Pauta do Grito da Terra Brasil GTB Estadual 2014 APRESENTAÇÃO

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1 APRESENTAÇÃO O ano de 2014 foi eleito oficialmente pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) como o Ano Internacional da Agricultura familiar. Tendo como objetivo aumentar a visibilidade da agricultura familiar no mundo, a estratégia promove o reconhecimento de no mínimo mais três dimensões: o tipo de alimento que está sendo produzido, as formas utilizadas para se produzir e, sobretudo, quem são os envolvidos nessa produção. A escolha, portanto, é uma afirmação da agricultura familiar como base para um desenvolvimento sustentável, com aumento da produção de alimentos, mas com melhor gestão dos recursos naturais. Por outro lado, essa escolha significa um marco na história de homens e mulheres que vivem e trabalham no campo, pois representa a possibilidade de tirar da invisibilidade necessidades de políticas públicas de suporte, de investimentos que garantam a promoção e o fortalecimento da agricultura de base familiar, no Brasil e no mundo. Neste sentido, a Pauta do GTB Grito da Terra Brasil/2014, edição estadual, traz em seu escopo demandas, entendida pelo Movimento de Trabalhadores e trabalhadores rurais de Santa Catarina MSTTR, como urgências que, tomadas como agenda de prioridade, redirecionam a agricultura familiar numa perspectiva de desenvolvimento, baseada, sobretudo, na produção diversificada de alimentos, na geração de emprego e renda e na sustentabilidade do meio ambiente. Entretanto, compreendemos que para construir um desenvolvimento rural sustentável de fato, é preciso haver equilíbrio entre a proteção ambiental e a sobrevivência de trabalhadores que vivem e trabalham nestas propriedades rurais. Defendemos e estimulamos a preservação e conservação do meio ambiente. Contudo, compreendemos que tal estratégia deva estar articulada a implementação de políticas públicas que afirmem o compromisso deste governo com os agricultores familiares do estado. Por meio de ações efetivas que garantam, por exemplo, que pequenas e médias propriedades possam 1 P á g i n a

2 estar ambientalmente legalizadas. Por isso a necessidade urgente da averbação da reserva legal. O Estado de Santa Catarina tem apresentado uma transformação estrutural no espaço rural, por conta de uma redução na população que vive no campo, mas é fundamental reconhecermos que a produção em pequenas e médias unidades familiares em todo estado, é bastante significativa. Dados da própria Secretaria de Agricultura, de 2011, apontam que as propriedades rurais com até 50 ha representam 88,35% do total. Isso demonstra que a agricultura familiar tem um papel social, econômico, ambiental e cultural. E que, portanto, o acesso a serviços de saúde e a permanência de escolas no campo para o atendimento desta população, constitui uma atitude de respeito à cidadania das inúmeras famílias que vivem, trabalham e produzem no campo catarinense. Com base nisso, nesta pauta do Grito da Terra Estadual, esperamos do governo ações e políticas específicas com o objetivo de promover e impulsionar a produção nestas pequenas e médias unidades, proporcionando melhores condições de trabalho e renda aos agricultores familiares, bem como de suas famílias. 2 P á g i n a

3 Pontos Centrais da Pauta Política Agrícola 1. Garantir assistência técnica e pesquisa diferenciada a todos os agricultores familiares e aqüicultores do estado. a. Disponibilizar pelo menos uma equipe profissional da área agrária, com extensionista rural e administrativo em cada município do Estado com infraestrutura necessária para atendimento aos agricultores familiares. 2. Organizar/estruturar centros de distribuição para produtos perecíveis, ampliando assim a demanda por produtos dessa natureza para o PNAE. 3. Enquadrar cooperativas com DAP jurídica no Simples. 4. Garantir a implantação do SUASA em parceria com os Municípios, disponibilizando recursos para contratação de profissionais e infraestrutura adequada. 5. Garantir o suprimento de abastecimento e distribuição de energia elétrica nas áreas urbana e rural, sobretudo nas regiões Planalto Norte e Oeste de Santa Catarina. 6. Garantir a ampliação de redes de energia elétrica e transformação de linhas monofásicas em trifásicas nas propriedades de agricultores familiares. Meio Ambiente 7. Garantir a execução do CAR através do investimento de recursos na formação de multiplicadores ambientais nos municípios para execução simplificada do Cadastro Ambiental Rural para os agricultores. 8. Garantir o registro das Terras dos agricultores sem averbação dos 20% de reserva permanente. 3 P á g i n a

4 Política Agrária 9. Garantir o aporte de recursos para contratação de 300 cotas anuais do Fundo de Terras do estado. Habitação Rural 10. Complementação de repasse financeiro na forma de subsídio no valor de R$5.000,00 para complementação no Programa Nacional de Habitação Rural - PNHR, sem limite de contratação/ano, através de convênio envolvendo o Governo do Estado, a Caixa Econômica Federal e a Fetaesc. 11. Criação pelo Executivo da Lei Estadual de Habitação Rural, levando em consideração o déficit habitacional do Estado e a falta desta política pública para o meio rural, esta lei supriria o problema de anos. Utilizando um percentual do orçamento total do estado. Enfrentamento à violência 12. Garantir a implantação do Programa Mulher Viver sem Violência através da execução efetiva das Unidades Móveis voltadas para a prevenção e atendimento das mulheres nas comunidades rurais. Saúde 13. Ampliar o atendimento em saúde através da contratação de profissionais em distintas especialidades em todos os hospitais regionais viabilizando a realização de exames e atendimentos de média e alta complexidade. 4 P á g i n a

5 Educação do Campo 14. Implantar na SED - Secretaria de Educação, Coordenadoria especifica de Educação do Campo com profissionais que tenham experiência e formação profissional na área, tendo em vista o monitoramento e acompanhamento técnico e pedagógico das escolas, bem como de projetos em Educação do campo no estado. Segurança Pública para o campo 15. Contratação de novos servidores para área de segurança pública e ampliação de infraestrutura para atendimento no meio rural. 16. Ampliar patrulhamento nas comunidades rurais, principalmente durante a realização de festas comunitárias. Acesso dos meios de comunicação e Inclusão Digital 17. Assegurar a população rural o pleno acesso à internet e telefonia. Transporte e logística 18. Implantar serviços em rodovias e acessos, consorciado entre estado e município visando à realização e conservação de ruas e estradas. 19. Garantir a ampliação e a manutenção da malha de asfalto nas rodovias de Santa Catarina visando a preservação da vida, melhoria de segurança e menor custo de transporte. 5 P á g i n a

6 Assalariados 20. Considerando a realidade fática dos Agricultores Catarinenses e o fato de não se ter lançado o e-social como prometido em data de 1º. de maio, o que vem a dificultar a implementação dos contratos de curta duração no estado catarinense, torne-se necessário garantir-se a suspensão da fiscalização trabalhista em face do não cumprimento por parte do Estado quando do lançamento do e-social, gerando uma lacuna para os Agricultores Catarinenses; 21. Implementar a regularização através de Portaria Interministerial o Contrato Descontínuo na Agricultura familiar, de modo a garantir a condição de Segurado Especial ao Agricultor Familiar, tendo em vista atender as peculiaridades de cadeias produtivas que apresentam maturação descontinua, tais como: a maça, o maracujá, o fumo, dentre outros. 22. A Fetaesc apóia a iniciativa do Projeto de Emenda a Constituição da (PEC) 215 e pede sua aprovação. O texto modificado transfere ao Congresso Nacional a competência pela homologação de terras indígenas, hoje apenas da FUNAI. Solicitamos apoio ao Governo do Estado para implantar tais ações (item 21 e 22) que beneficiam a agricultura familiar de Santa Catarina. 6 P á g i n a

7 GESTÃO 2012/2016 DIRETORIA JOSE WALTER DRESCH Presidente LUIZ SARTOR Vice - Presidente ACIR VEIGA Secretário Geral JOAOZINHO ALTHOFF Tesoureiro Geral AGNES M. SCHIPANSKI WEIWANKO Coordenadora Estadual de Mulheres Trabalhadoras rurais ADRIANO GELSLEUCCHTER Coordenador Estadual de Jovens Trabalhadores (as) rurais ALICE ROVARIS DA SILVA Coordenadora Estadual dos Trabalhadores(as) da 3ª idade 7 P á g i n a

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