METODOLOGIA DO TRABALHO ACADÊMICO

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1 METODOLOGIA DO TRABALHO ACADÊMICO

2 METODOLOGIA DO TRABALHO ACADÊMICO

3 IMES Instituto Mantenedor de ensino Superior Metroplitano S/C Ltda. Presidente Superintendente Administrativo e Financeiro Superintendente de Ensino, Pesquisa e Extensão Superintendente de Desenvolvimento e>> Planejamento Acadêmico Diretor Administrativo e Financeiro William Oliveira Samuel Soares Germano Tabacof Pedro Daltro Gusmão da Silva André Portnoi FTC - EAD Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância Diretor Geral Diretor Acadêmico Diretor de Desenvolvimento e Inovações Diretor Comercial Diretor de Tecnologia Gerente de Desenvolvimento e Inovações Gerente de Ensino Gerente de Suporte Tecnológico Coord. de Telecomunicações e Hardware Coord. de Produção de Material Didático Reinaldo de Oliveira Borba Marcelo Nery Roberto Frederico Merhy Mário Fraga Jean Carlo Nerone Ronaldo Costa Jane Freire Luis Carlos Nogueira Abbehusen Osmane Chaves João Jacomel EQUIPE DE ELABORAÇÃO/PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO: PRODUÇÃO ACADÊMICA Gerente de Ensino Jane Freire Autor (a) Maria das Graças Cardoso Moura Supervisão Ana Paula Amorim Coordenação de Curso Letícia Machado PRODUÇÃO TÉCNICA Revisão Final Carlos Magno Brito Almeida Santos Equipe André Pimenta, Antonio França Filho, Angélica de Fátima Jorge, Alexandre Ribeiro, Amanda Rodrigues, Bruno Benn, Cefas Gomes, Clauder Frederico, Francisco França Júnior, Hermínio Filho, Israel Dantas, Ives Araújo, John Casais, Lucas do Vale, Márcio Serafi m, Mariucha Silveira Ponte e Ruberval da Fonseca. Editoração Angélica de Fátima Silva Jorge Ilustração Angélica de Fátima Silva Jorge copyright FTC EAD Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei de 19/02/98. É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorização prévia, por escrito, da FTC EAD - Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância.

4 Sumário O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA 07 O SER HUMANO, A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO 07 Ser Humano, Conhecimento e Saber Tipos de Conhecimento Concepções, Natureza e Dimensões da Ciência Características, Objetivos e Funções da Ciência Atividade Complementar METODOLOGIA CIENTÍFICA E UNIVERSIDADE 18 Método e Estratégia de Estudo e Aprendizagem Leitura e Análise de Textos Técnica para Sublinhar; Técnica para Esquematizar; Técnica para Fichar;Técnica para Resumir A Metodologia Científica aplicada às Ciências Sociais PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO CONHECIMENTO 40 ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS 40 Estrutura e Redação de Trabalhos Acadêmicos Estrutura e Redação de Trabalhos Acadêmicos; Redação Científica ( Normas da ABNT ) Seminário, Painel e Mesa Redonda Cases, Palestra, Conferência e Congresso

5 A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES 50 Conceito de Pesquisa Científica. Finalidades e Requisitos da Pesquisa Científica Linguagem Científica; Tipos de Pesquisa Científica; Pesquisa Quantitativa e Pesquisa Qualitativa Projeto de Pesquisa Científica; Relatório de Pesquisa Monografia Referências Bibliográficas

6 Apresentação da Disciplina Estimados Alunos, A humanidade tem passado por mudanças significativas a partir das últimas décadas, precisamente nesse período que vem sendo chamado de globalização. Desde o advento da imprensa, que pode ser considerado o grande marco distintivo da cultura moderna, quando o conhecimento produzido e acumulado pela humanidade começou a ser socializado, não assistimos a tantas mudanças em termos de disseminação do conhecimento. Frente às sucessivas mudanças que vem ocorrendo no mundo, evidenciamos a necessidade do homem estar preparado para as demandas sociais, o mercado de trabalho, o conhecimento pluricultural, as novas tecnologias da informação etc. Por isso, investir no estudo e na pesquisa, enfim, na construção do conhecimento, no desenvolvimento do espírito científico e do pensamento crítico e reflexivo é o mais seguro método para alcançarmos o progresso da ciência e da humanidade. Nossa disciplina é o eixo norteador que lhe dará subsídios para a sistematização dos conhecimentos adquiridos em todas as outras disciplinas ao longo do curso, viabilizando a instrumentalização de normas e procedimentos acadêmicos e científicos importantes e necessários para a sua vida profissional. Desta forma, ela visa contribuir na formação/desenvolvimento/aprimoramento do espírito crítico-reflexivo acerca das diferentes possibilidades do conhecer e formular acadêmica e profissionalmente proposições fazendo uso, de modo sistemático, da Metodologia do Trabalho Acadêmico. Portanto, nossa postura diante do curso, dos textos, das atividades e dos conteúdos que serão trabalhados ao longo de todo o processo é que nos oportunizará absorver os conhecimentos necessários para a compreensão das constantes mudanças que estamos vivendo nos últimos tempos. Desejo discernimento, iniciativa e realizações. Profª. Ana Paula Amorim 5

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8 O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA O SER HUMANO, A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO SER HUMANO, CONHECIMENTO E SABER No dia-a-dia, o ato de conhecer se manifesta tão natural que não nos damos conta da sua complexidade. Desde cedo, os mestres nos falam da necessidade de aprender a conhecer o mundo e posteriormente da necessidade de autoconhecimento. Assim, entramos na engrenagem do conhecimento do mundo, considerado real, sem colocar em pauta o que signifi ca conhecer. Todavia, à medida que nos defrontamos, na relação com o mundo, com os vários campos e formas de conhecimento, entramos num emaranhado de conceitos. Você já parou para pensar que estamos adquirindo conhecimento? Se levarmos em consideração que aprendemos e adquirimos conhecimento com as relações, e que estamos constantemente interagindo, seja com pessoas ou até mesmo conosco, é fácil perceber que conhecer é uma forma de estar no mundo. Partindo da etimologia da palavra, o termo conhecimento vem do latim cognoscere, que significa conhecer pelos sentidos. Desta forma, conhecimento é o atributo geral que têm os seres vivos de reagir ativamente ao mundo circundante, na medida de sua organização biológica e no sentido de sua sobrevivência. É o pensamento que resulta da relação que se estabelece entre o sujeito que conhece e o objeto a ser conhecido. Analisando a palavra francesa connaissance, podemos observar que conhecimento é nascer (naissance) com (con). Os homens se marcam como diferentes dos outros seres exatamente pela capacidade de conhecer. Diferentemente dos outros animais, os homens são os únicos seres que possuem razão, capacidade de relacionar e ir além da realidade imediata. O conhecimento é uma forma de estar no mundo, e o processo do conhecimento mostra aos seres humanos que eles jamais são alguma coisa pronta na medida em que estão sempre nascendo de novo, quando têm a coragem de se mostrarem abertos diante da realidade. 7

9 Parece complexo, não é? Metodologia do Trabalho Acadêmico Mas, observe: os sujeitos têm a capacidade de fazer conhecimento, usar conhecimento, posicionar-se diante do conhecimento. Pensando desta forma, começamos a desmistifi car essa complexidade. O conhecimento é o atributo geral que têm os seres vivos de reagir ativamente ao mundo circundante, na medida de sua organização biológica e no sentido de sua sobrevivência. O ser humano, utilizando suas capacidades, procura conhecer o mundo que o rodeia. Desta forma, a informação, assim como a prática de vida, resulta em conhecimentos. Capacidade dos seres humanos quanto ao conhecimento Vejamos! O sujeito PRODUZ conhecimento quando ele está criativamente no mundo, ou seja, quando ele faz conhecimento. O fazer conhecimento implica exatamente em estar despojado de certezas absolutas acerca da realidade e estar aberto não só para reavaliar uma verdade da realidade como também reavaliar sua própria capacidade no trabalho do conhecer. Quando passa a USAR o conhecimento, o sujeito está simplesmente no mundo, ou seja, a realidade ao conhecimento que já está pronto. E, da mesma maneira, aquele que usa não exercita sua capacidade de renovação de visões da realidade, ficando estacionária não só a maneira de se relacionar com a realidade, mas também a possibilidade daquele nascer, porque esse uso passa a ser apenas o consumir o que está pronto. Toda utilidade técnica propõe um consumo de conhecimento. Quando passa a POSICIONAR-SE diante do conhecimento, ou seja, quando age criticamente no mundo, o sujeito relaciona o fazer e o usar do conhecimento de maneira dialética, porque o conhecimento é feito pelos seres humanos, é utilizado por eles e, fatalmente, de qualquer maneira, utilizado em função deles. Vejamos no quadro abaixo uma síntese de como ocorre o conhecimento no homem. À primeira vista pode até parecer complicado, mas é só impressão... Lembre-se que,entender o conhecimento é entender a nossa realidade. Logo, nos deparamos com ele a todo instante, sem nos darmos conta. 8

10 TIPOS DE CONHECIMENTO O conhecimento consiste numa relação sui generis entre a consciência cognoscente e o objeto conhecido. Mediante a imagem, a consciência cognoscente se identifica com o objeto. Cumpre observar que o fenômeno do conhecimento, embora pareça simples, envolve uma multiplicidade de atos. Em primeiro lugar, os sentidos apreendem ou produzem ou evocam imagens. Tanto mais complexo o fenômeno do conhecimento, mais longo é o caminho indutivo ou dedutivo percorrido para se chegar a uma conclusão. O raciocínio denomina-se, especialmente, discursivo porque a mente discorre, corre, flui, move-se, caminhando do antecedente ao conseqüente. Entretanto, além da forma discursiva do conhecimento racional, incumbe apreciar a questão relativa ao conhecimento intuitivo, isto é, imediato ou sem passagem de antecedente para conseqüente, sem comparações. Intuere significa ver; intuição é uma espécie de conhecimento que, pela sua característica de atingir o objeto sem meio ou sem os intermediários das comparações, assemelha-se ao fenômeno do conhecimento sensorial, especialmente da visão. A intuição sensorial existe com toda evidência, pois os sentidos não analisam, não comparam, não julgam; o conhecimento que se tem da temperatura da água de uma vasilha surge imediatamente, tão logo se a toque com a mão; o prazer ou a dor que se experimenta é um dado de experiência interna apreendido imediatamente. Além da intuição sensorial de experiência interna e externa, existirá uma forma de conhecimento relacional, intelectual, espiritual, também intuitivo? A evidência lógico-metafísica dos primeiros princípios lógicos, éticos ou estéticos, bem como as relações transcendentais do ser, são apreendidas imediatamente, sem necessidade de meio, sem discurso, sem movimento. E, quando se fala de intuição como modo de conhecimento, entende-se a intuição intelectual, e não a sensorial. Por outro lado, não seria exato falar-se em intuição racional, pois razão implica não só no fato geral do conhecimento, mas também no seu modo de conhecer raciocinando, isto é, discorrendo, correndo, fl uindo, movendo-se do antecedente conhecido à procura do conseqüente supostamente desconhecido ou ainda não explicitado no processo de conhecimento. Deve-se ressaltar que o conhecimento intuitivo não substitui outros modos de conhecimento; ele pode ser de suma valia na vida prática e nas convicções pessoais de cada um. Mas, por ser de ordem dominantemente subjetiva, não pode aspirar à autonomia ou ao valor objetivo do conhecimento científico ou do conhecimento racional discursivo, cujas conclusões, demonstradas, têm valor geral e objetivo. Ademais, todo conhecimento intuitivo deve submeterse, posteriormente, ao tribunal da razão discursiva ou da experimentação científica. No que se refere ao conhecimento racional, podemos categorizálo em quatro: senso comum ou popular; ciência ou científi co; fi losofi a ou fi losófi co; e teologia ou religioso. Apesar desta separação metodológica e categórica, no processo de apreensão da realidade do objeto, o sujeito pode penetrar nas diversas categorias. Por sua vez, estas formas de conhecimento podem coexistir na mesma pessoa: um cientista, voltado ao estudo da física, pode ser praticante de determinada religião, estar filiado a um sistema filosófico e, em muitos aspectos de sua vida cotidiana, agir segundo conhecimentos provenientes do senso comum. Antes de defi nirmos cada um deles, é preciso indagar-nos: Qual a contribuição que cada tipo de conhecimento traz? De um modo ou de outro, cada tipo de conhecimento agrega valor ao ser humano. 9

11 Vamos a eles... Metodologia do Trabalho Acadêmico Conhecimento Popular Denominado de popular ou senso comum, resulta do modo espontâneo e corrente de conhecer. É o conhecimento do dia-a-dia e se obtém pela experiência cotidiana. Suas características são: superfi cial, isto é, conforma-se com a aparência; sensitivo e valorativo, ou seja, referente a vivências, estados de ânimo e emoções da vida diária; subjetivo, pois é o próprio sujeito que organiza suas experiências e conhecimentos; assistemático, pois esta organização das experiências não visa a uma sistematização das idéias; acrítico, pois a pretensão de que esses conhecimentos o sejam não se manifesta sempre de uma forma crítica; assistemático, por basear-se na organização particular das experiências próprias do sujeito cognoscente e não em uma sistematização das idéias; verifi cável, visto que está limitado ao âmbito da vida diária e diz respeito àquilo que se pode perceber no dia-a-dia; e, fi nalmente, falível e inexato, pois se conforma com a aparência e com o que se ouviu dizer a respeito do objeto. Em outras palavras, não permite a formulação de hipóteses sobre a existência de fenômenos situados além das percepções objetivas. Conhecimento Científico É o conjunto organizado de conhecimentos sobre um determinado objeto, em especial obtidos mediante a observação, a experiência dos fatos e um método próprio. Diversamente do que acontece com o conhecimento vulgar, o conhecimento científi co não atinge simplesmente os fenômenos na sua manifestação global, ele é caracterizado pela capacidade de analisar, de explicar, de desdobrar, de justifi car, de induzir ou aplicar leis, de predizer com segurança eventos futuros. Ele explica os fenômenos e não só os apreende. O conhecimento científi co é crítico, rigoroso, objetivo, nasce da dúvida e se consolida na certeza das leis demonstradas. É real (factual) porque lida com ocorrência ou fatos; constitui um conhecimento contingente, pois suas proposições ou hipóteses têm sua veracidade ou falsidade conhecida através da experiência; é sistemático, já que se trata de um saber ordenado logicamente; é verifi cável, visto que as afi rmações (hipóteses) que não podem ser comprovadas não pertencem ao âmbito da ciência; é falível, em virtude de não ser definitivo, absoluto ou final e, por este motivo, é aproximadamente exato: novas proposições e o desenvolvimento de técnicas podem reformular o acervo de teoria existente. Conhecimento Filosófico O primeiro sábio que utilizou a palavra Filosofia foi Pitágoras, no século VI a.c. Em sentido etimológico, Filosofia significa devotamento à sabedoria / amigo da sabedoria, isto é, interesse em acertar nos julgamentos sobre a verdade e a falsidade, sobre o bem e sobre o mal. Para Aristóteles, a Filosofia era a ciência de todas as coisas pelas últimas causas, isto é, pelas causas e razões mais remotas e que, por isso mesmo, ultrapassam as possibilidades, o campo e o método das ciências particulares, a estas incumbe a investigação das causas próximas observáveis e controláveis pelos recursos do método científi co ou experimental. 10

12 É importante destacar que a Filosofi a usa princípios racionais, procede de acordo com as leis formais do pensamento, tem método próprio, predominantemente dedutivo, nas suas colocações críticas. Portanto, ela indaga, traça rumos, assume posições, estrutura correntes que inspiram ou dominam mentalidades em determinados períodos, mas que, em seguida, perdem vigor diante de novas concepções, que geralmente hostilizam as anteriores, à maneira das correntes literárias, das artes em geral ou das religiões. O conhecimento filosófico é valorativo, pois seu ponto de partida consiste em hipóteses que não poderão ser submetidas à observação, as hipótese fi losófi cas baseiam-se na experiência, portanto este conhecimento emerge da experiência e não da experimentação ; por este motivo, o conhecimento fi losófi co é não verifi cável, já que os enunciados das hipóteses filosóficas não podem ser confirmados nem refutados, ao contrário do que ocorre no campo da ciência; é racional, em virtude de consistir num conjunto de enunciados logicamente correlacionados; é sistemático, pois suas hipóteses e enunciados visam a uma representação coerente da realidade estudada, numa tentativa de apreendê-la em sua totalidade; é infalível e exato, já que seus postulados, assim como suas hipóteses, não são submetidos ao decisivo teste da observação (experimentação). Portanto, o conhecimento fi losófi co é caracterizado pelo esforço da razão pura para questionar os problemas humanos e poder discernir entre o certo e o errado, unicamente recorrendo às luzes da própria razão humana. Conhecimento Religioso O conhecimento religioso supõe e exige a autoridade divina; nela se fundamenta e só a ela atende, a ciência, ao contrário, não supõe, não exige, não admite autoridade; a ciência só admite o que foi provado, na exata medida em que se podem comprovar experimentalmente os fatos. A Teologia não demonstra o dogma; apela para a autoridade divina que o revelou; exige fé; a ciência demonstra os fatos e só se apoia na evidência dos fatos. Apóia-se em doutrinas que contêm proposições sagradas (valorativas), por terem sido reveladas pelo sobrenatural (inspiracional) e, por esse motivo, tais verdades são consideradas infalíveis e indiscutíveis (exatas); é um conhecimento sistemático do mundo (origem, signifi cado, fi nalidade e destino) como obra de um criador divino; suas evidências não são verifi cáveis: está sempre implícita uma atitude de fé perante um conhecimento revelado. Assim, o conhecimento religioso parte do princípio de que as verdades tratadas são infalíveis e indiscutíveis, por consistirem em revelações da divindade. O conhecimento religioso vai favorecer atitudes éticas em busca do bem comum. Vale salientar que a processualidade do saber, quer científico quer filosófico, de forma alguma vem denegrir a ciência e a fi losofi a; pelo contrário, vem reconhecer seu verdadeiro estatuto. Só se sentem denegridos os cientistas e fi lósofos obtusos e dogmáticos, porque, no fundo, não querem ver morrer seus ídolos. E tudo isso nada tem a ver com ceticismo, pois o cético simplesmente não acredita na possibilidade de conhecimento. Aqui se trata apenas de revelar os limites do conhecimento, nunca de negar sua possibilidade. Tanto o conhecimento vulgar como o científi co, tanto o conhecimento fi losófi co como o teológico alimentam o mesmo propósito e lutam pelo mesmo objetivo, que é o de chegar à verdade sobre o homem e sobre o Universo, sobre o ser e sobre cada uma das realidades que constituem infi nitos segmentos da natureza. Para compreender efetivamente os tipos de conhecimento, relacionando-os, analise atentamente o quadro a seguir. 11

13 Metodologia do Trabalho Acadêmico Fonte: SANTOS, Izequias Estevam dos. Textos selecionados de métodos e técnicas de pesquisa científi ca. 3. ed. Rio de Janeiro: Impetus, CONCEPÇÕES, NATUREZA E DIMENSÕES DA CIÊNCIA Ciência sem consciência não é senão a ruína da alma. (Rabelais) O homem sempre empreendeu esforços em busca da verdade, da compreensão do real, da explicação de sua natureza interna e da natureza externa que o cerca, sempre buscando dar conta das questões sobre seu surgimento, seu papel no planeta, enfim, a razão da sua existência, a melhor maneira de superar os desafios. Nas diferentes dimensões do conhecimento humano, o homem apresenta respostas e avança quanto à compreensão do mundo. Visto que a ciência é fruto da tendência humana para procurar respostas e justificações positivas e convincentes, nesse conteúdo iremos analisar a natureza da ciência, conceituando seu aspecto lógico como método de raciocínio e de inferência acerca dos fenômenos já conhecidos ou a serem investigados. A ciência aumentou sobremaneira a capacidade de instrumentalização do homem. Desenvolvendo tecnologias avançadas, liberou a mão de obra para atuar na área de serviços e pesquisas científi cas. À medida que a ciência avança, o indivíduo se torna cada vez mais capaz de dominar as circunstâncias à sua volta. 12

14 Então... Etimologicamente, a ciência deriva do latim scientia, isto é, conhecimento, arte, habilidade. Ela pode ser entendida como uma sistematização de conhecimentos, um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar. Para Ander-Egg (1978) a ciência é um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente, sistematizados e verifi cáveis, que fazem referência a objetos de uma mesma natureza. Para Freire-Maia (1991) a ciência é um conjunto de descrições, interpretações, teorias, leis, modelos, etc., visando ao conhecimento de uma parcela da realidade, em contínua ampliação e renovação, que resulta da aplicação deliberada de uma metodologia especial (metodologia científi ca). Desses conceitos emana a característica de apresentar a ciência como um pensamento racional, objetivo, lógico e confi ável. Não existe uma concepção única de ciência. Podemos dividi-la em períodos históricos, cada um com modelos e paradigmas teóricos diferentes a respeito da concepção de mundo, de ciência e de método, destacando-se três grande concepções: a ciência grega, que abrange o período que vai do século VIII a. C. até o final do século XVI; a ciência moderna, do século XVII até o início do século XX; e a ciência contemporânea, que surge no início deste século até nossos dias. Com os gregos, a ciência é conhecida como fi losofi a da natureza. Tinha como única preocupação a busca do saber, a compreensão da natureza das coisas e do homem. A concepção de ciência moderna opõe-se à ciência grega e ao dogmatismo religioso. Propõe como caminho do conhecimento, o caminho da ciência, através do experimentar, do medir e comprovar. Surge o cientifi cismo, isto é, a crença de que o único conhecimento válido era o científi co e de que tudo poderia ser conhecido pela ciência. A visão contemporânea de ciência na incerteza e na ruptura com o cientifi cismo (dogmatismo e a certeza da ciência). É o contexto de crise da ciência e da ruptura do paradigma cartesiano, fundamentado na experiência e adotando a indução e a confi rmabilidade para constatar a certeza de seus enunciados. E então, mãos à obra! Lembre-se que quanto mais informações adquirimos mais condições temos de construir conhecimento. Portanto, busque investigar um pouco mais acerca dessas concepções de ciência: ciência grega, ciência moderna e ciência contemporânea. Aproveite para descobrir outras concepções de ciência que não estão citadas aqui. Natureza / Dimensão da Ciência Além da mente humana e como um impulso livre, cria-se a ciência. Esta se renova, assim como as gerações, frente a uma atividade que constitui o melhor jogo do homo ludens (Jacques Barzun) 13

15 Para compreendermos a natureza e dimensão da ciência, observemos a fi gura abaixo: Metodologia do Trabalho Acadêmico Em se tratando de analisar a natureza da ciência, podem ser explicitadas duas dimensões, na realidade inseparáveis, ou seja, a compreensiva (contextual ou de conteúdo) e a metodológica (operacional), abrangendo tanto aspectos lógicos quanto técnicos. Pode-se conceituar o aspecto lógico da ciência como o método de raciocínio e de inferência acerca dos fenômenos já conhecidos ou a serem investigados; em outras palavras, pode-se considerar que o aspecto lógico constitui o método para a construção de proposições e enunciados, objetivando, dessa maneira, uma descrição, interpretação, explicação e verificação mais precisas. Podemos ainda considerar a natureza da ciência sob três aspectos. São eles: CARACTERÍSTICAS, OBJETIVOS E FUNÇÕES DA CIÊNCIA As ciências caracterizam-se por possuírem: a) objetividade ou finalidade - preocupação em distinguir a característica comum ou as leis gerais que regem determinados eventos; b) função - aperfeiçoamento, através do crescente acervo de conhecimentos, da relação do homem com o seu mundo; c) objeto - subdividido em material, aquilo que se pretende estudar, analisar, interpretar ou verifi car, de modo geral; formal, o enfoque especial, em face das diversas ciências que possuem o mesmo objeto material. 14

16 Suas principais características são: É racional; Representa a realidade; Promove uma discussão sistemática e questionadora; É analítica; É coerente; Exige investigação e utiliza-se de métodos científi cos; É comunicável. Pode-se classifi car as ciências em duas grandes categorias: formais e empíricas. As primeiras tratam de entidades ideais e de suas relações, sendo a Matemática e a Lógica as mais importantes. As segundas tratam de fatos e de processos, incluem-se nesta categoria ciências como a Física, a Química, a Biologia, a Psicologia. As ciências empíricas, por sua vez, podem ser classifi cadas em naturais e sociais. Dentre as ciências naturais estão: a Física, a Química, a Biologia, a Astronomia. Dentre as ciências sociais estão: a Sociologia, a Antropologia, a Ciência Política, a Economia, a Psicologia, a História. De maneira geral, a ciência possui características e exigências comuns a serem consideradas. São elas: Conhecimento pelas causas (racionalismo) Implica em conhecer pelas causas. Se o cientista observa a chuva, ele quer saber porque chove, dispensando a infl uência dos deuses. Utiliza-se o raciocínio analítico, lógico e despojado de impactos emocionais. Trata-se da racionalização do conhecimento. Profundidade e generalidade de suas condições O conhecimento pelas causas é o modo mais íntimo e profundo de se atingir o real. A ciência não se contenta em registrar fatos, quer também verifi car a sua regularidade, a sua coerência lógica, a sua previsão, etc. A ciência generaliza porque atinge a constituição íntima e a causa comum a todos os fenômenos da mesma espécie. A validade universal dos enunciados científicos confere à ciência a prerrogativa de fazer prognósticos seguros. Objeto formal A fi nalidade da ciência é manifestar a evidência dos fatos e não das idéias. Procede por via experimental, indutiva, objetiva; suas demonstrações consistem na apresentação das causas físicas determinantes ou constitutivas das realidades experimentalmente controladas. Não se submete a argumentos de autoridade, mas tão-somente à evidência dos fatos. Controle dos fatos Ao utilizar a observação, a experiência e os testes estatísticos tenta dar um caráter de exatidão aos fatos. Embora os enunciados científicos possam ser passíveis de revisões pela sua natureza tentativa, no seu estado atual de desenvolvimento, a ciência fixa degraus sólidos na subida para o integral conhecimento da realidade (Ruiz, 1979, pp. 124 a 126). 15

17 Exige investigação e a utilização de métodos Metodologia do Trabalho Acadêmico Investigar implica em pesquisar, e a ciência ocorre à base de questionamentos, buscas e descobertas. Na ciência, a investigação é também a disposição do pesquisador em submeter-se a um rigor metodológico. É comunicável Os estudos e resultados das investigações científicas devem ser comunicados à sociedade. Para tal, o cientista deve fazer uso das defi nições, conceitos e termos a fi m de representar fi elmente as idéias que quer expressar. Objetivos e Funções da Ciência Os objetivos da ciência são determinados pela necessidade que o homem tem de compreender e controlar a natureza das coisas e do universo. Delineados os objetivos, cabe à ciência realizar suas três funções, a saber: descrever, explicar e prever os dados que permeiam a realidade em estudo. Segundo Ferrari (1982), a ciência ainda deve proporcionar aumento e melhoria de conhecimento; descoberta de novos fatos e fenômenos; aproveitamento espiritual; aproveitamento material do conhecimento. O papel da Ciência: Aumento e melhoria do conhecimento; Descoberta de fatos e fenômenos; Aproveitamento espiritual e material do conhecimento; Estabelecimento de certo tipo de controle sobre a natureza. Atividades Complementares 1.Agora que você já aprendeu o que é conhecimento e como ele pode ser categorizado, relacione as principais características de cada um dos diversos tipos de conhecimento. Vamos lá! É importante que teste sua memória. Olhar no texto...não vale! 16

18 2.Você já aprendeu os tipos de conhecimento e suas principais características. Agora que você já se apropriou desses conceitos e características já pode construir sua própria concepção de conhecimento. Para você, como o homem adquire conhecimento e de que forma ele pode usar desse conhecimento em prol de uma sociedade mais justa e equilibrada? 3. Agora que você já compreendeu o que é ciência, e já se apropriou de alguns dos seus elementos e características, já é possível fazer algum juízo de valor acerca da ciência. Portanto, descreva as principais concepções de ciência e as características que as diferem umas das outras. 4. Na medida em que evoluímos no tempo, tem sido cada vez mais evidente o nível de casos em que estamos inseridos, seja social seja individual. Mesmo com a evolução e os avanços da ciência, a humanidade ainda tem sofrido uma série de epidemias que se alastram assustadoramente e uma série de crises sociais que parecem não ter fi m. Será que a ciência tem se desvirtuado da sua função principal? Expresse sua refl exão sobre esse questionamento num texto de 05 linhas. 17

19 5. Qual o real papel da ciência? Com base no texto e na sua construção acerca da vida como um todo, expresse sua opinião em um texto de 05 linhas. Metodologia do Trabalho Acadêmico METODOLOGIA CIENTÍFICA E UNIVERSIDADE Metodologia Científica não é um simples conteúdo ministrado através de um componente curricular. É uma disciplina que está intimamente relacionada com o estudo crítico dos fatos. Ela estuda e avalia os métodos disponíveis e suas implicações, além de avaliar as técnicas de pesquisa. De modo geral, ela é uma reunião de procedimentos utilizados por uma técnica. Trata-se de fornecer aos estudantes um instrumental indispensável para que sejam capazes de atingir os objetivos da Academia, que são o estudo e a pesquisa em qualquer área do conhecimento. Portanto, trata-se de se aprender fazendo, como sugerem os conceitos mais modernos da Pedagogia. É através da Metodologia Científi ca que ocorre o contato entre o conhecimento e a análise crítica, possibilitando a ampliação do saber, posicionando-o no plano sóciohistórico e político. Vale considerar que a Metodologia Científi ca não aponta soluções, mas indica o caminho para encontrá-las. O que se deve fazer na medida do possível, é seguir rigorosamente as regras defi nidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT - para elaboração de trabalhos científi cos. Caso alguma regra não esteja sendo cumprida, a responsabilidade é da desatenção do autor. Quando falamos de um curso superior, estamos nos referindo, indiretamente, a uma Academia de Ciências, já que qualquer Faculdade nada mais é do que o local próprio da busca incessante do saber científi co. Neste sentido, a Metodologia Científi ca tem uma importância fundamental na formação do profi ssional. Se os alunos procuram a Academia para buscar saber, precisamos entender que Metodologia Científica nada mais é do que o estudo dos caminhos do saber, se entendermos que método quer dizer caminho, logia quer dizer estudo e ciência quer dizer saber. Visto que essa disciplina permite o questionamento da realidade, ela tem função também de oferecer suporte à Pesquisa Científi ca. Desta forma, ela pode ser entendida como uma abstração, observando-se a relação intrínseca entre o conhecer e o intervir. A sua maior importância está na apresentação e exame de diretrizes para a efi cácia do estudo e da aprendizagem. Ela está sincronicamente relacionada com o principal objetivo da universidade que é ensinar e divulgar o procedimento científi co. Portanto, para adquirir o método de estudo mais adequado e conveniente, o estudante deve fazer uso dos fundamentos e estratégias da Metodologia Científica, a fim de sistematizar o conhecimento que o orientará no processo de investigação para tomadas de decisão oportunas na busca do saber e na formação do seu espírito crítico. 18

20 MÉTODO E ESTRATÉGIA DE ESTUDO E APRENDIZAGEM Estudar corresponde a trabalhar. Exige empenho responsável e dedicação generosa. Conseqüentemente, pressupõe sacrifícios e escolhas conscientes. Quem de fato quer estudar deve estabelecer uma hierarquia de valores em sua vida. Já vimos anteriormente que o vocábulo metodologia vem do grego methodos (meta + hodos = caminho), em latim methodus, e indica um caminho para chegar a um fim ou a um determinado resultado. Nos estudos, a metodologia pretende oferecer ao estudante os instrumentos necessários e úteis para obter êxito no seu trabalho intelectual, tornando assim essa atividade menos pesada e mais eficiente. Agir metodologicamente é condição básica de qualquer pesquisa científica, por mais elementar que seja. Trata-se efetivamente de um conjunto de processos que o espírito humano deve empregar na investigação e demonstração da verdade. Não devemos considerar o método como o essencial, lembrar que ele é um instrumento intelectual, um meio de acesso, enquanto a inteligência, junto com a reflexão, descobre o que os fatos realmente são. Um estudo é efi caz quanto se torna signifi cativo, isto é, quando os novos conhecimentos e informações são assimilados pessoalmente e confrontados e integrados no complexo de conhecimentos já existentes, podendo ser reutilizados em outras situações. Assim, o estudo contribui para a formação integral da pessoa e de sua maturação. Levando em consideração esse aspecto, é importante que aprendamos algumas técnicas para estudar. Alguma vez você já parou e se questionou quanto ao seu método de estudo? Já se perguntou se a falta de compreensão de uma determinada leitura está associada a como você está estudando? Pois então... Vamos destacar o método correto de estudo e, após análise, você verá se o faz corretamente. Fundamentos do Método do Estudo Entre duas pessoas que tenham o mesmo grau de escolaridade, processos cognitivos semelhantes e graus de motivação semelhantes, certamente aquele que fizer uso de um método de estudar compatível terá melhor rendimento. A eficiência do estudo depende de método, mas o método depende de quem o aplica, da maneira como o faz, adequando-o as suas necessidades e convicções. Podemos citar como pontos essenciais para eficiência nos estudos o que se segue: a) finalidade: desenvolver hábitos de estudo eficientes que não se restrinjam apenas a determinado setor de atividade ou matéria específica; b) abrangência: servir de instrumento a todos os que tenham as mesmas necessidades e interesses, em qualquer fase de desenvolvimento e escolaridade, podendo aperfeiçoarse à medida que o indivíduo progride, através de seus próprios recursos. 19

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