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energias não renováveis e a eliminação do emprego de agrotóxicos e outros insumos artificiais tóxicos, organismos geneticamente modificados (OGM/transgênicos), ou radiações ionizantes em qualquer fase do processo de produção, armazenamento e de consumo, e entre os mesmos, privilegiando a preservação da saúde ambiental e humana, assegurando a transparência em todos os estágios da produção e transformação. Já de acordo com a chamada Lei dos Orgânicos (Lei n.º ), (anexo 1) aprovada em 23 de dezembro de 2003, o sistema orgânico de produção

18 agropecuária é aquele em que se otimiza o uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis, em que há o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não renovável, e que prefere métodos culturais, biológicos e mecânicos a materiais sintéticos, com a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizastes (PARDINI, 2006). O alimento orgânico é resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar de forma equilibrada o solo e demais recursos naturais (água, plantas, animais, insetos, etc), conservando-os em longo prazo e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos (MARCHIORI, 2006). Segundo Barbosa (2007) é de suma importância achar mecanismos que mantenham o agricultor e sua família no campo, porém dando condições para que eles possam reproduzir-se socialmente sem a constante assistência dos governos, propiciando um ambiente favorável para a melhora da qualidade de vida. Percebe-se que o sistema orgânico, pelo fato de estar inserido em um movimento voltado à uma produção sustentável, tem por objetivo resolver as questões ligadas à preservação ambiental; melhoria das condições sócio-econômicas dos agricultores familiares e produzirem produtos de qualidade e seguros ao consumo humano. Esses itens podem se constituir em uma estratégia importante para se conquistar uma sustentabilidade agrícola para qualquer país (seja ele desenvolvido ou subdesenvolvido).

19 2.3 Manejo em sistemas de produção orgânica Para Santos e Monteiro (2004), o modelo de agricultura orgânico se baseia no princípio e prática de utilizar os ciclos biológicos para aumentar a fertilidade do solo, a diversificação das nutrientes, das espécies, sem o uso de fertilizantes, agrotóxicos, minimizando a poluição, se preocupando com o amplo impacto social e ecológico do sistema de produção de alimentos, e produzir alimentos de boa qualidade em quantidade suficiente. Segundo Carvalho (2000) a preocupação com a qualidade do produto, com a saúde e qualidade de vida dos agricultores, trabalhadores, consumidores e a preservação do meio ambiente, são em geral vistos como resultados certos da expansão da produção orgânica. Economizar água e não usar fertilizantes químicos ou agrotóxicos nas plantações é uma realidade na produção orgânica. O uso intensivo da terra causa problemas e conseqüências indesejáveis ao ambiente e à produção agrícola se práticas conservacionistas não forem adotadas. A redução na quantidade de matéria orgânica do solo significa emissão de gases para a atmosfera e aumento do aquecimento global. A sustentabilidade do solo é também afetada, uma vez que a qualidade da matéria orgânica remanescente muda. Alterações podem ser verificadas, por exemplo, pela desagregação do solo e mudança na sua estrutura. As conseqüências são erosão, redução na disponibilidade de nutrientes para as plantas e baixa capacidade de retenção de água no solo. Estes e outros fatores refletem negativamente na produtividade das culturas e sustentabilidade do sistema solo, planta e atmosfera. Ao contrário, a adoção de boas práticas de manejo, tal como o sistema de plantio direto pode parcialmente reverter o processo, uma vez que objetiva o

20 aumento das entradas de material orgânico no solo e/ou diminuição das taxas de decomposição da matéria orgânica do solo (CERRI et al., 2007). O manejo orgânico privilegia o uso eficiente dos recursos naturais não renováveis, aliado ao melhor aproveitamento dos recursos naturais renováveis e dos processos biológicos, à manutenção da biodiversidade, à preservação ambiental, ao desenvolvimento econômico, bem como, à qualidade de vida humana. A agricultura orgânica, conforme a EMBRAPA (2006), fundamenta-se em princípios agroecológicos e de conservação de recursos naturais, tais como: Respeito à natureza: o agricultor deve ter em mente que a dependência de recursos não renováveis e as próprias limitações da natureza devem ser reconhecidas, sendo a ciclagem de resíduos orgânicos de grande importância no processo; Diversificação de culturas: propicia uma maior abundância e diversidade de inimigos naturais. A diversificação espacial, por sua vez, permite estabelecer barreiras físicas que dificultam a migração de insetos e alteram seus mecanismos de orientação, como no caso de espécies vegetais aromáticas e de porte elevado à biodiversidade. E, por conseguinte, um elemento-chave da tão desejada sustentabilidade; Solo como organismo vivo: desse modo o manejo do solo privilegia práticas que garantam um fornecimento constante de matéria orgânica, através do uso de adubos verdes, cobertura morta e aplicação de composto orgânico, práticas indispensáveis para estimular os componentes vivos e favorecer os processos biológicos fundamentais para a construção da fertilidade do solo no sentido mais amplo;

21 Independência dos sistemas de produção em relação a insumos agroindustriais adquiridos, altamente dependentes de energia fóssil, que oneram os custos e comprometem a sustentabilidade. O processo de mudança do manejo convencional para o orgânico tem sido chamado de conversão. Normalmente, esse processo requer um período de dois anos para que ocorra a re-situação do produtor e do ambiente e, quando se dá em uma área onde havia intensa produção convencional, geralmente, há queda na produtividade até que se consiga equilibrar o ambiente com o objetivo de alcançar a sustentabilidade. Outra forma de se conseguir a qualificação para o uso do selo orgânico, sem necessitar do período de quarentena, é o plantio em áreas que estiveram em repouso ou utilizadas como pastagens onde não se tenha feito o uso de agrotóxicos e fertilizantes de alta solubilidade durante dois anos ou mais. Muitos produtores optam por iniciar a atividade nesse tipo de situação. Geralmente, essas áreas possuem baixa fertilidade do solo e necessitam ser trabalhadas até atingirem o equilíbrio que proporcione uma produtividade satisfatória (CARVALHO e WANDERLEY, 2006). Para se tornar um agricultor orgânico, é necessário que o candidato seja submetido a um rigoroso processo de investigação das condições ambientais do estabelecimento agrícola e de potencialidade para a produção. São considerados aspectos como o não uso de adubos químicos industrializados e agrotóxicos nos últimos dois anos, a existência de barreiras vegetais quando há vizinhos que praticam a agricultura convencional, a qualidade da água a ser utilizada na irrigação e na lavagem dos produtos, as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores, o cumprimento da legislação sanitária e a inexistência de lixo espalhado pelo estabelecimento. O produtor deve respeitar as normas durante todas as etapas de produção, desde a preparação do

22 solo à embalagem do alimento, sempre preservando os recursos naturais. O agricultor assina um contrato com uma certificadora que prevê a fiscalização da sua produção, de modo a garantir a rastreabilidade e a qualidade do produto a ser disponibilizado para o consumidor (SANTOS e MONTEIRO, 2004). A agricultura orgânica, em áreas já certificadas, é formada predominantemente por pequenas e médias propriedades e, em grande parte delas, caracteriza-se o cultivo de hortaliças com pouca diversidade de culturas em uma mesma unidade produtiva. O cultivo continuado das mesmas espécies vegetais normalmente aumenta a incidência de doenças e pragas quando os agentes transmissores permanecem nos restos culturais. Uma seqüência de culturas pode cortar esse ciclo, evitando, assim, sua expansão (CARVALHO e WANDERLEY, 2006). O principal entrave da produção de alimentos orgânicos é a baixa escala de produção, o que implica maiores custos (mão-de-obra, insumos) por unidade de produto, seguida da falta de recursos dos produtores e de treinamento, da desorganização do sistema de produção (falta de planejamento) e do processo de comercialização, além da embalagem que pode encarecer o produto em cerca de R$ 0,15/unidade. Diferentemente do sistema convencional, o agricultor tem que pagar para ser certificado, fiscalizado e também pela assistência técnica, que é quase toda particular e exercida por consultores credenciados pelas certificadoras (SANTOS e MONTEIRO, 2004).

23 2.4 Evolução histórica da agricultura orgânica Segundo Wachsner (2005) apesar de um suposto "efeito de moda", a agricultura orgânica continua representando uma pequeníssima parcela da produção agrícola brasileira. Antes, ela foi encarada fundamentalmente como uma estratégia de resistência e de permanência de agricultores familiares no campo - no período em que as idéias da modernização conservadora e dolorosa seguiam um pensamento único - e foi defendida e implantada quase que exclusivamente por organizações nãogovernamentais de assessoria e apoio. O movimento de agricultura orgânica surgiu do envolvimento de especialistas em agricultura, com formação formal ou informal, em reação às transformações do modelo tecnológico baseado no uso de produtos químicos. Isto levou à visão de que a transformação da realidade dependeria fundamentalmente da transformação gradativa do padrão tecnológico, sem considerar os limites e as potencialidades impostas pelo sistema econômico dominante. Os ideais do movimento - a preocupação com a qualidade do produto, com a saúde e qualidade de vida de agricultores/trabalhadores e consumidores, a justiça social e a preservação do ambiente - são em geral vistos como resultados certos da expansão da produção orgânica, ou seja, acompanhariam automaticamente a expansão do mercado. Todos aqueles que vivem hoje a realidade do movimento orgânico sabem a dificuldade prática de conciliar a expansão do mercado com a manutenção dos ideais do movimento (CARVALHO, 2000).

24 2.5 Situação atual da produção de alimentos orgânicos Os países em desenvolvimento estão começando a se beneficiar das oportunidades do mercado mundial de produtos orgânicos. Eles contam hoje com cerca de 60% do número dos estabelecimentos certificados no mundo e 29% do volume total da área orgânica certificada. Entretanto, há muito ainda a ser feito para aumentar a competitividade destes países. Um passo importante seria estabelecer normas e regulamentos para produtos orgânicos. Um sistema de credenciamento de organismos certificadores de produtos, confiável e independente, se faz necessário, bem como o controle para que essas regras sejam cumpridas. Custos adicionais de certificação poderiam ser evitados se as regras internas de produção orgânica de um país exportador fossem reconhecidas como equivalentes às regras de produção orgânicas do país para o qual as exportações são realizadas. A competitividade da cadeia produtiva de produtos orgânicos fundamenta-se em estratégias de diferenciação de produtos (MAPA, 2007). Segundo a Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM), o sistema orgânico já é praticado em mais de uma centena de países ao redor do mundo sendo observado uma rápida expansão, sobretudo na Europa, EUA, Japão, Austrália e América do Sul. Esta expansão está associada, em grande parte, ao aumento de custos da agricultura convencional, à degradação do meio ambiente e à crescente exigência dos consumidores por produtos limpos ou livre de agrotóxicos. Desde o início da década de 1990, o sistema de agricultura orgânica tem se desenvolvido muito rapidamente na Europa. Entre 1998/99, existiam aproximadamente 80 mil propriedades orgânicas nos principais países da União

25 Européia, cobrindo uma área em torno de 2 milhões de hectares. Estes valores representam apenas 1,1 % do total de propriedades existentes e, aproximadamente, 1,4 % da área agrícola cultivada (DAROLT, 2000). Em 2008, a Europa chegou a abranger uma área de 7,4 milhões de hectares para a produção de alimentos orgânicos (DAROLT, 2008). Existem aproximadamente 130 organizações que certificam produtos orgânicos credenciados pela Comissão Européia, e para serem comercializados é necessário obter a certificação. O primeiro país a criar um certificado oficial foi a França e tem por objetivo estimular a produção e distribuição de orgânicos, elevando sua participação de 1% para 6% a 10% do total do consumo de alimentos (ORMOND et al., 2002). Conforme descrito por Zakabi (2005), os EUA já movimentaram em 2004 aproximadamente 12 bilhões de dólares, o que representa 3% da indústria de alimentos em faturamento, e no Brasil de 2000 a 2005 passou de a toneladas a produção de alimentos orgânicos, tendo neste período um faturamento de 300 milhões de dólares Situação atual da produção de alimentos orgânicos no Brasil O Brasil ocupa atualmente o trigésimo quarto lugar no ranking dos países exportadores de produtos orgânicos. Nos últimos anos o crescimento das vendas chegou a 50% ao ano. Estima-se que já estão sendo cultivados perto de 100 mil hectares em cerca de unidades de produção orgânica. Aproximadamente 70% da

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