Apresentamos de seguidas algumas das opiniões vividas e relatadas pelos intervenientes:

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1 Exmo. Senhor Ministro da Educação e Ciência, A CONFAP, atendendo às preocupações das famílias portuguesas e tendo ouvido atentamente todos os diferentes grupos intervenientes no sistema escolar português, bem como tendo analisado criteriosamente os factos ocorridos nos testes intermédios, considera desajustado e causador de desigualdades a constante variação que ocorre nos pressupostos para a elaboração e realização dos mesmos. Pressupomos, que o grande pilar dos testes intermédios é aferir a qualidade do ensino, e claro está, o nível das aprendizagens dos alunos. Por outras palavras, os testes intermédios serão o barómetro qualificador de todo um trabalho exigente e rigoroso que envolve portanto, Alunos, Pais e Professores. Pelo que apuramos, assiste-se e vive-se, neste momento, quer nas famílias quer no sistema educativo, um clima de revolta e desmotivador, para não falar, da instabilidade emocional provocada aos alunos e das suas consequências inerentes. Apresentamos de seguidas algumas das opiniões vividas e relatadas pelos intervenientes: Opinião dos Alunos Teste muito longo - As escolas do ensino particular deram mais trinta minutos além dos noventa permitidos nas escolas públicas; Inadequação entre tempo previsto e tempo de raciocínio e execução (Tempo de resolução dos exercícios exíguo face à dificuldade das questões); A exiguidade de tempo promoveu o nervosismo, ansiedade e frustração nos alunos com maiores expectativas pelo facto de não ter tido

2 tempo para a realização dos exercícios, mesmo naqueles para os quais estavam preparados. O sistema está assim, a promover indubitavelmente o nível mediano; Testes desajustados às competências apreendidas e desenvolvidas pelos alunos, pois os testes intermédios não respeitaram o programa definido pelo MEC no início do mesmo; Exercícios trabalhosos e de dificuldade excessiva; O último exercício do teste apresentava o cálculo de um limite para o qual os alunos, em ambiente de enorme tensão, sentiram-se sem capacidade de resposta. Opinião das Escolas 3º ciclo: Desadequação entre as matrizes do GAVE e a prova; Desadequação do tempo dado para a prova e a exigência da mesma. Ensino Secundário: Desarticulação entre programas: A prova de Físico Química desconhecia o programa de Matemática ao exigir um cálculo cuja aprendizagem os alunos só farão no ano seguinte - 12º ano. Exigências das escolas públicas e privadas:

3 Estabilidade do grau de dificuldade dos testes e dos exames ao longo dos anos; Estabilidade dos critérios de correção. No passado assistimos a provas fáceis para os alunos, mas que ao serem corrigidas com critérios fechados os surpreendiam com notas baixas. De outra maneira, provas difíceis para os alunos, após corrigidas com critérios abertos surpreendeu os alunos com notas acima do que eles esperavam. É vital para as escolas terem conhecimento prévio das metas, do grau de exigência e que critérios de correção serão aplicados. Quer as escolas públicas, quer as privadas, quer as empresas de explicações legalmente existentes preparam os alunos (boa prática) para fazer uma abordagem prévia a todo o enunciado de cada exame para organizarem as respostas de cada pergunta e calcularem o tempo necessário a cada uma. Ora, perante estes exames, que tanto diferem das matrizes do GAVE pelas quais os alunos se preparam para os mesmos, os alunos entram em pânico ao perceber que não vão ter tempo para responder a todas as questões. Todas as entidades são unanimes em referir que perder os primeiros 20 minutos de um exame é perder a oportunidade de atingir os bons resultados que esses alunos pretendem. Estamos a falar de alunos de excelente rendimento e altas expectativas que acabam atraiçoados face aos outros alunos de menor rendimento e mais baixas expectativas.

4 Com estes testes, cujas regras se alteraram a meio do jogo, está-se a minar a confiança dos alunos e a desperdiçar todo o bom trabalho que as escolas fizeram, desmotivando cada vez mais o ensino e a aprendizagem. A manter-se este tipo de enunciados, desde logo nos exames nacionais, as conclusões que se tirarão, e que interessarão ao MEC para efeitos de determinar políticas educativas, poderão ser desviantes face ao trabalho de grande mérito e qualidade que os alunos e as escolas em geral estão a fazer. É a isto que a CONFAP se refere quando diz que, desde o ano letivo anterior, o GAVE está a trair a confiança dos alunos, trai a confiança das escolas e trai a confiança dos pais e do País. Não basta ao MEC pretender elevar o nível de exigência das avaliações externas, terá de igual forma, garantir as condições para um ensino nas escolas mais cuidado e rigoroso. As condições devem ser definidas à partida, no início do ano letivo e NUNCA a meio do processo ensino-aprendizagem. Apontaram todos os auscultados que ao MEC cumprirá garantir ainda a estabilidade destas condições pelo menos durante um ciclo de aprendizagem. (Se assim não for, com o devido respeito, estamos a falar de algo que os alunos, pais e docentes que a CONFAP contactou, consideraram poder ser do âmbito da desonestidade intelectual e política). Exmo. Senhor Ministro da Educação e Ciência,

5 Ao ler este nosso relato poderá até V.a Ex.cia congratular-se com o facto das escolas e os Professores terem ficado em estado de choque, porque isso os fará refletir sobre como orientar o ensino futuro da Matemática e das disciplinas que estão sujeitas a exames nacionais, no pressuposto de que isto vem dar razão a quem defende que em matéria de avaliação e rigor tudo estaria mal e de que era preciso provocar fortes impactos no sistema educativo português para levar à mudança!... (Fica a questão: qual a contribuição destes exames para a definição das políticas de ensino e para a avaliação das mesmas?) Sem querer, nesta altura, questionar a necessidade de correções a fazer, acreditamos que se está a cometer um erro lapidar ao considerar que assim se prova que está tudo mal e que tal caminho é o mais eficaz para provocar a melhoria da qualidade do ensino! Porém, tal como no ano letivo anterior, os alunos e escolas que trabalharam de forma determinada, empenhada e exigente pretendem, por esta via tornar claro que se V.a Ex.cia, como primeiro responsável pelo Ensino, com a legitimidade política democrática que lhe está conferida, tendo o direito de pedir também através dos exames - uma prestação de contas de acordo com o que pretende que seja o padrão de ensino em Portugal, tem o correspondente dever de, em tempo útil, dar as indicações ao sistema de ensino para que se evitasse o desastre que, pelos testes intermédios analisados, se anuncia para todos os alunos, mas em especial para os alunos e escolas que trabalham para atingir os mais exigentes resultados! Sr. Ministro da Educação e Ciência,

6 A melhor síntese da análise dos testes intermédios referidos, resultantes da auscultação de várias escolas, pela sua relevância e realismo, foi pela CONFAP identificada no texto que, com a devida vénia e compreensão de V. Exa., passamos a transcrever: «Conforme nossa conversa ontem e de forma ainda incipiente já que ainda não estamos de posse de todos os resultados, junto um esboço do relatório comparativo de resultados nacionais. Como se pode ver quer a nível nacional quer no agrupamento os resultados são muito baixos e no máximo atingem valores de sucesso de cerca de 50%. O fedd-back de alunos e docentes é de que os testes eram "anormalmente" extensos e de grau de dificuldade elevada com perguntas de interpretação dúbia e de interpretação não directa. Em geral os alunos queixaram-se de não conseguir acabar os testes dada a sua extensão, e pela primeira vez saíram muitos alunos a chorar. O que está em causa não será a questão de o grau de dificuldade dos testes/exames ter que ser maior que no passado ou serem

7 diferentes do que eram a questão que se coloca é que os exames de hoje são para os alunos de "ontem" em termos de normas, enquadramento curricular, regras e princípios orientadores. Colocar os alunos agora a menos de um mês dos exames finais nesta situação não parece curial já que também não é deles de todo a responsabilidade de as Escola estrem assim organizadas e os exames e provas do passado serem mais ou menos fáceis. A questão é que o ensino básico estava organizado no pressuposto de que a escolaridade obrigatória se consubstanciava não só no acesso para todos como no sucesso para todos e este foi sendo tratado em função de análise numérica e estatísticas de "passagem/não passagem" (aprovação dos alunos) e nesse sentido em função dos resultados globais finais serem fracos (elevado níveis de insucesso) iam sendo alargadas as malhas dos critérios e constructos das provas de aferição/exames. Se se pretende mudar o paradigma terá que ser em função das orientações a aplicar daqui para a frente e não para trás e também não se percebe se os decisores acham que por mudar a lei, as regras ou as questões dos exames os alunos e as condições mudam.

8 Estas questões que lhe transmito e conforme falamos resultam de uma análise empírica e ainda não concluída da aplicação do projecto dos testes intermédios e pretende contribuir param a vossa análise e antecipação de que possa vir a acontecer o mesmo nos exames o que seria de evitar.» Estes testes intermédios (e os exames, nesta senda ) continuarão a transformar-se em momentos de grande frustração e desânimo para todas as escolas e alunos, especialmente para os que trabalham com a máxima determinação e as maiores expectativas, seja no sistema público, privado ou cooperativo! Continuando os exames a ser questionados, e a ser arma de arremesso político com argumentos de facilitismo e desadequada exigência, qual será o alcance dos exames como instrumento de melhoria das aprendizagens, como se proclama, daqueles que, em vez de beneficiários, são as maiores vítimas os alunos! O CE da CONFAP

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