CONCURSO DE EXPERIÊNCIAS INOVADORAS NA FORMAÇÃO DOCENTE SEGUNDA EDIÇÃO DO PRÊMIO PAULO FREIRE

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1 CONCURSO DE EXPERIÊNCIAS INOVADORAS NA FORMAÇÃO DOCENTE SEGUNDA EDIÇÃO DO PRÊMIO PAULO FREIRE Esta iniciativa objetiva conhecer e compartilhar práticas inovadoras na Formação e Desenvolvimento Profissional Docente que foram ou estão sendo desenvolvidas na Argentina, no Brasil, no Uruguai e no Paraguai. PASEM considera a inovação como Transformações precisas as quais, no campo da educação e da formação, concebem e põem em marcha dispositivos novos ou específicos e, simultaneamente, os analisam e os avaliam (IV Bienal de Educação e formação. Paris 1998). Trata-se de um conjunto de práticas que não só procuram novos percursos formativos, mas também, incluem práticas de documentação e sistematização nas quais envolve o coletivo responsável da inovação. Poderão participar: Professores responsáveis por cursos de formação inicial e continuada, Equipes institucionais ou interinstitucionais, Diretores de instituições de formação docente, Funcionários responsáveis pela gestão de políticas de inovação na formação docente. Requisitos para a inscrição: Ter desenvolvido as experiências entre os anos de 2010 e 2013 ou estar atualmente em desenvolvimento há, pelo menos, um ano. Estar devidamente documentada com material empírico e depoimentos diretos. Contar com resultados identificáveis por parte dos seus responsáveis e seus destinatários. Ser apoiada pela instituição que desenvolveu o projeto e/ou a/s instituição/ões destinatária/s. Nesta segunda edição do Concurso foram selecionados para documentação e envio de experiências inovadoras, com as seguintes temáticas: EIXO 1: O PERCURSO NA PRÁTICA PROFISSIONAL OU NO ÂMBITO DA FORMAÇÃO INICIAL DOCENTE O processo pelo qual os docentes vão construindo sua profissionalidade, a atuação profissional, o desempenho na carreira, tem uma historicidade que as investigações do campo da formação e do desenvolvimento profissional docente reconhecem há mais de trinta anos. Algumas destas pesquisas têm apontado conclusões que são centrais para repensar os contextos da prática da formação dos estudantes de licenciatura (Terhart, 1987) As reformas dos currículos de formação de professores têm buscado alternativas curriculares que permitam aos futuros docentes ressignificar a própria experiência escolar e se preparar para uma inserção profissional crítica e propositiva, de modo que a experiência de escolarização e a socialização laboral constituam espaços para analisar, compreender e assim, tornarem-se

2 experiências profissionalizantes. Além disso, as políticas curriculares da formação docente objetivando mudar esta realidade vêm propondo que a formação prática seja intensificada desde o início do processo formativo, reconhecendo a importância epistemológica da prática, e da inserção precoce dos alunos nos diferentes contextos educativos, da educação formal e não formal. O PERCURSO NA PRÁTICA PROFISSIONAL OU NO ÂMBITO DA FORMAÇÃO INICIAL DOCENTE O percurso da prática profissional é definido como um conjunto integrado de ações pedagógicas sistemáticas que tendem a proporcionar aos docentes ou licenciando experiências diretas durante o processo educativo. Constituem o primeiro contacto com a realidade educacional aluno-professor em que eles vão lidar com a realidade educativa na qual eles vão atuar, analisando o seu papel como educador e aplicar, na prática, todos os conhecimentos adquiridos durante a sua formação inicial. Neste eixo serão consideradas as experiências no âmbito de prática profissional e/ ou na formação inicial dos professores para os diferentes níveis modalidades dos sistemas de educação dos países do MERCOSUL. As experiências inovadoras a ser considerados podem ter sido desenvolvidas durante todo o curso ou em algum ano específico de formação inicial. Serão consideradas as experiências na formação inicial de professores que atuam em diferentes níveis e modalidades dos sistemas educativos dos países. As experiências inovadoras poderão vincular-se com: Espaços e contextos: refere-se aos diferentes contextos que se dá o percurso da prática profissional e/ou da formação inicial. São espaços alternativos e diferentes do formalmente proposto pelo currículo prescrito para determinado curso. Conteúdos: Os conteúdos são essenciais no processo formativo. Para fins deste concurso destina-se a abordar conteúdos que não são contemplados pelo plano de estudos ou currículo para a formação inicial dos professores; seja porque são conteúdos que foram atualizados, potencialmente mais significativo, contextualizado, em articulação com outras áreas, ou conteúdo incorporado por uma revisão ou replanejamento. Ações: Refere-se a ações realizadas o propostas pelas áreas/disciplinas de práticas que sejam inovadoras, no contexto local em que se desenvolvem. Estratégias de formação: Podem ser várias as estratégias de formação: interativa, sujeitas a revisão e ajuste no processo, adaptada às necessidades de aprendizagem. A inclusão de atores não tradicionais: se são articuladas ações, por meio de práticas com outras instituições, família e outros setores da comunidade (empresas, ONGs, agências governamentais, etc.) para facilitar o desenvolvimento de crianças, adolescentes, jovens, adultos ou idosos. Pesquisa-Ação: quando a prática se torna objeto de investigação a aprendizagem é inevitável. Entender a prática como uma a experiência que leva ao conhecimento e requer uma atitude investigativa, uma estratégia metodológica e condições organizacionais que o torne possível. Se quisermos melhorar a pesquisa-ação, é preciso: incentivar os alunos/

3 profissionais a problematizar e investigar própria prática; rigorosidade na coleta de dados; compartilhar análise de dados; abrir-se a opiniões críticas e aprofundar as interpretações. EIXO 2: PRÁTICAS INOVADORAS DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE O respeito e a atenção a diversidade são dois pilares sobre os quais se assenta a concepção de educação que deve embasar a constituição de uma sociedade com vocação para avançar no pluralismo democrático. (Devalle y Veja, 2006). O reconhecimento da diversidade implica o reconhecimento da alteridade dos indivíduos, da sua individualidade (ser original e único) e das diferenças que não são passíveis de tolerância, mas sim de respeito. É fundamental compreendermos que no contexto das relações de poder, os grupos humanos além de classificarem as diferenças, também as hierarquizam, colocando-as em escalas de valor e subalternizando uns em relação a outros, de modo que as diferenças são descaracterizadas e transformadas em desigualdades. A diversidade, como dimensão humana, entendida como a construção histórica, social, cultural e política das diferenças que se expressa nas complexas relações sociais e de poder, tornou-se tema central na construção de um mundo no qual seja garantido, como aponta Boaventura de Sousa Santos, o direito a sermos iguais quando a diferença nos inferioriza e de sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. "A concepção de educação intercultural visa superar o preconceito e considera a diversidade como um valor positivo que deve permear a relação entre as diferentes culturas que chegam a escola. Isso quer dizer que se a escola está determinada a acolher e trabalhar com todas as crianças que ela recebe, não pode fazer a partir de concepções ou de preconceitos patológicos e perversos sobre a diversidade, mas a partir da consideração de que a diferença é um elemento de valor e uma referência positiva para mudar a escola.isso fará com que alunos vivam diferentes culturas e percebam as diferenças entres as pessoas como algo valioso, solidário e democrático (Lópes Melero 1997). Nesse sentido, vale lembrar Paulo Freire quando ele afirma que a educação sozinha não transforma a sociedade, mas sem ela tampouco, a sociedade muda. Essa afirmação do autor nos mostra a importância dos processos educativos na construção de uma nova realidade, na medida em que contribui fundamentalmente na formação dos sujeitos sociais que são os agentes construtores da sociedade. A formação inicial e continuada de professores voltada para transformação da realidade e que tenha como base o reconhecimento da diversidade, estará vinculada com a garantia dos direitos sociais e humanos e à construção de uma educação inclusiva. Nessa perspectiva, apesar das instituições educativas não serem os únicos lócus de formação, elas cumprem um papel de fundamental importância na educação formal e não formal. É preciso lembrar que os professores/educadores junto com os estudantes, são os atores centrais dessas

4 instituições. Assim, a formação desses sujeitos adquire um importante papel na construção e transformação da sociedade. Se, por natureza, somos todos iguais em dignidade e direitos, capacidades, crenças, ideias, as características de cada indivíduo, são uma riqueza pessoal e social. Os seres humanos são diferentes uns dos outros e as nossas diferenças se manifestam nas várias formas de sentir e interpretar o mundo que cada um constrói no âmbito sócio-histórico e cultural que vive ( Ascension Palomares Ruiz, 2004). A formação inicial e continuada dos professores precisa constituir-se em lócus privilegiado de discussão e reflexão dessas questões, assim como para a criação e a implementação de proposições que possibilitem vislumbrar novos caminhos e avanços no que tange ao trato da diversidade cultural no contexto escolar 1. O desconhecimento da riqueza e da complexidade da diversidade pode reforçar o papel estruturante do racismo e, desse modo, tratar as diferenças de forma discriminatória, aumentando ainda mais a desigualdade que se propaga pela conjugação de relações assimétricas de classe, étnico-raciais, gênero, diversidade religiosa, idade, orientação sexual, cidade/campo e pela condição física, sensorial ou intelectual 2. Neste eixo, que trata das práticas inovadoras de educação para diversidade, incluiremos experiências que contemplem, sem esgotar as demais, as seguintes realidades: 1 Formação continuada de professores para a diversidade cultural: ênfases, silêncios e perspectivas. Artigo de Ana Canen e Giseli Pereli de M. Xavier. Disponível em: 2 Documento referência da Conferência Nacional de Educação, do Brasil, 2014.

5 Os povos indígenas As populações migrantes A população do campo As populações vulneráveis Os adolescentes, Jovens e adultos em risco de exclusão social e / ou educacional. Os presidiários Os Contextos de multilinguismo Habilitação de outros agentes da educação não formal. Certificação de formações diversas Diversidade étnico-racial Gênero Diversidade sexual População da floresta Povos das águas Povos de fronteiras Comunidades quilombolas Religiões de matizes indígenas e africanas Outros.

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